31 maio 2013

Desemprego explode na Zona do Euro

A taxa de desemprego da zona do euro subiu para 12,2% em abril, novo nível recorde de alta, depois de se situar em 12,1% um mês antes. Na União Europeia, a taxa permaneceu em 11%. Em abril do ano passado, esses percentuais eram 11,2% e 10,3%, respectivamente, informa o Valor Econômico.

A agência de estatística Eurostat estima que 26,588 milhões de pessoas estavam sem emprego no bloco europeu em abril, sendo 19,375 milhões nessa condição na zona do euro.

Em relação a março, o número de desempregados subiu em 104 mil na União Europeia e em 95 mil na zona do euro. No confronto com abril de 2012, houve aumento de 1,673 milhão e 1,644 milhão de pessoas, na mesma ordem.

Entre os Estados-membros, os níveis de desemprego mais baixo ficaram com Áustria (4,9%), Alemanha (5,4%) e Luxemburgo (5,6%). Em contrapartida, Grécia, Espanha e Portugal tiveram as taxas mais elevadas, de 27% (fevereiro), 26,8% e 17,8%, respectivamente.

A arte da fotografia

Sebastião Salgado

Chico de Assis: “Anistia: Uma Reinterpretação – A Bem da Verdade e da Justiça”.

Vou direto ao ponto: a anistia aprovada pelo Congresso Nacional, a 21 de agosto de 1979, e promulgada pelo então ditador de plantão João Batista Figueiredo, a 28 de agosto do mesmo ano, foi parcial, excludente, restrita e até certo ponto mesquinha. Qualquer outra classificação é produto de uma interpretação capciosa, que deu à expressão “crime conexo” – contida no artigo 1º da Lei sancionada e explicitada no parágrafo 1º deste artigo – uma extensão capaz de contemplar todos os crimes cometidos no período de 1961/1979, inclusive os tidos historicamente como imprescritíveis e não anistiáveis. http://goo.gl/F4GZ9

O avesso da realidade

Visão distorcida: um exemplo
Luciano Siqueira

Publicado no Jornal da Besta Fubana

Importa mais a versão do que o fato. Assim se firmou a sentença atribuída a políticos mineiros, hoje em voga no noticiário. Quando a tarefa é botar gosto ruim em tudo o que acontece aqui – da economia aos preparativos para grandes eventos esportivos -, a parcialidade emerge com força. Aqui e alhures.

É o que dá conta artigo publicado na Carta Capital, em contraponto a afirmações precipitadas e nada consistentes de certos órgãos da mídia estrangeira sobre indicadores da economia brasileira. O texto da revista brasileira assinala que no exato instante em que o editorial de importante publicação financeira europeia afirmava ter diminuído o interesse do capital estrangeiro em participar do desenvolvimento brasileiro, a realidade concreta revelava o contrário.

O êxito da 11ª licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás, efetuada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), ensejando ao Tesouro aporte de 2,8 bilhões de reais em bônus de assinatura relativos aos 142 blocos licitados em uma área de 100 mil quilômetros quadrados; a operação que captou 11,4 bilhões de reais de investidores, no maior IPO do mercado internacional no último semestre, correspondente às ações do Banco do Brasil no lançamento mundial da abertura do capital do BB Seguridade; o lançamento no exterior de Bônus da República que captou 750 milhões de dólares com vencimento em 2023 e taxa de risco pela primeira vez abaixo dos 100 pontos-base em relação ao título de dez anos do Tesouro americano; e a captação pela Petrobras, em tempo recorde (em um dia apenas), de 11 bilhões de dólares no mercado da dívida internacional, “a maior realizada por uma empresa de país emergente em qualquer tempo” – são exemplos anotados na contramão do que se escreveu lá fora.

Aqui não se discute (no espaço deste breve artigo) prós e contras dessas novas inversões de capital estrangeiro em nossa economia, que merecem ser examinadas através de crivo rigoroso. Nem todo investimento externo é saudável.

Mas vale anotar o mal que faz a quem procura entender o que se passa em nossa economia a difusão distorcida de informações. Não serve a ninguém, inclusive aos que pretensamente aspiram a derrocada econômica do Brasil nessa fase pré-eleitoral, que precisam apoiar suas análises em dados verdadeiros – sob pena de conclusões que os levem a formular estratégias precárias, destinadas ao fracasso.
Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr

Aliviando o Imposto de Renda

A isenção de Imposto de Renda (IR) trabalhadores que receberem até R$ 6 mil a título de participação nos lucros (PLR), aprovada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, agora dependendo apenas da sanção presidencial é uma medida justa. Estabelece uma tabela progressiva de tributação a título de PLR até o valor de R$ 15 mil. Entre R$ 6 mil e R$ 9 mil, o percentual a ser aplicado será de 7,5%; de R$ 9 mil a R$ 12 mil, de 15%; de R$ 12 mil a R$ 15 mil, de 22,5%; e acima deste valor, a alíquota será de 27,5%.

Muito chão pela frente

Nas hostes das oposições, muita impaciência em busca de um discurso que una a direita e fragmentos do centro e possa sensibilizar a população.

A palavra instigante de Jomard

POESIA tem NOME ou FOME?
Jomard Muniz de Britto, jmb

 
Ninguém sabe quem seja esta senhora ou
senhorinha tão fogosa e fulgurante.

