30 janeiro 2009

Forum avançado

No Vermelho:
Recado do FSM ao mundo: Unidade, Integração e Socialismo
. Na atividade mais importante de todas as edições do Fórum Social Mundial, os presidentes da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Brasil debateram na noite desta quinta-feira (29) a América Latina e os desafios da crise econômica internacional fazendo o mais contundente contraponto da história do FSM à realização da reunião de Davos. Os presidentes fizeram um chamado à unidade e integração da América Latina para fortalecer os países diante da crise.
. Falou-se em “sepultar o capitalismo para que o capitalismo não sepulte o mundo”, e na necessidade de se construir o socialismo do século 21. Os países ricos foram culpados pela crise e seus representantes reunidos em Davos foram chamados de “moribundos”. No FSM, neste dia 29, os presidentes deram o recado: ''Um outro mundo é possível, necessário e está nascendo hoje na América Latina”.
. Lula optou pela informalidade e deixou de lado o discurso que iria ler. Começou fazendo um pedido: “Guardem esta fotografia porque hoje a gente pode até reclamar dos presidentes que nós temos, mas até bem pouco tempo os que ousavam discordar de seus presidentes eram perseguidos e mortos, muitos jovens pegaram em armas para lutar pela democracia e hoje nós estamos aqui fazendo o que eles sonharam. O mundo mudou tanto que era impossível dizer que um bispo da Igreja Católica seria presidente do Paraguai, que um jovem economista ia chegar à presidência do Equador, impossível pensar que um índio com cara de índio e jeito de índio chegasse à presidência da Bolívia e, aqui no Brasil, era impossível pensar que um torneiro-mecânico seria presidente. Mas as coisas não param por aqui, quem podia pensar, que teórico poderia prever, que o país do apartheid que matou Martin Luther King, ia eleger um negro para presidente dos Estados Unidos?”, disse Lula.
. Leia a reportagem na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=50247
Nas fotos, na mesa e no público, coisas que Davos não tem.

Adversários qualificados

. Sem nenhuma conseqüência questionar agora se a oposição deve apresentar esse ou aquele nome para enfrentar o governador Eduardo Campos, provável candidato à reeleição, em 2010.
. Esse é um assunto dos partidos de oposição – que tem, sim, todo o direito de especularem em torno de nomes que melhor os representem.
. Cá entre nós, cabe prosseguir o trabalho que vem sendo feito, com êxito. Sem cair na armadilha de antecipar o confronto eleitoral com os adversários.
. De toda forma, se vem à tona nomes como os do ex-governador Jarbas Vasconcelos e do deputado federal Raul Henry, não razão para desqualificá-los. Tanto um como o outro, representantes legítimos do ideário neoliberal e de centro-direita no estado, pode vir a ser um adversário qualificado. Carentes de um discurso consistente, é verdade; porém detentores de base política e social definida.

Tomara que seja

. No Jornal do Brasil de hoje, previsões otimistas de analistas quanto à política monetária. “Crise pode levar Selic ao menor nível da História” é a manchete.
. A taxa básica de juros (Selic), definida pelo Banco Central, vai cair mais depressa ao longo deste ano. Especialistas ouvidos pelo JB projetam, até dezembro, um índice de 9% - se confirmado, será o menor patamar da História. Mas advertem que o BC demorou a interpretar os sinais de recessão.
. A tendência de corte foi confirmada ontem, com a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A desaceleração da economia ajuda a queda. No ano passado, a indústria teve o pior trimestre dos últimos 10 anos: desabou 17 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2007.

29 janeiro 2009

João da Costa começa bem com vereadores

. Bom início na relação do governo com a bancada governista na câmara Municipal. A reunião de ontem com o prefeito discutiu em elevado nível, tendo a política no posto de comando, o sentido das medidas acautelatórias adotados em relação ao orçamento do município.
. Tendo como pano de fundo implicações políticas e ideológicas do debate sobre a crise global e suas repercussões no Brasil.
. Nem a crise é nossa, pois surge nos EUA, põe em causa o ideário neoliberal e deixa a oposição aos governos Lula, Eduardo Campos e João da Costa – defensores até ontem do modelo fracassado – sem discurso e sem perspectiva.
. O debate com a oposição há de ser salutar. Benéfico para a democracia e para o esclarecimento da população.

História: 29 de janeiro de 1999


Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

As Câmaras Municipais diante das pequenas e grandes questões
Luciano Siqueira

Diz-se com razão que a Câmara Municipal é de todos os poderes da República o mais acessível à população e que o vereador é o detentor de cargo público mais próximo do cidadão comum. O que acontece na cidade, ou ao lado de sua casa, tem a ver com a possibilidade de interferência do vereador.

Isso vale para todos os 5.564 municípios brasileiros – mesmo para os de médio e grande porte.

Fala-se também, entretanto, que as Câmaras Municipais, por isso mesmo, via de regra se concentram em questões paroquiais, dissociando-as do que ocorre no mundo e no país. Pode ser. Isso em decorrência das pressões espontâneas da população e, em certa medida, do perfil político predominante entre os ocupantes das casas legislativas.

Mas os dias que correm dão ensejo a que as Câmaras Municipais possam tratar dos problemas localizados, imediatos e circunstanciais em estreita combinação com as grandes questões que movem o país, repercutem no estado e impactam a vida da cidade. É só ter olhos para ver e disposição para desse modo proceder.

Porque a realidade objetiva assim impõe; e o descortino espontâneo da população permite.

A chamada crise global dá o tom de todo o noticiário – nas grandes redes de TV e rádio, na mídia impressa, na internet e também nas mais simples rádios locais, incluindo as comunitárias de alcance circunscrito ao bairro e adjacências. Mais: fatos da grande política e da economia têm tudo a ver com o cotidiano de cada habitante do município.

Um exemplo: o novo de crescimento econômico de Pernambuco puxado pelos grandes empreendimentos industriais sediados no Complexo Portuário de Suape – a refinaria, a planta de poliéster e o estaleiro principalmente – são a um só tempo fruto de decisões políticas nacionais e catalisadores da possibilidade concreta da duplicação do PIB de Pernambuco a médio prazo, e de uma como nunca vista oferta de postos de trabalho. A crise global interfere nisso como? Inviabiliza os projetos ou apenas os pressiona a um ritmo menos acelerado?

Outro exemplo: o Bolsa Família beneficia mais de cem mil famílias no Recife, tirando-as da indigência e incrementando a pequena economia da cidade. A crise global obrigará o governo federal a reduzir os recursos do programa ou não?

Temas para debate nas Câmaras Municipais e no âmbito das organizações da sociedade. O vereador tem um papel irrecusável nisso – em favor do desenvolvimento econômico e da elevação da consciência cidadã.

Bom dia, Sérgio Augusto da Silveira

O Dom não silencioso
(lembrando Dom Hélder Câmara)

Velha muralha,
Semente, folha nas fendas,
Na casca dura
Por onde a vida tanto bate
Como água.

Americana batalha,
Pé ante pé, seguindo.
Do espírito horizontal
Resistente abelha operária.

Trombone, verrina fecunda
Nas brechas já expostas
Pelo corpo da pedra,
Pela madrugada,
Pelo novo, pelo belo, pelo elo
Com a manhã.

Aqui o rio que existe pela minha aldeia, O Dom não silencioso.

Coluna semanal no portal Vermelho

Banqueiros contra o Brasil
Luciano Siqueira

Cada macaco em seu galho – e cada fazendo o que quer e bem entende, e não o que é necessário para a comunidade. Essa parece ser a máxima de alguns dos chamados atores econômicos presentes na cena brasileira atual – os banqueiros em especial.

Ou seja: a união de esforços para evitar que o país sofra mais do que o inevitável com a crise global esbarra em interesses mesquinhos desse segmento de classe que vive da usura.

O governo flexibilizou o compulsório na intenção de baratear o crédito. Os bancos, turbinados com a medida, preferiram compra títulos públicos ao invés de emprestar ao setor produtivo.

Agora, a taxa média de juros cai em dezembro, mas os bancos aumentam o spread. O spread é a diferença que os bancos cobram entre a captação e a concessão do empréstimo. Uma espécie de faca no pescoço de quem toma empréstimo, dizia recentemente um grande empresário pernambucano. Chega a ser mais importante do que a taxa real de juros, completava outro a seu lado.

O fato é que custo médio do crédito bancário diminuiu de 44%, em novembro, para 43,2% ao ano, no mês passado. Mas o spread aumentou 0,5 ponto percentual em dezembro, permanecendo em 18,3% para as empresas e pulando de 43,1% para 45,1% para as pessoas físicas em relação aos últimos dois meses.

Aí quase nada adianta o presidente Lula apelar por mais investimentos produtivos privados e incentivar o cidadão comum a trocar a geladeira de casa em mais uma compra a prestação. Os banqueiros não deixam, querem lucrar mais. Parecido com aqueles maus elementos que desviam donativos destinados a vítimas de calamidades públicas.

Disso decorrem três conclusões óbvias. Uma: o enfrentamento da crise é antes de tudo uma questão política e o governo tem que exercer a sua autoridade. Outra: o governo deveria atuar através dos bancos estatais no sentido de concorrerem com os bancos privados praticando spread menor. Uma terceira: é impossível avançarmos num projeto nacional de desenvolvimento sem aprimorar os mecanismos estatais de regulação da economia – sobre o setor financeiro inclusive e destacadamente.

Integração reforçada

No Vermelho:
Debate dos cinco presidentes será ponto alto do Fórum
. Os presidentes do Brasil, Venezuela, Paraguai, Equador e Bolívia começaram a chegar em Belém para participarem conjuntamente da mais importante atividade do Fórum Social Mundial, nesta quinta-feira (29). A presença de Lula, Hugo Chávez, Fernando Lugo, Rafael Correa e Evo Morales, amplifica a mensagem de Outro Mundo Possível porque reforça o diálogo indispensável entre governos progressistas e movimentos sociais. É, também, um contraponto ao Fórum Econômico Mundial que se iniciou em Davos, uma demonstração explicita da opção política desses países por um caminho alternativo.

