31 março 2009

História: 31 de março de 1964

Protesto antigolpe na Cinelândia, Rio
O gen. Mourão Filho lança tropas de MG sobre o Rio, precipitando o golpe militar. O Depto de Estado dos EUA aciona a Operação Brother Sam: navios e aviões militares com 110 t de armas para derrubar Jango. O fator-surpresa dificulta a resistência. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Anêmica e fora de hora

. A caravana do DEM em busca de falhas na execução d PAC, a par de um direito do grupo oposicionista, revela-se anêmica e fora de propósito.
. Questiona precisamente um dos marcos do modo como o governo Lula vem enfrentando a crise, o investimento público em infraestrutura.
. E não encontra respaldo no sentimento da população, que enxerga no seu cotidiano que o governo é parte da solução da crise, e não causa.
. E com que cara ficam os próceres do DEM quando perguntados sobre os resultados da orientação neoliberal de que sempre foram arautos e agora procuram “esquecer”?

Uma mão lava a outra

. Nào é pouco. O pacote tributário anunciado ontem pelo governo federal provocará uma perda de R$ 3,075 bilhões em impostos no ano, informa a Gazeta Mercantil.
. A prorrogação até junho dos cortes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para caminhões, carros e caminhonetes, somada à desoneração de material de construção, redução de Imposto de Renda para indústrias da Zona Franca de Manaus, entre outras medidas, será compensada, em parte, pelo aumento de 23,5% no IPI sobre cigarros.
. De acordo com o subsecretário de tributação substituto da Receita Federal, Sandro de Vargas Serpa, o aumento dos tributos para indústria do tabaco renderá R$ 975 milhões ao governo este ano.

O olhar de Enio sobre as agruras de Lula com a crise

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Contraponto

. Está no Correio Braziliense de hoje. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que o número de servidores, em relação à população economicamente ativa, é menor do que o de países desenvolvidos e de emergentes.
. Aqui, a proporção é de 10,7%. Nos Estados Unidos, de 14,8%; na Alemanha, 14,7%; na Argentina, 16,2%; no Paraguai, 13,4%; na Índia, 68,1%. Mais: desde 1995, essa média recuou no Brasil — era de 11,3% naquele ano.

30 março 2009

História: 30 de março de 1935

Lançada a ANL (Aliança Nacional-Libertadora), no Teatro João Caetano, Rio. Prestes é aclamado presidente de honra, por proposta do então estudante Carlos Lacerda. O lema da ANL: "Pão, Terra, Liberdade!". (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Mais carros nas ruas

. A Gazeta Mercantil de hoje informa que a indústria automobilística fechará este mês com cerca de 260 mil carros emplacados, volume 12% superior ao mesmo mês do ano passado (232,1 mil unidades) e um dos melhores resultados mensais de todos os tempos, superado apenas em quatro ocasiões, todas durante o ano passado.
. A média diária de vendas, que havia caído para 8 mil unidades no final do ano passado, em março atingiu 12,6 mil unidades.
. Os bons negócios foram impulsionados principalmente pela redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), incentivo que será prorrogado por mais três meses, até 30 de junho. O anúncio oficial da prorrogação acontecerá nesta segunda-feira ou amanhã.

Direito à verdade

Os Meios de Comunicação e a Guerrilha do Araguaia
Jana Sá*

. O direito à informação é uma das liberdades fundamentais de todo ser humano. Desse princípio decorre o direito do público de conhecer fatos e opiniões, em particular os acontecimentos que lhe afetam diretamente a vida, que têm efeitos políticos, econômicos e sociais, que legitima a atividade jornalística na sociedade e, do qual, decorrem os deveres da prática jornalística.
. No entanto, faça o que eu digo, mas não o que faço deveria ser o lema daqueles intitulados guardiões dos cidadãos. As suas pregações são uma inversão, em toda linha, da práxis da atividade. Todos os princípios, todos os valores, todos os ideais cultivados e pregados ao longo dos tempos são, sem hesitação nem dores de consciência, postos por terra quando observado a sua aplicabilidade. Democracia, direitos humanos são instrumentos de barganha, recurso de propaganda.
. Os veículos de comunicação, descritos e aceitos por muito tempo pela sociedade como mecanismos de ajuste, tornam-se suspeitos de violência simbólica e passam a serem encarados como meios de poder e dominação. Divulgam apenas o que lhes interessam e da forma como julgam conveniente.
. O artigo Memória Afogada, de Leandro Fontes, na revista Carta Capital, revela o modo ineficaz com que a imprensa convencional cobre o mundo contemporâneo ao levantar um debate relevante para a democracia no Brasil, mas esquecido em um canto qualquer das redações: a construção da Usina Hidroelétrica Santa Isabel “nas terras onde, provavelmente, estão escondidas as ossadas dos guerrilheiros do PCdoB. A barragem da usina vai inundar uma área de 24 mil hectares de terras às margens do rio Araguaia”.
. Uma tentativa de apagar os vestígios que as classes populares e os opositores vão deixando ao longo de suas experiências de resistência e de luta, num esforço contínuo de exclusão da atuação desses sujeitos na história.
. Faz-se necessário, então, como afirma Marilena Chauí citada no livro Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964 “desvendarmos o modo como o vencedor tem, ao longo dos tempos, produzido a representação de sua vitória e, sobretudo, como a prática dos vencidos participou desta construção”.
. Tal é o caso da Guerrilha do Araguaia, cujo percurso é tão sinuoso quanto o do rio que lhe empresta o nome. Movimento guerrilheiro de contestação política ao Regime Militar, concebido, planejado, organizado e dirigido pelo Partido Comunista do Brasil, entre os anos de 1966 e 1975, no sul do Pará, a Guerrilha é hoje evocada sempre que se trata de passar a limpo a história do país e iluminar os porões do Regime Militar.
. Em três décadas, a Guerrilha do Araguaia foi indexada em milhões de páginas por inúmeras reportagens, estudos, pesquisas e, a cada ano, novas revelações incrementam a curiosidade persistente em torno do tema. Informações que não revelam todas as verdades sobre o movimento, já que para isso seria necessário a abertura dos arquivos do Exército, mas que atestam a derrota mais profunda da história oficial que, em mais de 500 anos da formação do povo brasileiro, tratou de obscurecer incontáveis lutas, menosprezadas como episódios sem significação que firmariam a passividade como conceito diante da tirania e da desigualdade. No entanto, nem o curso do tempo parece ter tratado de limpar mais o terreno infestado de equívocos e preconceitos.
. A inundação viria, assim, terminar o trabalho que a imprensa vem desenvolvendo: a destruição da memória de um povo, com uma irreversível perda histórica.
. Tal ocorre em meio ao cinismo máximo que não há a menor intenção de vergonha. Karl Marx, século e meio atrás, dizia que a vergonha já é uma quase revolução, porque é uma espécie de cólera voltada contra si mesmo. Quem espera essa atitude dos jornalistas?
. Contudo, a tentativa de destruição do cenário da Guerrilha do Araguaia não se completará. Simplesmente porque não se destrói a memória de um povo. Porque seus atores, presos vivos, escapam, mesmo mortos.
* Jornalista

A percepção do gesto

De Cyl Gallindo, jornalista e poeta, sobre o meu artigo Um “ato inaugural” (veja em postagem de dias atrás ou no site www.lucianosiqueira.com.br):

. A sua decisão de relatar com precisão ao povo do Recife os seus atos de parlamentar, esclarecendo ganhos e despesas, "tostão por tostão", como se dizia, remete-me ao Relatório que Apresenta ao Conselho Municipal o Prefeito de Palmeira dos Índios, de Graciliano Ramos. Graciliano que também foi filiado ao Partido Comunista, pelo que foi preso, torturado, vilipendiado, pelos poderosos da época. O resultado, porém, é inconteste: o autor dos Relatórios, que foram três, enquanto durou sua gestão, hoje é o maior nome da Literatura, lido, analisado, estudado e referenciado no Brasil e no exterior.
. Os bons exemplos, caro Luciano, como um simples relatório de uma administração municipal, ou uma pitada de sal na boca, como a pos Gandhi cresce e se reproduz como os grãos postos em terra fértil.
. Tenho ainda um outro exemplo: a atitude de Presidente Lula, ao liquidar a dívida externa, saindo das garras do FMI.
. Essa sua atitude de escancarar as portas de sua atuação na Câmara Municipal do Recife não é apenas um gesto político, ela ombreia-se a pitada de sal de Gandhi, aos Relatórios de Graciliano Ramos, à independência do FMI, feita pelo Presidente Lula, espelha por inteiro o seu caráter, a sua vontade de tratar com responsabilidade irretocável o bem público, e, fique certo, os efeitos serão incalculáveis.
. É um grão posto na cova, que se tornará numa árvore e produzirá milhares de outros grãos.
. Todos os meus aplausos.

28 março 2009

Bom dia, Cecília Meireles

Aldemir Martins

Leveza


Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

História: 28 de março de 1968

O secundarista Édson Luís de Lima Souto é morto pela PM em passeata do restaurante Calabouço. O Brasil se comove com o lema "Mataram um estudante, podia ser seu filho"; 50 mil vão ao enterro, em impressionante passeata à luz de velas. (Vermelho http://www.vermelho.com.br/).

