30 agosto 2012

Salário mínimo em 2013 será R$ 670,95

. O Ministério do Planejamento fixou em R$ 670,95 o valor do salário mínimo a partir de janeiro de 2013. Essa é a proposta que o governo federal incluiu no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) enviado hoje (30) ao Congresso Nacional. O novo valor é 7,9% maior que os R$ 622 pagos atualmente. A informação é da Agência Brasil.
. A Ploa traz a previsão de gastos do governo para o próximo ano. O novo valor do mínimo passa a ser pago a partir de fevereiro, referente ao mês de janeiro. O reajuste inclui a variação de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 e a estimativa de que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) previsto para o ano de 5%.
. A estimativa do governo é que cada R$ 1 de avanço no mínimo gere despesas de R$ 308 milhões ao governo. Com isso, o aumento de R$ 48 concedido pelo governo causará impacto de cerca de R$ 15,1 bilhões aos cofres públicos.
. O INPC é o índice utilizado nas negociações salariais dos sindicatos e faz parte do acordo de evolução do salário mínimo fechado entre governo e centrais sindicais.

Confiança, sim; soberba jamais

Novas pesquisam rendem entusiasmo redobrado, porém vitória se conquista com luta até o último dia da campanha. Sem subestimar os concorrentes.

28 agosto 2012

Bilhete ao amigo Dilson Peixoto

Postei no Facebook:
Meu querido amigo e companheiro Dilson: não se preocupe. Nós nos conhecemos o suficiente para não nos perdermos em pendengas menores. Nossa amizade, que me autoriza a chama-lo de irmão – com convicção e carinho – é fruto de longa trajetória de luta comum, que jamais será interrompida em razão de divergências e disputas momentâneas. Em meu discurso, captado pela mídia, não fiz referência específica a você, nem ao fato de você ter postado aqui o citado vídeo. Até porque bem sei que você compreende como poucos a justa política de alianças que se expressa, entre outras atitudes consequentes, em não se recusar apoios. Afinal, vencemos com Lula 2 vezes, vencemos com Dilma, com João Paulo, assim como com Eduardo – com os quais governamos juntos – praticando esse gesto de largueza política. Portanto, você não tem motivo para me se desculpar. Nem você, nem eu, nem Geraldo, nem nossos companheiros Humberto e João Paulo devemos no eximir de expressar nossas opiniões com clareza e sinceridade na presente peleja eleitoral, ao cabo da qual – qualquer que seja o resultado – estaremos juntos, como juntos permanecemos ao lado de Dilma e de Eduardo, de cujos governos participamos, nós do PCdoB e vocês do PT. Receba um fraternal abraço do seu companheiro de sempre.

27 agosto 2012

Espírito democrático

Em tempos de intolerância política, lembremo-nos de Dom Helder Câmara: “Se tu diferes de mim, tu me enriqueces”.

26 agosto 2012

O poeta sabe das coisas

A sugestão de domingo é do poeta Vinícius: “Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale/Por um momento, que não me chame...”

História: 26 de agosto de 1999


Chega a Brasília a Marcha dos 100 mil pelo Brasil, liderada por partidos de esquerda, CUT, MST, UNE e incontáveis movimentos sociais. A participação supera a cifra que deu nome ao protesto. Nenhum incidente. Entrega à Câmara abaixo-assinado com 1,3 milhão de firmas, pedindo CPI sobre o papel de FHC na privatização das teles. (Vermelho www.vermelho.org.br)

25 agosto 2012

Ciência que revela e encanta

Ciência Hoje Online:
Primavera das morcegas
Em espécie que habita o Canadá, nascem quase duas vezes mais fêmeas durante o fim da estação no país. Apesar de ainda não entender os mecanismos pelos quais as mães selecionam o sexo do filhote, biólogo identifica vantagem evolutiva no fenômeno.
. Ao estudar uma população de animais, independentemente da espécie, um pesquisador encontrará aproximadamente a mesma quantidade de recém-nascidos machos e fêmeas. Certo?
. O biólogo Robert Barclay, da Universidade de Calgary, no Canadá, estudou morcegos da espécie Eptesicus fuscus durante 14 anos e, de fato, encontrou o que é comumente esperado quando olhou para o total de filhotes: a quantidade de machos e fêmeas era praticamente a mesma.
. No entanto, o cenário mudou quando o pesquisador voltou o seu olhar para a data de nascimento desses filhotes. Entre os morcegos nascidos no final da primavera canadense – mais especificamente entre 13 e 22 de junho –, o biólogo encontrou quase duas vezes mais fêmeas que machos – mais precisamente 60,3% dos filhotes eram do sexo feminino. Os resultados foram publicados em artigo na revista PloS One.
. Barclay propõe que tal disparidade sexual ocorre porque, nascendo nesse período, aumentam as chances de uma fêmea atingir a maturidade sexual e se reproduzir ainda no primeiro ano de vida. Ou seja, a mãe de uma fêmea que nasce cedo poderá ter netos mais rapidamente do que se ela tivesse dado à luz um macho, o que é uma vantagem evolutiva.
. Leia o texto na íntegra http://migre.me/aqTqg

Uma crônica de Rubem Braga

O pavão
Rubem Braga

 
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Sob os efeitos do tsunami internacional

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O Brasil e a crise global

A crise econômica internacional continua se aprofundando, ampliando o espectro de vítimas entre as nações, populações, trabalhadores, jovens, aposentados, levando a recessão aos quatro cantos do mundo tendo como olho do furacão os Estados Unidos e a Europa.