Há quem ganhe muito em plena crise

. Curiosa a matéria veiculada hoje pelo Valor Econômico, sob o título “Distribuição de lucros cresce em plena crise.” Veja.
. O aprofundamento da crise mundial ainda não se mostrou forte o suficiente para impedir as maiores empresas brasileiras de aumentar a distribuição de lucros aos acionistas. Levantamento realizado pelo Valor Online com as 20 maiores empresas de capital aberto do país mostra que, nos quatro meses após o fatídico 15 de setembro de 2008, quando a quebra do Lehman Brothers marcou o agravamento da crise pelo mundo, essas companhias anunciaram R$ 21,7 bilhões em remuneração aos acionistas, tanto na forma de dividendos como em juros sobre o capital próprio. . No mesmo intervalo entre o fim de 2007 e o início de 2008, o total ficou em RS 18,5 bilhões.
. A distribuição desses valores evidencia, segundo especialistas, que boa parte das grandes companhias nacionais ainda não vive uma situação delicada em termos de necessidade de crédito ou disponibilidade de caixa. Se fosse esse o caso - como vem ocorrendo no exterior e com algumas empresas brasileiras de menor porte, como a Lojas Renner -, a retenção dos dividendos seria uma opção interessante para formar uma espécie de "colchão" de liquidez. . Apesar de a legislação prever distribuição mínima de 25% do lucro na forma de dividendo, os administradores das empresas não têm obrigação de antecipar o pagamento e também podem alegar, durante a assembléia de acionistas, que a remuneração é incompatível com a situação financeira da companhia.
. A generosidade das empresas com seus acionistas chamou a atenção dos sindicatos de trabalhadores, que pretendem usá-la como argumento contra as demissões. O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva, diz que a entidade está elaborando um estudo que abrange o pagamento de dividendos das 200 maiores empresas de capital aberto. A idéia é cruzar esses dados com empréstimos tomados pelas companhias com recursos do BNDES, FAT e FGTS. A depender dos resultados, a central avalia o lançamento de uma campanha nacional pelo cancelamento dos dividendos enquanto durar a crise.
. As maiores distribuições de dividendos foram anunciadas por Petrobras (R$ 7 bilhões), Vale (R$ 3,5 bilhões) e Bradesco (R$ 1,99 bilhão).

Cena de viagem

Paripuera, AL, no meio da manhã.

Previsões duvidosas do FMI

. O estadão de hoje alardeia em manchete as previsões do FMI sobre o desempenho da economia brasileira este ano. Deveria ter sido mais comedido no texto, pois o Fundo anda meio pra baixo em credibilidade com a débâcle do ideário neoliberal.
. Diz a matéria que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 3% para 1,8% a estimativa de crescimento do Brasil em 2009. Foi a segunda vez em quatro meses que o FMI baixou a projeção, que era inicialmente de 3,5%.
. Apesar disso, o desempenho do País deve ficar acima da média da economia global - que, de acordo com o Fundo, deverá crescer apenas 0,5%. A taxa é a mais baixa desde a Segunda Guerra Mundial.

Sem razão para estranheza

. Não há razão para que estranhe o aumento do programa Bolsa Família, anunciado ontem, como se contradição houvesse com o contingenciamento de R$ 37,2 bilhões no Orçamento.
. O Bolsa Família incluirá mais 1,3 milhão de famílias ao custo de R$ 549 milhões este ano.
. O governo elevou o teto do programa, que atendia apenas famílias com renda de até R$ 120 mensais por pessoa. O novo teto é de R$ 137. O valor do benefício não subiu. O aumento da linha de renda corresponde à variação da inflação medida pelo INPC. A inclusão dos novos beneficiários será gradual, de maio a outubro.
. O programa estenderá a merenda a estudantes do ensino médio e dará reforço ao transporte escolar.
. Pelo seu valor social imediato e pelo incremento das pequenas economias locais que promove, o Bolsa Família cumpre papel importante no esforço do governo de ultrapassar a crise global evitando o quanto possível maiores sofrimentos à população mais pobre.

28 janeiro 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Situação versus oposição na Câmara Municipal do Recife
Luciano Siqueira

Segunda feira próxima de iniciam os trabalhos legislativos em todos os 5.564 municípios brasileiros. Em boa parte deles sob a expectativa de confronto entre as bancadas governista e a da oposição.

O Recife é um desses casos - a despeito da larga maioria inicialmente constituída em apoio ao governo e da consequente limitação numérica dos que se situam na oposição. A correlação de forças, nitidamente desigual, não impede o confronto de idéias e proposições.

O autor dessas linhas, como se sabe, tomará parte da cena como representante do PCdoB (e líder da bancada comunista) e, portanto, integrante da base governista. Terá, assim, uma irrecusável tarefa a cumprir – e pretende cumpri-la inspirado no mais elevado espírito democrático.

Não poderá ser diferente. O debate é necessário. A cidade, em permanente construção, reclama a consolidação do que lhe faz bem e a adoção de políticas públicas e ações que lhe permitam superar contradições, insuficiências e precariedades. O governo agirá nesse sentido, conforme as linhas submetidas à população na pugna eleitoral. A oposição discordará de muita coisa (perdeu a eleição com proposições de natureza distinta), embora possa apoiar umas tantas outras. Sem motivos para agressões mútuas ou atitudes intolerantes.

A oposição é necessária. No mínimo contribui para que os propósitos e as iniciativas do governo sejam melhor esclarecidas. E na medida em que paute sua ação pelo questionamento da essência do projeto político-administrativo ora hegemônico na cidade, estará contribuindo – pela sempre útil polêmica – para elevar o nível da disputa.

Porque é isso mesmo – uma disputa de projetos. Mesmo que aqui e acolá isso possa seja esmaecido por cobranças localizadas e críticas rasteiras e infundadas. A própria pauta legislativa, já no primeiro semestre, dará azo a que situação e oposição se debrucem sobre questões essenciais da vida na cidade, a partir mesmo do exame do PPA (Plano Plurianual) a ser apresentado pelo novo governo, da Lei Orçamentária e de matérias como a atualização da Lei de Uso e Ocupação do Solo.

Mais: hoje já não é possível tratar de questões como essas desconectadas do que acontece no país e no estado. Basta que se tenha como exemplo as repercussões da crise global sobre a economia e a gestão pública brasileira e suas implicações sobre o desenrolar do novo ciclo de crescimento que se inicia em Pernambuco e, por conseqüência, sobre o poder de fogo do poder executivo local.

Que venha o bom debate – para o bem da própria Câmara Municipal, que assim se fortalece; e para a elevação da consciência política dos habitantes da cidade.

Bom dia, Jorge Wanderley

Maria Tereza
Tema da rosa/I
Parecia uma rosa madrugando
Aquela rosa ali, naquele dia.
Era quando em redor amanhecia,
Porém sem Lugar-Onde ou Tempo-Quando,
Estava eterna e eterna parecia.
Não se sabia a luz que a estava olhando,
Ou se ela olhava a luz desabrochando,
Nem se era dela que esta luz surgia.
Nada movia em torno, mas da haste
Parecia vibrar, tensa e nervosa,
A onda de um acorde num segundo
Sonhando em rubro e alheio a seu engaste,
Que era a história das rosas numa rosa,
A rosa em si, dentro de si, no mundo.

Quem ganha com a crise

. É notícia na Folha de S. Paulo de hoje e tema da minha coluna semanal no Vermelho amanhã. Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde. Os bancos captam dinheiro a juros de 12,6% ao ano e repassam a 43,2%.
. Em dezembro, os bancos do Brasil captaram dinheiro a taxas mais baixas que as observadas de junho a novembro, mas não repassaram a queda aos correntistas: ao contrário, o “spread” bancário atingiu o maior nível em mais de cinco anos. Os números são do Banco Central. No mês passado, os bancos pagaram 12,6% ao ano para levantar recursos no mercado e repassaram esse dinheiro aos clientes cobrando juros médios de 43,2%. A diferença, que é o maior “spread”, foi de 30,6 pontos.
. Para Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, há mais aversão ao risco por parte dos bancos. Segundo a Febraban (associação do setor), embora a tendência do “spread” seja cair, a inadimplência tem atuado no sentido oposto. Outros dados do BC mostram que, em dezembro, a inadimplência no financiamento a pessoas físicas foi a maior desde 2002. Atrasos de mais de 90 dias nos pagamentos atingiram 8,1% dos empréstimos, contra 7,8% em novembro.

Forum contra a crise

No Vermelho:
Marcha abre FSM com expectativa de desafiar crise das elites
. Telas múltiplas de cores e vozes, somadas num movimento de protesto e celebração. Esse foi o cenário que abrigou a marcha de abertura do Fórum Social Mundial 2009, nesta terça (27), em Belém do Pará. Mais de 80 mil pessoas de 150 países entoaram palavras de ordem e canções que denunciam o amargo preço que os trabalhadores vem pagando pela crise das elites econômicas. Enlaçada à marcha esteve a defesa da floresta amazônica. Paralelo ao Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, o FSM abre com a expectativa de ações concretas por uma alternativa racional à selvageria do neoliberalismo.

História: 28 de janeiro de 1943

Manifestação da UNE, no Rio, pelo ingresso do Brasil na 2ª Guerra. Graças à pressão popular, o Brasil será o único país latino-americano presente no campo de batalha para vencer o nazismo. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

27 janeiro 2009

Vantagem comparativa

. Está no Diário de Pernambuco de hoje. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em implantação no Complexo Industrial Portuário de Suape, apresentou o menor preço para construção de mais sete navios, sendo quatro Suezmax e três Aframax, na segunda fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, subsidiária da Petrobras na área logística. As embarcações pertencem aos lotes 1 e 2, respectivamente, também disputados pelo Estaleiro Ilha S/A (Eisa), que ficou em segundo lugar na classificação das propostas comerciais.
. O Promef é um dos projetos mais importantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e marca a retomada da indústria naval brasileira. Agora, os preços ofertados serão negociados de acordo com a ordem de classificação.

Candidato a quê?

