30 abril 2009

No site, para saber e analisar

Luciano registra os 40 anos
do atentado a Cândido Pinto
. Quer saber o que estamos fazendo na Câmara Municipal?
Veja em nosso site:
http://www.lucianosiqueira.com.br/
. Avalie, opine, critique, proponha. Participe.

Lula pode anunciar nova estatal do petróleo

O Estado de São Paulo:
Autarquia para explorar pré-sal pode ser divulgada amanhã, no Rio
. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode anunciar amanhã, no feriado de 1º de Maio, no Rio de Janeiro, a criação de uma nova estatal do petróleo para explorar o óleo da camada do pré-sal. . O projeto do novo marco regulatório com as regras para a exploração nas áreas do pré-sal ainda não está concluído, mas um interlocutor de Lula no Planalto informa que, em linhas gerais, a ideia é criar uma autarquia do governo federal, nos mesmos moldes do atual modelo norueguês, que prevê a sociedade com investidores para desenvolvimento de áreas exploratórias.
. Lula programara o anúncio com pompa, em uma cerimônia na plataforma da Petrobrás no Campo de Tupi, na Bacia de Santos. Lá, ele participaria do ato de extração do primeiro barril de petróleo da camada do pré-sal naquele campo e presenciaria os primeiros testes de longa duração no setor.

Opinião de Sérgio Augusto

Em meio à lama, qual o rumo para a democracia?
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.br

Podemos somar às considerações feitas pelo vereador e líder comunista Luciano Siqueira sobre o melhor rumo a ser tomado em pleno cenário de críticas generalizadas aos políticos e partidos, podemos somar o seguinte: a tomada do poder por parte de um partido e seus aliados é, no caso do Brasil, um veneno nas veias dos que o fazem. E isso não é nenhuma consideração popularesca, superficial.

Estes conquistadores do poder transformam-se, do dia para a noite, em políticos inteiramente iguais àqueles que foram apeados do poder.

Este fenômeno - não só brasileiro, vejam o caso da antiga União Soviética - marcou a subida ao poder por parte do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de Getúlio Vargas, logo depois de conquistar o poder da República nas memoráveis eleições de 1950.

Quem protegeu-se deste virus da gripe suina, aliás, da gripe do poder, até hoje, foi o Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Por que?

Porque não permitiu, ao longo de seus 87 anos de existência, que seus integrantes - dentro ou fora do poder - discrepassem da orientação ideológica clara, exigente e realista. Talvez seja por isso que nunca conquistou, para si, o poder máximo da República.

Não se trata - como vemos nos dias de hoje - de nenhum centralismo dogmático e autoritário. Fosse autoritário e o PCdoB já estaria esfacelado, pois o oposto à permissividade de idéias, que transformou o PMDB num circo, esse oposto também é um virus destruidor.

Esta é uma hora ideal para que os brasileiros considerem a qualidade dos poderes da República, em meio a uma tempestade de descobertas e denúncias envolvendo os escaninhos do Senado, da Câmara dos Deputados, assembléias Legislativas e câmaras municipais, executivos e até o Poder Judiciário.

E já começam a aparecer opiniões, insinuações e idéias pondo em dúvida a eficiência do Estado Democrático de Direito no trato da res pública, no trato das necessidades sociais. Mas, hoje vivemos um clima muito diferente, revelando um país vacinado contra o golpismo.

Mesmo as figuras e grupos marcados pelas conspirações do passado permanecem de bico calado. Aprenderam que a liquidação da ordem democrática não gerou os frutos que pretendiam. As vivandeiras de quartel viraram, há mais de 20 anos, meras estatuetas nos museus pouco visitados.

Os partidos, mesmo os mais direitosos, não dão chance para que se considere internamente alternativas anti-constitucionais. Diante desse e de outros sinais dos tempos em que vivemos, é possível constatar que, enfim, o Brasil aprendeu a distinguir e valorizar os meios nascidos e amadurecidos em atmosfera democrática. E perceber que a saída para superar as coisas podres fazem parte deste mesmo regime, aberto e respeitador dos direitos políticos de seus cidadãos.
* Jornalista

Livres das injeções de insulina

Ciência Hoje Online:
Uso de células-tronco e quimioterapia gera resultados inéditos no tratamento de diabetes tipo 1
. Um novo tratamento poderá livrar portadores de diabetes tipo 1 das aplicações de insulina. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto testaram o uso de células-tronco dos próprios pacientes após o emprego de um curto período de quimioterapia para tratar a doença. O resultado inédito foi a volta da produção de insulina pelos pacientes e a suspensão por tempo indeterminado das injeções do hormônio na maioria dos casos.
. O diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças e jovens. Mais rara que o diabetes tipo 2, a doença é considerada uma disfunção do sistema imune, que resolve atacar as células do corpo produtoras de insulina, um hormônio que regula o nível de açúcar no sangue. Como o organismo produz cada vez menos insulina, os pacientes são obrigados a receber injeções diárias da substância por toda a vida.
. “Essa é a primeira vez que pacientes conseguem voltar a produzir insulina”, comemora o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, um dos autores do estudo. “Normalmente, os níveis do hormônio no sangue dos diabéticos reduzem-se a cada ano, mas nós conseguimos o contrário.”
. O estudo começou em 2003, quando 23 pacientes com diabetes tipo 1 recém-diagnosticado tiveram o sangue coletado. Durante cinco dias, eles passaram por sessões de quimioterapia, tratamento que representa uma forte agressão ao sistema imune. No sexto dia, os pacientes receberam as células-tronco extraídas do sangue coletado e elas promoveram a regeneração de seu sistema imunológico.
. Leia a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/143751

Turismo gripado

BBC Brasil:
Turismo atravessa período mais difícil desde 2001, diz indústria
. O setor de turismo atravessa seu período mais difícil desde setembro de 2001 e essa situação pode se agravar ainda mais no caso de uma pandemia de gripe suína, disse em entrevista à BBC Brasil o presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), Jean-Claude Baumgarten.
. "Nós enfrentamos em 2009 provavelmente os tempos mais difíceis no setor de viagens e turismo desde setembro de 2001", afirmou Baumgarten, em São Paulo, onde participa do lançamento da 9ª Conferência Global do WTTC.
. Apesar de afirmar que os efeitos da gripe suína ainda não são sentidos e que a indústria de viagens e turismo é muito resistente a crises, o presidente do WTTC disse que caso a situação mundial se agrave, o setor sofrerá um forte impacto.
. Segundo ele, mesmo antes do surgimento dos casos de gripe suína, a previsão já era de que a contribuição do setor no PIB global sofra queda de 3,6% neste ano em decorrência da crise econômica mundial, passando de 10,1% em 2008 para 9,4%.
. Baumgarten disse que ainda não é possível medir o impacto das ocorrências de gripe suína sobre o setor, já que os casos são muito recentes, e apenas o México sofreu restrições de voos até o momento.

Boa noite, Maria Esther Maciel


Ofício

Escrever
a água
da palavra mar
o vôo
da palavra ave
o rio
da palavra margem
o olho
da palavra imagem
o oco
da palavra nada.

Comércio em alta

Blog de Jamildo:
RMR ignora crise e gastos com Dia das Mães devem crescer 19%
. Os consumidores da RMR deverão aumentar os gastos com presentes para o Dia das Mães, passando dos R$123,60 do ano passado para R$149,50 este ano.
. Quase 89% dos entrevistados pretendem comprar presente, um resultado superior aos 86,32% registrados no ano passado pela Fecomércio-PE.
. De acordo com a metodologia, os valores permitem prever um crescimento real de cerca de 19% em relação ao ano anterior, resultado surpreendente para um ano de grande instabilidade.
. De certa forma está de acordo com a resposta de 62,7% dos entrevistados que afirmaram que a crise não afetará suas decisões de compra de presentes. Deve ser registrado que também os empresários estão muito otimistas em relação à data.
. Artigos de vestuário (especialmente blusas), juntamente com os eletroeletrônicos (principalmente celulares e máquinas de lavar), deverão ser os presentes mais comprados, tendo cada um sido citado por 26,3% dos respondentes.
. Nos shoppings as preferências dirigem-se mais para os eletroeletrônicos e nas áreas de comércio tradicional para os artigos de vestuário.
. Perfumes/cosméticos e calçados/acessórios aparecem em terceiro e quarto lugar respectivamente. Novamente há uma posição trocada: nos shopings os calçados/acessórios aparecem à frente dos perfumes/cosméticos; nas áreas de comércio tradicional as posições se invertem.
. O dinheiro em espécie deverá ser a forma de pagamento mais usada nas compras a vista, segundo 45,10% dos entrevistados, quase se igualando com os cartões de crédito que deverão ser a principal forma de pagamento a prazo para 49,3% dos consumidores.
. Foram ouvidos 402 consumidores no espaço metropolitano, 263 em áreas do comércio tradicional e 139 nos principais shoppings centers. A idade média dos entrevistados é de 30 anos, sendo 44,53% homens e 55,47% mulheres.

Artigo semanal no site da Revista Algomais*

Ampla pressão sobre o setor rentista
Luciano Siqueira

Sociedade desigual, marcada pelo contraste de interesses, o Brasil não dá passos seguros na direção do seu futuro se não for capaz de romper com amarras que impede seu pleno desenvolvimento. Não é apenas uma tese, mas algo muito concreto – especialmente neste instante em que, afetado pela crise global, o país resiste como pode, com chances de sair fortalecido adiante.

Como pode, em termos. Pode muito mais do que se tem feito, desde que os poderosos interesses do setor dominante na economia – o rentista – sejam arrostados pelo conjunto da sociedade e, desse modo, se possa lastrear decisões políticas tão ingentes quanto necessárias.

Outra não é a conclusão a partir de mais um lance relativo ao conflito entre a especulação financeira e as atividades produtivas. Levantamento feito pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), apoiado em dados do Banco Central, revela que o aumento do spread bancário em pleno ambiente de crise custou R$ 8,2 bilhões aos brasileiros. Ou seja: o correspondente a 1,5% do total de investimentos em produção realizados em 2008, ou cerca de 0,5% do consumo das famílias, foi pago a mais por causa dos aumentos do spread acima do valor relativo à inadimplência entre setembro de 2008 e fevereiro deste ano.

