27 março 2026

Palavra de poeta

Canção de agora
Lila Ripoll       

Ontem meu peito chorava.
Hoje, não.
Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.

Estava ontem sozinha,
tendo a meu lado, sombria,
minha própria companhia.
Hoje, não.

Morreu de tanto morrer
a pena que em mim vivia.
Morreu de tanto esperar.
Eu não.

Relógios do tempo andaram
marcando o tempo em meu rosto.
A vida perdeu seu tempo.
Eu não.

Também cansa a desventura.
Também o sol gasta o chão.

[Ilustração: Chari Peak]

Leia também: "Lembrança alada", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-poeta_71.html 

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