30 junho 2012

Reencontro

Hoje pela manhã, na sede do PMDB, reencontrei inúmeros amigos, companheiros da resistência democrática.
Frentes partidárias se definem pelo programa
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online) 

Quem é quem nas frentes partidárias? A pergunta circula entre militantes, ativistas e observadores da cena política – como geralmente acontece em todo período pré-eleitoral -, em tom de estranheza e inquietação. Isto quando se celebram alianças entre partidos de inclinação política e ideológica díspares, ou que até a véspera frequentavam palanques opostos.

“Misturar alhos e bugalhos pode dá certo?”, pergunta um repórter que me entrevista sobre o novo cenário recém-instalado no Recife. Respondo que sim, sem pestanejar, e de pronto faço referência a diversas coalizões marcadas precisamente por acentuada diversidade, que produziram (e produzem) grandes resultados.

Eis um exemplo emblemático. Lula não teria realizado tanto como realizou se não tivesse a capacidade de unir forças as mais variadas para lhe garantir maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado. Em 2002 e em 2006, a maioria dos parlamentares eleitos pertencia a legendas que na campanha apoiaram Serra e Alckmin, respectivamente. A governabilidade exigia alargar a base de apoio do governo, justamente agregando algumas dessas legendas.

Os índices de aprovação popular alcançados pelas duas gestões consecutivas de Lula, fruto da realização de mudanças reais, que repercutem sobre a vida da população, comprovam que, nesse caso, a coalização que parecia juntar “alhos e bugalhos” deu certo.

No governo Dilma ocorre algo semelhante, apenas com a diferença que a maioria parlamentar brotou antecipadamente das urnas. Mas a coalizão é igualmente ampla e diversificada, englobando partidos de todos os matizes, da esquerda aos de extração conservadora.

E, o que precisa ser assinalado em negrito, a “cara” da coalizão eleitoral e do governo é dada pelo programa que obteve a aprovação do eleitorado. Por mais multifacética que seja a aliança, o programa é que define a sua sua essência.

Demais, a presença numa determinada coligação de correntes que até ontem compunham o campo adversário há que se absorvida como positiva. Pode agregar contribuição à proposta de governo, além de acrescentar força no embate eleitoral. Errado seria interditar novos apoios por mero preconceito ou sectarismo, o que se assemelharia à insensatez de solicitar aos novos aliados que retornassem às hostes adversárias para, no campo da batalha, voltarem a nos combater!

Portanto, a análise deve ir muito além da percepção superficial do desenho da coalizão; precisa mirar o programa apresentado perante o povo – que, afinal, através do voto, o aprovará ou não.

Intervenção norte-americana & narcotráfico

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Acontecimentos insólitos

O surgimento de episódios políticos característicos de tentativa de desestabilização da atual realidade geopolítica regional deve aumentar a preocupação de todos os interessados no desenvolvimento econômico, na soberania dos Países da América do Sul.

O crescimento de bases militares norte-americanas na região, especialmente na Colômbia, sob o pretexto de combater as plantações de cocaína, só consegue enganar os ingênuos porque setores do sistema financeiro internacional, inclusive dos Estados Unidos, têm sido os principais beneficiários de lucros estratosféricos do narcotráfico internacional através da lavagem desses recursos.

O responsável por essa afirmação é o Gabinete de Drogas e Crime das Nações Unidas conhecido pela sigla ODC que revela dados surpreendentes como, por exemplo, o fato de que durante essa crise econômica global entre 2008 e 2009 cerca de 352 bilhões de narcodólares foram injetados em grandes bancos mundiais para evitar problemas de escassez e liquidez.

Um outro relatório indica que a heroína vem inundando atualmente a União Europeia e a Rússia, proveniente do Afeganistão, o maior produtor global de opiáceas, principalmente durante o período de intervenção militar americana naquele País.

O mesmo dossiê aponta que os fluxos totais de dinheiro "sujo" do crime organizado transnacional é de mais de 1 trilhão de dólares ou 1,5% do PIB global, sendo que 70% desse montante é lavado através de instituições financeiras, sendo os EUA os maiores consumidores de drogas pesadas do mundo.

Como a maior potência militar da Terra, detentora de recursos tecnológicos, satélites de alta precisão capazes de detectar uma pessoa de bicicleta numa rua em qualquer aldeia remota do mundo, não consegue detectar ou dizimar extensas plantações de drogas ?

Por que essa mesma incrível malha de inteligência, repressão seletiva e de massas, presente hoje em todos os lugares do planeta, não tem êxito contra o dinheiro "sujo" que circula em organizações financeiras globais, várias dos Estados Unidos ?

O aumento de bases norte-americanas na Colômbia, a sucessão de eventos exóticos, acontecimentos políticos insólitos em vários Países possuem a clara intenção de circundar militarmente o continente e a área Amazônica, desestabilizar nações em uma região que vem afirmando gradativamente independência e soberania aviltadas durante séculos.

Dica de Shakespeare

A dica de sábado é da amiga Neide, nas palavras de Shakespeare: “A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe.”

27 junho 2012

Mérito militar

Recebo hoje a Medalha Pernambucana do Mérito Militar, concedida pela Polícia Militar de Pernambuco, em solenidade no Centro de Convenções.

26 junho 2012

Aparência e essência nas alianças eleitorais

Raul Córdula
Coalizões partidárias, conteúdo e forma
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais

Coalizões partidárias, obviamente, envolvem legendas de diferentes matizes políticos. Com alguma frequência representadas por lideranças que, na cena local, guardam entre si precedente conflituoso. No limite, o oposto seria cada partido por si, isoladamente, o que só ocorre em países onde o espectro partidário é de há muito estratificado. Assim mesmo, concluídas as eleições gerais, formam-se coalizões plurais para assegurar a formação do novo governo e lhe conferir condições de governabilidade.

No Brasil, o fenômeno muitas vezes se apresenta como verdadeiro caleidoscópio, constituindo-se alianças em certa medida inesperadas, porém não menos necessárias. Desde que concertadas em torno de um projeto comum, de curto e médio prazo. Isto vale tanto para os partidos que se perfilam no campo à esquerda, como para os situados à direita. Forças de centro costumam oscilar entre um polo e outro, conforme as circunstâncias.

