Definitivamente,
um plebeu provinciano*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Li agora na Folha de S. Paulo que “René Redzepi
deixou o Noma em meio a denúncias de abusos”.
Quais abusos procurarei saber depois. Importa agora corrigir a minha
ignorância: René Redzepi? Noma?
Não sou assim tão desinformado, muito ao contrário.
Assino os principais jornais do país e sites de notícias e opiniões, que acesso
diariamente. Como ignorar o René Redzepi e o Noma, destacados em manchete da
Folha!? Tudo a ver com a minha prosaica ignorância sobre o mundo da ostentação
e do refinamento.
Fui às ferramentas de busca e pude, enfim, saber que
o Noma, em Copenhague, é considerado o restaurante mais influente do século XXI
porque criou nova cozinha nórdica, dispensando ingredientes clássicos franceses;
e popularizou o uso de técnicas laboratoriais e fermentações complexas, como o
uso de koji e garums (!?), que permitem extrair sabores inéditos de
ingredientes simples, influenciando chefs no mundo todo.
Mais: aperfeiçoou o conceito de foraging (coleta
silvestre), servindo musgos, formigas e líquens, inovando no item o
que é "comestível" e "luxuoso".
Isso tudo sob o comando do tal René Redzepi, tido
como "arquiteto" da culinária moderna. Ele não apenas cozinha; é
também um visionário, pautando o que o mundo da gastronomia vai discutir e
realizar na próxima década.
Diante de personalidade assim tão badalada
internacionalmente, desisti de pesquisar sobre que “abusos” terá cometido. Caí na real sobre a minha modestíssima condição de frequentador de restaurantes
simples.
Perto de completar a sétima década de vida, definitivamente
sou um cidadão pobre e simplório — um plebeu!
Minha memória gastronômica é limitadíssima e se
alimenta de nomes como "Bar da Tripa", "Feijoada do Vavá"
e, no máximo, "Parraxaxá" e "Papaia Verde" e "Pizzaria
Tomaselli", no Recife; "Mangai" em João Pessoa; "Carne de
Sol do Lira", em Natal; "Bar Urca", no Rio de Janeiro; "L'Osteria do Nonno Amerigo", na Vila Mariana, em São Paulo, onde estive uma
única vez com o inesquecível camarada e amigo-irmão Eduardo Bonfim.
Foi divertido presenciar Eduardo e o garçom no
esforço vão de pronunciarem os itens do cardápio em italiano e logo contatar
que ambos tinham em comum o mesmo sotaque alagoano, inconfundível. Eduardo de
Maceió e o garçom nascido e criado em Palmeira dos Índios.
Quanto a esse modesto escriba, definitivamente me
assumo um cidadão comum, de parcos recursos e precários hábitos à mesa.
*Texto da minha coluna semanal no Vermelho
Leia também: "Talvez um ano meio morno e cinza. Só isso" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_94.html

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