20 outubro 2026

Palavra de poeta

Soneto 18
William Shakespeare   


Devo eu comparar-te a um dia de verão?

Tu és mais doce e mais fresca:

Agrestes ventos derrubam os tenros botões de Maio,

E o esplendor do verão é de curta duração:

Algumas vezes demasiado quente o olho do céu brilha,

E muitas vezes é a sua doirada compleição obscurecida,

E a plenitude da sua beleza algumas vezes declina

No mutável curso da natureza não ajustado;

Mas o teu eterno verão não murchará

Nem perderá a posse dessa beleza que tu possuis;

Nem deve o invejoso olhar da morte te encontrar,

Pois tu vives na minha canção imortal:

Enquanto os homens possam respirar ou os olhos ver,

Assim vives tu, como o meu canto, sem perecer.

 

[Ilustração: Tsuguharu Foujita]

Leia também: "Reinvenção", poema de Cecília Meireles https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0525510308.html 

Em baixa

Às vésperas das eleições legislativas, a aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou para 31% , atingindo o menor patamar já registrado em seus mandatos. Simultaneamente, a desaprovação de sua gestão alcançou índices elevados (cerca de 66%). Paga caro pelos males que pratica.  

Fogo de monturo financeiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_01813434061.html 

Serviria a quem?

Flávio Bolsonaro, armas e crime organizado  


É o que se lê no site ICL Notícias: em eventos como a Shot Fair Brasil e em entrevistas, Flávio Bolsonaro acena com a revogação dos decretos de controle de armas assinados pelo governo Lula.

Por exemplo, o retorno do calibre 9 mm como permitido, a liberação de porte de trânsito, o funcionamento de clubes de tiro 24 horas e o fim de limites de quantidade, níveis e exigência de habitualidade para atiradores.

Ora, como apontam especialistas na matéria, a flexibilização do mercado legal de armas e munições alimenta diretamente o mercado ilegal.

A facilidade de acesso a itens como máquinas de recarga, pólvora e cartuchos sem rastreamento adequados fornece o suporte logístico necessário para que facções criminosas mantenham arsenais pesados ​​e trocas de tiros. (LS) 

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Humor de resistência

Nando Motta

Lula autoriza TSE a abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/nada-esconder.html 

Nada a esconder

Lula autoriza TSE a abrir sigilos, desde que Flávio Bolsonaro também abra
Presidente cumpre palavra e aponta familiares cujos dados podem ser abertos e cita parentes e empresas de Flávio que também devem ter informações tornadas públicas
Priscila Lobregatte/Vermelho   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou nesta terça-feira (20) requerimento ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, no qual autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico seus e de seus familiares, dos últimos oito anos, desde que seu adversário na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.

Ao autorizar a divulgação de seus dados, Lula lista como familiares a primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja) e os filhos de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio Lula da Silva.

Lula também sugere que a abertura dos dados deve abranger as empresas dos quais os candidatos sejam sócios ou administradores, “bem como aquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou ‘usuários máster’”.

No caso do presidente, está indicada a L.I.L.S Palestras, Eventos e Publicações, da qual é sócio não administrador.

Já na lista de familiares que Lula indica para a abertura de sigilo de Flávio, estão, além do senador, o pai, Jair Messias Bolsonaro; a mãe Rogéria Bolsonaro; os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, além da esposa de Flávio, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Quanto às pessoas jurídicas ligadas ao senador, a petição aponta a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia; a All In One Corretora de Seguros Ltda.; a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e a Bolsonaro Digital Ltda.

Por fim, indica ainda a Alcazar Holdins, empresa offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, de titularidade do advogado e amigo Willer Tomaz, “em cuja conta bancária o candidato Flávio Bolsonaro figuraria como ‘usuário master”. Tais informações constam de investigação da Polícia Federal, publicada por órgãos de imprensa.

Direito à informação

A justificar publicação dos dados, Lula assinala que “a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior a próxima quarta-feira (21), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar”.

Ademais, prossegue a petição, “há plena conformidade com o disposto no art. 14, § 9º, da Constituição Federal, que estabelece a probidade administrativa e a moralidade para o exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato, proteções de envergadura
constitucional”.

O documento lembra, ainda, que a decisão de Lula decorre de desafio lançado por ele próprio durante debate promovido pela Rede Bandeirantes no domingo (18), reafirmada em sua passagem por Porto Alegre (RS) nesta segunda-feira (19).

No programa, Lula disse: “Eu tomei a atitude de desafiar ele (Flávio) a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto neste país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção neste país, quem é que enriqueceu ilicitamente neste país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro”.

Flávio, por sua vez, disse que não teria “absolutamente nada a esconder”, apesar de todas as investigações, mentiras contadas por ele e situações não explicadas.

Entre esses casos estão as rachadinhas; o pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente pagar o filme sobre seu pai; a compra de casas com dinheiro vivo e sua relação com o advogado Willer Tomaz, investigado no processo sobre as fraudes no INSS.

Por ora, o senador consta em dois inquéritos da PF, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF): o que apura o caso Dark Horse e o mais recente, aberto nesta semana, que envolve Willer Tomaz.

Neste último, as investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras irregulares e possíveis vínculos econômicos ocultos entre o candidato e Tomaz. Já no caso do filme, são investigados os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e organização criminosa.

