01 outubro 2026

Minha opinião

A TV Globo a ver navios 
Luciano Siqueira  

Chega a ser patético o ar com que o apresentador César Tralli, do Jornal Nacional, anunciou a suspensão do debate com candidatos à Presidência da República.

Determinações judiciais oriundas do STF e do TSE frustraram a TV Globo em seu intuito de promover um espetáculo mal-assombrado, pondo uma placa com o nome do presidente Lula sobre o púlpito que ele deveria ocupar se comparecesse.

Um complemento das razões pelas quais, acertadamente, Lula declinara do convite.

Tal como aconteceu no primeiro turno da eleição presidencial há quatro anos, oponentes se sucederam nos ataques ao presidente sem nenhum compromisso com a verdade, nem com o respeito ao público. 

As regras restritivas impostas pela TV Globo também contribuíram para tornar o espetáculo mais espalhafatoso do que esclarecedor. 

Com a ausência de Lula, a TV Globo ficou a ver navios e a democracia ganhou.

Leia também: Debate nacional na Globo: inconveniente e improdutivo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0243763020.html

Humor de resistência

 

Aroeira

Fim das bets, reajuste no Bolsa Família e canetas no SUS têm amplo apoio popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/em-sintonia-com-o-povo.html 

Palavra de poeta

Sou meu hóspede
Mario Benedetti      

Sou meu hóspede noturno
em doses mínimas
e uso a noite
para despojar-me
da modéstia
e outras vaidades
procuro ser tratado
sem os prejuízos
das boas-vindas
e com as cortesias
do silêncio
não coleciono padeceres
nem os sarcasmos
que deixam marca
sou tão-só
meu hóspede
e trago uma pomba
que não é sinal de paz
mas sim pomba
como hóspede
estritamente meu
no quadro-negro da noite
traço uma linha
branca

Ilustração: Edvard Munch]

Leia também "Poema sujo", de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_0461827398.html 

Minha opinião

No mato sem cachorro
Luciano Siqueira    

1

Durante a pré-campanha e agora em toda a campanha, que terá primeiro turno daqui a três dias, o complexo midiático dominante, neoliberal até a medula, tudo fez e ainda faz para influenciar os resultados nas urnas. 

A disputa pela Presidência da República em especial.

Gastou meses incentivando a pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetado pelo clã bolsonarista. 

Depois, tendo que engolir o senador Flávio Bolsonaro (PL), viu se no mato sem cachorro. A tão incensada “terceira via” morreu de véspera. 

2

A chamada "Faria Lima", a que o complexo midiático serve subserviente e disciplinadamente, também majoritariamente adepta da solução Tarcísio, parece ter lavado as mãos. Oscila entre engolir o candidato da extrema direita — sem eira nem beira — ou buscar junto a Lula algum tipo de acordo sobre a macroeconomia. 

O jantar com Lula e Alckmin, sexta-feira a última, que reuniu mais de trezentos líderes empresariais (bancos, indústria, monopólios varejistas e agronegócio exportador) sugere isso. 

Dará tempo? 

3

E se Lula vencer, como se pode supor em razão de tendências que parecem se consolidar nas últimas pesquisas? 

A elite dominante, obviamente, terá que conviver com o governo Lula 4. 

Nesse caso, uma das apostas será apoiar-se na provável maioria parlamentar oposicionista, no Senado e na Câmara. 

Como se vê, é briga de cachorro grande e, no desdobramento das eleições, a participação popular terá que acontecer — nas ruas e nas redes.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Postei nas redes

A quebra de sigilo de viúva de miliciano em caso de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro pode ser mais um complicador para o candidato da extrema direita.  

Atolado na lama https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/atolado-na-lama.html 

Dica de leitura

Luta ideias na era dos influenciadores digitais
Luciano Siqueira  
 

Leitura oportuna o artigo “A política na era dos influenciadores”, de Matheus Pereira, no site A Terra é Redonda, https://aterraeredonda.com.br/a-politica-na-era-dos-influenciadores-2/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2026-09-29  acerca do ecossistema digital contemporâneo, pondo em destaque a regulação e regulamentação das apostas on-line ( bets ).

