29 agosto 2008

Efeitos do pré-sal

. Segundo o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, está em fase de formatação pelo Banco uma política industrial do petróleo – que embora já estivesse em preparação antes da descoberta das reservas de petróleo no pré-sal, agora será orientada para suprir a necessidade de equipamentos para exploração da região.
. O primeiro passo dessa política industrial do petróleo será fazer um levantamento de todas as matérias-primas, máquinas e equipamentos que o Brasil vai precisar para criar a tecnologia capaz de explorar petróleo a 7.000 metros de profundidade. Navios-sonda estão entre os equipamentos necessários para a exploração que o país ainda não possui.

História: 29 de agosto de 1983

Finda o congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Bernardo, SP. Reuniu 5.059 delegados de 912 entidades e elege Jair Menegueli presidente (até 1994). A unidade aludida na sigla não se efetiva, mas a CUT se afirma como maior e mais longeva central da história do sindicalismo brasileiro. (Vermelho http://www.vermelho.rg.br/).

Não vi, não sei se gostaria

. Às voltas com agenda de candidato a vereador, não pude ver o debate de ontem na TV Clube.
. Não vi, nem sei se gostaria. As regras dos debates na TV são muito rígidas, o tempo de exposição das idéias dos candidatos muito exíguo. Ao final, ganha quem causou a melhor impressão, não necessariamente quem apresentou melhores propostas.
. O jogo de cena geralmente prevalece sobre o conteúdo.
. Mas estou certo de que o candidato João da Costa está muito preparado para os debates – e para governar a cidade.

28 agosto 2008

Coluna semanal no Portal Vermelho

Olhares atentos e rigorosos
Luciano Siqueira

Em tempo de tantas denúncias, fundadas ou não, o candidato caminha submetido ao crivo das idéias e da conduta e constantemente é chamado, como a mulher de César, a provar que é honesto. Mesmo os que ostentam longa, conhecida e inquestionável trajetória.

- “Faz muito tempo que lhe acompanho pela imprensa e sempre me falaram bem a seu respeito, mas confesso que antes de vir aqui pesquisei na internet se há algum processo ou acusação contra o senhor. Felizmente não encontrei nada, parabéns!” – disse-me a comerciante de idade mediana e sem vida associativa, participante de uma reunião de residência convocada por amigos.

Outra, a caminho do trabalho, cedinho da manhã, ao abaixar o vidro do carro para receber de minhas mãos um panfleto, no cruzamento de duas avenidas movimentadas, foi taxativa:

- “Só o senhor para encarar a gente de frente e distribuir pessoalmente seus panfletos! Hoje em dia, doutor, são poucos os políticos que têm essa coragem.”

Talvez não sejam assim tão poucos, embora seja notória – pelo menos cá na província – a inibição de candidatos à Câmara Municipal, que pouco se expõem ao contato com os eleitores na via pública. Uma espécie de conduta defensiva face o ambiente contaminado pela suspeita e envenenado pelo chamado denuncismo que a quase todos atinge, indiscriminadamente, sem muito espaço para a defesa.

Ir a qualquer lugar, cumprimentar as pessoas, falar da própria história de vida e de luta, expor idéias e assumir compromissos, sem qualquer dificuldade e ainda sob o benefício da boa acolhida tranqüiliza e entusiasma a gente. Mas não deixa de ser preocupante o clima de desconfiança generalizada que dificulta os passos de muitos candidatos corretos e sinceros, e que ao invés de qualificar a capacidade de julgamento do eleitor pode, ao contrário, rebaixá-la. E, como subproduto, incrementar a passividade que a nada leva e só favorece aos que participam da peleja apoiados no poder econômico e no clientelismo.

Que sejam atentos e rigorosos os olhares dos eleitores, tudo bem; porém é preciso desmitificar a falsa idéia de que a maioria ou quase todos os políticos se deixam envolver em condutas inadequadas ou buscam tirar proveito pessoal dos cargos que ocupam. Este que lhes escreve já fez umas tantas coisas na vida - de balconista de bodega a funcionário público; de artesão e jornalista a médico - e não vacila em afirmar que é exatamente na vida política que tem encontrado o maior percentual de pessoas sinceramente devotadas ao bem comum.

A campanha eleitoral da azo a que essa verdade seja explicitada, desde que os que pleiteiam cargos e que nada devem assumam conduta ofensiva e se revelem perante os eleitores com a mesma garra com que defendem suas idéias e buscam o voto.

Bom dia, Leo Asfora


Encruzilhada

Os pés do poeta percorrem o mundo
São tortuosos caminhos
Desertas estradas
Ruas movimentadas.

Em meio ao silêncio absoluto
Ou ao neurotizante vuco-vuco
Rostos sofridos
Sorrisos imprecisos
Gargalhadas descontroladas
Em macabras encruzilhadas
Beijos ao vento
Perdidos no tempo...
O poeta tem o munndo aos pés

Cada passo tatuado na memória
Um novo verso
Uma velha história.

Anistia para quem?

No Vermelho:
UNE e OAB lançam manifesto "Tortura não é crime político"
. Em conjunto com o Manifesto dos Juristas, a UNE, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) lançam no aniversário da Lei da Anistia, 28 de agosto, às 11 horas e 30 minutos, na Faculdade de Direito da USP, na capital paulista, o manifesto "Tortura não é crime político: pela verdade e reconciliação". O objetivo é favorecer o debate e contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento apresentada por torturadores da ditadura.
. "Recentemente pudemos ver a comunidade jurídica brasileira manifestar-se contra aqueles que querem impor o silêncio e uma falsa memória, forçando o esquecimento e pregando a impunidade dos bárbaros crimes que alguns membros das forças armadas perpetraram durante a ditadura militar", explica o convite das entidades.
. "É hora da sociedade civil manifestar-se, mostrando que não apenas aos juristas interessa esse debate, mas sim a todos os brasileiros que prezam o Estado Democrático de Direito. É neste sentido que a União Nacional dos Estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Imprensa formulam e assinam o manifesto, rogando a todos que somem sua assinatura, agregando força a este movimento contra a impunidade e o esquecimento", convoca o texto.
. Para assinar o manifesto basta remeter seu nome, estado de residência e organização em que trabalha/milita para o e-mail manifestodasociedadecivil@hotmail.com, até a zero hora do dia 27/08.
. Leia a o manifesto http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=42523

Poetas fazem a III Recitata

No Interpoética:
. Nesta quinta-feira (28/08) começam as eliminatórias da III Recitata, dentro da programação do 6º Festival Recifense de Literatura que neste ano acontecerá na Rua da Moeda.
. Nos dias 28, 29 e 30, sempre às 19h, mais de 100 inscritos recitarão seus poemas em plena rua. Os vencedores de cada dia participarão da grande finalíssima que acontecerá no dia 31, na Praça do Arsenal, durante a Feira do Livro. A RECITATA é um grande concurso de recitação no qual participam os poetas locais e de outras cidades. Seu principal objetivo é valorizar a recitação e as performances poéticas. Este ano, além do tradicional Júri Popular, teremos um Júri Especializado formado pelos poetas Dione Barreto, Ésio Rafael e Raimundo de Moraes.
. A grande sacada dessa inovadora competição é que o concurso é autoral, os poetas concorrem com seus próprios textos - o que o diferencia de outros concursos, que terminam dando visibilidade a atores e não a autores. Na RECITATA o poeta tem que segurar a onda da performance através de um texto de sua própria autoria. É o corpo e o verbo em uníssono.

Nosso artigo semanal no Blog de Jamildo (JC Online)

Reforçando o papel indutor do Estado
Luciano Siqueira

Com a aprovação pelo Senado, ontem, da Medida Provisória que oferece incentivos para o setor industrial através de desonerações tributárias, vivemos mais um lance da gradativa afirmação do papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. A indústria se beneficiará com aproximadamente R$ 17 bilhões até 2010 e é iniciativa parte da política industrial adotada pelo presidente Lula.

Desde Collor e sobretudo na chamada era FHC, a economia brasileira vivia sob a égide das idéias neoliberais que promovem a redução do papel do Estado a quase nada e retoma a essência do velho neoliberalismo, agora de modo mais drástico, para o qual o mercado deve decidir tudo. Dessa forma o país completou quase três décadas perdidas, em descompasso com a evolução da economia mundial. Mais: assistiu praticamente passivo ao danoso processo de privatização de empresas estatais estratégicas, consolidando, então, a renúncia a qualquer projeto soberano de desenvolvimento. Tanto que, no que diz respeito ao setor industrial, ultrapassamos mais de vinte anos sem uma política específica.

Com a assunção de Lula ao governo central, e em que pese persistente, complexa e pendular luta entre concepções opostas no interior do próprio governo, retomamos o dinamismo estatal como propiciador do crescimento econômico. Daí a política industrial inovadora que se adotou e que teve, em maio passado, um importante reforço através de um conjunto de medidas destinadas a fomentar as atividades do setor – dentre elas a redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento para até 10% e da contribuição para o Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresas; a dedução em dobro, para determinação da base do cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das despesas com programas acelerados de capacitação de pessoal; a permissão para que as empresas de informática e automação possam deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento multiplicados por um fator de até 1,8.

Que se pretende com tais medidas? Alavancar o crescimento econômico com melhor distribuição de renda e valorização do trabalho.

É possível?

A prática tem demonstrado que sim, relançando, por assim dizer, nossa economia a partir do seu setor mais dinâmico e colocando as relações entre o capital e o trabalho em condições sob as quais os trabalhadores têm a chance de batalhar com êxito por seus direitos básicos.
Com a palavra os defensores do estado Mínimo neoliberal, tão ativos e loquazes até recentemente e agora, como diria o poeta, mudos e quedos.