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Dispersão e fuga

A receita de Steve Bannon e o debate na Band
Uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas ficam no ar sem contestação imediata
Luís Nassif/Jornal GGN       

Steve Bannon, um dos principais estrategistas da extrema-direita nos Estados Unidos, tornou-se associado a um repertório para enfrentar denúncias e notícias adversas. A estratégia combina saturação do debate, velocidade e controle da pauta:

  1. Saturar, em vez de responder ponto a ponto. Em lugar de rebater cada denúncia, multiplicam-se fatos, acusações e controvérsias. O excesso disputa a atenção da imprensa, encurta a vida útil dos escândalos e dificulta que uma crítica se consolide como história. [1]
  2. Privilegiar velocidade e volume. Bannon usa a expressão “muzzle velocity” para se referir ao ritmo e ao volume dos “disparos”. Segundo estudiosos do autoritarismo, a lógica é criar acontecimentos em série, antes que a oposição consiga se organizar e a imprensa apure cada episódio. [2]
  3. Transformar a imprensa em adversária política. Ao apresentá-la como um “partido de oposição”, desloca-se o debate: em vez de discutir se a denúncia procede, questiona-se a intenção de quem a publicou. A acusação passa a ser tratada como ataque político, o que facilita ignorá-la.
  4. Controlar a pauta com um centro de gravidade. Em 2025, Bannon afirmou ao Frontline que Elon Musk e o DOGE foram eficazes do ponto de vista narrativo: concentraram a atenção enquanto diversas outras iniciativas avançavam. Um personagem ou episódio ruidoso pode, assim, funcionar como cortina de fumaça. [3]
  5. Evitar admitir erro ou derrota. Um colunista do Kansas Reflector descreve essa postura como a recusa sistemática em reconhecer erros ou aceitar uma derrota. É uma interpretação crítica do conselho associado a Bannon, não uma doutrina que ele tenha formulado exatamente nesses termos. [4]

Há, porém, uma diferença importante na comparação com os Estados Unidos. Por aqui, a grande imprensa não apenas cobre essas estratégias: parte dela também contribui para legitimá-las. O Globo, Estadão e Folha, em particular, ajudaram a normalizar acusações e suspeitas graves envolvendo Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo que amplificavam denúncias contra seus adversários. 

O debate de ontem, transmitido pela Band, mostrou como Flávio Bolsonaro incorporou esses expedientes. Do lado de Lula faltaram respostas capazes de desmontar, com rapidez e clareza, o festival de blefes e acusações. O episódio também expôs uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas podem permanecer no ar sem contestação imediata.

A atuação de Lula sugere que faltou preparação específica para esse tipo de confronto. Media training — treinamento para entrevistas e situações imprevisíveis — não substitui conteúdo nem experiência; ajuda a antecipar ataques e a formular respostas curtas e compreensíveis. Em debates assim, o domínio do assunto não basta. As regras existem, mas há espaço para manobras e provocações.

Se Pablo Marçal atuava como conselheiro de Flávio, a equipe de Lula deveria ter antecipado uma postura provocadora no palco — inclusive o uso da diferença de estatura física entre os dois. A cena pode ter surpreendido os adversários, mas o risco era previsível. Também era possível preparar respostas para expedientes recorrentes usados por Flávio ao enfrentar acusações mais graves.

Dois exemplos mostram o que poderia ter sido feito:

  1. A alegação sobre dinheiro de Daniel Vorcaro. Para responder às acusações de que teria recebido recursos de Vorcaro, Flávio invocou uma suposta gravação em que o banqueiro teria dito que financiou, às escondidas, um filme sobre Lula por meio do Instituto Lula. Uma resposta preparada poderia ter contraposto a essa alegação as declarações de Oliver Stone — que assinou o filme com Rob Wilson — e cobrado provas do suposto financiamento. Sem checagem e sem uma resposta imediata de Lula, a acusação ficou pairando no ar.
  2. As declarações da lobista Roberta Luchsinger. Segundo levantamento do Jornal GGN, a cronologia da licitação para uma empreiteira portuguesa junto ao DNIT contradiz a versão de que Fábio Luís Lula da Silva teria obtido esses contratos: o processo ocorreu durante o governo Tarcísio de Freitas. Apesar da proximidade planejada entre a entrevista da lobista e o debate, a assessoria de Lula não parece ter preparado uma resposta objetiva. Tampouco houve uma checagem da emissora que interrompesse a repetição da acusação.
  3. A estratégia para enfrentar um falsário em debate é tornar seus expedientes explícitos ao público: quando ele responde a uma pergunta com outra, apontar esse desvio na tréplica para dificultar que repita o recurso. 
  4. O mesmo método se aplica a acusações usadas para desviar o foco: comparar didaticamente uma gravação apresentada como autêntica e admitida pelo próprio acusado com uma alegação baseada em outra gravação sem comprovação independente, mostrando como ela serve de cortina de fumaça.
  5. Em suma, explicar os truques em tempo real cria cumplicidade com o espectador e reduz a eficácia de sua repetição pelo oponente.

Leia também: Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html

Dica de leitura

Sem limites   

O ministro diz-se isento cumpridor da legislação, mas à frente do TSE age como ativista em favor do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL).

Só isso?

Muito mais! A reportagem "Os vestígios da noite: as 125 mensagens que reconstituem a noitada patrocinada por Daniel Vorcaro para o ministro Kassio Nunes Marques", publicada pela revista piauí https://piaui.uol.com.br/web/kassio-vorcaro-triplex-noite/ , detalha os bastidores de um encontro regado a luxo organizado pelo banqueiro (então dono do Banco Master) para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.

