25 julho 2026

Minha opinião

O voto híbrido ameaça Raquel 
Luciano Siqueira   

A montagem definitiva da chapa majoritária - os dois candidatos ao Senado e o lugar de vice — não é exatamente um problema para a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição.

Sempre foi assim, aqui e alhures: negociações se concluem às portas da Convenção.

A novidade este ano foi o acerto da chapa liderada pelo ex-prefeito João Campos (PSB) com surpreendente antecedência. 

Os nomes ventilados para completar em a chapa do governadora todos têm força política e eleitoral. No ponto de partida, mas no transcorrer da disputa ninguém sabe. 

Sempre se disse que mais fascinante do que o poder é a expectativa de poder. Se João Campos retomar dianteira nas pesquisas e se a sua campanha ganhar a dimensão que promete, ninguém pode garantir que prefeitos, vereadores e ativistas apoiadores dos candidatos ao Senado fechem a chapa incluindo Raquel. 

A legislação permite e a tradição sugere: pelo interior afora, o voto híbrido pode contribuir para a consolidação de uma possível Vitória de João Campos.

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"Toda sugestão vale a pena" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0217269134.html

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Governo Lula defende o Brasil contra o tarifaço Trump-Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/editorial-do-vermelho_025789528.html 

Clã sob tensão

Os Bolsonaros estão se lixando para Jair
Incapaz de ser leal com quem quer que seja, Messias paga o preço do exemplo dado aos seus
Juca Kfouri/Liberta
 

Entre tantas teorias da conspiração ridículas que envolveram o atentado contra o então candidato Jair Bolsonaro, uma tem defensores de postura mais equilibrada e quase silenciosa: a facada teria sido planejada dentro da família para que, pai morto, filho posto – como sucessor em eleição no papo.

O escolhido para cometer o crime, louco de pedra, Adélio Bispo, foi colega de Eduardo e Carlos Bolsonaro em um clube de tiro em Santa Catarina e, de tão incompetente, apenas feriu a vítima.

O resto da história é conhecido: o pai dos 01, 02, 03 e 04, além da fraquejada, achou bom argumento para fugir dos debates na campanha, encontrou proteção em emissoras de televisão que lhe davam visibilidade, acabou eleito e atormentou o Brasil por quatro longos anos.  

Frustrada no plano inicial, restou à família resignar-se e colher os generosos frutos de ser abrigada pela proteção presidencial e se lambuzar entre chocolates, rachadinhas, mansões na capital federal pagas com dinheiro vivo, vereâncias, deputâncias e senadoriansias.

Parceiros do Tio Sam

Dito isso, não é segredo para ninguém minimamente informado que os Bolsonaros jamais viveram em paz, com filho concorrendo com a mãe para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, irmão disposto a dar rasteira em irmão, disputas em torno de espaço nas milícias e tudo mais que o submundo oferece a seus associados.
Daí não surpreender os novos rolos que envolvem os Bolsonaros, seja no Brasil, seja nos Estados Unidos. Eduardo e seus parceiros na terra de Tio Sam, a cada vez que abrem a boca, complicam ainda mais a vida do presidiário em domicílio, que não lê um livro, nem de colorir, para diminuir a pena, e ainda a vê agravada pelas diabruras dos peraltas fugitivos. 

Um deles, histérico, é até capaz de dizer que a ex-primeira dama está cagando para o marido.

Flávio, o pré-candidato à revelia de mercadores ensandecidos, imaginou que tornar pública uma carta do pai fortaleceria a campanha, e deu mais um tiro no pé – ainda bem que tem quatro, porque, nesse ritmo, daqui a pouco, faltarão novos a serem alvejados.

Agora está proibido por 90 dias de ver o pai e deixará terreno mais livre para a madrasta mover seus pauzinhos e, quem sabe, gravar novos vídeos pelas costas do galego, tratamento que causa engulhos no elefante em loja de louças e neto do ditador João Figueiredo, o que preferia cheiro de cavalo e tinha de porco.

De norte a sul, de leste a oeste, o povo todo pergunta de onde veio semelhante peste. 

Incapaz de ser leal com quem quer que seja, descomprometido com a cláusula pétrea das relações humanas, a que determina ser imperdoável deixar um camarada no meio do caminho, Messias paga o preço do exemplo dado aos seus.

E aí só lhe resta ouvir a canção que Beth Carvalho imortalizou: Você pagou com traição/A quem sempre lhe deu a mão/Vou festejar, vou festejar/O teu sofrer, o teu penar.

A menos, é claro, que o STF o proíba também de tal privilégio.

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Entreguismo desavergonhado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0871197417.html 

Palavra de poeta

MÁGOAS ATROZES
Maurílio Rodrigues   

Esse espírito de êxtase,
Que agora vivo em mim,
Permanece calado e mudo.
Pesam-me minhas mágoas
Por não ter sabido dominá-lo
E dividi- ló em momentos
Que mereciam ser vividos
Com maior significância.
 
Não quero possuir-te,
Nem quero cantar- te,
Sem antes me curar
Dessas mágoas atrozes,
Que, diariamente ,batem
Em minha porta
Cobrando- me explicações.
 
A claridade em ti,
Veste roupas de luz.
E os ventos da tarde
Cola-as em teu corpo
Com a mesma suavidade
Que minhas mãos
Tocam o teu corpo
Com puro deleite
 
[Ilustração: Amedeo Modigliani]
 
Leia também: “Catabil sobre o Índico” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/04/minha-opiniao_13.html 

Minha opinião

É a incompetência, ora!
Luciano Siqueira   
O pré-candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, segue enredado em cipoal problemático.

De revelações que podem implicá-lo no escândalo do Banco Master ao confronto desnecessário com a Justiça Eleitoral, a carência de alianças partidárias no campo conservador e da extrema direita.