27 agosto 2008

Dívida pública

. Conforme anuncia a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a estabilidade da política econômica brasileira fez o Tesouro Nacional está propiciando a revisão das estratégias de refinanciamento da dívida pública federal.
. O santo que estaria por trás do milagre seria a “robustez dos principais indicadores econômicos, em particular os elevados superávits fiscais”, em que pese o cenário de instabilidade no plano internacional e suas conseqüências sobre o mercado financeiro brasileiro.
. Os novos limites do estoque da dívida pública federal passaram da faixa de R$ 1,480 trilhão a R$ 1,540 trilhão para R$ 1,360 trilhão a R$ 1,420 trilhão. Os limites do percentual da dívida pré-fixada passaram de 35% a 40% para 29% a 32%.
. Por outro lado, os limites do percentual da dívida indexada à taxa básica de juros, a Selic, passaram de 25% a 30% para 31% a 34%. A Selic, usada pelo Banco Central para controlar a inflação, também tem impacto na dívida pública.

26 agosto 2008

Inflação controlada?

. Parece que sim, a julgar pelos dados divulgados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou em cinco das sete capitais pesquisadas.
. O índice para a média das capitais na terceira prévia da inflação em agosto apresentou variação de 0,24%, taxa 0,10 ponto percentual abaixo da apurada na semana anterior. A principal contribuição para o resultado partiu dos preços dos alimentos, que registraram queda de 0,45%, a menor taxa desde a segunda semana de julho de 2006 (-0,64%).

24 agosto 2008

Boa tarde, Dante Milano

Música surda

Como num louco mar, tudo naufraga.
A luz do mundo é como a de um farol
Na névoa. E a vida assim é coisa vaga.

O tempo se desfaz em cinza fria,
E da ampulheta milenar do sol
Escorre em poeira a luz de mais um dia.

Cego, surdo, mortal encantamento.
A luz do mundo é como a de um farol...
Oh, paisagem do imenso esquecimento.

Estado de espírito

Folha Online:
Felicidade diminui risco de câncer de mama, diz estudo
. Uma pesquisa realizada por especialistas israelenses sugere que se sentir feliz e ter uma atitude positiva diante da vida pode ser uma arma eficaz na prevenção contra o câncer de mama.
. A equipe, da Universidade de Ben-Gurion, afirma que mulheres que se dizem felizes têm menos chances de desenvolver a doença, enquanto as que viveram eventos traumáticos estão mais vulneráveis a desenvolver o tumor.
. Os especialistas entrevistaram mais de 250 mulheres com idades entre 25 e 45 anos, diagnosticadas com câncer de mama.
. As pacientes responderam a perguntas sobre sua atitude em relação à vida e se tinham passado por episódios tristes, como a morte de um membro da família ou outro acontecimento traumático.
. Os resultados foram comparados com as de um outro grupo de voluntárias saudáveis. Os cientistas observaram que as mulheres que se declararam mais otimistas tinham 25% menos chances de apresentar câncer de mama.
. "Descobrirmos que o sentimento de felicidade e otimismo tem um efeito de proteção", disseram os pesquisadores.
. Ainda segundo eles, um único evento traumático não influencia no desenvolvimento da doença, mais duas ou mais crises pessoais aumentam os riscos da doença em dois terços.
. Os cientistas esclareceram que o fato de as entrevistas terem ocorrido pouco depois do diagnóstico pode ter levado as pacientes a darem respostas "mais nostálgicas e negativas sobre o seu passado".
. Mas insistiram que vivenciar mais de um evento traumático é um fator de risco para o câncer de mama.Os especialistas disseram, entretanto, que a ligação entre o estado mental e os sistemas imunológico e hormonal ainda não é clara e que outros estudos são necessários.
Pesquisas anteriores sugeriram que o estresse pode aumentar os níveis de estrogênio em mulheres, um hormônio que pode desencadear e alimentar o câncer.

História: 24 de agosto de 1954

Homenagem: o controvertido governante se agiganta ao morrer
Vargas se mata com tiro de revólver no peito, no Catete, Rio. O rádio irradia sua Carta-Testamento: "Esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém". Protesto espontâneo culpa os EUA pela morte, ataca sedes da UDN e da imprensa de direita. A explosão de revolta leva o Exército a ocupar as grandes cidades. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Futebol globalizado

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Inutilidade milionária

A derrota da seleção brasileira de futebol nas quartas de final dos jogos olímpicos de Pequim revela a face em que se constituiu o maior celeiro de craques dessa que é a grande paixão esportiva do povo em todo o planeta.

Diz a imprensa nativa, e é verdade, que o país exporta anualmente para todos os continentes mais de mil jogadores, sendo que a Europa é o destino principal dos melhores talentos revelados, inclusive nas escolinhas de futebol juvenil, espalhadas por todos os Estados da federação.

A extraordinária capacidade dos brasileiros, verdadeiros artistas dessa maior atividade cultural existente nos tempos contemporâneos, foi tragada pela ideologia da globalização. De tal maneira que na seleção quase não há jogadores em atividade nos clubes nacionais.

Dizem que nos tempos do mercado global é impossível resistir ao preço que os times europeus, e árabes agora, oferecem aos clubes e aos jogadores brasileiros. Vá lá, vá lá.

Mas esses craques perdem totalmente a identidade, o orgulho e a reverência às cores da sua bandeira, o amor ao seu país. Nas Olimpíadas de Pequim surgiu outro fato novo, atletas são naturalizados por países, em várias modalidades, sem nenhuma afinidade para com as suas novas pátrias.

Ao ponto em que duas duplas de brasileiros, feminina e masculina, jogaram vôlei pela Geórgia. O pior é que confessaram em entrevista, que nunca estiveram, e nem passaram por cima de avião, na Geórgia.

Mas o incrível é que o presidente desse país foi recentemente um brilhante aluno de uma universidade norte-americana, amigo de Bush e seus amigos, e em conseqüência, presenteado com a presidência daquele país. É, sem dúvida, um presidente globalizado.

De quebra, meteu essa jovem nação em uma aventura bélica contra a Rússia, só para que George W. Bush tentasse promover a “grande cruzada” da sua gestão, invadir países e afogá-los em uma estranha democracia de sangue, petróleo e dor.

A “global cult” sabe o que faz, Bush foi a Pequim torcer pelos seus atletas, com bandeirinha na mão, declarando-os patriotas e embaixadores dos EUA, símbolos de uma supremacia. Mas, promove o discurso, também nos esportes, do “mundo sem fronteiras”.

Em conseqüência, alguns atletas de destaque, inclusive brasileiros, são considerados por setores da imprensa esportiva como milionários apátridas, burocratas e robotizados. O que não deixa de ser verdade.

Uma questão candente

Agência Carta Maior, por Samuel Pinheiro Guimarães:
Nação, Nacionalismo, Estado
. O mundo ideal, para muitos indivíduos da nova sociedade do século XXI, de onde são enxotadas as utopias, ridicularizadas sempre que propõem enfrentar as desigualdades sociais e modificar as estruturas de poder que as originam e mantêm, seria um mundo sem governos, sem violência, sem drogas, sem políticos, sem normas, sem impostos, onde todos seriam física e financeiramente bem sucedidos, atletas e empresários, um mundo em que, acima de tudo, o Estado não existiria.
. Leia o ensaio na íntegra: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15200

Ciência brasileira

Ciência Hoje Online:
Por um diagnóstico mais preciso e barato
Estudo identifica proteínas com expressão diferenciada em células infectadas por um tipo de leucemia
. O estudo das proteínas encontradas nas células do corpo tem se mostrado um método promissor para o diagnóstico e o acompanhamento da evolução de doenças. Um trabalho do Instituto Nacional de Câncer (Inca) identificou proteínas que se expressam de forma diferenciada em células infectadas por um tipo de leucemia. A pesquisa dará origem a um kit mais barato, preciso e eficaz para o diagnóstico da doença.
. O trabalho foi apresentado durante a 23ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada de 20 a 23 de agosto em Águas de Lindóia (SP). Os últimos resultados foram relatados pela geneticista Eliana Abdelhay, chefe da divisão de laboratórios do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Inca.
. Os pesquisadores estudaram as proteínas de células da medula óssea de doadores saudáveis e de pacientes com leucemia mielóide crônica, doença causada por uma mutação nas células-tronco que pode afetar todas as linhagens de células sangüíneas, principalmente as mielóides.
. Leia a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/126549

22 agosto 2008

Bom dia, Cecília Meireles


Siron Franco


Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...

21 agosto 2008

Coluna semanal no Portal Vermelho

Amyr Klink e a conquista do voto
Luciano Siqueira

Em Paratii entre dois mundos, o navegador Amyr Klink faz uma observação que parece óbvia, porém rica de significados nas circunstâncias que descreve de sua viagem solitária rumo ao Pólo Norte: um detalhe pode ser decisivo para o êxito ou fracasso de um grande projeto. Ele se referia à inversão do sentido de botões interruptores do fornecedor de gás, que esquecera, e por pouco não produzira um desastre.

Assim ocorre numa campanha eleitoral. Ao planejá-la comumente se pensa em tudo e se procura utilizar muitos instrumentos e formas de mobilização destinados a firmar a imagem pública do candidato e a obter a preferência de parcela de eleitores suficiente para lhe assegurar a vitória. Mas há um detalhe que freqüentemente é subestimado, especialmente quando se trata de candidatura a vereador: como “amarrar” o voto.

Tomo a liberdade de citar o exemplo de nossa campanha para vereador no Recife – que cresce, ganha consistência e nos permite vislumbrar o êxito. Não são poucos os que se entusiasmam com a receptividade do eleitorado nas ruas, nos salões e em toda parte. E insistem: “É preciso divulgar mais que você é candidato a vereador, difundir o número 65100.”