O mercado das apostas online sintetiza uma rede articulada entre o capital financeiro, o setor publicitário, clubes esportivos e influenciadores digitais.

Assinala que esse ecossistema gera lucros socializados para as empresas e agentes envolvidos, enquanto isola a responsabilidade do prejuízo no indivíduo. Quando o apostador perde, o discurso dominante afirma que a culpa é limitação pessoal ("você deveria ter se controlado"), ocultando a estrutura exploratória por trás do jogo.

Nesse modelo de negócios, o influenciador digital cumpre um papel particular: exibe seu estilo de vida e explora uma falsa relação de proximidade com os seus seguidores.

A atividade política passa a ser moldada e disputada no nível das emoções e da estética, antes mesmo da razão ou da informação factual.

Assim, quando o Estado intervém (como a interdição das bets, menciono), os chamados criadores de conteúdo consideram essa ação "agressão pessoal" ou interdição do seu ofício.

Influenciadores ocupam uma posição privilegiada que lhes permite direcionar o ressentimento das pessoas, afetando a forma como elas interpretam os fatos políticos sem a necessidade de ler leis ou documentos formais.

Daí a absoluta necessidade – observo – de uma militância partidária, social ou cultural capa de disputar a consciência da  maioria em ambiente em que predominam estímulos sensoriais acima do argumento.

Inteligência Artificial, a nova contadora de histórias na literatura https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/ia-literatura.html 

Igualdade de gênero

No ritmo atual, paridade de gênero levará 120 anos, aponta relatório
Global Gender Gap Report mostra que o mundo fechou 69,2% da lacuna de gênero, mas a dimensão política avançou apenas 22,1%
Natalia Padalko/Vermelho  

O mundo avançou na redução das desigualdades entre homens e mulheres, mas em velocidade insuficiente para produzir uma mudança estrutural. É o que mostra a edição de 2026 do Global Gender Gap Report, do Fórum Econômico Mundial. Segundo o levantamento, 69,2% da lacuna global de gênero já foi fechada. O problema é a velocidade: mantido o ritmo atual, a paridade ainda levaria 120 anos para ser alcançada.”

O maior descompasso aparece na dimensão política. O relatório analisa quatro eixos: participação econômica, educação, saúde e sobrevivência e empoderamento político. Entre eles, este último é o que mais se afasta da paridade: apenas 22,1% da diferença entre homens e mulheres foi eliminada.

O relatório acrescenta uma dimensão importante à análise ao observar não apenas quantas mulheres chegam aos governos, mas também quais posições ocupam dentro deles.

O avanço da representação feminina não se traduz na mesma medida em influência política

No cenário global, o número de ministérios comandados por mulheres cresceu 26% desde 2008. O avanço, porém, não alterou na mesma proporção a distribuição das áreas de maior influência. O Fórum considera critérios como visibilidade, orçamento, recursos e proximidade com o Executivo. Nesse recorte, apenas uma em cada dez pastas ocupadas por mulheres é classificada como de alta influência. Em 2026, os homens ocupam quase o dobro de ministérios nessa categoria.

Brasil avança em 20 anos, mas recua no último ano

O Brasil aparece em 72º lugar entre 145 economias, com 71,5% da lacuna de gênero fechada. O resultado representa uma queda de 0,4 ponto percentual em relação à edição anterior.

Na educação, o país mantém pelo segundo ano consecutivo a paridade completa. Na saúde e sobrevivência, fechou 97,7% da diferença. Na participação econômica, alcançou 66,6%, praticamente no mesmo nível do ano anterior.

