20 outubro 2026

Palavra de poeta

Soneto 18
William Shakespeare   


Devo eu comparar-te a um dia de verão?

Tu és mais doce e mais fresca:

Agrestes ventos derrubam os tenros botões de Maio,

E o esplendor do verão é de curta duração:

Algumas vezes demasiado quente o olho do céu brilha,

E muitas vezes é a sua doirada compleição obscurecida,

E a plenitude da sua beleza algumas vezes declina

No mutável curso da natureza não ajustado;

Mas o teu eterno verão não murchará

Nem perderá a posse dessa beleza que tu possuis;

Nem deve o invejoso olhar da morte te encontrar,

Pois tu vives na minha canção imortal:

Enquanto os homens possam respirar ou os olhos ver,

Assim vives tu, como o meu canto, sem perecer.

 

[Ilustração: Tsuguharu Foujita]

Leia também: "Reinvenção", poema de Cecília Meireles https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0525510308.html 

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