20 julho 2026

Minha opinião

Campanha: consciência e prazer
Luciano Siqueira  

Sim, passou a Copa do Mundo. Ainda bem, pois assim nós, torcedores brasileiros, nos ocupamos de coisa mais séria ao invés de remoer o lamentável fracasso da seleção canarinha.

Na pauta, Convenções partidárias a partir das quais iniciarão a campanha eleitoral. 

Gosto de campanha. Um instante da vida militante em que se fundem, num crescendo, a consciência e a emoção. 

Inicialmente, a maioria dos eleitores não dá muita bola; mas na medida em que se aproxima dos dados do pleito, o ambiente esquenta e ensina à troca de ideias e à ação concreta.

Assim acontece no PCdoB.

Aprendizado mútuo, que pode não apenas produzir a eleição dos candidatos e candidaturas, mas um passo adiante na elevação da consciência política do eleitorado.

Especialmente quando se relaciona o desafio da transformação política e social do país com as contradições e a luta no plano local.

Também possibilita o prazer da boa conversa entre antigos e novos amigos e conhecidos em torno de um cafezinho.  

É quando se fundem a consciência e o afeto, resultando em apoio ativo e se multiplica por muitos e muitos votos.

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"Somos todos Lula em torno de um cafezinho"   https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Arte é vida

 

Camille Engel 

Quadrinhos contra a opressão, pelos lápis de uma mulher notável https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/enio-lins-opina_01982092765.html 

Copa do Mundo: Espanha no pódio

Espanha, campeã do mundo
A equipe ficou com a bola, dominou toda a partida 
Tostão/Folha de S. Paulo     

A Espanha, com sua bela e eficiente maneira de jogar, ficou com a bola, dominou toda a partida, finalizou vinte vezes, criou cinco claras chances de gols e mereceu o título, com um gol marcado por Fernan Torres.

A Argentina não teve uma única finalização no tempo normal de jogo e apenas no final da prorrogação finalizou e criou uma oportunidade de marcar. Se a Espanha tivesse mais talento no ataque, poderia ter feito mais gols.

Lamine Yamal, o único lutador excepcional, teve uma atuação discreta.

A derrota ainda não terminou.

Ancelotti, por ser um treinador vitorioso, de prestígio mundial e europeu, como a maioria dos brasileiros queria, foi uma grande decepção. Ele não deixou de ser um excelente técnico. Embora tenha cometido alguns erros e a eliminação do Brasil tenha sido mais cedo do que nos Mundiais anteriores, o fato é mais uma demonstração da importância relativa dos treinadores.

Eles erraram e acertaram, pois o futebol está longe de ser uma ciência exata. Há muitos outros fatores envolvidos.

Muitas vezes, um grande momento, uma seleção, se forma de repente. Os jogadores completaram o campo com mais características do que os treinamentos. A primeira vez que joguei ao lado de Dirceu Lopes e Evaldo no Cruzeiro dos anos 60, parecia que jogávamos juntos há mil anos.

Evidentemente, o melhor é que um treinador de seleção tenha um bom ritmo para formar uma equipe com suas variações na escalação e na maneira de jogar.

Os tempos que atuam na Argentina são inferiores aos que tocam no Brasil. As duas seleções são formadas quase somente por atletas que atuam no exterior. Fora Messi, existe, mais ou menos, um equilíbrio técnico individual entre as duas escolhas. Porém, o jogo coletivo dos argentinos é muito melhor, menos na final contra a Espanha.

A Argentina preenche mais o meio-campo, troca mais passes e tem mais controle da bola e do jogo. Scaloni, que jogou na Espanha, bebeu na fonte dos espanhóis. Já no Brasil, há décadas, priorizou as estocadas, os lançamentos individuais, as bolas longas para as velocidades e hábeis pontas e atacantes. Faltam craques no meio-campo.

Muitas coisas precisam mudar no futebol brasileiro, fora e dentro de campo, principalmente, na formação de jogadores.