Lavagem de ácido sulfúrico na imagem pública do ministro.

A denúncia baseia-se na extração de 125 mensagens do celular de Vorcaro apreendidas pela Polícia Federal, trocadas entre o banqueiro e sua equipe de apoio (mordomo, motoristas, chef de cozinha, uma agenciadora de acompanhantes, uma faxineira e um arquiteto).

A festa ocorreu em um tríplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Os preparativos envolveram ordens estritas de Vorcaro para todo conforto ao magistrado.

Uma agenciadora cuidou da seleção de mulheres ao local, com aval de Vorcaro.

Ao mordomo dito Michael coube informar o patrão de às 20h56, emprestou um ao ministro com cinco meninas. Os convidados frequentaram a piscina sem roupas.

Enquanto a festa ocorria, o celular de Vorcaro também registrava o avanço de uma grave crise financeira no Banco – cujos desdobramentos têm sido exaustivamente noticiados.

Assim mesmo, foram feitos repasses de uma consultoria ligada a Vorcaro para o filho do ministro, Kevin Marques, além de menções a um salário mensal expressivo.

O ministro Kassio Nunes Marques nega relações com o banqueiro. Em nota oficial, afirmou que nunca votou a favor de interesses de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele, jamais pediu favores e não registrou ou autorizou terceiros a falarem em seu nome, pontuando não ter responsabilidade sobre conversas ou ações de terceiros.

Ponto final? Coisa nenhuma! Após as eleições o caso certamente virá à luz em todas as suas nuances. Espera-se.

(LS)

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html 

Capital & mídia

O complexo midiático e seus patrocinadores    

No Le Monde Diplomatique, "A mídia privada, os anunciantes e a independência editorial", texto assinado por Pedro Rafael Vilela e Akemi Nitahara https://diplomatique.org.br/a-midia-privada-os-anunciantes-e-a-independencia-editorial/ aborda recentes revelações sobre o envolvimento de executivos e profissionais de veículos de imprensa (como o portal Metrópoles e o Grupo Globo, além de outros portais e revistas) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no escândalo envolvendo o Banco Master .

Fatos que sugerem relações espúrias entre imprensa e patrocinadores individuais, materializam comprometedora dependência comercial e levam a que se borre a fronteira entre a propalada isenção jornalística e os interesses financeiros de seus grandes anunciantes e patrocinadores.

Nesse contexto, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (FENAJ), que estabelece que o compromisso com a informação deve prevalecer sobre os interesses econômicos faz-se raquítico.

Demais, o complexo midiático brasileiro é concentrado em poucos conglomerados empresariais privados, numa mescla de poder e vulnerabilidade à pressão econômica (interesses de classe, sublinho).

Os autores, entretanto, resvalam para “soluções” puramente idealistas, distante da realidade concreta na sociedade de classes, como uma pretendida “pluralidade de modelos” e a sempre aspirada - pelos que se batem pela democracia – existência de uma mídia pública “forte e autônoma”.

Vilela e Nitahara concluem que a garantia da liberdade de imprensa não deve se restringir às empresas jornalísticas. O Estado democrático tem o dever de garantir condições materiais para que a informação circule com independência, pois não há democracia plena sem um ambiente midiático desconcentrado, descentralizado e verdadeiramente livre dos poderes econômicos e políticos.

(LS)

Leia também: A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html 

Editorial do 'Vermelho'

Uma semana que vale uma década
Campanha de Lula chega à reta final em forte ascensão. Dias decisivos de uma disputa acirradíssima exigem mobilização ainda mais vigorosa para garantir a virada
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br     

A campanha presidencial entra na última semana com dois debates decisivos na televisão. Depois do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos voltam a se enfrentar na TV Globo, na sexta-feira, 23, após o Jornal Nacional. Na Band, Lula confrontou as acusações de corrupção lançadas pela extrema direita e desafiou os dois candidatos a abrirem os sigilos bancários e telefônicos, inclusive os de seus familiares, para que as acusações sejam examinadas.

Flávio, óbvio, fugiu da raia porque se viu em um beco sem saída. Ele teria de explicar a sua longa lista de investigações e processos de corrupção, justamente quando, pela segunda vez, passa a ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Superior (STF) sobre relações financeiras e acesso a uma conta bancária vinculada a uma empresa offshore, Alcazar Holdings, e pagamentos de viagens em jatos executivos por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A semana começa também com uma demonstração expressiva de mobilização em torno da candidatura de Lula, com grandes manifestações em dezenas de cidades, em todas as regiões do país. É uma onda que não para de crescer e se espraia pelo Brasil, a exemplo de Brasília, que reuniu uma multidão na Esplanada dos Ministérios no domingo, dia 18. No Rio de Janeiro, o Ato Musical pela Democracia ocupou a orla de Copacabana. Outras cidades, como Salvador, Recife, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, realizaram grandes concentrações. Em São Paulo, atos descentralizados mobilizaram apoiadores em diferentes localidades.

Também merece destaque a manifestação de setores da sociedade civil, do centro e da centro-direita, que se posicionam em defesa da democracia e contra a candidatura da extrema direita. Nesse movimento, ganha relevância o manifesto articulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que reuniu intelectuais, economistas, acadêmicos e ex-integrantes de governos, entre eles Rubens Ricupero, Miguel Reale Júnior e Aloysio Nunes Ferreira. O documento defende a democracia, a estabilidade institucional e a justiça social e alerta para os riscos representados por Flávio Bolsonaro. Esse movimento de frente ampla também começa a se realizar nos estados.

