Risco de crise institucional
Está no jornal O Estado de São Paulo de hoje. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, teria ameaçado “demitir o comandante do Exército, Enzo Peri, e todos os generais do Alto Comando que se juntassem em um ato de contestação de sua autoridade. A ameaça, explícita, foi feita na sexta-feira da semana passada, em Brasília, e compôs um cenário de crise em que Jobim e o Exército mediram a força política de cada uma das partes, no rastro da solenidade de lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, no Palácio do Planalto.”
O livro foi editado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos e dá a versão da comissão especial do Ministério da Justiça para a delicada questão dos mortos e desaparecidos durante o regime militar (1964-1985). Leia mais
Se for verdade o que a reportagem conta, estivemos à beira de uma crise institucional.
Por mais ousado que seja o atual ministro da Defesa, e ainda mais bafejado pela mídia, deveria pensar três vezes antes de praticar tal atitude.
Os comandantes militares estão formalmente subordinados ao ministro, porém são escolhidos pelo presidente da República. E dificilmente o alto comando das Forças Armadas aceitaria o ato do ministro tranquilamente. Ao contrário, poderia se gerar, a partir daí, uma crise institucional de conseqüências imprevisíveis no contexto da fragilidade história, ainda não superada, de nossa República.
Nenhum comentário:
Postar um comentário