Como se sabe, o spread - custo de captação balizado pela taxa básica de juros (Selic) – equivale à diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras nas operações de crédito e a que eles pagam para captar os recursos. A taxa Selic tem caído, mas sem maiores repercussões sobre o valor do spread.Usura pura e simples. Escandalosa imposição dos interesses do setor financeiro sobre os superiores interesses da Nação.

O estudo da FIESP demonstra a falsidade do argumento dos bancos, que dizem ter aumentado o spread por causa do maior risco de inadimplência. Isto porque a inadimplência aumentou em 19,5% entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, porém com um detalhe: esse aumento justificaria uma elevação de apenas 7,3% no spread, quase a metade dos 13% aplicados pelos bancos. Mais: no período dos cinco meses analisados, as despesas dos brasileiros com pagamento de juros somaram R$ 152,6 bilhões, de acordo com informações do Banco Central. Esse gasto – assinala o estudo da FIESP - deveria ter sido de R$ 144,3 bilhões – sobrando aí nada menos do que R$ 8,2 bilhões correspondentes aos aumentos injustificados do spread.

Faz sentido, diante de tudo isso, o pronunciamento conjunto das centrais sindicais de trabalhadores e a CNI e FIESP– divulgado há mais ou menos dois meses, sem maiores repercussões na grande mídia – propondo a redução do spread em combinação com a aceleração da taxa Selic, como forma de dar conseqüência às medidas de estímulo à produção e ao consumo adotadas pelo governo. Uma aliança temporária, pontual – mas de grande alcance para o futuro imediato do país.
* Excepcionalmente publicado também em minha coluna no portal Vermelho www.vermelho.org.
www.lucianosiqueira.com.br

História: 30 de abril 1981

Caso Rio-centro: bomba em show de 1º de Maio no Rio explode no colo dos terroristas em "acidente de trabalho". As apurações acobertam tudo e o militar sobrevivente sai condecorado. O episódio desmoraliza em profundidade a "abertura" do gen. Figueiredo e engrossa as filas oposicionistas. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Ainda é pouco

. É o menor nível da história do País, registram os jornais de hoje. Mas ainda é insuficiente.
. O Banco Central reduziu a Selic em 1 ponto percentual, para 10,25% ao ano, no menor patamar da história. Assim, saímos da incômoda posição de maior juro real do mundo, com a taxa a 5,88%, agora atrás da China, com 6,66%, e da Hungria, com 6,4%.
. O corte realizado, o terceiro do ano e inferior à redução de 1,5 ponto em março, deve ser seguido por novas reduções – pelo menos é o que se depreende do comunicado do BC. Que assim seja.

Cândido Pinto, Presente!

Blog da Folha:
ANOS DE CHUMBO
Siqueira lembra 40 anos do atentado contra Cândido Pinto
. Lembrando da luta de resistência ao Regime Militar, o vereador Luciano Siqueira (PCdoB) registrou em pronunciamento na sessão da Câmara desta terça-feira, os 40 anos do atentado contra o engenheiro Cândido Pinto de Melo, ex-presidente da UEP, União dos Estudantes de Pernambuco. Cândido, na época militante do PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário e estudante do curso de engenharia da UFPE, ficou paralítico após uma tentativa de sequestro quando tinha apenas 22 anos, tornando-se uma das mais conhecidas vítimas da ditadura no Recife. Para Luciano Siqueira, “é preciso lembrar sempre o que aconteceu no passado para que novas ditaduras nunca mais se instalem em nenhum lugar do mundo”.
. Leia mais no site www.lucianosiqueira.com.br

Pré-sal sobre controle estatal

. Se for assim, ótimo. As áreas exploradas da camada estarão sob mando da União, que contratará empresas para produzir nos blocos do pré-sal. O governo, por meio de uma nova estatal ou autarquia, ficará com parte das receitas obtidas com a produção.
. É o que especula o Valor Econômico de hoje.

29 abril 2009

A quem interessar possa

Blog da Folha:
RECADO
Siqueira avisa aos aliados que em boca fechada não entra mosquito
. O vereador do Recife e integrante da executiva nacional do PCdoB, Luciano Siqueira, afirmou que sente-se incomodado com declarações dadas por aliados aos jornais do Brasil e de Pernambuco. Nesses casos, o comunista explicou que o ponto tratado é eleição 2010. Ele negou, no entanto, um puxão de orelha aos colegas petistas, que vêm brigando pela mídia sobre a discussão eleitoral.
. “Não estou me dirigindo a nenhum partido ou político. É uma opinião geral. Eu vejo nos jornais do Brasil e nos três locais muitos pronunciamentos que me parecem precipitados da parte de lideranças importantes sobre como devemos marchar em 2010. Muitas vezes, declarações que pelo seu teor geram contradições, desencontros. E isso me incomoda independente de quem falou mais próximo de mim ou mais distante”, justificou.
. Num comentário referente ao dia 28 de abril deste ano, Luciano Siqueira fala que “em boca fechada não entra mosquito”. Porém, considera, “nem todo mundo aceita a verdade e terminado se deixando levar pela incontinência verbal”.

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Separar o joio do trigo e fortalecer a República
Luciano Siqueira

O cuidado para não jogar fora a criança junto com a água do banho ao esvaziar a bacia, advertência contida no adágio popular, se encaixa perfeitamente à nossa frágil República diante do fogo cruzado em que se encontra em meio a denúncias de incorreto uso de recursos públicos pela Câmara e pelo Senado.

Vamos ao ponto. Que se mantenha vigilância sobre as duas casas do parlamento federal e se denuncie equívocos e distorções – como no uso da cota de passagens aéreas -, assim como atos ilegais e eticamente condenáveis praticados por parlamentares, tudo bem. É dever de todos nós, papel da imprensa. Porém a generalização apressada e desproporcional que se faz rotineiramente, pondo na vala comum o que precisa ser distinguido, ao invés de bem informar e de semear o bom combate, enfraquece as instituições republicanas e trata injustamente aos que se comportam com lisura e responsabilidade pública.

Pior, deixa ao largo a análise de fatores de ordem histórica e estrutural que estão na base de muitas distorções verificadas no Congresso Nacional. Em conseqüência, priva-se a opinião pública da possibilidade de construir seu próprio juízo de valor sobre os acontecimentos. Pois se nada presta e todos são em princípio desonestos, para que Congresso Nacional? Para que a democracia? De que se serve a atividade política?

A onda é tão ameaçadora que até plebiscito sobre a permanência ou não do funcionamento do Congresso já se chegou a aventar, na esteira de declarações de alguns que querem ficar bem com a mídia mesmo que ao arrepio de suas próprias convicções.

A República brasileira, ao longo de cento e dez anos, tem percorrido acidentada e penosa trajetória. Fazendo-se as contas, sobreviveu sob o peso do conservadorismo e de governos ditatoriais a maior parte do seu tempo de vida, o que lhe confere um caráter ainda incipiente, frágil e imaturo.

Não se consolidam instituições políticas sem a prática democrática. E a sociedade brasileira tem certamente considerável trajetória de luta pela democracia, porém insuficiente experiência democrática propriamente dita.

A Câmara dos Deputados e o Senado refletem a sociedade como ela é, com suas contradições e disparidades; com sua complexa e desigual formação econômica e de classes; com suas virtudes e defeitos. Daí a necessidade de um crivo crítico criterioso, apto a condenar as más práticas e a reforçar as boas práticas, para que a instituições se renovem e se aperfeiçoem, ao invés de soçobrarem, dando ensejo a novas aventuras ditatoriais em nosso país.

O aperfeiçoamento há de vir com uma reforma política de sentido democrático, que propicie maior transparência à atividade política, fortalecimento da representatividade e atuação dos parlamentares, ênfase em projetos políticos coletivos e não individuais – bandeira que precisa ser alevantada para além do simples denuncismo vigente.

As chances do biodiesel

Valor Econômico:
Mercado de biodiesel chega ao momento de transição
. Pouco mais de um ano depois do início da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel mineral, o programa aproxima-se de sua transição mais delicada: a extinção dos leilões de compra realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Não há ainda definição do governo que marque o momento da guinada, mas ela deixou de ser uma reivindicação exclusiva das indústrias.
. A própria ANP já estuda internamente alternativas que possam dar novo rumo à comercialização do combustível. A necessidade de alteração ganha corpo, segundo argumento do mercado, porque se aproxima o momento de elevação da mistura compulsória, que é de 3%.
. "Acho que está no momento de pensarmos em um modelo de transição, no passo seguinte ao sistema de leilões", diz Edson Silva, superintendente de abastecimento da ANP.

28 abril 2009

Em boca calada não entra mosquito

. A gente escuta isso desde criança. Mas nem todo mundo aceita a verdade e termina se deixando levar pela incontinência verbal. Aí se fala o que vem à telha e ouve-se o que não quer.
. Vale para todas as esferas da vida. Na política, então, isso é mais do que comprovado.
. Sábio era Tancredo Neves, que recomendava “ouvir, ouvir... se possível ficar rouco de tanto ouvir”, quando se deseja realmente construir algo consistente.

Turismo estimulado

. Turismo também é alvo de medidas de estímulo por parte do governo federal. A Caixa Econômica Federal terá em suas agências uma linha de financiamento específica para esse fim.
. O valor máximo do crédito a ser tomado é de R$ 10 mil, com prazo de 24 meses para o pagamento via boleto bancário ou débito em conta corrente. Não será necessário ser correntista da Caixa para obter o financiamento e as taxas de juros serão definidas em conjunto com cada parceiro, com base nos aspectos regionais e na política de cada conveniado.
. O crédito será distribuído para todo o país. O turista poderá procurar as agências ou as operadoras de turismo. O crédito de até R$ 10 mil por pessoa física, desburocratizado, com os juros mais baixos do mercado, é o principal fator de estímulo.. Para incrementar aqueles 20 milhões de brasileiros que entraram no mercado de consumo nos último anos e que estão consumindo fogões, geladeiras e automóveis, para que consumam também viagens.

