12 março 2026

Minha opinião

Definitivamente, um plebeu provinciano*
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65   

Li agora na Folha de S. Paulo que “René Redzepi deixou o Noma em meio a denúncias de abusos”.

Quais abusos procurarei saber depois. Importa agora corrigir a minha ignorância: René Redzepi? Noma?

Não sou assim tão desinformado, muito ao contrário. Assino os principais jornais do país e sites de notícias e opiniões, que acesso diariamente. Como ignorar o René Redzepi e o Noma, destacados em manchete da Folha!? Tudo a ver com a minha prosaica ignorância sobre o mundo da ostentação e do refinamento.

Fui às ferramentas de busca e pude, enfim, saber que o Noma, em Copenhague, é considerado o restaurante mais influente do século XXI porque criou nova cozinha nórdica, dispensando ingredientes clássicos franceses; e popularizou o uso de técnicas laboratoriais e fermentações complexas, como o uso de koji e garums (!?), que permitem extrair sabores inéditos de ingredientes simples, influenciando chefs no mundo todo.

Mais: aperfeiçoou o conceito de foraging (coleta silvestre), servindo musgos, formigas e líquens, inovando no item o que é "comestível" e "luxuoso".

Isso tudo sob o comando do tal René Redzepi, tido como "arquiteto" da culinária moderna. Ele não apenas cozinha; é também um visionário, pautando o que o mundo da gastronomia vai discutir e realizar na próxima década.

Diante de personalidade assim tão badalada internacionalmente, desisti de pesquisar sobre que “abusos” terá cometido. Caí na real sobre a minha modestíssima condição de frequentador de restaurantes simples.

Perto de completar a sétima década de vida, definitivamente sou um cidadão pobre e simplório — um plebeu!

Minha memória gastronômica é limitadíssima e se alimenta de nomes como "Bar da Tripa", "Feijoada do Vavá" e, no máximo, "Parraxaxá" e "Papaia Verde" e "Pizzaria Tomaselli", no Recife; "Mangai" em João Pessoa; "Carne de Sol do Lira", em Natal; "Bar Urca", no Rio de Janeiro;  "L'Osteria do Nonno Amerigo", na Vila Mariana, em São Paulo, onde estive uma única vez com o inesquecível camarada e amigo-irmão Eduardo Bonfim.

Foi divertido presenciar Eduardo e o garçom no esforço vão de pronunciarem os itens do cardápio em italiano e logo contatar que ambos tinham em comum o mesmo sotaque alagoano, inconfundível. Eduardo de Maceió e o garçom nascido e criado em Palmeira dos Índios.

Quanto a esse modesto escriba, definitivamente me assumo um cidadão comum, de parcos recursos e precários hábitos à mesa.

*Texto da minha coluna semanal no Vermelho

Leia também: "Talvez um ano meio morno e cinza. Só isso" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_94.html

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