Irmão inventado
Donizete Galvão
Na noite de olhos secos,
um outro repete meus gestos.Num quarto igual a este,
interroga o branco das paredes.
Se durmo, sonhará ele meu sonho?
Beberemos os dois
a água do mesmo rio?
Meu irmão inventado,
o que eu faço não sei.
Quem me lê é quem me cria.
Espalho cacos de um espelho.
Minha face por inteiro não verei.
Veja você por mim qualquer dia.
[Ilustração: Max Beckmann]
A desumana partilha do tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_89.htm

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