O front cultural

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O Estado e a Cultura
. Sempre carrego comigo o conceito de que a cultura é em última instância a fronteira derradeira de um povo, de uma nação, em determinadas situações históricas. É quando caem por terra, uma a uma todas as defesas de um Estado afrontado por intervenções, por invasões, e restam os valores que consubstanciam a identidade de uma específica comunidade.
São as permanências e as renovações, o jeito de ser, a construção histórica e antropológica que indicam a cara de uma sociedade.
. Essas características assumem maior dimensão na medida em que ao lado de tudo isso existe o território que acolhe esse caldo de cultura e reafirma a existência do Estado nacional.
. Assim, torna-se essencial zelar pela integridade territorial dessa nação, uma das condições determinantes para a existência do Estado independente, e um dos questionamentos básicos sobre a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, incluindo áreas de fronteira do Brasil.
. Leia o artigo na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=53277
Veja mais sobre cultura em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

Obscurantismo religioso

BBC Brasil:
Publicação médica acusa papa de 'distorcer ciência'
. Uma das publicações médicas com maior prestígio internacional, a The Lancet, acusou o papa Bento 16 de "distorcer a ciência" em seus comentários sobre a eficiência do uso de preservativo no combate à Aids.
. Em editorial divulgado nesta sexta-feira, a The Lancet afirma que um recente comentário de Bento 16 - de que as camisinhas exacerbam o problema da Aids - é errado, escandaloso e pode ter consequências devastadoras.
. Em recente viagem para a África, o papa disse que a "cruel epidemia" deveria ser combatida com a abstinência e a fidelidade e não com o uso de preservativos.
. Bento 16 afirmou que a Aids é "uma tragédia que não pode ser superada apenas com dinheiro e que não pode ser superada com a distribuição de preservativos, que podem até aumentar o problema".
. Segundo a The Lancet, o papa "distorceu publicamente provas científicas para promover a doutrina católica nesta questão".
. De acordo com a revista, o preservativo masculino é a maneira mais eficiente de reduzir a transmissão sexual do vírus HIV.
Veja outros temas atuais em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

A longa caminhada do papel eletrônico

Ciência Hoje Online:
Os principais avanços na busca do dispositivo flexível que pode revolucionar a leitura
. Imagine-se sentado em um banco de praça, quando alguém ao seu lado retira de um fino canudo uma folha retrátil e transparente de tamanho A4. De repente, letras e imagens aparecem naquela folha, como se fosse uma página impressa. O contraste e a visibilidade das letras em diferentes ângulos lembram uma folha de papel.
. Isso ainda é uma cena de ficção. Você não encontra esse produto na loja da esquina, mas Epson, Fujitsu, HP, Hitachi, IBM, Kodak, Motorola, Philips, Pioneer, Samsung, Siemens, Sony e Xerox, para citar apenas empresas conhecidas do grande público, trabalham para que isso não demore a acontecer. O papel eletrônico – a folha transparente da cena imaginária – já existe em diversos produtos. Falta apenas ele aparecer no design imaginado acima e com um preço compatível com a renda de boa parte da população.
. Nos laboratórios de pesquisa, os trabalhos que viabilizaram o papel eletrônico já têm uma longa história. Podemos dizer que a saga remonta aos anos 1950, quando propriedades elétricas foram descobertas em alguns polímeros e as primeiras imagens xerográficas foram obtidas com o processo conhecido como eletroforese. Na década seguinte, com a descoberta dos polímeros semicondutores, estava aberta a estrada para se chegar ao papel eletrônico.
. Mas a evolução da ciência e da tecnologia não é assim tão certinha. Tropeços metodológicos e estratégias comerciais entortaram o rumo dessa história. Passados mais de 40 anos, ainda estamos à espera do papel eletrônico com as propriedades que teoricamente consideramos adequadas.
. Leia a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/141468
Veja outros assuntos em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

27 março 2009

Ponha na agenda


Perfil de um revolucionário

Da jornalista Jana Sá recebi por e-mail e transcrevo:

Glênio Sá: Comunista por Opção, Pai por Amor

Há 18 anos, em 26 de julho, sofri o mais duro golpe da minha vida, a perda do meu pai. Uma dor compartilhada com milhares de pessoas, em especial os trabalhadores e democratas do Estado do Rio Grande do Norte, pois foi ao lado do povo trabalhador e idealizador de uma sociedade mais justa que Glênio Sá tratou de travar incontáveis lutas, menosprezadas durante muito tempo como episódios sem significação que firmariam a passividade como conceito diante da tirania e da desigualdade.

Não se tratava de ser uma espécie de super-homem. Nada disto. Homem simples, como não poderia deixar de ser, tinha debilidades, falhas e erros. Mas, sabia que ser comunista não era um ato de proclamação solene nem apenas um comprometimento formal, era antes e acima de tudo uma transformação real e consciente nas idéias e práticas, no comportamento ideológico e moral, na elevação do nível de compreensão política e das aptidões práticas, no desempenho das atividades partidárias e das responsabilidades. Aos 16 anos, já tinha presente de que ser comunista era uma opção cotidiana.

Em todos os seus atos, era extremamente responsável para cumprir as tarefas revolucionárias. Era um líder que encarnava a missão e quem o seguia, seguia como quem segue o próprio organismo coletivo. Somente a morte quebraria um compromisso firmado por Glênio. A morte interrompeu a vida de um homem que só queria a felicidade da humanidade. Ele não se importava se a trajetória desta felicidade implicava na abdicação das benesses de sua vida pessoal. Foi forte diante do inimigo de classe, mas foi impotente diante da morte.

Esse homem, a quem o povo mesmo inconscientemente deve muita gratidão pela abnegação com que abraçou a causa do proletariado, nunca reclamou da difícil vida pessoal que teve. Ao contrário, resistiu até onde a vida lhe permitiu que vivesse. Começou a luta lado a lado, permaneceu fiel a ela lado a lado, organizou o partido lado a lado, e quis a fatalidade que essa longa jornada de luta consciente de 24 anos fosse interrompida.

Glênio Sá deixa um legado de coerência, probidade, abnegação, lealdade, renúncia pessoal e, acima de tudo, incorruptibilidade. Contudo, de tudo o que sei, o que mais me impressiona é a lembrança de um pai muito doce, calmo, carinhoso, compreensivo e presente. Quando penso nele me vem a mente a sua imagem sorrindo. A ele devo o motivo de meu entusiasmo e amor pela vida. Meu pai, ao mesmo tempo em que deixou um grande vazio na família, partindo quando eu ainda tinha seis anos e o meu irmão Gilson nove, deixou o que considero hoje a maior herança: seu exemplo de vida e de luta. Sua luta e seu exemplo terão a continuidade na concretização do meu ideal. E por todo tempo que ainda viver, perpetuarei sua memória, pois uma árvore morre, mas deixa dentro de seus frutos a semente de sua vida.

Hoje, passados dezoito anos, a única forma de homenageá-lo é colhermos o fruto da semente plantada e regada carinhosamente por esse baluarte da classe operária.
Veja outros assuntos em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

Painel de opiniões recebidas por e-mail

Sobre o meu artigo Um “ato inaugural” (veja postagem de dias atrás ou no site www.lucianosiqueira.com.br):

Seu ato inaugural, para mim não foi surpresa, pois quando o conheci, ainda candidato a vereador, já houve uma manifestação de sua parte de tal interesse, na participação popular no seu mandato. Só me resta parabenizá-lo pelo ato de sair do Gabinete e ir as ruas panfletar junto à militância, abrindo com isso um canal. Cada um fazendo sua parte, já é uma grande diferença. (Kátia Simões).
*
Sem sombra de dúvida esse corpo a corpo pós-eleitoral inaugura uma ação parlamentar do Partido em Recife, ou em Pernambuco, mais instigadora do exercício da cidadania ativa e faz o contra ponto à missão da grande mídia de semear mais e mais o desencanto das pessoas com o parlamento. Penso que o vereador Luciano Siqueira deva imprimir esta marca do vereador que vai às ruas "antes, durante e depois" do período eleitoral. O vereador que vai aonde o povo está... como diz a canção de Milton Nascimento sobre o bom artista. O gabinete deve ter uma lista de endereços eletrônicos bem densa. Todo esse pessoal recebeu também o convite para acompanhar o mandato? (Ana Maria Magalhães).
*
Acredito que a transparência na política, é sem dúvida uma das maiores virtudes do político. Esses canais de interação que você fala, do político com a população, é essencial no tratar das coisas públicas e as sugestões que você escutará no seu dia a dia, lhe afirmará melhor seu poder de decisões a tomar no seu mandato parlamentar. É mais um desafio na sua vida pública, somando-se a sua trajetória de apresentar um ato simples de experiências, adquiridas com os anos. (Horácio Ferraz).
*
São gestos como esse que contribuem objetiva e eficazmente para resgatar, junto às amplas camadas da população, a natureza essencial e necessariamente democrática do ideário comunista, tão caluniado, distorcido e temido pelos que tanto se beneficiam dos privilégios conferidos à classe dominante e/ou sustentam uma visão limitada e bastante incompleta do que seria uma verdadeira democracia nos tempos de hoje, em sintonia com os clamores históricos e existenciais da humanidade. (Tavares Jr).
*
A sua atitude representa a ética na Política. É possível um mundo melhor, mais humanizado, menos desigual e mais amistoso. (Josias Lima).
*
Ao ler o seu "ato inaugural”, senti-me, mais uma vez, imensamente feliz por ter votado no senhor para Vereador do Recife. Li ,há cerca de vinte anos ,a biografia de Mahatma Gandhi e ,depois,assistindo ao maravilhoso filme que os ingleses fizeram sobre a vida daquele grande homem , pude completar o meu julgamento ,no sentido de que - a cada dia -penso como a humanidade é "interessante". Os próprios ingleses ,que tanto subjugaram e escravizaram o povo indiano, realizam um filme justíssimo, reconhecendo todo o sofrimento de Mohandas Kharamchand Gandhi na luta pela independência do seu país , contra a dominação imperialista britânica e em prol de uma sociedade e cultura indiana integradas ,usando ,somente ,as "armas " que possuía. AINDA BEM ! MENO MALE, como dizem os italianos. O próprio Gandhi tem uma frase que define tudo: ele dizia "SEMPRE FOI UM MISTÉRIO PARA MIM COMO OS HOMENS PODEM SE SENTIR HONRADOS COM A HUMILHAÇÃO DOS SEUS PARES". Isto tudo me faz lembrar de outro SÁBIO: Dom Hélder Câmara, que - entre muitas outras lições - nos deixou esta: “CUIDADO COM A SUA MANEIRA DE VIVER; POIS É O ÚNICO EVANGELHO QUE A MAIORIA DAS PESSOAS IRÁ LER", e, a partir disto, só me resta parabenizar o senhor pela brilhante e correta iniciativa de divulgar e fazer com que as pessoas saibam das suas ações, como nosso representante no Legislativo Municipal. (Cláudia Suassuna).
Leia mais sobre o assunto em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

Boa noite, George Arribas

Menino do lixo

Embalado pelos braços do abandono
As estrelas que vi eu perguntei
O meu rumo, o meu destino, o meu engano
O meu pecado, a minha vida – onde eu errei?

