Abordagem capciosa
Luciano Siqueira
Vinte e quatros horas por dia a grande mídia neoliberal martela criticas ao governo Lula por não equacionar, segundo dizem, o equilíbrio das contas públicas.
Mas praticam uma omissão grave.
Escondem os juros da dívida pública por um truque focam no Resultado
Primário (receitas menos despesas sem contar os juros) e não no Resultado Nominal
(que inclui os juros pagos).
A tática tendenciosa se apoia no argumento (falso) de que não cabe
incluir os juros da dívida, mas tão somente o que está sob controle direto do
Poder Executivo.
Ora, o governo age corretamente quanto gasta com saúde, educação, obras
e funcionalismo (despesas primárias). Bons governos, como o de Lula, exercem aí
a disciplina fiscal possível.
Entretanto, os juros (Selic) são definidos pelo Banco Central para
controlar a inflação (política monetária). A taxa de juros é influenciada por
fatores globais e expectativas de mercado, e não apenas de uma decisão
orçamentária do governo.
Nesse jogo pesado de interesses da elite financeira, se o governo gera
um superávit primário, lê-se que terá capacidade de pagar ao menos parte dos
juros no futuro, o que ajuda a baixar a própria taxa de juros de longo prazo.
Importa destacar que a maior fatia do crescimento do endividamento
público vem do pagamento de juros altos aos detentores de títulos da dívida, e
não do gasto social ou de investimentos em infraestrutura.
Governos de direita valem-se do corte de gastos sociais para fechar a
conta primária e preservar a remuneração do capital financeiro (juros) enquanto
reduz a capacidade do Estado de ofertar serviços públicos básicos.
Há, portanto, um conflito claro entre os interesses dos que vivem da
usura e os interesses do povo e da nação, onde ignorar os juros esconde a
principal causa do endividamento e beneficia a elite financeira.
A reprimarização do Brasil e a possível virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/brasil-desafios-do-desenvolvimento.html

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