01 junho 2026

Minha opinião

Movimentos contraditórios e incertos
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65 
 

Pouco a pouco, de contradição e contradição e a cada revelação de mal feitos do presente e do passado, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) se vê exposta à luz do dia frágil e duvidosa.

Basta uma olhada no cotidiano da mídia neoliberal dominante, o Estadão por exemplo. A insatisfação face a escolha do pai ex-presidente presidiário a cada dia se faz mais nítida e até agressiva.

O senador, por seu turno, por suas próprias escolhas atrai mais críticas e dúvidas.

A pantomina da ida à Casa Branca simulando algo relevante na relação com o presidente Donald Trump e a exploração subsequente da inscrição, pelos Estados Unidos, das duas principais organizações criminosas brasileiras no rol terrorista.

Gradativamente, a pretensão do governo norte-americano mostra-se danosa à soberania brasileira e, pior para a extrema direita representada pelo senador dito filho 01, extremamente ameaçadora à nossa economia. Inclusive ao sistema financeiro líder da elite dominante em nosso país tropical.

Flávio Bolsonaro pratica uma inusitada "diplomata paralela", tentando se sobrepor ao Itamarati, para reivindicar diretamente medidas punitivas contra o próprio território brasileiro.

Subserviência desavergonhada. E tremenda incerteza sobre a almejada conquista de votos para além da bolha extremista de direita.

[Ilustração: imagem produzida por IA]

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EUA classificam PCC e CV como terroristas e tentam livrar clã Bolsonaro de crimes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/trump-socorre-cla-bolsonaro.html 

Trambiqueiros sob tensão

Pânico na Faria Lima em razão da incerteza sobre novos alvos da PF
Operadores do mercado financeiro temem que investigadores estejam trilhando caminho traçado por João Carlos Mansur. Muitos já não dormem em paz
Liberta  
 

Benjamin Botelho, associado aos fundos Sefer, Renato Azevedo, do Latache Capital, Antônio Carlos Freixo, da fintech Entrepay e Sérgio Firmeza Machado, da ARC Capital, mantiveram relações com Daniel Vorcaro por meio do liquidado Banco Master e da extinta operadora Reag. Em associação com a distribuidora de títulos e valores mobiliários liderada por João Carlos Mansur, a própria Reag, também tiveram algum grau de relacionamento financeiro com Nélson Tanure e Maurício Quadrado. Na última quinta-feira, na esteira da Operação Fluxo Oculto, que conectou várias pontas do crime organizado, da máfia de falsificação e venda de combustíveis adulterados, da lavagem de dinheiro de diversas máfias e de investigados nas operações denominadas Tank, Carbono Oculto e Compliance Zero, todos surgiam interligados no “mapa operacional” da Polícia Federal – mesmo que não houvesse nenhuma ação ou mandado contra eles. Esse “mapa operacional”, uma espécie de “mind map” dos investigadores, faz com que não haja melatonina ou doses de Rivotril® ou Frontal® capazes de devolver a placidez e o sossego do sono à turma.

A “Fluxo Oculto” começou a trazer para a superfície toda a profundidade do mergulho investigatório dos agentes da PF, dos auditores do Banco Central, dos procuradores da República e dos auditores da Receita Federal a partir do desentranhamento dos mecanismos de lavagem de dinheiro do crime usando as chamadas “contas bolsões” e “contras gráficas” das fintechs. No meio do processo de lavagem – que também é chamado de “branqueamento de capitais” e de “ocultação de patrimônio” – entram os fundos de controladores finais desconhecidos da autoridade monetária brasileira, o Banco Central. A operação da última quinta-feira revelou que os investigadores sabem o caminho que estão fazendo no submundo do crime. Os alvos eram o BK Bank, Smart Solution Group, Ceopag, Sispay, VPayr, Iaw e CGXGlobal. No trajeto da pirambeira dessa turma do mercado financeiro, a Avenida Faria Lima e o Itaim Bibi, bairro sofisticado de São Paulo, são os pontos nevrálgicos das ações.

[Ilustração: imagem produzida por IA]

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Uma crônica de Urariano Mota

A crítica de Tolstói a Shakespeare
Tolstói tem razão ao escrever esse princípio para toda obra de arte? Será mesmo assim?
Urarianio Mota/Vermelho    

Nesta semana, reli páginas de Tolstói selecionadas de seus textos no livro “Os últimos dias”. De passagem, anoto que a releitura de autores clássicos é ainda melhor que a leitura, porque descobrimos realidades que antes nem sonhávamos. O que copio agora vem do seu longo ensaio “Sobre Shakespeare e o teatro”:

“(Nas peças de Shakespeare) continuei sentindo invariavelmente a mesma coisa: aversão, tédio e incredulidade. Ausência de sentido dos discursos das personagens.”  