Fui jogado aos cantos porcos, maus e imundos
E pela luz da indiferença me guiei
No lodaçal todos os meus sonhos mais fecundos
Pelas sarjetas da vida eu me criei

Endurecidos corações, tamanho é o preço
Que permaneço à pagar vivendo assim
Nos açoites do mundo o meu começo
Que mais então deverá chamar-se fim?

É a crise...

Oferta na praia de Ponta Negra, Natal.

Crescendo, apesar da crise

. A notícia está no Valor Econômico. As montadoras de automóvel e o grande varejo conseguem crescer na crise,
. Assina a reportagem que o consumidor não arriscou esperar para ver se o governo iria ou não prorrogar a redução do IPI para além do dia 31 e antecipou a compra do carro novo. Com isso, o retrato da indústria automobilística no primeiro trimestre nem de longe reflete um cenário de crise. Do início de janeiro até o dia 25 deste mês foram vendidos no país 606,7 mil veículos, o que representou uma elevação de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
. Mantida a média diária de vendas - uma projeção modesta para um final de mês -, o trimestre fechará com pelo menos 653 mil veículos vendidos. Nos primeiros três meses de 2008 o volume somou 647,9 mil unidades.
. As perspectivas para a produção em abril também são favoráveis. A indústria automobilística terá de manter o ritmo acelerado porque o apelo do IPI mais baixo fez os estoques baixarem a um volume inferior ao necessário para as montadoras poderem trabalhar sem filas de espera nas concessionárias. Para isso, várias montadoras chamaram de volta empregados que haviam sido colocados em licença remunerada. Além da queda do IPI, a volta do crédito impulsionou as vendas.
. Quando a crise de crédito se agravou, os bancos reduziram os prazos de financiamentos para 24 e 36 meses. Agora já ficou mais fácil encontrar financiamentos para 48 e até 60 meses.
. O cenário de crise também passa longe do grande varejo. Os dirigentes de supermercados se preparam para um crescimento de 10,3% nas vendas de Páscoa em relação ao mesmo evento de 2008.
. Em pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), "ninguém respondeu que esperava vender menos", afirma o presidente da entidade, Sussumu Honda. O otimismo se explica pelo impacto do aumento do salário mínimo, pelos preços mais baixos e também pelos bons resultados dos últimos meses. Em fevereiro, as vendas dos supermercados cresceram 4,2% em termos reais e 10,3% em termos nominais. No bimestre, acumularam alta real de 5,4%.

Coluna semanal no portal Vermelho

Partido em sintonia com a vida
Luciano Siqueira

Construir partido político no Brasil nunca foi fácil. Partidos efêmeros, conjunturais, sem nitidez programática predominam largamente em nossa história institucional. Do Império, passando pela República Velha e pelo período democrático de 46 a 64 aos dias que correm. Daí a peculiaridade do Partido Comunista que ontem, 25, celebrou 87 anos de existência.

Registrado em 25 de março de 1922 sob a denominação de Partido Comunista do Brasil, no livro 3 do Registro de Pessoas Jurídicas do Cartório do 1º Ofício do Rio de Janeiro, ao observador isento, mesmo ao mais eqüidistante ou até oponente, chama a atenção que uma agremiação partidária tenha perdurado tanto tempo, atuando ininterruptamente, no cenário político brasileiro. Mais ainda quando se sabe que nessas quase nove décadas, esse partido experimentou por raros momentos o direito constitucional de existência legal - sendo o mais longo o período atual, que já dura vinte e quatro anos, desde 1985.

Acontece que além de corresponder a uma necessidade objetiva, determinada pelo conflito social - a de uma representação ideológica, política e orgânica de uma classe, a dos proletários – o PCdoB aprende com a sua própria experiência, com a trajetória de lutas do povo brasileiro e com a evolução dos movimentos libertários no mundo. Amadurece arrostando desafios teóricos, políticos e práticos. Seus êxitos ou fracassos dependem diretamente da sua capacidade de compreender as mutações que se processam na sociedade; da natureza dos vínculos que estabeleça com a sua base social; e da habilidade com que se comporte em diferentes situações.

Nunca foi fácil a trajetória do PCdoB. Complexa, caracterizada por lutas ingentes, perseguições violentas e odiosas, absurdas restrições legais; por vitórias e insucessos; e por um complexo e sinuoso processo de formação de um embasamento teórico e político próprio, cujos resultados assinalam o entusiasmo com que os comunistas comemoram o 25 de março.

Não se trata apenas do fato de que o Partido ostente hoje um contingente de mais de 250 mil filiados e 100 mil militantes ativos, uma presença significativa nos movimentos sociais, um desempenho influente no parlamento, no governo da República e em estaduais e municipais. Trata-se, sobretudo, do fato de que o velho partido de 1922 se apresenta hoje renovado, moderno, ágil na abordagem da problemática mundial e do país, partícipe do esforço das correntes progressistas em busca de um projeto nacional de desenvolvimento.

Certamente este é, para o PCdoB, um momento de ricas reflexões e de homenagem a tantos militantes, destacados ou anônimos, que dedicaram a vida à causa socialista. E de alegria pelo reforço das suas fileiras com o ingresso de novos combatentes.

História: 27 de março de 1984

Os Txukahamãe liderados por Raoni bloqueiam a BR-80 e fazem 12 reféns. Exigem, e irão obter, seu território sagrado ao norte do Parque do Xingu, MT. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Alírio e Glênio

. Após a sessão solene na Câmara Municipal de Natal, ontem à noite, alusiva aos 87 anos de fundação do PCdoB, de que participeu em nome da direção nacional do Partido, um gesto simples porém pleno de significados e emoção: a aposição das fotos de Alírio Guerra e Glênio Sá no gabinete do vereador George Câmara.
. Alírio e Glênio perderam a vida num acidente de automóvel, na estrada, quando da campanha eleitoral de 1990.
. Glênio esteve entre os heróicos combatentes da guerrilha do Araguaia, no início dos anos 70.
. Alírio foi meu colega na Faculdade de Medicina da UFPE, no movimento estudantil, na AP e depois no PCdoB. Cassado pelo Decreto-Lei 477 em 1969, militou na clandestinidade até radicar-se em Natal, quando da abertura política, onde se dedicou à construção do Partido.
. Leia mais sobre Alírio e Glênio http://www.vermelho.org.br/diario/2005/0811/0811_glenioalirio.asp

Microeconomia incentivada

. Com o intuito de ampliar a destinação de recursos para a população de baixa renda e os microempreendedores, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou ontem o valor máximo das operações de microcrédito.
. Para o crédito a pessoas físicas, com contas simplificadas ou de baixa renda, o limite individual de empréstimos passou de R$ 1 mil para R$ 2 mil. Já o teto das operações de microcrédito produtivo orientado, crédito para pequenos negócios operado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), foi elevado de R$ 10 mil para R$ 15 mil.
. No crédito para o microempreendimento (abertura de pequenos negócios), o teto foi ampliado de R$ 3 mil para R$ 5 mil por operação. Antes limitada a R$ 15 mil, a soma dos financiamentos por pessoa física ou microempresa agora terá teto de R$ 20 mil.
. Tudo bem. Mas acontece que a microeconomia depende da robustez da grande economia formal. E é aí que o bicho continua pegando – pelos efeitos da crise global do sistema capitalista.

26 março 2009

Sessão solene

. Estarei hoje em Natal, RN, na condição de dirigente nacional do PCdoB, para participar de sessão solene na Câmara Municipal alusiva aos 87 anos de fundação do Partido.
. A iniciativa é do vereador e dirigente sindical petroleiro George Câmara (PCdoB).

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Duas faces do plano de habitação
Luciano Siqueira

O governo anuncia o seu plano de habitação como parte das medidas anti-crise. Prevê um investimento total de R$ 34 bilhões na construção de 1 milhão de casas, dos quais R$ 16 bilhões serão destinados à redução do déficit habitacional da população com renda familiar de zero a três salários mínimos.

Para essa faixa da população estão destinadas 400 mil moradias a preços subsidiados, com isenção do seguro e um desembolso mensal mínimo de R$ 50 (91% do déficit habitacional do país se concentram nessa faixa, segundo o IBGE).

O plano nesse aspecto é bem urdido. As famílias com renda entre três a seis salários mínimos poderão comprometer com a prestação mensal até 20% de sua renda. Nesse caso, são mais 400 mil unidades habitacionais, correspondendo a R$ 10 bilhões.

As restantes 200 mil moradias serão adquiridas por famílias com renda de 6 a 10 salários mínimos.

Tudo bem? Quase tudo. Há duas ponderações a fazer. A primeira delas é que a iniciativa do governo, sob todos os títulos positiva, reduz ainda muito timidamente o déficit habitacional do país que é de mais de 20 milhões de unidades - sendo 7 milhões de déficit quantitativo (falta absoluta de moradias) e 13 milhões de sub-habitações.

A segunda é da lavra de duas urbanistas de reconhecida competência (e alinhamento com o governo), Raquel Rolnik e Ermínia Maricato, que atuaram no núcleo dirigente do Ministério das Cidades, no primeiro mandato de Lula, ao lado do ministro Olívio Dutra. Elas observam que o plano habitacional carece de uma estratégia fundiária e urbanística, o que pode resultar num substancial aumento no preço dos terrenos, com duas possíveis implicações: o subsídio oficial pode ser apropriado pelos donos de terras e a população de baixa renda ficar alocada em terrenos mais baratos – e, assim, apartados. Isto pode significar, na prática, a produção de “um montão de casas sem cidade, infraestrutura, emprego”, no dizer de Rolnik.