O Brasil apesar de não se encontrar em situação dramática também foi atingindo por esse furacão financeiro, cuja consequência mais exposta tem sido a sistemática redução do crescimento econômico do País e a decorrente diminuição do PIB nacional, o produto interno bruto, a soma das suas riquezas produzidas.

É verdade também que os males que afligem o potencial do crescimento nacional possuem outras variáveis além da crise capitalista global, encontram-se ainda no modelo adotado nos últimos anos baseado principalmente no forte incentivo ao consumo da população.


Essa política de emergência tem servido como contenção às sucessivas ondas recessivas da economia mundial, mas não vai resistir por muito tempo às investidas depressivas do cenário econômico internacional porque a capacidade de consumo da população tem limites e caminha para a saturação através do endividamento dos cidadãos.


Assim torna-se urgente ao País a adoção de políticas de crescimento através de fortes investimentos em infraestrutura de caráter estratégico como rodovias, portos, ferrovias, siderurgia, novas tecnologias nas áreas de produção dos setores público e privado etc. 


É fundamental um gigantesco esforço para a recuperação, renovação dos setores da saúde, educação, formação de mão de obra qualificada, prioridades em ciência e tecnologia, condições decisivas para um novo projeto nacional de desenvolvimento que possibilite ao País alcançar outro patamar entre as nações no novo milênio.

Quanto à crise mundial ela reflete entre outras coisas que o sistema financeiro internacional não pode mais manter incólumes os mecanismos de brutal especulação, concentração do capital em detrimento das esperanças e dignidade da maioria das nações e da humanidade.

Nem os Estados Unidos continuar impondo os desígnios imperiais através do seu complexo industrial militar, da emissão tresloucada do dólar para financiar ambições geopolíticas por territórios, riquezas estratégicas, intimidando a paz e os povos. O descontrole do capital global, os delírios imperiais dos EUA, são, em perspectiva, graves ameaças ao Brasil.

Dica de poeta

A dica de sábado é de Carlos Drummond de Andrade: “...as coisas findas,/muito mais que lindas,/essas ficarão.”

24 agosto 2012

História: 24 de agosto de 1954


Vargas se mata com tiro de revólver no peito, no Catete, Rio. O rádio irradia sua Carta-Testamento: "Esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém". Protesto espontâneo culpa os EUA pela morte, ataca sedes da UDN e da imprensa de direita. A explosão de revolta leva o Exército a ocupar as grandes cidades. (Vermelho www.vermelho.org.br).

Um artista de técnica apurada

Sonhos de Chagall
Plinio Palhano

 
O pintor Marc Chagall (1887–1985) teve, na cidade de Vitebsk, onde nasceu, a fonte durável para a criação de seus trabalhos. A memória do artista era repleta de passagens inesquecíveis daquele recanto da Rússia. Foi ali que descobriu seu talento e o amor por Bella, a primeira esposa, que o acompanhou a Petrogrado, a Berlim, a Paris e ao exílio nos EUA, quando fugia dos nazistas; era uma companheira produtiva e presente em muitas fases do artista. Os dois, judeus, mergulhavam na cultura judaica; ela, apegada aos rituais e às tradições, escrevia em iídiche e deixou um livro de memórias, que foi ilustrado pelo artista.

Na obra de Chagall, a terra natal e a Bíblia foram mescladas e representadas com técnica e grande imaginação.

“Sonhos, sou um sonhador. Herdei essa índole onírica de minha mãe...”, disse Chagall em carta às suas irmãs. Foram esses sonhos que o alimentaram durante os seus 97 anos de vida.

Na juventude, após ter explorado Vitebsk em pinturas e desenhos e formado uma base com as orientações do pintor Yori Pen, partiu para São Petersburgo, a fim de ampliar seus horizontes nos estudos de Belas-Artes, mas logo se decepcionou com os métodos encontrados. Foi lá que teve as primeiras notícias da modernidade e conhecimento de Gauguin, iniciando uma linguagem própria que o desenvolveu e o tornou o Chagall que vemos propagado na História.

Na Alemanha, Chagall encontrou, com maior consistência, o público e o mercado para adquirir suas obras, após ter passado uma fase de entusiasmo com os movimentos culturais pós-revolucionários de 1917, que, por motivos de divergências, o fariam se afastar da Rússia por pretender maior liberdade para elaborar o seu pensamento na arte.

Paris, na verdade, era a sua meta, o seu sonho. Ele encontrou a Escola de Paris e se tornou um dos seus membros mais importantes. Conviveu com Soutine, Modigliani, Matisse, Picasso, Derain, Vlaminck, o marchand Ambroise Vollard, os poetas Apollinaire e Blaise Cendrars, tendo este último se tornado seu amigo. Nesse momento em Paris, dizia de si próprio: “A única coisa que vale a pena é que mestres como Matisse reconheçam a sua existência. Um teste? Sim. Paris é o peso mais pesado que pode existir para um artista”.