No Rei Lear, “esse sentimento verdadeiro, expresso em palavras simples, poderia suscitar compaixão, mas em meio ao delírio pomposo, incessante, de Lear, fica difícil notá-lo e ele perde seu significado. Shakespeare não tem capacidade para delinear um personagem ou fazer palavras e ações brotarem com naturalidade de situações; a linguagem é uniformemente exagerada e ridícula; ele com frequência coloca os próprios pensamentos aleatórios na boca de qualquer personagem conveniente; mostra uma ‘ausência total de sentimento estético’; e as palavras ‘nada têm em comum com arte e poesia’”.

Na crítica a esse texto de Tolstói, George Orwell usou de veneno e mentira quando escreveu que nademolição do gênio russo ao Rei Lear, a peça foi escolhida entre todas as obras de Shakespeare por este motivo: “Não seria possível que alimentasse um ódio em relação a essa peça por ser sabedor, consciente ou inconscientemente, da semelhança entre a história de Lear e sua própria história?”. Primeiro, não é verdade: Tolstói escolhe o Rei Lear por ser essa a peça mais elogiada do dramaturgo. Em segundo lugar, ou primeiro, Tolstói terminou os seus dias amado por todo o mundo, menos pela Igreja Ortodoxa Russa, que o excomungou. E terceiro, mais: poucos autores se mantiveram tão criadores e cri ativos quanto ele na velhice… Velhice de Tolstói, o que digo? Em resumo, ele nada tinha do Rei Lear. A razão da sua escolha, podemos ver aqui: 

“Esperei receber o grande prazer estético. Mas ao ler, uma após outra, aquelas consideradas as melhores dentre suas obras, ‘Rei Lear’, ‘Romeu e Julieta’, ‘Hamlet’ e ‘Macbeth’, não só não senti prazer como experimentei a repugnância irresistível, o tédio e o receio de estar louco por achar insignificantes e francamente ruins obras consideradas o auge de perfeição por todo o mundo erudito”. 

E sobre o Hamlet, uma das peças máximas do teatro, eis o que fala o maior romancista da literatura russa: “Mas, por ser ponto pacífico que o genial Shakespeare não pode escrever nada ruim, os eruditos direcionam todos os esforços da mente para encontrar a extraordinária beleza naquilo que é um defeito óbvio e salta à vista, que se expressa de forma especialmente aguda em Hamlet, isto é, que o protagonista não tem nenhum caráter. E então os críticos compenetrados declaram que nessa peça, na pessoa de Hamlet, está expresso um caráter completamente novo e profundo, que consiste exatamente no fato de esse personagem não ter caráter, e que nessa ausência está genialidade da criação de um caráter profundo!”.

Mas sem demora, vamos ao cerne da questão, que pude ver na releitura. Aqui é o lugar onde a crítica de um dos maiores escritores que já houve se engana de gênero:    

“Assim é o segundo ato, pleno de acontecimentos artificiais e de falas mais artificiais ainda, que, não provindo das circunstâncias em que estão envolvidas as personagens, terminam com a cena de Lear e suas filhas, que poderia ser forte se não fosse intercalada pelos discursos de Lear, ridiculamente pomposos, artificiais e, acima de tudo, sem nenhuma relação com a ação. As oscilações de Lear entre orgulho, raiva e esperança por concessões das filhas poderiam ser bastante comoventes se não tivessem sido arruinadas por aqueles absurdos prolixos que pronuncia o rei”.

Ou aqui, mais uma vez direto no Rei Lear: 

“Em primeiro lugar, seria necessário fazer o pai (Gloucester) verbalizar esse desprezo, e em segundo lugar Edmond, no monólogo sobre a injustiça das pessoas que o desprezam por ser filho ilegítimo, deveria mencionar essas palavras do pai. Mas isso não acontece”. 

Então pude ver: é claro que Tolstói exige para o teatro (o que o fez inclusive cometer engano em relação às peças de Tchekhov), ele chega a exigir e recomendar para o palco o que não cabe no gênero. O melhor dessa crítica equivocada de Tolstói ao Rei Lear é que ela é genial como crítica a personagens…. de um romance! É reveladora do seu próprio método de criar na literatura. E nesse engano contra Shakespeare ocorre, contraditoriamente, uma sábia lição sobre os personagens no seu próprio romance e em toda obra de ficção em prosa. Em Shakespeare faltaria sinceridade, que em Tolstói não falta, fala:

“sinceridade, isto é, o próprio autor deve sentir de forma aguçada o que está sendo representado por ele. Sem essa condição não pode haver nenhuma obra de arte, pois a essência da arte consiste no contágio daquele que percebe uma obra com sentimentos do autor. Se o autor não sentiu aquilo que representa, o receptor não experimenta nenhum sentimento do autor, e a obra já não pode ser considerada uma criação artística”.      

