03 setembro 2026

Minha opinião

Três destaques sob turbilhão midiático*
Luciano Siqueira    

1 - Reação tática perigosa, porém desordenada - é o que faz o bolsonarismo remanescente na esfera partidária e nas instâncias de poder real. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) persiste em segundo lugar, perdendo apenas para o presidente Lula em praticamente todas as pesquisas dos institutos mais confiáveis, mas segue confuso, precário e frequentemente desastroso em seu desempenho, amargando uma espécie de semi-isolamento nas hostes de direita e de extrema direita. 

Pesa substancialmente na fragilidade da campanha do dito filho Zero Um a ausência de apoio das grandes legendas do centrão, que optaram pela omissão quanto à disputa pela presidência da República, concentrando esforços na eleição de senadores e deputados federais. 

Que proposta tem para o país? A resposta de Flávio Bolsonaro é sempre superficial, dúbia e inconsequente. 

A elite dominante — simplificadamente identificada pela alcunha de "Faria Lima" — não conseguiu produzir a almejada candidatura essencialmente de direita e aparentemente de "terceira via"; e não se vê representada pelo candidato do PL.

No mato sem cachorro, vale conferir qualquer latido. Daí a sequência de jantares e almoços arranjados às pressas com o histriônico Augusto Cury (Avante), desde que surpreendentemente pontuou 11%.

2 - A jogada do ministro André Mendonça, o tal terrivelmente evangélico, que desrespeitou todas as normas processuais e trouxe à luz supostas denúncias de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tem o evidente propósito de jogar estrume no ventilador do pleito presidencial. 

Algo outrora muito comum em pelejas de futebol de várzea, marcados por paixões e rivalidades: o time está perdendo?, façamos confusão para mudar o clima da peleja e talvez mudar o jogo. 

A manobra tática do ministro André Mendonça é plenamente assimilada pelo complexo midiático neoliberal dominante, pródigo em notícias contraditórias e análises tão superficiais quanto tendenciosas. 

3 - Há possibilidades reais de vitória do presidente Lula, conforme confirmam tendências persistentes nas pesquisas. E o candidato efetivamente dá o tom e o conteúdo da campanha, cujo fio condutor é a defesa da soberania nacional, a que se agregam conquistas sociais alcançadas e o quanto se pode ainda avançar. A superação da escala 6 x 1, prestes a se confirmar no Senado, ajudará bastante na demarcação de campos perante o eleitorado.

Aí está o foco da campanha, prioridade no discurso de candidatos e candidatas do PCdoB e de grupos de esquerda mais consequentes; e também dos postulantes aos governos estaduais sintonizados com a reeleição de Lula.

*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

O golpe por dentro do TSE https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/golpismo.html 

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