Não há mais lugar para dividir o meio-campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, os goleiros entre os que jogam bem com a mão e os que jogam bem com os pés, entre os zagueiros que defendem bem e os que têm bons passes, os laterais que marcam e os que avançam e entre os centroavantes fixos e os que se deslocam por todo o ataque, bisonhamente chamados de falsos 9. Os bons atletas, durante o mesmo jogo, obrigatoriamente ter mais de uma função em campo.

Os grandes problemas do país se estendem ao futebol. Nas últimas décadas, em vários governos, o Brasil tem sido incompetente para resolver ou atenuar bastante os graves problemas sociais, educacionais, de corrupção e de criminalidade. O mesmo acontece no futebol. amal, o único especialista excepcional teve uma atuação discreta.

Apesar das apostas, de Trump e da ganância da FIFA, a Copa do Mundo, no campo, foi espetacular, uma demonstração da evolução do futebol, com partidas lindas e emocionantes, um número recorde de gols e jogos com muita intensidade. Os participantes demonstraram grande capacidade de atacar e defender com muitos jogadores, de alternar a marcação mais recuada com a pressão para recuperar a bola, de acelerar e de pausar, no momento certo.

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Governo obriga alerta de dependência em publicidade de apostas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/restricoes-as-bets.html 

Negócios suspeitos

Trump transformará a Presidência dos EUA em negócio
Empresa controlada pela família venderá bancos e fundos de Wall Street com acesso antecipado a mensagens em que o presidente anuncia medidas capazes de movimentar os mercados
Lucas Toth/Vermelho 

Donald Trump encontrou uma nova maneira de usar a Presidência dos Estados Unidos para aumentar a fortuna de sua família. A Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora da rede Truth Social, propôs cobrar de bancos, fundos de hedge e operadoras de Wall Street até US$100 mil por mês pelo acesso mais rápido às publicações do presidente.

Batizado de Truth API, o serviço entregará em tempo real as cartas das dez contas consideradas mais influentes da plataforma, entre eles como de Trump e de seus filhos Donald Trump Jr. 

A empresa também oferece uma mensalidade reduzida de US$ 60 mil para clientes que assinam contratos de três anos. O lançamento comercial está previsto para 1º de agosto.

Na prática, a empresa vai transformar anúncios presidenciais e informações sobre políticas de governo em um produto. 

As publicações de Trump sobre tarifas, avaliações, guerras e decisões econômicas frequentemente provocam oscilações imediatas nas bolsas, nas moedas e nos preços de materiais primários.

Para empresas de negociação de alta frequência, recebam uma informação alguns milissegundos antes que os investidores demais possam render centenas de milhares de dólares. Em abril de 2025, por exemplo, os índices de Wall Street dispararam depois que Trump anunciou pela Truth Social uma suspensão temporária de parte das tarifas impostas por seu governo.

O novo negócio também poderá enriquecer diretamente o próprio presidente. O Donald J. Trump Revocable Trust detém 114,75 milhões de ações da TMTG, cerca de 41% dos papéis da empresa. Embora o fundo seja administrado por Donald Trump Jr., os documentos regulatórios identificam Trump como instituidor e único beneficiário atual do patrimônio.

A iniciativa provocou críticas de parlamentares e entidades de fiscalização. A senadora Elizabeth Warren classificou o serviço como “um esquema flagrante para lucrar com a Presidência e enriquecer Wall Street”. 

Já o senador Ron Wyden afirmou que o produto beneficiará financeiramente a família Trump e os grandes operadores do mercado.

Donald Sherman, presidente da Organização Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington, ultimamente o anúncio “amplamente antiético”. Para ele, o presidente poderá se beneficiar financeiramente da venda de acesso privilegiado a mensagens produzidas justamente por sua posição no comando do governo.

A operação expõe mais uma vez a fusão entre os negócios privados da família Trump e o poder do Estado norte-americano. 

Políticas que podem afetar milhões de trabalhadores, empresas e países passam a servir também como matéria-prima para uma empresa específica cobrar fortunas de especuladores específicos em lucrar antes do restante do mercado.

