27 dezembro 2006

Bom dia, Márcia Maia


dies irae

no cortejo os mortos são a maioria
se não riem é que já não lhes é dado
mas ririam como riem pelas ruas
entre fotos e bandeiras desfraldadas

os que antes como eles se escondiam
dentre os muros em janelas bem fechadas
e que por acaso ou sorte ainda vivem
sem que tenham nem por isso os esquecido

junto a esses há também os que nasceram
no período em que o horror agonizava
e a justiça se quedava adormecida

mas de um dia atrás do outro faz-se a vida
e ao algoz colheu a morte — inda que tarde
: que se cante em cada rua a liberdade

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