Outro fator relevante está no desempenho da campanha de Lula na comunicação digital. O presidente ultrapassou Flávio Bolsonaro no Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela consultoria Quaest. Entre 4 e 15 de outubro, a pontuação de Lula subiu de 70,7 para 82,6, enquanto a do candidato da extrema direita recuou de 80 para 76,4 pontos. Milhões de ativistas e eleitores/as de Lula engajaram-se no front da guerra digital.

Entre os fatores que impulsionam a expansão da presença digital de Lula está a mobilização e o protagonismo da juventude, que ganhou as ruas e ampliou sua atuação nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque registrou, entre 5 e 8 de outubro, cerca de 383 mil publicações e 8,2 milhões de interações digitais relacionadas às manifestações estudantis. A mobilização tem à frente União Nacional dos Estudantes (UNE) e sua rede de entidades em todo país e envolve organizações como a União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL).

Esses dados são promissores para a reta final da campanha eleitoral. A tendência é que deem um necessário novo impulso que resulte mobilizações ainda mais vigorosas, em um crescendo capaz de levar verdadeiras multidões às ruas no país inteiro, numa grande manifestação patriótica, popular e cívica. A gravidade da situação motivou democratas e patriotas a participar de mobilizações que já são um marco na história do país, defendendo seu futuro e lutando para impedir que a soberania nacional e a democracia sejam usurpadas por forças entreguistas, subordinadas a interesses estrangeiros, verdadeiros traidores da pátria.

Essa discrepância se manifestou com nitidez no debate da Band. Lula, um estadista de reputação internacional, enfrentou um desqualificado, mentiroso, agressivo, inapto para o debate democrático. “Foi um comportamento de moleque. Desrespeitoso, agressivo, desqualificado, fazendo acusações completamente sem dados”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Quando questões essenciais para o país e para o povo foram escrutinadas, Flávio Bolsonaro voltou a se mostrar por inteiro. Lula expôs, mais uma vez, o vínculo estreito do candidato da extrema direita com o crime organizado e sua prática contumaz de disseminar ódio e cultuar a violência.

A exposição chegou ao caso concreto da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ). Um policial acusado de efetuar o disparo foi defendido por Flávio Bolsonaro, que assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o acusado a julgamento popular. No debate, Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma explicação sobre sua posição diante de um caso que envolve a morte de uma criança. Ele, mais uma vez, tergiversou e não respondeu.

Indagado por Lula sobre a contratação, em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de familiares de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado pelo Ministério Público como ligado ao Escritório do Crime, Flávio Bolsonaro mais uma vez se omitiu.

O mesmo ocorreu no tema dos direitos trabalhistas. Lula indagou Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 e lembrou seu histórico de apoio à “flexibilização” das relações de trabalho. O candidato voltou a tergiversar, sem se dar à honestidade de dizer que, em um eventual governo sob sua liderança, pretende liquidar a conquista da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho, substituindo-a por um modelo que lança os trabalhadores à sanha da exploração assalariada, com a proposta de pagamento proporcional às horas trabalhadas, acabando, na prática, com garantias salariais, férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Na saúde pública, Lula perguntou se a promessa surreal de levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein significaria privatizar o sistema. Mais uma vez, Flávio Bolsonaro se esquivou. Na prática, a proposta em estudo na campanha prevê desvincular as verbas destinadas à saúde, medida que pode comprometer o financiamento de consultas, exames, cirurgias, distribuição de medicamentos e programas de prevenção e assistência. A mesma receita está sendo estudada para a educação, com riscos para o financiamento das escolas públicas, a valorização dos profissionais e a manutenção e expansão dos programas educacionais.

Lula também questionou Flávio Bolsonaro sobre a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, projeto intervencionista dos Estados Unidos na América Latina, apresentado sob o pretexto de combater o crime organizado. O candidato ignorou solenemente as implicações dessa aliança e sua subserviência ao governo de Donald Trump. Ele chegou a oferecer sua equipe de transição, em caso de eleição, a Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano. Flávio Bolsonaro também prometeu entregar aos Estados Unidos as terras raras brasileiras.

Esta é a semana de decidir os rumos do Brasil. Aproveitar cada hora desses dias preciosos. A palavra de ordem é executar com total intensidade as missões direcionadas a pedir e virar votos, com atenção especial aos que seguem indecisos ou que tendem a se abster. Fazer vibrar e brilhar com mais força as ideias da campanha de Lula nas redes e seguir tirando a máscara de Flávio Bolsonaro. Com mais volume e mais espírito de luta, continuar construindo a vitória nas ruas, enchendo praças e avenidas, de gente e de alegria. Conversar com os/as eleitores/as, pessoa a pessoa, por meios diversos.