Nessa mesma linha, Maricato afirma que o governo não percebeu que a questão fundiária pode ser uma trava, considera apenas o mercado.

Não se diga que as duas estão botando “gosto ruim” na iniciativa do governo. Mas reconheça-se, sim, que suas observações críticas merecem crédito – e mais que isso, da parte do governo, atenção, zelo e mecanismos de controle contra a especulação fundiária. O que não é simples, mas é possível.

A dupla do site

. Inamara Melo e Marco Albertim, jornalistas e militantes, são os responsáveis pelo site do nosso mandato de vereador http://www.lucianosiqueira.com.br/.
. Inamara veio da Bahia há pouco mais de um ano e tornou-se cidadã olindense. Milita no PCdoB e na profissão desde muito jovem, em Vitória da Conquista. Dedica-se ao jornalismo impresso e já atuou como repórter em rádio.
. Marco Albertim atuou no movimento secundarista, no Recife, na década de sessenta; viveu na clandestinidade durante a ditadura militar, tendo trabalhado como operário em Fortaleza. É de Goiana e reside em Pau Amarelo, Paulista. Escritor, publica contos regularmente no site http://www.comunique-se.com.br/ e mantém o blog http://ma.albertin.zip.net/.

Centenário de D. Helder

Na Carta Maior, por Luiz Alberto Gómez de Souza:
D. Hélder, irmãos dos pobres. Um testemunho no ano de seu centenário
. Os meios de comunicação do Brasil, pelos anos da censura e da repressão, baniram sua imagem. Prescrição vinda por decreto, único argumento do arbítrio. Foi censurado em sua própria rádio diocesana. Durante a ditadura seu nome era proibido de ser mencionado. Era como se não existisse. Mas sempre esteve presente entre o povo simples e na opinião pública mundial, onde foi se tornando quase um mito. Um dia, aqui no país, tiveram que levantar o embargo.
. Seu discurso de posse no Recife foi claro e incisivo em sua opção pelos mais pobres, pela justiça social e pela liberdade. Mal recebido pelos poderosos, teve o carinho do povo simples que logo o compreendeu. Nesses primeiros anos em Recife, começo da ditadura, acolheu perseguidos políticos, visitou prisões e levantou sua voz de protesto. Os militares não se animaram a prendê-lo, mas torturaram e mataram um de seus sacerdotes mais próximos, o Pe. Henrique Pereira Neto, assistente dos jovens na diocese. Seu corpo, terrivelmente mutilado, foi encontrado num campo da periferia. D. Hélder sofreu muito e sentiu que era a ele que queriam atingir através do Pe. Henrique. Por esse tempo, Gustavo Gutiérrez terminava seu livro clássico Teologia da Libertação e a dedicatória foi a esse sacerdote-mártir.

Reacionarismo de FHC

No Vermelho, por Altamiro Borges:
FHC está com saudades da ''ditabranda''
. Torcendo para que a crise mundial abale a popularidade do presidente Lula, o agourento FHC resolveu soltar a sua língua ferina. Em apenas dois dias, o ''príncipe da Sorbonne'' falou duas besteiras retumbantes. Talvez influenciado pela Folha de S.Paulo, que recentemente cunhou o odioso termo ''ditabranda'' para se referir ao sombrio período da ditadura no país, afirmou: ''Aí que saudades do governo militar, quando eu podia falar''. Foi uma resposta intempestiva a uma justa alfinetada de Lula, que recentemente afirmou que ''tem ex-presidente que fala demais''.
. Talvez FHC esteja com saudades da fase em que viveu no exílio, quem sabe ''brando'', durante o regime militar. Nos anos de chumbo da ditadura não se ''podia falar'' à vontade no país, marcado por prisões arbitrárias, torturas, mortes, cassação de parlamentares, intervenção nos sindicatos e censura à imprensa alternativa.
. Ou talvez FHC esteja com saudades do seu reinado de oito anos no Palácio do Planalto, quando acionou as tropas do Exército para reprimir a greve da Petrobras e desqualificou as criticas ao seu governo, taxando-as de ''blábláblá''. Bem diferente de Lula, sua gestão foi autoritária e fez de tudo para ''quebrar a espinha dorsal'' dos movimentos sociais.
. Leia mais http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=53110

Aniversário do PCdoB

Jornal do Commercio:
PCdoB comemora seus 87 anos
. Partido mais antigo no Brasil em atividade, o PCdoB festeja 87 anos de fundação, no Clube das Pás, no Bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife. O aniversário da legenda – que passou 63 anos na clandestinidade – foi ontem, mas a comemoração será hoje. No evento, os comunistas vão assistir ao programa nacional do partido, cujo mote é uma crítica à crise econômica e ao capitalismo. A produção vai ser veiculada às 20h no rádio. Na televisão, às 20h30. Único senador do partido e o segundo eleito em toda a história do PCdoB, Inácio Arruda (CE) vai estar presente à festa. O primeiro a ser eleito para o Senado foi Luiz Carlos Prestes, em 1945, com a maior votação proporcional até então no Brasil (157.397 votos).
. O cantor e apresentador Netinho de Paula, eleito vereador em São Paulo, vai ter destaque no programa hoje à noite. Ele será uma espécie de âncora do vídeo, que tem dez minutos de duração. O prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, também aparece falando sobre as gestões do partido. No próximo sábado, o PCdoB inicia as dez inserções diárias a que tem direito. A sigla possui quatro prefeitos no Estado (Olinda, Camaragibe, Goiana e Sanharó), seis vices, dois deputados estaduais e 42 vereadores. No País, são 40 prefeitos e 608 vereadores.

Lá é como aqui

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

25 março 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Pesquisas: quem está levando vantagem?
Luciano Siqueira


Ninguém se livra das sondagens periódicas da opinião pública, especialmente na esfera política onde governantes e instituições procuram medir sistematicamente de que modo e em que intensidade sua imagem é percebida pela população. Diz-se que as pesquisas são uma ferramenta moderna irrecusável.

Que sejam. Sobretudo para quem delas precisa para melhor nortear sua linha de conduta. Porém não cabe aí nenhuma atitude submissa, ou melhor, espontaneísta. O governante ou o líder político não pode se colocar a reboque do senso comum.

Essa é uma questão de certo modo polêmica quando se trata de campanhas eleitorais. Alguns consideram correto pautar o discurso em função do que está “na cabeça do povo”, e não exatamente pelas suas próprias convicções e propostas. Daí o sacrifício de idéias programáticas em função do falso atalho de “dizer apenas o que o eleitorado que ouvir”.

Nem tanto o mar, nem tanto a terra. Dizer as coisas de uma forma que as pessoas não compreendem, ou não estão sensibilizadas para ouvir, certamente é um equívoco. Mas deixar de ir fundo na apresentação de idéias inovadoras para não correr o risco de não ser compreendido é um equívoco maior ainda.

Essa digressão vem a propósito das pesquisas CNI-Ibope e Datafolha publicadas sexta-feira última em relação ao governo e ao presidente Lula. Ponto para o governo e para o seu chefe, apesar da queda da aprovação do governo de 70% para 65% no Datafolha, e de 75% para 64%, na CNI-Ibope. É que, em contraponto, os índices de ''bom'' e ''ótimo'' continuam elevadíssimos, apesar da crise.

Aí é que está o “x” da questão. A oposição comemora os novos índices tanto quanto torce para que os indicadores de desempenho da economia piorem. É o jogo eleitoral. Isso de público. Provavelmente intramuros a avaliação seja bem mais realista.

É que desde outubro a oposição joga todas as fichas na possibilidade de agravamento da crise, e por conseqüência a destruição das conquistas recentes das parcelas mais pobres, base sólida de sustentação do governo. E tenta o discurso fácil, porém falso, de botar a crise na conta de Lula.
Que a crise atinge severamente a economia brasileira ninguém duvida. Nem o presidente, que precipitadamente a chamou de “marolinha”, no seu início, e que agora a compara a uma gripe forte perfeitamente curável. A população entende isso. Na pesquisa Ibope, por exemplo, entre dezembro e março, os que acreditam numa superação da crise ainda neste semestre diminuíram de 23% para 4%; enquanto subiram de 21% para 40% os que confiam na superação em 2010 ou depois. No Datafolha, desde novembro, aumentaram em 15 pontos (de 44% para 59%) os que esperam mais desemprego; 83% avaliaram que a crise é muito grave ou grave.

No entanto, uma coisa é certa – e as pesquisa confirmam: a população percebe que o governo é parte da solução da crise, e não causa. Daí a firmeza com que o presidente Lula defende as medidas adotadas, com verve e em termos facilmente compreensíveis por todos; e a popularidade do governo, que mesmo recuando aos índices de setembro do ano passado, ainda é recorde na história recente do país - nas capitais e no interior, em todas as regiões, faixas de renda e de escolaridade.

Moral da história: com crise, agouro oposicionista e tudo, o governo e o presidente continuam vencendo a parada.
Veja outros assuntos em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

História: 25 de março de 1922

Os 9 participantes do Congresso de fundação
Congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil (sigla PCB), no Rio e a seguir em Niterói. Reúne 9 delegados, eleitos por 73 militantes. É o início de uma saga sem paralelo na história dos partidos políticos brasileiros. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

24 março 2009

Menos desigualdade

. Tudo é parte de um processo, de uma busca pelo crescimento em bases socialmente satisfatórias. Com Midas e vindas, avanços e retrocessos. Mas é inegável que sob o governo Lula a Região tem crescido – e numa direção correta. Distribuindo renda e ampliando o mercado consumidor, integrando a esse mercado parcelas de nordestinos que antes estavam excluídas.
. Daí o presidente ter inteira razão em seu discurso, ontem, no Recife, em que aponta a Região como um exemplo para evitar que os efeitos da crise financeira mundial causem mais prejuízos ao país.
. Segundo ele, a redução a desigualdade entre o Nordeste e as demais regiões se dá pelo volume de investimentos aqui realizados, parte deles pelo governo federal.