Claro que quanto mais ampla a divulgação da candidatura, melhor. E temos ótimos instrumentos para isso, que utilizamos com certo nível de competência. Panfletagem nos cruzamentos de ruas e avenidas movimentadas, em entradas de escolas, empresas, teatros e cinemas com a presença do próprio candidato. Visitas programadas a Universidades, hospitais e outras instituições onde contamos com apoiadores influentes; e, desde ontem, a TV e o rádio. São atividades que dão volume à campanha e alcançam parcelas significativas da população – o que ajuda bastante, sobretudo porque o candidato, no caso, é razoavelmente conhecido do grande público e se beneficia de uma imagem muito positiva.

E o detalhe? Bem, o detalhe exatamente reside no ato individual de pedir o voto. Reuniões de grupos de amigos em residências, salões de festa de edifícios residenciais, em restaurantes e bares e mesmo no comitê constituem, por assim dizer, a chave do êxito. Porque é nessas reuniões, ainda que breves, que o candidato expõe suas idéias, revela sua história de vida e de militância, escuta as pessoas e assume compromissos.

Estabelece-se, nas reuniões, uma cumplicidade entre o candidato e seus apoiadores. E as pessoas são motivadas a usar o adesivo, a distribuir impressos e a pedir o voto entre familiares e amigos. Se cada um pede pelo menos mais quatro votos a rede de reuniões diárias se fizer extensa, ao final a vitória será conquistada. E pedir o voto, convenhamos, é algo simples: quase ninguém vota sozinho, compartilha com alguém a opção que fez.

Daí Amyr Klink ter inteira razão. E pedir o voto é o detalhe que pode definir o êxito do nosso projeto.

"Na curva do rio"

. É o título do romance de Wilame Jansen, que terá lançamento quinta-feira próxima, 21, a partir das 19 horas, no restaurante Adega (Clube Português).
. No convite, diz autor: “Espero que também seja um momento de encontros, portanto, a sua presença e a dos amigos são importantes.”
. Técnico de altíssimo nível, Jansen revela agora o seu talento literário.
. Vale conferir. Estarei lá.

Uma questão estratégica

No Vermelho, por Lécio Moraes:
Petrobras ou ''Petrosal'': entre a nação, os acionistas e os especuladores
. A discussão sobre o modelo de exploração das grandes reservas de petróleo prometidas pelas camadas do pré-sal vem chamando a atenção do país. Essa opção é uma decisão estratégica que mobiliza todo o governo brasileiro e apresenta duas propostas básicas: conceder todas as reservas – as já descobertas e as por descobrir – à Petrobras, sob concessão exclusiva; ou criar uma nova estatal (já apelidada de “Petrosal”), para gerenciar essas reservas em nome da União – todas ou as por descobrir.
. A grande mídia, como sempre, toma partido de um só lado, o que prejudica o entendimento que todo o país deve ter do problema. A tentativa de contrapor os interesses dos acionistas da Petrobras (inclusive os trabalhadores que usaram seu FGTS) aos dessa eventual nova estatal é uma tentativa de embuste. E vamos explicar por quê.
. O governo Lula parece, por declarações sucessivas, vir se inclinando pela criação de uma nova estatal e pelo direcionamento dos grandes e valiosos recursos que advirão do pré-sal para atingir objetivos nacionais de longo prazo.
. Antes que a posição do governo Lula se clarificasse a grande imprensa já se posicionava “a favor” da Petrobras como exploradora dessas novas reservas. Em editorial da semana passada, o Estado de S. Paulo já “defendia” a Petrobras, tendo como argumento a defesa dos interesses dos seus acionistas privados (que possuem a maioria do seu capital e, em conseqüência, se apropriam da maior parte de seus lucros [1]). Nesta quarta-feira, artigo em O Globo, de Paulo Bornhausen, deputado do DEM e filho de outro prócer direitista, foi mais além. Bornhausen filho argumenta que “tirar” da Petrobras a exploração direta e exclusiva do pré-sal pela criação da Petrosal significa um “calote” nos 310 mil trabalhadores que compraram ações da Petrobras com dinheiro de suas contas no FGTS, já que eles perderiam dinheiro com isso.

20 agosto 2008

História: 20 de agosto de 1842

Teófilo Otoni na Batalha de Sta. Luzia
Batalha de Sta. Luzia. Vitória de Caxias marca o fim da Revolução Liberal em MG, mas os revolucionários ainda resistem no vale do Paraíba, SP. Os liberais (termo que na época tinha sentido distinto do atual) ganham o apelido de Luzias. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Mobilidade social

Editorial do Vermelho:
Qual é a ''classe média'' que cresce no Brasil?
. A comemoração das boas notícias sociais no Brasil aumentou depois da publicação, dia 5, do estudo ''A Nova Classe Média'', coordenado pelo pesquisador Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Ele mostra o crescimento da chamada classe média que, hoje, formaria mais da metade da população brasileira.
. O critério usual em estudos dessa natureza pode gerar confusão a respeito do que se considera uma classe social. Ele divide a população em faixas de renda - A, B, C, D e E -, que a mídia chama de ''classes''. O estudo considerou como classe E as famílias com renda entre zero e R$ 768; como classe D aquelas que ganham R$ 768 e R$ 1.064 - estes são os contingentes mais pobres, que diminuíram de tamanho. A saudada nova ''classe'' C tem renda familiar entre R$ 1.064 e R$ 4.591, enquanto a chamada elite (as faixas A e B) ganham acima de R$ 4.591. O aumento da faixa C (que hoje tem 52% da população) reflete, segundo Neri, o crescimento econômico, a melhoria na renda dos trabalhadores, e o aumento do emprego formal, com carteira assinada. Só no primeiro semestre de 2008 foram 1,361 milhão de novos empregos, podendo chegar a dois milhões no ano, ritmo que confirma o desempenho do governo Lula e reflete a retomada do crescimento da economia.
. Leia o texto na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=42154

19 agosto 2008

Nosso artigo semanal no Blog de Jamildo (JC Online)

A (in)desejáel reforma política
Luciano Siqueira

A notícia é de ontem e contém um paradoxo e um erro tático. O governo sugere mudanças contraditórias na lei eleitoral e partidária e deseja que o Congresso trate por partes, e não como um conjunto uno e coerente, a reforma política.

Qual reforma? Um misto de avanço democrático e de restrição ao pluralismo que reflete a complexidade da sociedade brasileira. Este é o paradoxo.

O financiamento público de campanhas e o voto em listas partidárias pré-definidas viriam lado a lado com quebra da liberdade de coligações para eleições proporcionais e cláusula de barreira para reduzir o número de partidos.

O financiamento público de campanhas é mais do que necessário como meio de coibir relações promíscuas entre grupos econômicos e governantes e parlamentares, raiz de muitos casos escandalosos que com freqüência ocupam o noticiário.

O voto em listas partidárias pré-estabelecidas transfere o foco do voto em personalidades individuais para programas partidários. Contribui para a elevação da consciência política do eleitorado, fortalece partidos política e ideologicamente definidos.

Já a restrição da liberdade dos partidos firmarem alianças para disputas proporcionais engessa a possibilidade do exercício livre da busca de convergências e, por extensão, o amadurecimento de legendas ainda frágeis.

A cláusula de barreira é uma excrescência oriunda do regime militar, que assim mesmo no período ditatorial jamais teve condições de vigorar. Impede, na prática, a existência plena de partidos políticos que embora pequenos refletem a realidade social multifacética de um país de dimensões continentais. Impedir através de norma restritiva que agremiações como o Partido Verde, por exemplo, permaneçam presentes na cena política equivale a calar a voz de uma corrente de idéias que tem determinada base social.

Partidos políticos se firmam ou desaparecem através do crivo popular, em sucessivas eleições e embates na sociedade. Querer restringi-los por meio de regras antidemocráticas é colidir com a realidade.

Quanto a encaminhar a (in)desejável reforma de maneira fatiada, pedaço a pedaço, “para contornar pontos polêmicos”, como teria afirmado o ministro José Múcio Monteiro, é cair na armadilha dos grandes partidos (inclusive o PT), que nessa matéria têm postura conservadora.

Na verdade, em condições normais de tempo e temperatura a reforma política deveria ser obra do parlamento, sem interveniência do poder executivo. No Brasil, historicamente, as relações entre o governo e o Congresso Nacional jamais se deram a base da autonomia mútua. Daí a reforma entrar na pauta do governo. Mas, na atual correlação de forças no Congresso, largamente favorável aos que desejam uma reforma restritiva, e sem que a sociedade esteja atenta ao assunto, a desejável reforma se torna indesejável e inoportuna. Aí está o erro tático do governo – que pode ter conseqüências nefastas.

18 agosto 2008

Sem agressão à nossa língua

. Que na busca do voto façamos tudo, menos agredir a língua pátria! Mas é o que fiz ao repassar aos amigos, por e-mail, o texto Desenvolvimento, emprego e educação para o trabalho é o tema. Veja a agenda da semana sem a devida revisão. Resultado: apresentamos o debatedor do tema Desenvolvimento, emprego e educação para o trabalho, nesta terça-feira, em nosso Comitê, Fernando Nunes, secretário de Administração e Gestão de Pessoas da Prefeitura do Recife, ex-acessor da FIEPE – e não assessor.
. O escritor e amigo Urariano Mota de pronto apontou o erro.
. O candidato se responsabiliza. E espera não perder votos por isso.

15 agosto 2008

Vontade popular

Na Coluna Diário Político (Marisa Gibson), no Diário de Pernambuco: Vexame - Com uma campanha pobre, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB), paraibana de Cabedelo, é quem está liderando as pesquisas na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Márcio Lacerda (PSB), que tem o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT), está lá atrás junto com o candidato do PSTU.