. Às vésperas do início do mandato de vereador, repórteres insistem em me perguntar se disputarei, por indicação do PCdoB, uma cadeira de deputado estadual ou federal no pleito de 2010.
. É certo que os preparativos para 2010 começam já. E que o PCdoB pretende delinear em breve seu projeto eleitoral em todo o país.
. Mas sou mesmo candidato a honrar, como vereador, os compromissos assumidos perante o povo na campanha passada.

Unidas contra a crise

. A unidade do movimento sindical faz-se possível pela convergência de todas as centrais em torno do Manifesto contra a crise,lançado ontem.
. Conforme noticia o Vermelho, com ataques dirigidos à elevadíssima taxa básica de juros (Selic) adotada no Brasil.
. As entidades cobram a redução da Selic dos atuais 12,75% para “um patamar de 8% ao ano”, além de um intervalo menor entre as definições das taxas “enquanto perdurar a crise”.

A refundação da Bolívia

. É o título do editorial do Vermelho, hoje. Trata da expressiva vitória de Evo Morales – 60% dos votos – no referendo realizado domningo último acerca da nova Constituição do país.
. Leia clicando aqui http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=50040

26 janeiro 2009

Imprensa marrom

No Acerto de contas, por Pierre Lucena:
Folha diz que grampo de Veja era uma farsa
. Pode ter passado desapercebido por muitos, até porque era uma matéria discreta, na Folha de São Paulo de sábado.
. Segundo apurou a Folha de São Paulo, a Polícia Federal, depois de investigar o suposto grampo que originou a matéria de capa da revista, entre uma conversa de Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.
. Para quem não se lembra, a Veja do ano passado apresentou uma reportagem de capa, falando que os espiões da Abin teriam grampeado uma conversa entre o Senador e o Presidente do STF.
Muita gente suspeitou da fraude porque nunca apareceu o áudio, e também porque a suposta conversa não tinha nada de comprometedora.
. Esse grampo foi o estopim para que se afastasse Paulo Lacerda do cargo de Diretor da Abin.
Segundo a Folha teria apurado, os investigadores da Polícia Federal já saberiam que nenhuma gravação tinha sido feita, o que mostra que a reportagem foi uma fraude.

As instigantes perguntas de Jomard

Perguntas carnavalizadoras
Jomard Muniz de Britto

O que o monobloco URSO DO PÃO tem a verouvir com a pop-filosofia do não Ser?
O que a PRÉVIA DO URSO PÃO precisa saber do
IV SARAU FILOSÓFICO do BLOCO do NADA?
Você já experimentou tornar-se PESSOA diante e dentro do NADA? Zen? Zumbi? Zoroastro? Zorba?
Unidade na Luta, Campo da Esquerda Unificada: pelo CEU das nadiFICAÇÕES?
V. procura sempre aprender com o outro no QUERERES nada com o tal e qual BLOCO?
Quando melhor exercitaremos a PRÁXIS do NADA contornando os entes e seres do inteiro ambiente?
Se o NADA não possui personalidade jurídica nem (meta)física, é possível considerá-lo um bastardo da cultura chapa branca ou um mero filho da puetaria?
Procura-se o URSO PÃO entre o pacato Rosarinho DA PAZ e o poderoso bairro de Casa Forte: estaria ouvindo a BANDA CAETANO na Toca da Joana?
Este BLOCO do N é mesmo suprapartidário ou se desintegra no PSOL pela disputa dos contrários?
Os Nadistas, Nadólatras e NADADAÍSTAS preferem o pré-socrático Heráclito pelo fogo das pulsações transgenéricas?
Através da física dos FRACTAIS alcançaremos o NADA enquanto TOTALIDADE em processo sem a burocracia dos corporativismos?
O URSO PÃO é afilhado da sabedoria do Edvaldo?
Pelo NADA antropológico pensamos e dispensamos todas as misericórdias e compadecências?
A esperança no e do Barack OBAMA foi transpirada em Paulo Freire e Frei Beto?
O NADA vai e vem, volta e revolta danadamente para Catende, Salvadolores e Londres Nordestina?
Quais as situações-limite do NADA: a morte? o pecado original e marginal? os universos paralelos do prazer no BURBURINHO ou no GARAGE? a banalidade do MAL e do bem-querer? no PAÍS DO CARNAVAL de Jorge Amado: Teologia do SER ou TeolORGIA carnavalizadora?
*
Informativo: PRÉVIA DO URSO PÃO – 01/02/09 (1º domingo de fevereiro) – no Bar VAPOR 48 (ao lado do Catamarã). Início às 11 horas da manhã.

25 janeiro 2009

O peso do município

. Início dos novos governos municipais, oposição e situação ensaiam as primeiras escaramuças.
. Mais do que a questão local e imediata, é 2010 que está na mira. O bom ou ruim desempenho dos governantes locais terá peso importante no cenário das próximas eleições gerais.
. Pesa na correlação de forças, sobretudo porque influencia o comportamento do eleitor às voltas com as agruras do cotidiano.

Olinda: postura anticrise

Diário de Pernambuco:
Olinda foge à regra e não teme a crise
"Acreditamos que os efeitos serão menores no Brasil” Marcelino Granja - secretário da Fazenda.
. A exceção na preocupação com a crise é o município de Olinda, onde o clima é de total otimismo. De acordo com o secretário da Fazenda da cidade, Marcelino Granja, a administração está obedecendo ao discurso do presidente Lula e evitando se precipitar. "É uma crise dos Estados Unidos, que já havia sido anunciada. Acreditamos que os efeitos serão menores no Brasil porque a economia vem sendo tratada de forma diferente há bastante tempo. O mais importante é o debate político sobre essa crise", argumenta Marcelino.
. O secretário explica que a única medida concreta tomada até agora foi a manutenção da resolução da Comissão de Controle Interno, elaborada em outubro pela então prefeita Luciana Santos (PCdoB). A resolução, segundo ele, limita o horário de expediente, a fim de evitar horas extras, controla gastos com combustível e contratações temporárias.
. Mesmo assim, a economia fica em torno de 3% da receita total mensal, que é de R$ 18 milhões. Isso significa um corte de aproximadamente R$ 600 mil mensais na máquina pública, um valor pequeno em comparação com os cortes adotados por outros municípios.. O próprio secretário admite que essas medidas foram tomadas mais pela "política fiscal conservadora da cidade" do que pela crise propriamente dita. "A situação do município exige essas ações. A principal prevenção contra a crise são as medidas adotadas por Lula. Estamos otimistas, mas também vigilantes".

Bactérias no combate à poluição

Ciência Hoje:
Micro-organismo modificado geneticamente remove metais pesados de efluentes industriais
. Uma bactéria capaz de sobreviver em ambientes contaminados com metais pesados acaba de ganhar uma nobre função graças à engenharia genética. A Cupriavidus metallidurans CH34 foi modificada geneticamente para fixar em sua membrana inúmeros metais, como chumbo, zinco e cádmio, os mais tóxicos encontrados no ambiente, e ajudar assim na despoluição de efluentes industriais.
. Para conferir essa nova característica à CH34, o engenheiro químico Ronaldo Biondo, que desenvolveu a pesquisa no Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade de São Paulo (USP), produziu em laboratório um gene sintético que codifica uma proteína que tem alta afinidade por metais pesados.
. Por meio de técnicas de engenharia genética, o pesquisador fez com que a proteína passasse a ser produzida na bactéria, onde é transportada até a membrana e se mantém ligada à superfície, passando a retirar os metais do ambiente. “A proteína sintética não alterou o desenvolvimento da bactéria, que permanece saudável durante o processo”, diz Biondo, que há quatro anos estuda a CH34, micro-organismo ainda pouco conhecido no Brasil.
. Com a modificação genética, a bactéria consegue agregar e manter na sua superfície os íons metálicos do ambiente em níveis muito superiores aos da bactéria selvagem. Em seu estado natural, a CH34 também aglutina metais, mas, devido a sistemas naturais de resistência, em pouco tempo eles são expulsos novamente para o ambiente. “Além de não ser patogênica, a CH34 modificada geneticamente passa a ser biorremediadora”, destaca o pesquisador.

24 janeiro 2009

O fator Dilma

. Calma, pessoal. Não se constrói uma candidatura presidencial facilmente, quanto mais num país complexo como o Brasil, cuja marca institucional ao longo da História tem sido a instabilidade.
. A ministra Dilma tem méritos, sim. O PT e os partidos que apóiam o governo Lula têm todo o direito de especular sobre o nome da ministra como sucessora de Lula.
. Mas é preciso construir um programa de governo capaz de unir forças e galvanizar o sentimento do povo. No mais, por enquanto, há muito alarde para pouca construção.

Bom dia, Salgado Maranhão

O verbo

Passos da manhã
trazem-me o dia
a desovar enganos.

(O amor me busca
como um predador.)

No entanto
o verbo freme. Ateia
fogo aos abismos
reincide ao pó
e ao efêmero.

No entanto arrasto
o canto à borda
dos incêndios.

Ó caminhos que afundam
minhas rasuras!

O que é do tempo
é da terra
o que é da terra
é do ter.

Ó escudos de selva
e trilho!

Do que me atrevo
sobrevivo.

Poder de fogo

. Aproxima-se de US$ 174,4 bilhões os investimentos da Petrobras até 2013. O setor de exploração, incluindo o pré-sal, vai receber US$ 92 bilhões.
. O setor internacional vai receber investimentos da ordem de US$ 16,8 bilhões, o de distribuição ficará com US$ 2,1 bilhões, o de biocombustíveis US$ 2,4 bilhões e a área corporativa US$ 3,5 bilhões.
. Do total do dinheiro que será investido R$ 25 bilhões virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), financiamento que poderá ser ampliado.','').replace('','') -->

Cena de viagem

Foz do Rio São Francisco, Alagoas.

Ciência brasileira

. Está no Estadão de hoje. Cientistas produziram, pela primeira vez no Brasil, uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida, que são idênticas às células-tronco embrionárias, mas não necessitam de embriões para sua obtenção. Células desse tipo só foram desenvolvidas antes por quatro países: Japão, Estados Unidos, China e Alemanha.
. Em menos de um ano, a pesquisa brasileira produziu uma linhagem de células humanas e outra de camundongo, segundo cientistas envolvidos revelaram com exclusividade ao Estado. O projeto foi desenvolvido nos laboratórios do neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ, e do biomédico Martin Bonamino, do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Na opinião dos pesquisadores, a técnica não reduz a importância dos estudos com células embrionárias autênticas, mas diminui a necessidade de destruir embriões.