O exame criterioso das coligações partidárias há que considerar devidamente forma e conteúdo, que nem sempre se adequam perfeitamente. Olhem-se as siglas ajuntadas em torno de um projeto eleitoral ou no apoio a um governo constituído: ora exibem desenho aparentemente coerente, ora a aparência é contraditória ao excesso. Quem diria, por exemplo, que o PP (no qual milita Paulo Maluf) passaria à base de sustentação do governo Lula, e agora do governo Dilma, numa aliança que já perdura há 10 anos?

"Absurda incoerência!", esbravejam os que olham tão somente a superfície. "Nem tanto", contrargumentam os que se dão ao trabalho de verificar que o apoio do PP não comprometeu os avanços significativos registrados nos oito anos de Lula, no rumo de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Implicou contradições e disputas, no interior do governo e na sociedade, é verdade, nem sempre bem resolvidos; mas contribuiu para dar ao governo a sustentação parlamentar indispensável à governabilidade.

Cá na província, Eduardo Campos elegeu-se governador pela primeira vez tendo passado ao segundo com o apoio decisivo do PR (liderado pelo deputado Inocêncio Oliveira, de larga tradição nas hostes conservadoras) e do PP (que tem entre seus próceres o ex-deputado Severino Cavalcanti, idem). Mas jamais esses dois partidos de extração conservadora deram forma e conteúdo à campanha e, posteriormente, ao governo. Foram e continuam sendo aliados importantes, mas o conteúdo do projeto político-administrativo é determinado pelos compromissos programáticos assumidos publicamente pelo PSB e seus parceiros à esquerda.

Isto posto, sejamos capazes de enxergar o jogo natural das alianças políticas com um olhar menos preconceituoso e mais afeito à análise concreta da situação concreta.

Disputas locais & projeto nacional

Diversidade regional e alianças políticas municipais
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha

Que eu saiba, a Federação brasileira guarda semelhança, mundo afora, apenas com o atual Estado federativo russo: entes autônomos entre si. No caso brasileiro, a União Federal, os Estados e os Municípios, sendo que estes últimos ganharam autonomia a partir da Constituição de 1988.

É a tradução institucional de uma imensa diversidade regional, que se expressa no conjunto do País e no interior de cada estado. Diversidade econômica, social, cultural e política.

Na esfera política isto se reflete num desenho aparentemente contraditório das alianças políticas concertadas nos planos federal, estadual e municipal.

Governa a presidenta Dilma, do PT, assentada em ampla e plural coalizão de forças que envolve praticamente todos os matizes do espectro partidário.

Essa mesma coalizão não se repete na esfera estadual. Governadores têm sua base de sustentação em diferentes composições partidárias, pondo em lados distintos correntes aliadas na esfera federal. É o modo de dar conta dos conflitos de interesses entre lideranças e partidos, em alguns casos tradicionalmente concorrentes.

No âmbito municipal o fenômeno se apresenta de modo mais acentuado ainda, constituindo verdadeiro caleidoscópio. Partidos que se unem num município, não se unem no município vizinho. Patrocinam candidaturas majoritárias conflitantes, embora no mesmo campo de forças; ou se associam a candidaturas de legendas tidas como adversárias em plano estadual ou federal.

A leitura superficial e esquemática dessa realidade aponta para a incoerência. Alguns analistas chegam até a acusar a ausência de alianças partidárias ideológicas (sic).

O exame acurado de cada caso, entretanto, haverá de revelar que predomina, sim, em grande medida, a coerência política - ideológica não seria o caso, pois não é nesta esfera que os partidos convergem, e sim em função de projetos políticos de curto e médio prazo. Isto tem também o tempero da histórica fragilidade das instituições partidárias em nosso País, em boa parte devido aos prolongados lapsos de autoritarismo que permeiam nossa história republicana.

Assim, legendas que abrigam grupos progressistas num município, noutro se constituem com matiz conservador. Daí a imensa flexibilidade na concertação das alianças político-eleitorais, sem o que propósitos comuns estariam interditados por um engessamento formal da possibilidade de convergência.

É nesse panorama multifacético que se incluem também eventuais conflitos entre partidos integrantes de um mesmo núcleo – seja à esquerda, seja à direita -, que teriam tudo para estar juntos, mas que por acidentes de percurso, digamos assim, se separam temporariamente, sem que isto represente uma ruptura de compromissos em torno dos objetivos comuns nos âmbitos estadual e federal. Nesses casos, a serenidade, o espírito democrático e o bom senso recomendam o respeito mútuo e a manutenção dos liames que permitem, a um só tempo, uma futura reunificação num eventual segundo turno, quando é o caso; e a continuidade da convergência em função do projeto em curso no estado e no País.  

Cidadão do Paulista

Vereador Silvio Moura (PCdoB) me comunica agora que a Câmara Municipal me concedeu o Título de Cidadão de Paulista. Para minha honra.

25 junho 2012

PCdoB decide apoiar Geraldo Júlio no Recife

Resolução do Comitê Municipal do PCdoB
acerca do pleito de outubro no Recife

 O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil, reunido em sessão plenária na noite desta segunda-feira, após criterioso exame do quadro político-eleitoral, decidiu apoiar a candidatura a prefeito do ex-secretário estadual de Planejamento e Gestão e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Júlio, apresentada à Frente Popular pelo Partido Socialista Brasileiro.

Geraldo Júlio acumula importante trajetória na gestão pública, exerce destacado papel na formulação e execução do vitorioso projeto político-administrativo encetado pelo governo estadual e reúne atributos pessoais que o colocam à altura da missão que assume.

Os comunistas tomam esta decisão ao cabo de longo e paciente trabalho em favor da unidade das forças populares e progressistas do Recife. Já em agosto de 2011, a Conferência Municipal do Partido adotou resolução política na qual afirma, textualmente, que “o PCdoB prioriza, nas atuais circunstâncias, a construção da unidade em torno de uma candidatura majoritária única, sem entretanto descartar nenhuma outra alternativa tática que venha a ser pactuada na Frente Popular.”