Quando se pronuncia não convence. Confunde. Expõe fragilidades.

Analistas políticos se sucedem na grande mídia na tentativa de compreender os passos em falso do senador. Levantam hipóteses, sugerem manobras táticas arriscadas.

Por que não reconhecer o absoluto despreparo do dito filho Zero Um?

[Ilustração: Gilmar Fraga]

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Desmorona o castelo de crimes erguido pelo bolsonarismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/editorial-do-vermelho_0412311635.html

Sylvio: "casa de Mãe Joana"

As constantes e repetidas brigas entre a madrasta (Michelle) e o enteado (Flávio) fazem jus à denominação de PMJ (Partido de Mãe Joana), como está sendo alcunhado o partido político a que pertencem.

Abraham Sicsu opina

Um jantar
Abraham B. Sicsu 

Quina do Futuro, quinta feira à noite. Muita gente, mesas animadas. Friozinho e uma leve chuva. Um sunomono e um sukyiaki para esquentar. O papo corre solto, sem muita direção, sem muito aprofundamento. Notícias do dia inquietam.

Mais um tarifaço. Haverá reciprocidade? A política americana tem trazido impactos que podem ser respondidos. O Congresso Nacional, em 2025, aprovou lei que permite retaliação contra países que imponham barreiras comerciais. No entanto, fundamental analisar quais as vantagens efetivas dessa atitude e quando deve ser assumida.

Vale ressaltar que boa parte dos produtos que exportamos foram isentos da tarifa de 25% e estão sujeitos apenas á nova de 12,5%, que atinge mais sessenta países. Impactos localizados, no entanto, são notados como em máquinas agrícolas, papel e, nos afeta no Nordeste, o etanol.

Especialistas recomendam cautela. Há riscos na reciprocidade. E nem sempre é imediata. Pode haver impactos na inflação interna na medida em que torna mais cara a importação de produtos de que somos dependentes.

Outras medidas podem ser adotadas como suspender regras internacionais de patentes de empresas americanas, suspender incentivos e facilidades concedidas a empresas daquele país, impor tarifas sobre segmentos de prestação de serviços, além de outras. Parece ser mais eficiente do que o confronto direto.

Segundo os comensais, nos tornamos menos vulneráveis a partir do primeiro tarifaço de Trump, abrimos novos mercados, com ênfase na China e na Ásia. O que diminui muito o impacto interno.

O problema maior foi saber que, se por um lado na área dos produtos primários e agroindustriais fica muito evidente nosso avanço, no caso do Gigante Asiático, nossas exportações de manufaturados não conseguem evoluir muito em produtos mais tecnificados, justamente nos setores em que o tarifaço americano pode ter maior impacto.

O papo começa a aborrecer, literatura passa a ser o tema.

Uma querida amiga lança um livro, “O Círculo do Derby”. Todos curiosos pela leitura. Sua vida na Boa Vista e no Derby, bairros que tive o prazer de habitar, é a inspiração do texto. Sua trajetória recente, o que viveu, o que vive, são a base deste romance. Memórias e seu imaginário como base de desvendar a vida, dizem ser o tema, aqueles que deram uma folheada. Poeta que é, se apoiou nesta estrutura literária para poder nos evidenciar o que 2023 nos trouxe como resgate político. Professora que sempre foi vanguarda na arquitetura e no seu ensino resgata esses traços, de um bairro que marca por sua história, por suas estruturas urbanas. Fiquei interessado no relato feito e será minha próxima leitura.

Colega economista está lendo o livro de Fernando Haddad, “Capitalismo Superindustrial?”. O nosso ex-ministro tenta colocar que estamos numa nova fase do Capitalismo. Acho interessante a categorização como classe a do conhecimento, constituída por cientistas e técnicos que o capital utilizaria para a produção de inovações. Um novo fator de produção ficaria constituído, o conhecimento que, a partir dele se permitiria auferir renda. Com essa caracterização, segundo quem já o leu, consegue mostrar o evoluir do capitalismo periférico e os papeis de classes redefinidos em que não há só capital e trabalho, nem mesmo o lumpem proletariado, mas uma caracterização de um grupo que gera ideias, não valor em si, no qual se sustenta a dinâmica capitalista atual. Parece, também, que dá lampejos de como isso se reflete na estrutura política atual do país. Vou ler.

A terceira dica dada foi o livro “A ordem do Capital” de Clara Mattei. Centra-se nas políticas de austeridade do século XX e a ascensão do fascismo na Europa, mais em particular na Itália. Um instrumento político para desestruturar processos democráticos. Taxas de juros exorbitantes, austeridade fiscal e monetária, escassez de crédito, como mecanismos de opressão da classe trabalhadora e precarização das condições de trabalho. As lições da história que, no Brasil atual, têm sido implementadas e levam a uma situação de difícil superação. A eliminação de direitos trabalhistas e sindicais como caminho tortuoso de apoio ao capital. A economista mostra que a austeridade é seletiva e serviu para um projeto de fortalecimento dos interesses da classe hegemônica, inclusive para o financiamento de guerras e ascensão do fascismo ao poder. Mais um texto que entrou na lista de leituras obrigatórias. O processo de empobrecimento social, observado em anos recentes, principalmente no governo anterior brasileiro, com reformas e privatizações, seguiu o mesmo caminho do que a Itália viveu na consolidação do regime de Mussolini.

Chegou a hora do café. Uma noite por demais agradável. Nada melhor do que uma boa mesa e bons amigos para tornar a vida mais rica. Começo a jornada de leituras proposta.

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Leia também “Tecnologia: não confunda a minha cabeça” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/abraham-sicsu-opina_02135741540.html