23 janeiro 2009

Encontro tem sentido político e ideológico

. A marca do PCdoB no trato da gestão pública e na ação parlamentar – eis um traço que ressalta no Encontro que o partido inicia hoje à noite, no Plenarinho da Assembléia Legislativa, reunindo prefeitos, vice-prefeitos, deputados e vereadores comunistas, além de militantes que ocupam funções dirigentes na esfera municipal.
. Os dirigentes nacionais Ronald Freitas e Walter Sorrentino terão participação importante.
. Dois temas se sobressaem: Orçamento e Execução Orçamentária no município, sua influência na governabilidade e a necessidade de acompanhamento criterioso por parte dos vereadores e do movimento social; e a construção e o fortalecimento do PCdoB na esfera institucional.
. Tem, assim, sentido político e também ideológico o Encontro. Contribui para formar a capacitar quadros destinados pelo Partido para o cumprimento de missões públicas.

Mais do que secundário

. Na Folha de Pernambuco de hoje o destaque da entrevista que concedi ontem à Rádio Folha – onde conversamos sobre muitas questões que me parecem relevantes e atuais -, é uma observação feita de passagem, para esclarecer nota publicada aqui no blog ainda em dezembro, sobre a falta de debate sobre propostas de trabalho na eleição da Mesa da Câmara Municipal.
. Assunto mais do que superado, pois como a matéria mesma registra a bancada do PCdoB não se furtou a votar na chapa única que se apresentou.
. Portanto, uma página virada. Ponto final.

Pressão contribuiu

. A redução da taxa Selic em 1% é um recuo do Banco Central diante da pressão da sociedade contra a política monetária vigente. Ainda é pouco, mas é um bom sinal.
. A movimentação das centrais sindicais contribuiu para isso. Precisa continuar.

22 janeiro 2009

Na Rádio Folha

Blog da Folha:
. Mesmo sem ter sido designado presidente da Câmara, ou líder do Governo, o vereador Luciano Siqueira (PCdoB) deve ser uma das vozes ativas e firmes no Legislativo Municipal em defesa do projeto governista. Hoje, em entrevista à Rádio Folha, o comunista tratou de contestar as críticas da oposição às gestões de João Paulo e João da Costa, do PT.
. Siqueira disse estar "inteiramente de acordo" com as medidas de corte de gastos anunciados pela PCR. "Estou inteiramente de acordo com as condutas adotas pelo prefeito João da Costa. Ele deveria ser criticado era se tivesse se comportando como se nada tivesse acontecendo. Diante do quadro de incerteza gerado pela crise internacional, ele está corretíssimo em tomar medidas de precaução. Está consolidando as expectativas criadas durante sua campanha", argumentou o parlamentar.
. O comunista também condenou a tática oposicionista frente o governo anterior, do qual foi vice-prefeito. "Penso que questionar dispensa de licitação é a tecla que bateram desde o nosso primeiro governo sem sucesso. Lembro que na primeira gestão, quando se questionou isso, nós fizemos um comparativo e o governo Roberto Magalhães tinha maior volume de pedidos de dispensa. Nem por isso ele merece críticas. Há dispensas que são fundamentais, é uma prática lícita e comum", sustentou. "Preferia que a oposição entrasse no mérito do governo", completou Siqueira.

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Governar é arriscoso e sujeito a incompreensões
Luciano Siqueira

Sujeito a incompreensões estamos todos nós, porque a vida é assim. A linguagem, esse marco da evolução da sociedade humana, nasceu justamente da necessidade de comunicação entre seres vivos que se faziam rudimentarmente conscientes acerca do mundo em que viviam. A escrita – um passo adiante - surgiu inclusive associada à burocracia, na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, onde surgiram as primeiras civilizações urbanas, cidades de Lagash, Umma, Nippur, Ur e Uruk, entre o sexto e o primeiro milênio AC. Para o registros contábeis relativos a produtos
agrícolas e pecuários, a cargo dos escribas – funcionários qualificados de então.

Sempre sujeita, a comunicação oral ou escrita, a diferentes percepções da vida, das coisas, dos sentimentos.

E viver, portanto, é arriscoso – como diz o personagem de Guimarães Rosa – e quem não quiser correr riscos que tente se proteger numa imaginária redoma.

Agora transporte isso para o ato de governar. Aí, amigo, frequentemente os problemas são mesmo complexos, comportam muitas leituras e variadas interpretações; e mais do que isso, sofrem a influência do conflito de interesses, seja econômicos, seja políticos.

O prefeito João da Costa nem bem começa a governar e já experimenta isso em toda plenitude. Anuncia contenção de gastos com o custeio da máquina administrativa e ao invés de palavras elogiosas, recolhe da oposição e de grande parte da mídia dúvidas, insinuações, desconfianças. Uns por dever de ofício, pelo menos assim entendem. Outros, pelo simples hábito de desconfiar de tudo o que seja gesto praticado por quem tem a responsabilidade de governar. Foi-se o tempo em que se acreditava nas pessoas “até prova em contrário”. Agora, no ambiente de denuncismo indiscriminado que contamina a mídia e a opinião pública, de modo tão exagerado que perturba a capacidade crítica das pessoas, desconfia-se de tudo e de todos, até que provem que são sinceros, corretos e agem com lisura. O ônus da prova não é de quem acusa, é do acusado!

O que se tem cobrado do prefeito João da Costa é detalhes sobre onde espera cortar gastos, por que mais aqui do que acolá e quejandos – como se fosse possível na administração esse grau de preciosismo, como se a dinâmica da vida não fosse mais forte do que o pretenso rigor burocrático.
O que vale – permitam dizer - é a decisão política, anunciada pelo prefeito, e a sua determinação em vê-la cumprida por seus auxiliares. Aos que estão de fora, sem prejuízo do exame crítico, cabe cobrar resultados.

Muito diferente seria se o prefeito, a despeito das evidentes repercussões da crise global sobre a receita municipal (nas suas diferentes fontes), seguisse adiante como se nada de novo estivesse acontecendo. Aí, sim, caberia a denúncia de uma gestão no mínimo temerária.

Bom, quem escreve esse breve comentário não é nenhum ingênuo. Nem o leitor, certamente. Alguns fazem da medida de austeridade adotada pelo novo prefeito mote para atacar o antecessor, de reconhecido êxito confirmado pelo voto popular.

Que assim seja, pois arriscosa é a vida – e mais ainda a gestão pública. Cabe a cada cidadão julgar gestos, propósitos e opiniões.

21 janeiro 2009

Boa noite, Castro Alves


As duas flores

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Juros altos: até quando?
Luciano Siqueira

Após a recente audiência das principais centrais sindicais com o presidente Lula, começam a se multiplicar país afora manifestações de trabalhadores em defesa do emprego e do salário e contra a política de juros altos. Das duas uma: ou o presidente não se convenceu dos argumentos dos sindicalistas em favor da mudança de nossa política monetária; ou ambos – presidente e líderes sindicais – confirmaram a convicção de que só a mobilização popular pode dobrar essa política.

Lula, ao contrário do que faz comumente, evitou maiores comentários sobre a conversas com os sindicalistas. Seria uma oportunidade para se pronunciar publicamente sobre o assunto. E, se em sentido positivo, ficaria bem na fotografia, pois são quase unânimes na sociedade os argumentos em favor da mudança da política monetária. Os fatos que os sustentam, mais do que claros.

Como tem assinalado o economista Paulo Nogueira Batista Junior, representante do Brasil no Conselho do FMI, a política monetária brasileira está demorando a se adaptar às novas circunstâncias. Em conseqüência, vem aumentando a já elevada diferença entre os juros praticados no Brasil e as taxas verificadas nos 40 principais mercados desenvolvidos e emergentes do mundo. Nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão, a taxa real básica é negativa em 2,6%, 2,4% e 1,4%, respectivamente.

Nos chamados mercados emergentes, há desde taxas moderadas a negativas, em termos reais. Na China, o juro básico real é atualmente de 1,5%; no México, 2,3%. A Rússia e a Índia praticam juros reais negativos, respectivamente de -0,7% e -4,0%.

Por que é tão danoso para o Brasil manter taxas elevadas? Porque elas contribuem para acirrar a ameaça de retorno ao quadro de crescimento medíocre do qual a duras penas temos conseguido escapar, com a conseqüente elevação dos índices de desemprego e subemprego.
No entanto, há quatro reuniões sucessivas o Comitê de Política Monetária Copom) vem aumentando a taxa do juro básico. A pressão dos sindicalistas visa exatamente pressionar o Copom – com a concordância do presidente Lula? – a mudar de atitude na reunião de hoje, quarta feira.

As centrais propõem uma redução pela metade do que atualmente é praticado pelo mercado financeiro em nosso país, para que cheguem a um juro real de 3,5%. Essa seria uma condição sine qua non para que não interrompamos o crescimento econômico e possamos manter o emprego e a renda em padrão minimamente satisfatório.

É acompanhar para ver.

História: 21 de janeiro de 1984

Ocupação do MST, vista por Sebastião Salgado
Encontro nacional de 4 dias em Cascavel, PR, funda o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que terá notável presença nas lutas sociais dos anos 90. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Novo mínimo injeta R$ 27 bi na economia

. Está nos jornais de hoje. O reajuste de 12% do salário mínimo nacional, que entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro, deverá injetar cerca de R$ 27 bilhões na economia em 12 meses. Os cálculos feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) levam em consideração o contingente de 43 milhões de pessoas que têm seus rendimentos referenciados pelo mínimo. Se confirmado o aumento de R$ 415 para R$ 465 haverá um ganho real de 6%, o maior desde os 13,04% de 2006.
. A combinação de reajuste elevado do mínimo e menor pressão inflacionária deve evitar uma forte desaceleração do rendimento de 2008 para 2009, avaliam alguns analistas. Há quem estime a expansão de 2% no rendimento do trabalho no ano, após alta de 2,6% em 2008. A elevação de 5,9% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado não deve se repetir e o indicador encerrará 2009 com alta de 4,8%.