Na contramão da crise

. A informação é da Agência Brasil. Os investimentos estrangeiros diretos, caracterizados pelo interesse duradouro do investidor no empreendimento, chegaram a US$ 1,968 bilhão em fevereiro, dobrando em relação ao mesmo mês de 2008, quando somaram US$ 890 milhões, segundo dados do Banco Central, divulgados hoje (24).
. O valor é maior do que o projetado pelo BC para o mês, de US$ 1,8 bilhão.
. No acumulado do ano, esse tipo de investimento chegou a US$ 3,898 bilhões, contra US$ 5,716 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
. Hoje, o BC revisou a projeção para os investimentos estrangeiros diretos no país de US$ 30 bilhões para US$ 25 bilhões. No ano passado, o valor chegou a US$ 45,060 bilhões.

Medida compensatória

No G1:
Mais de 100 mil trabalhadores poderão ter seguro-desemprego estendido
Esses foram os setores que mais demitiram entre dezembro e fevereiro. Segundo Ministério do Trabalho, 42 subsetores foram contemplados.
. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, informou nesta terça-feira (24) que 103,7 mil trabalhadores poderão receber o seguro-desemprego por dois meses a mais do que o normal. A medida foi aprovada em fevereiro deste ano pelo Conselho Deliberativo do Trabalhador (Codefat), mas terá de ser submetida novamente ao órgão no fim deste mês para ser efetivada. A expectativa do ministro Lupi é que os trabalhadores comecem a receber os valores a partir de abril próximo.
. Em fevereiro, o Codefat aprovou a ampliação do prazo de pagamento do seguro-desemprego, que varia de três a cinco meses, para um prazo de cinco a sete meses. "Temos hoje o pagamento variando de três a cinco meses, conforme o tempo de serviço. Quem tem até um ano [de tempo de serviço], tem até três meses [de seguro-desemprego]. Quem tem mais de um ano de tempo de serviço, pode chegar a cinco meses de pagamento [do seguro-desemprego]. O tempo de pagamento mínimo vai ser cinco e o máximo sete meses", informou Lupi em fevereiro.

23 março 2009

Avaliação sensata e equilibrada

Cesar Rocha, no Blog de Política (Diário de Pernambuco):
Jarbas x Eduardo
A passagem do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) por Petrolina, sertão pernambucano, neste domingo, deve ser vista com a dimensão que realmente tem. Foi o início de uma jornada que poderá, sim, levá-lo a reassumir o Palácio do Campo das Princesas, no lugar do governador Eduardo Campos (PSB), em janeiro de 2011. Mas o ato público promovido para os petrolinenses, a quase 800 quilômetros do Recife, não pode nem deve ser superestimado. Quem estava lá era um grupo de líderes de oposição enfraquecidos pelas derrotas nas eleições de 2004, 2006 e 2008; que não têm muitos municípios aonde ir - Júlio Lóssio (PMDB) é um dos poucos prefeitos de oposição no estado -; que enfrentarão em 2010 um Eduardo turbinado por investimentos públicos e privados no estado e paparicado por um presidente da República que é idolatrado pelos pernambucanos. Mas Jarbas está ainda testando suas possibilidades de entrar na briga. Testando e, óbvio, estimulando a reação dos eleitores ao nome dele. Não resta dúvidas que a bandeira do combate à corrupção renovou o patrimônio de popularidade do senador. Até o final do ano, dependendo do desenrolar dos fatos e da nova onda de escândalos envolvendo o Senado, ele poderá estar em condições de confrontar o governador (seu eterno desafeto). Há anos Jarbas incorporou as pesquisas de intenção de voto como instrumento fundamental de trabalho. Se elas mostrarem que há, realmente, condições de retomar o governo de Pernambuco, não tenham dúvidas de que guiará a antiga aliança entre PMDB, DEM, PSDB e PPS para as urnas. No outro campo da disputa, Eduardo não está parado esperando seu antigo inimigo reconquistar forças. Eduardo segue Lula quando adota a estratégia do pé na estrada e muito gogó. Percorreu 35 municípios nos últimos dias e passará por todos do estado até o início do segundo semestre. A agenda negativa do seu governo - os resultados ainda insignificantes, por exemplo, em áreas como segurança pública e saúde - pode prejudicá-lo em 2010, ao contrário do que ocorreu em 2006, quando venceu.
Veja outros assuntos em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

22 março 2009

Consumo popular

Coluna Diário Econômico, por Aldo Paes Barreto (DP):
. As indústrias de bebidas e de alimentos só têm razões para comemorar quando o assunto é mercado nordestino. Apesar dos problemas que já atingem todo o mundo, os consumidores deste lado do planeta ainda não deram sinais de fastio. Nunca neste país, particularmente no Nordeste, as pessoas de menor poder aquisitivo compraram tantas bebidas dos mais variados graus e sabores; tantos alimentos para todos os gostos.
. Graças aos programas sociais do governo, à estabilidade da moeda, milhões de nordestinos passaram a incluir novos hábitos alimentares em seus cardápios. Pena que o consumo tenha chegado muito na frente da educação alimentar. Pode ser muito bom para os fabricantes desses alimentos industrializados. Mas, com certeza, não está sendo para a saúde pública.

21 março 2009

História: 19 de março de 1932

Manifestação de desempregadosnos anos 90
Getúlio cria a Carteira de Trabalho, garantia dos direitos fundamentais do assalariado. No entanto, ela nunca chega a se universalizar. E nos anos 90, com a ofensiva neoliberal, perde terreno. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

O olhar de Enio sobre a decisão do STF

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Pela queda dos juros

Jornal do Senado:
Debatedores pedem regulação do spread bancário contra crise
Redução dos juros é defendida em audiência promovida pelas comissões de Acompanhamento da Crise e de Assuntos Econômicos
. A necessidade de regulação do spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelo dinheiro captado e o que cobram para emprestá-lo) foi a tônica da audiência pública que discutiu ontem os reflexos da crise financeira global na construção civil e na indústria.
. Um dos defensores da regulação, o coordenador do Comitê de Monitoramento da Crise do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Antoninho Marmo Trevisan, atribuiu ao spread parte da responsabilidade pelas turbulências. Realizaram o debate as comissões de Acompanhamento da Crise Financeira e de Empregabilidade e de Assuntos Econômicos (CAE).
. Como o peso do spread acaba recaindo sobre o setor produtivo, que tem lucro entre 7% e 12% ao ano e, no entanto, é obrigado a arcar com uma taxação de até 40% na contratação de empréstimos bancários, Trevisan aponta a tendência de quebra de muitas empresas se essa disparidade persistir. A preocupação foi compartilhada pelos expositores José Lopez Feijó e Paulo Godoy, também integrantes do Comitê de Monitoramento da Crise do CDES.
. Representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no conselho, Feijó atribuiu a alta taxação do spread ao fato de os bancos destinarem volume significativo de recursos para cobrir eventual inadimplência nos empréstimos. O conselheiro sugeriu ao Senado que proponha uma regulamentação para o sistema financeiro que o obrigue a dar suporte à produção.
Veja outros assuntos em nosso site www.lucianosiqueira.com.br

Merece avaliação

. Está na Folha de S. Paulo de hoje. Inclusão social domina gastos de Ciência e Tecnologia.
. De 2006 a 2008, o Ministério da Ciência e Tecnologia investiu em dois programas de inclusão social e digital 1,339% a mais que em pesquisas antárticas e 8,5% a mais que em atividades espaciais.
. O levantamento foi feito com dados do Senado.
(Veja nosso site www.lucianosiqueira.com.br .).

20 março 2009

A voz do poeta

Bravo!:

Boa noite, Amélia Alves

Açúcar

é verde e veio
de cana caiana
sangrando
o suco operário
de muitos suores
e caldos
melados
fermentos
cachaça
melaço
e canaviais
roçados
de calos
nos pés e nas mãos
e bóia fria
marmita —
aceiros intermináveis
e joios e pedras
e foices
e folhas secas
estalando miséria.

Palentologia

G1:
Cientistas decifram mistérios do mais antigo 'monstro dos mares'
Paleontólogos remontaram anatomia de predador de 500 milhões de anos.Com 40 cm, 'primo' de crustáceos era o terror dos mares do Cambriano.
. Ele parece um cruzador espacial, daqueles armados até os dentes que povoam os pesadelos dos fãs de "Guerra nas Estrelas". Estamos falando do Hurdia victoria, um parente dos atuais artrópodes (crustáceos, insetos e aracnídeos) que pode ser considerado o "monstro dos mares" original, um dos primeiros superpredadores da história do planeta. Uma equipe de paleontólogos conseguiu remontar a anatomia da criatura pela primeira vez, revelando como era esquisita a vida marinha em pleno Cambriano, há cerca de 500 milhões de anos.

. A verdadeira natureza do Hurdia victoria foi um mistério durante quase um século (a espécie foi originalmente descoberta em 1912). Isso porque os cientistas só conheciam cacos isolados do bicho, explicou ao G1 a estudante de doutorado Allison Daley, que trabalha na Universidade de Uppsala (Suécia). "O que as pessoas encontravam eram pedaços da carapaça do animal que eram perdidos durante a muda, tal como os artrópodes de hoje fazem", contou ela por telefone. Resultado: a classificação do bicho virou o samba do Cambriano doido, com alguns fragmentos sendo batizados como crustáceos, outros como pepinos-do-mar e outros como medusas, num total de oito denominações diferentes.

Fotografia

Terra Magazine:
Olhares sobre as divas
. Sete fotógrafos registram pioneiras da música brasileira que começaram suas carreiras entre os anos 1940 e início dos anos 1960. Grandes nomes como Inezita Barroso, Dóris Monteiro e Ademilde Fonseca chegarão a 2 milhões de pessoas por dia.
. O intuito da exposição é valorizar essas mulheres fortes que romperam as limitações impostas pela sociedade da época. Conseguiram materializar o desejo de serem artistas num meio ainda predominantemente machista.
. As imagens serão vistas por milhões de pessoas através de mídias em metrôs, ônibus e bares de São Paulo e Rio de Janeiro. Além do site da exposição ( www.pioneiras.com.br) que reúne mais fotos e textos dos fotógrafos.