Renildo na Rádio Folha

Folha de Pernambuco, por Larissa Brainer:
“Arlindo faz pouco caso da memória do eleitor”
Renildo diz que petebista “está enganando as pessoas”
. Apesar de pregar uma campanha propositiva, afirmando que “candidato que bate não ganha”, o postulante à Prefeitura de Olinda, Renildo Calheiros (PCdoB), não deixou de atacar o adversário Arlindo Siqueira (PTB). Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, ontem, o comunista disse que o petebista está “fazendo pouco caso da memória dos eleitores” ao exibir cartazes em que aparece ao lado do presidente Lula (PT), do governador Eduardo Campos e, inclusive, do prefeito do Recife, João Paulo (PT). “Arlindo apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) e José Serra (PSDB) em outras eleições. Apoiou Mendonça Filho (DEM) e agora se coloca ao lado de Lula, Eduardo e até de João Paulo. Ele está enganando as pessoas”, declarou o deputado federal.
. Embora tenha direcionado as críticas ao petebista, o prefeiturável não crê em uma polarização entre os dois, afirmando que sempre acreditou em um segundo turno com a candidata Jacilda Urquisa (PMDB). “Reconheço que Jacilda tem prestígio na cidade, tem apoios fortes, lastro político. Nunca escondi que minha adversária é ela, porque os outros não têm tanto lastro político, nem apoio social”, avaliou Renildo.
. No que diz respeito aos problemas do município, Calheiros afirmou que “Olinda é uma cidade que precisa de tudo” e que a maior dificuldade é a arrecadação insuficiente. Como exemplo, o candidato explicou que há uma necessidade de investir mais R$ 12 milhões por ano em conservação de ruas. Atualmente, segundo ele, a Prefeitura só pode disponibilizar R$ 3 milhões.
Entre as suas propostas, o candidato pretende urbanizar o trecho da avenida Ministro Marcos Freire (beira-mar), que vai do Flat Quatro Rodas até os limites com o município de Paulista. Para a Saúde, Calheiros garantiu que, caso eleito, “fará o esforço que for necessário” para que não faltem médicos nas unidades de atendimento. Além disso, ele adiantou que pretende implantar uma banda de música em cada escola municipal e ainda investir pesado em políticas voltadas para o esporte, como instalação de piscinas em cinco escolas da rede municipal, para estimular a prática da natação. A construção de um estádio de futebol e criação de um time de futebol também estão nos planos do comunista.
Foto de Chico Farias, na Folha de Pernambuco

14 agosto 2008

Café da manhã

Na coluna Pinga-Fogo (Inaldo Sampaio) no Jornal do Commercio de hoje: Café político - Luciano Siqueira (PCdoB) define como “suprapartidário” o café da manhã (de adesão) que haverá nesta 6ª na Arcádia do Paço Alfândega, pró sua candidatura a vereador, com direito a uma palestra da economista Tânia Bacelar.

Coluna semanal no Portal Vermelho

Mobilidade urbana e reforma
Luciano Siqueira

Campanha é essencialmente para conquistar voto – o indicador decisivo e óbvio do êxito ou do fracasso. Mas campanha de candidato do PCdoB é mais do que isso: também busca elevar a consciência política do eleitorado, estimular a organização e a luta do povo, descortinar novos horizontes políticos, equacionar problemas do presente, projetar transformações sociais de fôlego no futuro, fortalecer o próprio partido, consolidar alianças políticas.

Por isso tem que ter debate de idéias – para demarcar campos com forças contrárias, aclarar problemas complexos, dar consistência e credibilidade a propostas.

Nossa campanha para vereador no Recife combina o contato direto com o eleitor, o chamado corpo-a-corpo, com a discussão de problemas cruciais de nossa cidade inseridos na problemática do país. Terça-feira última debatemos com Oswaldo Lima Neto, doutor em engenharia de trânsito, professor da Universidade Federal de Pernambuco e atual secretário de Planejamento de Olinda o tema Mobilidade Urbana, transporte e trânsito – o Recife não pode parar. Técnicos, gestores públicos e ativistas da luta social tomaram parte.

A intenção é lastrear o discurso do candidato e assegurar subsídios para o exercício do mandato – que, por seu turno, será vetor da continuidade do estudo e da luta para solucionar os impasses da cidade.

Duas conclusões, dentre outras, merecem ser anotadas. Uma, de natureza particular, digamos: a necessidade de mudança na Lei das Calçadas. Hoje, no Recife, cabe ao proprietário do imóvel a responsabilidade pela conservação das calçadas – o que quase ninguém faz daí a enorme quantidade de pessoas que transitam pelo leito da rua, arriscando-se a acidentes. A idéia é que a Prefeitura cuide da conservação e, conforme faixas sócio-econômicas definidas, cobre do proprietário pela benfeitoria realizada.

Outra, de dimensão mais larga: a compreensão de que se coloca na ordem do dia, em vista da dispersão e do caos urbano existente, a retomada da luta pela reforma urbana associada à defesa da implementação do Plano Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável formulado pelo governo federal.

Moral da história: quanto mais ousados e hábeis sejamos na abordagem do eleitor em busca do voto, maior a responsabilidade de defender com conhecimento de causa soluções para os problemas que conspiram contra a qualidade de vida na cidade.

Pré-sal

No Vermelho:
Haroldo Lima defende nova estatal para petróleo do pré-sal
. A megadescoberta petrolífera do pré-sal abriu um grande debate sobre o que fazer com estes recursos, quepodem passar de US$ 9 trilhões (seis vezes o PIB do país). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (12) que ''nós precisamos mexer na Lei do Petróleo deste país'' e criou um grupo interministerial que debate as alternativas. O grupo discute a portas fechadas e acordou não levar o debate à imprensa. Antes desse compromisso, porém, um de seus oito membros, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, defendera em entrevista à revista IstoÉ a ''opção norueguesa'': criar, ao lado da Petrobras, uma empresa 100% estatal para gerir as reservas.
. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, defende uma proposta ousada: ele quer mudar o tipo de parceria entre o governo e as empresas de exploração. Seja a médio ou longo prazo, Lima sugere a adoção da partilha de produção, em que todo o óleo produzido passa a ser propriedade do Estado e as empresas ganham um percentual em dinheiro. Para tanto, acredita, seria necessário criar uma nova estatal do petróleo. “Não temos condições de propor que na partilha de produção uma empresa brasileira fique com todo o petróleo sem ser totalmente estatal.” Isso exclui a Petrobras, que tem capital aberto. Como mudança de curto prazo, Lima propõe que as alíquotas pagas pelas empresas exploradoras sejam reajustadas para os níveis vigentes em outras partes do mundo.
. Veja a matéria na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=41946

História: 14 de agosto de 1835


Ilustração para selo de 1935, 1ºcentenário da Cabanagem
Segundo ataque dos cabanos a Belém, tomada após 9 dias de combate casa por casa; 3º bombardeio naval da cidade pela tropa imperial, inimiga de morte da Cabanagem. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Bom dia, Rainer Maria Rilke


Dançarina espanhola


Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.
E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.

Mas ela, do alto, num leve sorriso

de saudação, erguendo a fronte altiva,

pisa-o com seu pequeno pé preciso.

Universitário aos 81 anos

No Diário de Pernambuco:
Existe idade para estudar?
Janguiê Diniz Doutor em Direito
janguie@mauricionassau.com.br

Fazer exercícios físicos, cumprir tarefas domésticas, dedicar-se ao trabalho, estudar. A rotina de Gabriel D'Annenzio, aluno de Direito da Faculdade Maurício de Nassau, pouco se diferencia da dos seus colegas de classe. Mas um detalhe o torna único: a idade. Aos 81 anos, Gabriel resolveu voltar aos bancos da universidade neste semestre, ensinando que nunca é tarde para estudar.

Ele passa a fazer parte de uma pequena parcela dos ingressos em graduações com idade acima de 65 anos. Dos cerca de 1,8 milhões de novos estudantes universitários em todo o país, 1,3 mil estão nesta faixa etária, de acordo com o último Censo da Educação Superior, divulgado pelo Ministério da Educação no ano passado. Os dados do levantamento revelam que no Nordeste a proporção é ainda menor: dos 285.044 ingressantes, apenas 145 são idosos.

Estes baixos índices condizem com a média de tempo de estudo da população com mais de 60 anos, que é de 3,4 anos no Brasil e 2 no Nordeste, segundo o último Censo Demográfico do IBGE. Em um momento em que as pesquisas indicam a mobilidade da pirâmide etária, com previsões de que até 2020 cerca de 25 milhões de brasileiros sejam idosos, correspondendo a 12% da população, segundo o IBGE, faz-se necessário repensar as políticas de educação para a terceira idade.

Para estimular a continuação da atividade intelectual, boas iniciativas já foram implementadas pelo país afora, como o projeto de Universidade para a Terceira Idade, criado há 30 anos, na França, e que chegou ao Brasil na última década de 90, com uma proposta mais voltada para o incentivo ao acúmulo de conhecimento, do que para o mercado de trabalho. Porém não há mal nenhum em motivar também a continuação da atividade produtiva, com educação continuada, para acabar com o estigma de que os idosos são uma carga econômica para a sociedade.

Seu Gabriel D'Annenzio, por exemplo, tem uma trajetória que para muitos sinalizaria o momento de parar para curtir a aposentadoria. Casado, com quatrofilhos e sete netos, formado em Administração e Contabilidade, pós-graduado em Auditoria Externa, com mais de 50 anos dedicados ao serviço público, atuando atualmente como consultor contábil, ele resolveu investir na qualificação profissional, sob a justificativa de que os conhecimentos jurídicos melhorariam ainda mais a qualidade de seu serviço.

D'Annenzio retorna às salas de aula em busca de mais conhecimento, mas quem primeiro nos trouxe a lição foi ele, com o testemunho de sua força de vontade, que deve servir de exemplo para várias gerações. Os avanços da medicina nos fizeram viver mais. Agora cabe à educação nos proporcionar o viver melhor.

