25 agosto 2007

Doces e sonolentas lembranças


Na Ciência Hoje:
Glicose e sono são importantes para a fixação de memórias
. Estudos feitos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros mostraram que o sono e a glicose exercem um papel importante na formação de memórias de longo prazo. O sono fixa as memórias e promove conexões destas com outras mais antigas. A glicose inicia um processo no cérebro que ativa genes que também atuam na consolidação de memórias. As conclusões foram apresentadas durante simpósio realizado hoje na 22ª Reunião da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), em Águas de Lindóia (São Paulo).

. Quando ficamos mais velhos, lembramos de memórias antigas com mais facilidade do que de recentes. Além disso, elas estão associadas a muitas outras memórias. “Quando alguém diz ‘rosa’, podemos nos lembrar de uma flor, um nome, um escritor, um compositor e assim por diante. É algo que ocorre em adultos e não em crianças, justamente porque não houve tempo para que elas tenham essa ancoragem da informação no córtex cerebral”, explica o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmund e Lily Safra (IINNELS).

. Esse fenômeno de ancoragem já é conhecido da neurociência desde 1957. Uma memória episódica (um nome, um evento, uma face etc.) é registrada em uma região do cérebro chamada hipocampo, e depois migra para o córtex, aonde vai sendo reforçada e estabelecendo conexões. “O que mostramos agora, pela primeira vez, é que o sono, tanto o de ondas curtas quanto o do movimento rápido de olhos (REM, na sigla em inglês), no qual acontecem os sonhos, é importante para o processo”, conta Ribeiro.

. Segundo ele, no sono de ondas curtas há uma reverberação da memória, uma espécie de reforço. Já no REM, há a ativação de vários genes ligados à consolidação desta. “A cada ciclo de sono, a memória vai ficando mais ancorada no córtex”, afirma o diretor científico do IINNELS. Os resultados foram obtidos a partir de experimentos feitos com ratos. Após colocar e retirar os ratos de um ambiente com objetos para exploração, os pesquisadores monitoraram as ondas cerebrais dos animais nos estados de vigília e sono. Essa é a primeira evidência eletrofisiológica do processo de ancoragem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário