Soneto 18
William
Shakespeare
Devo eu comparar-te a um dia de verão?
Tu és mais doce e mais fresca:
Agrestes ventos derrubam os tenros botões de Maio,
E o esplendor do verão é de curta duração:
Algumas vezes demasiado quente o olho do céu brilha,
E muitas vezes é a sua doirada compleição obscurecida,
E a plenitude da sua beleza algumas vezes declina
No mutável curso da natureza não ajustado;
Mas o teu eterno verão não murchará
Nem perderá a posse dessa beleza que tu possuis;
Nem deve o invejoso olhar da morte te encontrar,
Pois tu vives na minha canção imortal:
Enquanto os homens possam respirar ou os olhos ver,
Assim vives tu, como o meu canto, sem perecer.
[Ilustração: Tsuguharu Foujita]
Leia também: "Reinvenção", poema de Cecília Meireles https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0525510308.html

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