13 agosto 2008

Sem discriminação partidária

. A Controladoria-Geral da União (CGU) sorteou 50 municípios com obras nas áreas de habitação e saneamento que passarão por análise das aplicações de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
. São Paulo e Bahia foram os estados com o maior número de municípios a serem fiscalizados. Esses estados têm cinco municípios, cada um, na lista. Quatro cidades do Rio Grande do Sul também foram sorteadas. Já na Paraíba, Ceará, Paraná, Pernambuco, Maranhão e Piauí possuem três cidades com obras na mira da CGU.
. De acordo com a CGU, 3 mil municípios de até 500 mil habitantes, exceto as capitais, participaram do sorteio. Todos os municípios mineiros; as cidades de Angra dos Reis, Belford Roxo e Cabo Frio, no Rio de Janeiro; e Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo; ficaram de fora porque já estão sendo fiscalizadas em relação ao PAC. . Vale anotar: sem discriminação, ou seja, os municípios alvos de fiscalização foram escolhidos por sorteio. Na era FHC nem pensar numa coisa dessas.

Qual discurso?

O publicitário amigo me aborda no Paço Alfândega:

- E aí, Luciano, pronto para se eleger com um caminhão e votos?

- Que nada, rapaz. Estamos lutando muito para viabilizar ma candidatura lançada de última hora e conquistar votos para vereador não é fácil, a concorrência enorme.

- Diga isso não, que soa falso. Quer um discurso correto?

- Qual?

- “Estou lutando, sim, para ser o mais votado e preciso da sua ajuda.” É mais afirmativo e conquista mais apoios.

Essa de que serei o mais votado é uma faca de dois gumes. Dá um sentido de candidatura forte, o que é bom; mas abre o flanco para que muitos mudem de voto no pressuposto de que a nossa vitória estaria garantida, o que não é verdade.

Campanha de vereador é mesmo muito dura. Mais ainda quando começa depois de todos os concorrentes. Por isso prefiro manter a minha humildade habitual e trabalhar duro, junto com militantes e amigos, para conquistar os votos necessários.

Com todo o respeito pela sugestão do amigo publicitário.

História: 13 de agosto de 1937

Encerra-se no Rio de Janeiro o Primeiro Conselho Nacional Estudantil, que vira Congresso e marca a fundação da UNE (a data oficial de fundação é 11 de agosto de 1937). A União Nacional dos Estudantes se consolidará como entidade máxima unitária dos universitários, exceto na fase mais tenebrosa da ditadura, de 1971 a 1979. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Nosso artigo semanal no Blog de Jamildo (JC Online)

Nossa força, nossa voz
Luciano Siqueira

Num país cujas instituições sempre padeceram de inconsistência, instabilidade e vida curta, a septuagenária União Nacional dos Estudantes (UNE) se destaca pela presença marcante nas jornadas patrióticas e democráticas que em diversos momentos da vida nacional contribuíram para alterar o curso dos acontecimentos. De 1937 até hoje, por caminhos sinuosos e muitas vezes acidentados (teve sua sede invadida e depredada no golpe militar de 1964), a UNE se afirma como entidade nacional unitária dos estudantes universitários, partícipe da cena educacional e política, reconhecida e respeitada por todos os segmentos da sociedade.

Ontem a entidade protagonizou dois eventos relevantes.

Em solenidade no Rio de Janeiro, o presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou o projeto de lei que indenizará a UNE (juntamente com a UBES, União Brasileira de Estudantes Secundaristas) pelo incêndio criminoso da sede na Praia do Flamengo, 132, ocorrido em abril de 1964.

Na oportunidade, também foi anunciada a Caravana da UNE em defesa da saúde pública, que promoverá debates e atividades diversas em 41 universidades públicas e privadas, mesclando saúde, cultura e educação.

A Caravana é uma ação conjunta entre a UNE e o Ministério da Saúde e abordará questões candentes do interesse da juventude, como violência no trânsito e alcoolismo, educação sexual, prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, políticas públicas para as mulheres, direitos sexuais e reprodutivos e política de redução de danos. Em destaque, o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) pelo equacionamento dos problemas de financiamento e gestão.

O projeto de Lei que repara os danos sofridos pela entidade sob o regime militar e a ação em defesa da saúde pública refletem, a um só tempo, o resgate histórico de um momento difícil vivido pela entidade e o seu amadurecimento político.

A UNE se mostra madura na convivência democrática com um governo aliado, diante do qual combina atitudes de apoio e de protesto, conforme o tema ou a situação em tela. A entidade que se associado ao Ministério da Saúde em defesa do SUS é a mesma que sustenta um combate firme à política de juros altos, denunciando com vigor o apego do governo aos fundamentos macroeconômicos de cunho neoliberal que ainda persistem na gestão de Lula, sob os ditames do Banco Central.

Comportamento dúbio? Claro que não. Não há como ser contra sempre, nem a favor a qualquer título. Esses dois extremos são próprios de entidades corporativistas, sem espinha dorsal, que se deixam levar por interesses de ocasião. A UNE, ao contrário, considera os fatos em sua abrangência e se mostra segura ao adotar, em relação ao governo, postura crítica e ao mesmo tempo propositiva. Daí merecer o grito de guerra que há décadas ecoa pelas ruas do Brasil: A Une somos nós, nossa força, nossa voz!

12 agosto 2008

Resgate histórico

No Vermelho:
Lula indenizará UNE e Ubes pela derrubada da sede do Rio
. Às 14 horas desta terça (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um projeto de lei (PL), no Rio de Janeiro, que reconhece a responsabilidade do Estado no incêndio e demolição da sede da UNE e da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). Será a segunda visita de um Presidente da República à sede das entidades em 71 anos de história. Na ocasião, Lula ainda assinará o termo de adesão ao Pacto pela Juventude, que consiste em uma iniciativa do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve).
. O PL reconhecerá o envolvimento de agentes estatais no incêndio, ocorrido em 1964, da sede das entidades na Praia do Flamengo, 132, e posterior demolição do que havia sobrado do prédio, em 1980. Com o projeto de lei as entidades esperam arrecadar boa parte dos recursos para a reconstrução de sua sede. O projeto do novo prédio está pronto e foi realizado e doado pelo grande arquiteto Oscar Niemeyer.
. ''O mesmo Estado que destruiu a sede das entidades estudantis, tradicional reduto político e cultural da juventude brasileira, está agora, mais de 40 anos depois, reparando os danos causados e devolvendo aos estudantes aquilo que lhes foi tirado e que lhes é de direito'', comemora a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
Fotos: retrospectiva da invasão do prédio da UNE pela reporessão do regime militar.

11 agosto 2008

Boa tarde, Márcia Maia


quase um largo


às oito e quarenta e um
a luz se fez
e cento e quarenta mil
num instante se apagaram

dois dias depois
repetiu-se o macabro espetáculo


(

)

hoje o mundo pouco
lembra hiroshima

e há muito esqueceu de nagasaki

Bolívia: vitória do povo

No Vermelho:
Vitorioso no referendo, Evo agora busca diálogo com a direita
. Ao som de milhares de vozes gritando “Bolívia, unida, jamais será vencida!” e “Evo, amigo, o povo está contigo!”, o presidente boliviano Evo Morales surgiu na sacada do Palácio Quemado, no centro de La Paz, para agradecer o resultado obtido neste domingo (10) no referendo revogatório que mobilizou todo o país.
. Em seu discurso, o presidente tratou de não insuflar as tensões políticas no país, parabenizando os governadores que obtiveram a ratificação de seus mandatos e chamando-os a fazer parte do projeto de mudanças desejado pela população e expressado no referendo.
. As pesquisas divulgadas pela imprensa boliviana logo após o final do processo de votação apontaram a vitória de Evo, com percentuais acima dos 60% de aprovação a seu mandato.
. O presidente deixou claro também que sai fortalecido do processo eleitoral, condição que respalda seu projeto de executar novas nacionalizações em setores estratégicos da economia boliviana.
. Leia a matéria na íntegra e o discurso do presidente Evo Morales: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=41771

10 agosto 2008

História: 10 de agosto de 1974

Frei Tito de Alencar, cearense, 28 anos, suicida-se em Arbresele, França. Não suporta a carga do banimento e as sequelas das torturas ministradas pela equipe de Fleury na Oban-SP, 1969. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Mudança social e superestrutura

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Renda e algemas

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, IPEA, através do seu presidente Márcio Porchamnn, divulgou na última terça-feira, uma compilação de dados que revela a queda da pobreza no Brasil, uma tendência iniciada em 2004. Assim, o percentual de pessoas consideradas pobres caiu de 35% em 2003, para 25% em 2006.

Por outro lado, cresce o número de brasileiros que são incluídos na faixa da classe média. Com maior salário e poder aquisitivo, parcelas ponderáveis de famílias, com renda entre 1.064 e 4.591 reais mensais, encorpam os segmentos que já representam 51,89%, mais da metade, da população economicamente ativa do Brasil. Esses indicadores fizeram com que a Fundação Getúlio Vargas, FGV, lançasse um documento chamado “A Nova Classe Média”. As razões principais desses números positivos encontram-se na estabilidade macroeconômica e nos projetos sociais do governo federal.

Mas existe um outro movimento que em função dessa nova realidade econômica do país começa a se destacar, em decorrência de novos atores sociais que emergiram no cenário nacional. É que a correlação de forças baseada nos segmentos sociais vem sendo modificada substancialmente.

Dessa forma, o mapa político do país passa a ser outro, porque a participação ativa de amplos setores da população, antes à margem das grandes decisões, sem direito à opinião, redirecionam os interesses e alteram os conceitos estabelecidos.

Assim, são cada vez menores os espaços para atividades ilegais no mundo empresarial, convivências promíscuas e criminosas na esfera da política. Não se trata apenas de uma cruzada ética, mas de uma necessidade surgida pelas novas condições do desenvolvimento capitalista.

É o que alguns chamam de modernização progressista das relações sociais, jurídicas, econômicas e institucionais do país. A verdade é que existem atividades criminosas, de bandidagem mesmo, ligadas a determinadas esferas do mundo da superestrutura.