Ao final da vida de Chagall, as suas obras, com as imagens flutuantes e leves, em cores puras e extremamente harmoniosas, eram disputadas pelos museus e colecionadores, na Europa e nos EUA, numa consagração absoluta no mundo da arte.

Entre a pirotecnia e a seriedade

Relações triangulares em debates televisivos
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online), no portal Vermelho e no portal Brasil 247

Não são debates livres nem oferecem aos contendores o tempo suficiente para bem arguir e defender suas opiniões e propostas de modo mais esclarecedor. Os debates na TV entre candidatos a prefeito, agora como antes, são uma espécie de arena que envolve conteúdo, porém principalmente jogo de cena. Mais do que a consistência do que se disse, o que fica é a impressão causada no telespectador.

Os formatos diferem em detalhes, não no essencial. A cena montada, como que para digladiadores e não postulantes a cargos de tamanha responsabilidade, obedece a razões de marketing midiático, ao padrão norte-americano.

Via de regra se estabelece uma relação triangular: entre o candidato e seus concorrentes, entre o candidato e o mediador e/ou repórteres escalados para arguí-lo e entre o candidato e o telespectador. Uma escolha há que ser feita: a quem interessa essencialmente falar?

A armadilha é atrair todos para uma mesma disputa – a que se dá no terreno do jogo de palavras, da maior ou menor capacidade de escapar de “pegadinhas” ou de responder com serenidade ou pavio curto a uma provocação desferida por um dos contendores. Cai na armadilha quem carece de discernimento – ou não tem propostas a sustentar com razão e consistência.

A melhor escolha é dirigir-se prioritariamente ao telespectador, diante de quem o candidato se coloca ao mirar a câmera diante de si. Aí vale muito menos impressionar ou satisfazer os demais candidatos, o mediador e/ou outros jornalistas participantes, e sim esclarecer e convencer quem está diante da telinha.

Nesse caso, engana-se quem apela tão somente para as aparências, ou faz disso seu principal trunfo. Exibir suposta “competência” mediante argumentos de autoridade e mesmo uso e abuso de expressões pretensiosas tem certamente efeito negativo. Mais ainda se ainda se tenta menosprezar ou desqualificar o adversário.

Trata-se de um pleito municipal. Embora se saiba que nenhuma cidade, mesmo uma corruptela interiorana, não está a salvo de injunções de natureza federal e estadual, o foco está nos problemas do município, suas potencialidades, seus desafios. Importa sobretudo apresentar alternativas ao desenvolvimento local em bases progressistas e sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico, como social e ambiental. Isto de modo claro e compreensível, além de responsável e factível.

A pirotecnia em todos os casos tem fôlego curto. Diferentemente, a consistência, o respeito aos adversários e, mais do que tudo, o cuidado em apresentar ideias e propostas com argumentação sólida e palatável bem que ajuda o candidato na sua busca de votos.

No pleito do Recife, os debates tendem a ser reveladores. Levará vantagem a simplicidade, a competência comprovada e o comportamento correto, livre de artimanhas e exibicionismos.

Bom dia, Florbela Espanca

Languidez

Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas,
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes de Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

23 agosto 2012

A cidade e o país no programa eleitoral

Editorial do Vermelho www.vermelho.org.br:
O horário eleitoral gratuito

A campanha eleitoral entra hoje (21) em sua fase decisiva: a propaganda das ideias e projetos através do horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. Este tem sido, tradicionalmente, um importante espaço de interlocução entre os candidatos e o eleitorado, embora setores conservadores tentem desqualificá-lo alegando um inexistente desinteresse do povo pela política. Na verdade, gostariam de eliminar ou minimizar a comunicação democrática que ajuda a fomentar, no meio do povo, o confronto de opiniões e o debate político.

As campanhas eleitorais têm sempre características próprias. Quando se trata de eleições gerais, envolvendo cargos de presidente, governador, deputados federais e senadores, o debate das grandes questões nacionais é mais nítido. No caso das eleições municipais, como as que vão ocorrer em outubro próximo, a tentação para paroquializar a disputa é grande, e atende justamente aos interesses conservadores. Este é um ponto que merece a atenção dos candidatos democráticos e ligados ao povo: a eleição envolve sobretudo a proposta de soluções para os graves problemas que os municípios enfrentam. Mas não é só.

É no município que começa a luta pela humanização das cidades e também da vida. É nele que a luta pela democratização do país anda de braços dados com o combate à miséria, pela justiça social, pela universalização de direitos econômicos e sociais, pela reforma urbana, etc.

Mas a eleição municipal envolve também as grandes questões nacionais. Ao escolher a cidade que quer para o presente e o futuro o eleitor aponta também para o país que deseja construir. Neste sentido, embora os problemas debatidos numa disputa para prefeitos e vereadores sejam de âmbito local, eles não podem ser dissociados do enfrentamento dos problemas mais gerais do país.

No programa dos partidos e coalizões para enfrentar os problemas locais as grandes propostas nacionais ganham corpo na forma das soluções concretas a serem equacionadas. É no município que o conjunto das reformas estruturais democráticas pleiteadas para o país se torna visível e concreto.

