Lunares Leoninos
Andréia Carvalho Gavita
Estarei sempre-viva.
Cultuo esta solidão que laçam,
Mais um palco para o sol.
Tenho leões
Mesmo adormecidos
Rugem-me evangelhos
Como músicas empoeiradas
Sarapintadas,
letras panteras deslizantes
no livro manuseado.
Os leopardos
sonâmbulos.
Passo-signo.
Leituras que nos caçam
a dinastia extinta.
Incansável realeza
Indestrutível ronda
Estou sempre-viva
Mesmo adormecida.
Espreito o que me
espreitam.
Nada me descreve. Antes, eu.
E tu, e os topázios.
Aquilo que tenho e
que só,
tu alcanças.
Aquilo que tens e que
só,
eu alcanço.
Rugidos e
extratos-feras.
Enquanto adormecem
sob nossos calcanhares:
galanteio, vaia, devoção.
[Ilustração:
Leia também: "Guarda-me em ti", poema de Raúl Zurita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_02016478250.html

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