O melhor futebol é
universal
Luciano Siqueira
Creio que a ideia
de que em território tupiniquim se chegou a jogar (ou ainda se joga) o melhor
futebol do mundo decorre das duas conquistas consecutivas nas Copas de 1958 e
1962.
Naqueles dois
torneios, Pelé e vários craques - Garrincha, Didi, Nilton Santos e outros - encantaram
o mundo com o estilo criativo e alegre. .
Nelson Rodrigues, que
à época pontificava como uma espécie de gênio da crônica esportiva — mesclando futebol e literatura, romanceando a técnica e as proezas dos nossos
jogadores — certamente foi um dos responsáveis pela soberba que nos colocava em
primeiro lugar no pódio mundial.
Além disso, somos o país
que mais ganhou Copas, 5 ao todo. Mas já interamos 5 disputas sucessivas sem
sucesso.
E o que temos visto
agora no Qatar autoriza ao observador isento — se é que esporte tão
apaixonante permite isenção —, a reconhecer muita qualidade técnica em boa
parte dos selecionados, inclusive do Marrocos, que acaba de eliminar Portugal.
Marrocos,
representando o futebol africano, segue invicto, tendo ultrapassado
adversários de qualidade, como Espanha e Canadá, empatado com a Croácia (que
eliminou o Brasil) e agora, com futebol organizado, coeso, aguerrido e vistoso,
mandou os portugueses para casa.
Demais, o nível dos
atletas que compareceram à Copa envergando a camisa de diferentes selecionados
se atesta pela quantidade dos que disputam os campeonatos mais importantes do
futebol mundial na atualidade, na Inglaterra, Espanha Alemanha e Itália. Inclusive
a maioria esmagadora dos brasileiros, uma vez que apenas três dos 26
integrantes do nosso escrete atuam no Brasil, o goleiro Weverton do Palmeiras e os
atacantes Pedro e Everton Ribeiro, do Flamengo.
O fato é que a
técnica individual e os mais avançados conceitos de estratégia e tática de jogo
estão disseminados universalmente. Desde que a TV passou a transmitir os
principais campeonatos para o mundo inteiro. E em seguida, a internet.
Inclusive inspirando talentos natos.
Um garoto minimamente inclinado a jogar futebol, no mais longínquo recanto da África ou do interior do Nordeste brasileiro, por exemplo, tem a chance de ver no vídeo o desempenho dos maiores craques do mundo e neles se espelhar para desenvolver suas potencialidades.
Assim, até o gingado que antes marcava os jogadores brasileiros — que dançavam em campo, no dizer de Gilberto Freyre — há muito já não é primazia nossa. Malabaristas da bola compareceram a essa Copa praticamente em todas as seleções.
Enfim, a
"globalização" do futebol decorrente do grande negócio que o
alimenta, envolvendo milhões de dólares (e euros), alcançou os gramados de todos
os continentes.
Leia também: Caímos na Copa. Agora temos outros sonhos, esses bem mais
grandiosos, a realizar https://bit.ly/3heLiXI

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