É na política que a trajetória brasileira se torna mais contraditória. Em duas décadas, o indicador de empoderamento político avançou 15,8 pontos percentuais. A paridade no Parlamento passou de 9,4%, em 2006, para 20,7%, em 2026. Entre os ministros, o indicador de paridade subiu de 12,9% para 40,9%.

No último ano, porém, o movimento perdeu força. O indicador caiu 2,1 pontos percentuais, e o Brasil passou do 70º para o 72º lugar nessa dimensão. Em 2026, o país fechou 21,8% da lacuna de empoderamento político.

A tendência aparece também no cenário internacional. A representação feminina nos legislativos avançou de forma gradual desde os anos 1970, e mais de 80% das economias analisadas adotaram cotas de gênero desde 1995. Ainda assim, a presença das mulheres nos postos de maior influência política permanece limitada.

No setor privado, a diferença aparece ao longo da carreira. Dados analisados pelo Fórum em parceria com o LinkedIn mostram que as mulheres representam 46% das posições de entrada, mas apenas 23% dos cargos de nível C-suite (cargos corporativos elevados). A participação feminina também cai de 41,8% no mercado de trabalho para 29,6% nos postos de alta gestão.

É diante desse ritmo que o Fórum projeta 120 anos até a paridade. O prazo não decorre da ausência de avanços, mas do ritmo em que eles acontecem. O Brasil mostra que a estrutura pode se mover: em 20 anos, o indicador de paridade parlamentar mais que dobrou e o de paridade entre ministros mais que triplicou. Os dados mais recentes, porém, mostram que essa trajetória não é linear.

A paridade passa não apenas pela entrada de mais mulheres na política e no mercado de trabalho, mas também pelo acesso aos espaços de maior influência.

Brasil na resistência à onda neofascista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0863894061.html

Arte é vida

Sergio Vilanova

"Coração de Lona", de Tuca Siqueira, entra na disputa do Festival Biarritz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/filme-de-tuca-siqueira-lancado-na-franca.html 

Minha opinião

Trump como realmente é

Luciano Siqueira    


Não somos nós, combatentes brasileiros de esquerda, que estamos dizendo. É o editor de política internacional do New York Times, Thomas L. Freidman: “Donald Trump é um ser humano horrível que viraliza das piores formas.

Está na Folha de S. Paulo, traduzido do jornal norte-americano.

Trump usa declarações provocativas, ataques pessoais e polêmicas servem como uma estratégia eficiente para dominar o ciclo de notícias e manter a atenção do público, independentemente da teoria moral da mensagem.

Esse estilo retórico erode as normas democráticas, polariza ainda mais a sociedade e degrada o nível do debate político.

Faltou assinalar que o fenômeno Trump reflete a decadência dos Estados Unidos.

Trump: megalomania e crueldade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/trump-megalomania-e-crueldade.html

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Mensagens revelam que Luciano Huck foi sócio, amigo e conselheiro de Vorcaro (Brasil 247). Até tu, Brutus? 

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Futebol brasileiro: para onde?

Filosofia do óbvio
O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. País não sabe se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo
Tostão/Folha de S. Paulo 

 

Houve progressos na seleção brasileira na vitória por 4 x 2 contra a Austrália, nesta terça (29).

Além de pressionar mais na marcação, Carlo Ancelotti mudou o desenho tático com a escalação de um trio no meio-campo, formado por Bruno Guimarães mais centralizado, Gabriel Bontempo pela direita e Danilo pela esquerda. Ficou ainda melhor no segundo tempo com a entrada de Andrey pelo centro, Bruno pela direita no lugar de Bontempo, além de Danilo.

É preciso separar essa formação do meio-campo, que é o posicionamento de que mais gosto, da maneira habitual de jogar dos times brasileiros com uma dupla de volantes em linha e mais um meia ofensivo à frente dos dois, que não participa da marcação e que joga entre o meio-campo e a zaga adversária, a espera de receber uma bola livre para criar uma jogada ofensiva.