Pesquisas

No Vermelho:
Datafolha e Ibope indicam queda de Lula; Dilma sobe
. Duas pesquisas de opinião divulgadas nesta sexta-feira (20), pelo Datafolha-Folha de S.Paulo e pela CNI-Ibope, indicaram queda na popularidade do governo Lula, de 5 e 9 pontos, respectivamente. Ainda assim, Lula mantém um latifúndio de popularidade: 65% de ''Bom'' e ''Ótimo'' no Datafolha e 64% no Ibope. E sua presidenciável, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), continua a crescer.
. Os dados revelados nesta sexta-feira ocupam o segundo lugar no ranking dos recordes de popularidades dos dois institutos (o do Datafolha começou em 1990 e o do Ibope nos anos 80). Só são superados pelo próprio governo Lula, na edição imediatamente anterior das pesquisas, em novembro-dezembro.
. Em ambas as pesquisas, há uma associação da queda de popularidade do governo com os efeitos da crise econômica global no Brasil, levando à queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do trimestre passado. O que intriga os analistas, e encoleriza os oposicionistas, é que a aprovação do governo ainda seja oito vezes maior que a reprovação.

Lei de incentivo

Agência Brasil:
Ministro diz que desafio é nacionalizar projetos de incentivo ao esporte
. O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou hoje (20) que a concentração de projetos de incentivo à prática desportiva na Região Sudeste e a priorização de esportes de alto rendimento pelas empresas são “pontos críticos” a serem enfrentados em 2009. Ao divulgar os primeiros resultados da Lei de Incentivo ao Esporte, ele cobrou maior “sensibilização” do empresariado brasileiro para que haja “nacionalização” dos projetos.
. Silva lembrou que a maioria dos clubes brasileiros está sediada no Sudeste, o que leva à concentração dos investimentos. Já em relação aos esportes de alto rendimento, ele disse que são atividades mais competitivas e de maior visibilidade, mas ponderou que é preciso equilibrar os recursos e valorizar outras áreas.
. De acordo com o balanço do ministério, entre 2007 e 2008, R$ 127 milhões foram captados para o patrocínio e para o financiamento de atletas e clubes. Segundo o ministro, trata-se de “dinheiro novo” que não existiria sem a Lei de Incentivo ao Esporte. Ao todo, 1,5 milhão de pessoas foram beneficiadas.
. Em 2007, 629 projetos foram apresentados por empresas, mas 416 foram rejeitados. No ano passado, esses números passaram para 466 e 260, respectivamente. Para Silva, o aumento da proporção de projetos aprovados revela um “aperfeiçoamento” que facilita a captação de recursos para o esporte brasileiro.
. O ministro destacou que, apesar da alta concentração de iniciativas na Região Sudeste, o número de estados responsáveis pelos projetos aumentou de oito, em 2007, para 18, em 2008. A quantidade de doadores também registrou alta, passando de 63 para 371.
. Para Silva, a novidade é que as médias empresas também têm manifestado interesse em financiar o esporte. Tanto em 2007 como em 2008, entretanto, os maiores responsáveis por projetos apresentados e aprovados foram as entidades financeiras e os bancos.

Tratamento alternativo para o mal de Parkinson

Ciência Hoje Online:
Estimulação elétrica da medula espinhal restaura movimentos em roedores com sintomas da doença
. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, pode dar origem a um novo método para tratar o mal de Parkinson. A estimulação elétrica da medula espinhal foi capaz de restabelecer quase instantaneamente a habilidade motora de roedores com sintomas semelhantes aos dessa doença. A técnica poderá se tornar uma alternativa menos invasiva à estimulação do cérebro dos pacientes, adotada como complemento ao uso de medicação.
. A doença de Parkinson caracteriza-se pela degeneração e morte dos neurônios produtores de dopamina (neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central), o que provoca diversos prejuízos à habilidade motora, como tremor, rigidez, lentidão de movimentos e imobilidade.
. Embora não haja cura para a doença, seus sintomas podem ser continuamente tratados com o uso de drogas que repõem a dopamina. Mas essa terapia é menos efetiva em longo prazo. Em alguns casos, o tratamento pode ser complementado com a estimulação elétrica do cérebro, feita por meio da inserção de eletrodos em regiões específicas do órgão.
. A ideia de aplicar estímulos elétricos à medula espinhal para tratar os sintomas da doença surgiu a partir de pesquisas anteriores sobre epilepsia feitas pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, líder da equipe da Universidade Duke e pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Os resultados mostraram que a estimulação do sistema nervoso periférico facilita a comunicação entre o corpo e a medula espinhal e reduz os ataques epiléticos, cujas oscilações neurais se assemelham à atividade cerebral de portadores de Parkinson.
. Leia a matéria completa http://cienciahoje.uol.com.br/140882

Lula continua bem avaliado

. Nem o país foi ao fundo do poço, nem Lula caiu em desgraça perante a população – apesar dos efeitos da crise global.
. Enquanto isso, a oposição se enerva. Quanto pior, melhor – pensa. Mas é obrigada a reconhecer que o governo e o presidente não são causa da crise, antes continuam sendo solução.
. Por isso, mesmo com queda relativa verificada na pesquisa Datafolha, Lula retorna ao índice de aprovação que tinha no início da crise. Ou seja, segue com a melhor avaliação de um presidente da República desde a redemocratização do país.

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Dois temas indigestos
Luciano Siqueira

A notícia circula com ares de verdadeira: o governo estaria disposto a suspender por tempo indeterminado os aumentos concedidos a um milhão de servidores no ano passado e a mexer nas regras da caderneta de poupança - medidas sugeridas pela chamada equipe econômica como indispensáveis para evitar a inflação e a desorganização do padrão de comportamento dos investidores do mercado financeiro.

Os reajustes teriam um impacto de R$ 29 bilhões no Orçamento de 2009. A idéia dos tecnocratas monetaristas seria acionar “salvaguardas” que os liberem apenas se houver disponibilidade orçamentária.

De uma só tacada três prejuízos: o dos funcionários públicos federais, que constituem parcela dos trabalhadores necessitados de recuperar pelos menos parcialmente seu poder de compra; o do próprio mercado consumidor, tão necessário para que a produção de mercadorias não despenque de uma vez; e o governo, que sofreria tremendo desgaste político.

Já a alteração no perfil do rendimento da poupança se justificaria porque, com a redução da taxa básica de juros determinada pelo Copom na semana passada, os juros da caderneta se tornaram mais atrativos do que os dos títulos públicos. Daí o risco de migração de dinheiro dos fundos de investimento (FIFs) para a poupança. Resultado: o governo teria maior dificuldade para vender títulos e administrar a dívida pública.

Pode ser. Mas então por que não adotar mecanismos que protejam os pequenos e médios poupadores, justo os mais vulneráveis aos efeitos da crise financeira global, e inibir apenas os grandes especuladores?

A se confirmarem tais intenções, que ainda não se sabe se aprovadas pelo presidente Lula, estaremos diante de uma pauta visivelmente indigesta. Porque dificilmente os que vivem do trabalho entenderão, por mais sofisticadas que sejam as explicações de ordem técnica, o porquê do governo se exceder em ajudas a diversos segmentos da economia, facilitando o crédito e que tais, com dinheiro público; e não teria condições de reajustar os salários do funcionalismo e proteger os pequenos investidores.

Bom, de toda forma, cabe a hipótese de que nada disso aconteça, que não passe de mera especulação midiática, até porque já vivemos a ante-sala do pleito de 2010 e para Lula e a coalizão governista seria uma temeridade adotar tais medidas.

18 março 2009

A fina ironia de Millôr


No Vermelho e no Blog de Jamildo*

Um “ato inaugural”
Luciano Siqueira

Salvo engano, a referência é feita numa crônica de Luis Fernando Veríssimo. O colonizador inglês impunha ao povo indiano, dentre inúmeros e odiosos constrangimentos, a proibição de que tocasse no sal que o país produzia. Gandhi, no intuito de marcar a possibilidade de subverter a ordem e desenvolver a luta pela independência, foi até uma salina e diante da multidão que o acompanhava pôs uma pitada de sal na boca. Um gesto singelo e ao mesmo tempo corajoso e desafiador; considerado historicamente o “ato inaugural” do movimento nacional libertário adiante vitorioso.

Guardadas as diferenças anos luz de distância, desde a quinta-feira passada, aniversário do Recife, ao lado de militantes e amigos distribuo nos cruzamentos de ruas e avenidas movimentadas um panfleto contendo endereços e telefones do gabinete e do escritório político, o site, o e-mail e um apelo à população para que acompanhe o meu mandato de vereador, verifique a prestação de contas, avalie criticamente a ação parlamentar, opine e faça sugestões.

Um ato simples e que ao mesmo tempo provoca nas pessoas uma reação de surpresa e de acatamento. De agradável surpresa, embora o bom senso sugira que o procedimento deveria ser rotineiro entre tantos os que exercem funções públicas conferidas pelo voto popular.

O acatamento atencioso e muitas vezes entusiasta reflete o interesse que a idéia desperta – a possibilidade de fiscalizar o desempenho do parlamentar e de influenciar de algum modo suas posições e iniciativas.

Trata-se, no caso, de um compromisso assumido na campanha – o de realizar um mandato transparente e submetido ao crivo da população da cidade, fornecendo a todo e qualquer cidadão ou cidadã, independentemente de partido político ou preferência eleitoral, canais de comunicação por onde possa interagir com o vereador.

“Nunca vi isso”, dizem alguns. “Todos deveriam proceder desse modo”, comentam outros. “Parabéns pela coragem”, há quem diga, como se nos dias que correm, em nosso país, o contato direto com a população em período não-eleitoral implicasse ousadia e risco.

E não faltam os que aproveitam a oportunidade para ali mesmo apontar problemas e sugerir soluções.

