28 maio 2015

Navegando em mar revolto

Nenhum "grilo" e muita ousadia

Luciano Siqueira, no portal Vermelho

A luta pelo socialismo não se dá em linha reta - observava sempre João Amazonas, acentuando a absoluta necessidade de se ter clareza de perspectiva e de rumo e ilimitada flexibilidade tática, tantos e tão complexos os obstáculos que se interpõem aos nossos objetivos.

Uma forma simples de enunciar um dos elementos centrais do acúmulo teórico próprio do PCdoB, construído sobretudo do início dos anos sessenta em diante: habilidade e conseqüência no enfrentamento de situações taticamente complexas.

Um dos fatores, sem dúvida, da sobrevivência e do fortalecimento do Partido em meio a situações adversas e plenas de armadilhas.

O fato é que aqui como de resto em todas as partes do mundo, um partido revolucionário não se forja, se consolida e se faz apto aos imensos desafios da luta transformadora sem enveredar pelos caminhos tortuosos da vida, ousando guerrear em situações limite.

Isto vale para conjunturas de elevado acirramento da luta de classes através de formas radicais e vale para conjunturas "de paz", em que o conflito se dá pelas vias ditas institucionais - como no Brasil dos nossos dias. 

Não são poucos, entretanto, inclusive em nossas fileiras, os que aqui e acolá se mostram atordoados com a complexidade da refrega e se deixam levar por "grilos", desabando na dúvida e na insegurança. E se perguntam: "Estaria o PCdoB excessivamente enredado nos meandros e percalços do poder burguês?" A resposta encontram na pretendida reafirmação de princípios e na exaltação do caráter de classe do Partido, de modo discursivo.

O caráter de classe e a índole revolucionária do PCdoB estão justamente em sua capacidade de travar a luta no leito real dos acontecimentos, sem esperar, idealisticamente, que tempos menos confusos e arriscados possam vir. 

A resolução política que brotará da 10ª Conferência Nacional, neste fim de semana, traduzirá com clareza a audácia dos comunistas em arrostarem os desafios atuais sem vacilações nem desvios principistas.

O PCdoB tem lado, não se deixa arrastar pela maré ultraconservadora, nem pela cômoda postura de tão somente esbravejar contra todos, renunciando ao seu papel de participe ativo e influente da cena política.

Tem lado e se diferencia exatamente pelo conteúdo de suas proposições para a superação da crise política, econômica e institucional que caracteriza esses primeiros meses do segundo mandato da presidenta Dilma.

Em torno de uma plataforma avançada e consentânea com o nível atual da luta - a garantia dos direitos sociais e trabalhistas, a defesa da democracia, do mandato legítimo e constitucional da presidenta Dilma, da Petrobras, da economia e da engenharia nacional; o combate à corrupção com a extinção do financiamento empresarial das campanhas; a retomada do crescimento econômico do país -, empenha-se na articulação de uma ampla frente (combinada com a mobilização de rua), destinada a superar a atual correlação de forças desvantajosa.

Ocupa, assim, com discernimento e coragem, o seu lugar no espectro político partidário.

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