24 agosto 2026

Lula em entrevista à TV Record

Lula defende soberania nacional e pauta fim da escala 6×1
Em entrevista à Record, presidente afirma que o Brasil não aceita intromissão externa, exige rigor com investigados e diz que escala 6×1 é pauta imediata
Davi Dmolir/Vermelho    
 

Em entrevista gravada no Palácio da Alvorada e exibida na noite deste domingo (23) pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou prioridades centrais do governo federal e debateu os rumos da política externa. No centro das atenções, Lula reiterou a defesa intransigente da soberania brasileira diante de pressoes internacionais e colocou o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 entre as pautas prioritárias no Congresso Nacional.

​Ao tratar das relações bilaterais com os Estados Unidos após diálogo de mais de uma hora com Donald Trump, o presidente rebateu as justificativas para sanções comerciais contra o Brasil, reforçando que a política industrial do país não se submeterá ao papel de mero fornecedor de recursos primários. ​“Eu disse ao presidente Trump que as bases pelas quais eles impuseram novas sanções ao Brasil são mentirosas. Nós temos o menor desmatamento da história do Brasil. E eu combato o trabalho escravo desde a minha vida política”, afirmou o presidente.

​Lula destacou que entregou propostas de cooperação para a exploração de minerais críticos e terras raras, impondo limites claros em defesa do desenvolvimento nacional: “Só que dessa vez a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celular, bateria elétrica e chips.”

​O chefe do Executivo criticou também a ingerência de setores da diplomacia americana nos assuntos internos do país. “A minha conversa com o Trump é muito civilizada, muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas depois, o segundo escalão toma atitudes impensáveis. E aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil.”

​Durante a entrevista, ao ser questionado sobre as apurações que envolvem seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio, Lula manteve postura firme quanto ao papel das instituições e ao cumprimento das leis, destacando a autonomia dos órgãos de fiscalização. “Eu trato isso com muita seriedade. Primeiro porque eu não sou juiz. Segundo, eu não sou procurador, nem sou delegado, eu sou presidente da República. E o que eu digo para você, eu digo para meus filhos, eu digo para qualquer pessoa: todos nós somos obrigados a agir corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém vai ter que ser investigado. Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, declarou.

​Sobre a situação pessoal do filho, pontuou: “Meu filho sabe se cometeu erro; ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele. E ele sabe disso, porque ele sabe o que eu vivi. Ele conviveu comigo 40 anos. Ele sabe que a mãe dele morreu por causa da Lava-Jato.”

​Lula reforçou que a corrupção deve ser combatida de forma institucional em qualquer ambiente público. “Se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar.”

​Na agenda legislativa, o presidente definiu prioridades claras para os trabalhadores e para a economia popular. A flexibilização da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 encabeça a lista de urgências junto ao Congresso Nacional, acompanhada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, da regulamentação dos minérios críticos e da isenção de taxas sobre importações de pequeno valor.

Em relação à segurança pública, reafirmou a intenção de criar um ministério próprio caso a PEC seja aprovada, visando integrar a atuação das polícias e combater o crime organizado de maneira estrutural. ​“É muito fácil falar de segurança pública, chegar num bairro pobre, matar 10, 15 pessoas e dizer que resolveu o problema. Não resolveu. O responsável por aqueles pobres de estado da bandidagem mora em apartamento de cobertura ou em condomínio chique. O que a gente quer fazer é devolver o território da periferia e da cidade para o povo. O bandido vai ocupar seu espaço na cadeia”, apontou.

​No campo econômico, Lula defendeu os resultados obtidos até o momento, citando o controle da inflação, a taxa de desemprego em patamares baixos e o crescimento produtivo, apontando a necessidade de fortalecer a economia popular e a educação de tempo integral para as próximas gerações.

Samba de um mercado só https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_067932584.html

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