Que todos devam agir exatamente do mesmo modo é discutível. Provavelmente há outras maneiras de exercer o mandato parlamentar de modo transparente e democrático. Porém, sem nenhuma presunção, bem que a modesta porém sincera iniciativa poderia se converter em “ato inaugural” de uma nova conduta de muitos (pelas formas que julguem mais adequadas). Ganhariam todos: os detentores de cargos eletivos e os eleitores, que assim se ajudariam mutuamente no aprimoramento da prática democrática.
* Texto publicado excepcionalmente nos dois sites simultaneamente.

17 março 2009

O olhar de Enio sobre a queda da produção industrial

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Ministro otimista

Mantega espera que país tenha saldo na criação de empregos neste ano
. Informa a Agëncia Brasil que o ministro da Fazenda ,Guido Mantega, ao falar ontem para empresários brasileiros e americanos reunidos em Nova Iorque, minimizou o efeito da queda do Produto Interno Bruto( PIB) de 3,6%, no último trimestre de 2008, sobre a atividade economica do país.
.“A queda do PIB no último trimestre de 2008 foi forte, mas havia crescimento positivo nos anteriores, enquanto outras economias já estavam desacelerando desde o início de 2008.”, disse Mantega, lembrando que Brasil e Chile foram os únicos emergentes que tiveram dois trimestres positivos no ano.
. Mantega também demonstrou estar esperançoso quanto ao número de empregos a serem gerados no ano. “O Brasil espera ter saldo positivo na geração de empregos em 2009. Claro que não criaremos um milhão e meio de empregos com em outros anos, mas abriremos vagas”, disse ele.
. Também comemorou a possibilidade de tomar medidas ofensivas num momento em que, em outras crises, a prática era se defender.“Em outros momentos de crise, precisávamos subir juros para conter a saída de capitais, o que aumentava a dívida e baixava investimento e emprego. Hoje, não precisamos fazer isso. Estamos em condições de tomar medidas anticíclicas: baixar juros, aumentar crédito e baixar tributos e subir investimentos públicos”.

15 março 2009

Fofoca alagoana

Gazeta de Alagoas, coluna de José Elias:
O VOTO PARA VICE - Jornalista Esdras Mazoni, em Olinda, encontrou governador Eduardo Campos. “Tem meu voto para vice da chapa do presidente Serra se o senhor apoiar o prefeito Renildo Calheiros para governador de Pernambuco!” Neto de Arraes, Campos riu como se estivesse gostado da ideia.

O olhar de Glauco sobre a taxa de juros

Charge de Glauco na Folha de S. Paulo

Conflito com Arcebispo conservador na Paraiba

Da amiga Fátima Amorim, por e-mail, rebedo e transcrevo:
Carta ao Povo Paraibano

OLHA
Milton Nascimento
"...Persegues a quem trabalha
Calúnia, carga e traição
Te julgas o mais esperto
Mas és mentira, só ilusão
Depois de passar o tempo
Colhe o deserto que é todo teu
Com todo teu preconceito
Segue pesando que enganas DEUS
E enganando a ti mesmo
Pois quem trabalha continuou
Em cada sonho suado
Que nem percebes o que custou...."

Vimos através desta Carta resgatar alguns fatos que marcam a trajetória do ainda Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo de Cillo Pagotto. Diante destes fatos e de seus atos, solicitamos que o mesmo venha a público prestar explicações à sociedade paraibana.

Em 2004, logo após sua chegada à Paraíba, um dos seus primeiros atos foi fechar a CASA DE CONVIVÊNCIA POSITIVA - núcleo da Cáritas Diocesana da Paraíba. A Casa de Convivência Positiva era o espaço onde se realizava o programa de prevenção e apoio às pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Ainda na presidência da Comissão Episcopal de Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, ocorreu algo bem curioso. Contrariando ao que se esperava de uma autoridade religiosa que ocupa a função de responsável pelo setor social da Igreja Católica no Brasil, o Arcebispo Dom Aldo Pagotto declarou apoio e solidariedade ao proprietário da fazenda Antas, Sr. Sebastião Figueiredo Coutinho, desconsiderando toda a luta pela reforma agrária, empreendida no cotidiano pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais que legitimamente lutam por um pedaço de chão naquela área.

Além de não registrar qualquer amparo à luta do povo, ainda persegue as Pastorais Sociais, ora com palavras ora com atos, como as acusações levianas que fez contra a Comissão Pastoral da Terra - CPT. Apesar da opinião contrária do Sr. Arcebispo, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, entendeu nos processos HC no 5574-SP e HC no 4399-SP, que ocupação de terra por movimento social não caracteriza crime, mas pressão social, direito coletivo e expressão da cidadania.

O mesmo Dom Aldo declarou ser a favor do TRABALHO INFANTIL e da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, tão caro aos movimentos sociais, resultado de uma luta que originou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, aprovada pela Assembléia Geral da ONU, em 20 de novembro de 1989.

Talvez seja o caso do Arcebispo consultar a opinião da CNBB, através do seu Secretariado Nacional da Pastoral do Menor, que no dia 13 de julho estará completando 20 (vinte) anos de defesa ao ECA, lutando para aprimorá-lo cada vez mais, garantindo avanços na legislação citada, se distanciando das idéias contidas no caduco Código de Menores, ONDE AS CRIANÇAS POBRES ERAM CONSIDERADAS INFERIORES E DEVERIAM SER TUTELADAS PELO ESTADO E SEGREGADAS EM VERDADEIROS DEPÓSITOS HUMANOS.

Além de estar na contra mão do que pensa a Igreja Católica sobre tais assuntos, o Sr. Arcebispo ainda atenta contra o Cristianismo que tem por sagrado o cuidado e a caridade com os seres.

Também assistimos ao atrelamento de Dom Aldo de Cillo Pagotto com grupos políticos envolvidos com CORRUPÇÃO e COMPRA DE VOTOS, a exemplo do conhecido Caso CONFRARIA, onde o mesmo prestou apoio e solidariedade a CÍCERO LUCENA, acusado e preso por desviar mais de 100 milhões de reais dos cofres públicos da Prefeitura Municipal de João Pessoa.

O Arcebispo também levantou hipoteca ao GOVERNADOR CASSADO Cássio Cunha Lima, por compra de votos e outros crimes eleitorais. Neste setor, o Arcebispo se contradiz o tempo todo: diz que é contra a participação de religiosos na política, mas na prática promove a defesa antecipada de políticos do PSDB, alguns já realmente condenados pelas Cortes Superiores e que cumprem penas judiciais.

Poderia, já que é afeito a prestar solidariedade a membros da classe política, ter saído na defesa do Frei Anastácio, que é religioso como ele. Ao invés de penhorar apoio ao colega, resolveu atacá-lo no mais torpe estilo, declarando temer a nomeação de Frei Anastácio para a Superintendência do Incra sob o argumento de que aumentaria o número de ocupações de terra no estado. Tal incidente lembrou um inoportuno comentário feito pelo empresário Mário Amato, para favorecer os donos do poder econômico, por ocasião das eleições presidenciais de 1989.

Mais uma vez o Arcebispo Dom Aldo Pagotto vem prestar um desserviço à luta dos trabalhadores pela Reforma Agrária na Paraíba, pois é sabido que o frei Anastácio dedicou os últimos 30 (trinta) anos de sua vida à defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. O Arcebispo Dom Aldo Pagotto fez gestões junto a um Senador para impedir a nomeação de Frei Anastácio para o INCRA e defendeu a ida de um latifundiário para o órgão. O protegido do Dom Cillo no Incra, quando na direção de outro órgão estatal, teve sua gestão marcada por acusação de irregularidade, com denúncia de improbidade administrativa apurada pelo Ministério Público Federal.

Tanta incoerência tem contribuído para afastar fiéis da Igreja Católica e ficarem alheios ao assistirem ao "fiel" Arcebispo celebrar um dos mais luxuosos casamentos já realizados neste Estado, quando casou o filho do senador Efraim Morais, apesar de determinar aos sacerdotes da Arquidiocese que evitassem o luxo em casamentos, mandando retirar até a ornamentação interna das igrejas.A gota d’água foi a perseguição ao Padre e Deputado Federal Luiz Couto, representante legítimo do povo paraibano que, por defender questões de Direitos Humanos e de saúde pública, foi privado de exercer o sacerdócio por um ato arbitrário, violento e ostensivo do Arcebispo Dom Aldo de Cillo Pagotto.

O Padre Luiz Couto não teve direito à defesa e vem sendo punido por um ato meramente político e não de cunho religioso. Em declarações à imprensa, o PADRE LUIZ COUTO demonstra acompanhar e compreender as verdadeiras necessidades de sua comunidade e sociedade em geral.Além de tudo que defende, o Padre e Deputado Luis Couto foi relator da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI da Exploração e do Abuso Sexual Infanto-Juvenil na Paraíba, tendo depois assumido a Presidência da CPI que investigou o Narcotráfico e o Crime Organizado na Paraíba, e hoje é ameaçado de morte.Participou ainda da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito - CPMI do Abuso e Exploração Sexual Infanto-juvenil do Congresso Nacional e foi Relator da CPI dos Grupos de Extermínio no Nordeste da Câmara dos Deputados. Também presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Pe. Luiz Couto é o nosso legítimo representante na Câmara Federal, para orgulho dos irmãos e irmãs católicos, assim como dos paraibanos em geral. Aqui na Paraíba, o Arcebispo Dom Aldo nunca se colocou a favor das famílias vítimas do crime organizado, tendo inclusive, negado, através da mídia local, a existência de grupos de extermínio no Estado.

Lamentamos que o nosso maior pastor no Estado esteja utilizando os meios de comunicação para tentar deslegitimar os aliados do povo, como é o caso da suspensão das ordens sacerdotais do Padre Luiz Couto. O espaço da mídia talvez pudesse ser bem melhor aproveitado pelo Arcebispo, para explicar à comunidade religiosa e aos contribuintes paraibanos, sobre a quantia de hum milhão e meio de reais recebidos do governo Cássio, conforme informações veiculadas por órgãos de comunicação da Paraíba.