Domésticas querem igualdade de direitos trabalhistas

. Informa a Agência Brasil. As empregadas domésticas querem ter direitos trabalhistas iguais a todos os demais brasileiros e lutam por uma mudança na Constituição Federal, que as diferencia em relação aos outros trabalhares.
. A questão é a seguinte. O Artigo 7º da Constituição tem um parágrafo único estabelecendo a que têm direito. Com isso, ficam fora direitos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a multa de 40% sobre seu saldo, em caso de demissão sem justa causa, salário família, horas extras, adicional noturno, seguro-desemprego e várias outras conquistas dos trabalhadores.
. A mudança desse artigo faz parte de uma proposta que está sendo elaborada pelo governo, envolvendo a secretarias especiais de Políticas para Mulheres e da Igualdade Racial.
. Ontem, 27 de abril, comemorou-se o Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Estima-se que existam no Brasil cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas.

O olhar de Enio sobre a violência em Alagoas

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

O joio e o trigo

Coluna Repórter JC (Jornal do Commercio):
Nem todos - Luciano Siqueira (PCdoB) comenta, no seu blog, a atual crítica generalizada contra políticos e partidos, colocados na “vala comum”. Para ele, essa atitude corrói a democracia.

27 abril 2009

Juros caem em marcha lenta

. Supondo que o Valor Econômico esteja bem informado, os juros continuarão caindo lentamente.
. Diz o jornal que o consenso do mercado, não absoluto, mas majoritário, é de que, na quarta-feira, o Copom cortará a taxa Selic em 1 ponto percentual, de 11,25% para 10,25%, desacelerando o ritmo de queda - na reunião anterior, em março, a redução foi de 1,5 ponto.
. O consenso, baseado em dados positivos da economia brasileira e no início de uma distensão na crise externa, foi definido há apenas duas semanas. E foi encorajado por declarações de dirigentes do BC. Por isso, dificilmente o Copom tomará decisão diferente.
. A tendência é de corte de um ponto por unanimidade, a menos que use um placar divergente para sinalizar a intenção de diminuir ainda mais a velocidade de baixa em junho.

26 abril 2009

Os danos da usura desenfreada

. O Estadão publica hoje reportagem reveladora: aumento do spread na crise custou R$ 8,2 bilhões ao Brasil, onde informa que os bancos elevaram a margem em 13%. A FIESP reclama e a FEBRABAN questiona estudo.
. O aumento do spread (diferença entre o juro pago pelo banco ao captar dinheiro e o cobrado ao emprestar) custou R$ 8,2 bilhões aos brasileiros, conforme dados do Banco Central colhidos pela FIESP. Isso significa que 1,5% dos investimentos em produção em 2008 foram pagos a mais por causa do spread mais alto.
. O levantamento contesta o argumento dos bancos, que culpam a inadimplência. Pelos cálculos da FIESP, o calote justificaria uma alta de 7,3% no spread, enquanto os bancos aplicaram aumento de 13%. A FEBRABAN, por sua vez, diz ver problemas metodológicos no estudo e afirma que os bancos fixam o spread com base em “movimentos futuros” de inadimplência.
. Falta intervenção do Estado, em consonância com a linha de ação anticrise adotada por Lula, para acabar com essa usura desenfreada, digo cá com meus botões.

Canções de D. Oneide*

Chão de Estrelas
Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival!
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

* Oneide, minha mãe, tem 92 anos e nos momentos de lucidez e bom humor adora cantarolar canções como essa, que aqui reproduzo com carinho.

25 abril 2009

O combustível do século 21

Ciência Hoje Online:
Principais obstáculos para que os carros movidos a hidrogênio se tornem viáveis
. Nos anos 1960, costumava-se ridicularizar um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pela sua insistência em construir um motor que funcionasse com água. A coisa não era bem assim, mas era essa a notícia que circulava.
. Mal sabiam os risonhos trocistas que a ideia já poderia ter sido implementada 130 anos antes, quando Sir William Robert Grove (1811-1896) inventou o que hoje chamamos de célula a combustível – que, em grandes linhas, pode ser definida como um dispositivo que converte energia química em energia elétrica.
. Nem o inventor britânico, nem o obstinado professor brasileiro tiveram sucesso na obtenção de um motor que funcionasse com hidrogênio. O primeiro porque estava interessado apenas no fenômeno da produção de eletricidade pela recomposição da água e não tinha o menor interesse pelas suas aplicações; o segundo, porque não tinha as mínimas condições materiais para superar as enormes dificuldades do empreendimento.
. A ideia básica da geração de eletricidade com hidrogênio é simples, como ilustra a animação abaixo. O dispositivo é alimentado com hidrogênio e oxigênio e, ao final do processo, não gera nada que polua – apenas água e calor. Mas não custa lembrar que poluentes são gerados em outras etapas envolvidas no desenvolvimento dessa tecnologia – um exemplo típico são os metais pesados utilizados em pilhas e baterias.
. Leia a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/143408

Defesa da Amazônia

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Novos argumentos, velhas ambições por Eduardo Bomfim
. A luta em defesa da Amazônia não é algo restrito aos moradores da região ou de especialistas, trata-se de um dever de consciência que extrapola, inclusive, a posições ideológicas ou sociais. É algo que diz respeito à luta pela soberania política e a integridade territorial do Brasil.
Também não pode ser compreendida como uma empreitada exclusiva do Estado brasileiro, porque a ela necessitam incorporarem-se todas as nações sul-americanas que integram os espaços amazônicos, ameaçados por muitas formas em suas idênticas soberanias.
. O desejo por parte das grandes potências mundiais de se apoderarem dessa região é antigo e adquiriu as mais diversas justificativas, dado o enorme potencial de riquezas de todas as espécies que a compõem. Os intentos, bélicos ou não, tem sido variados.Em 1817, Mathew Fontain, chefe dos Serviços Hidrográficos da Marinha norte-americana declarava: “o mundo amazônico é o paraíso das matérias primas, aguardando a chegada de raças fortes e decididas para ser conquistado econômica e cientificamente”.
. Em período histórico mais recente, em 1902, o presidente Theodore Roosevelt incentivava o Bolivian Syndicate of New York a ocupar o Acre, aproveitando-se de um contencioso territorial entre o nosso país e a Bolívia. O objetivo, além de abocanhar um pedaço da região, era o intenso processo internacional da industrialização da borracha na época.
. O mundo girou bastante e já não é mais possível usar simplesmente o porrete. Com o avanço da civilização, a revolução midiática, é preciso mesclar a força com os punhos de renda e muita luta de idéias, usar causas nobres, conquistar a opinião pública, para fazer valer os objetivos imperiais.
. Na década de 70, travou-se uma grande batalha política, no período autoritário, contra os projetos do Hudson Institute e seu estrategista, Herman Khan, cujo objetivo era ocupar a Amazônia. Na época os jornais Movimento e Opinião, jogaram papel decisivo na opinião pública nacional.
. Hoje é intensa a campanha, milhões de dólares ou euros são gastos com temas corretos, proteção da floresta amazônica, emissão de CO2, defesa dos povos indígenas etc. Mas no centro dessa ofensiva, governos nada humanitários ou ambientalistas, ao contrário, invasores e predadores, e certas ONGS a eles ligadas, utilizam-se de novos e válidos argumentos para as velhas ambições, através de parte da mídia oligopolizada do país.

24 abril 2009

Boa noite, Wellington de Melo

Volpi
A casa

Essa casa que me habita
& que me faz paredes abertas –
me acompanha
& se verte
sombra em meu presente –
exerce
sobre mim a influência
que a M@quina
em vão aplaca.
essa casa que me habita
& que me faz medo & sonho
me lembra que
meu nome impresso
em tua sina
não se desfaz
como o metal sangrento:
é lume
é terra
é vento.

Inaldo: Política com “P” maiúsculo

. Ainda em fase experimental, o Blog de Inaldo Sampaio – Política com “P” maiúsculo http://www.inaldosampaio.com.br/terá lançamento segunda-feira próxima, às 19 horas, no Paço Alfândega.
. Acompanho o trabalho de Inaldo há mais de duas décadas e sempre testemunhei a seriedade e o rigor ético que sempre o pautou como colunista do Jornal do Commercio e em suas incursões como comentarista e entrevistador na TV.
. A volta de Inaldo ao batente nos trará a informação qualificada e a opinião consistente e serena que sempre marcaram o seu trabalho.

O retorno de Inaldo Sampaio

De volta ao batente
Inaldo Sampaio
. Após cerca de 30 anos trabalhando na mídia impressa, inicio hoje por meio deste blog uma nova experiência profissional. Não estava nos meus planos ser blogueiro apesar da consciência que tinha, e tenho, da força cada vez maior, não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, do jornalismo em tempo real (“on line”).
. A coluna política que escrevi para o Jornal do Commercio durante 22 anos passa a ser chamar neste novo espaço “FOGO CRUZADO” e terá três versões diárias: às 6h, às 13h e às 19h. Ela não se subordinará a partidos políticos nem a interesse dos governos .
Será uma coluna pautada pela ética e destinada fundamentalmente à análise dos fatos políticos regionais e nacionais, em que a Política com “P” maiúsculo será priorizada e não o submundo que dela se origina.
. Sou grato aos meus ex-leitores do Jornal do Commercio pelas mais de mil mensagens de solidariedade a mim enviadas e espero contar com a colaboração de todos para que este blog tenha sucesso.
. Com as opiniões que neste espaço serão expostas muitos haverão de concordar, e outros não, o que é absolutamente natural numa sociedade democrática. A política e os políticos do interior continuarão a ter neste novo espaço a mesma acolhida que tiveram na coluna “Pinga Fogo” porque Pernambuco não é constituído apenas pelo Recife e cidades da área metropolitana.
. Não será uma coluna de “fofocas”, porque isso não faz parte das minhas preocupações, o que não quer dizer que não terá uma visão crítica do poder nas três esferas de governo. O seu propósito não é a busca frenética pelo “furo”, nem tampouco abrir concorrência com outros blogs já consolidados.
. Basta ver nossa representação política na Assembléia Legislativa do Estado. Dos 49 deputados, mais de 80% são do interior.