Na atualidade, a existência de duas candidaturas a prefeito da mesma coalizão surge como solução tática em defesa das grandes conquistas alcançadas na cidade desde 2001, postas em risco pelo prolongamento das dificuldades internas do Partido dos Trabalhadores; e do legítimo esforço da maioria dos partidos da Frente Popular em oferecer, em tempo hábil, resposta consistente às expectativas e anseios da população.

No diálogo com os aliados, o PCdoB tem defendido uma agenda centrada na atualização do programa da Frente Popular, para dar conta das novas possibilidades e desafios que incidem sobre a cidade, como parte do ciclo de crescimento econômico que se verifica em Pernambuco; e num conjunto de questões de ordem tática em que se incluem a orientação da campanha e a abordagem solidária da eleição proporcional. O ambiente que se coloca mais sensível à discussão dessa agenda é o da aliança liderada pelo PSB.

Na campanha que se inicia, a clara distinção de dois campos opostos de forças – o da Frente Popular, que concorre com duas candidaturas versus o das Oposições -, é referência necessária ao debate em torno de propostas que efetivamente venham a unir o povo, condição indispensável para o êxito eleitoral.

Concomitante com a luta para levar à vitória a chapa majoritária liderada por Geraldo Júlio, os comunistas se empenham em eleger bancada de vereadores através de nominata qualificada, formada por homens e mulheres testados na luta, artífices de uma campanha aguerrida, criativa, fundada na defesa do projeto comum e na força do povo.

Recife, 25 de junho de 2012
O Comitê Municipal do PCdoB

Informação incorreta

Sem sentido a nota “O troco”, de Márcio Didier na coluna Cena Política (JC do hoje). O entende e respeita as decisões políticas dos aliados.

24 junho 2012

Boa tarde, Marcelo Mario de Melo

Santíssima Trindade
 A poesia
a política
a fêmea.
Tenha-se tempo
tenha-se tino
tenha-se chama
para saciar a todas três!

(Do livro “Os colares e as contas”).

Tempo de decisão

A partir de amanhã, até o dia 30, reta final das definições em todos os municípios: chapas majoritárias, arranjos para a disputa de vereadores.

Poeta sabe das coisas

A sugestão de domingo é de Fernando Pessoa: “Para ser grande, ser inteiro: nada/Teu exagera ou exclui/Sê todo em cada coisa...”

Retrocesso no Paraguai

Editorial do Vermelho:
A oligarquia paraguaia depõe o presidente Fernando Lugo


O Congresso paraguaio, formado por uma maioria de oligarcas cevados durante a longa ditadura de Alfredo Stroessner, inovou e, imitando a guerra relâmpago dos nazistas, inventou o impeachment relâmpago: entre o abandono do presidente Fernando Lugo pelos parlamentares que formavam sua frágil base parlamentar, o início do “processo” e a decisão de afastar o presidente não transcorreram sequer 48 horas!

O que ocorreu entre a manhã de quinta-feira (21) e a tarde de sexta-feira (22) em Assunção foi um golpe de Estado com disfarce de legalidade. Ele expõe, à luz do dia, a contradição larvar que havia desde a posse de Fernando Lugo, em 2008, entre o presidente que encarnava a promessa de mudança democrática e combate à pobreza e à desigualdade, e um parlamento raivosamente antidemocrático que sempre se pôs de joelhos perante os interesses dos EUA na América do Sul. Conclave de oligarcas saudoso da presença do imperialismo para assegurar seus próprios e anacrônicos privilégios e que foi entrave, por exemplo, à entrada da Venezuela no Mercosul, pois nunca votou a necessária aprovação para a incorporação da pátria de Hugo Chávez ao bloco regional – bem de acordo, é claro, com os interesses de seus patrões do hemisfério norte.

A deposição de Lugo foi um golpe oportunista, que ocorreu no momento em que as atenções, e os principais dirigentes dos países do mundo, estavam no Rio de Janeiro, na Rio+20. E baseado numa alegação hipócrita: o conjunto de latifundiários que domina o parlamento paraguaio usou como bandeira o sangue derramado num conflito de reintegração de posse em Curuguaty, na semana passada, que deixou 17 camponeses e policiais mortos. Os trabalhadores rurais sem-terra lutam para retomar lotes onde suas famílias residem há mais de cem anos mas que, durante a ditadura de Stroessner, foram “doados” a um dos homens mais ricos do país, o latifundiário Blas Riquelme. Os camponeses expulsos querem suas terras de volta. Os camponeses paraguaios querem terra para trabalhar, e se chocam com a minoria extrema (2% da população) de ricaços que controlam 80% das terras do país, colocando o Paraguai entre as nações mais pobres do continente, com quase metade da população abaixo da linha de pobreza.

O convescote dos oligarcas confiscou o mandato de Lugo mas não teve a coragem de apresentar a violência cometida com o nome adequado para sua ação: golpe de Estado. Preferiu dar a ela o disfarce de uma legalidade esfarrapada.

Nas praças, desde a manhã da quinta-feira, os paraguaios demonstram seu inconformismo contra o golpe. Deixam claro que a Câmara dos Deputados e o Senado do Paraguai estão em oposição à nação e ao povo numa luta que, agora, extravasa as fronteiras nacionais e estende-se pelo continente. Ao rasgar os compromissos continentais pela democracia, ordem constitucional e defesa das instituições democráticas, o golpe de Estado é um claro rompimento com as demais nações do continente e a busca de fortalecimento da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul. O confronto com a nova legalidade democrática que se firma no continente é inegável, e inaceitável.

O golpe abre uma nova etapa na luta dos paraguaios pela democracia, que impõe a derrota da oligarquia aliada ao imperialismo. E coloca um desafio institucional para a integração continental: as nações do continente não podem aceitar o rompimento de acordos regionais solenemente proclamados, e festejados pelos povos e pelos democratas.

