Tédio? Falta-me tempo
Luciano
Siqueira
Sim, na natureza nada se cria e tudo se transforma. A vida comprova que Lavoisier sempre esteve certo nessa matéria.
E tem muita gente que aproveita o mote e estica até onde pode e cria invencionices várias.
O culto ao tédio por exemplo.
Tem gente dizendo que pode provar por a + b que o tédio pode ser benéfico à condição humana.
Faz bem em qualquer circunstância, proclamam os mais radicais.
E tome tese!
Pelo que li, torcendo o estômago para não digerir bobagens, o tédio é bom quando é produtivo. Ou seja, se ocupa da realidade concreta na qual está mergulhado o entediado.
Oxente! Assim não vale. Tédio verdadeiro é aquele estado da alma de absoluta inutilidade em que o sujeito sequer consegue pensar em alguma coisa e fazer muito menos ainda.
Se pensar, se deprime — no embalo da inutilidade.
Da minha modesta parte, chegando aos 80 sem jamais ter experimentado uma nesga de tédio.
Como diria o padre António Vieira, finalizando um dos seus famosos sermões: "não tive tempo para ser breve".
Até hoje faltou-me tempo para o tédio. Bom ou ruim? Acho ótimo!
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