Se não há um típico craque camisa 10, a maneira de jogar com um trio de meio-campistas é mais eficiente, porque o time marca com três em vez de dois no meio-campo e possui dois meias ofensivos em vez de um. Dessa maneira, Ancelotti teve seus melhores momentos no Real Madrid, que atuava com Casemiro pelo centro, Modric pela direita e Kross pela esquerda.

O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. Nos anos 70, Chico Buarque, que entende muito de música e de futebol, escreveu que os europeus eram os donos do campo, pela maneira organizada que ocupavam os espaços, e os brasileiros eram os donos da bola, por causa da improvisação, inventividade e fantasia dos craques.

Isso mudou. Os europeus evoluíram na estratégia, na intensidade, no jogo coletivo e, ao mesmo tempo, passaram, progressivamente, a formar jogadores hábeis, rápidos, dribladores, talentosos, parecidos com os craques brasileiros. Já o Brasil não acompanhou tanto a evolução tática, além de ficar perdido, sem saber se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo. Os dois são essenciais e um precisa do outro. É a filosofia do óbvio.

Enquanto o Brasil enfrenta a fraca seleção da Austrália e, muito pior ainda, a da Índia, os europeus realizam ótimos e intensos jogos pela Liga das Nações, como a vitória da Espanha por 3 x 2 contra a Inglaterra. O time espanhol jogou ainda melhor do que atuou na Copa, com Lamine Yamal novamente em forma.

Na vitória de Portugal por 2 x 1 sobre a Noruega, em um jogo equilibrado, os brasileiros viram novamente uma excepcional atuação de Odegaard, que brilhou contra o Brasil na Copa. Odegaard costuma receber a bola dos zagueiros para iniciar as jogadas, trocando passes até a área adversária. Ele é muito mais que um típico camisa 10. É um meio-campista que joga de uma intermediária à outra.

Lembrei-me de Gerson, o da Copa de 70. Usava a camisa 8, mas, como Odegaard, gostava de receber a bola dos zagueiros e do goleiro. Com troca curta de passes e espetaculares e precisos passes longos, encantava a todos. Na primeira vez que joguei ao lado de Gerson e de Pelé, os três juntos, em um amistoso na Suécia, antes da Copa de 1966, Gerson, já experiente, sentou-se ao meu lado no intervalo e perguntou: "Dá pra você jogar com dois toques em vez de um para dar tempo de eu chegar próximo de você e de Pelé?".

Foi o que fiz. Foi bom pra mim, para ele e para o time.

Futebol brasileiro: nada se cria, tudo se repete https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-brasileiro-apenas-burocratico.html 

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O que acontece na "sala de lanches" dos ministros do STF - você quer saber? Não me interessa. Mas é assunto de reportagem do Estadão praticamente às vésperas de uma eleição em que se disputam os rumos do país. Quanto diversionismo!

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html 

Dica de leitura

Tudo a ver com a reforma urbana
Luciano Siqueira    

O interessante artigo de Angélica Benatti Alvim, Bianca Moro de Carvalho e Marina Erendida Contreras-Saldaña "Periferias: laboratórios do Comum na América Latina", no site Outras Palavras https://outraspalavras.net/outras-cidades/periferias-laboratorios-do-comum-na-america-latina/, a meu ver - escapando às concepções das autoras - reforça a ideia da Reforma Urbana.

A abordagem é ampla e ultrapassa as fronteiras do Brasil. Assinala como as periferias urbanas do continente latino-americano (São Paulo, Buenos Aires, Medellín e Cidade do México) deixaram de ser vistas apenas sob a ótica da carência, da violência ou do abandono estatal, passando a ser compreendidas como espaços centrais de inovação política, social e cultural.

Trabalha com a ideia do "Comum" (o comum / lo común) não apenas como bens públicos estatais ou recursos privados, mas como práticas coletivas de autogestão, solidariedade e criação de vida comunitária.

As periferias se apresentam como os principais territórios onde essas práticas são gestadas por necessidade e reinventadas por potência criativa.