Se cabe aos paraguaios derrotar os golpistas, cabe aos democratas e aos governos da região agir para destruir a serpente da desunião e da traição aos povos. É preciso combater com toda a força, veemência, e com os instrumentos conquistados na última década, toda ilegitimidade institucional no continente. Basta de golpes! Basta de interferências externas. Basta de alinhamento com os interesses do imperialismo e do latifúndio atrasado! O governo ilegítimo que nasceu do golpe precisa ser isolado e derrotado, e esta tarefa cabe a todos os democratas do continente.

23 junho 2012

A vida não é simples

A dica de sábado é de Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho...”.

Fragmentação nociva

Tempos voláteis
Por Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

A profusão de pseudomovimentos que emergem à luz da vida social incentivada pela grande mídia hegemônica mundial refletindo-se quase que instantaneamente nas avenidas das principais cidades brasileiras é o novo fenômeno dos dias atuais deixando a inequívoca impressão de uma produção laboratorial.

A grande maioria dessas atividades públicas cobertas entusiasticamente por esse complexo midiático hegemônico possui um ponto em comum, a ausência de um espírito maior e universal com relação à coletividade geral, o que nos conduz a uma leitura de que cada um deve cuidar do seu interesse restrito ou do círculo das suas afinidades seletivas.

Tudo isso pode ser traduzido como apologia a um individualismo egocêntrico de grupo, típico das épocas em que a humanidade ainda estava subdividida em comunidades tribais, e seguramente essa é a filosofia que se encontra subjacente.

Na verdade corre-se mesmo é o risco da abdicação coletiva sobre o destino da nação para indivíduos ou grupos com interesses forâneos enquanto esses movimentos irrompem aqui e ali tendo horizontes absolutamente limitados, desconexos e fragmentados.

A impressão que também se forma é que há uma espécie de supermercado ideológico com as prateleiras abastecidas de variadas "causas", a maior parte importada, sempre sob os auspícios de ONGs robustamente subsidiadas especialmente pelos Estados Unidos e Grã Bretanha.

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que tem estudado o comportamento das sociedades sob a matriz totalitária da nova ordem mundial e as suas consequências, considera que a resultante destes tempos de cultura política volátil é a desintegração da solidariedade nacional e o recuo da interação nas comunidades soberanas.

Mas a real natureza do capital global, a crueldade nessa desordem mundial do lucro ensandecido sem fronteiras, especialmente a atual crise financeira do capitalismo, vão trazendo as pessoas à realidade concreta.

Demonstrando a necessidade da organização e ampla união das grandes maiorias em torno das bandeiras fundamentais ao desenvolvimento e progresso dos povos, nações, a defesa dos direitos gerais e individuais tão aviltados na atualidade.

Porque o crescimento econômico saudável reivindica a reconfiguração dos grandes espaços nacionais de participação coletiva, a retomada da solidariedade social ativa, essencial para se construir um mundo melhor.
Ciência Hoje Online:
A matéria em diferentes escalas
Por: Adilson de Oliveira
. Em diversas oportunidades nesta coluna, falamos sobre planetas, estrelas e galáxias. Em outros momentos, também abordamos temas como átomos e moléculas, que, ao interagirem, dão forma a tudo que percebemos ao nosso redor. Também discutimos como o homem pode manipular tais estruturas fundamentais e produzir novos materiais que modificaram (e modificam) as nossas vidas.
. Em um primeiro momento, podemos pensar que a vastidão do cosmos e complexidade dos átomos não estão conectadas. Afinal, as galáxias localizam-se a milhões ou até bilhões de anos-luz de distância (um ano-luz representa a distância que um raio de luz percorre durante um ano e equivale a aproximadamente 10 trilhões de quilômetros) e são necessários gigantescos telescópios para detectar a fraca luz que nos chega a partir desses objetos.
. Por outro lado, as estruturas fundamentais da matéria são tão pequenas, da ordem de décimos de nanômetro (um nanômetro é um bilionésimo do metro), que somente são acessíveis com poderosos microscópios eletrônicos, que, mesmo assim, nos mostram apenas uma pequena parte de toda a sua complexidade.
. Leia o texto completo http://migre.me/9BRzw

Boa notícia na ciência médica

Da Agência Brasil:
Técnica aprimorada de tratamento do vitiligo é apresentada durante encontro em Brasília
. O dermatologista do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) em Brasília Eugênio Reis disse que a técnica de tratamento do vitiligo, apresentada pelo médico indiano Davinder Parsad durante encontro em Brasília, existe desde 1987, mas era muito cara e inviável para os médicos brasileiros. Entretanto, nos últimos cinco anos, com o avanço da biologia molecular e a substituição de certos reagentes, o tratamento tornou-se mais barato.
. O aprimoramento da técnica foi apresentado por Parsad durante o 14º Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, promovido nesta semana pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), que reuniu cerca de 2.500 médicos do Brasil e convidados estrangeiros. O encontro termina hoje (23). O objetivo é divulgar os avanços de técnicas de tratamento e tornar os profissionais mais atualizados para cuidar dos pacientes, sobretudos aqueles que não respondem às técnicas clássicas.
. “No procedimento tradicional, além do uso de pomadas e remédios, são retiradas partes da pele de área saudável do corpo e transplantadas para a área atingida pela doença. Entretanto, a técnica é agressiva, pode deixar cicatrizes e não garante bons resultados. Com o aprimoramento do transplante dos melanócitos, a área atingida fica com uma coloração mais uniforme e harmônica, depois de quatro a seis semanas. Sem contar que o procedimento é muito menos agressivo do que o tradicional”, esclareceu.
. O vitiligo é uma doença autoimune causada pela formação de anticorpos que matam os melanócitos (células que dão pigmentação à pele), gerando manchas brancas. O dermatologista indiano aperfeiçoou o método de extração de melanócitos de áreas saudáveis do corpo para serem transplantadas em áreas atingidas pela doença.
. Durante o procedimento, é retirado um pequeno e fino fragmento de pele de uma área saudável do corpo do paciente. Depois disso, são extraídas as células de pigmentação desse fragmento. A área atingida pelo vitiligo é raspada e os melanócitos são colocados sob a pele afetada.
. “O vitiligo é uma doença genética, que pode ser precitada por fatores ambientais como o estresse. Geralmente, aqueles que sofrem com a doença tendem a ser mais ansiosos, o que pode agravar o quadro. É uma enfermidade que compromete a qualidade de vida da pessoa, porque causa certo desequilíbrio psicológico. O paciente passa a se limitar, a restringir a própria vida, evitando ir a certos lugares onde será mais exposto. Em alguns casos, para de trabalhar e deixa até de sair de casa”, contou.
. No campo estético, uma técnica divulgada no congresso foi o transplante capilar e de sobrancelhas. O procedimento retira folículos capilares de uma área normal, geralmente um pequeno pedaço do couro cabeludo da área abaixo da nuca, e transplanta para a região sem cabelo.
. Segundo o especialista em transplante capilar (tratamento clínico e cirúrgico das alopécias) Francisco Le Voci, esse procedimento é indicado para pacientes calvos, que sofreram queimaduras, doenças ou acidentes que impedem que o cabelo volte a crescer na área afetada. “A técnica de transplante de sobrancelha ajuda as pessoas que se sentem incomodadas por terem perdido a expressividade a voltar a ter expressões faciais, uma das funções dos pelos dessa região”, explicou.
. Uma variante dessa técnica é a extração de unidade folicular, em que a equipe médica extrai as raízes, uma a uma, com um aparelho, para serem implantadas no paciente. Entretanto, a técnica não pode ser utilizada em todos os casos. “É mais demorada e oferece quantidade menor de pelos, então ela só pode ser usada em algumas situações, e para o transplante”, acrescentou Le Voci.