Ninguém sabe o que ela quer de nós.
Fêmea tão Safo e Surfistinha. Quem?
Entrelugares da sensualidade. Quando?
Ninguém decifra seus enigmas e paradoxos.
Mas alguém consegue ser cúmplice
dessa intérprete mais Pandora.
Porque busca teorizar seus repentes.
Cordelista dos sertões aos maremotos.
Ninguém traduz condições de possibilidade
de sua eterna e carente modernidade.
Além dos modernismos de outrora no agora.
Seria o pós-tudo de nós, contemporâneos?
Ela se pergunta e não ousamos replicá-la.
Ninguém é de ninguém, mesmo dela.
Descompasso de cânones.
Desatino dos fundamentalistas.
Desmanche de tardios romantismos.
Alguém imagina moça tão abusada,
mal comportada em qualquer Academia?
Ela continua preferindo a memória das
pedras, arrecifes e buracos do mundo
transfigurados por Iezu Kaeru.
Ninguém reinventou seus nomadismos.
Arrebentando torturas inimagináveis.
Outros interpenetraram seus cortes
ais do que epistemológicos. E cruéis.
Ninguém viajou no azul quanto ela
perseguindo Carlos Pena Filho.
Alguém experimentou a mais grave sordidez
fora e dentro da máquina do mundo.
Angélica Freitas e Amador Ribeiro Neto
percorreram nomes tentando saciar
sua fome rilkeana e transconcreta.
Ninguém intercalou jogos de linguagem
nos labirintos da poeticidade em FEBRE
TERÇÃ por Fernando da Rocha Peres.
Ninguém se aproximou tanto da ira de
morrer e da alegria sem provar nonada.
Alguém poderia interromper o circuito
das interrogações: Poesia? Poema?
Poiesis? Poemações ? 
Signos e signagens por tudo mais raro.

Junho, Recife em fogueiras 2013.
atentadospoeticos@yahoo.com.br 

Vale o benefício

Por decreto, o governo permitiu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorize a Eletrobras a repassar recursos às distribuidoras de energia para garantir os descontos na conta de luz dos brasileiros. A MP que trata do assunto será votada adiante. O que importa é o benefício que a medida proporciona à maioria da população.

Presença

A sexta-feira é de Vinícius: “...a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida/
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.”

30 maio 2013

Trabalhadores domésticos: demissões/oportunidades

A nova Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), em parceria com a Fundação Seade e o Dieese, revela que aproximadamente dez mil empregados domésticos foram desligados entre os meses de abril e março na Região Metropolitana do Recife (RMR). Isto significa redução de 8,1% das vagas entre março e abril. No acumulado dos últimos doze me­ses, o número de demissões atingiu 17 mil.

Creio que não se deva atribuir o fato exclusivamente à chamada PEC das Domésticas. Estudos de âmbito nacional têm apontado o expressivo crescimento da oferta de emprego formal em diversos ramos da economia.

Palavra de poeta

A quinta-feira é de Wellington de Melo: “sondo minha memória/em busca de tua etérea/presença.”

Indicadores positivos

Um dado significativo da última década
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho www.vermelho.org.br

Certamente por muitos ângulos é se deve examinar a última década em nosso País – desde que a eleição de Lula, em 2002, interrompeu o reinado neoliberal patrocinado por FHC aos dias atuais. Em que medida o Brasil vem se afirmando, no concerto internacional, como nação soberana; como tem sido possível preservar nossa débil e distorcida democracia; qual a dimensão das conquistas sociais alcançadas.

Nesse último aspecto, vale anotar conclusões de pesquisa recente do Ipea que aponta uma redução em 19,3%, da vulnerabilidade das famílias brasileiras, no período.

Considerando informações dos censos demográficos de 2000 e 2010, o Ipea atesta que há dez anos a vulnerabilidade era de 0,305, enquanto que em 2010 caiu para 0,246.

Segundo os pesquisadores, o acesso ao trabalho (29,4%) e aos recursos financeiros (36,2%) se destacam entre os seis componentes do índice geral, com maior peso na redução média nacional. O item desenvolvimento infanto-juvenil diminuiu em 16%.

Por outro lado, com desempenho negativo aparecem as condições habitacionais (-13%) e o acesso ao conhecimento (-11,9%).

Ainda que aqui não se profunde a análise (que pode ser feita através do estudo detalhado da nota técnica do Ipea a respeito, no site www.ipea.gov.br), é possível sublinhar, a partir dos indicadores mencionados, o inegável avanço na melhoria da qualidade de vida da população, lastreada na enorme expansão do mercado de trabalho e na efetiva valorização da renda dos trabalhadores.

No polo oposto, o registro das condições habitacionais, que são precárias para contingente enorme das famílias, assim como o padrão de escolaridade ainda muito aquém das crescentes demandas que acompanharam, no período, o incremento das atividades econômicas.

O fato, entretanto, é que os dados aqui mencionados são uma espécie de ponta do iceberg em sentido positivo, subproduto da combinação entre crescimento econômico e inclusão social, que vem caracterizando o Brasil (e alguns países da América do Sul), na contramaré da regressão social que se verifica no EUA e na Europa, atolados em crise sistêmica.

Mesmo no difícil ano passado, a economia semiestagnada operou com taxa de desemprego pouco acima de 5% - o que tecnicamente se pode considerar pleno emprego para muitas categorias -, em tremendo contraste com o que ocorre agora nos países capitalistas centrais.