Neste sentido, a propaganda eleitoral para prefeitos e vereadores não pode jamais abstrair as grandes questões nacionais. A eleição de 2012 é um passo importante da disputa que virá a seguir, em 2014, quando estará em jogo a sucessão da presidenta Dilma Rousseff e a continuidade do programa de mudanças democráticas e progressistas iniciado no primeiro mandato do presidente Lula, desde 2003, e que precisa prosseguir para consolidar as alterações que o país vive e aprofundar a derrota política das forças conservadoras e reacionárias.

Mais uma vez, agora em escala municipal, é preciso derrotar estas forças que representam um obstáculo para o desenvolvimento e a democratização do Brasil. A vitória sobre elas pressupõe a formulação de programas que reúnam ideias avançadas e progressistas com as propostas concretas que o povo de cada município exige.

20 agosto 2012

Fora da realidade

Transformar o pleito no Recife num confronto entre Eduardo x Lula além de artificial não encontra aderência no eleitorado. Pura bobagem.

19 agosto 2012

Um projeto meu em defesa do consumidor

Projeto de Luciano cria normas para comércio na internet

O deputado Luciano Siqueira (PCdoB) encaminhou à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (16), projeto de lei que amplia os mecanismos de defesa dos direitos dos usuários do comércio eletrônico de vendas coletivas.

O PL determina que as empresas que exploram esses serviços na internet, em todo o Estado de Pernambuco, mantenham serviço telefônico gratuito de atendimento ao consumidor, bem como que o endereço da sede física conste na página eletrônica da empresa. Ele também normatiza a apresentação de ofertas por parte do site de vendas coletivas.

“A abrangência alcançada pela oferta de bens e serviços pela web é incomensurável, atingindo, de forma difusa, diversas pessoas em locais diferentes numa simultaneidade e velocidade que potencializam a geração de danos. Portanto, a regulação desta modalidade de compras é uma necessidade imperiosa para minimizar os danos ao consumidor”, destaca Luciano.

Normas para as ofertas

Segundo o PL apresentado pelo parlamentar comunista, a empresa deverá informar em sua página eletrônica a quantidade mínima de compradores para a liberação da oferta; o prazo para a utilização da oferta por parte do comprador, que deverá ser de, no mínimo, 03 (três) meses e o endereço e telefone da empresa responsável pela oferta.

O projeto estabelece ainda que, no caso de alimentos, deverá constar no anúncio da oferta informações sobre eventuais complicações alérgicas e outras complicações que o produto pode causar. Quando se tratar de oferta de tratamentos estéticos ou assemelhados deverá constar no anúncio as contra indicações para sua utilização.

O projeto determina também que o site de vendas coletivas informe a quantidade de clientes que serão atendidos por dia e a forma de agendamento para a utilização da oferta por parte dos compradores; a quantidade máxima de cupons que poderão ser adquiridos por cliente, bem como o período do ano, os dias de semana e horários em que o cupom da oferta poderá ser utilizado.

Caso o número mínimo de participantes para a liberação da oferta não seja atingido, a devolução dos valores pagos deverá ser realizada até 72 (setenta e duas) horas. O PL determina ainda que as informações sobre ofertas e promoções somente poderão ser enviadas a clientes pré-cadastrados no sítio, que deverão autorizar o recebimento das informações em sua conta de correio eletrônico.
Da Redação do site.

Domingo é dia de conto: Carol Bradley

Tatuagem
Carol Bradley

Do site Um conto por dia http://migre.me/alCNW   

Casou aos dezoito anos com o primeiro namorado. Horácio era filho do Coronel Dutra, maior fazendeiro da região. Teve cinco filhos, todos homens. Nunca trabalhou fora, o marido não deixava. Mulher de respeito cuida da casa e das crianças, repetia sempre. Participava das atividades da Igreja. Novena, quermesse, bazar. Era beata de padre Geraldo. Mas, queria mesmo ter sido bailarina. Aos sete anos viajou com os pais para o Rio de Janeiro. Assistiu O Lago dos Cisnes. Um sonho que parecia realidade.

No aniversário pediu uma sapatilha de presente, ganhou uma boneca. É para você ir treinando, dizia o pai. Eu quero aprender balé. A mãe arrumou uma professora de corte e costura. No dia do casamento, o pai passou o cabresto para o genro. Só mudou o endereço da cela. Gostava de ler sobre a vida dos artistas. Seria colega deles, se fosse bailarina. Aos sessenta e dois anos ficou viúva. O coração do marido cansou de bater. Abriram a gaiola e ela não sabia para onde voar. Decidiu ficar com o filho em São Paulo. Decidiu também fazer uma tatuagem, como a sobrinha, Daniela. A menina tinha uma flor nas costas e um sol no braço. Dani conhecia o tatuador, pediu para levá-la até lá.

-  A senhora? Tem certeza, tia?

-  Claro, tenho sim.

Chegaram na sala de Carlão, às três da tarde.

-   Venha, Dani, pode entrar.

-   Dessa vez não sou eu Carlão, é minha tia…

Ele mostrou vários desenhos. Ela gostou de umas letras orientais. Eu quero essa daqui. Esticou a pele da barriga.

- Você sabe o que significa? Perguntou, Carlão.

- Para mim, liberdade.