Desemprego e taxa de crescimento

. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa crescer mais de 4% este ano para que a taxa de desemprego não aumente. É o que prevê uma projeção apresentada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre as possíveis repercussões da crise internacional no Brasil, conforme noticia a Agência Brasil.
. No estudo foram apresentadas três simulações de crescimento do PIB para este ano e os reflexos nas taxas de emprego e desemprego. No primeiro, o mais otimista, com o PIB de 4%, haveria a criação de 1,3 milhão de novos postos de trabalho. Mas, 154 mil pessoas aumentariam a taxa de desemprego.
. No cenário mais pessimista, o que prevê o crescimento de apenas 1% no PIB, seriam mais 320 mil postos de trabalho contra um total de 1,126 milhão de novos desempregados. Na perspectiva de crescimento de 2,5%, seriam gerados 800 mil empregos e 806 mil novos desempregados.
. O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que as medidas tomadas pelo país até o momento estão no caminho certo, mas não são suficientes para que o Brasil ultrapasse os 4% de crescimento. “Todas as simulações que temos feito indicam que um crescimento inferior a 4% implicará numa possível inflexão nessa trajetória positiva que o Brasil vinha registrando”, disse.
. Para ele, é preciso haver uma redução drástica da taxa de juros, que hoje está em 13,75%, em até quatro ou cinco pontos percentuais. “Os juros reais estão muito elevados. Isso não contribui para criar uma expectativa de maior investimento e da defesa do emprego e da produção nacional. A taxa de juros que temos hoje está inadequada para uma conjuntura de crise”, disse.

20 janeiro 2009

Bom sinal

No Vermelho:
ABC resiste: 20 mil metalúrgicos saem às ruas em protesto
. Mais de 20 mil metalúrgicos do ABC ocuparam as ruas de São Bernardo (SP) para dizer “não” à redução de salários e de direitos. Os trabalhadores também declararam guerra a qualquer tentativa de demissão.
. As manifestações ocorreram em três pontos. Na maior deles, uma marcha, organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, reuniu 15 mil pessoas. A passeata começou na Mercedes-Benz, por volta das 6 horas da manhã, e prosseguiu pela avenida 31 de Março até a Mahle Metal Leve.
. Enquanto isso, cerca de 3 mil trabalhadores protestavam à frente da Scania, e outros milhares participaram de assembléia no pátio da Volkswagen, durante a entrada do turno da manhã.
. De acordo com o sindicato, o objetivo do ato foi mostrar aos trabalhadores uma agenda contra a crise e o desemprego — que inclui propostas como a redução da taxa básica de juros (Selic), o incentivo às exportações e a facilitação do crédito. “É na rua, com disposição de luta, que a gente transforma a realidade”, enfatizou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Integrar é bom, mas não é fácil
Luciano Siqueira

Tão desejável quanto necessária, a integração das ações de governo é um desafio dos mais difíceis. Implica um conjunto de variáveis objetivas e subjetivas que em boa medida dizem respeito à cultura da fragmentação incrustada na administração pública em nosso país – em todos os três níveis federativos.

Por mais que se mostre aparentemente consensual a percepção de que compartilhar um mesmo projeto mediante ações articuladas e integradas entre diversos órgãos do governo representa otimização de recursos humanos, materiais e financeiros e maior eficiência, no cotidiano da gestão pública as coisas acontecem de maneira muito diferente. Ninguém é contra, porém quase ninguém adere; todos, ou quase todos, preferem agir por conta própria e frequentemente sem ter em conta os esforços que a secretaria ou empresa afim realiza na mesma direção.

Via de regra fala mais alto a preocupação quanto a quem caberá os louros do êxito e prevalece a disputa pelo reconhecimento ao final da ação empreendida.
É uma lógica infernal. Subreptícia, enganosa, quase irrefreável – que reclama mudança de concepção e comportamento. Daí a dificuldade de integrar.

Nos oito anos recentes no governo do Recife, essa foi uma luta constante – ora conduzida com clareza de propósitos e métodos razoavelmente adequados; ora a base apenas da boa intenção. Alcançamos êxitos em algumas áreas, na maioria falhamos.

Mas há, sim, boas experiências. Um exemplo é o Carnaval – essa verdadeira operação de guerra que envolve secretarias, empresas, autarquias, Guarda Municipal, enfim praticamente todo o governo. De maneira irrecusável: as necessidades estão ali, batendo à porta, e ninguém pode evitar agir em conjunto.

Outra experiência satisfatória tem sido o programa Guarda Chuva, conjunto de ações sistêmicas e continuadas sobre morros, encostas e áreas alagadas o alagáveis visando preparar a cidade para o período de chuvas. Neste caso, a variável território ajuda, uma vez que as ações são dimensionadas e dirigidas para espaços bem definidos da cidade.

De toda sorte – e sem pretender formulações definitivas – a vida tem demonstrado que ao gestor público sinceramente interessado na integração do governo cabe combinar a luta de idéias (para superar paradigmas ultrapassados) com um persistente esforço de articulação da equipe – valendo-se dos bons resultados como exemplo demonstrativo.

Cena de viagem

A paz da praia do Pontal do Peba, litoral sul de Alagoas.

Em defesa da biodiversidade brasileira

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O Museu Brasil

O ilustre cientista brasileiro Rogério Cerqueira Leite, físico de renomado prestígio internacional, escreveu um artigo em jornal paulista sobre a questão ambiental que provocou impacto acima da média principalmente em função da sua autoridade no mundo acadêmico.

Ele condena a visão conceitual sobre o meio ambiente de inúmeras organizações não governamentais, as ONGs. Denuncia a existência de várias dessas entidades, pautadas por congêneres estrangeiras, ou mesmo simples filiais dessas em nosso país.

Considera que inúmeras delas estão a serviço de interesses contrários à soberania nacional e que atentam contra a integridade do Estado e atuam visando impedir o pleno desenvolvimento do país. No raciocínio do conceituado físico elas não estão nem um pouco preocupadas com a miséria do povo brasileiro. Existem inúmeros ensaios, livros, artigos e publicações que avalizam a opinião de Rogério Cerqueira Leite e alguns deles denunciam o que chamam de “Máfia Verde”.
Seriam as entidades ambientalistas que de ambientalistas nada têm. Estariam atuando em território nacional, principalmente na Amazônia e adjacências, com o intuito de mapear as riquezas do país e provocar a cizânia entre os indígenas e o os moradores da região.

Movimentam-se com o objetivo estratégico de constituir áreas indígenas caracterizadas como verdadeiras nações independentes com arbitragem de fórum internacional. Na prática e no Direito seria o esquartejamento do território brasileiro com objetivos claramente confessados.
Recentemente, em julgamento ainda não concluído no Supremo Tribunal Federal, ministros posicionaram-se pela negação da autonomia absoluta da Reserva Raposa do Sol, submetendo-a aos interesses e à defesa do Estado nacional, provocando grande polêmica junto a determinados grupos ambientalistas.

O poder propagandístico dessas entidades é imenso, impulsionado por milhões de dólares ou euros, escondendo interesses de conhecidas nações estrangeiras. Contesta o professor Rogério o discurso dessas ONGs: “é preciso salvar a caatinga, é preciso salvar as dunas, os pântanos, o mangue, o deserto. Enfim, não se pode tocar em nada, nem nos 200 milhões de hectares de pastos. Ou seja, o Brasil é um museu intocável. Isso é um dogma. Temos que nos conformar com os fósseis poluentes aniquiladores, temos que nos conformar com a miséria do brasileiro”, conclui o emérito cientista.

O primeiro dia de tudo

. Como diria Drummond, o primeiro dia do ano não é o primeiro dia de tudo... Mas para esse amigo de vocês, hoje é o primeiro dia do ano.
. Após oito anos sem férias completas, desta vez foram dezesseis dias longe de tudo, percorrendo praias do litoral sul de Pernambuco até Aracaju, Sergipe. Com direito a dar uma espiada no noticiário via internet, deixando aqui no blog uma ou outra nota, além dos artigos que não deixei de escrever para o Vermelho, o Blog de Jamildo e o site da Revista Algomais.
. Agora é trabalho duro, ainda que a Câmara Municipal do Recife só reabra em 1 de fevereiro.

16 janeiro 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Capital versus trabalho em tempo de crise
Luciano Siqueira

União de todos em torno de medidas anticrise. Essa idéia força repetida à exaustão pelo presidente Lula tem esbarrado em resistências que resultam de contradições reais. Nas oposições, por exemplo, à direita e à “esquerda”, movidas pela expectativa política de que os efeitos da crise desorganizem a economia do país, trave o crescimento e prejudique os trabalhadores e a população mais pobre e melhore as condições da disputa eleitoral em 2010. Se o projeto de desenvolvimento em construção sob o governo Lula vem produzindo bons resultados – apesar de equívocos, insuficiências e vacilações do governo -, que ele desmorone o quanto antes – torcem os oposicionistas inspirados na máxima de quanto pior, melhor.

Mas a união de todos vem enfrentando outro obstáculo na enorme dificuldade (ou impossibilidade mesmo) de convergirem momentaneamente os interesses dos que detém o capital e dos que vivem do trabalho – essa contradição fundamental do modo de produção capitalista. O pronunciamento, anteontem, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros) é uma manifestação explícita disso.

A CTB rechaça a proposta da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) de redução de jornada com redução de salários, suspensão temporária do contrato de trabalho e banco de horas como alternativas de enfrentamento da crise. Em nota assinada pelo seu presidente, Wagner Gomes, a central se pronuncia em termos contundentes contra a redução dos salários, “que pode agravar a situação, comprimindo o mercado interno e adicionando novas dificuldades à comercialização das mercadorias produzidas pela indústria.”

“A classe trabalhadora não tem a menor responsabilidade pela crise e não é justo que pague por ela. A recessão exportada pelos EUA decorre das contradições internas do processo de produção capitalista. Se alguém deve pagar pela crise que sejam os ricos capitalistas, que acumularam grandes lucros na fase de expansão do ciclo econômico, principalmente no setor financeiro”, assinala a nota.