Os brasileiros e brasileiras se veem diante da responsabilidade histórica de salvar o Brasil do flagelo bolsonarista e assegurar, com a reeleição do presidente Lula, um futuro de desenvolvimento soberano e democrático para o país e prosperidade para o povo. Cada democrata, cada patriota, cada trabalhador, estudante, mulher, jovem, cidadão, cidadã comprometidos com o futuro do país tem um papel a cumprir.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

Palavra de poeta

Língua ferina
Andréia Carvalho Gavita       

os leões rugem
e me mergulho
na órbita daquele aviso

não entrarás
rugidos partem meu escafandro
e me sufoco
no sumo daquela euforia

e me debato
nos átomos de carbono

não acidificarás

e me respiro
entrando

sou um leão alado
no dorso
pelo cio de archotes
lança chama,
a cabeleira neutra

imersa no voo que me ruge
escrevo
uma vírgula
insurreta

pendente da boca do felino

[Iustração: Sofia Sant'Ana]

Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

19 outubro 2026

Bom sinal

Pesquisa BTG/Nexus: empate e alta de Lula sinalizam virada na reta final. Presidente chega a 49,7% dos votos válidos e emparelha disputa com Flávio Bolsonaro a seis dias do segundo turno, impulsionado pelas mulheres, jovens e pela classe trabalhadora. (Portal ‘Vermelho’)

Às ruas, às redes, à virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-fio-da-meada.html 

Relações suspeitas

O que apareceria no extrato de Flávio se ele aceitasse o desafio de Lula?
Da suspeita de cargo fantasma às rachadinhas, imóveis e negócios com Vorcaro, o histórico de Flávio voltou ao debate após Lula propor abrir seus sigilos bancário e telefônico
Lucas Toth/Vermelho    

Flávio Bolsonaro foi ao debate da Band com pose de fiscal da corrupção. Durante boa parte do programa, o candidato da extrema direita passou ao largo das perguntas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os tantos casos que rondam o 01 do clã.

Lula, no entanto, dobrou a aposta. O presidente disse que aceitaria abrir seus sigilos bancário e telefônico caso Flávio Bolsonaro fizesse o mesmo. “Em vez de ficar falando que é honesto, prove que você é honesto”, cobrou o presidente.

“Eu sou presidente, por doze anos, eu tenho um apartamento de cento e noventa metros quadrados de um milhão e meio [reais]. Esse cidadão [Flávio], que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de dez milhões e pagou à vista uma parte dela com dinheiro do BRB, que está metido no caso do banco do Vorcaro”, relembrou Lula.

O candidato do Partido Liberal (PL) não aceitou o desafio. Nas redes sociais, os internautas também passaram a cobrar que Flávio abra os sigilos e mostre ao eleitor o que há por trás da pose de guardião da moralidade. 

E material para alimentar essa cobrança não falta: ao longo de décadas de vida pública do senador, a imprensa reuniu reportagens e documentos sobre negócios, patrimônio e relações políticas que fazem a imaginação do brasileiro correr.

A lista começa muito antes das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Flávio foi acusado de participar de um esquema de desvio de salários de assessores. Antes de chegar à Alerj, Flávio já havia ocupado um cargo público que levantou sérias suspeitas.

Em dezembro de 2000, aos 19 anos, o 01 foi nomeado assistente técnico na liderança do PPB na Câmara dos Deputados, em Brasília — o partido pelo qual Jair Bolsonaro, seu pai, ocupava uma cadeira —, com jornada de 40 horas semanais. 

Na mesma época, no entanto, ele cursava Direito presencialmente e fazia estágio voluntário na Defensoria Pública, ambos no Rio; antes dele, o posto na Câmara havia sido ocupado por Ana Cristina Siqueira Valle, então mulher de Jair. 

Como o cargo exigia expediente em Brasília, a rotina de Flávio — que cursava Direito e fazia estágio no Rio, a mais de mil quilômetros dali — levanta suspeitas até hoje de que o filho de Jair Bolsonaro fosse funcionário fantasma. 

Flávio deixou o cargo na Câmara em 2002 e, no ano seguinte, assumiu o primeiro mandato na Alerj. 

Foi no gabinete estadual que o Ministério Público do Rio identificou o esquema das rachadinhas: segundo a acusação, assessores devolviam parte dos salários, e Fabrício Queiroz recolhia e movimentava o dinheiro. A investigação seguiu esse caminho até os negócios imobiliários do senador. 

Os promotores apontaram R$638,4 mil em depósitos em dinheiro vivo na conta de um corretor ligados à compra de dois apartamentos e questionaram o lucro de 292% declarado por Flávio na revenda, muito acima dos 11% de valorização da região. A suspeita é de lavagem de dinheiro com o recolhimento dos salários dos servidores.

Em 2021, o STJ anulou quebras de sigilo usadas na investigação; no ano seguinte, a Justiça do Rio arquivou a denúncia. Mas a história dos imóveis não saiu do noticiário. 

Naquele mesmo ano, Flávio comprou uma mansão no Lago Sul em Brasília por quase R$6 milhões, dos quais R$3,1 milhões foram financiados pelo BRB em 360 prestações. O banco não informou as condições do contrato, alegando sigilo bancário — justamente o tipo de informação que o desafio de Lula poderia ajudar a esclarecer.

Rachadinha, imóveis, Banco Master, hospitais federais e relações com personagens de outros escândalos: esse foi o repertório que Flávio deixou fora do debate. A lista a seguir reúne os principais episódios que fazem a pose de guardião da moralidade desabar. 

Os casos e suspeitas que cercam Flávio

Rachadinha na Alerj: o Ministério Público do Rio apontou Flávio como figura central num esquema em que assessores devolveriam parte dos salários. Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete, foi apontado como operador. Decisões judiciais anularam provas obtidas com quebras de sigilo, e Flávio não foi condenado.