Obs. Inspirado em Eddie

A batalha em nível elevado

Campanha eleitoral em Ponte Nova
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha e no portal Vermelho

Não é apenas eleição para vereador e prefeito: todo tipo de disputa em Ponte Nova é assim – democrática e acirrada, porém tranquila e mutuamente respeitosa. E olhe que confronto não falta: no futebol, no dominó, na escolha da Rainha do Milho e do Rei Momo e Rainha do carnaval, sindicatos e associações, agremiações carnavalescas, grêmios literários e estudantis, pôquer e até no jogo de petecas. Juiz só para tirar dúvidas, que nem tem a intenção de trapacear.

“Os de dedos da mão não são iguais” – por isso, divergências surgem e têm que ser resolvidas no voto ou no par ou impar. Mas sempre numa boa.

Agora é campanha eleitoral. Cada candidato com a sua coligação e cada um se virando como pode para fazer chegar até o eleitorado suas propostas. Isso mesmo: propostas, melhor dizendo, programas de governo dos pretendentes a prefeito e plataformas dos postulantes ao mandato de vereador.

O bate boca estéril em torno de meras perfumarias, os futricas, de há muito deixou de existir por pura exaustão de um eleitorado cada vez mais exigente.

Outra que não cabe em Ponte Nova: candidato A ou candidato B pode dizer à vontade se apoia o governador ou a presidenta da República, que seus adversários nem se incomodam – porque é a pura verdade – nem sequer pensam em recorrer ao TER para proibir que o concorrente se assuma politicamente, nesse aspecto. Nem de longe se acusa, por isso, o adversário de praticar o estelionato eleitoral.

A resultante de tudo isso é a escolha livre e conscienciosa por parte do eleitor, que presta muita atenção á história pregressa e aos atributos dos candidatos, porém valoriza mais ainda suas ideias e propostas. E ai daquele que tergiverse brandindo promessas vãs: vão para último lugar da fila em intenções de voto. Por outro lado, ponto para os que dizem o que pretendem fazer, por que, onde, quando, como e com que recursos e de que modo pretendem obter esses recursos – pois assim as propostas ganham concretude e passam pelo crivo da viabilidade.

Outra que em Ponte Nova é assimilada pelo eleitor: a capacidade de cada candidato formar alianças amplas e diversificadas. Isto é visto como sinal de competência e largueza política, jamais como somatório de intenções meramente oportunistas. Se “os dedos das mãos nãos são iguais”, raciocina o eleitor, e ninguém se pretende dono da verdade, vale muito a capacidade de unir respeitando as diferenças; superar divergências passadas e idiossincrasias, em nome do bem comum e do progresso da cidade.

E tem mais: aos eleitos cabe o cumprimento dos compromissos assumidos, sob pena de uma condenação coletiva em regra, pois em Ponte Nova a palavra empenhada é levada a sério.

Uma crônica minha no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Sabe com quem está falando?
Luciano Siqueira
Íamos entrando, com Luci e os companheiros sergipanos Ana e Bosco Rolemberg na antiga Livraria Síntese, no Recife, quando o cidadão de estatura mediana, corpo roliço, calvície pronunciada e raros cabelos grisalhos, óculos discretos, nos aborda:
- Siqueira, tá lembrado de mim? Diga meu nome...
- Ih, rapaz, vá desculpando, seu nome...
- Não sabe meu nome!?
- Não é bem assim, a memória é que está falhando...
- Pois entre, faça sua compra, que vou ficar esperando pra ver se você lembra.
Era o “Mês do autor pernambucano”, com muitos títulos interessantes, da Bagaço, da Massangana, da Editora da UFPE. Gilvan Lemos, Raimundo Carrero, Gilberto Freyre, Amaro Quintas, Manoel Correia de Andrade, Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira. Óbvio que minha atenção se concentrou nos livros, esquecendo por completo o cidadão que nos cobrava a lembrança do seu nome. Ao passar no caixa e me dirigir à porta de saída, lá estava o dito cujo a insistir:
- E aí, lembrou?
- Rapaz, desculpe, não teve jeito de lembrar, você sabe, vendo os livros... Como é o seu nome mesmo?
- Isso é um absurdo! Você não reconhecer um eleitor seu, não admito. Pois não vou dizer o meu nome! – E saiu visivelmente contrariado.
Escapou para sempre. Jamais o vi. O pior é que relembrando muitas vezes o inusitado diálogo, nunca me veio à memória exatamente de quem se tratava. Não tem jeito mesmo.
Hoje, passado o tempo e diante de novas tarefas públicas, natural o contato com muita gente. E que esteja sujeito a situações embaraçosas como aquela. Sobretudo para quem tem boa memória para fatos, idéias, circunstâncias – mas sempre teve dificuldade em fixar números, datas e, a partir de um primeiro e breve contato, nomes.
Agora, não há porque esconder. Tem duas coisas que me embaraçam e me angustiam. Uma, é quando no melhor de uma festa alguém vai ao microfone e interrompe a música e a dança para que o “nosso companheiro possa dirigir uma mensagem a vocês”. A gente fica com cara de desmancha prazer. Diz qualquer coisa e quase sai correndo.
A outra é quando gente como aquele nosso indigitado eleitor nos aborda:
“Tá lembrado de mim? Diga de onde?”