Intransigência? Certamente não. Antes, a consciência de que historicamente nas crises cíclicas do sistema – e está é uma crise estrutural, profunda e de conseqüências ainda não mensuradas – é precisamente sobre os trabalhadores que recaem as conseqüências mais dramáticas, a partir da redução drástica da oferta de postos de trabalho. Mais: os bancos, recentemente beneficiados pela flexibilização do compulsório, teimam em restringir o crédito tentando tirar todo o proveito da concessão feita pelo governo – como o próprio presidente Lula denunciou há algumas semanas atrás.

Resta saber se o empresariado brasileiro terá a capacidade de mediar com equilíbrio e bom censo seu comportamento diante da crise, convivendo com uma taxa média de lucro menor e admitindo a manutenção dos direitos essenciais dos trabalhadores. Não é fácil, independe da vontade de cada um; é a lógica intrínseca do sistema que conspira em sentido contrário.

12 janeiro 2009

Bom dia, Cecília Meireles

Canção de alta noite

Alta noite, lua quieta,
muros frios, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta
não necessita de casa.

Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,
não necessita de sono.

Andar... Perder o seu passo
na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,
nem necessita de vida.

Andar... — enquanto consente
Deus que a noite seja andada.

Porque o poeta, indiferente,
anda por andar — somente.
Não necessita de nada.

Um outro Freud

Revista Brasileiros:
A vida íntima do pai da psicanálise contada pela sua esposa Martha, que por 53 anos viveu à sua sombra
. Sabe-se que Sigmund Freud, o pai da psicanálise, não era uma pessoa muito fácil de se conviver. Egocêntrico, autoritário e com um temperamento para lá de difícil, ele compensava suas dificuldades de relacionamento com sua enorme genialidade para decifrar a mente humana. E foi amparado nessa sua genialidade que ele sempre conseguiu se impor e, por que não dizer, controlar seus familiares, amigos, alunos e quem mais estivesse ao seu lado. A vida de Freud, com todas as suas nuances, já foi contada e recontada em várias biografias. O que ninguém havia lido ainda era a versão dos fatos do ponto de vista da sua esposa Martha, com quem viveu por 53 anos e teve seis filhos. Esse desafio foi o ponto de partida para a psicanalista francesa Nicolle Rosen - fã incondicional de Freud - escrever o livro Madame Freud (Editora Verus). "Tudo o que está escrito no livro é verdadeiro e pode ser encontrado em biografias, cartas e outros documentos. O que difere é a maneira como a história está sendo contada, em forma de romance. As cartas não são cartas de Martha, eu as escrevi criando a personagem de Mary como sua correspondente. Para que ela falasse na primeira pessoa, ela precisava falar com alguém", explica Nicolle em entrevista exclusiva à Brasileiros.
. De leitura fácil e saborosa, o livro é uma biografia romanceada, na qual Martha conta as dificuldades em viver o tempo todo à sombra de um homem como Freud e como o fato de ele sempre a colocar em segundo plano afetou sua vida. Por meio de cartas escritas a Mary Huntington-Smith, uma jornalista americana que conhecera no velório de Freud sete anos antes, Martha vai fazendo uma autoanálise e começa a passar sua existência a limpo. "Por que me devotei completamente a uma vida e à execução de uma obra que não eram minhas?", questiona-se. "Ele era tão seguro de ser um gênio, de ter algo excepcional para criar, que achava normal que sua esposa viesse atrás", acredita Nicolle. E assim era Martha. Sempre atenta aos cuidados da casa, dos filhos e ao bem-estar do marido, mas, ao mesmo tempo, completamente desinformada sobre o trabalho dele.
. Entre suas dolorosas confidências, ela também procura entender sua relação com os filhos, principalmente os motivos que a fizeram rejeitar sua filha Anna para sempre. Ela conclui que esse afastamento talvez tenha ocorrido porque ela fora fruto de uma gravidez indesejada. "Passei então esses nove meses num profundo abatimento. Isso não teria fim?", desabafa. Era sua sexta gestação e Martha mostrava-se exausta. Ela também culpou seu marido, médico, por causar-lhe tamanho desconforto e nunca ter dito como evitar mais filhos. A solução encontrada por Freud, então, foi a abstinência - depois do nascimento de Anna, eles nunca mais tiveram relação sexual. Martha tinha 35 anos. A amizade conflituosa e quase doentia de Freud com seus então assistentes Carl Jung e Wilhelm Fliess, o sentimento edipiano que nutria por sua mãe, a estranha relação com sua cunhada Mirna e sua devoção pela filha caçula Anna. Nada escapa aos olhos de Martha. "Ele era egocêntrico, mas certamente gostava de sua esposa. Se Martha sofreu? Ninguém sabe, mas eu suponho que sim. Esse é o trabalho de uma escritora, inventar coisas que às vezes podem ser mais verdadeiras que a realidade."

Sinal de alerta

. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (12) que os primeiros meses do ano serão “preocupantes” para o Brasil por causa da crise financeira internacional – informa a Agência Brasil. Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula voltou a defender a manutenção dos investimentos como resposta aos efeitos negativos na economia brasileira.
. “Nós vamos ter um trimestre preocupante, mas o governo tomará todas as medidas necessárias para que essa crise afete menos o povo brasileiro. Nós precisamos garantir empregos, garantir salário e garantir renda. Esses são três componentes extraordinários para que a economia brasileira continue a crescer e o povo não seja vítima de uma crise que não foi causada pelo Brasil”, avaliou.
. Esta semana, o presidente tem reuniões com a área econômica do governo para discutir a crise.
. Lula reafirmou que o governo pretende manter todos os investimentos programados e estimular a iniciativa privada a adotar a mesma estratégia. “O grande problema dessa crise é o crédito. temos que motivar a iniciativa privada a continuar fazendo investimentos e precisamos trabalhar para que o crédito volte à normalidade”, apontou.
. O presidente afirmou ainda que o governo deve injetar recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para produzir investimentos em efeito cascata, além de medidas bancárias para facilitar o acesso de pequenas e médias empresas ao crédito. “Essa crise tem que ser encarada pelo povo brasileiro como uma oportunidade”, defendeu.

Os pontos nos ii

. Nova ortografia, mais trabalho quem escreve diariamente. Caso desse amigo de vocês.
. Ainda em férias, desculpe se ainda vão palavras grafadas assim tranqüilo – com trema – ou se o emprego do hífen sai equivocado.
. Só na volta ao Recife haverá tempo e disposição para aprender as novidades. E usar um novo corretor ortográfico.

11 janeiro 2009

Caqui, um aliado da saúde

Ciência Hoje Online:
Fruta impede acúmulo de radicais livres no organismo e previne doenças e envelhecimento precoce
. O caqui é o mais novo aliado dos médicos na luta contra o acúmulo de radicais livres no organismo, que contribuem para o envelhecimento celular precoce e o surgimento de doenças neurodegenerativas, como o mal de Alzheimer, além de diabetes e câncer. Estudo feito na Universidade de Brasília (UnB) comprovou que o caqui (Diospyros kaki) do tipo rama forte tem ação antioxidante, ou seja, reduz ou previne a oxidação, impedindo que radicais livres danifiquem células e tecidos do corpo.
. Os efeitos do extrato da polpa de caqui foram comprovados em testes in vitro realizados pela nutricionista Luana Taquette Dalvi, do Departamento de Nutrição da UnB. A pesquisadora destaca que a fruta é rica em carotenoides como o betacaroteno (substância também presente em cenouras e abóboras), além de ser fonte de vitamina C. A presença desses compostos, entre outros, explicaria a ação antioxidante do caqui.
. Para observar a ação do caqui sobre os radicais livres no organismo, a nutricionista realizou testes com células de fígado de rato adicionadas a um sistema que estimula a produção do radical hidroxil (composto por oxigênio e hidrogênio). “Esse radical reage rapidamente com as diversas moléculas do organismo, como proteínas, lipídios, carboidrato e o DNA”, ressalta Dalvi. O efeito do extrato de caqui foi muito positivo: inibiu em até 90% o dano oxidativo causado pelos radicais livres.
. Mas a nutricionista alerta que o consumo de caqui deve ser controlado, pois a fruta tem alta concentração de açúcar e frutose, que representam até 60% de seu peso. “O ideal é ingerir grande variedade de frutas e, se possível, consumir um caqui por dia”, recomenda. Apesar de ter origem oriental, o caqui é cultivado em todo o Brasil.

10 janeiro 2009

Vã filosofia

Talhas expostas à venda em quiosque de artgesanato na Praia da Pajussara, em Maceió.

09 janeiro 2009

Coluna semanal no portal Vermelho

A pensão da Rua São Paulo e o custeio da máquina
Luciano Siqueira

Levado ao quarto mais do que espartano, onde me esperava uma rede gasta pelo tempo e pelo uso, a dona da pensão ia logo avisando: “- Às 23 horas todas as luzes se apagam, para economizar energia.” Quer dizer, no meio da noite, a luz do quarto podia ser acesa, pela dona ou um seu preposto, para introduzir mais um hóspede, a ser alojado noutra rede posta ao lado.

Era uma pensão na Rua São Paulo, no centro de Fortaleza, no início dos anos setenta, opção de hospedagem barata – quem sabe uns trinta reais a preço de hoje, sem direito a café da manhã – para quem viajava clandestino, como vendedor ambulante, a serviço do Partido, sob risco de ser apanhado pela repressão policial da ditadura militar. Tudo era precário. O banho, então, um desafio dos piores: a gente tinha que se equilibrar sobre tijolos para não pisar na água suja, e fazia uso de uma lata usada de óleo Salada para tirar a água quase gelada armazenada num tonel.

Hoje, mais de trinta anos passados, não é a redução de custo da energia de uma pensão miserável freqüentada por camelôs, sacoleiros, caixeiros viajantes de baixo nível e, eventualmente, prostitutas que me preocupa; a economia é outra – a anunciada pelos novos prefeitos recém-empossados. Parece um discurso ensaiado: todos anunciam medidas de contenção de despesas (por causa da crise financeira global e suas repercussões sobre a arrecadação municipal), ao mesmo tempo em que asseguram a continuidade de programas e serviços essenciais.