Esse é o impasse. Entre um novo, bem mais avançado, que exige novas regras de conduta para se afirmar, e a estrutura estabelecida, superada e viciada, que insiste em permanecer.

Assim, o que vem incomodando alguns setores não são bem os excessos e algemas evidentes, que podem ser contidos no Estado de Direito democrático, mas a possibilidade do fim dos privilégios e da secular impunidade.

Da era petrolífera para a biocivilização

Na Carta Maior, por Ignacy Sachs:
. Vistos com uma ampla perspectiva, o encarecimento do petróleo e a recuperação dos preços dos alimentos se mostrarão positivos se nos ajudarem a nos libertarmos da dependência do petróleo e a melhorar a vida dos pequenos agricultores em lugar de beneficiar as multinacionais da alimentação.
. A prolongada evolução conjunta do gênero humano e da biosfera foi marcada no passado por duas grandes transições. A primeira, ao passar da coleta e da caça para a agricultura e criação de animais, ocorreu muitos milhares de anos atrás. A segunda, a era dos abundantes e baratos combustíveis de origem fóssil (carvão, petróleo e gás) começou há poucos séculos. Agora estamos no umbral da terceira grande transição, que deixará para trás a era do petróleo e, esperamos, de toda a energia de origem fóssil. A transição levará décadas, mas, segundo muitos indícios, já começou, empurrada pela alta espetacular dos preços do petróleo e pela recuperação dos preços dos alimentos.
. Quando analisarem os acontecimentos de nosso tempo, os futuros historiadores verão a era da “energia fóssil” como um breve, mas acidentado, interlúdio que provocou um grande aumento da população mundial. Agora somos 6,7 bilhões de habitantes, e estima-se que seremos 9 bilhões em meados deste século, com a maioria da humanidade vivendo em áreas urbanas. Mas, apresentam-se dois grandes e iminentes desafios: o de uma potencialmente catastrófica mudança climática e o dilema de uma abismal desigualdade social, de mãos dadas com um crônico e severo déficit de oportunidades para a obtenção de trabalho decente.


Millor sabe o que diz


09 agosto 2008

Luta por direitos básicos

Ciência Hoje Online:
Estudo revela que trabalho doméstico ainda mantém características do período da escravidão
. Apesar dos avanços obtidos ao longo do século 20 em relação à legislação trabalhista brasileira, muitos direitos básicos conquistados pelos trabalhadores não são aplicados às empregadas domésticas e diaristas. Essa é a conclusão de um estudo realizado com domésticas sindicalizadas de todo o país, que aponta que as condições dessas trabalhadoras ainda mantêm algumas semelhanças com o período da escravidão no Brasil colonial.
. Os resultados da pesquisa foram apresentados na tese de doutorado defendida por Joaze Bernardino-Costa no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). O estudo mostra que, apesar dos 70 anos de mobilização sindical, a classe continua sem direitos como a regulamentação da jornada de trabalho e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que é facultativo para o empregador.
. Hoje no Brasil, cerca de 6,65 milhões de pessoas realizam trabalho doméstico, dos quais 93,2% são mulheres. Entre as que seguem a profissão, 59% das trabalhadoras são negras, 40% estão na faixa etária de 25 a 39 e aproximadamente 43,3% têm ensino primário incompleto. Somente 25% trabalham com carteira assinada. Apesar do número expressivo de empregadas domésticas, o percentual de trabalhadoras sindicalizadas é muito baixo: apenas 1,6%.
. Leia o texto completo http://cienciahoje.uol.com.br/125306

Bom dia, Cyl Galindo


Espetáculo

Existe claridade na minha rua
mas também muito silêncio estendido nas janelas
as palavras dormem no interior das coisas
como dormem todas as crianças.

Parece a falsidade estar suspensa
pelos galhos das árvores,
mas de modo a poder observar,
como da proa de uma nau sem rumo,
que tudo se inclina para o mar.

Então eu volto a olhar a rua:
já não se afigura tão calma:
transeuntes calados portam armas
no interior de gestos mansos,
mas uma necessidade acumulada
torna-se capaz de morder até o vento
do medo, que sopra as bases dessa estrutura.

Indiferente a tudo isso,
há uma predisposição madura
armando na praça uma ribalta
para um espetáculo de Democracia.
(Brasília, 86)

História: 9 de agosto de 1995

Vanessa Santos, 7 anos, morta a tiros ao lado da mãe
Massacre de Corumbiara: PM mata 17 sem-terra e fere 125 na ocupação da Fazenda Sta Elina, Corumbiara, Roraima, ao despejar 600 famílias acampadas no local. há várias crianças entre os feridos e os mortos. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

08 agosto 2008

Monitorando o cenário eleitoral

No Vermelho, por Pedro Oliveira:
PCdoB avalia campanha e toma posição sobre Anistia Política
. A Comissão Política do Partido Comunista do Brasil esteve reunida em Brasília na quinta-feira (7) para avaliar a campanha eleitoral em curso, aprovar uma nota sobre as Olimpíadas de Pequim e também para se posicionar a respeito da questão da Anistia Política.
. A análise feita na reunião pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, constatou que o sistema político brasileiro não valoriza a ação programática dos partidos incentivando o regionalismo e o localismo, destacando mais a figura dos candidatos (as) do que os programas e plataformas. Sem o financiamento público das campanhas, elas se tornam extremamente desiguais, exigindo das coligações populares mais criatividade e a mobilização de sua militância partidária para fazer frente aos grandes exércitos pagos de pessoas contratadas pelas legendas ligadas à elite econômica do país. É grande o desafio de construção de um partido político de base programática e nacional, como o PCdoB.
. Leia a matéria na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=41663

07 agosto 2008

O instante decisivo

Na Carta Maior, por Clarissa Pont:
. Em agosto de 2008, completam-se quatro anos da morte de Henri Cartier-Bresson. O fotógrafo francês que rodou o mundo com sua Leica para registrar da intimidade de Picasso às últimas horas de Gandhi foi um dos maiores fotojornalistas do século XX, mesmo sem nunca ter aceitado o título. A obra de Bresson é um caleidoscópio de imagens comprometidas com os ideais do fotógrafo que reconstitui, em um álbum, a história recente.
. “Podemos fazer uma imagem na imprensa dizer qualquer coisa. Mostrei minha foto do Papa à minha mãe, que era uma mulher religiosa que lia os pré-socráticos, Demócrito, Heráclito, Espinoza. Ela disse que era minha foto mais religiosa. Um amigo me declarou, pelo contrário, que era a mais anti-religiosa possível”.
. Com essa história, Bresson explicou por muitas vezes porque sempre resistiu ao uso do termo fotojornalismo para designar seu trabalho fotográfico. Para ele, as fotos não eram feitas a fim de que uma história fosse contada, mesmo que a possibilidade de fazer suas fotos dependesse do investimento daqueles que queriam contar histórias com suas imagens (Bresson publicou grande parte de seu trabalho em revistas como Life e Paris Match).

Coluna semanal no Portal Vermelho

Seu Zezinho, a cachaça e a campanha
Luciano Siqueira

O amigo João Veiga, secretário da Saúde de Olinda, exímio cirurgião e servidor público exemplar, conserva suas origens sertanejas do Pajeú e a verve característica daquela gente dada à poesia e aos prazeres da vida. De férias, em Tabira, visita um velho amigo que encontra, no início da manhã, às voltas com uma garrafa de cachaça.

- Oxente, seu Zezinho, tomando pinga à uma hora dessas!

- Doutor João, isso não é remédio não. Remédio é que tem hora certa para se tomar, cachaça a gente bebe quando dá vontade.

Seu Zezinho tem lá sua razão. Há coisas na vida que tem hora certa, momento exato e encadeamento com o que se deseja fazer em seguida. Caso do remédio prescrito pelo médico. Não é o caso da cachaça.

Campanha eleitoral é o caso, sim. Tem que ter um mínimo de planejamento, se desdobrar em fases seqüenciadas, as tarefas de uma fase preparando as da fase seguinte. Tudo bem pensado, medido e executado – para não atravessar o samba, nem atingir o auge antes do tempo.

Julho foi o mês de lançamento das candidaturas – tanto a prefeito como de vereadores. Teve festa, inauguração de comitê e iniciativas do tipo. As campanhas, bem ou mal, se estruturaram – definidas coordenações, equipes de trabalho; arregimentados militantes e apoiadores; estabelecidos os meios e os instrumentos de propaganda; equacionados (será?) os apoios materiais; acertadas prioridades sociais e geográficas; formatada a programação de atividades.

Deste início de agosto até a terceira quinzena de setembro, é pauleira pura. A segunda fase – cerca de quarenta e cinco dias – é de consolidação da candidatura, quando todo o potencial de acúmulo de forças é explorado. Aí não há como vacilar – nem o candidato (ou candidata), nem o seu exército de apoiadores. Cada minuto vale uma eternidade.

Na campanha de vereador, então, é preciso abordar centenas de eleitores todos os dias.

A divulgação ampla do nome e do número do candidato - por meio de cartazes, faixas, pintura de muros, na TV e no rádio - é indispensável, ajuda muito. Porém o decisivo é o contato direto com eleitores.

É o que temos feito em nossa modesta campanha por uma cadeira à Câmara Municipal do Recife. Amanhecemos o dia distribuindo panfletos nos cruzamentos de ruas e avenidas de grande circulação; fazemos visitas a pessoas e instituições; retomamos às ruas no final da tarde; e invariavelmente todas as noites e em fins de semana realizamos reuniões com grupos de amigos, colegas de trabalho ou de escola, vizinhos e familiares (em média, cinqüenta participantes). Nessas reuniões se constituem grupos de apoiadores que em nenhum momento deixarão se articulados pelo comando da campanha – nem que fujam para o Afeganistão!