A palavra do poeta

Versos de Mário Quintana para a manhã de sábado:

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

22 junho 2012

Ícone da arte comprometida

Picasso e Guernica
Plínio Palhano

Quando no início dos conflitos da Guerra Civil Espanhola — 17 de julho de 1936 —, Picasso estava plenamente afinado com o governo republicano legítimo, que, vitorioso nas eleições, em fevereiro de 1936, retornou ao poder, democraticamente, como Frente Popular, contrariando os nacionalistas, falangistas — que eram os simpatizantes do nazifascismo – e os antirrepublicanos, apoiados por Franco, o chefe dos militares.

Foi encomendada, em janeiro de 1937, a Picasso, pela Frente Popular, a realização de um afresco para ornamentar o Pavilhão Espanhol da Exposição Universal, que seria concretizada no mesmo ano, em Paris. O bombardeio de três horas e meia à cidade de Guernica, no País Basco, comandado pelos alemães com o apoio de Franco, destruindo-a materialmente e, principalmente, ceifando vidas humanas, o que trouxe consequências dramáticas ao povo daquela terra considerada santa pela Espanha, fez Picasso mudar de projeto e consolidar a ideia de pintar uma obra com uma dimensão monumental, no conteúdo e nas proporções, que denunciasse esse crime contra a humanidade, de repercussão em escala mundial: representaria o horror da Guerra Civil Espanhola.

O artista se empenhou no trabalho com sangue, paixão e, sabendo da importância daquele momento e da sua história na arte, organizou as sessões de pintura e desenhos de uma forma que todas as etapas fossem registradas. Por exemplo, temos hoje registros, em todos os livros sobre o assunto, das oito fotografias que descrevem as várias passagens de Guernica. Para iniciar essas sessões, Picasso realizou 45 estudos rigorosamente datados. E foram cinco semanas ininterruptas para finalizar a grande obra. Cada etapa era uma transformação, um acréscimo ante o plano inicial. Também se utilizou do seu percurso pictórico. Era como se reunisse todas as fases, principalmente as que dão uma ideia do inconfundível estilo picassiano.

Picasso explorou, com óleo, os negros intensos, os tons cinza e o branco para dar uma passagem direta para a luz, numa tela de 349,3 x 776,6 cm. O cavalo é centralizado na composição como um elemento de forte dramaticidade; a cabeça do animal expressa algo de dor, de desespero; a língua é um elemento pontiagudo para dar mais ênfase à cena. Acima da cabeça, uma luminária, talvez como símbolo do olho, daquele que tudo vê, a iluminar grande parte da composição em linhas invisíveis e abstratas, que formam um triângulo partindo do centro. Embaixo, nas patas do cavalo, uma estátua quebrada em várias partes, simbolizando a destruição.

Ao lado direito, uma figura com as mãos levantadas para o alto e perfis com olhares desesperados, surpresos pelo acontecimento; à extrema esquerda, uma mulher segura uma criança nos braços, olha para cima, e a cabeça da criança inerte como se estivesse morta. Acima dessa mulher, o olhar de um touro para o espectador e o seu corpo perdido entre os negros e o cinza. Mesmo com toda a dramaticidade, há uma simetria de valores, como se tentasse harmonizar a dor humana.
Plínio Palhano é artista plástico. O texto acima foi publicado originalmente no Diário de Pernambuco.

21 junho 2012

O tempo da disputa e o tempo da convergência

A unidade em dois tempos
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho e no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Unir partidos em função de projeto comum não é fácil, aqui e mundo afora. Vide a instabilidade nos países da zona do euro, todos envoltos, de um modo ou de outro, em dificuldades políticas tão complexas quanto a crise econômica e financeira que os assola.

No Brasil dos nossos dias, a frente partidária que dá sustentação ao governo Dilma se constitui em grande proeza. Ampla, diversificada, plural. E tão necessária quanto ingente é a tarefa de conduzir o País no rumo do desenvolvimento.

Essa frente se expressa em certa medida nos estados, mas já aí com discrepâncias importantes. E quando se observa a esfera municipal, o perfil das alianças se faz multicolor, caleidoscópico. Porque a disputa pelo poder local não guarda relação de coerência automática com a convergência de interesses e propósitos nos âmbitos estadual e federal. O grau de amadurecimento das organizações partidárias, inclusive, contribui para isso.

Essa é a realidade concreta, sobre a qual trabalham todos os que desejam unir forças em prol de um projeto comum. E se o fazem com pés no chão, preparados devem estar para arrostar as dificuldades decorrentes de eventuais desencontros e divisões.

