13 outubro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Militância e apoiadores de Lula agigantam campanha nas redes e ruas
Juventude promove, com adesão do povo, “uma enchente amazônica” nas avenidas; milhões engajam-se nas redes, cresce a pressão pelo fim da escala 6×1, e a campanha entra na etapa decisiva.
Editorial do 'Vermelho'    

As grandes mobilizações da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (11) atestam o espírito de luta que tomou conta da militância e de parcelas significativas do povo, com a juventude estudantil na linha de frente, para virar o jogo e derrotar a extrema direita e seu candidato, Flávio Bolsonaro. Na principal delas, a Avenida Paulista ficou totalmente lotada, numa mobilização extraordinária, num ato chamado de Marcha pela Democracia.

Essa mobilização de robusto impacto político-eleitoral demonstra a importância da militância e dos apoiadores de Lula nas redes sociais, capazes de ampliar o alcance do debate político, multiplicar a circulação de informações e responder à atuação da extrema direita e de seus robôs. A mobilização surpreendeu pela dimensão e eficácia, dando sentido concreto à ideia de articulação entre redes e ruas.

Lula convocou a militância e seus apoiadores a procurar os eleitores que não compareceram ao primeiro turno e a ampliar o diálogo para a votação de 25 de outubro. Ao abordar a abstenção, que atingiu aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dirigiu um apelo especial às pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. “Se a pessoa não quer votar por ela, tem que ir pelo filho, neto, bisneto e pela pátria”, afirmou. O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na vida pública. “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”, enfatizou.

De acordo com a presidente em exercício do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, a primeira semana do segundo turno mostrou a força das mobilizações de rua, puxadas principalmente pela juventude, com adesão de outros segmentos sociais. Segundo ela, a campanha também ganhou intensidade nas redes sociais, envolvendo milhões de pessoas, enquanto a tentativa de retirar do ar o canal Exército do Lula foi derrotada. Nádia convocou a militância para se empenhar na mobilização digital e no trabalho de convencimento dos eleitores ainda indecisos. “Com garra e combatividade é possível reeleger o presidente Lula”, afirmou.

O PCdoB, em todo país, está firmemente engajado na preparação e realização da agenda das manifestações, contribuindo de modo relevante com o êxito alcançado. A militância comunista, com criatividade e entusiasmo, além de atuação própria, articula à atuação nas diferentes entidades estudantis e movimentos sociais, ampliando o alcance da mobilização e o diálogo com parcelas da população que ainda precisam ser convencidas.

É nesse contexto que ganha relevo o papel organizador e de liderança da União Nacional dos Estudantes (UNE). Reunida no dia 6 de outubro, sua diretoria decidiu lançar a campanha Estudantes com Lula, com um calendário nacional de assembleias, plenárias, panfletagens e manifestações até a véspera do segundo turno, definindo tarefas concretas de mobilização, conectando o movimento estudantil à campanha eleitoral e ao debate sobre o futuro da educação pública, da ciência e dos direitos sociais. A presidente da UNE, Bianca Borges, sintetizou o sentido dessa convocação: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”

A União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL), forças destacadas dos estudantes, cumprem papel decisivo nesta jornada vitoriosa da UNE.

A dimensão das manifestações foi omitida pela mídia hegemônica, com a evidente intenção de reduzir o seu papel no clima de virada que toma conta do país. Com isso, ela assume uma linha pró-Flávio Bolsonaro e, como fez no primeiro turno, procura interditar o debate programático, uma tentativa de bloquear o acesso do eleitorado aos temas que são decisivos para a sua tomada de decisão na hora do voto. A legislação eleitoral proíbe o favorecimento indevido de candidaturas e estabelece regras para impedir o uso dos meios de comunicação como instrumento de desequilíbrio.

A campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia contra a Meta – controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp –, denunciando a empresa de restringir seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente. O caso ganhou dimensão judicial quando foi determinada a prestação de esclarecimentos sobre possíveis reduções de alcance, limitações nas recomendações de conteúdo, queda nas visualizações e desativação da conta de anúncios da campanha.

A denúncia revela o papel das plataformas digitais no cerceamento de informações sobre a campanha e mostra a interferência das big techs no processo eleitoral. Vem à tona a ingerência dos Estados Unidos para favorecer Flávio Bolsonaro, diante do total alinhamento desses monopólios com o governo Trump.

A campanha entra na segunda semana com a exigência de intensificação das mobilizações, sobretudo porque está pautada pelo Senado a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 para quarta-feira (14). Para a campanha de Lula, essa PEC tem grande importância porque ela é um dos principais demarcadores dos campos que estão na disputa pela sucessão presidencial.

O candidato da extrema direita classificou a proposta como oportunista e apresentou uma alternativa formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN): contratação por hora e negociação entre patrões e trabalhadores, em vez de uma redução geral da carga horária, com salários e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, sem garantia universal de dois dias de descanso remunerado.

Lula chamou a ideia de “acordo leonino”, no qual o trabalhador não dispõe de força suficiente para defender seus interesses. “Nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, declarou. A campanha do presidente associou a manutenção da escala aos prejuízos para a convivência familiar, especialmente para mães que têm pouco tempo para acompanhar os filhos.

A semana começa com esse grande desafio: aumentar a pressão sobre Senado Federal pelo fim da escala 6×1. Desmascarar Flávio Bolsonaro que move céus e terra para que tenha continuidade a jornada escravizante.

O setor jurídico da campanha do presidente Lula, juristas e advogados progressistas, o campo democrático como um todo, aumentam a vigilância e a pressão sobre decisões do TSE, notadamente do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e do vice, André Mendonça, nitidamente para favorecer a candidatura da extrema direita. Tal como está patente no episódio de tentar censurar o canal “Exército do Lula”, batalha ainda pendente de veredicto definitivo.

Nesta etapa decisiva, é preciso conversar, persuadir os/as eleitores/as. Cuidar, também, de outras frentes de trabalho, a exemplo da ampliação dos apoios, dar concretude a movimentos de frente ampla, nacionalmente e nos estados, no sentido de atrair eleitores/as que relutam em votar no presidente, mas que precisam ser persuadidos/as de que o país não pode retroagir ao passado de destruição do bolsonarismo.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

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