Dados inquestionáveis, portanto, que instigam uma análise cuidadosa e multilateral, para que se compreenda o processo de mudanças em curso no País, sujeito a avanços e a retrocessos em meio a penosa transição da ordem herdada de FHC para um novo rumo no desenvolvimento.
Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr
 





 

29 maio 2013

Caminhos

A quarta-feira é de Silvana Menezes: “Quando eu amo/eu me perco/e se não amo/não acho o caminho de volta”

28 maio 2013

Bom dia, Chico de Assis

Minha homenagem a Chico Passeata
- companheiro dos tempos de cadeia, amigo de todos os tempos!

Há momentos em que a voz enrouquece
porque as palavras nos fogem 
e tudo se encolhe 
num manto de saudade. 

Calou-se o grito de Chico
em passeata.
Ergueu-se o sonho de Chico
no infinito. 

O lapso de tempo
sinal do efêmero/definitivo
engoliu nossa fala
e ressecou nossa lágrima. 

Em Recife, 12 de agosto de 2011                    

"A mesa vermelha"

“A mesa vermelha” ontem, no Cine São Luiz: confesso que chorei. A emoção e a certeza de que vale a pena lutar – sempre!

27 maio 2013

Emprego, desemprego

Mercado de trabalho: tendências e detalhes
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)


Uma variável importante na análise da economia brasileira hoje, o mercado de trabalho dá sinais de relativa estabilização, conforme a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação atingiu 5,8% em abril, pouco acima dos 5,7% registrados em março – menor que os 6% de abril do ano passado e a mais baixa para o mês desde o começo da série histórica do IBGE, iniciada em março de 2002.

Duas hipóteses: a) a relativa estabilidade sugerida por esses números deve permanecer, sem que ocorra novo impulso na expansão das oportunidades de trabalho; b) acompanhando um melhor desempenho da economia este ano – segundo previsões que vão de 2.9 a 3.5% o crescimento estimado do PIB -, a taxa de emprego cresça um pouco mais, mantendo a situação atual, e até a melhorando ainda o índice atual, que tecnicamente se considera pleno emprego.

Os dados do IBGE também indicam que em abril 22,9 milhões de trabalhadores se encontravam empregados, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, 0,9% mais que no mesmo mês em 2012. Uma variação anual considerada pequena, tendo-se em conta novembro de 2009, revelando tendência declinante mês a mês: em 2012, o crescimento médio da ocupação foi de 2,2%, na média dos quatro primeiros meses deste ano caiu para 1,6% até chegar aos 0,9% verificados em abril.

Igual panorama se anota quanto à renda, afetada pela recente pressão inflacionária; e à taxa de desemprego, que continua baixando, porém em ritmo mais lento do que antes.

Trata-se, portanto, de tendências – que podem se inverter, ou não, a depender do grau de incremento das atividades econômicas.

O fato é que o problema se coloca num cenário positivo, apesar da desaceleração da economia em 2012. É que no Brasil (e em alguns países da América do Sul), o crescimento econômico vem se dando com inclusão social. Para ser mais preciso: aqui o crescimento tem rimado com expansão do emprego e da renda e significativo impulso na formalização – ou seja, milhões de trabalhadores que ingressam ou retornam ao mercado de trabalho o fazem mediante carteira assinada.

Assim, para além dos indicadores imediatos, há que se examinar o comportamento do mercado de trabalho – alçado, desde Lula, à condição de fator fundamental do crescimento da economia em tempos de pressão externa negativa, decorrente da crise econômica e financeira global – com olhares mais atentos a tendências e detalhes.
Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr

O que é essencial

A segunda-feira é de Machado de Assis: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”

26 maio 2013

"A Mesa Vermelha" nesta segunda-feira, 20h


A história por trás das grades
“Mesa Vermelha” exibe relatos de 23 ex-presos que cumpriram penas na antiga Casa de Detenção e no presídio Barreto Campelo
Débora Duque, no Jornal do Commercio

Os anos em que a antiga Casa de Detenção – hoje, Casa da Cultura – e a penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, abrigaram presos políticos do regime militar (1964-1985) voltam à tona no documentário “Mesa Vermelha”, que será lançado nesta segunda-feira (27), às 20h, no cinema São Luiz. A narrativa acompanha o relato de 23 militantes de organizações de esquerda da época que cumpriram as penas impostas pelo governo ditatorial nos dois presídios masculinos do estado. Financiado pelo Ministério da Justiça, através do projeto “Marcas da Memória”, o filme teve como idealizadoras duas ex-presas políticas pernambucanas, Lília Gondim e Yara Falcón.

Esta mesma dupla foi responsável por coordenar o projeto que resultou num documentário semelhante – Vou contar para os meus filhos –, lançado em 2011, sobre as mulheres que passaram pela Colônia Penal Feminina do Bom Pastor durante os “anos de chumbo”. A direção do filme também é a mesma. Mas, desta vez, a cineasta pernambucana Tuca Siqueira enfrentou o desafio de filmar o próprio pai, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), que ficou preso entre 1974 e 1976.

Além dele, o documentário traz depoimentos de figuras como Marcelo Mário de Melo, Chico de Assis, José Arlindo Soares, Alanir Cardoso, Cláudio Gurgel e Mário Miranda, integrante da Comissão de Anistia. “O formato é diferenciado do filme sobre as mulheres até porque o universo masculino é muito diferente do nosso”, conta a diretora.