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Avanço do comércio internacional chinês desafiar barreiras dos EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/china-x-eua.html 

Humor de resistência

Quinho

Por que os Estados Unidos querem atingir o Pix? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/trump-contra-o-pix.html 

Sylvio: tarifaço

Mais uma vez Trump ataca o Pix e o Brasil com altas tarifas, objetivando eleger seu cúmplice Bolsonaro.  Somos uma nação livre e sóbria e não permitiremos essa malfadada ingerência externa.

Sylvio Belém  

Trump transformará a Presidência dos EUA em negócio  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/negocios-suspeitos.html 

19 julho 2026

Palavra de poeta

Amar
Carlos Drummond de Andrade    

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, perguntar, o ser amoroso,
sozinho, em giros universais,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou estímulo expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procurar medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na segurança nosso amor a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita

[Ilustração: Cícero Dias]

Leia também "Espiral", poema de Mia Couto   https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_0459516113.html  

Fotografia

 

Alexandre Urch

A morte e a morte do amigo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra.html 

Vira-latas

Traidor da pátria detectado: “TariFlávio” tem 7 milhões de menções nas redes
Peso do tarifaço recai de forma justa sobre seu principal fiador, o senador Flávio Bolsonaro, que teve milhões de menções negativas ao seu nome nas primeiras 24 horas da medida
Murilo da Silva/Vermelho    

O tarifaço dos Estados Unidos contra os produtos brasileiros tem gerado grande repercussão negativa sobretudo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais fiadores da medida.

De acordo com a agência Ativaweb, a pedido da coluna de Tatiana Farah no Uol, nas 24 horas seguintes ao anúncio da medida, 7 milhões de menções ou interações foram registradas nas redes com a palavra “TariFlávio”, o que demonstra que a população sabe bem que é o “pai” do tarifaço em solo nacional.

A nova taxa de 25% contra produtos que o Brasil exporta para os EUA teve mais de 21,4 milhões de citações nas redes X, Instagram e TikTok.

A revista Veja, que também encomendou o levantamento para a agência, destaca que Lula saiu na frente na disputa de narrativas ao ser ligado à defesa da soberania nacional, do Pix e da resposta brasileira às medidas de Donald Trump. Flávio Bolsonaro, por sua vez, foi o principal alvo de desgaste nas redes, impulsionado pela hashtag “TariFlávio”, que atribui à família Bolsonaro parte da responsabilidade pela crise entre Brasil e Estados Unidos. O termo esteve presente em 32% das publicações sobre a medida.

Leia mais: Voto em Lula é mais consolidado que o de Flávio Bolsonaro

Ainda é ressaltado que o levantamento aponta que o Pix passou a ser tratado como símbolo da soberania nacional e que houve amplo apoio à Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso. Já a campanha da oposição com o slogan “Faz o L” teve alcance menor do que a narrativa que responsabiliza Flávio Bolsonaro.

A revista também aponta a fala do diretor da Ativaweb, Alek Maracajá. Ele indica que o tarifaço, antes mesmo de produzir efeitos econômicos, trouxe impactos no que tange à reputação digital, sendo que Lula saiu vencedor nessa disputa: “Nas redes sociais, a batalha não era sobre tarifas ou comércio exterior. Era sobre definir quem seria reconhecido como defensor do Brasil e quem carregaria o custo político da crise.”

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Lula lidera 1º e 2º turnos e Flávio Bolsonaro tem maior rejeição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/lula-avanca.html 

Postei nas redes

Leio na Folha que campanha de Flávio Bolsonaro usará veto a visita ao pai encarcerado para reforçar papel de porta- voz e isolar a madrasta Michele. Luta política de baixíssimo nível, ao estilo de novela mexicana. 

Enquanto isso, sigamos em frente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Humor de resistência

Galvão Bertaz

Lula lidera 1º e 2º turnos e Flávio Bolsonaro tem maior rejeição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/lula-avanca.html 

18 julho 2026

Palavra de poeta

Tarde no Recife
Joaquim Cardozo      

Tarde no Recife.
Da ponte Maurício o céu e a cidade.
Fachada verde do Café Maxime,
Cais do Abacaxi. Gameleiras.

