07 abril 2013

A vida do jeito que é

Perdas e ganhos
Marco Albertim, no portal Vermelho

Pouco se lhes deu o mau cheiro do beco; cheiro de mijo, por certo de algum bêbado que, com um resíduo de juízo, se aproveitara dos dois postes sem luz para esvaziar a bexiga. Menos ainda a escuridão propícia a assaltos.

Estavam remoendo, os dois, sobre como deveriam fazer o balanço do dia, precisar despesas e ganhos. Ele nutria a esperança de obter um troféu, por minguado que fosse, por ter feito, nos seus limites, os deveres prescritos por ela. Ela, sem vinco nas pálpebras, os olhos serenos, ruminando no que dizer, pouco se importaria se só na manhã seguinte um bom dia maquinal fosse o único sinal do restabelecimento da troca de palavra entre os dois

Primeiro ela se dirigira à beira do cais, não fazendo caso de, com a mudança brusca de caminho, despregar-se da mão dele. Para Tibério, a primeira perda. Para Josefina, nem perda nem ganho, mas a reiteração de seu perfil resoluto, a recusa a qualquer sujeição.


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