Incentivo para o pão brasileiro

No Vermelho:
Indústria quer incentivo para lançar pão ''brasileiro''
. Criado para incentivar a indústria da panificação e ser uma alternativa ao pão francês, o chamado pão brasileiro necessita de incentivos fiscais para ser absorvido pelo mercado. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação(Abip), Alexandre Pereira.
. A receita do novo pão substitui 10% da farinha de trigo por fécula de mandioca e foi elaborada, em parceria, pela Abip e o Serviço Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Segundo Pereira, o produto necessita ser pelo menos 10% mais barato do que o pão convencional para ser aceito pelo consumidor.
. Caso o governo federal conceda a desoneração esperada para o produto, o pão brasileiro poderá substituir até 20% do consumo atualmente destinado ao pão francês, de acordo com o presidente da Abip. Estamos aguardando uma posição do presidente Lula (em relação a desoneração) para fazer o lançamento, ressaltou Pereira.
. O projeto que permite a adição de fécula de mandioca na produção do pão francês, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi aprovada na Câmara e no Senado, mas acabou sendo vetado pelo Presidente da República no final do ano passado. (Lula veta lei que permitiria adição de mandioca à farinha de trigo).
. Segundo o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Mandioca, João Eduardo Pasquini, se o projeto atual da Abip vingar, vai abrir o mercado para a indústria da mandioca e proporcionar a geração de empregos. Atualmente, cerca de 50% da capacidade do setor está ociosa, de acordo com Pasquini.
. Em relação ao sabor e textura, o pão brasileiro deverá ser muito semelhante ao francês. O formato será mais arredondado, em contraste com a bisnaga do produto tradicional. De acordo com a nutricionista da Universidade de São Paulo(USP), Katia Gavranich, o valor nutritivo do novo pão também é quase idêntico ao atual.

A refundação do Estado e da propriedade

Agência Carta Maior, por Marcio Pochmann:
A tarefa dos progressistas
. O Estado precisa ser refundado. Ele deve ser o meio necessário para o desenvolvimento do padrão civilizatório contemporâneo em conformidade com as favoráveis possibilidades do século 21. Muito mais do que anunciar as dificuldades da crise global, cabe ressaltar as oportunidades que dela derivam como a realização de uma profunda reforma do Estado. Outra tarefa do presente é uma revolução na propriedade. O Brasil, que pouco avançou na democratização da propriedade segue mantendo apenas 6% de toda sua da população com posse dos meios de produção.
. Leia o artigo na íntegra http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15945

Meu artigo semanal no blog da Revista Algomais

Sucessão de Lula carece de mais idéias e menos manobras
Luciano Siqueira

A sucessão presidencial num país da dimensão e da importância do Brasil deveria envolver, mais do que jogadas de efeito e manobras táticas prematuras, idéias destinadas a enfrentar os problemas candentes da vida nacional. Até porque atravessamos uma fase de verdadeiro cataclismo no sistema econômico global, com repercussões agudas sobre a economia brasileira. Mais: a despeito da torcida negativa de alguns, somos citados entre os participantes de seleto grupo de países emergentes com chances reais de sair da crise global fortalecidos, ao lado da Rússia, da Índia e da China.

No entanto, não é bem isso – o debate de idéias – que vem predominando. Um exemplo dá-se nas hostes tucanas, principal vetor do campo oposicionista. A movimentação do PSDB se orienta no sentido de amainar a disputa interna entre os governadores José Serra (de São Paulo) e Aécio Neves (de Minas Gerais), ambos pretendes à cabeça da chapa. O argumento principal é a junção de líderes dos dois maiores colégios eleitorais do país.

Que assim seja, admite-se. Mas em torno de que propostas programáticas? Disso o pouco que se sabe além do embaraço em que vivem os tucanos, reconhecido publicamente por alguns dos seus próceres mais notáveis desde que Geraldo Alckmin perdeu o debate para Lula no pleito de 2006. Faltam justamente propostas que se contraponham aos rumos ora adotados pelo governo federal.

Por enquanto, Serra tenta adiar a prévia partidária para a escolha do candidato para 2010 até o instante em que se sinta suficientemente forte para inviabilizar a postulação de Aécio. E no intuito de melhorar sua imagem pública, aumenta a verba destinada à publicidade em 43,6% com relação a 2008.

Seu concorrente mineiro contra-ataca com a mesma arma, promovendo um acréscimo de 35,6% de gastos com publicidade comparados com a conta do ano passado.

Interessante é que a grande mídia tão atenta às despesas com publicidade no governo Lula, e mesmo de governos locais situados à esquerda, silencia olimpicamente. E se compraz em noticiar apenas os lances da disputa interna tucana.

A bem da verdade há que se reconhecer que a subestimação do debate de idéias não é exclusividade dos tucanos. Envolve os demais partidos oposicionistas e nem tanto os da coalizão governista porque estes, de toda forma, se vêm instados a responder pela gestão do país e a defender as medidas anticrise adotadas pelo presidente Lula. Ainda bem.
www.lucianosiqueira.com.br

Bom dia, Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Violência do latifúndio

. O levantamento é da CPT (Comissão Pastoral da Terra). A violência no campo aumentou em 2008 apesar da redução no número de conflitos.
. Enquanto, em 2007, a contabilidade dos confrontos agrários era de uma morte para cada 54 conflitos, em 2008 foi de uma para 42 episódios.

23 abril 2009

Coluna semanal no portal Vermelho

Partido: idéias, gestos, atitudes
Luciano Siqueira

Em tempo de ampla, sofisticada e bem urdida campanha contra a política como esfera pública de expressão do conflito de interesses sociais – movida pela grande mídia com o fito de desmoralizar instituições e lideranças mais influentes e facilitar a imposição de interesses quase sempre inconfessáveis - falar de partidos nem sempre soa bem aos ouvidos de quem ouve (talvez a grande maioria dos que me lêem aqui não tenha filiação partidária). Porque os partidos são postos numa absurda vala comum, como se todos fossem apenas reduto de privilegiados, farsantes ou corruptos.

Esse filme já se viu muitas vezes na História e nunca deu em fortalecimento da democracia.

Claro que a crítica circunstanciada e contundente a práticas incorretas verificadas em partidos e instituições públicas precisa, sim, ocupar espaço na mídia. Porém não de modo tendencioso como assistimos, exacerbando a dimensão dos fatos ou distorcendo-os em favor de uma generalização que não encontra respaldo na realidade.

Separar o joio do trigo é um imperativo da verdade. Avaliar criteriosamente partidos e instituições por suas idéias, gestos e atitudes.

Veja o caso do Partido Comunista do Brasil, que prepara o seu 12º. Congresso, a se realizar de 5 a 8 de novembro, em São Paulo, com uma pauta consistente e ousada.

Examinará a crise atual do capitalismo, suas repercussões sobre o Brasil e a oportunidade de avançarmos na luta por um projeto de afirmação nacional, com desenvolvimento, soberania, integração regional, democratização política e social e defesa do meio ambiente. Atualizará o seu programa de transição ao socialismo, centrado no futuro da nação brasileira e o avanço civilizacional. Lançará uma política de quadros contemporânea e essencial à consolidação da etapa atual de expansão do Partido.

Trata-se de um corpo de idéias que parte do lastro teórico e político alcançado pelo Partido particularmente em suas últimas três décadas de existência, hoje renovado mediante o desenvolvimento da teoria e uma compreensão mais abrangente e aprofundada do mundo em ebulição e da sociedade brasileira.

Tem sido também uma sucessão de gestos e atitudes conseqüentes, lastreados cientificamente e moldados por rica experiência, a presença do PCdoB na cena política nacional. Não há em nossa história recente nenhum episódio relevante que não tenha contado com a participação ativa dos comunistas – o que o confirma como indispensável ao movimento transformador em nosso país. Na contramaré do que pretende a grande mídia reacionária.

O olhar de Enio sobre a criminalidade em alta

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Infraestrutura como vetor

. Está na Gazeta Mercantil de hoje. Indústrias apostam nas obras de infraestrutura para crescer.
. Projetos de infraestrutura, saneamento básico e energia se tornaram uma alternativa para indústrias de diferentes setores se manterem ou mesmo ampliarem as vendas no decorrer deste ano.
. Sondagem do Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico, entidade ligada à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), prevê crescimento de 30% neste ano, enquanto as vendas gerais de máquinas e equipamentos, monitoradas pela Abimaq, acumulam queda de 28% no primeiro bimestre.

História: 23 de abril de 1897

Nasce no Rio Alfredo da Rocha Viana Filho, o futuro compositor e maestro Pixinguinha, gigante do choro brasileiro. O apelido quer dizer "menino bom" no dialeto africano de sua avó, ex-escrava. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Fundeb antecipado

. É para socorrer municípios em dificuldade em função da queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2009.
. O governo federal vai antecipar R$ 1,06 bilhão das parcelas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
. A antecipação se dará nas parcelas de abril a julho e para os estados de Alagoas, Pernambuco, do Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, da Bahia e Paraíba e seus respectivos municípios. O anúncio foi feito hoje pelo Ministério da Fazenda. . O cronograma atual previa o repasse de R$ 340 milhões da União para estados e municípios em abril. Com a alteração, o repasse do Fundeb neste mês será de R$ 780 milhões. As parcelas previstas para maio, junho e julho eram de R$ 440 milhões por mês. Agora serão de R$ 780 milhões, R$ 680 milhões e R$ 480 milhões, respectivamente.

É hoje. Não perca.

“A Crise e as Perspectivas de Saída para o Brasil”
. Com Luiz Fernandes, presidente da FINEP (Financiadora de Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia)
. Hoje, às 19h, no espaço para eventos Casa da Praça, no Bairro Novo, em Olinda
(por trás do Supermercado Comprebem)
. Iniciativa do gabinete do deputado Luciano Moura e do PCdoB de Olinda

22 abril 2009

Gilmar Mendes tem o que merece

Agência Brasil:
Ministro Joaquim Barbosa diz que presidente do STF destrói credibilidade da Justiça
. Durante uma discussão na sessão de hoje (22) do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa criticou o presidente do STF, Gilmar Mendes, responsabilizando-o por supostamente contribuir para uma imagem negativa do Poder Judiciário perante a população.
. O bate-boca ficou mais ríspido quando Mendes reagiu à discordância de Barbosa com o encaminhamento dado a uma matéria. Os ministros analisavam recursos contra duas leis julgadas inconstitucionais pelo STF. Uma, tratava da criação de um sistema de seguridade do estado do Paraná, e outra, da permanência de processos de autoridades no Tribunal, ainda que os réus perdessem cargos políticos.
. “Vossa Excelência não tem condições de dar lição a ninguém”, afirmou Mendes.
. Barbosa respondeu: “Vossa Excelência me respeite, Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral a mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faça o que eu faço”. A discussão entre os ministros foi gravada pela TV Justiça e está disponível na internet.