Da torre do Telégrafo Ótico
A voz colorida das bandeiras anuncia
Que vapores entraram no horizonte.

Tanta gente apressada, tanta mulher bonita;
A tagarelice dos bondes e dos automóveis.
Um camelô gritando: – alerta!
Algazarra. Seis horas. Os sinos.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes,
Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem dos fidalgos
                                                                                  [holandeses,
Que assistem agora ao movimento das ruas tumultuosas,
Que assistirão mais tarde à passagem dos aviões para as costas
                                                                         [do Pacífico;
Recife romântico dos crepúsculos das pontes
E da beleza católica do rio.

Leia também: "Guarda-me em ti", poema de Raúl Zurita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_02016478250.html 

Minha opinião

¡Vamos, Argentina!
Luciano Siqueira    

“Confira aqui: a Folha lhe ajuda a escolher por qual seleção torcer na final da Copa do Mundo.”

O "convite" está no caderno esportivo da versão online do jornal paulista.

Não li, passei adiante.

Superei a curiosidade de saber como — será por um robô? — poderia confortavelmente abrir mão dos meus sentimentos e juízos de valor e fugir ao desafio da escolha.

Escuto de amigos muitos argumentos favoráveis à Argentina e outros tantos em favor da Espanha. Poucas razões objetivas e muita subjetividade, como é próprio da paixão que arrebata os espíritos no futebol.

Tudo bem. Num mundo tão complexo, palmilhado de infelicidade, a opção por este ou aquele lado num jogo da dimensão da final da Copa do Mundo chega a ser um bálsamo. 

Por que então transferir o desafio para um mecanismo qualquer, talvez de inteligência artificial, adotado pelo jornal como que para facilitar a vida do torcedor brasileiro, mais uma vez excluído da final da Copa do Mundo?

Ora, as emoções dão cor à vida. A dúvida é criativa e a decisão liberta. 

Eu mesmo, ao invés de cotejar argumentos fundamentados a favor de um lado ou de outro, neste domingo serei 100% Argentina, em defesa dos povos colonizados do subcontinente sul-americano contra a Espanha colonizadora.

Mais: se o time de Lionel Messi vencer, na Buenos Aires de apenas 13 mil habitantes, na Zona da Mata Norte pernambucana (retratada no filme “Buenosaires”, dirigido por Tuca Siqueira, recém-lançado), onde há um Boca Juniors com torcida organizada, rolará muita euforia e cachaça.

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Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/buenos-aires-o-filme.html

Editorial do 'Vermelho'

Governo Lula defende o Brasil contra o tarifaço Trump-Bolsonaro
Pesquisa aponta que maioria do povo responsabiliza Flávio Bolsonaro pelas tarifas. Cresce apoio a Lula, enquanto o neofacista perde apoio
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
   

O governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, oficializou a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor em 22 de julho, em um anúncio carregado de hostilidades. É preciso lembrar que o itinerário dessa decisão contou com a participação do candidato a presidente da extrema direita, Flávio Bolsonaro, que esteve na Casa Branca com Trump, acompanhado de seu irmão foragido Eduardo Bolsonaro e de outro comparsa, Paulo Figueiredo, em 26 de maio de 2026, e, mais recentemente, em 7 de julho, na conferência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), quando somente ele, entre dezenas que usaram a palavra, não apresentou restrições às tarifas.

O secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio, disse nas redes sociais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula e seu governo “não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé” ao pôr “seu próprio ego acima da realização de um acordo”. A publicação foi respostada por Flávio Bolsonaro, mais um lance de total subserviência à uma potência estrangeira que ataca o Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que “desde o primeiro momento o presidente Lula buscou diálogo e enfatizou sua disposição de negociar”. As declarações do Secretário de Estado “são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, afirmou, ressaltando que só com Rubio e o representante de comércio, Jamieson Greer, foram 11 contatos, incluindo o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca. “Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo”, protestou.