Amor e arte

A sugestão de domingo é da amiga Lia nas palavras de Cecília Meireles: “A arte de amar é a mesma de ser poeta.”

Questão ambiental: o joio e o trigo

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Grandes desafios


Entre os mais difundidos discursos da atualidade, através da grande mídia hegemônica internacional, encontra-se sem dúvida o movimento ambientalista fundamentalista propagando aos quatros ventos o preconceito da antropofobia, verdadeira aversão às sociedades e à espécie humana.

Partindo de um tema auto-justificável e generoso essa corrente política ideológica divulga um verdadeiro pavor ao progresso humano, ao desenvolvimento econômico e social das nações, especialmente aquelas em vias de desenvolvimento como é o caso do Brasil.

Não foi por acaso que a ex-senadora Marina Silva recebeu alta homenagem durante a abertura dos jogos olímpicos de Londres. A casa real britânica e os Estados Unidos têm sido os grandes divulgadores midiáticos, ideológicos, financeiros, dessa cruzada contra os Países de crescimento histórico retardado especialmente os BRICS, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

Imbuídos de típica atitude colonialista, EUA e Grã Bretanha consideram que não há mais espaços para o desenvolvimento econômico, aumento da qualidade de vida, usufruto das conquistas científicas, tecnológicas para a humanidade. Essas devem se restringir ao que já está consolidado entre as sociedades do primeiro mundo.

Mas as grandes dívidas ambientais do Brasil possuem origem inicial nas desigualdades sociais agudas como é o caso, por exemplo, de Maceió que viu crescer em poucas décadas mais de 300 favelas na periferia, assim como na maioria das cidades do País, onde se encontram indivíduos sobrevivendo de atividades irregulares.

Essas favelas são erguidas em áreas ambientais frágeis, no caso de Maceió principalmente em grotas e encostas típicas da geomorfologia da cidade por onde correm os rios em direção ao oceano, combinando habitações miseráveis, esgotos a céu aberto, intensa degradação ambiental onde vive a maioria da população da capital, desprovida de condições fundamentais ao gozo da cidadania.

As nossas urgências ambientais se encontram associadas às questões elementares ao direito de uma vida digna, ainda ausente para as grandes maiorias, apesar do crescimento econômico dos últimos anos.

Atravessamos a fronteira do novo milênio com os pressupostos tecnológicos de uma sociedade contemporânea mas carregando males de injustiças sociais seculares e o grande desafio será modificar essa realidade que limita o desenvolvimento, constrange a nação.

12 agosto 2012

Tudo por causa de um girassol

Quem pode ajudar Dona Maria a encontrar Cida? Tudo por causa de um girassol http://twixar.com/QpI

Filhas fantásticas

É algo muito pessoal, mas permitam-me a confissão: ser pai de duas mulheres maravilhosas – Neguinha e Tuca - é muita felicidade!

Nossa força, nossa voz

No Vermelho:
UNE: 75 anos de luta pela educação
A União Nacional dos Estudantes (UNE) comemora nesse sábado (11) 75 anos de lutas. A cerimônia de aniversário nesse sábado (11) tem como principal marca o lançamento da pedra fundamental de sua sede na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, demolida em 1980 no governo do ditador João Baptista Figueiredo.
. O atual presidente, Daniel Iliescu, falou à Caros Amigos da história, das lutas e conquistas atuais e do que significa a retomada do espaço tradicional, palco de efervescência política e cultural e do surgimento de grandes artistas e movimentos.
. Caros Amigos: É possível traçar algum paralelo entre a UNE de outros tempos, como nos anos 1960, em termos de representatividade e peso político?
. Daniel Iliescu: Sim. Primeiramente, antes do paralelo com a geração dos anos 1960, acho que convém dizer que a UNE tem um significado de expressão não só dos estudantes, mas de alguma forma da juventude brasileiro; em vários momentos dessa história de 75 anos foi de muita integridade, de muita efervescência e conseguiu influenciar o debate político do país. Então, acho que o primeiro paralelo a se fazer, não só com a geração dos anos 1960, mas de várias gerações de jovens que ajudaram a construir essa entidade, que fez com que a UNE tivesse esse peso político, simbólico, cultural que tem é essa característica de pautar o debate nacional sempre com uma perspectiva ousada, jovem. Com a geração dos anos 1960 em especial, o mundo é muito diferente, o Brasil é muito diferente. Naquele momento havia um polarização entre socialismo e capitalismo, Guerra Fria, e o Brasil vivia no início da década de 1960 muito virtuoso, de muita efervescência política e cultural no Brasil, impulsionado pelo governo João Goulart, o Cinema Novo, enfim, várias expressões culturais e políticas que moldavam aquela geração, mas que foi violentada com o golpe civil-militar, respaldado por parte da sociedade, que podou as possibilidades que essa geração tinha, não só a geração que estava na UNE ou no movimento estudantil, mas uma geração que estava à frente do país através da cultura, da política, da educação, pensando em desenvolver o país. E talvez o mais difícil saldo da ditadura, além dos desaparecidos, dos mortos, das vidas humanas, foi ter alijado uma geração da possibilidade de ter ajudado o país naquele momento.

