Militantes digitais
Luciano
Siqueira
Alguns anos atrás, a expressão mais comum o apelo às manifestações de
apoio às nossas candidaturas se concentrava nas lideranças sindicais,
estudantis, comunitárias e assim por diante era "as ruas".
Hoje, a primeira referência é "nossos militantes
digitais".
Sinal dos tempos, como se costuma dizer.
Definitivamente, as manifestações de rua — que ainda persistem, felizmente — são superadas pela comunicação através da tela do celular.
Na campanha que se aproxima do auge, a despeito de serem eleições gerais
— Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados,
Assembleias Legislativas — predomina pela voz de milhares de candidatos e
candidatas o discurso fracionado, a mensagem digital focada em detalhes, em
prejuízo da tomada de consciência por parte da grande maioria dos eleitores de
que são os rumos do país que estão fundamentalmente em questão.
Não que o discurso em praça pública necessariamente seja abrangente na
voz da maioria dos candidatos. Mas sempre foi uma oportunidade de se explicitar com mais clareza a dimensão da luta e as plataformas de governo, no que se refere
às candidaturas majoritárias. O calor da luta experimentado coletivamente
sempre emocionou e despertou consciências.
Mas, se o tempo presente coloca a primeiro plano a comunicação digital, o
jeito é realizá-la do modo mais eficiente possível. Especialmente em relação ao conteúdo do discurso.
Sim, é possível numa fala simples e direta combinar a justa reivindicação por mais empregos e melhores salários com a luta por um novo
projeto nacional de desenvolvimento cuja dimensão ultrapassa os limites das
eleições atuais.
Por aí a elevação da consciência política e do discernimento de milhares e
milhões de lideranças em todos os níveis, capacitadas a abordar as pessoas
combinando os fatos e reclamos específicos e localizados com a luta pelo poder
político central.
Que cada um de nós seja capaz de expressar conteúdos nessa linha de
abordagem de modo a esclarecer e a convencer nossos seguidores. Mesmo sem
recursos técnicos sofisticados e com mais comunicação direta e sincera.
A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html