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01 fevereiro 2026
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China + Reino Unido
Reino Unido e China retomam diálogo bilateral e mandam recado a Trump
Starmer se reúne com Xi em meio a tensões com EUA; países anunciam isenção de visto, acordos econômicos e cooperação em segurança
Lucas Toth/Vermelho
Após um período de deterioração diplomática e oscilações entre aproximação e confronto, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer visitou Pequim nesta quinta-feira (29). Foi a primeira ida de um chefe de governo do Reino Unido à China em oito anos.
A viagem ocorre em meio ao aumento das tensões entre o governo dos Estados Unidos e seus aliados tradicionais, convertendo-se num recado duro ao presidente norte-americano, Donald Trump.
Ao receber o premiê britânico, Xi afirmou que China e Reino Unido precisam “superar as diferenças” e defender o “verdadeiro multilateralismo”, enquanto os dois governos anunciaram acordos para ampliar a cooperação econômica, incluindo isenção de visto para britânicos e medidas de facilitação comercial.
Xi reconheceu que a relação entre os dois países passou por “altos e baixos” ao longo dos anos e afirmou que “às vezes, coisas boas levam tempo, desde que seja a coisa certa, que sirva aos interesses fundamentais do país e do povo”.
O presidente chinês afirmou que os dois países serão capazes de “resistir ao teste da história” desde que adotem uma visão ampla, se respeitem mutuamente e avancem juntos.
Em resposta, Starmer afirmou que pretende construir uma relação “mais sofisticada” com Pequim e reiterou que busca trazer “estabilidade e clareza” ao vínculo bilateral após anos de inconsistência.
O premiê britânico disse que está na China “com o povo britânico em mente” e lembrou que prometeu, ao assumir o governo, fazer o Reino Unido “voltar a se projetar para o mundo”.
O líder britânico acrescentou que “os acontecimentos no exterior afetam tudo o que acontece em nossos países, desde os preços nas prateleiras dos supermercados até o quanto nos sentimos seguros”, defendendo que um engajamento mais amplo é necessário para compreender o cenário internacional como um todo e construir uma relação adequada aos desafios atuais.
A reunião entre os dois líderes durou cerca de 80 minutos, quase o dobro do tempo inicialmente previsto na agenda oficial. O prolongamento do encontro foi interpretado por ambas as delegações como sinal de disposição para aprofundar o diálogo em um momento de reacomodação das relações bilaterais.
Após a conversa, Xi e Starmer participaram de uma reunião reservada ao lado de seus principais assessores, incluindo o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e o conselheiro de segurança nacional britânico, Jonathan Powell.
O formato restrito permitiu tratar de temas sensíveis da agenda bilateral, além de questões internacionais.
Em seguida, os líderes participaram de almoço oficial no Golden Hall, espaço tradicionalmente reservado a encontros de alto nível no Grande Salão do Povo. Além das pautas econômicas e geopolíticas, o encontro incluiu referências culturais e históricas, reforçando o caráter simbólico da visita.
Starmer também participou de evento promovido pelo UK-China Business Council, no qual reiterou a importância de ampliar o engajamento econômico e empresarial entre os dois países.
O premiê destacou a necessidade de aprofundar o diálogo comercial e institucional, alinhando a retomada diplomática a uma agenda de cooperação prática.
Acordos econômicos, facilitação de viagens e cooperação em segurança
Entre os anúncios mais relevantes da visita está a concessão de isenção de visto para cidadãos britânicos em viagens à China por até 30 dias, medida que passa a valer tanto para turismo quanto para negócios.
Com a decisão, o Reino Unido passa a integrar o grupo de cerca de 50 países cujos cidadãos podem ingressar no território chinês sem a necessidade de autorização prévia para estadias curtas.
O governo britânico trata o acordo como um avanço significativo na retomada do diálogo bilateral, ao reduzir barreiras burocráticas e ampliar a circulação de empresários e investidores britânicos.
No campo econômico, os dois países concordaram em aprofundar a cooperação no setor de serviços, área na qual o Reino Unido exporta aproximadamente £13 bilhões por ano para o mercado chinês.
Foi anunciado um estudo de viabilidade para a criação de um acordo mais estruturado nesse segmento, com o objetivo de estabelecer regras mais claras e juridicamente vinculantes para empresas britânicas que atuam na China.
A iniciativa sinaliza uma tentativa de institucionalizar o relacionamento comercial após anos de instabilidade diplomática.
Entre os movimentos empresariais destacados durante a visita, a farmacêutica AstraZeneca anunciou investimento de US$15 bilhões em sua operação chinesa.
Pequim também concordou em reduzir de 10% para 5% a tarifa de importação sobre o whisky escocês, medida que, segundo estimativas do governo britânico, pode gerar benefício de cerca de £250 milhões ao setor ao longo de cinco anos.
Além disso, foram assinados memorandos de entendimento em áreas como padrões técnicos, saúde, educação profissional, indústria do esporte, segurança alimentar e quarentena animal e vegetal.
A agenda incluiu ainda um acordo de cooperação para compartilhamento de informações no combate ao crime organizado e à imigração irregular.
O governo britânico afirma que a medida poderá contribuir para interromper o fornecimento de embarcações e motores utilizados em travessias pelo Canal da Mancha, parte dos quais têm origem industrial na China, além de ampliar a cooperação contra redes de tráfico de drogas.
Os entendimentos firmados também reforçam a Comissão Econômica e Comercial Conjunta entre os dois países, mecanismo retomado no ano passado e agora apresentado como eixo permanente do diálogo bilateral.
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