A terceira fase – o auge e o dia da eleição -, que compreende a última semana de setembro e os primeiros dias de outubro, resultará em vitória se a fase atual for bem sucedida. Sob pena de perdermos o tempo, o ritmo e disciplina e nos deixarmos ao léu, que nem seu Zezinho de Tabira – e aí nem uma boa cachaça afogará nossa frustração.

Que cada um faça a sua parte e juntos sejamos capazes de vencer.

Boa tarde, Mário Quintana


Canção da janela aberta

Passa nuvem, passa estrela,
Passa a lua na janela...

Sem mais cuidados na terra,
Preguei meus olhos no Céu.

E o meu quarto, pela noite
Imensa e triste, navega...

Deito-me ao fundo do barco,
Sob os silêncios do Céu.

Adeus, Cidade Maldita,
Que lá se vai o teu Poeta.

Adeus para sempre, Amigos...
Vou sepultar-me no Céu!

Reflexo da baixa escolaridade

. Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) revelam que 45% dos candidatos às eleições municipais deste ano não têm ensino médio.
. Em todo o país, aproximadamente 170 mil pré-candidatos se encontram nesta situação. Destes, 46% não concluíram o ensino médio; 53,4% não terminaram o ensino fundamental e outros 292 são analfabetos.
. Apenas três estados não contabilizaram candidatos incapazes de ler e escrever: Acre, Amapá e Rio de Janeiro.
. A legislação proíbe que os analfabetos não podem ser candidatos e terão seus registros negados.

Os pobres e a inflação

. Informação da Agência Brasil. A inflação para as famílias que ganham entre 1 e 2,5 salários mínimos em julho ficou em 0,61%, sendo a segunda menor alta no ano de 2008. A menor inflação foi registrada em fevereiro, quando o Índice de Preço ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1) subiu 0,16%, conforme divulgou hoje (7) a Fundação Getulio Vargas.
. De acordo com a pesquisa, realizada em sete capitais, apesar da queda IPC-C1 em julho, no acumulado em 12 meses (agosto de 2007 a julho de 2008), o indicador registra um novo recorde, sendo o maior da série histórica (9,46%).
. Durante o período, pesou mais no bolso das famílias a inflação do grupo habitação, que subiu 3,34%, tendo superado o avanço nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2008, quando foi de 2,32%. Puxaram a alta as tarifas de energia elétrica e os produtos de limpeza.
. Por outro lado, os preços dos produtos do grupo alimentação apresentaram uma pequena desaceleração em julho. No acumulados dos últimos 12 meses, passaram de 18,88% em junho para 18,85% em julho. Houve recuo nos preços das frutas, laticínios, óleos e gorduras.
. Segundo a Fundação Getulio Vargas, 9,30% dos domicílios brasileiros nas setes capitais pesquisadas têm renda entre R$ 415 e R$ 1.037 e se enquadram na classe do IPC-C1.

06 agosto 2008

Nosso artigo semanal no Blog de Jamildo (JC Online)

Crescimento econômico com redução da pobreza
Luciano Siqueira

Até bem pouco tempo não eram poucos os analistas que asseveravam a inexorabilidade da concentração de renda (e conseqüente empobrecimento da maioria) como componente de uma economia como a nossa, de país em desenvolvimento. Isso dentro de uma lógica que parecia intransponível, a da submissão ao capital financeiro em detrimento do incremento da produção. Mais: na economia mundial globalizada como hoje se apresenta – diziam – não há como escapar dessa lógica.

Os números divulgados ontem pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) acerca da redução do nível de pobreza atestam o contrário. É possível o crescimento econômico com distribuição de renda e valorização do trabalho.

Segundo o IPEA, três milhões de brasileiros deixaram de ser pobres nos últimos seis anos nas seis principais regiões metropolitanas do país, o que equivale a uma diminuição de 8,8 pontos percentuais na pobreza. Os dados se referem às regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.Na verdade, trata-se de uma tendência decorrente da retomada do crescimento econômico, da elevação do valor real do salário mínimo e de ações de governo. O número de pobres era de 14,3 milhões em 2002, subiu para 15,4 milhões em 2003 e desde então vem caindo, tendo chegado a 11,3 milhões neste ano.

Percentualmente isso significa que os o pobres eram 32,9% em 2002, 35% em 2003 e desde então vêm caindo progressivamente até os atuais 24,1%.

O IPEA considera pobre o indivíduo que tem renda mensal de até meio salário mínimo (R$ 207,50). Rico, segundo a pesquisa, é aquele indivíduo pertencente a famílias cuja renda mensal é igual ou superior a 40 salários mínimos (R$ 16.600).

Mas há um detalhe no estudo do IPEA que merece ser mencionado. Diminui a pobreza, porém os trabalhadores ainda não conseguem a sua parte nos ganhos de produtividade, que continuam apropriados fundamentalmente pelos detentores dos meios de produção, ou seja, os que acumulam mais riqueza.

O contraste certamente está na base do incremento das atividades sindicais – típicas da fase de crescimento da economia – no sentido de alcançarem um “encontro de contas” com o empresariado. Este é outro dado da atual conjuntura a ser acompanhado com atenção.

Fortalecimento sindical

No Vermelho:
. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, revelou ontem, durante reunião com lideranças das centrais sindicais, a lista das entidades que cumpriram com todos os critérios exigidos pelo projeto de lei, sancionado pelo presidente Lula no dia 31 de março, que garante a legalização das centrais. Todas as seis centrais que enviaram documentação ao ministério obtiveram a legalização. A mais jovem de todas, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) está entre elas.
. Além da CTB, CUT, Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) também foram legalizadas.
. O presidente da CTB, Wagner Gomes, comemorou o fato histórico declarando que a central ''obtém, com este reconhecimento, uma grande vitória. Agora o nosso desafio é estruturar a entidade nos estados e ampliar o número de entidades filiadas''.
. Leia a matéria completa http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=41507

Para quem quer se manter em forma

. O professor Carlos Henrique inaugura novo endereço de sua academia de Aikido, agora oferecendo também judô, shiatsu, massagem sueca, drenagem Linfática e dança de salão.
. A festa é dia 11 próximo, às 18 horas. Na Rua Gal. Vargas, 233 (após a SUDENE, primeira entrada à direita e em seguida primeira à esquerda).
. Faz bem ao corpo e à mente.

05 agosto 2008

Agouro

. Na coluna Pinga-Fogo (Inaldo Sampaio), no Jornal do Commercio de hoje: “Dois extremos - Como candidato a vereador pelo PCdoB, o vice-prefeito Luciano Siqueira está diante de dois cenários. Ou terá um “caminhão de votos”, e arrastará consigo o companheiro de partido Paulo Dantas, ou será um fiasco.”

04 agosto 2008

Indústria reaquecida

. Segundo informações divulkgadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o faturamento da indústria de transformação brasileira cresceu 10,5% em junho ante igual mês do ano passado. No mesmo período, as horas trabalhadas na produção avançaram 6,6%, a remuneração paga aos trabalhadores aumentou 5,2% e o emprego, 4%.
. Na comparação com maio deste ano, o faturamento real subiu 2%, na série com ajustes sazonais. Na mesma comparação, as horas trabalhadas cresceram 1,5% e o emprego, 0,5%. A utilização da capacidade instalada atingiu 83,3% em junho, acima dos 82,2% registrados no mesmo mês de 2007. Esse é o maior nível de utilização da capacidade instalada desde o início da série, em janeiro de 2003.

Opinião pessoal de Sérgio Augusto

Lula impõe sua visão extrapartidária e republicana
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.b

Ao longo de seus seis anos no exercício da Presidência da República, o presidente Lula aprendeu uma coisa fundamental na vida pública – e disso dá demonstrações constantes. E o que foi isso? Foi e é a dimensão supra-partidária, além das siglas, com que o país deve ser administrado, dimensão decisiva para que a coisa pública seja conduzida em nome de toda a nação, e não sob as amarras de partido.

A mais recente demonstração desse aprendizado do presidente está sendo sua decisão de negar ao seu Partido dos Trabalhadores a exclusividade do uso de seu nome, sua imagem e suas obras na campanha eleitoral. Chama a atenção neste momento, em todos os noticiários, a frase dita por Lula, a qual chega para ficar na História deste país: “O PT não pode estatizar a minha imagem”.
Para completar essa verdadeira ordem vinda do Planalto, o presidente proibiu que qualquer candidato suba ou se agarre nas franjas de seu palanque durante anuncio de atos administrativos.

Essa decisão presidencial está sendo uma paulada violenta, capaz de alterar as perspectivas de inúmeras candidaturas no andar da atual campanha eleitoral. Esmagou o miolo da decisão e mobilização de dirigentes do PT em todos os estados, os quais exigiam a tal exclusividade na exploração da imagem e obras presidenciais.

No Recife, onde até o pefelista histórico ( o adjetivo democrata é muitíssimo genérico) Mendonça Filho já usou a imagem do presidente, aquela determinação de Lula está liquidando uma disputa que redundaria numa guerra aberta na Justiça Eleitoral. Enquanto a direção petista ainda faz ameaças de impedir, com base na lei eleitoral, que o candidato lulista a prefeito, Carlos Eduardo Cadoca (PSC) use a imagem presidencial para se reforçar e ir além dos seus atuais 22% nas pesquisas, o prefeiturável petista, João da Costa, decidiu dar uma recuada e ser cauteloso diante da nova situação criada por Lula.

O João do João obedece de imediato a decisão de seu chefe partidário maior e garante que a preocupação principal de seu discurso é enfatizar a continuidade da atual administração no próximo mandato petista. Se houver. Esse é o discurso no palanque. Nos corredores do partido a decisão de Lula está criando a maior sinuca de bico. Isso porque está liquidando com o que o discurso petista tinha de mais turbinado para se diferenciar dos adversários.

