10 dezembro 2022

Minha opinião

O melhor futebol é universal

Luciano Siqueira

 

Creio que a ideia de que em território tupiniquim se chegou a jogar (ou ainda se joga) o melhor futebol do mundo decorre das duas conquistas consecutivas nas Copas de 1958 e 1962.

Naqueles dois torneios, Pelé e vários craques - Garrincha, Didi, Nilton Santos e outros - encantaram o mundo com o estilo criativo e alegre. .

Nelson Rodrigues, que à época pontificava como uma espécie de gênio da crônica esportiva — mesclando futebol e literatura, romanceando a técnica e as proezas dos nossos jogadores — certamente foi um dos responsáveis pela soberba que nos colocava em primeiro lugar no pódio mundial.

Além disso, somos o país que mais ganhou Copas, 5 ao todo. Mas já interamos 5 disputas sucessivas sem sucesso.

E o que temos visto agora no Qatar autoriza ao observador isento — se é que esporte tão apaixonante permite isenção —, a reconhecer muita qualidade técnica em boa parte dos selecionados, inclusive do Marrocos, que acaba de eliminar Portugal.

Marrocos, representando o futebol africano, segue invicto, tendo ultrapassado adversários de qualidade, como Espanha e Canadá, empatado com a Croácia (que eliminou o Brasil) e agora, com futebol organizado, coeso, aguerrido e vistoso, mandou os portugueses para casa.

Demais, o nível dos atletas que compareceram à Copa envergando a camisa de diferentes selecionados se atesta pela quantidade dos que disputam os campeonatos mais importantes do futebol mundial na atualidade, na Inglaterra, Espanha Alemanha e Itália. Inclusive a maioria esmagadora dos brasileiros, uma vez que apenas três dos 26 integrantes do nosso escrete atuam no Brasil, o goleiro Weverton do Palmeiras e os atacantes Pedro e Everton Ribeiro, do Flamengo.

O fato é que a técnica individual e os mais avançados conceitos de estratégia e tática de jogo estão disseminados universalmente. Desde que a TV passou a transmitir os principais campeonatos para o mundo inteiro. E em seguida, a internet.

Inclusive inspirando talentos natos.

Um garoto minimamente inclinado a jogar futebol, no mais longínquo recanto da África ou do interior do Nordeste brasileiro, por exemplo, tem a chance de ver no vídeo o desempenho dos maiores craques do mundo e neles se espelhar para desenvolver suas potencialidades.

Assim, até o gingado que antes marcava os jogadores brasileiros — que dançavam em campo, no dizer de Gilberto Freyre — há muito já não é primazia nossa. Malabaristas da bola compareceram a essa Copa praticamente em todas as seleções. 

Enfim, a "globalização" do futebol decorrente do grande negócio que o alimenta, envolvendo milhões de dólares (e euros), alcançou os gramados de todos os continentes.

Leia também: Caímos na Copa. Agora temos outros sonhos, esses bem mais grandiosos, a realizar https://bit.ly/3heLiXI

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