Diante de todos os fatos expostos, nós dos movimentos sociais, ONG´S e Sociedade Civil Organizada, vimos de público exigir que o Arcebispo Dom Aldo de Cillo Pagotto se retrate perante a sociedade paraibana. Sugerimos que um dos seus primeiros atos seja tornar transparentes as contas da Arquidiocese da Paraíba, já que a mesma vem recebendo vários recursos públicos, através de convênios com o Governo do Estado.

Vamos mais além! Recomendamos que, diante de tantos desserviços prestados à sociedade paraibana, Dom Aldo de Cillo Pagotto, possa rever se é digno de continuar pastoreando o fiel rebanho da nossa Arquidiocese.

João Pessoa, 27 de fevereiro de 2009.

Assinam: AMAZONA - Associação de Prevenção a Aids e dezenas de entidades.

Na Arte Plural

Blog de Fernando Machado:
Walter Firmo na Galeria Arte Plural
. Foi um grande sucesso de público, artistas e críticos especializados, a abertura da exposição Tempos de um mesmo olhar, do consagrado fotógrafo Walter Firmo, na última terça-feira na Galeria Arte Plural, no Recife Antigo, que ampliou o espaço expositivo para comportar a mostra. A mostra ficará aberta ao público até o dia 26 de abril.
. Fotógrafo há 50 anos, com vários livros publicados, Walter Firmo trouxe ao Recife uma mostra de seus trabalhos com imagens coloridas e também as clássicas em preto-e-branco, sua irresistível paixão. Porém, são nas imagens coloridas onde o fotógrafo parece interagir com o abstracionismo, produzindo verdadeiras obras-primas de forte impacto poético.
. Nas fotos em preto-e-branco, que realizou no início de carreira, é evidente a admiração do fotógrafo por seu colega Pierre Verger, ao retratar festas populares, procissões e o cotidiano de pessoas simples da periferia das capitais e de cidades do interior.
. No dia seguinte, por ocasião do bate-papo realizado pelos galeristas Luciana Carvalho e Fernando Neves, com a participação da curadora e crítica de arte Simonetta Perschetti e do editor chefe do Jornal do Commércio, jornalista Ivanildo Sampaio, a procura foi tão grande que o salão de debates não comportou todas as pessoas interessadas.
. Impossível citar todos os presentes, entre eles, Lucy e Luciano Siqueira, Joziane e Marcelo Peregrino, Vera Milet e Luciano Pinheiro, Cláudio Córdula e Bety Cortes, Tiago Amorim, Murilo Santiago, Tereza Menezes, Gabriela Fiúza, Elísio Moura, Raul Córdula, Teresa Maia, Claudia Jacobovitz, Ana Lira, Rose Gondim, Gustavo Bettini, Beto Figueirôa, Alberto Benning, Jair Freire, e a bela norte americana Alea Private (que reside em Paris, mas que vir morar no Recife).
Na foto, com Luciana, Fernando Neves e Luci

Cordel alvirrubro

Na visita ao Mercado da Madalena, sábado pela manhã, um presente do professor e poeta Adelmo Vasconcelos: o cordel Hexa é luxo – 40 anos (parece que foi ontem).

Você que é alvirrubro
Fica emocionado
O hexa inesquecível
É para ser recordado
Os meus versos vão lembrar
Aquele doce passado

É fácil ter o seu exemplar. Basta ligar para o próprio Adelmo 3428.0506 ou 8830.5953.

Dependência do Executivo

Jornal do Commercio,
coluna pinga-Fogo (Ana Lúcia Andrade):
É tudo novo de novo
. De um bate-papo com dois parlamentares pernambucanos, semana passada, um que cumpre expediente no Recife e outro em Brasília, trago ao leitor um cenário, que nem mais se figura como novidade. Por isso, pode não mais espantá-lo. Tão anestesiada se encontra sua esperança em mudança. Mas diante do entusiasmo que contagia o ambiente político – saudável até – em defesa da moralidade, é oportuno redesenhá-lo. Para se ver que (esses filmes) a gente já viu antes. E sabe bem como terminam. Ao não ser, que mudemos o script. O cenário é o da inoperância e estagnação das nossas casas legislativas: a Câmara do Recife e a Câmara Federal.
. O primeiro parlamentar foi o vereador Luciano Siqueira. Que inofensivamente disse esperar que chegue à Câmara, esta semana, alguma matéria para ser discutida. Por enquanto, a Casa tem alimentado as tardes com requerimentos, apelos, votos de aplausos...
. O segundo foi o deputado Carlos Eduardo Cadoca. Três mandatos. Um e meio sendo cumpridos, já que do primeiro afastou-se para atuar no Executivo. A razoável experiência parlamentar é insuficiente para conter o incômodo. E Cadoca redunda na cobrança recorrente a todos: a falta de uma agenda própria do Legislativo. O que reforça nele a característica de um poder chancelado pelo Executivo. Que parece se bastar pelo ato de referendar as intervenções do Planalto. “A gente tem a função de legislar e fiscalizar o Executivo. Mas não faz nenhuma coisa, nem outra”, desabafa Cadoca. E completa. “Mas todos estão lá legitimados pelo voto”. É verdade. Cabe a você, portanto, pensar em mudar isso.

14 março 2009

Pouca leitura

No Blog da Folha:
Brasileiro lê 2,5 livros por ano
brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos. Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes. Segundo Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e executivo na área há 20 anos, um número razoável no Brasil seria de 4.900 livrarias. "Estamos muito longe desta realidade", admite. Para a ANL, faltam incentivos para que mais livrarias sejam abertas e falta profissionalização para as que estão abertas. (Da Agência Senado).

As primeiras eleitoras do Brasil

Ciência Hoje Online:
Pioneiras no exercício do direito de voto surgiram bem antes da Constituição de 1934
. Na semana em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, ganha um doce quem acertar quais foram as primeiras mulheres no Brasil a conquistar o direito de voto. O que quer que você tenha pensado... errou! Pode acreditar: foram as mulheres africanas do Rio de Janeiro.
. Mas essa história precisa ser mais bem explicada, claro: não estou me referindo ao voto feminino, da maneira como foi definido pelo Código Eleitoral de 1932 e depois ratificado pela Constituição de 1934. Refiro-me às irmandades de “pretos” do século 18, onde as mulheres conquistaram, após muita discussão, o direito de participar do processo interno de tomada de decisões da irmandade, organizado por meio do voto.
. Parece pouca coisa, mas não é: na sociedade colonial, onde não havia cidadãos, mas súditos do rei, e sequer se pensava em lutar por direitos políticos, é um bocado importante pensar que um grupo de mulheres reivindicou – e conseguiu – participar das práticas eleitorais de uma associação.
. Quem chamou a atenção para esse aspecto da história das irmandades no Brasil colonial foi a antropóloga e historiadora Mariza de Carvalho Soares, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), no livro Devotos da cor: identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século 18 (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000). Nessa obra, Mariza analisa a incrível história da Irmandade de Santo Elesbão e Santa Ifigênia, cuja igreja, construída na rua da Alfândega, em pleno centro do Rio de Janeiro, está lá até hoje.
. Leia a matéria completa http://cienciahoje.uol.com.br/140323

CTB se fortalece

No Vermelho:
Contag rechaça divisionismo sindical e se desfilia da CUT
. A noite desta sexta-feira (13) é histórica para o sindicalismo brasileiro. A Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), maior entidade sindical rural do país, decidiu se desfiliar da CUT. Dos 2.559 delegados presentes no 10º Congresso Nacional da categoria — que acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília —, 1.440 votaram pela saída da central. Apesar do uso irrestrito da máquina cutista, a proposta de manter a filiação obteve apenas 1.109 votos.

Jango e a ditadura

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O encontro

Estava com dois velhos amigos jantando num restaurante de Brasília quando passou por mim um cidadão de cinquenta anos mais ou menos, acompanhado da mulher e filhos, e sentou-se em uma mesa próxima. Era João Vicente Goulart, filho do presidente da República João Belchior Goulart.

João Goulart faleceu no exílio, no Uruguai, em circunstâncias misteriosas, provavelmente assassinado pela terrível Operação Condor, articulação criminosa dos regimes arbitrários do cone sul, que se especializou em liquidar lideranças desterradas da América do Sul.

Jango, como era chamado pelo povo e a imprensa, jamais retornou ao Brasil em vida, voltou em um caixão, em um dia de inverno, para ser enterrado no Rio Grande do Sul, em meados da década de setenta passada.

O regime ditatorial sempre teve por Jango mais pavor do que ódio, porque ele era uma vítima do arbítrio e uma liderança nacional que almejava reformas estruturais imprescindíveis. Os setores conservadores das elites tinham à época uma rejeição profunda a reformas que alterassem a fisionomia da nação. Era tudo que João Goulart desejava com ardor, apesar de ser um rico estancieiro com vastas propriedades nos pampas gaúchos e no Uruguai.

O mundo vivia sob a guerra fria e as nações do terceiro mundo que aspiravam sair do subdesenvolvimento estavam impedidas de perseguir seu destino de melhores dias para suas economias e seus povos.

E aquele senhor era à época uma criança que possivelmente não entendeu nada do que se passava com seus pais e deve ter amargado o exílio como uma aventura sem graça e sem sentido, arrancado de sua terra, sua língua portuguesa, seus amigos, sua paisagem. Levantei-me da mesa, dirigi-me a ele e o cumprimentei. Não sabia se solidário a ele ou a seu pai. De qualquer maneira senti-me cumprindo um dever de consciência e ele, surpreso e comovido, agradeceu-me.

Disse Darcy Ribeiro que João Goulart foi deposto em 64 não pelos seus defeitos, mas exatamente por suas virtudes de homem público, de presidente reformador econômico e social. Negou-se a trair seus amigos, como condição de permanecer no poder, e disse ao general que lhe fez a proposta: “General, se o senhor quiser, que me traia, mas eu jamais trairei os meus amigos”. Preferiu o exílio.

Era sobre tudo isso que ia falar a João Vicente Goulart, porém fiquei na solidariedade e o apreço. Ele já sabia, tenho certeza, da história e do caráter do pai.