Tendo decidido que não sairá voando pelo país em apoio a todos os seus candidatos e aliados, o presidente Lula já desenhou a presença sua em estados como Pernambuco; uma presença, aliás, esquálida, tímida. Aqui estará o ministro petebista das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para subir no palanque de João da Costa e, depois, – por que não? – dar um abraço no aliado Carlos Cadoca, com a benção presidencial. Amém.
* Jornalista. Colaborador do nosso blog, onde opina com idependência e opinião própria.

Inflação contida?

. A informação é oficial. A projeção de analistas de mercado para a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou depois de 18 semanas de aumentos consecutivos, mas continua acima do limite superior da meta para o ano.
. De acordo com o boletim Focus, publicação semanal do Banco Central elaborada com base em consultas a analistas de mercado sobre os principais indicadores da economia, a projeção para o IPCA ao final deste ano passou de 6,58% para 6,54%. Para 2009, foi mantida a estimativa de 5%. O centro da meta de inflação para este ano e para 2009 é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, o limite superior é de 6,5%.
. Os analistas de mercado também reduziram as projeções para os demais índices de inflação neste ano. A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), passou de 6,69% para 6,53%, em 2008.
. No mercado atacadista, a expectativa dos analistas para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu de 12,18% para 12,13%. No caso do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 12,04% para 12%.
. A projeção para os preços administrados também caiu e passou de 3,81% para 3,80%. Para o próximo ano, os analistas estimam aumento de 5,09%, 0,05 ponto percentual a mais do que na semana passada (5,04%).
. Para 2009, a projeção para o IGP-DI passou de 5,37% para 5,40% e para o IGP-M permaneceu 5,50%. No caso do IPC-Fipe, a estimativa subiu de 4,55% para 4,61%. ','').

Para quem faz cinema e vídeo

Abertas inscrições para o curso “Dramaturgia – Na Fronteira das Linguagens”
. O curso é uma iniciativa da Massangana Multimídia, coordenação ligada à Diretoria de Cultura da FUNDAJ, e será ministrado pelo dramaturgo e videasta Luiz Felipe Botelho.
. O objetivo é aprimorar a escrita teatral observando suas conexões com outras linguagens, como a do cinema, televisão, quadrinhos e jogos eletrônicos.
. As inscrições vão até o dia 15 de agosto. É necessário preencher um questionário, que pode ser adquirido na FUNDAJ Derby ou através do email fronteiras@fundaj.gov.br. Para mais informações, visite o site da FUNDAJ.

03 agosto 2008

Brasil apresenta seu barco solar

Ciência Hoje Online:
Embarcação movida a energia solar e propulsão elétrica tem bom desempenho e inspira cientistas
. Uma combinação de energia solar e motores de propulsão elétrica pode ser o futuro para as pequenas embarcações. É o que acredita um grupo de pesquisadores e alunos do Pólo Náutico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que acaba de voltar da Holanda com um bom resultado. O barco Copacabana conquistou o quarto lugar de sua categoria em uma competição de 48 barcos solares na qual era o único participante não europeu.
. O casco do Copacabana é parecido com o de outros pequenos veleiros. O que muda é a propulsão e a captação de energia, além de sua aparência. O barco tem painéis que captam a energia do sol e dão a ele um aspecto curioso e um formato diferente. Esses painéis são responsáveis por carregar as baterias que, por sua vez, alimentam o motor elétrico. Além disso, há um circuito eletrônico que gerencia a energia que vem dos painéis – ela pode ser transferida diretamente para o motor caso a bateria já esteja cheia, o que evita a sobrecarga.
. Leia a matériana íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/124729

Bom dia, José Carlos Ary dos Santos

Tomar partido

Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.

(Enviado pelo companheiro Jaime Alves, de Nanterre, França).

Jackson do Pandeiro, presente!

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Patrimônio nacional
. Há vinte e seis anos, no dia 10 de julho de 1982, morria um dos grandes astros da música brasileira. Seu nome, José Gomes Filho, mais conhecido em todo o Brasil como Jackson do Pandeiro. Nascido na Paraíba, foi para o Rio de Janeiro fazer a vida de artista.
. Intérprete da alma do povo pobre e simples dessa grande nação, em especial da sua gente nordestina, sua carreira atingiu o reconhecimento nacional na década de 50, mas passou um longo tempo esquecido até vir a ser considerado como um dos maiores ritmistas da música brasileira, ao lado de Luiz Gonzaga e outros.
. Do samba carioca ao coco alagoano, Jackson do Pandeiro passeou pela música autenticamente popular, nascida ou reinventada pela miscigenação do nosso povo. Das origens portuguesa e africana, Jackson captou o verdadeiro espírito e sentimento do cidadão humilde e ganhou o respeito, o reconhecimento dos segmentos artísticos mais cultos da nação, como Gilberto Gil, Aldir Blanc, Alceu Valença, Chico Buarque de Holanda etc.
. João Bosco disse que sempre imagina como seria maravilhoso se esse pessoal do rock pauleira resolvesse gravar com influência do coco de Jackson. Alceu Valença declarou em entrevista que, para ele, Gonzagão é o Pelé da musica nacional e Jackson o nosso querido Garrincha.
. Fazendo alusão ao sincretismo urbano e rural, nordeste e sudeste, criado por Jackson desde a década de cinqüenta, Gilberto Gil, afirmou que ele se fez chiclete com banana, assim como a sua famosa música. Era uma figura simples e não tinha noção do seu papel na música brasileira, da sua genialidade.
. Foram cinqüenta e quatro anos de vida artística, grandes composições e interpretações, tais como: Forró em Limoeiro, Meu Enxoval, 17 na Corrente, Coco do Norte, o Velho Gagá, Sebastiana, O Canto da Ema, Chiclete com Banana, Um a Um, O Xote de Copacabana, uma homenagem à cidade maravilhosa que ele tanto admirou, e tantos outros inestimáveis títulos.
. Segundo os especialistas da área, Jackson tinha “uma voz que se pautava pela divisão rítmica e a disciplina da métrica, dominando uma técnica toda sua. Uma aguda sensibilidade, um dos maiores artistas do Brasil de todos os tempos”. De Porto Alegre a Manaus, de São Paulo ao Nordeste, Jackson do Pandeiro tornou-se, sem dúvida, um patrimônio da cultura nacional.

01 agosto 2008

A internet e a língua

No Jornal do Commercio:
Revolução tecnológica
Nelly Carvalho

De acordo com Umberto Eco, as pessoas podem ser classificadas em apocalípticas e integradas, pela forma como aceitam ou não as mudanças sociais. Apocalípticos seriam os que não aceitam e os integrados seriam os que aceitam sem questioná-las. A comunicação via internet suscita muitas discussões em torno de sua forma de uso, ensejando posições que podemos julgar apocalípticas, no que se refere ao uso de abreviaturas e siglas e outras novidades, como figuras e grafias inovadoras, nos chats, nos blogs e e-mails. No entanto, são inerentes à língua os processos de economia lingüística que resultaram em cine, pneu, foto, cd, quilo e você, entre outros. Um dos maiores lingüistas da atualidade, o irlandês David Crystal, abordando a linguagem da internet, tem posição oposta, aceitando como natural e previsível a mudança. Absolutamente integrado, Crystal estuda esta linguagem sem lançar nenhuma sombra de preocupação sobre a permanência das palavras e seu significado, explorando sobretudo a idéia de que a internet é uma forma nova de comunicação que fez uma revolução na linguagem. Argumenta Crystal que a comunicação mediada pelo computador tem características diferentes da fala, mesmo nos e-mails, porque não tem o retorno instantâneo do face a face. São mensagens completas, unidirecionais, sem a ajuda da entonação, nem da expressão facial, sendo muito mais lenta na troca de informações do que a fala. Porém, o que mais nos interessa é sua diferença em relação à escrita, pois na simplificação que acarreta, residem as preocupações. A diferença de uso está na estabilidade da escrita: o texto impresso é estático, enquanto uma página da web pode variar a cada busca. Quanto aos e-mails, o estudioso lembra a mobilidade de sua forma, a facilidade de modificá-los e/ou encaminhá-los a outro, as possíveis ligações com outros textos (link). Os possíveis erros de digitação também não levam a concluir, como na escrita convencional, que o emissor não sabe escrever. São produtos da pressa, logo deletados, são passageiros e voláteis. Os efeitos na língua desse novo meio são duplos: inicia uma mudança no caráter formal e possibilita maior utilização da escrita. São inúmeras abreviações usadas (tb, vc, q, bjus) e a falta de maiúsculas e de acentos surpreende o falante de português. A ortografia fora do padrão, condenada na escrita convencional, é usada sem sanções em ambientes de conversa.

A aparente falta de respeito pelos padrões da escrita está preocupando muitos, prevendo-se que as crianças não saberão escrever no futuro, pela quantidade de modificações usadas. Contudo, abreviaturas sempre foram usadas na língua, sem terem interferido para dificultar a comunicação. O único cuidado a ter, é que estas sejam usadas apenas na comunicação via computador e não sejam adotadas na escola. A língua tem determinados registros que devem ser respeitados. Não levamos para uma ocasião formal a linguagem das ruas: é um fato intuído por qualquer falante. Um vocabulário novo, que tem como fonte o inglês, também está entrando para as línguas em geral através da internet. Nomeiam situações, operações e atividades restritas ao computador e alguns termos entraram no domínio geral. A internet não usa uma linguagem cifrada, mas diferente, de acordo com o meio recém-criado. É mais que um agregado de características da fala e da escrita e porque faz coisas que nenhum desses outros meios faz. Tem que ser vista como uma nova forma de comunicação que gerou sua própria linguagem, com regras exclusivas e não uma escrita anárquica numa visão apocalíptica. Este é um avanço tecnológico cujo alcance não podemos medir, nem projetar.
* Nelly Carvalho é professora da PG de Letras da UFPE.