Os relatos dos entrevistados abordam desde a chegada nos presídios aos momentos de convivência coletiva. Um dos pontos abordados com ênfase é a transferência para a penitenciária de Itamaracá quando a Casa de Detenção fechou as portas, em 73, no governo de Eraldo Gueiros. Pelas condições ainda mais precárias e a atuação mais forte da repressão, o presídio foi comparado a um campo de concentração. “A primeira lembrança é de um campo de concentração nazista mesmo. Fomos isolados dos presos comuns e éramos bem mais supervisionados. Banho de sol só duas vezes por semana. Era uma zona de risco. Depois, fomos conquistando condições melhores”, lembra Chico de Assis, que ficou detido por nove anos (1970-1979).

Para pressionar os militares a ceder pequenos direitos, um dos recursos utilizados era a greve coletiva de fome, comum nos presídios brasileiros na época. Só em Itamaracá, foram contabilizadas seis, como é contado no filme. A mais longa delas, em 76, tinha por objetivo tirar do isolamento os dois companheiros condenados à prisão perpétua pelo regimes. Um deles era Carlos Alberto Soares, que também participa do documentário. De forma inusitada, o ex-militante do Partido Comunista Revolucionário (PCBR) recebeu a condenação duas vezes pela Justiça Militar. “Nessa aí foram 25 dias sem comer e eles não abriam não. Só depois é que o clima foi abrandando. A gente usava a greve de fome como último recurso”, diz Chico.

Com 80 minutos de duração, o documentário terá amanhã exibição gratuita e aberta ao público. Posteriormente, também será lançado um portal contendo os depoimentos completos de cada um dos entrevistados.

A vida do jeito que é

A bandeira vermelha
Marco Albertim, no Vermelho www.vermelho.org.br

 
Caboré morreu numa quinta-feira. Um único tiro fora disparado do rifle papo-amarelo. O estrondo se fez ouvir no canavial já maduro para a colheita. De cima do cavalo, o vigia apontara para o piquete. Quinze homens no piquete, convencendo outros cortadores de cana a não continuar o corte; a assembleia decidira na noite anterior, no sindicato.

Os homens que ainda trabalhavam tinham vindo do distrito de Pasmado, na carroceria do caminhão da usina. O mesmo caminhão os conduzira de volta para casa, por ordem do administrador, logo que terminaram a lida; assim, não tiveram como participar da votação que decidira pela greve.

O corpo de Caboré ficou estendido na piçarra fria, posto que o dia não se anunciara ainda com o sol pleno. Os olhos não se fecharam; a bolota de cada pupila, fixas, no rumo das sobrancelhas. A boca semiaberta, num ricto onde se distinguia a palavra que fora interrompida a meio caminho de sua sonoridade completa. Tinha o jeito, Caboré, de falar conforme o sopro do vento; do vento brando da Zona da Mata, doce porque ainda carregando o frescor de um resto de mata verde na beira de um córrego. Juntando-se à voz sem ruído de Caboré, feito um veludo na pele, o vento acumpliciara-se ao conteúdo de suas palavras. Isso, por certo, contrariara a lógica patronal do vigia no cavalo. O homem disparou na ponta da curva do caminho piçarrento, disparou sem mirar alguém em particular, certo de que a vermelhidão do sangue, misturada à terra seca, daria conta do vivo bodum da minhoca-brava sob a raiz de cada cana; a minhoca voraz, não estranha aos vermes comedores de defuntos. O cavalo com o vigia no lombo, seguiu para a usina; para a estrebaria nos fundos da moenda da cana, junto a outros cavalos com outros vigias conversando numa roda, cada um com um palito de galho de bambu entre os dentes.

Os piqueteiros, inda que o pardo-escuro do tempo não lhes comprimisse as frontes, renderam-se à náusea da morte anunciada pelo disparo. Os cortadores de Pasmado, os mesmos que espreitaram a paciência na voz de Caboré, recolheram a foice; cada um enfiando o cabo de madeira, com a navalha para cima, nas amarras da cintura, entre o cinturão de couro sem verniz e as rugas do tecido grosso da calça.

O piquete fez-se grande com a adesão dos pasmadenses.

- Fala, Caboré, diz alguma coisa... Tu não é de se entregar à morte!

Caboré gemeu sem mexer com os olhos; o estertor fez o queixo esticar-se para baixo, para um de seus lados; com os olhos para cima, os cabelos lisos, no desalinho contrário ao penteado de costume, o rosto pareceu dar razão à estreiteza tortuosa da terra entre um lado e outro do canavial, aos sulcos abertos pelas patas dos burros de carga. Caboré soltou o gemido, o derradeiro; o sangue na boca escorreu grosso, com pressa em coagular-se.

- É o pieiro da morte!

A explicação, à moda de uma senha já esperada, fez acender a luz nada bacenta do sol. Os tizius, arribados da restinga ali perto, há muito pousavam às palhas verdes em volta dos pendões da cana; os cantos seguidos pelos saltos em viés, não foram vistos pela curiosidade telúrica dos camponeses. Desceram para o chão úmido da terra, arrancando com o bico os talos da grama rala, regalando-se com as raízes sob a terra escura.