PCdoB define chapas proporcionais até setembro

Blog da Folha:
. Termina ao final de setembro próximo o prazo para novas filiações partidárias visando a eleição de 2010. Em Pernambuco, o PCdoB examina a possibilidade de correr em faixa própria na eleição para deputado federal e estadual. A decisão de sair com chapa completa própria vai depender justamente de novos quadros que o partido por ventura atraia.
. Em seu blog, o vereador do Recife Luciano Siqueira (PCdoB) diz que a legenda está "aberta ao ingresso de democratas sinceros, que do Partido se aproximem por sintonia com a nossa luta por um projeto nacional de desenvolvimento e atraídos pela conduta correta dos comunistas". O comunista não assinala, mas densidade eleitoral também ajuda.
. Para a Câmara, o partido ostenta a candidatura forte da ex-prefeita de Olinda Luciana Santos. Já para a Assembleia despontam, por enquanto, Luciano Moura e Nelson Pereira, candidatos a reeleição.
. "O partido pretende eleger mais de um federal e ampliar a sua bancada de deputados estaduais", informa Siqueira, ele próprio cogitado para reforçar a chapa comunista.

Olinda debate crise econômica

Blog da Folha:
. Amanhã, às 19h, na Casa da Praça, será realizado o debate "A crise e as perspectivas de saída para o Brasil". A discussão faz parte do Ciclo de Debates, promovido pelo deputado estadual Luciano Moura e o PCdoB de Olinda.
. A palestra será ministrada por Luiz Fernandes, que é presidente da Financiadora de Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep), professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e cientista político.

PPS na TV: mera demagogia?

No Acerto de Contas, por Pierre Lucena:
A propaganda caluniosa do PPS
. A propagando que o PPS vem fazendo, sugerindo que Lula vai mexer na poupança, como Collor fez, é um deserviço à democracia.
. O partido tem todo direito de emitir opiniões e de fazer oposição, mas dizer que Lula quer fazer o que Collor fez em relação à poupança, é um absurdo.
. Na propaganda, o deputado Raul Jungmann vem sugerindo que Lula, assim como Collor, vai mexer na poupança, e o PPS vai lutar para que isso não aconteça.
. Primeiro, ninguém está falando em confisco da caderneta de poupança, e sim em modificar as regras para abaixar a taxa de juros. A remuneração do CDI não pode ficar menor que a poupança, isso é um fato. Misturar Lula com Collor é um absurdo.
. Segundo, a remuneração de 6% + TR ao ano, da caderneta de poupança, é hoje a rentabilidade sem risco mais alta do mundo (depois da Selic), e seus recursos impactam diretamente no financiamento imobiliário.
. Não é exagero dizer que se a remuneração da poupança cair 3 pontos percentuais, este pode ser repassado imediatamente para o financiamento imobiliário, que trabalha com estes recursos. Até o PSDB e o DEM estão favoráveis à mudança, porque sabem que não tem outro caminho. A não ser que fiquem com o discurso fácil.
. O PPS, além de fazer um papelão com a propaganda caluniosa, ainda está do lado errado.

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

2010: hora de baixar a bola e conversar mais
Luciano Siqueira

É comum na vida política nos depararmos com dois tipos de raciocínio. Um, podemos chamar de cartesiano, que parte de determinadas intenções aparentemente respaldadas na realidade e traça um roteiro único como se as coisas já estivessem previamente resolvidas. O outro, dialético, considera a situação presente, identifica possibilidades e eventuais obstáculos e segue roteiro que comporta mais de uma alternativa.

O segundo tem mais chance de dar certo, embora ao primeiro não seja vedada a possibilidade de êxito – não como prêmio à precariedade da postura de quem o adota, mas por força de certas circunstâncias que Maquiavel chamaria de fortuna.

O quadro eleitoral de Pernambuco ainda está de longe de alcançar contornos mais claros, embora pareça a alguns previamente definido no que se refere a postulações a cargos majoritários. No campo governista, as coisas estariam antecipadamente escritas num hipotético livro do destino. No campo da oposição, nem tanto – embora as especulações tendam a raciocínio idêntico.

Nada mais temerário. Há variáveis oriundas da disputa nacional que talvez influenciem o processo aqui. Uma delas é existência de mais de um candidato de partidos da atual coalizão que apóia o governo Lula. Como evitar a reprodução da fórmula no plano estadual? Nada fácil. Seria o inverso do ocorrido em 2006, quando apenas um candidato à presidência – Lula – pôde se valer de dois palanques aliados locais, o de Eduardo Campos e o de Humberto Costa. A equação invertida é praticamente impossível e teríamos mais de uma candidatura ao Palácio do Campo das Princesas. Aí as composições para o Senado também teriam outro desenho.

Menos difícil seria uma candidatura a governador do PMDB local, na contramão da aliança dos peemedebistas com os petistas em torno de uma candidatura à presidência indicada por Lula. Incômoda, mas não de todo inviável. Assim mesmo, alguém teria dúvida de que sem uma candidatura a governador competitiva pelo menos um dos dois senadores oposicionistas desistiria da tentativa de reeleição?

Tem ainda os interesses reais dos partidos em ascensão, que miram 2010 com o olhar também nas prefeituras da capital e de cidades pólo em 2012. Essa variável pode provocar soluções inicialmente não previstas na disputa das duas vagas ao Senado. Candidaturas com menos chances podem surgir, seja para reforçar as chapas de deputado federal e estadual, seja para acumular cacife para o pleito majoritário seguinte – o de prefeitos.

E tem também os desdobramentos da atual crise global e suas repercussões sobre o país e a região. Dessa mata também pode sair algum coelho ainda imprevisto.

Pelo sim, pelo não, a experiência de muitos carnavais deveria inspirar mais cautela, menos cartesianismo e mais conversa. Pois dialeticamente pensando, tudo pode acontecer.

Por tudo isso a hora é de baixar a bola e conversar mais. Sem pressa, porque – como ensina a sabedoria popular – o apressado corre o risco de comer cru.

21 abril 2009

Chapa própria ou não quando setembro vier

. Setembro é o prazo final para novas filiações partidárias. Até lá se poderão aferir as possibilidades de cada partido em relação à disputa proporcional.
. Aberto ao ingresso de democratas sinceros, que do Partido se aproximem por sintonia com a nossa luta por um projeto nacional de desenvolvimento e atraídos pela conduta correta dos comunistas, o PCdoB fará, em tempo hábil, uma avaliação quanto a ter ou não chapas próprias para deputado federal e estadual.
. Luciana Santos deverá encabeçar a disputa de federal. Os deputados Nelson Pereira e Luciano Moura disputarão a reeleição.
. O Partido pretende eleger mais de um federal e ampliar a sua bancada de deputados estaduais.

História: 21 de abril de 1792

Tela de Tiradentes, de Pedro Américo (1893)
Tiradentes é enforcado no Rio, esquartejado e declarado infame até a 3ª geração, devido à Conjuração Mineira de 1789. Seus pedaços são expostos no caminho das Minas, a cabeça em Vila Rica. Sua casa é demolida, no seu lugar ergue-se um "padrão de infâmia". O Império destrói o padrão mas não reconhece o herói. Só com a República o 21 de Abril vira dia da independência. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Ninguém vence sozinho

. Toda vitória é fruto de uma construção coletiva, tenham ou não consciência disso seus atores.
. Eleições majoritárias são daquelas batalhas que sempre reservam uma margem de surpresa, mesmo quando a correlação de forças parece muito desigual e quando aparentam consolidadas.
. Depende dos pretendentes, e das forças que os apóiam. E da capacidade de cada um de agregar forças em torno de sim. Sozinho dificilmente se chega ao êxito desejado.
. Obvio? Claro que sim. Mas a soberba às vezes confunde a mente das pessoas.
. O comentário é genérico, vale para situações em tese. Mas serve de alerta a quem interessar possa.

20 abril 2009

Emprego deve ser contrapartida

. Devia ser uma regra única: todo setor socorrido pelo governo com crédito especial ou isenção de tributos, ter como contrapartida a garantia de manutenção dos seus empregados.
. A injeção de R$ 12,6 bilhões em crédito na agroindústria ainda não foi suficiente para impedir novas demissões, informa hoje a Gazeta Mercantil.
. Na sexta-feira, um dia após o anúncio do pacote, sindicalistas afirmaram que a fábrica de tratores da empresa americana AGCO, em Canoas (RS), demitiu 340 pessoas. A empresa, dona das marcas Massey Ferguson e Valtra, não confirmou o corte, porém disse que esteve em negociação ao longo do dia com o sindicato local.
. Caso seja confirmado, o número de desempregados no setor, desde o início da crise global em setembro de 2008, subirá de 1,55 mil para 1,9 mil. No total, o sindicato afirma que a planta emprega 1,8 mil funcionários e antes da crise produzia 130 máquinas por dia, número que teria recuado para 70 nos últimos meses.

Otimismo versus pessimismo

. Parece piada. Contrapondo-se às declarações otimistas do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a propósito das condições do Brasil superar os efeitos da crise global, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que não se deve ceder ao que chama de “otimismo exagerado”, diante dos sinais de recuperação de alguns setores da economia.
. Justamente ele, que no comando do Banco Central mantém a principal barreira para que o país efetivamente se beneficie das medidas anticrise, a política de juros altos.

Trabalhadores à mesa

. Informa a Agência Brasil que a Receita Federal pretende ouvir centrais sindicais para discutir a tributação sobre a renda do trabalho.
. O objetivo do órgão é ouvir todos, e não somente os representantes dos setores com desonerações para estimular a economia em crise.