A tradução disso no pleito que se avizinha quer dizer que o bom senso, o equilíbrio e a maturidade política devem propiciar que se atravesse a peleja evitando-se que o entrechoque municipal implique fissuras irremediáveis nas alianças formadas no estado, assim como na base de sustentação do governo Dilma – isto do ponto de vista dos que a apoiam.

Há situações em que, por razões diversas, a conjugação de forças que se apresentava natural e tranquila dá lugar ao conflito. Vira problema político de primeiro plano, quando ocorre nas capitais ou em cidades grandes e médias. A partir daí, faz-se imperativo travar o embate, circunscrevendo-o ao terreno das ideias, ao confronto de projetos, ressalvando-se entretanto o ambiente indispensável ao restabelecimento da convergência no momento seguinte – seja no pós-eleitoral, seja mesmo num eventual segundo turno, quando é o caso.

A divisão momentânea não pode nem deve receber o carimbo da ruptura definitiva, se as correntes políticas em presença permanecem afinadas com o mesmo projeto nacional. Seria imaturo e inconsequente. Uma inversão de valores por todos os títulos prejudicial.

Olhemos o Brasil desses dias que antecedem as convenções partidárias, que têm prazo legal até o dia 30. Não são poucas as situações aqui postas em tese. Algumas seriam perfeitamente evitáveis, outras nem tanto. Mas pouco importa refazer o histórico do que passou. Cabe encarar a situação presente na perspectiva do projeto comum, mais largo do que a disputa imediata.

Em defesa do consumidor

CPI da telefonia móvel: o gesto e a consequência
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais

Ontem, 18, a CPI da Telefonia Móvel na Assembleia Legislativa concluiu seus trabalhos, aprovando o relatório apresentado pelo deputado Rodrigo Novaes – uma peça correta e consistente, que encerra dois significados: o gesto; e a continuidade da luta.

A CPI se instalou em meio a resistências fundadas em incompreensões e descrenças, da parte de muitos que, arguindo a natureza federal da autorização estatal a empresas privadas para que operem o setor, reduzem o papel da Assembleia Legislativa tão somente à denúncia e ao debate do tema, quando muito.

Por isso, o relatório do deputado Rodrigo Novaes significa um gesto do Poder Legislativo estadual que vai muito além da denúncia e assume, em definitivo, o compromisso com o tema sob a ótica da defesa do consumidor.

Mais ainda, em suas conclusões enfeixa um conjunto de iniciativas que traduzem o compromisso da continuidade da luta: a convocação pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) das operadoras Tim, Claro e Oi para que se comprometam a investir na melhoria e expansão dos serviços, “cumprindo-se as normas de defesa do consumidor, sob pena de multa equivalente aos valores estabelecidos para investimentos por cada operadora para 2012, no Estado”; inclusão nos Termos de Ajuste de Conduta (TAC) a ser negociado pelo MPPE com as operadoras exigências tais como o aumento do número de estações de rádio base, rádios, transceptores e enlaces de micro ondas em quantidade suficiente para a regularização do serviço da RMR e nos municípios do interior do Estado; a convocação dos municípios cuja legislação limite a instalação de antenas para que se comprometam a encontrar alternativas para a execução do serviço pelas operadoras; a instalação ou ampliação da estrutura de atendimento pessoal ao consumidor (TAC).

Recomenda também o deputado Rodrigo Novaes a constituição de uma Subcomissão de Direito do Consumidor, a ser criada na Assembleia Legislativa, vinculada à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

Na continuidade, os deputados mais diretamente comprometidos com o tema, em cooperação permanente instituições como o Ministério Público Estadual e o Procon, deverão buscar a mobilização da sociedade, condição sine qua non da efetiva superação das graves deficiências do serviço de telefonia móvel em nosso estado.

Nesse contexto, e de lamentar que a Anatel não cumpra efetivamente seu papel fiscalizador, o que nos leva, inclusive, a colocar em dúvida até que ponto a agência efetivamente defende a população e exerce sua função pública e até onde se faz cúmplice das empresas privadas que operam esse segmento.

A palavra instigante de Jomard

Ademir Martins

PODER, POESIA e (ainda) EGOLOMBRISMO
Jomard Muniz de Britto, jmb.

Muito difícil reconhecer caras & máscaras no
redemoinho das ambições ao Poder.
Singular plural empoderamento.
-"Era tão claro o dia, mas a treva ,
do som baixando, em seu baixar me leva".
Reler - por sugestão de Francisco Alvim -
o poema Relógio do Rosário de Drummond.
Sem esquecer O Cão sem Plumas de Cabral.
Carnes e brasas tentando sublimar nosso
imperioso narcisismo e minimizar qualquer
egolombrismo. Superlativo do ego.
Por que o melhor poeta poderia ser e não ser
o mais completamente desconhecido?
Talvez, ou com certeza, o egolombrismo sendo
Pai e, ao mesmo tempo, Filho do mais corajoso
ressentimento. Pai, Filho e Espírito santo
ou profano decidindo-se por CIDA: Pedrosa
ou Nogueira? De-ci-da-se!
Mais difícil não retornar ao Glauber Rocha:
ARTE TEM QUE TER AMBIÇÃO.
Entretanto, o jogo político exagera além dos
roteiros, metáforas e trapaças.
Quando os deuses demoram, capricham sem
TEMERidades, complexos, fluxos, fraudes,
redes sociais e webmitomanias............
Coragem, sim, do jovem Ricardo Domeneck
ao confrontar altas literaturas com tatuadas
libidinagens à flor dos pelos e músculos.
Porque ainda não sabemos: o que é poesia?
Como despertar no público o desejo ao gozo
do texto além e aquém dos recitais?
Egolombrismo - nosso, vosso, de todos e dos
mais raros - não se deriva de Lombroso, antigo
analista de nossas taras e atrocidades.
Poeticidade, sim, signos no fio da navalha,
chão dos sem-terra, sem-livros nem trocadalhos.
Querendo o BELVEDERE de Chacal entre nós.
-" Não é pois todo amor alvo divino
e mais aguda seta que o destino"? (CDA)
Destinação pela lucidez clarividente de
Francisco Alvim.
Recifeliz, junho/ 2012
atentadospoeticos@yahoo.com.br


20 junho 2012

Bom dia!