Uma nota da Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que “o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”. “Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os Estados Unidos acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, destaca.

Em 2025, de acordo com a nota, 76% das importações originárias dos Estados entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%. “O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, afirma.

De acordo com a nota, “o governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros”. “Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura. Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos Estados Unidos, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.” O governo brasileiro asseverou também que acionará a Lei da Reciprocidade.

Os produtos atingidos incluem etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban, disse, em comunicado, que as tarifas prejudicam as empresas nos dois países. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) calcula que a medida deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, e classificou a decisão como um resultado “muito negativo” para a relação bilateral entre os dois países.

Por sua vez, Paulo Skaff, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em vez de sair em defesa da indústria paulista, optou por atacar o governo brasileiro. Responsabilizou o presidente Lula, levianamente, sem base na realidade, pela decisão dos Estados Unidos. Skaff apoiou Jair Bolsonaro tanto em 2018 quanto em 2022. Mais uma vez, confirma sua conduta antipatriótica e de subordinação ao imperialismo estadunidense.

As alegações de práticas desleais de comércio pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos são falsas. A começar pelo Pix, sistema que prescinde de operadoras de cartões de crédito e empresas de tecnologia – como a Visa e a Apple –, público, aberto e seguro, que protege a população de taxas e serviços digitais. “O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”, disse a nota do Palácio do Planalto.

Da mesma forma, são falaciosos os argumentos de que no Brasil os problemas relacionados à corrupção, comércio digital e desmatamento não são tratados adequadamente, além de aberta ingerência em assuntos internos com a indisfarçável tentativa de ajudar Flávio Bolsonaro.

A nota do Palácio do Planalto afirma que os Bolsonaro “são falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.”

Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quinta-feira (16), revela que a maioria dos brasileiros atribui a Flavio Bolsonaro a decisão dos Estados Unidos: 51% citaram Lula e 30% o candidato da extrema direita. Mesmo entre os eleitores bolsonaristas houve queda na aprovação das ações de Flávio Bolsonaro. Outro dado relevante é a constatação de que seis em cada dez brasileiros (63%) acreditam que o tarifaço vai prejudicar sua vida e a de suas famílias.

Sobre a corrupção, é preciso constatar que o Judiciário brasileiro tem atuado com rigor na aplicação dos preceitos do Estado Democrático de Direito, tanto na anulação dos abusos da Operação Lava Jato quanto na punição ao golpismo bolsonarista. Sobre o desmatamento, no ano passado houve um recuo para o menor nível desde 2019 e ficou, pela primeira vez, abaixo da barreira de um milhão de hectares. “O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, afirma a nota.

A proteção da propriedade intelectual e a aplicação de regras para as big techs igualmente seguem princípios de soberania e do direito constitucional. “No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”, diz a nota.

Lideranças do campo patriótico, popular e democrático ergueram a voz em defesa do país. A exemplo da presidente interina do PCdoB Nádia Campeão. “A medida (o tarifaço) é um ataque descarado dos Estados Unidos com o claro objetivo de interferir nas eleições em favor da família Bolsonaro”, disse ela numa postagem nas redes sociais. Acrescentou, ainda, que o Brasil se manterá de cabeça erguida e “defenderá a soberania nacional”. Concluiu asseverando que os comunistas seguirão denunciando as ações dos Estados Unidos contra a soberania nacional, denúncia “contra todos aqueles que dão as costas ao Brasil.”

Desde o ano passado, Flávio Bolsonaro, seu clã e a extrema-direita comemoram os tarifaços e demais agressões do governo Trump contra o Brasil. Em documento assinado, o candidato da extrema direita disse que, se eleito, disponibilizará uma equipe de transição a Trump, uma “generosa oferta”, segundo Marco Rubio. Chegou ao descaramento de afirmar que seriam bem-vindas ações militares dos Estados Unidos no litoral do Rio de Janeiro. Está claro, como a luz do sol, que a essência de seu programa de governo é a entrega das riquezas do Brasil aos Estados Unidos.

