13 março 2007

DESTAQUE DO DIA

Um senador na contramão

Na política, como na vida, o gesto revela mais do que mil palavras. O senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, em início de mandato, tem praticado gestos reveladores de uma opção conservadora.

Domingo último, enquanto o seu partido se reunia em Convenção Nacional, em Brasília, o senador pernambucano preferiu se deslocar até São Paulo para um encontro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, no qual urdiram – segundo informações veiculadas pela imprensa – iniciativas de oposição ao governo do presidente Lula.

Em sua atividade parlamentar propriamente dita, Jarbas estreou relatando a PEC de autoria do senador Marco Maciel (PFL) que pretende instaurar a cláusula de barreira,; e deve ser também o relator da matéria que proíbe aos partidos políticos concertarem alianças entre si através de coligações proporcionais. Ou seja: na reforma política, o senador se ocupa exatamente de instrumentos de nítido teor antidemocrático.

Tudo bem que ele, dissidente, prefira dialogar com o PSDB ao invés de participar do fórum máximo do seu próprio partido. E que se oponha ao governo Lula no preciso instante em que o PAC é lançado para acelerar o crescimento econômico e a demarragem da economia regional.

O mesmo se pode dizer de suas investidas contra a livre expressão do cidadão através do voto, tentando desqualificar a presença parlamentar de partidos médios ou pequenos; e que pugne contra o livre direito de escolha dos partidos em se aliarem nas pelejas eleitorais.

São escolhas suas, e ele tem todo a liberdade de fazê-las. Na contramão da democracia e do desenvolvimento – temos nós o direito de sublinhar.

Um comentário:

Unknown disse...

Há um equívoco enorme na opinião do autor. Primeiro, deve-se controlar essa dispersão instaurada na política brasileira e esse vendaval de partidos é uma dessas celeumas. Segundo, democracia não é dispersão social, é distribuição de deveres; pouca representatividade política não atribui tantos deveres, portanto que sejam proporcionais os seus direitos. Terceiro, se os partidos que se sentirem feridos com a PEC são realmente legítimos então que se organizem para as próximas eleições; pois, o povo lhes dará a representatividade transformada em coeficiente eleitoral. Não concordo com a maior parte das posições dos Senadores Maciel e Vasconcelos, mas essa PEC é plenamente legítima e necessária.