Não é um discurso errado, apenas carece de consistência, se não acompanhado da fixação de objetivos e metas e normas de conduta ordenadas por decreto. Por uma razão muito simples: todos os prefeitos, ou quase todos, quando falam em redução de despesas se referem ao custeio da máquina administrativa; vale dizer: cortes de pequenas e pouco percebidas despesas cotidianas que somadas pesam significativamente nas contas municipais. São gastos associados a comportamentos cristalizados há anos e que fazem parte da cultura do serviço público. Veículos, combustível, telefones fixos e celulares, papel A4, cartucho de impressoras, ticket refeição e quejandos.

Se olharmos para a execução orçamentária de uma prefeitura de cidade de porte médio, até que cabe questionar o peso real do custeio da máquina, comparado aos demais itens. Acontece que só é possível cortar despesas com o custeio de houver também contingenciamento de recursos para a execução de programas e serviços – do contrário, não se cria o impacto necessário sobre secretários, diretores, assessores e o corpo funcional, nem a consciência coletiva de que o regime é de economia mesmo.

Difícil é mudar o comportamento das pessoas (como na velha pensão não me era fácil adormecer sem ler páginas de algum livro) – reaproveitar o verso de folhas de papel usadas, por exemplo. Pior ainda é conter determinadas ações, tipo manutenção da infraestrutura urbana.

Daí a dimensão do desafio dos novos prefeitos. Austeridade administrativa não é apenas para quem quer, é para quem tem coragem e pulso.

Bom dia, Vera Lúcia de Oliveira

Cinema

a televisão era da vizinhança o tio tinha o maior
orgulho dizia podem vir eu fico contente com a criançada
ele chegava do bar com os bolsos cheios ia distribuindo
as balas a gente pensava que estava num cinema de verdade
faltava só o pipoqueiro

História: 9 de janeiro de 1858

Primeira greve de que se tem notícia no Brasil, dos tipógrafos de 3 jornais do Rio. Em vários países os gráficos, por terem acesso à leitura, são os pioneiros do movimento operário.

Habitação e emprego

. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, planeja distribuir gratuitamente habitações e conceder subsídios para a população de menor poder aquisitivo para compra de imóveis. O governo federal estuda também o corte de tributos que incidem sobre material de construção, segundo dados da minuta do plano de estímulo à construção civil.
. A notícia está na Gazeta Mercantil de hoje. A indústria da construção civil respondeu pela criação de cerca de 20% de novos postos de trabalho no ano passado.

Mobilização para manter atividade industrial

. Está no Valor Econômico de hoje. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende chamar a Brasília os governadores dos Estados mais industrializados para pedir a manutenção de investimentos e informar que a União poderá conceder mais alívios tributários.
. O formato e a data do encontro ainda não estão definidos. A idéia do Plana1to é convidar os governadores dos Estados do Sudeste, além dos da Bahia e Rio Grande do Sul. Amazonas e Pará também podem ser chamados, pela importância da Zona Franca, no primeiro, e da mineração, no segundo.
. As novidades no campo tributário estão em estudo. Além de uma redução ainda maior no prazo de devolução dos créditos do PIS/Cofins de investimentos, pretende-se retardar a cobrança do ICMS de setores específicos, medidas já adotadas por São Paulo e Minas para todos os setores. Estuda-se também a criação de novas alíquotas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, a exemplo do que o governo já fez com o IR da pessoa física.

08 janeiro 2009

Amplitude e grandeza

Folha de Pernambuco:
PDT, PTB e Renildo podem se aproximar
. O prefeito de Olinda, Renildo Calheiros (PCdoB), admitiu a possibilidade de aproximação com o PTB e PDT, partidos que lançaram candidaturas de oposição no último pleito. “Depois da eleição, há um certo distanciamento. Mas tenho uma relação muito boa com o (presidente regional dos petebistas) Armando Monteiro Neto. Aliás, ele teve uma atitude elegante conosco na disputa, externou politicamente apoio à gente. Também tenho boa relação com Arlindo Siqueira (PTB) e ALF (André Luiz Farias, PDT) - os dois foram candidatos majoritários. A política é muito dinâmica”, salientou, durante entrevista à Rádio Folha FM 96,7.
. Reconhecendo as dificuldades existentes para o repasse de recursos por parte do Governo Federal às prefeituras, Renildo já avisou que irá a Brasília, na próxima terça-feira, a fim de cobrar agilidade no pagamento de obras. O comunista visitará o Ministério das Cidades, além da Caixa Econômica Federal (CEF). “Vamos pedir agilidade no pagamento das obras que estão em execução em Olinda. Às vezes, o pagamento atrasa muito e temos vários projetos dependendo desses repasses”, explicou, sem especificar a que obras se referia.
. No tocante à administração, o prefeito avisa que não está nos seus planos fazer cortes nos gastos mesmo com a crise econômica financeira, pelo menos por enquanto. Até hoje, ele estará concluindo todo o processo de composição do segundo escalão do governo. “No máximo, na segunda-feira, estarei anunciando os nomes”, revelou, lembrando que não aceitará acomodados.

07 janeiro 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Quem tem medo da ética?
Luciano Siqueira

Ano novo, vida nova – o jargão, presente em nossas vidas desde sempre, bem que pode inspirar uma breve reflexão em tempo de férias...

É que esse amigo de vocês não tirava férias completas há oito anos, desde que em janeiro de 2001 se iniciou o ciclo dos dois governos de que tive a honra de participar, como vice-prefeito, ao lado de João Paulo, no Recife. Agora, como a Câmara Municipal só inicia suas atividades em 1 de fevereiro, eis que a oportunidade se apresenta para uma “pré-temporada” (como fazem os times de futebol) preparatória da nova missão.

Pois bem. Zanzando pelo litoral de Pernambuco e estados visinhos, mas sem perder de vista o que acontece no mundo e na província, ocorre-me a relevância cada vez maior da variável ética em todas as esferas da vida, na prática política em particular. Está na ordem do dia e na cabeça das pessoas –nem sempre colocada em termos adequados, há que se reconhecer.

A Ética é uma construção humana, cujo conteúdo vem evoluindo ao longo da História – de um conceito meramente abstrato, desconectado da vida material, a um valor de concretude percebida e vivenciada no cotidiano das pessoas. É uma projeção do que seria a vida ideal, um conjunto de referências, em diferentes sociedades e civilizações, tomadas como padrão para julgar idéias, atitudes e fatos conforme lhes sejam benéficos ou não. É por isso que, como já assinalava Engels no século dezenove, a Ética tem sentido de classe, uma vez que “a justiça dos gregos e dos romanos sustentava que a escravidão era justa. A justiça da burguesia de 1789 reclamou e impulsionou a abolição do feudalismo porque o considerava injusto... A concepção da justiça eterna varia, assim, não só segundo o tempo e o lugar, mas também segundo as pessoas que a julgam.”

Atualmente em nosso país, em meio a tantas denúncias (procedentes ou não), revelações embaraçosas, prisões e processos contra quem confunde o público com o privado no exercício de responsabilidades institucionais, a palavra “ética” vem sendo pronunciada como nunca pelos brasileiros. No exame de grandes acontecimentos ou de fatos e atitudes do dia a dia. E se constitui numa espécie de crivo espontâneo na formação da opinião sobre pessoas e instituições.

Assim, lealdade, respeito às diferenças, lisura no uso de recursos públicos, transparência perante a opinião pública, clareza de propósitos, etc. (a lista pode se alargar mais ainda) compõem o rol de exigências tidas como éticas às quais em princípio todos estão submetidos.

Rebaixamento conceitual? Creio que não. Rigor teórico à parte, isto significa, antes de tudo, a elevação do que se tem chamado consciência cidadã. Bom para quem se comporta corretamente; melhor ainda para o progresso das relações políticas na sociedade; e péssimo para os que teimam em agir à margem dos princípios elementares da boa convivência humana.

06 janeiro 2009

Escolha sob mesmo critério

. Não creio que se deva ter como líder do governo na Câmara Municipal do Recife um vereador de outra legenda que não o PT. Não há necessidade.
. Escaparia ao critério da estrita ligação com o prefeito João da Costa e o ex-prefeito João Paulo.
. Sem nenhum estresse com os demais partidos representados na Casa.
. Meu nome surge nas páginas dos jornais como mera especulação. Não é o caso. Serei o líder da bancada do PCdoB, conforme decisão tomada pelos dois vereadores comunistas sob a orientação da direção municipal do Partido.

Nelson deputado

. Dentre os novos deputados estaduais que tomaram posse ontem, Nelson Pereira (PCdoB).
. Ex-prefeito de Mirandiba, dois mandatos anteriores de deputado estadual, Nelson é um dos quadros mais combativos da esquerda pernambucana, sempre presente na luta do povo.
. E um militante de conduta exemplar.

Férias oito anos depois

. Em oito anos como vice-prefeito foi impossível tirar férias inteiras. Apenas breves dias de descanso.
. Depois de passar o natal e o Ano Novo em São José da Coroa Grande com a família e toda a meninada, agora é tempo de pegar a estrada pelo litoral sul até Sergipe e talvez parte da Bahia.
. Sem prejuízo dos meus artigos e crônicas no Vermelho, no site da Revista Algomais, no Blog de Jamildo (JC Online), no Jornal da Besta Fubana e na Interpoética.
. Férias de verdade para quem não é de ferro.
. Para iniciar os trabalhos na Câmara Municipal com a cabeça leve e disposição de trabalho redobrada.

Bom dia, Mário Quintana

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto alimentam-se um instante
em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Acesso à Universidade

. Informa a Agência Brasil que o resultado da chamada do processo de seleção do primeiro semestre de 2009 para as bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) já pode ser consultado pelos candidatos na página eletrônica do programa.
. Basta informar os números do CPF e de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008. Foram pré-selecionados 148.932 estudantes dos 608.142 inscritos de todo o país. Eles deverão confirmar até o dia 30 as informações prestadas na ficha de inscrição.