Isso deixa a gente a pensar. Tolstói tem razão ao escrever esse princípio para toda obra de arte? Será mesmo assim? O parágrafo acima lembra Goethe: “Tudo quanto se destina a surtir efeito nos corações, do coração deve sair”. O que Goethe escreveu de forma poética, Tolstói escreveu de modo contundente, como um juiz supremo de causa julgada que não admite recurso.   

Por fim, notamos que as exigências de Tolstói para o teatro e para toda arte são muito altas. Segundo ele, o autor deve ser um criador “que possui algo extremamente importante para dizer às pessoas sobre a relação dos homens com Deus, com o mundo e com tudo o que é eterno e infinito”. Sem dúvida, ele é alto, perturbador e comovente. Penso que uma exigência tão grande somente pode ter sido realizada por raros: Bach, Cervantes e Homero. Além de Tolstói, é claro.

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Palavra de Luciana

O fim da escala 6×1 e o compromisso com um Brasil mais justo para quem trabalha
O futuro do trabalho precisa ser orientado pela inclusão, pelo respeito e pela valorização das pessoas
Luciana Santos/Vermelho  

A reconstrução do Brasil passa, necessariamente, pela valorização de quem move o País todos os dias: a classe trabalhadora. Homens e mulheres que sustentam suas famílias e fazem a economia girar merecem mais do que apenas um posto de trabalho, merecem dignidade, qualidade de vida e condições justas. Sob a liderança do presidente Lula, o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento com inclusão, e é dentro deste projeto de nação que o debate sobre o fim da escala 6×1 se torna urgente e essencial.

Trata-se de reconhecer que jornadas exaustivas, com apenas um dia de descanso semanal, muitas vezes comprometem a saúde física e mental, reduzem o convívio familiar e limitam oportunidades de estudo, qualificação e participação social. Não estamos falando apenas de organização do trabalho, mas de um projeto de sociedade que coloca a vida das pessoas no centro.

Defender mais tempo de descanso é defender saúde pública, bem-estar e justiça social. Em um mundo em transformação, onde a inovação e a produtividade precisam caminhar lado a lado com inclusão e direitos, é fundamental compreender que desenvolvimento não se mede apenas por números econômicos, mas também pela qualidade de vida da população.

Diversos países já demonstram que jornadas mais equilibradas podem resultar em trabalhadores mais saudáveis, produtivos e motivados. O Brasil precisa acompanhar esse debate com responsabilidade, ouvindo trabalhadores, empregadores e a sociedade, para construir soluções que promovam competitividade econômica sem abrir mão da dignidade humana.

A luta por melhores condições de trabalho sempre esteve no centro das grandes transformações sociais. Reduzir desigualdades também significa modernizar relações trabalhistas, garantindo que o avanço econômico seja acompanhado de progresso social. O descanso adequado não é privilégio, é direito.

Ao discutir o fim da escala 6×1, estamos falando sobre famílias que terão mais tempo juntas, sobre mães e pais que poderão acompanhar mais de perto a formação de seus filhos, sobre trabalhadores que poderão cuidar melhor da própria saúde e sobre cidadãos que terão mais espaço para sonhar, estudar e crescer.

Construir um Brasil mais desenvolvido exige inovação, ciência, tecnologia e indústria forte, mas exige também humanidade. O futuro do trabalho precisa ser orientado pela inclusão, pelo respeito e pela valorização das pessoas.

O caminho para essa mudança já começou a ser pavimentado com força institucional. A aprovação do fim da escala 6×1 pelo plenário da Câmara dos Deputados representa uma vitória histórica para a classe trabalhadora. Esse passo decisivo, que agora aguarda a análise do Senado Federal, consolida o avanço de uma pauta que, com o apoio e a articulação do Governo Federal, está cada vez mais próxima de se tornar uma realidade transformadora na vida de milhões de brasileiros.  

Nosso compromisso deve ser com um país onde o crescimento econômico esteja aliado à justiça social. Um Brasil em que trabalhar com dignidade seja parte de um projeto maior de desenvolvimento nacional. Porque valorizar o trabalhador é valorizar o próprio Brasil.

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Família Bolsonaro e Trump atacam, novamente, a soberania do Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/editorial-do-vermelho_0731946270.html