. Em termos de representatividade, de atuação política, normalmente a gente se vê pautado por uma opinião que eu acho que é uma armadilha, conservadora, de subestimar as nossas gerações atuais e deixam a entender que nossa geração deixa a dever para outras gerações, como a dos anos 1960, muito obstinada, combativa, muito generosa, que doou a própria vida. Porque em primeiro lugar àquela altura, 1%o dos brasileiros jovens entre 18 e 24 anos era universitário. A UNE tinha o 'Auto dos 99', produção do Centro Popular de Cultura (de autoria de Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa, Carlos Estevam Martins, Cecil Thiré e Marco Aurélio Garcia), que fazia referência aos 99% que estavam fora da universidade. Hoje, a gente ainda tem um índice muito pequeno perto da necessidade do país, mas muito maios do que a gente tinha, de 14%, são seis milhões de pessoas e cujo perfil social é mais popular, porque se teve uma ampliação do acesso e em muito se dá pela inclusão de trabalhadores, de renda mais baixa.
. No último congresso, a gente chegou a 97% das universidades do país, o que dá uma dimensão da capilaridade que esse movimento tem. Não há outra entidade da sociedade brasileira que sejam tão antigas e que ao mesmo tempo sejam tão atuais, tão jovens. Esse que é o principal patrimônio da UNE, a capacidade de renovação e essa vida que é capilarizada, você chega em cada lugarzinho do Brasil que eu pude visitar, tem uma galera disposta a, entre aspas, 'matar ou morrer', que entende a UNE, que entendem que têm que participar da nossa luta cotidiana hoje. Então, a gente tem avançado em representatividade, em alcance, até porque a vida do país hoje é mais democrática e tem melhores condições para fazer isso.

. Leia a entrevista na íntegra  http://twixar.com/103

Bom dia, Chico de Assis

O torturado

Nos olhos de medo
desfilam os amigos.
A História à espreita
num vão de janela.

Minha mente passeia
sobre grutas companheiras
que induzem à confiança.
 
Mas o meu corpo é um verme
sem muletas e habita
regiões desconhecidas
donde a humanidade foi repelida.
 
Tento inutilmente
alcançar a harmonia
das formas ou a ordem
cósmica das coisas.
 
Tudo se tece
em horas de coragem
lúcida ou se abate
num desespero/minuto.
 
A dor guarnece os limites
da cidade heroica
com os subúrbios da vilania.

Ciência e arte na política

Entre a ousadia e o voluntarismo
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho

O materialismo histórico, fundado por Marx e Engels, que teve no “18 Brumário de Luis Bonaparte” o primeiro exemplo de aplicação à análise de uma conjuntura política determinada; e a abordagem dialética da relação entre condições objetivas e fatores subjetivos, exercitada por Lênin na Revolução Russa de 1917, podem e devem inspirar os comunistas no exame da situação concreta de cada município e na formulação da alternativa tática adequada aos objetivos estratégicos do Partido.

Ditas assim essas assertivas parecem óbvias como referências teóricas próprias de um partido revolucionário. Porém significam mais do que isso, uma vez que um conjunto de variáveis concorre na atualidade para que os comunistas encarem com mais ousadia as eleições municipais.

Complicado? Nem tanto. A referência ao “18 Brumário” vem a propósito da complexidade de conjunturas locais, em diversos municípios importantes do ponto de vista geopolítico, em que importa ir além das aparências e dos fatos imediatos e descer à profundidade dos conflitos e das motivações das forças políticas em presença. Os homens não agem apenas de acordo com o seu desejo subjetivo, mas conforme o entrechoque dos interesses de classe no qual objetivamente estão inseridos, ensina Marx na obra citada.

Já o manejo dialético da relação entre condições objetivas maduras para determinada empreitada e os fatores subjetivos que sobre ela atuam ou podem atuar - destacando-se aí o papel do partido de vanguarda suficientemente sagaz e hábil para unir forças e mobilizá-las em torno de objetivos comuns -, de que Lênin foi mestre inconteste, cabe também como indicação. Na velha Rússia predominantemente agrária e culturalmente atrasada, a vanguarda bolchevique soube explorar competentemente a situação revolucionária parida pela II Guerra e ousou constituir o poder socialista não obstante a existência de forças produtivas e de relações de produção capitalistas incipientes.

Em outras palavras: quando uma corrente política deslinda com exatidão o quadro real de forças e as possibilidades de avançar e se mostra capaz de manobrar taticamente com habilidade e firmeza, pode alcançar conquistas além da sua força real. E, a partir das posições conquistadas, fortalecer-se de modo a responder aos novos desafios daí decorrentes.

A ousadia, nesse caso, nada tem a ver com o voluntarismo dissociado da realidade concreta, cego e inconsequente.