Por tudo isto, a soberania nacional é o ponto chave das eleições presidenciais. Com ela, o país reforça a democracia e o papel do Estado como indutor do desenvolvimento nacional e barreira contra investidas da direita e da extrema direita entreguistas e sabotadoras do futuro da nação e do povo.

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Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Sylvio: Copa do Mundo

Em manchete "Spain is brilliant, but Argentina has Messi", o New York Times resume o que vai ser a decisão  da Copa do Mundo. De um lado, o ótimo futebol espanhol e do outro o mais completo jogador do mundo atualmente. 

Sylvio Belém 

Governo obriga alerta de dependência em publicidade de apostas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/restricoes-as-bets.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Conflito sem limites https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_02106193163.html 

Urariano Mota opina

A vitória contra os nazistas
Da Conferência de Potsdam à visita de Lula a Moscou, a memória da derrota do nazismo é associada à luta antifascista, ao legado soviético e à resistência comunista.
Urariano Mota/Vermelho      

Os registros históricos indicam que a Conferência de Potsdam aconteceu em Potsdam, Alemanha (perto de Berlim), a partir do dia 17 de julho de 1945. Os participantes foram os Aliados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, entre os quais Stalin se destacou com o glorioso Exército Vermelho.

Agora e sempre é o momento de se manter firme contra toda a propaganda dos países capitalistas: essa vitória esmagadora do Exército Vermelho sobre os nazistas não teria existido, é claro, sem a Revolução de 1917.

Assim falam os personagens no romance “A mais longa duração da juventude”, que narra a juventude ardorosa contra a ditadura brasileira. Eles refletem no Recife o heroísmo da resistência mundial, soviética ao nazismo:

“A revolução de 1917 deve muito à condução prática de Lênin. Ou não? – Alberto fala. Ele é a própria contradição de Mao Tsé-Tung. Imprevisível, ele vai de um ponto a outro feito mercúrio de termômetro, ora frio, ora quente. Zacarelli tenta acompanhar as oscilações da escala Celsius:

– É claro. Sem Lênin, não havia 1917

– Danou-se. – me espanto. – Ele fez o tempo? Não deve ter sido assim.

– Lênin foi fundamental, rapaz! – Alberto quase supera o volume da wurlitzer. – Sem ele, não tinha 1917.

– Assim… – Zacarelli dá um passo à frente, dois atrás. – Assim… não é que sem ele não haveria a revolução. Mas sem ele a revolução não teria a cara que venceu na história”.

Então, a resistência para o conjunto dos jovens socialistas no Brasil era a memória transmitida pelos mais velhos comunistas, de um modo mais clandestino em conversas com a voz baixa e panfletos ocultos. Recebíamos a herança como um DNA da cultura e da história. Ninguém possuía relatos como “A guerra não tem rosto de mulher” de Svetlana Aleksiévitch, por exemplo:

“Estávamos atravessando a Prússia Oriental, todos já estavam falando da Vitória. Ele morreu … Morreu instantaneamente … Pelos estilhaços … Morte instantânea. Em um segundo. Me informaram que o corpo tinha sido trazido, corri para lá … Eu o abracei e não deixei que o levassem. Para enterrar. Na guerra, faziam os enterros logo em seguida: no dia da morte, se a batalha era rápida, juntavam todos na hora, traziam de todos os lugares e cavavam uma grande fossa. Cobriam. Às vezes, só com areia seca. E se você olhasse muito tempo para essa areia, parecia que ela se mexia. Tremia. A areia sacudia. Porque lá … Para mim, ainda havia gente viva, estavam vivos havia pouco. Eu os via, falava com eles … Não acreditava … Todos nós andávamos por ali e não acreditávamos que eles tinham ido para lá … Lá onde?