Imóveis e dinheiro vivo: na mesma investigação, o MP suspeitou que Flávio e a mulher usaram dinheiro em espécie para ocultar valores em negócios imobiliários. Um relatório apontou R$638,4 mil em depósitos em dinheiro ligados à compra de dois apartamentos e questionou o lucro declarado na revenda. 

A compra de uma mansão de quase R$6 milhões em Brasília também chamou atenção, em 2021, porque o senador era investigado por suspeitas envolvendo imóveis.

Banco Master e o filme Dark Horse: Flávio mentiu sobre sua relação com Daniel Vorcaro: primeiro disse que não conhecia o ex-banqueiro; depois, quando questionado sobre o financiamento do filme, chamou a informação de “mentira”.

Mensagens divulgadas mais tarde mostraram o senador negociando US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — e chamando Vorcaro de “irmão”. Ao menos US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões, foram transferidos ao fundo que administrava os recursos do filme. 

Só depois da divulgação das conversas Flávio admitiu a negociação, que passou a chamar de patrocínio privado. A Polícia Federal investiga suspeitas ligadas à origem e ao caminho do dinheiro.

Careca do INSS: reportagem do ICL mostrou que uma empresa de capacetes ligada a Flávio funcionava no mesmo endereço e usava a mesma contabilidade de empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso no caso dos descontos ilegais em aposentadorias. A coincidência levanta suspeitas de de ligação entre o Careca do INSS e o 01.

Hospitais federais no Rio: Durante o governo do pai, Flávio interferiu nas indicações e decisões dos seis hospitais federais do Rio, embora não ocupasse cargo na área da Saúde. 

Em 2019, contestou a nomeação de Paulo Cotrim para o Hospital de Bonsucesso; menos de um mês depois, Cotrim foi exonerado. Na pandemia, leitos ficaram fechados por falta de profissionais e, no fim de 2020, 3,5 mil contratos foram encerrados. 

Auditorias do TCU e da CGU identificaram editais com sobrepreço de R$69 milhões em insumos e R$18,1 milhões em medicamentos. 

No debate, Lula cobrou: “Eu queria fazer a pergunta, se ele tem noção da destruição que ele fez nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, que nós agora estamos recuperando”.

Willer Tomaz e a rede de relações de Flávio: A Polícia Federal investiga se Flávio atuou com o advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O inquérito no STF surgiu de uma apuração sobre lavagem e evasão de divisas por meio de bets. Ao analisar os e-mails de Tomaz, a PF encontrou registros que apontam Flávio como “usuário master” de uma conta da empresa Alcazar Holdings, administrada pelo advogado, até maio de 2025.

A investigação também identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas juntos em 2025; documentos indicam que Tomaz bancou viagens do senador e de familiares. 

Em uma delas, Flávio viajou num jato operado por uma empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio e Tomaz como cotista de uso. Flávio chamava o advogado de “meu amigo Willer Tomaz” e também atua ao lado dele em processos judiciais.

Apartamento usado na campanha: uma representação eleitoral questionou o uso de um imóvel ligado a Willer Tomaz durante a campanha e apontou possível despesa ou doação não declarada. A denúncia ainda não comprova irregularidade.

Kopenhagen e Alexandre Santini: Flávio foi sócio de Santini numa franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca. A loja entrou na investigação das rachadinhas porque, segundo o Ministério Público, movimentava dinheiro em espécie e registrava um faturamento incompatível com as transações.

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Detalhe que importa

Lula venceu a do melhor do debate
“Até teu pai” foi o momento alto do enfrentamento na Band
Nesletter ‘Primeiro café’ 
       

Nem o mais otimista eleitor do Lula esperava que, diante de Flávio super treinado para a mentira, o octogenário vencesse a disputa pelo melhor corte do debate. Mas aconteceu, e logo no primeiro bloco. Quando Flávio, acuado e nervoso, questionou porque Lula recebeu voto de “75% dos presidiários”, o presidente respondeu que ele queria 100% dos votos, “até o teu pai”.

O corte de poucos segundos viralizou rapidamente nas redes sociais e está sendo visto por milhões de pessoas. Foi difundido inclusive pela imprensa do exterior. Este será, para a grande maioria da população brasileira, o resumo do primeiro debate entre os dois candidatos à presidência.

De resto, o debate foi excelente como entretenimento e vazio de conteúdo. O primeiro bloco se resumiu em Lula pressionando Flávio pelas muitas respostas que ele deve à população e o opositor fugindo e trazendo assuntos aleatórios para não responder. Flávio tem a seu favor apenas o fato de não ser Lula e insistiu no tradicional meme “e o Lula? E o PT?” em absolutamente todas as perguntas incômodas.

Destaco ainda que Lula conseguiu extrair do adversário a confissão do desastre que foi o governo do pai dele durante a pandemia. E ainda respondeu muito bem à proposta de Flávio de trazer um administrador do sistema privado para o SUS plantando a dúvida sobre se o candidato da extrema direita pretende privatizar a saúde pública.

Em geral, Flávio adotou uma postura arrogante no comportamento e no discurso, o que não passará batido pela opinião pública. Lula, por sua vez, cometeu alguns tropeços de fala, se apegou a assuntos pouco relevantes nesta altura, mas respondeu e perguntou de forma incisiva.

Quem viu o debate saiu com a certeza de que Flávio é mentiroso, despreparado e moleque e que Lula está nervoso com a possibilidade de derrota e que já dá sinais de cansaço.

