28 setembro 2020

Crônica da segunda-feira


Até numa ilha deserta?
Luciano Siqueira


Era um debate com jovens adolescentes de uma escola privada no Recife. Antes de se iniciar, puxei conversa com alguns dos que formariam o meu público – quase todos de smartphone à mão.

Como consegui atrair a atenção de um grupo mais próximo, animei-me a brincar com esse hábito meio necessidade, meio vício, de olhar a tela do celular em qualquer circunstância:

- Se um de vocês se tornasse náufrago numa ilha deserta, como se viraria sem o celular?

- Se fosse eu, estaria com o celular, respondeu um galeguinho sarará com pinta de esperto.

- Com o estaria com o celular, cara, se você teria chegado à ilha nadando?

- Teria guardado numa bolsa de plástico por dentro do calção.

Evidente que ele queria me levar na troça, tal a pergunta boba que fizera.

Mas aproveitei a deixa para conversar mais sobre o assunto.

Na verdade, esse aparelhinho faz tempo incorporou-se à mente e ao corpo de todo mundo. Sobretudo para adolescentes e adultos jovens, que nele acham tudo o que desejam.

Uma garota que não deixava de teclar enquanto participava da conversa asseverou:

- Se eu viajasse de navio baixaria antes um aplicativo que me orientasse caso fosse parar numa ilha assim!

Li na Superinteressante que uma pesquisa feita pelo PRC (Pew Research Center), dos EUA, 54% dos adolescentes entre 13 e 17 anos acham que passam tempo demais na telinha do aparelho. Em média, a maioria das meninas alegou. As meninas disseram preferir as redes sociais e os meninos os jogos.

Ao acordarem de manhã cedo, checam notificações e mensagens e o primeiro gesto que 45% dos adolescentes fazem assim que acordam, ainda na cama, é olhar a tela do celular.

Pesquisa semelhante daria o mesmo resultado no Brasil, certamente.

Minha neta de apenas 7 anos acha muita coisa que deseja pesquisando com o dedo indicador sobre ícones que identifica, feito o YouTube, onde localiza filmetes infantis.

Nem posso reclamar muito, pois reconheço que com o aparelhinho à mão realizo muitas tarefas do trabalho cotidiano. Meu computador de bolso.

Daí não recusar de todo a ideia de proteger o meu iPhone numa bolsa de plástico para a hipótese de me ver sozinho numa ilha ou na floresta...

Veja: Sem a poesia a vida seria cinza https://bit.ly/2YxgGUL

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