Não permiti que ele fosse enterrado ali. Queria que ainda tivéssemos mais uma noite. Deitar ao lado dele. Olhar … Afagar …

De manhã … Decidi que o levaria para casa. Para a Bielorrússia. E isso ficava a milhares de quilômetros. Estradas de guerra … Uma confusão … Todos acham que eu tinha ficado louca de tanta dor. ‘Você precisa se acalmar. Tem que dormir’. Não! Não! Eu ia de um general a outro, e assim cheguei ao comandante do front, Rokossóvski. No começo ele recusou … Estava louca! Quantos já estavam enterrados em valas comuns, em terras estrangeiras …

Tentei mais uma audiência com ele:

‘Quer que fique de joelhos?’

‘Eu entendo … Mas ele já está morto …’

‘Não tive filhos com ele. Nossa casa foi reduzida a cinzas. Até as fotografias foram perdidas. Não ficou nada. Se eu o levar para a nossa terra, restará ao menos o túmulo. E vou poder voltar para lá depois da guerra.’

Ele ficou calado. Andava pelo gabinete. Andava.

‘O senhor já amou alguma vez, camarada marechal? Eu não estou enterrando meu marido, estou enterrando meu amor.’

Silêncio.

‘Senão, também quero morrer aqui. Para que vou viver sem ele?’

Ele passou muito tempo calado. Depois, se aproximou e beijou minha mão.

Deram-me um avião especial por uma noite. Entrei no avião … Abracei o caixão… E perdi a consciência.

Efrossínia Grigórevna Breus, capitã, médica”

Mas em 1970 a juventude mais bela que este narrador conheceu era de militantes com ardor, pobreza e perseguição do Estado. Como nesta página do romance A mais longa duração da juventude:

“- O companheiro Célio não tem onde dormir.

– Sei – respondo. E olho para todos, que são Célio, Selene e Luiz do Carmo. Mas todos olham para mim. Eu sou a salvação escolhida. E gaguejo, numa pretensão de resposta:

– Olha, no meu quarto só tem uma cama. – Silêncio nos olhos fitos em mim. E continuo: – É um calor infernal. A gente sua em bicas.

Ela me responde:

– É bem melhor que dormir na rua. O companheiro está clandestino e pode ser preso.

 – Sei. Mas como ele pode dormir? Só pago uma vaga.

Eu ainda não havia aprendido que no movimento clandestino as dificuldades se contornavam. Que haveria sempre um drible esperto. E que as dificuldades legais – o “moralismo burguês” – tinham que ser superadas pela esperteza. Aliás, esperteza, nada, apenas uma ação necessária para a ética da revolução. Roubo, furto, nada disso existia. Expropriação era o nome. E se fosse o furto para um indivíduo? Ainda assim, porque os indivíduos da revolução já estavam desculpados pelo uso irrecorrível de uma ferramenta para a vida clandestina: livros, carro, carteira de identidade, roupas, alimentos, todas as coisas de terceiros estavam sob a mira da sobrevivência do militante. E eu vinha falar que só uma pessoa podia dormir na sauna, porque eu pagava só uma vaga.

– Companheiro… – e a precoce revolucionária me fala didática, do alto da sua experiência provada. – Companheiro, ele sobe com você mais tarde, sem barulho. E qualquer coisa que acontecer é um amigo de visita. Antes que a dona da pensão acorde, ele já estará fora da pensão. Certo?

– Certo – mal falo. A clandestinidade tinha suas leis, todas fora da lei. Eu aprenderia”.

Mas em 9 de maio de 2025 chegamos com Lula, um presidente progressista, à visita a Moscou. Chegamos. Portanto, não perguntem por quem os sinos dobram. Não perguntem jamais se valeu a pena.

*Texto publicado em inglês no The Left Chapter Victory against the Nazis

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Avanço do comércio internacional chinês desafia barreiras dos EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/china-x-eua.html 

Sylvio: falsidade

É cada vez mais difícil de entender a posição do senador Flávio Bolsonaro, em relação ao absurdo tarifaço imposto por Trump ao Brasil. É  favorável, mas não pode demonstrar por conta das eleições. Assim, finge ser contra e, pasmem, acusa o presidente Lula de ser o responsável, justamente ele que adotou uma firme posição contrária desde o início. 

Sylvio Belém   

Pesquisa mostra Lula à frente em todos os cenários para 2026 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bons-sinais.html