Ilustração: charge de Gilmar

Gastando muito? Corra ao endocrinologista! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01136127338.html 

BBC: empatados

O candidato Flávio Bolsonaro aparece empatado com o presidente Lula nas intenções de voto para presidente no segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Com um detalhe: Lula em ascensão.  

Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html 

Minha opinião

Debate na TV para quê?
Luciano Siqueira   

Colunistas de diversos matizes e diferentes órgãos de imprensa — mesmo alguns de viés direitoso — opinam que no debate da Band, ontem à noite, o candidato Flávio Bolsonaro, da extrema direita, recusou-se a responder a todas as perguntas que o presidente Lula ele fez e se esmerou em provocações de baixíssimo nível. 

Regras permissivas deram margem ao deplorável espetáculo. 

Para que servem mesmo esses debates?

Se a intenção fosse cotejar diferentes proposições entre os candidatos oponentes, as regras seriam certamente outras. 

Por que não o espaço para que jornalistas fizessem perguntas aos candidatos? 

O fato é que chegamos à reta final da campanha no segundo turno com Lula em ascensão, apoiado em manifestações públicas de centenas de milhares que ultrapassam milhões, pelo Brasil afora, incluindo cidades do interior.

Em contraposição, a campanha do candidato do PL apela a factoides e provocações absolutamente contrastantes com a postura de um pretendente ao mais alto cargo da República.

Para além da minha posição política e ideológica, cá com meus botões, sinceramente, acredito que já viramos a peleja e são reais as possibilidades de reeleição do Presidente Lula.

Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html  

Negócio suspeito

Lula enquadra Flávio Bolsonaro, que não explica como comprou mansão de R$ 10 milhões
No debate da Band, o presidente Lula questionou como o senador conseguiu comprar um imóvel tão caro em Brasília, sendo a maior parte do valor à vista
Murilo da Silva/Vermelho  

Durante o debate realizado na Band neste domingo (18), o presidente Lula enquadrou Flávio Bolsonaro (PL) para que explique como ele comprou a mansão em que mora em Brasília (DF). Com valor divulgado de R$ 6 milhões, mas com suspeita de que o valor real seja muito superior, na casa de R$ 10 milhões, Flávio fugiu da resposta.

“Eu sou presidente, por doze anos, eu tenho um apartamento de cento e noventa metros quadrados de um milhão e meio [reais]. Esse cidadão [Flávio], que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de dez milhões e pagou à vista uma parte dela com dinheiro do BRB, que está metido no caso do banco do Vorcaro”, disse Lula.

O presidente, nesse momento, estava encurralando o senador para que explicasse o áudio em que é flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master. Flávio não respondeu às perguntas e se limitou a dizer que era para o filme do pai, Jair Bolsonaro. Porém, é sabido que mesmo produções de Hollywood não chegam a custar esse valor. Lula estava questionando se este dinheiro não estava sendo para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, de onde trama ações lesa-pátria contra o Brasil.

Como já noticiado pelo Portal Vermelho, a mansão de Flávio tem cerca de 1.100 m² de área construída em um terreno de 2.400 m², com pisos e acabamentos em mármore de Carrara e Crema Marfil. O imóvel possui espaço gourmet com ampla varanda, churrasqueira e forno de pizza, academia, spa com aquecimento solar, sauna integrada à piscina, brinquedoteca e paisagismo com irrigação artificial. São quatro suítes, uma delas com banheira de hidromassagem, além de oito vagas de garagem, quatro cobertas e quatro descobertas.

Nas últimas semanas, a Polícia Federal começou a investigar o caso, pois há suspeita de que parte do valor financiado por Flávio tenha sido obtido sob privilégios junto ao banco BRB (Banco de Brasília), que está ligado aos esquemas de corrupção de Vorcaro.

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Minha opinião

Sinal de quê?
Luciano Siqueira   

Da França até a Albânia, incluindo outros países da Europa... – assinala o noticiário internacional, a propósito de manifestações estudantis que seguem por mais de um mês.

Os estudantes reivindicam melhores condições nas universidades, mais professores e infraestrutura para o ensino, mas na base de tudo estão a perda do poder de compra e o encarecimento do custo de vida, incluindo a crise de habitação (alta dos aluguéis) e os cortes orçamentários em serviços essenciais.

Em muitas cidades as manifestações ocorrem sob forte tensão política, depredações, bloqueios de vias e confrontos diretos com a polícia, resultando no uso de bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo pelas forças de segurança e centenas de prisões, inclusive de adolescentes.

Pais e professores formam barricadas humanas diante das forças policiais para protegerem os estudantes.

Analistas os mais diversos convergem na percepção de que mais do que descontentamento, há um sentimento de ruptura contra os governos locais e o sistema político vigente.

A palavra “revolução” vem á tona em muitos discursos. São sinais de um novo ciclo político para além da onda neofascista atual?