O corpo com o rosto exposto à aurora luzente, carregada de brumas invisíveis, deixou-se encolher com o arredamento dos homens. Eles sentaram-se nos ressaltos paralelos, em cada lado da plantação. Por trás de cada um, o canavial ainda renhido, à espera dos cortes. Ouviam-se os piados buliçosos dos tizius, os gemidos de um sapo com o dorso espinhento sendo espremido entre os dentes e as gengivas babentas de uma jararaca. Nada lhes aguçou os sentidos. O piquete fora engrossado, mas a rigidez nos olhos de Caboré cobriu os olhos de cada um com o torpor igual à calda venenosa que a usina espalha no rio maior, o mesmo que irriga todo o massapê sob as canas.

O Jipe do sindicato, sem o capuz de lona, chegou. O corpo de Caboré, estendido entre os bancos de trás, teve a cabeça levantada entre as pernas do camponês em cujos ouvidos ainda zunia o pieiro da morte. Seguiu em pouca velocidade, o Jipe. A maioria do cortejo, quase em andrajos, caminhou sem queixas pelo chão desigual rumo a Goiana.

Na rua principal da cidade, em frente à prefeitura, os funcionários, mudos, debruçaram-se no parapeito de cada janela. O prefeito não foi avisado, mas advertiu-se com a súbita interrupção do trabalho. Abriu caminho rumo à janela principal do andar de cima; e acendeu um charuto tirado do bolso do paletó de linho.

O Jipe, sem que o motorista desse conta do pé no acelerador, roncou sem ruído na frente do prédio. O mesmo camponês que advertira os outros do pieiro da morte, tinha numa das mãos uma bandeira vermelha presa ao cabo de uma enxada. O lume da manhã avermelhou o desenho de uma foice e um martelo no meio da bandeira. 

Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr


Testemunho

O domingo é de Rosângela Ferraz: “E o amor fez daquele ódio/ lapidável diamante líquido...”

Mórbido legado neoliberal

A economia da náusea
Eduardo Bomfim, no Vermelho www.vermelho.org.br

 
Quando as condições reais estiverem amadurecidas, será uma necessidade histórica a investigação dos crimes cometidos durante a vigência hegemônica da doutrina neoliberal no mundo escudada sob a proteção da guarda pretoriana norte-americana.

Um sistema financeiro promotor da mais intensa concentração de riquezas e acumulação ilícita de capital jamais presenciadas às custas da fome, agressões militares, massacres de populações, desemprego, pilhagens de riquezas naturais, guerra psicológica, alienação midiática, sistemáticos.

Nos últimos vinte anos não houve um só dia em que alguma agressão militar não estivesse em andamento ou em vias de se iniciar e passo a passo através da mídia global associada a esse capital, aos Estados Unidos da América do Norte, impõem às populações uma espécie de torpor mental pela via da televisão ou da tela de um computador.

O nojo, a náusea, justificáveis nessas circunstâncias, transformaram-se em estado psicológico rotineiro ao tempo em que instituições de saúde respeitáveis alertam para o fato de que nessa segunda década do milênio a principal patologia do mundo será a depressão que deverá atingir crianças, adolescentes e adultos no mesmo momento que reaparecem doenças sanitárias elementares que já haviam sido controladas em meados do século vinte.

Num cenário onde a grande mídia enaltece em propaganda massiva a morte das grandes causas e celebra com desdém o individualismo antagonista usufruído por uma ínfima minoria consumista espetacularmente abonada em relação ao conjunto da população global, não é de admirar que os responsáveis da saúde pública europeia e norte-americana alertem para o crescimento assustador de suicídios nessas duas regiões do primeiro mundo.

Já a disseminação das drogas pesadas, como o crack, cujo lucro corre como um rio caudaloso para os grandes conglomerados financeiros mundiais transforma-se em incrível pandemia internacional, cuja natureza é analisada dissociada da sua essência e, portanto, o combate transforma-se em algo inevitavelmente paliativo que não consegue sustar o avanço desse flagelo.

Assim, nunca tantos crimes hediondos foram cometidos, e acobertados, em nome da economia capitalista neoliberal, imersa em profunda crise estrutural e que mais cedo ou mais tarde precisam ser estudados, compreendidos e superados para que a humanidade possa seguir adiante em busca de um mundo melhor.

Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr 


25 maio 2013

Ausência/presença

O sábado é de Carlos Drummond de Andrade: “Não há falta na ausência./A ausência é um estar em mim.”

24 maio 2013

Ponto de encontro

Entre os ex-presos participantes do filme “A mesa vermelha”, alguns estarão completando 70 anos de vida e luta: Marcelo Melo, Alanir, Alberto Vinícius, Wilson (irmão de Mario Miranda) e Carlos Alberto Soares. O convite acima, de autoria de Marcelo – criativo como sempre – dá uma mostra do que será a confraternização.

Líder de vanguarda

Renato: Trajetória de defesa do PCdoB teve a marca de Pomar
. Durante emocionante sessão solene marcou o centenário do dirigente histórico do PCdoB, Pedro Pomar, nesta segunda-feira (20), na Câmara Municipal de São Paulo, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, falou da importância da participação do dirigente comunista, covardemente assassinado pelo Comando do Exército na Chacina da Lapa, em 1976, em momentos cruciais da história do Partido.
. Renato citou a Reestruturação do Partido na celebre Conferencia da Mantiqueira em 1943, e a histórica Reorganização do PCdoB em 1962
. Leia a íntegra da intervenção de Renato Rabelo:
http://migre.me/eHFoR

Democratização da mídia

Audiência debate financiamento de mídias alternativas no dia 27
A Subcomissão especial da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara de Deputados, cuja relatora é a deputada Luciana Santos (PCdoB), realiza na próxima segunda-feira (27), no Recife, audiência pública para debater as formas de financiamento para as mídias alternativas. O encontro acontece a partir das 9h no Auditório Benício Dias do Museu do Homem do Nordeste – Fundaj. Leia mais http://migre.me/eHENs

23 maio 2013

Na Unale

Hoje à tarde, ótima palestra de Eduardo Campos na Conferência Nacional da UNALE sobre o tema “Equilíbrio federativo e desenvolvimento sustentável”.