Ameaça à soberania

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O Novo Protocolo

Realizou-se este ano, em Londres, paralelo ao encontro do G-20, um outro evento também de excepcional importância, porém muito mais discreto e sem o alarde da grande mídia internacional. Ele teve como um dos objetivos primordiais arrecadar entre 10 a 20 bilhões de dólares anuais para a preservação das florestas tropicais nativas.

Essa reunião teve como padrinho o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico. Estão em jogo muitos bilhões, sabendo-se que nada se faz graciosamente no cenário das grandes potências do primeiro mundo, na era da globalização financeirizada e em plena crise econômica recessiva.
A justificativa para a reunião é a alegada contenção do chamado aquecimento global. De onde seria possível concluir que finalmente construiu-se uma agenda fraterna e ecumênica, com o objetivo de salvar o planeta das emissões descontroladas dos gases carbônicos.

Isso se não atentássemos para as sérias questões estratégicas e geopolíticas em curso, após a reunião que ensejou o protocolo de Kyoto que redundou em espetacular fracasso porque entre outras coisas, os EUA, a nação mais poluidora da terra, negou-se a referendá-lo.

Com o naufrágio de Kyoto, que acarretaria fabulosos gastos financeiros para os países do considerado primeiro mundo, surgiu então, com a magnânima direção do herdeiro da coroa inglesa, a chamada “Iniciativa Amazônica”. O que implica na criação de um fundo internacional para a preservação e conservação de uma floresta amazônica a mais intacta possível, sob a guarda e vigilância dos povos indígenas.

Como proteção a essa iniciativa para lá de bilionária, seria criada uma legislação internacional, acordada por todos os signatários, cuja instância decisória ainda não foi estabelecida, mas que naturalmente não seria em território nacional.

Seria assim como declarou o príncipe Charles, “senhoras e senhores, as florestas tropicais precisam ser vistas tal como elas são, gigantescas utilidades globais, provedoras de serviço público para a humanidade em vasta escala”. Um sentimento comovedor, como o das guerras genocidas, insufladas pelos de sempre, em países da África, só como exemplo.

Querem abstrair, paulatinamente, o papel soberano do Estado brasileiro e de outros países sul-americanos. E uma Amazônia sem possibilidades de um desenvolvimento ecológico equilibrado, fatiada em nações indígenas com verdadeiro status de fórum internacional de apelação, absolutamente internacionalizada.

18 abril 2009

PCdoB de portas abertas

. Em sintonia com a orientação da Direção Nacional, o PCdoB em Pernambuco acolhe com entusiasmo a possibilidade de incorporar às suas fileiras novos filiados, vindos de outras agremiações partidárias ou não, com o seu experiência eleitoral, desejam disputar uma cadeira de deputado federal ou estadual.
. Em todo o país, democratas sinceros e lideranças dos movimentos sociais vêm ao PCdoB atraídos pela seriedade do Partido e pela defesa do projeto nacional de desenvolvimento.
. Por aí se pode pensar em chapa própria nas eleições proporcionais, a exemplo do quem ocorreu no pleito municipal no Recife.

Descoberta astronômica

BBC Brasil:
Astrônomos revelam maior colisão entre galáxias já registrada
. Astrônomos identificaram a maior colisão entre aglomerados de galáxias já registrada, a partir da combinação de imagens captadas por três telescópios diferentes.
. Usando dados do telescópio espacial Hubble, do Observatório Chandra e do Observatório Keck, no Havaí, os cientistas conseguiram determinar a geometria tridimensional e o movimento dos aglomerados, a uma distância de 5,4 bilhões de anos-luz da Terra.
. Os pesquisadores descobriram que quatro aglomerados distintos se envolveram em uma fusão tripla, em um fenômeno que, segundo eles, poderá ajudar a entender o que ocorre quando alguns dos maiores corpos do Universo se chocam.
. Aglomerados de galáxias interagem gravitacionalmente uns com os outros, e colisões entre eles são normais.

2010 na pauta

No Blog da Folha, por Pedro Saldanha:
MAJORITÁRIA
. O vereador do Recife Luciano Siqueira (PCdoB) traz hoje em seu blog dois breves comentários sobre a composição da chapa majoritária governista para a eleição estadual do ano que vem. O resumo da ópera é: ainda é cedo e tudo pode acontecer.
. Numa primeira postagem o comunista conta que foi perguntado por um amigo, no Aeroporto, sobre como ficaria a composição aqui em Pernambuco caso PT e PSB tenham candidatos distintos à presidência da República. “Não sei, respondo, sinceramente. Porque se disputarem dois candidato à presidência, um do PT e outro do PSB, tudo indica que haverá repercussão sobre o pleito nos estados. Aqui não seria diferente. Ainda bem que temos muito chão pela frente para que o cenário se esclareça”, conta Siqueira.
. Em seguida Siqueira alerta que não adianta pressa para definir os nomes da chapa majoritária. “Basta a experiência de outros carnavais para perceber que 2010 ainda está longe no que se refere à composição de chapas majoritárias. São tantas as variáveis, que tudo pode acontecer”, escreveu.

Boa tarde, Cecília Meireles

Palavras

Espada entre flores,
rochedo nas águas,
assim firmes, duras,
entre as coisas fluidas,
fiquem as palavras,
as vossas palavras.

Pois se por acaso
dentro dos sepulcros
acordassem as almas
e em sonhos confusos
suspirassem rumos
de histórias passadas
e houvesse um tumulto
de ânsias e de lágrimas,

- lembrassem as lágrimas
caídas no mundo
nas noites amargas
cercadas dos muros
das vossas palavras.
Todas as palavras.

Nos espelhos puros
que a memória guarda,
fique o rosto surdo,
a música brava
do humano discurso.

De qualquer discurso.
Só de morte exata
sonharão os justos,
saudosos de nada,
isentos de tudo,
pascendo auras claras,
livres e absolutos,
nos campos de prata
dos túmulos fundos.

No meio das águas,
das pedras, das nuvens,
verão as palavras:
estrelas de chumbo,
rochedos de chumbo.
A cegueira da alma.
O peso do mundo.

Adeus, velhas falas
e antigos assuntos!

Importante. Ponha na agenda


Uma pergunta pertinente

. “E se o PSB tiver candidate a presidente, como fica a eleição de governador em Pernambuco?”, pergunta-me o amigo que encontro no Aeroporto.
. Não sei, respondo, sinceramente. Porque se disputarem dois candidato à presidência, um do PT e outro do PSB, tudo indica que haverá repercussão sobre o pleito nos estados. Aqui não seria diferente.
. Ainda bem que temos muito chão pela frente para que o cenário se esclareça.

Tudo pode acontecer

. Basta a experiência de outros carnavais para perceber que 2010 ainda está longe no que se refere à composição de chapas majoritárias.
. São tantas as variáveis, que tudo pode acontecer.

Os limites da vida

Ciência Hoje Online:
Bactérias encontradas debaixo de geleira vivem sem oxigênio e luz há mais de um milhão de anos
. A existência de vida em épocas e locais hostis, como as eras glaciais, pode estar mais perto de ser compreendida. Uma equipe anglo-americana encontrou bactérias em uma reserva de água salgada debaixo de uma enorme geleira na Antártica. Os micróbios sobrevivem ali há cerca de 1,5 milhão de anos, sob temperaturas extremamente baixas e em um ambiente sem luz e oxigênio.
. O lago salgado fica sob a geleira de Taylor, uma montanha de 400 metros de gelo localizada nos Vales Secos da Antártica, um dos lugares mais inóspitos do planeta. Devido a uma média de precipitação extremamente baixa, não há animais ou plantas na região. A partir da análise de uma amostra do líquido que compõe esse reservatório subglacial, os pesquisadores descobriram 17 espécies de bactérias. “É provável que existam bem mais”, afirma à CH On-line a bióloga Jill Mikucki, pesquisadora da Universidade Dartmouth (EUA) e autora principal do artigo que descreve a descoberta, publicado na Science desta semana.
. Leia a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/142929

Renúncia fiscal. Mas para cigarros, não

. Não é pouco. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para quatro tipos de eletrodomésticos e três tipos de materiais de construção, anunciadas ontem, elevaram para R$ 12,4 bilhões o impacto das desonerações desde o agravamento da crise financeira internacional, no final de setembro.
. A informação é da Receita Federal, norticia a Agência Brasil.
. Até o fim do ano passado, a Receita previa que o impacto das reduções de impostos seria de R$ 10,457 bilhões, em 2009. As medidas tomadas este ano, inclusive as desonerações decididas hoje, ampliaram a perda de arrecadação em R$ 1,944 bilhão em relação ao inicialmente projetado.
. A maior perda de receita, R$ 5,6 bilhões, foi resultante das mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física. No fim do ano passado, o governo decidiu criar duas alíquotas intermediárias, de 7,5% e 22,5%, e reajustou a tabela do imposto em 4,5%. Durante o anúncio da medida, o Ministério da Fazenda tinha informado que o impacto seria de R$ 4,9 bilhões, mas depois revisou as projeções para cima.
. A redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito foi responsável pela segunda maior perda de receita. Para destravar o crédito, o governo reduziu de 3% para 1,5% ao ano a alíquota do imposto nos financiamentos a pessoas físicas. Com a mudança, o governo arrecadará R$ 2,519 bilhões a menos em 2009, de acordo com a Receita.
. Entre as ações tomadas este ano, a prorrogação por três meses da redução do IPI para caminhões e veículos de até duas mil cilindradas foi a que mais pesou nos cofres públicos. A diminuição do imposto contribuiu para a perda de R$ 1,089 bilhão – R$ 895 milhões referentes a carros e R$ 194 milhões a caminhões. Se somada à desoneração que vigorou de dezembro a março, a renúncia fiscal chega a R$ 2,519 bilhões.
. Para compensar em parte a perda de receita, o governo, até agora, aumentou a tributação sobre os cigarros. A partir de maio, os maços pagarão 23,5% a mais de IPI. Em julho, a alíquota média do PIS/Cofins passará de 6% para 9,8%, alta de 80%. Com o reajuste, o governo pretende arrecadar R$ 975 milhões a mais até o final do ano.

