29 agosto 2026

Palavra de poeta

AS PRIMEIRAS CARTAS DE AMOR
Maurilio Rodrigues    

Na vida, muitos amores
Atravessam nossos caminhos.
Mas o primeiro amor
Mantém sua lembrança forte.
 
Algo, com ele, acontece,
Que o tempo não explica,
Os sábios não traduzem,
Nem a lógica se sustenta.
 
Só precisei do silêncio,
Para logo reconstituir ,
A beleza dos sentimentos
Guardados por anos e anos.
 
As primeiras cartas de amor
Foram belas páginas,
Capazes de descrevê-lo,
Na sua mais pura
E inocente concepção.
 
Guardo- as comigo,
São verdadeiros testemunhos,
Que no amor, a simplicidade
E a espontaneidade são marcas
Definitivas de sua longevidade.
 
Amores continuam respirando,
Mas, nenhum teve igual fôlego,
Capaz de fazer o coração se apressar,
E as mãos tremerem de emoção,
Ao reler as mensagens escritas,
Com letras ainda inseguras,
Numa folha de papel pautado.
 
Castigado pelos anos,
Brigando com as limitações,
Ao ver as cartas na gaveta.
Encontro sentido para viver.
 
Um amor incondicional,
E uma paixão espontânea,
Representadas por lágrimas,
Traiçoeiramente escorrendo,
Pelo constrito rosto,
Nesse exato momento.

[Ilustração: Albert Anker]
 
Leia também: O poeta negro Miró da Muribeca, voz antirracista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-urariano-mota.html 

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