As autoras questionam o olhar convencional, que enxerga as margens urbanas apenas pela falta de saneamento, de segurança, de infraestrutura, etc.

Em contraposição, existiria um dinamismo próprio na capacidade de redes comunitárias produzirem soluções próprias para moradia, cultura, alimentação e cuidado coletivo.

Também mencionam os movimentos culturais periféricos (coletivos de hip-hop, saraus, cozinhas comunitárias, hortas urbanas e mídias independentes) como tecnologias sociais emergentes.

Talvez exagerem, a meu ver, ao proclamarem que tais experiências devem ser vistas como laboratórios onde novas formas de sociabilidade e resistência ao modelo neoliberal de cidade são testadas cotidianamente.

Ou seja, pratiquem uma concepção espontaneista da transformação social que, na prática, pode redundar numa espécie de acomodamento às desigualdades.

O contraponto é a necessidade de transformações estruturais – a Reforma Urbana, em especial, conforme concepções que evoluíram no Brasil nas últimas décadas, pondo a questão como parte de um novo projeto de desenvolvimento no qual as bases estruturais dos males que afligem o povo possam ser enfrentadas de modo consequente.

Presente e futuro na luta cotidiana: a reforma urbana, por exemplo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/meu-artigo-no-portal-da-fundacao.html 

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Empate entre João Campos e Raquel Lyra em 42% na pesquina Quaest confirma tendências a estagnação e declínio da governadora e ascensão do candidato da Frente Popular. 

Opinião que se confirma https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

Minha opinião

Renildo, tanto quanto*
Luciano Siqueira  

Parece um paradoxo, mas não é. Às vésperas das eleições, pedir votos para deputados e senadores com a mesma ênfase com que pedimos para a reeleição do presidente Lula. 

Ora, “o Poder Executivo é que decide os rumos do país”, sempre se disse.

Mas nunca fui exatamente assim, salvo no período do Estado Novo e durante a ditadura militar instaurada a partir de 1964. 

Com a redemocratização, se estabeleceu relativo equilíbrio entre os chamados Três Poderes da República — o Executivo, o Congresso Nacional (Câmara e Senado) e o Judiciário, ao estilo preconizado por Montesquieu em sua obra clássica “O Espírito das Leis” (1748). 

E se convencionou o termo presidencialismo de coalizão para sinalizar o equilíbrio entre a Presidência da República e o parlamento.

Mas, como se sabe, gradativamente os poderes atribuídos ao Legislativo foram se acentuando a ponto de, durante o governo Bolsonaro, se adotar o atual sistema das emendas parlamentares marcado pela expansão do orçamento impositivo e pela criação de modalidades como as emendas de relator (antigo "Orçamento Secreto") e as "emendas Pix" — que transformaram radicalmente a dinâmica entre o Executivo e o Legislativo. 

Isto posto, em razão da correlação de forças políticas vigentes, o mais provável é que o próximo mandato do presidente Lula aconteça, mais uma vez, sob o constrangimento de maioria oposicionista na Câmara dos Deputados e no Senado.

Dai a absoluta necessidade de se eleger parlamentares que não apenas representem interesses específicos de parcelas do povo, mas que sejam suficientemente capazes de contribuir na construção de consensos possíveis, tanto na Câmara como no Senado, para fazer fluir a agenda do governo. 

Por exemplo, no caso específico de Pernambuco, a reeleição de Renildo Calheiros (PCdoB) mostra-se indispensável, como o próprio presidente Lula nos diz. 

De posicionamento firme e ao mesmo tempo hábil, Renildo acumula ao longo de vários mandatos larga folha de serviços prestados aos governos Lula.

Assim, pelo Brasil afora, eleger deputados e senadores, nesse sentido, é tão importante quanto a própria reeleição do presidente.

*Texto da minha coluna no portal 'Vermelho'

Em debate insosso, a vantagem de João https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01657025946.html