16 abril 2009

Artigo semanal no site da Revista Algomais

O grito de Eduardo e a proposta da bancada do PCdoB
Luciano Siqueira

O Brasil é como um paciente acometido por várias enfermidades ao mesmo tempo e que esteve sob cuidados médicos incompetentes (para ser mais preciso: pessimamente orientados) por muito tempo e só agora se encontra em boas mãos. O diagnóstico tornou-se preciso, a conduta terapêutica em boa medida acertada, porém sujeita a efeitos colaterais danosos.

É o que ocorre com as medidas anticrise adotadas por Lula. Não há uma sequer que, embora benéfica, não tenha seus efeitos negativos – pois o quadro clínico é complexo. Caso da redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados) para o setor automotivo e da redução da carga do Imposto de Renda, ambas na boa intenção de manter o nível da produção e do emprego num setor de ponta da economia e de incentivar o mercado interno. Porém na outra ponta resultam em redução importante da receita de estados e municípios, porque o FPE (Fundo de Participação dos Estados) e o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) têm em sua composição a presença do IPI e do Imposto de Renda.

Mais ainda, a indústria automobilística se localiza basicamente no centro-sul do país, o que em certa medida contribui para aumentar as desigualdades em relação ao Nordeste e ao Norte.

Daí o tiro certeiro do governador Eduardo Campos, dias atrás, quando protestou contra a ausência de benefícios destinados à cadeia econômica do Nordeste. Segundo ele, os municípios estão sem recursos para pagar a folha de pessoal, a merenda escolar e as contrapartidas do PAC.

Poderia até ter acrescentado que o recém-lançado programa habitacional pode se tornar inócuo para boa parte dos municípios-alvo porque implica contrapartidas momentaneamente também inviáveis.

Em conseqüência, e para honrar o pacto federativo, cabe ao governo federal compensar sobretudo as perdas dos municípios, mormente os que têm menor capacidade de reagir à queda na arrecadação e que, em sua quase totalidade, não são beneficiados pelas desonerações tributárias.

É o que propôs a bancada do Partido Comunista do Brasil ao apresentar emenda aditiva à medida provisória nº 460 determinando que o governo federal entregue aos municípios mensalmente, em caráter excepcional, valores correspondentes às perdas ocorridas nas transferências do FPM, ''tomando por base os valores efetivamente recebidos em iguais meses do exercício de 2008, inclusive daqueles meses anteriores à publicação desta Lei''.

Lula topou a parada e anunciou ontem, na reunião do Conselho Político, a liberação de até R$ 1 bilhão para repor as perdas dos municípios.

Uma atitude semelhante à do médico que ao ministrar ao paciente uma determinada droga cuida igualmente de compensar os efeitos colaterais daí decorrentes. Para alcançar a cura.
www.lucianosiqueira.com.br

100 dias de quê?

. Claro que ambas - situação e oposição -procuram se situar bem perante a opinião pública pondo fatos e argumentos à mesa a propósito dos primeiros 100 dias dos novos prefeitos. Faz parte do jogo político.
. Mas é evidente que 100 dias não assa de um número cabalístico, salvo engano, inventado como referência para o desempenho de governos desde que John Kennedy assumiu a presidência dos EUA prometendo mundo e fundo nos seus primeiros 100 dias. Virou moda no mundo inteiro.
. Se apreciarmos o assunto com mais seriedade, haveremos de reconhecer que há tempos de governo – escrevi sobre isso no portal Vermelho parece-me que em 2005 – que seguem uma lógica muito concreta. O tempo da implantação; o tempo da maturação de projetos e do entrosamento das novas equipes; e o tempo da consolidação das políticas e programas implantados e de colher os resultados.

15 abril 2009

Meu artigo de toda quarta-feira no Blog de Jamildo (JC Online)

Táticas e programa na sucessão de Lula
Luciano Siqueira

Antes de uma grande batalha todos têm o direito de se preparar – cada um a seu modo. Que nem nações indígenas, que praticam o toré – a dança que invoca os espíritos guerreiros e estimula coragem e combatividade.

A sucessão do presidente Lula prenuncia-se uma grandiosa batalha, em que dois projetos diametralmente díspares estarão em confronto: a construção de um caminho próprio para o desenvolvimento do pais, assentado em bases soberanas e democráticas; e o retorno ao paradigma neoliberal, ainda que maquiado com palavreado desenvolvimentista.

Por enquanto, a expressão desse confronto estaria nas pré-candidaturas da ministra Dilma Rousseff e a do governador de São Paulo, José Serra. Mas as coisas não estão tão definidas, outras candidaturas poderão vingar de ambos os lados.

Do lado oposicionista, os ensaios do governador de Minas Gerais, Aécio Neves e o anúncio de uma prévia no PSDB, soam mais como jogada destinada a atrair holofotes para os tucanos. O que estaria em curso, isto sim, seria a unidade de paulistas e mineiros, numa reedição moderna da política do café-com-leite que na República Velha viabilizava a alternância de políticos dos dois estados no comando da nação. Por aí estariam somadas forças dos dois maiores colégios eleitorais do país, para um arranque inicial com condições de enfrentar a provável candidatura petista pelo lado do governo.

Já na base governista, o deputado Ciro Gomes, do PSB, movimenta-se com desenvoltura na condição de pré-candidato. Há até quem argumente a seu favor o “modelo pernambucano”, numa alusão ao pleito de 2006, em que dois candidatos da então oposição, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), foram ao combate e uniram suas forças no segundo turno, suplantando o então governador Mendonça Filho (Democratas), que tentava a reeleição. Um argumento pouco consistente, que não rebate a objeção que o qualifica como mera transposição mecânica de um a experiência localizada para outra dimensão, infinitamente mais complexa.

E é verdade. Basta que se considere, em 2010, a eleição p[residencial casada com a dos governadores, fator decisivo em âmbito estadual que entraria em colisão com a tese de mais de uma candidatura governista. Entretanto, não está errado o PSB ao apresentar o deputado como pré-candidato. Lá adiante se decidirá se vinga, ou se prevalece um nome do partido majoritário na coalizão governista, o PT.

Porém algo chama a atenção. Por enquanto, fala-se em tática eleitoral e não em programas – uma lacuna incompreensível, sobretudo porque vivemos um ambiente de crise a reclamar propostas estruturantes da economia do país.
www.lucianosiqueira.com.br

13 abril 2009

A crise como fio condutor

. Se as coisas serenarem no terreno da economia, tudo bem. O cenário da sucessão de Lula se conformará do jeito que se desenha: uma forte candidatura do governo, uma forte candidatura da oposição.
. Mas se a crise se agravar mais ainda, não será surpresa se surgirem mais de uma candidatura, de ambos os lados.

Trabalhadores resistem como podem

. O Valor Econômico noticia hoje que a crise econômica já interfere nas negociações salariais. Depois de cinco anos em que aumentos reais foram conquistados pela maioria das categorias - 78% do total em 2008, por exemplo -, os sindicatos encontram hoje um ambiente muito mais complexo para negociar e poucos estão obtendo resultados acima da variação do INPC.
. Em alguns casos, as empresas iniciam a negociação oferecendo aumentos abaixo da inflação.
. No Sul Fluminense, região que concentra a indústria de transformação do Estado, os reajustes firmados até o momento só repõem a inflação. O sindicato dos metalúrgicos obteve a variação do INPC em acordos com as montadoras Volkswagen Caminhões e Peugeot Citrõen, a valer a partir de maio.
. Tempo difícil, tempo de luta.

História: 13 de abril de 1843

O navio tumbeiro (negreiro) Progresso (!), a caminho do Brasil, enfrenta tempestade com 400 cativos trancados no porão; 54 morrem sufocados e pisoteados. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Dinheiro caro só é bom para banqueiro
Luciano Siqueira


Não sou especialista na matéria, mas é óbvio que crédito caro não serve a ninguém, salvo aos que negociam com dinheiro – os banqueiros. Na verdade, a rigor o setor rentista é o único que continua ganhando – e muito! – nesse amargo tempo de crise.

O governo tem adotado medidas anticrise em várias áreas, sempre visando a estimular a produção, o emprego e o consumo, no pressuposto (reconhecido internacionalmente) de que o país está entre os poucos emergentes na cena mundial em condições de sobreviver sem maiores agravos aos terremotos financeiros globais. O sistema produtivo não se desestruturou – salvo uma ou outra grande empresa que embarcou nos derivativos em busca de ganhos financeiros fáceis e se deu mal. As finanças púbicas continuam organizadas e relativamente saudáveis. Os bancos estatais atuam com presteza e consistência. O mercado interno, ainda pequeno para as dimensões do país, continua em expansão.

Mas um entrave terrível se ergue a toda tentativa de manter o nível das atividades econômicas: a política de juros. Não há setor da produção que se sinta estimulado a investir, mesmo com o respaldo governamental, diante de juros básicos dos maiores do mundo e de spreads bancários escandalosos. Isso a despeito das “queixas” públicas do próprio presidente Lula (e também da ministra Dilma). Nessa matéria, o Brasil continua claramente na contramão da tendência internacional. Países como a Alemanha, por exemplo, já praticam taxas de juros negativas.

Agora o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) anteontem trouxe à luz novos dados, contidos no estudo Transformações na Indústria Bancária Brasileira e o Cenário de Crise. Comparando-se o custo do crédito no Brasil e em outros países verifica-se que as taxas brasileiras são bem mais altas do que as cobradas no exterior: aqui o empréstimo para pessoa física chega a custar dez vezes mais do que em uma agência européia do mesmo banco.
Já quando se trata de pessoa jurídica, paga-se quatro vezes pelo empréstimo em comparação com o valor cobrado nos Estados Unidos e na Zona do Euro, indica o estudo.

Dá pra ficar passivo diante de um abusos desses? Claro que não. Por isso urge um esforço conjunto de entidades e instituições representativas de trabalhadores, empresários, setores técnicos responsáveis e da sociedade civil em geral no sentido de pressionar o Banco Central pela redução das taxas de juros. Em tempo hábil – enquanto ainda é possível salvar o país da débâcle geral.