Palavra de poeta

A quinta-feira é de Adalberto Monteiro: “Por ora não há nada a fazer/Senão ocupar-me da terrível tarefa/De retirar milhares de camadas de ti.”

Instinto de classe na preferência do eleitorado

Uma preferência natural e previsível
Luciano Siqueira

Publicado no Vermelho www.vermelho.org.br e no Blog da Revista Algomais

Dentre os muitos componentes do comportamento do eleitorado, o pertencimento a uma determinada classe social tem peso em geral negado ou obscurecido. No máximo se considera a “classe” na classificação mercadológica (sem lastro teórico) baseada no cruzamento dos níveis de renda e escolaridade, que distingue os segmentos A, B, C, D e E.

Entretanto, é possível sim, com relativo grau de aproximação da realidade, identificar o que na tradição revolucionária se denomina “instinto de classe” nas tendências do eleitorado. Não como único nem determinante fator, é verdade, mas como dado relevante. Assim, quando se reconhece que os segmentos C, D e E tendem a votar em defesa do status recém-adquirido (a partir do governo Lula), via inserção no sistema produtivo e no mercado de consumo, há que se captar, objetivamente, que a classe trabalhadora (em seus diferentes matizes) aí se concentra.

Por outro lado, nos segmentos A e B, principalmente o A, onde se situam os cerca de 2% dos brasileiros mais bem aquinhoados em termos de concentração de renda, é possível identificar a predominância dos detentores do capital – a chamada elite dominante. Isto porque, subjetivamente, se fundem interesses materiais concretos e concepção de mundo – ou, melhor dizendo, influência ideológica.

O jornal Valor Econômico noticia pesquisa em que grandes empresários manifestam preferência pelo senador Aécio Neves, provável candidato do PSDB à presidência da República, mesmo achando que a presidenta Dilma Rousseff tem mais chances de vencer. Foram ouvidos, em enquete realizada pelo Fórum da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), presidentes de 97 das 200 maiores empresas privadas do país.

Dilma perderia terreno para Aécio na proporção em que os empresários ouvidos acentuam sua avaliação de que o cenário econômico atua como maior entrave à competitividade, que em agosto do ano passado era de 33% e agora em abril atinge 69%. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, que hipoteticamente surge como candidato à presidência da República, emerge como terceiro colocado – crescendo de 4 a 11% no período.

Fica implícito – embora os analistas da pesquisa não o digam – que há uma identidade entre os entrevistados e o grau de preferência revelado, tendo como fio condutor o desejo (e a necessidade) de ter um governante que lhes assegure maior segurança quanto a seus interesses fundamentais. Dilma (e também Eduardo), como se sabe, é um milhão de vez mais permeável, digamos assim, às reinvindicações dos trabalhadores do que o senador Aécio. Então, no conflito entre o capital e o trabalho, melhor para esses dirigentes de grandes empresas privadas (algumas multinacionais) que o País tenha na presidência quem os represente. Em outras palavras, pesa na escolha, em última instância, o interesse de classe. Por isso, não será surpresa se na próxima sondagem a diferença pró-Aécio se alargue, em contraste com a preferência pró-Dilma nos denominados segmentos C, D e E.

Na Arena Pernambuco

Jogo inaugural da Arena Pernambuco, ontem: o prazer de estar com o neto Pedro e muitos amigos, mas Sporting e Náutico decepcionaram.

22 maio 2013

Dança da vida

A quarta-feira é de Janice Japiassu: “A dança chega depressa/Quebrando todos os muros/A música abraça o tempo/E o tempo abraça o mundo”

História revelada

No Vermelho:
Comissão Nacional da Verdade apresenta balanço à sociedade
A Comissão Nacional da Verdade apresentou nesta terça-feira (21) em Brasília o balanço de seu primeiro ano de atividades. A CNV realizou 15 audiências públicas em nove unidades da federação e percorreu todas as cinco regiões do país. Nesse período, a Comissão colheu 268 depoimentos (de vítimas, testemunhas e agentes da repressão da ditadura civil-militar de 64-85), sendo 207 de vítimas e testemunhas de graves violações de direitos humanos. Leia mais http://migre.me/eFfAK

O jogo duro da economia

Por que negar os bons presságios?
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Qualquer que seja a intenção de quem se debruce sobre a realidade há que considera-la em sua inteireza, sem preconceitos nem parcialidades. Caso dos indicadores de desempenho da economia brasileira neste instante em que há uma profunda correlação entre índices pesquisados e formação do cenário das eleições gerais de 2014. Nem os governistas podem achar que tudo vai bem, obrigado; nem os oposicionistas podem fechar os olhos a dados que contrariem suas expectativas.