Corpos de uma democracia https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esperanca-nas-ruas.html

Palavra de poeta

o corpo e o relógio 
Cida Pedrosa      

o tempo de tuas mãos 
não bate com o relógio do meu corpo 
 
porque teimar em acertar ponteiros 
e colar as horas 
se o imã parou o relógio do criado-mudo 
 
a chuva molha meu corpo 
que não é à prova d'água 
 
seca solidão silêncio 
 
na janela à noite corre em direção ao mar 
 
o tempo zapa para traz
tua língua faz curvas entre meus pêlos 
 
os ponteiros voltam a girar 
tua língua zarpa para frente
 
na janela o dia corre em direção às horas
 
[Ilustração: Pablo Picasso]
 
Leia também "Espiral", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_0459516113.html 

Editorial do 'Vermelho'

Globo estende o tapete vermelho à extrema direita

Almoço da cúpula da empresa com Flávio Bolsonaro no dia da sabatina com ele expõe preferência política e afronta a isonomia eleitoral
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br     

 


A recepção de Flávio Bolsonaro pela alta direção do Grupo Globo, em almoço realizado no mesmo dia de sua sabatina no Jornal Nacional, 16 de outubro, constitui um gesto de enorme gravidade política. No momento decisivo da disputa presidencial, a direção de um dos maiores conglomerados de comunicação do país ofereceu ao candidato da extrema direita uma deferência que não dispensou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrevistado no dia anterior.

A diferença de tratamento é inequívoca. A sinalização política, igualmente evidente, compromete a isonomia que deveria orientar a atuação de uma empresa cuja influência sobre a vida nacional é gigantesca. A disparidade não é um detalhe protocolar, tampouco uma coincidência desprovida de significado. É um evidente sinal de proximidade política e programática. É assim que o gesto se projeta sobre a opinião pública, independentemente das justificativas apresentadas posteriormente.

Não foi uma simples visita de cortesia, como tentou explicar a Globo, segundo a qual o encontro teve caráter institucional e não contou com a participação de jornalistas. A ausência de profissionais da redação não apaga a parcialidade nem neutraliza seu significado político. Tampouco se pode transferir aos jornalistas a responsabilidade por uma iniciativa da cúpula administrativa.

A distinção é necessária: os profissionais devem ser avaliados pelo seu trabalho, enquanto os dirigentes devem explicações pelas escolhas que fazem e pelos sinais que emitem. A igualdade de tratamento, a transparência das relações com candidatos e a autonomia das redações são exigências fundamentais para a credibilidade do jornalismo e para a proteção da democracia.

Diante da repercussão, Lula declarou, durante ato político em Ipatinga (MG), no mesmo dia 16, que a emissora havia perdido confiança: “Então, eu quero dizer para vocês que a partir de hoje, a Globo está sob suspeição da minha candidatura. Não vai ter confiança. Não vai ter.”

A direção da Globo conhece perfeitamente o peso político de suas decisões. Sabe também que sua influência no cenário nacional decorre tanto da dimensão de seu poder econômico quanto da natureza do serviço que presta, submetido ao regime de concessão pública. A Constituição estabelece princípios para a programação das emissoras, e a legislação eleitoral veda o tratamento privilegiado a candidatos nas condições previstas em lei.

A obrigação de respeitar a isonomia exige responsabilidade pública, respeito institucional e garantia de igualdade entre os concorrentes. Ao dispensar tratamento diferenciado a Flávio Bolsonaro, a cúpula empresarial emitiu um sinal inequívoco de preferência política e afrontou o princípio da isonomia que deve resguardar a disputa eleitoral.

O episódio assume gravidade ainda maior diante do histórico da própria Globo, especialmente o de 1989, quando a edição do debate presidencial entre Lula e Fernando Collor de Mello, exibida pelo Jornal Nacional, constituiu uma das mais graves ingerências dos meios de comunicação na soberania do voto popular. A seleção de trechos e a apresentação dos desempenhos dos candidatos favoreceram Collor, fato posteriormente reconhecido por diretores da própria emissora.

O acontecimento de 16 de outubro, envolvendo Flávio Bolsonaro, recoloca no centro do debate a mesma questão. A gravidade aumenta porque, nestas eleições, a disputa não se limita à concorrência entre candidaturas. Envolve o futuro da democracia, a soberania nacional, a autonomia do Estado e a capacidade do país de definir seus próprios rumos. O bolsonarismo acumulou um histórico de ataques às instituições, de deslegitimação do sistema eleitoral e de afronta aos fundamentos da convivência democrática. A possibilidade de retorno desse projeto ao poder representa uma questão política de enorme relevância e exige escrutínio rigoroso, informação abrangente e debate público sem privilégios.

A situação torna-se ainda mais grave porque se soma à atuação das grandes plataformas digitais, as chamadas big techs, cuja distribuição de conteúdo e publicidade política desafia a transparência e a fiscalização pela Justiça Eleitoral. A concentração de poder nos meios de comunicação, sua influência e as relações entre interesses econômicos e projetos políticos constituem desafios centrais para a integridade do processo eleitoral e para a soberania do voto popular.

Diante da gravidade do episódio, as forças democráticas, os movimentos populares, as entidades de jornalistas, os sindicatos, as organizações da sociedade civil e todos os defensores da democracia devem intensificar a mobilização. É necessário denunciar a desigualdade de tratamento, exigir transparência das empresas de comunicação, pressionar as instituições competentes para que fiscalizem o cumprimento da legislação e impedir que interesses privados se sobreponham ao direito do povo de decidir livremente seu futuro.

A democracia não pode ficar à mercê dos interesses dos conglomerados de comunicação nem da influência das grandes plataformas digitais. A soberania nacional não pode ser subordinada às conveniências de grupos que defendem seus próprios privilégios. É preciso transformar a indignação em mobilização organizada, vigilância permanente e pressão pública firme. Nenhum privilégio político, nenhum poder econômico e nenhum monopólio da comunicação estão acima da lei e dos direitos do povo brasileiro. A defesa da democracia exige ação, coragem e firmeza.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html