O olhar de Enio sobre os sinais de carestia



Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Opinião pessoal de Sérgio Augusto

Uma proposta certa ou errada?
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.br

Colocado entre os maiores defensores da via educacional para que o Brasil supere uma série de mazelas, o ex-governador do Distrito Federal e senador Cristovam Buarque surpreende a todos nós ao sugerir que um passo importante para essa superação pode ser o fechamento do Congresso Nacional. É de ficar pasmo com essa idéia, levantada em público por um democrata pernambucano respeitado!!! Mas a pasmaceira é só coisa passageira, de momento.

Evidentemente, não é de se concluir apressadamente que o senador quer que isso aconteça. O que ele está fazendo é jogar no ar uma idéia que – diante dos escândalos e desrespeito ao País por parte de dezenas de congressistas – os cidadãos andam pensando. Afinal, passados 20 anos da redemocratização e recuperação do Estado Democrático de Direito, esse modelo agora dá mostras de que está corroído, cansado, com as juntas reumatizadas. Tudo isso agravado pelo cruel vírus da impunidade.

Cristovam Buarque não acende a fogueira destinada a liquidar os três poderes, pilares do respeito à cidadania. O senador, ao pensar e falar em plebiscito para decidir o destino do Senado e da Câmara dos Deputados (aliás, parece que voltou atrás na proposta inicial), o senador está propondo que se dê uma solução para a inoperância e submissão do Legislativo diante dos outros poderes. Tal submissão também é um desrespeito aos cidadãos e cidadãs, como se fosse uma espécie de golpe, mas incapaz de pronunciar o próprio nome.

Portanto, não se trata de derrubar o Estado de Direito, mas sim dar uma arrumada para que se possa legislar efetivamente, de tal modo que se acabe o império da Medida Provisória, para citar um dos males. Essa questão, aliás, não se resume a uma arrumada; não é simples e, se pegar, vai provocar uma gigantesca discussão no País, em torno de que fórmula deverá ser adotada contra o aleijão legislativo. O que não se pode é tirar uma das bases do tripé, fazendo com que o edifício desabe todinho.

A impressão é de que o senador Cristovam está sugerindo uma ampliação do ato de legislar, a ponto de colocá-lo além, ou muito além, da atual abrangência convocatória de nomes para isso, que hoje é através de eleição direta periódica e marcada a ferro pelos vícios históricos. Seria uma fórmula socializada e eficaz de consulta popular sobre os temas de interesse coletivo.

O senador não quis ou ainda não teve a oportunidade de expor essa proposta. Mas, estamos convencidos de que ele a desenvolveu e, de repente, apresentará à nação. Bem dentro de seu perfil de inovador, a exemplo das idéias que colocou em prática no Distrito Federal quando foi governador.
* Jornalista

Sindicalistas estão certos

. Em recente encontro com o presidente Lula, dirigentes das centrais sindicais refutaram a proposta do governo de diminuir os tributos pagos pelas empresas, incluindo o recolhimento do FGTS, sob a condição de que elas mantenham os empregos.
. Sensível aos argumentos dos sindicalistas, o presidente orientou o ministro Guido Mantega no sentido de que reexamine o assunto e tente marcar neste mês nova discussão com as centrais.
. Lula considera indispensável a opinião das centrais sindicais. No que está correto, e os representantes dos trabalhadores mais ainda.

12 abril 2009

Perdemos um democrata

. A morte do deputado Carlos Wilson priva a política de um democrata de muitos serviços prestados a Pernambuco.
. Sua trajetória de jovem parlamentar da antiga Arena, de que foi dissidente (para ajudar aos que lutavam contra a ditadura), ao PT, passando por outras agremiações partidárias, sempre foi marcada pela busca da unidade entre as correntes políticas progressistas.
. O PCdoB perde um amigo e aliado de muitas jornadas.

Painel de comentários

Recebidos por e-mail a propósito do meu artigo
45 anos depois: alguns olhares:

Muito bem! 45 anos passados do GOLPE 64, visualizamos um país vivendo sob as bases da democracia. Entretanto, o nosso povo vem pagando um preço alto com as conseqüências advindas da perversa e desumana ditadura militar. A democracia é, ao nosso olhar, a grande possibilidade concreta para a consolidação de uma sociedade mais justa e igualitária. Agradecer aos camaradas que lutaram e resistiram à DITADURA, é o mínimo que devemos fazer - OBRIGADO, sem as vossas lutas e cooperações, o Brasil não seria o que é hoje: uma grande nação gozando da liberdade democrática. (Josias Barbosa Lima).
*
Precisamos cuidar do nosso próximo, a água na foz não retornará a nascente. Vivenciar o AMOR e a CARIDADE esta é nossa missão. Nada supera o TRABALHO quando realizado com amor e dedicação. Deixamos os museus relembras o nosso passado. (Paulo Roberto Costa Lima).
*
Parabéns. De modo especial porque conseguiu manter a ternura do olhar. (Marisa Figueiroa). *
Quando temos de considerar que a natureza tem seu tempo e as transformações são lentas porque o homem é um ser mutante lento, tudo valeu apena, do contrário estaríamos ainda na idade da pedra já que toda a evolução exigiu sacrifícios de uns e covardia de outros.No entanto se houvesse o entendimento da lenta transformação do pensamento de uma sociedade na época, com certeza as ações seriam diferentes e provavelmente menos sacrifícios mas sempre com sacrifícios de homens de bem. Mas quem tem o dom de mudar o ímpeto de uma juventude ávida por justiça? (Moacir Marcon).
*
Tenho ainda viva na memória a imagem transmitida pela televisão no dia da prisão e tortura pública de Gregório. Hoje, tenho convicção de que essa imagem contribuiu fortemente para a formação da personalidade e do caráter do garoto de 11 anos. No anonimato e no silêncio, jamais fiz concessões à ditadura. Ela começou errada, covarde, triste. (Carlos Calado).
*
Essas suas palavras sobre os 45 anos do golpe militar ratificam cada vez mais a certeza que tenho que, além de tudo, você é também poeta. (Excluamos o romantismo piegas.) Mas um poeta que traduz o sentir do homem que tem ciência que participa da história de seu tempo. Excitaste-me a emoção e quase não contenho as lágrimas! Pois o texto alcança a todos nós que vivenciamos aquele período. (Embora saibamos que outras formas de ditadura precisam ser vencidas). Meu caro amigo, seu texto (45 anos do golpe), é um grande contributo aos historiadores, aos pesquisadores e à sociedade em geral. A graduação acadêmica necessita de uma visão hegeliana do existir humano. Parabéns, Luciano, e muito grato por nos oferecer tamanho presente. Pense na hipótese (permita-me) de encaminhar esse texto a todos que, de uma forma ou de outra, compõem a "elite dominante" deste país. (João Lins).
*
Em que pese os avanços conquistados, após o fatídico golpe nas instituições que todos nós sofremos há quarenta e cinco anos, e que você relata muito bem, se faz necessário encetarmos uma forte campanha pela abertura dos arquivos da ditadura, pois, nós temos sido muito telúricos ao relembrar as coisas ruins acontecidas a milhares de brasileiros, companheiros nossos que sofreram por defender ideais de emancipações política e econômica, muitos foram mortos como é afirmado no seu texto. A partir da tribuna que você dispõe no momento, e com a legitimidade do mandato de vereador, se faz necessário exigir com mais rigor ao Ministério da Justiça e ao Presidente Lula que ele complete o seu trabalho, não somente concedendo cargos àqueles que foram partícipes nos movimentos contragolpe, mas enfrente com energia a questão da abertura dos arquivos da ditadura para que saibamos o destino de muitos dos nossos companheiros e pudermos reverenciar suas memórias. (José Amaro da Silva).
*
Lendo esse texto vi em minha memória você contando sua história no auditório na Prefeitura quando ainda estava estagiando no PETI, foi quando me emocionei e tive minhas primeiras impressões suas...até hoje e não esqueço... coisa que nunca esquecerei...fantástica! (Roberta Albuquerque).

Jornada histórica

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
As Diretas Já

No dia 26 de abril comemora-se o momento decisivo de uma das mais importantes batalhas políticas travadas pela nação em toda a sua História, a memorável campanha pelas Diretas Já, que mobilizou, há 25 anos, dezenas de milhões de brasileiros em extraordinários comícios por todo o território nacional e iniciou a derrocada do regime ditatorial no país.

Bem mais que isso, unificou em torno da causa democrática a consciência nacional, que expressou a sua voz nas ruas, nas fábricas, nas redações dos jornais e de todas as mídias da época, nos sindicatos, nas igrejas, nas universidades, em todas as organizações representativas da sociedade.

Quando se fala desse embate do povo brasileiro, fica a imagem do seu resultado em termos de mobilização, mas em geral pouco se comenta sobre a luta de idéias que foi travada no interior dos mais diversos setores sociais e de classes, entre uma maioria sensível ao futuro do país, contra segmentos minoritários, porém atuantes em certas camadas dos trabalhadores e também nas áreas mais conservadoras do país.

O que havia em comum entre duas correntes aparentemente tão distintas e antípodas era o fato de que ambas possuíam, e ainda adotam, concepções estratégicas e táticas contrárias ao projeto de união geral em torno de caminhos de progresso efetivo para o Brasil.

Os conservadores radicais porque desejavam a permanência dos privilégios de todos os tipos, auferidos durante os vinte e um anos de regime de exceção, uma espécie de contrato unilateral, sem a presença do povo.

Os ultra-esquerdistas, através de uma miopia ideológica, um marxismo esquemático, abstraídos da realidade, defendiam uma linha cujo eixo principal não era a vontade da nação, mas escaramuças de classes que dividiriam a unidade da sociedade majoritariamente contra o arbítrio, comprometendo o movimento, e em conseqüência permaneceria a ditadura. Foram derrotados.

Essa grande luta de idéias entre a centralidade da “União do Povo brasileiro contra o arbítrio” ou a sua dispersão, justificada por uma pretensa e artificial hegemonia do proletariado, sem base na realidade, surgiu também em outros momentos decisivos, como na campanha da Anistia, e na Aliança Democrática, com Tancredo Neves à Presidência através do Colégio Eleitoral.

Os extremos opostos se atraíram e felizmente não lograram êxito. Mas a verdade é que essa contenda entre as lutas gerais que unificam a nação e a fragmentação das lutas sociais estará sempre presente na História do Brasil.