Começando o dia com Cecília Meireles:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

18 junho 2012

Governabilidade

. Na França, os socialistas conquistaram maioria absoluta no Parlamento francês, dando ao presidente François Hollande as melhores condições para governar, sem precisar fazer alianças para aprovar suas reformas.
. Quais reformas?

Para começar bem a semana

Versos de Vladimir Maiakovski:

Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer.
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer.

Presente de grego

Vitória da direita nas eleições legislativas, ontem, aprofundam o impasse político e tende a agravar a crise na Grécia. E na zona do euro.

17 junho 2012

Dialética da vida

A sugestão de domingo é de Pablo Neruda: “...posto que de dois modos é a vida,/a palavra é uma asa do silêncio/o fogo tem uma metade de frio.”

16 junho 2012

Alarme falso

Não é fato o que o Jornal do Commercio registra hoje: o PCdoB NÃO tomará decisão sobre o pleito do Recife neste fim de semana.

Dica de quem sabe

A dica de sábado é da amiga Cris, nas palavras de Vinícius: “A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha...”.

Tema nordestino na pauta ambiental


O Semiárido, a seca e a Rio mais 20
Inácio Arruda*

Publicado no jornbal O Povo

O semiárido abrange 86% da Região Nordeste e o norte da Região Sudeste. Abriga, além da biodiversidade e do potencial geológico e energético, um significativo patrimônio cultural, histórico e humano. Deve ser inserido, com destaque, em um projeto de desenvolvimento nacional. A Caatinga é a zona semiárida com a maior biodiversidade de flora e fauna do planeta, com espécies endêmicas de alto valor biológico e expressivo potencial forrageiro, madeireiro e medicinal. Seus solos são ricos em águas subterrâneas.

No momento em que o Nordeste vive uma das piores secas das últimas décadas, o Brasil recebe chefes de Estado e delegações internacionais para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio 20. Participei da primeira Conferência - a Eco 92, e das três conferências da Organização das Nações Unidas (ONU) de combate à desertificação. Agora, representando o Senado, debaterei Cidades Sustentáveis e Inovação.

É uma oportunidade para adotarmos uma Política Nacional de Combate e Prevenção à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Apresentei projeto com esse objetivo no Congresso. A seca deve ser considerada na elaboração das políticas agrícolas, de preservação ambiental, macroeconômicas, de expansão urbana, entre outras.

Os estados mais afetados pela desertificação ocupam 11,5% do território nacional, com 32 milhões de pessoas. O grande potencial produtivo dessa área é afetado, provocando perdas econômicas e ambientais e o aumento da pobreza.

Temos centros de referência aptos a dar suporte técnico para a elaboração e execução de projetos de desenvolvimento econômico e social sustentável. Mas esse trabalho não pode continuar disperso. Daí a necessidade de uma política nacional sobre um problema que é natural, social e histórico em nosso País e há séculos exige solução. Temos conhecimento científico e técnicos capacitados para fazer frente ao desafio climático. Adotar uma política permanente de valorização do semiárido é a questão a ser enfrentada.

15 junho 2012

Bom conselho

Vale agora, diante do conturbado quadro político do Recife, o conselho de Paulinho da Viola: “Faça como um velho marinheiro/Que durante o nevoeiro/Toca o barco devagar.”

Discernimento e bom senso em cenário complexo

Matisse
Navegar em mar revolto é inevitável
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho e no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Em condições normais de tempo e temperatura, as coisas fluem conforme o desejo de todos – o da maioria. Naturalmente. Assim ocorre em todas as esferas da vida, inclusive na política. Porém nem se sempre se navega em mar calmo – seja por capricho da natureza, seja por falha humana.

Aqui não se trata de defender tese, nem deitar sentença. Mas apenas e tão somente fazer o registro da experiência acumulada – no caso, no movediço e às vezes surpreendente terreno da política. Porque não foram poucas as situações em que, cá na Província, nas últimas três décadas, as coisas se enrolaram no meio do campo pondo à prova o discernimento, o equilíbrio, o bom senso, a busca sincera da unidade a despeito de acentuadas discrepâncias. Com bons resultados ou com resultados desastrosos.

Assim, vale a pena dar azo a duas atitudes indispensáveis aos bons navegantes em mar revolto e arriscoso.

A paciência de ouvir a todos, respeitando o ponto de vista de cada um, sem nada considerar em princípio estranho nem fora de propósito. O ponto de partida do consenso é o clima de abertura em que todas as ideias possam vir à tona e interesses divergentes se reconheçam legítimos.

Associada a essa postura preliminarmente democrática e mutuamente respeitosa, por a política no posto de comando: possibilitar que as ideias ocupem o lugar da arenga em torno de nomes, na perspectiva da peleja eleitoral que se tem em mira.

O fio condutor há que ser a política, a grande política, assentada em proposições que a um só tempo correspondam aos anseios e necessidades da população e sensibilizem os atores políticos em cena, no rumo da convergência.

Deixar que desavenças em torno de procedimentos, supostos equívocos de método e quejandos ocupem o centro das atenções é, e sempre foi, um equívoco. O Partido dos Trabalhadores em Pernambuco, por exemplo, de inegáveis contribuições ao processo democrático local e credor de muitas importantes realizações em favor da população, recorrentemente se perde em diferenças intestinas que jamais vieram a público na forma do confronto de ideias. Sempre e invariavelmente expõe desencontros quanto ao modo de proceder deste ou daquele líder, desta ou daquela tendência sem que seja dado a conhecer, ao observador externo, o conteúdo essencial das divergências.

A pouco mais de quinze dias do prazo legal para a realização das convenções partidárias, na capital e em inúmeros municípios os partidos que se agrupam na Frente Popular têm agora, diante de si, o desafio de aplainar diferenças, estabelecer com clareza propósitos, demarcar campos entre si, quando for o caso, e levar a bom termo o diálogo destinado a bem posicionar a coalizão governista e obter vitórias que reforcem o projeto político em curso no estado, ora sob a hegemonia do PSB, em benefício do principal interessado - o povo.