Mudança de conduta no BNDES

Está na Folha de S. Paulo de hoje. O governo mudou regras do estatuto do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) visando aumentar a capacidade de financiamento do banco. O decreto do presidente Lula já foi publicado no “Diário Oficial”. A decisão cria mecanismos pelos quais o BNDES poderá reter em caixa uma parcela maior do lucro que repassa à União, num ano em que o setor privado enfrenta restrições de crédito e o governo quer dar impulso às obras do PAC.

História: 6 de janeiro de 1999


Itamar 1999, visto por Chico Caruso
O governador Itamar Franco (PMDB), suspende por 90 dias o pagamento das dívidas de MG. O gesto denuncia o sufocamento dos estados pelo acordo FHC-FMI. Brasília dá o troco retendo R$ 11 milhões destinados a MG pelo Fundo de Participação dos Estados. (Vermelho www.vermelho.org.br).

Menos construção

Informa o Valor Econômico que após um forte crescimento em 2008, o setor de construção civil deverá sofrer uma desaceleração significativa este ano, contribuindo para derrubar a taxa de expansão do investimento. As estimativas mais otimistas prevêem uma alta de 4,7%, metade da registrada no ano passado.

Governo reage

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne amanhã com empresários para discutir medidas de incentivo às áreas de construção civil e de infra-estrutura, conforme noticia a Gazeta Mercantil. De acordo com Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), o foco do governo deverá se concentrar em novas desonerações tributárias para estimular os investimentos em setores que são grandes geradores de emprego. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, afirmou que o pacote de benefícios para reativar o setor poderá alcançar R$ 200 bilhões. Este conjunto de medidas envolveria novas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e programas habitacionais de interesse social.

Você é um deles

O Brasil já tem 43 milhões de inter­nautas - mais que a população da Es­panha ou da Argentina, noticia o Valor Econômico. Segundo dados do Ibope/NetRatings, o número dos co­nectados à rede quase dobrou desde o fim de 2003, quando eram 22 milhões de pessoas. Para 2009, a expectativa é de que o volume ultrapasse a barreira dos 50 milhões de usuários. Segundo estu­do encomendado pelo Google, o inte­resse por ferramentas de comunicação é seguido pela busca de notícias, entre­tenimento e pesquisas escolares. Do to­tal, 81% dos entrevistados citaram esse tipo de conteúdo como o mais acessa­do, seguido por músicas e vídeos (42%) e comércio eletrônico (23%).

05 janeiro 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Lula e os sonhos de consumo no Ano Novo
Luciano Siqueira

Na tradição revolucionária leninista (de maneira mais do que simplificada), faz-se uma distinção entre propaganda e agitação. A primeira comporta muitas idéias para um público supostamente sensível e interessado – como numa palestra ou num artigo alentado. A segunda é apenas a exposição de uma ou duas idéias através de um breve discurso de três a cinco minutos ou de um texto curto.

Óbvio que no segundo caso não há como detalhar causas e efeitos, considerar variáveis diversas, aprofundar o tema. Deseja-se, sim, despertar o ouvinte ou leitor (ou telespectador, se for o caso) para uma proposição que lhe provoque uma atitude imediata.

Quando se faz propaganda, aí sim, é possível discorrer de maneira mais abrangente e aprofundada sobre o tema, e mais do que uma ação imediata se pretende instigar a reflexão necessária a uma tomada de posição consistente e duradoura.

Segunda-feira última, ao se dirigir à nação, por meio de cadeia nacional de rádio e TV, o presidente Lula fez agitação ou propaganda? Um misto das duas, com razoável superficialidade na abordagem da crise financeira global e das repercussões sobre a economia e a vida dos brasileiros.

O presidente pretendeu incutir na população um espírito otimista, confiante no presente e no futuro do Brasil. Disse que a crise surgiu nos EUA e nos países mais desenvolvidos da Europa – e é verdade. Proclamou que o Brasil vive o seu melhor momento das última três décadas, com bom ritmo de crescimento e sinais de relativa estabilidade econômica – o que é parcialmente verdadeiro -, e por isso se encontra entre os países que hoje melhores condições têm de suportar a crise global.

Nas crises anteriores – proclamou o presidente -, em poucos dias o Brasil quebrava e era obrigado a pedir socorro ao FMI. Desta vez, o Brasil não quebrou, nem vai quebrar. Esta enfrentando a situação de cabeça erguida. Enquanto a maioria dos países ricos está em recessão, o Brasil vai continuar crescendo. É verdade que, com o vento a favor, poderíamos ir mais longe. Mas, mesmo com o vento contra, podemos e vamos seguir progredindo.

Alinhou entre os fatores favoráveis a inflação sobre controle, a diminuição da dívida pública (que em 2003 representava 52% do PIB e hoje caiu para 36%), a diversificação das exportações, as reservas monetárias situadas em 207 bilhões de dólares, o mercado interno em expansão sob o impacto do Bolsa Família, do aumento real do salário mínimo e do crescimento da oferta de empregos.

Sobre as medidas anti-crise, assinalou que “adotamos medidas para normalizar o crédito, para apoiar nossas empresas exportadoras e para manter a atividade nos setores que geram mais empregos, como as pequenas e médias empresas, a agricultura, a construção civil e a indústria automobilística. Reforçamos o poder de fogo dos bancos estatais e baixamos impostos para que as empresas e os consumidores pudessem ter um pouco mais de dinheiro em caixa e no bolso.” E ainda arrematou que “o governo manterá todos os investimentos previstos no PAC, e nos programas sociais. Em hipótese alguma, haverá cortes nos investimentos governamentais. Porque eles são decisivos para o Brasil enfrentar a crise e sair dela mais reforçado.”

Tudo bem. Até aí correto o discurso presidencial. Mas o final é de certa maneira questionável: “não tenha medo de consumir com responsabilidade. Se você está com dívidas, procure antes equilibrar seu orçamento. Mas, se tem um dinheirinho no bolso ou recebeu o décimo terceiro, e está querendo comprar uma geladeira, um fogão ou trocar de carro, não frustre seu sonho, com medo do futuro.”

Questionável por dois motivos: um, por ter omitido a postura do governo sobre um nó que precisa urgentemente ser desatado – o controle da conta de capitais. Isto quer dizer controlar o fluxo de capitais chamados voláteis que aqui entram e saem à base da usura – e onde reside talvez a maior vacilação do presidente no enfrentamento das ameaças externas.

O outro, o estímulo aos sonhos de consumo do supérfluo ou, pior ainda, do inatingível pela maioria dos brasileiros. Mesmo que seja necessário que as pessoas não parem de comprar para que “a roda da economia gire”, bem que Lula poderia ter empenhado o seu prestígio junto à grande massa do nosso povo num chamamento mais terra a terra ao consumo do que realmente é essencial. Para que os brasileiros não iniciem o Ano Novo sob a frustração de seus induzidos “sonhos de consumo”.

Coluna semanal no portal Vermelho

O prazer do manuscrito
Luciano Siqueira

Volto a escrever à mão, sempre que me é possível. Uma espécie de retorno às origens. Desde garoto, alimento o hábito de botar no papel quase tudo o que penso. Fichas de leituras e pequenas resenhas. Antes, em cartões pautados; os textos mais longos em cadernos. Com o advento do computador, digito ao invés de escrever. Muito mais prático: apago e refaço trechos inteiros facilmente, e ainda me beneficio do corretor ortográfico. Quando percebo que escrevi bobagens, deleto imediatamente e me livro para sempre do equívoco.

O computador ajuda e atrapalha. Permite escrever rápido, mas precipita o raciocínio e limita a abordagem do tema. A pressa é o cotidiano convite à superficialidade.

Escrever à mão é diferente. As idéias fluem na mesma velocidade da escrita: naturalmente. Há tempo para ler o que escrevo e refletir sobre o que virá a seguir.

Bem sei que minha escrita é sofrível, apenas libero as palavras – parto natural, sem dor nem demora. Escrevo por necessidade e prazer, mas não por dever irrecusável. Então não tenho porque brigar com as palavras, com elas tenho um pacto de convivência pacífica. Sem estilo nem brilho.

Minha relação com as palavras é de puro amor. Passeamos de mãos dadas, em terra plana, sem armadilhas. Desavenças ficam para quem tem talento e pretensões literárias. Quase sempre quero apenas dizer o que penso e o que sinto. Nada mais que isso, e quase tudo para mim mesmo – um diálogo solitário, secreto e cúmplice. O resto ponho nas colunas que assino semanalmente em alguns sites.

São dois ambientes, dois estágios: a cadernetinha de notas curtas, o caderno para divagações; e o computador para os registros definitivos. A mão e a máquina. A máquina guiada pela mão, que traduz a idéia e o sentimento, a descoberta e o desejo.

Aqui no Vermelho tudo vale a pena. Uma divagação como essa, coisa de fim de ano; ou uma opinião sobre o que acontece ou se deseja que aconteça na vida nacional ou na província. O texto curto, quase um artigo ou um arremedo de crônica, depende do tema e do momento. É a liberdade concedida pelo editor. Em outros sites onde escrevo regularmente sinto-me preso à obrigação de falar invariavelmente de grandes problemas e desejáveis soluções. Nem sempre em tom ameno. Anteontem mesmo escrevi sobre a importância estratégica dos 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia objeto de lei sancionada pelo presidente, segunda-feira. Ontem tratei da omissão do controle do fluxo de capitais no discurso de Lula em cadeia de rádio e TV.

Mas voltando ao gosto pelo manuscrito, dou-me conta de que essa boba confidência de Ano Novo contém em si a obrigação de escrever um pouco melhor. Para merecer a atenção dos meus leitores, que bem sei não são tão numerosos.

História: 5 de janeiro de 1785

D. Maria I manda extinguir toda indústria no Brasil, afora a de pano grosso para sacarias ou roupas dos escravos. A polícia destrói o incipiente parque fabril, proibido por 23 anos. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Novas plataformas

. Entre 2009 e 2013, 20 novas plataformas de produção de petróleo e gás — cada uma a um custo em torno de US$ 1 bilhão —serão constrúidas pela Petrobras.. Para acrescentar, no período, quase 800 mil barris/dia à produção nacional de petróleo.