A lógica das oposições – reverberada pela grande mídia – parte do pressuposto de que o Brasil tem que dá errado; logo, é lícito torcer para que dê errado mesmo. E como a palavra é livre e papel aceita tudo, faz-se uma verdadeira cruzada contra todo e qualquer indicador que aponte para o reaquecimento das atividades econômicas. Não pode acontecer, aos olhos dos oposicionistas – porque reforça as possibilidades de uma reeleição da presidenta Dilma. E o povo? Bem, aí já é um detalhe que para quem raciocina assim vale pouco.

É o que ocorre agora, quando o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) alcança o crescimento de 1,05% indica que a atividade econômica está se expandindo à taxa considerada satisfatória pelo governo. Isto porque, na avaliação do ministro Guido Mantega, da Fazenda, pode significar um crescimento do PIB em torno de 4% este ano.

Alguém pode objetar que o ministro tem o dever institucional de se apresentar sempre otimista. Nem tanto. Ele tem sim, sobretudo, o dever de expressar com nitidez a verdade dos fatos – à luz da análise dele e de sua equipe. E nada indica que Mantega venha adotando uma atitude ligeira e inconsequente em suas opiniões sobre o tema. Inclusive quando assevera – no que está certo – que o reaquecimento das atividades econômicas de agora, ainda no terreno das previsões, mas com boa dose de veracidade, acontece capitaneado pelo investimento, seguido pela indústria, e não apenas pelo consumo.

E ele faz essas afirmações tendo o cuidado de acrescentar a ressalva de que ainda é preciso aguardar os dados oficiais do IBGE, a serem divulgados até o final do mês.

Vale valorizar o comentário de Mantega. O IBC-Br cresceu 0,72% em março, na comparação com fevereiro (indicador ajustado para o período), após a queda de 0,36% registrada em fevereiro em relação a janeiro.

O IBC-Br é uma ferramenta de análise e previsão do desempenho da atividade econômica brasileira e considera informações sobre os três setores da economia – a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção+importações). Foi criado pelo Banco Central para prospectar a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic).

Ora, se é um bom prenúncio, por que escondê-lo ou negá-lo? A dificuldade das oposições há que enfrentar sim, de modo irrecusável, o conteúdo essencial das políticas públicas vigentes e apresentar alternativas, se as tiver.

21 maio 2013

Lançamento dia 27. Entrada franca

. Na próxima segunda-feira (27), o Movimento Tortura Nunca Mais em Pernambuco e o Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia, lançam, no Recife, o documentário A Mesa Vermelha, dirigido e roteirizado pela cineasta Tuca Siqueira. O evento acontece no Cine São Luiz, no Centro do Recife, a partir das 20h.
. Trata-se do resgate da memória de 23 ex-presos políticos que militaram no Estado durante a ditadura militar e compartilharam a experiência do cárcere na Casa de Detenção (atual Casa da Cultura) e na Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, Litoral Norte. Entre eles, estão: Alberto Diniz; Luciano Siqueira, vice-prefeito do Recife; Alanir Cardoso, presidente do Comitê Estadual do PCdoB; e Carlos Alberto Soares, que chegou a ser condenado à morte duas vezes. Leia mais:  http://migre.me/eEMfI

Conselho poético

A terça-feira é de Cecília Meireles: “Não te aflijas com a pétala que voa:/também é ser, deixar de ser assim.”

Bom dia, Aline Gallina

Penetrável
 
Ela soma o ar da janela.
Tropeça na mão direita a cada 20 segundos.
O dia cinza reflete em seu corpo
sujo.
Dois bólides gigantes que se movem
no rosto —
Precisa escondê-los hoje
— caem para debaixo da cama.
Não guarda mais o segredo das cartas antigas,
eis a caixa da caixa!
Onde vive, morta para dormir
no necessário.
A paçoca de papel e capim, sua —
melhor amiga — do peito.
De quantas chamas é feito o dia?
24 goles ásperos e a cortina para
cada lado do ombro.
Perde as pontas dos dedos em cada passado.
Imprime a sombra no rosto, pois
a lua fere quando sorri. 

No foco da PEC das domésticas

No Vermelho:
Em entrevista, ministra do TST diz “eu não sou Joaquim Barbosa”
A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda Arantes em entrevista concedida a revista Isto É, publicada neste sábado (19), contou sobre sua atuação no ministério e também que se desfiliou do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) seguindo orientação da lei da magistratura para ocupar o cargo. Na sua juventude Delaíde trabalhou em lavouras e foi empregada doméstica. Agora, como ministra do TST, é figura-chave nas discussões da PEC das domésticas. Leia a entrevista http://migre.me/eE7bh

20 maio 2013

Explorando, mas preservando a caatinga

Por meio de chamada pública anunciada  pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), e pelo Fundo Clima, do Ministério do Meio Ambiente, agricultores familiares de assentamentos localizados em região de Caatinga, interessados em obter renda explorando produtos extraídos desse tipo de vegetação, terão apoio de técnicos especializados em manejo florestal. Serão ministradas técnicas que proporcionam a extração dos profutos de modo sustentável, sem destruir o bioma. São oferecidas vagas para agentes de assistência técnica e extensão rural serem treinados nesse manejo.

