25 fevereiro 2009

Frevo, ironia e cachaça

O carnaval que cada um merece
Maviael Melo*

Lendo uma coluna de algum jornal desses virtuais, deparo-me com um texto de alguém, que insatisfeito com o carnaval, falava mal tanto de quem ficou na cidade, quanto de quem saiu, segundo ele, da sua “cidadela”.

Pôrra! O cara não viaja e reclama de quem vai. Fica e reclama de quem fica... ou seja: nem viaja e nem fica, contradizendo os poetas dos Vates e Violas. (Quem não viaja! Fica!)

Eu, a cada ano que passa, descubro quantos carnavais ainda terei que inventar, e seguirei poeta, criando uma marchinha para cada emoção, dançando em salões di-versos diferentes, de acordo com as rimas de versos na mente, com os amigos, que assim com eu também constroem seus próprios carnavais, com mais ou menos cédulas disponíveis, sim, pois cada carnaval tem seu custo. Mas será que custa muito pensar em como se diverti, ou é melhor aceitar e ficar na minha cidade sem grana, sem graça, bradando em alto e bom som: “esse carnaval de merda.” mas de quem é a merda? Até onde se acredita no carnaval enquanto manifestação culturalmente popular?

Como diria Jessier: “... basta subir pra riba, meio dúzia de corruto, quatro babão, cinco putas...” nesse caso: meia dúzia de amigos, amigas, os bebuns de plantão, os amantes da folia e se possível é claro uma ruma de quenga. “... dois piston e um tarol e pode até ficar melhor ficar melhor com uma torcida pra torcer”, levantar da cadeira, desligar a porra da TV, comprar uma caixa de cerveja, cachaça, enfeitar com uns enfeites, o que pode ser enfeitado, criar um refrão e pronto... eis o carnaval.

Segundo o mestre Luciano Siqueira no seu texto Alegria Guerreira, quando se refere à festa: “Manifestação do modo de sonhar, sofrer, lutar, sentir e amar de nossa gente” (www.lucianosiqueira.blogspot.com), então, cada um sonha, sofre, luta, sente, ama e goza, do jeito que tem que ser, ou do jeito que consegue, através do que o coração sente e da capacidade individual de cada um produzir, conquistar e convencer.

Fazer carnaval é viver!

Ficou na cidade, acorde seu sonho
não espere a palavra pra onde seguir...
escreva seu frevo pra assim prosseguir
e tire da mente o verso tristonho
olhe o negro d´água, sinta ele risonho
faça do seu canto a sua aquarela
não fique falando, criando querela
escreva seu verso sem tanta tristeza
desligue a TV... levante da mesa
ou entre no bloco "dessa cidadela"!

Bispo Maviael Melo
Acabando de chegar do carnaval que merece... pense numa cachaçada boa que só a gota serena!
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* Poeta e folião.

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