Ciência brasileira

Ciência Hoje Online:
Cenas da vida minúscula
Fruto de dez anos de trabalho, novo livro sobre insetos traz informações atualizadas de espécies que ocorrem no Brasil e deverá incentivar pesquisas na área de entomologia.
. Após 40 anos sem um material de referência atualizado, estudantes e pesquisadores brasileiros de entomologia ganharam um novo tratado sobre os animais da classe Insecta que ocorrem em território nacional. Lançado recentemente, Insetos do Brasil: diversidade e taxonomia serve de apoio à pesquisa e à formação de zoólogos, agrônomos e engenheiros florestais. Leigos interessados também podem tirar proveito da obra.
Participaram de sua elaboração 71 pesquisadores, coordenados pelo entomólogo José Albertino Rafael, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. O resultado do trabalho, que levou dez anos para ser concluído, são mais de 800 páginas de texto e cerca de 1,7 mil imagens, entre gráficos, ilustrações e fotos. Ao longo de 43 capítulos, todas as 30 ordens de insetos que ocorrem no Brasil são abordadas.
. O entomólogo do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Gabriel Augusto Rodrigues de Melo, um dos editores de Insetos do Brasil, explica que o principal propósito do trabalho é atualizar informações sobre a classe e propor chaves de identificação de espécies em nível de ordem, família e algumas subfamílias.
. Até agora o único material de referência para estudantes e pesquisadores brasileiros da área era o livro quase homônimo Insetos do Brasil, do médico e entomologista Angelo Moreira da Costa Lima (1887-1964). A obra, publicada em 12 volumes, entre 1938 e 1962, foi considerada de grande importância para o estudo de insetos, mas com o passar dos anos ficou obsoleta.
. Segundo Gabriel Melo, outras publicações nacionais sobre a classe Insecta se limitam a poucos grupos desses animais ou focalizam o aspecto aplicado da entomologia. “A alternativa que restava era recorrer a trabalhos estrangeiros, que, na maioria das vezes, tratam de uma fauna diferente da nossa”, afirma.
. Leia a matéria na íntegra http://twixar.com/2EW

Enio vê o péssimo serviço da empresas de telefonia móvel

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Uma crônica da África

Catabil sobre o Índico
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais

Faz um calor quase insuportável no Rio de Janeiro, 39,9 graus, naquela tarde de 31 de janeiro de 1951. O presidente Getúlio Vargas acabara de tomar posse. Após o juramento formal dirige-se às escadarias do Palácio do Catete e pronuncia emocionado discurso diante da multidão que o consagra.

– Não semearei ilusões nem farei prodígios, afirma.

Nossa atenção, concentrada naqueles lances iniciais de um novo momento histórico, de repente é desviada pelo sacolejo abrupto do turboélice da Air Link que nos transporta de Durban, na África do Sul, para Maputo, capital de Moçambique, em cumprimento de missão oficial. Parece catabil em estrada esburacada. Demorado. Persistente. Capaz de inquietar a quem muito viaja e jamais teve receio de avião. No assento ao lado, Roberto Trevas, coordenador de relações internacionais da Prefeitura do Recife, outro veterano de viagens aéreas, também se deixa perturbar. Pelas janelas minúsculas contemplamos a imensidão do Índico: nós e o mar, imenso mar a perder de vista – e o catabil prossegue perturbador.

Cintos ajustados, um olho na linha do horizonte e o outro nas coisas que teimam em balançar dentro do avião. À nossa frente, quase ajoelhada, imperturbável, a única aeromoça a serviço dos poucos passageiros – morena-jambo de olhos cor-de-mel e alvo sorriso, cabelos negros lisos como os de uma índia -, equilibra-se como pode e enfileira caixinhas de suco artificial, sanduíches, latas de refrigerante e outras coisinhas do precário serviço de bordo.

- Esse sorriso nos tranquiliza. E inspira uma crônica.

- Muito bonita, é verdade – concorda Roberto Trevas.

- Parece de origem indiana.

- Ou paquistanesa.

- Qual será o nome dela?

- What’s your name? – pergunta Trevas com o seu impecável inglês de sotaque paraibano. E completa: - Meu amigo aqui é um escritor brasileiro e deseja fazer uma crônica de que você será personagem. Precisa saber o seu nome.

Sempre sorrindo ela pronuncia algo que não compreendemos. Depois escreve numa folha de papel: Loganie. E, apesar do balouçar irritante da aeronave, move-se com habilidade e a todos serve com graça e presteza.

Vergonha ficar assim abalado quando nossa fada-madrinha sul-africana faz o seu trabalho como se nada de anormal houvesse. O sanduíche é sem gosto, o suco tem sabor estranho (de maçã) e o pensamento voa. Afinal, Vargas vai iniciar o governo com o apoio de apenas um terço da Câmara dos Deputados. Feito o primeiro governo Lula. Tem amplo apoio popular, como Lula, mas a direita oposicionista, comandada pela velha UDN, que nem o PSDB de hoje, o bombardeia com acusações de todos os tipos. Tenta desmoralizar o presidente, acusando-o de conivente com corruptos – embora nenhuma evidência haja de que tenha acobertado um ato ilícito sequer. Mais turbulência – novamente o catabil sobre o oceano. Mas é preciso manter a serenidade – e até sorrir, como Loganie, que se desdobra em gentilezas talvez acreditando que esse amigo de vocês seja mesmo um escritor. Que pense assim, não faz mal. Coisas da vida. E da política. Mal-entendidos e turbulências que devem ser enfrentadas com paciência e leveza.

E assim vamos até Maputo, sob a proteção daquele sorriso apaziguador, que nos dá tranquilidade para voltar à leitura de Quem matou Vargas – 1954, uma tragédia brasileira, de Carlos Heitor Cony (Editora Planeta, 2007). E já em terra firme escrever essa quase-crônica.