Natureza bélica do imperialismo

Vocação destrutiva
Eduardo Bomfim, em seu blog


Quando da iminência da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill, primeiro ministro inglês, concluiu que uma das causas responsáveis pelo surgimento do nazismo foram os pesados tributos de guerra decorrentes da Primeira Guerra Mundial cobrados à Alemanha derrotada.

Na realidade houve uma outra razão mais consistente que a reparação financeira que coube aos alemães pela responsabilidade do primeiro conflito militar em escala global da era moderna, foi a disputa do capital germânico pela hegemonia imperialista internacional cujas consequências redundaram nas duas carnificinas humanas nunca antes vistas.

Nos tempos atuais, promove-se uma sistemática lavagem cerebral exercida sobre os povos através de formidável complexo midiático hegemônico planetário a serviço do capital financeiro global, dos novos centuriões imperiais, os Estados Unidos, e potências menores, reeditando, sob novo cenário histórico, a fúria enlouquecida pelo lucro, responsável pelas duas grandes guerras mundiais.

Só que desta vez não existe uma contradição inter-imperialista determinante como antes mas a ação unilateral de um gigantesco império e seus satélites contra o resto da humanidade, construindo suas rotas de expansão, semeando guerras regionais, catástrofes lavadas em sangue, nomeando inimigos por todas as partes.

O poderio é de tal magnitude que enquanto o capital financeiro conduz a humanidade a uma brutal crise econômico-financeira, cuja bola da vez são as nações europeias subordinadas à estratégia recessiva alemã, os EUA cuidam de atear fogo no planeta e vão circundando militarmente as nações emergentes especialmente a China e a Rússia.

E em meio a um planeta marchando a passos largos para uma espécie de conflito militar global de novo tipo, o capital financeiro, os Estados Unidos, ainda submetem às nações uma agenda social global fragmentária, artificial e diversionista.

Mas também é verdade que vai se aprofundando o abismo entre os povos de um lado e o apetite insaciável desse capital global, além da repulsiva e ensandecida expansão imperial.

A vida vai demonstrando que a vocação para a "criação destrutiva" da nova ordem mundial aniquila as liberdades, produz a barbárie, esmaga os países, exigindo resistência para ser superada por outro tipo de civilização que assegure a soberania das nações, a emancipação social, os direitos dos cidadãos.

Presente e futuro do Planeta

Belo, frágil e violento
Aurélio Molina

Em meio à Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente, conhecida como Rio+20, muitas reflexões se fazem oportunas. Uma delas, ainda incipiente, é sobre as ditas “forças destruidoras” da natureza e de nosso planeta e que expõe a nossa vulnerabilidade.
 
Além dos três adjetivos do título, outros mais caberiam para descrever Gaia: dinâmica,

mutante, volátil, sensível, imprevisível, turbulenta e impiedosa. Nenhum é errôneo ou inadequado e são motivadores para aqueles que se preocupam com o fenômeno vida planetária, particularmente com a vida humana.

Stephens Hawking tem defendido que “se queremos preservar a humanidade temos

que investir na possibilidade de colonizar outros mundos”, empreitada nem um pouco trivial no atual desenvolvimento científico-tecnológico. Se por um lado quanto maior é o nosso entendimento sobre o nosso planeta, sistema solar, galáxia e universo, mais reverenciamos a beleza, a riqueza, a complexidade e a unidade entre o singular e o todo, por outro este mesmo conhecimento (que aumenta numa escala exponencial) nos traz inquietações, robustecendo-nos como espécie pensante e importante parte, consciente, responsável e protagonista do Holus.

Se aceitarmos que o humanismo contemporâneo é (como propugno) aquele onde o ser humano deixa de ser o centro das atenções e passa a ser o sujeito ciente de sua corresponsabilidade por tudo e por todos, deveríamos (neste século 21) ter uma prática consistente com o diagnóstico de que a fragilidade do planeta e de seu ecossistema não está baseada apenas nas danosas repercussões causadas pela atividade humana, mas também pode ser evidenciada nos riscos de explosões solares, tsunamis, furacões e atividades vulcânicas, colisões de placas tectônicas, quedas de asteroides (estima-se que 4.700 sejam potencialmente perigosos) e intensas mudanças climáticas.

Vale lembrar que esses fenômenos ocorrem com muito mais frequência do que imaginávamos e que não só parecem ter afetado outros planetas e sistemas como

já vitimaram a própria Terra em várias ocasiões, levando ao extermínio da imensa maioria das formas de vida que nela habitavam outrora (aliás, foi um deles, há cerca de 65 milhões de anos, que facilitou nossa atual hegemonia animal).

A tarefa não é corriqueira e talvez não seja prioritária para o aqui e agora de tantos

outros desafios do nosso cotidiano. Entretanto, se aceitarmos que os seres humanos possuem um papel relevante nesse admirável script conhecido como vida, ao lado de fundamentais intervenções que assegurem o equilíbrio e a sustentabilidade do ecossistema planetário, devemos começar a nos preocupar com o futuro e sobrevivência da espécie humana, que deve ser acompanhada de medidas concretas, como planos de evacuações para megatsunamis, construções resistentes a sismos e melhorias tecnológicas específicas.

Este tipo de preocupação já vem produzindo resultados, como o grande banco de sementes de Svalbard, os projetos Linear, Wiseeo Neowise (que já identificaram 170 asteroides de risco) e o ensino do plantio de alimentos, como está ocorrendo nas escolas públicas do Reino Unido.

No mínimo (essa reflexão sobre nossa vulnerabilidade) nos deixará menos arrogantes

e mais humanos, auxiliando a todos neste planeta a se relacionar mais como gente, e menos como coisa, construindo um mundo novo e uma humanidade nova, ajudando-nos também a degustar (com muito menos vaidade, egoísmo, assédios morais e com mais justiça e fraternidade) o prazer diário de estar presente naquilo que um dia Einstein denominou de milagre: “Existem duas maneiras de viver a vida. Uma é não acreditar em milagres. A outra é acreditar que tudo é um milagre”.
Auréllo Molina é Ph.D pela University of Leeds