Ciência brasileira

Pesquisa com endereço certo
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da revista Algomais e no Jornal da Besta Fubana

A ciência brasileira à procura de solução para nossos problemas cotidianos. Exemplo emblemático: pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz desenvolvem um meio de inocularem o mosquito transmissor da dengue – o Aedes Aegypti – com a bactéria Wolbachia, que ao entrar no corpo do inseto bloqueia a reprodução do vírus da dengue. Semelhante experiência é feita por cientistas na Austrália, China, Indonésia e Vietnã.

Funciona assim: quando o mosquito inoculado suga o sangue de alguém com dengue, o vírus entra no corpo do inseto, mas não consegue se reproduzir e morre.

Qual o alcance disso em cidades como as nossas, que tiveram historicamente a ocupação do território feita de modo desordenado e em que a infraestrutura sempre esteve longe de responder às demandas decorrentes do rápido crescimento populacional? Ainda é cedo para se obter a resposta. A expectativa é de que a técnica comece a mostrar sua eficácia em localidades para que, posteriormente, se teste a sua eficácia em larga escala.

Tomara. Pois assim estaremos enfrentando com êxito um grave problema de saúde pública que afeta milhões de brasileiros.

Mais ainda, porque teremos a confirmação dos benefícios da pesquisa científica orientada para a solução dos nossos problemas. Isto vale para os desafios da área da saúde, vale também para as mais sofisticadas esferas da ciência e da tecnologia, como a tecnologia da informação, a química fina e nanotecnologia.

Certa vez, em visita ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade federal de Pernambuco, ouvi o relato de cientistas pernambucanos que saíram frustrados de uma audiência com um então ministro da era FHC que, instado a alargar os programas de apoio à pesquisa em nossas Universidades, simplesmente recomendou que se fizesse um inventário dos pesquisadores brasileiros interessados que ele os enviaria a Harvard e outras Universidades estrangeiras. Para solucionar nossas necessidades, o governo compra os produtos da pesquisa realizada nos EUA e na Europa, afirmara o ministro.

Ainda bem hoje não há, no Brasil, ambiente para tamanho equívoco. Na busca de um caminho próprio para o desenvolvimento nacional, gradativamente o governo federal destina mais recursos à pesquisa científica, na compreensão correta de que este é um fator decisivo para a superação dos entraves ao desenvolvimento e para a afirmação de nossa soberania.

Por isso devemos saudar essa pesquisa desenvolvida no âmbito da Fiocruz como extremamente positiva, exemplar de uma linha de investigação consentânea com as demandas nacionais. Leia mais sobre ciência, arte, humor, política, economia  e cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr

Grávida em aviso prévio

Reforço ao direito da mulher ao trabalho. sexta-feira última, a presidenta Dilma Rousseff sancionou lei que assegura estabilidade no emprego a gestantes que cumprem aviso prévio. A lei publicada no Diário Oficial da União estabelece que a estabilidade será garantida também em casos de aviso prévio indenizado, quando a funcionária recebe o salário referente ao período, mas não é obrigada a comparecer ao serviço.

Pânico e falta de descortino

O debate sobre a maioridade penal e suas falácias
Luiz Flávio Gomes, na Carta Maior

 
Uma primeira falácia, bastante difundida em tempos de desespero coletivo, desespero real e, ao mesmo tempo, imaginário (por força da influência midiática), é a seguinte: diferentemente do que muitos andam noticiando (equivocadamente), a maioria absoluta dos países preveem a responsabilidade penal do adulto a partir dos 18 anos. No que diz respeito à responsabilidade penal do jovem, a maioria dos países adotam a idade de 12, 13 ou 14 anos.

A responsabilidade “penal” do jovem, no Brasil, começa aos 12 anos. Reduzir a idade da maioridade penal (18 anos) para 16 anos significa equiparar um jovem ao adulto. A irracionalidade da proposta só não é superior ao desespero da sociedade brasileira, que está exausta de tanta delinquência e de tanta violência. Seu sentimento de impotência é altíssimo. O desequilíbrio emocional é patente. Não vendo perspectiva para adotar uma decisão racional (todas as crianças e adolescentes dentro da escola, dos 6 aos 17 anos, das 8 às 18h), parte-se para o irracional. A sociedade, em regra, “prefere uma atuação irreflexiva que uma espera sensata” (Dobelli).

A falácia de que a repressão é a solução continua em voga. Mas enquanto não aprendermos aproveitar os bons momentos econômicos (como este que estamos vivendo – 7ª economia mundial) para lutarmos por educação de qualidade nas escolas, nenhuma evolução significativa (do país como um todo) podemos esperar. Enquanto não buscarmos educação nas escolas, efetiva e intensa, para as crianças e adolescentes, os jovens irão, nas ruas, "treinando" para o crime assim como para a boa produção da nossa fábrica de carnes e ossos regados a sangue.

Estamos acostumados a chorar tragédias e lutar muito pouco pelo óbvio, que consiste em tirar todas as crianças e adolescentes das ruas, colocando-os nas escolas. Se você prefere usar o hoje para desfrutar do consumismo, use o amanhã para refletir e agir para que possamos construir um Brasil forte e maduro.

Se já contássemos com maioridade social, cultural, emocional e racional, seguramente não estaríamos discutindo a menoridade penal.

Não caia no erro lógico da omissão, consolidado pelo Movimento de Maio de 1968 (na França) numa belíssima frase que dizia: “Se você não forma parte da solução, é parte do problema”. Se você não voltar seus olhos para a solução correta dos nossos problemas, você quase que automaticamente (por ação ou omissão) é parte deles.