Avançar na construção da reeleição de Lula e na
vitória do projeto eleitoral do PCdoB
Resolução da Comissão Política Nacional do
PCdoB
A acirrada disputa presidencial brasileira transcorre sob os
impactos de um cenário mundial conturbado e marcado por transformações. O
imperialismo estadunidense, em razão de sua progressiva perda de hegemonia,
torna-se cada vez mais agressivo e beligerante. Arrasta o mundo para guerras e
desata uma corrida armamentista. As potências da Europa e a Organização do
Tratado do Atlântico Norte (OTAN) prorrogam a guerra entre Ucrânia e Rússia,
sabotam as propostas de paz e injetam na Ucrânia bilhões de dólares em armas.
Seguem em vigência tarifas unilaterais dos Estados Unidos, que afetam mais de
60 países, incluindo o Brasil. Como resultante, prognósticos de organismos
internacionais apontam a desaceleração do crescimento global para a taxa mais
baixa desde o início da pandemia de Covid-19, 2,5%, em meio a preços de energia
mais altos, inflação mais acentuada e aumento dos juros.
A ofensiva do
imperialismo estadunidense sobre América Latina e Caribe prossegue, com
ingerência aberta na Venezuela e interferência nas eleições da Colômbia e do
Brasil, com assinatura de acordos militares com 17 países da região e
exacerbação da pressão militar e do bloqueio econômico a Cuba. Os Estados
Unidos atuam para criar as condições para transformar todo o hemisfério em zona
estratégica de segurança nacional, sujeita a intervenção.
Em
contraposição, a resistência dos povos se robustece e emergem articulações e
parcerias, em especial do Sul Global, pela autodeterminação dos povos e pelo
direito dos países ao desenvolvimento soberano, e crescem, em vários países, as
mobilizações populares em defesa da paz.
A vitória do
governo e do povo do Irã sobre o eixo Estados Unidos e Estado de Israel, no
curso de uma assimétrica e pesada guerra que buscava impor um governo títere e
se apossar do petróleo iraniano, é mais uma prova de que a causa da soberania
nacional pode, sim, vencer. Apesar dos crimes de guerra cometidos, os Estados
Unidos tiveram que se curvar e assinar um cessar-fogo que patenteia a derrota.
Igualmente, exemplifica a força da causa nacional a resiliência e a resistência
de Cuba, que necessita de crescente e ativa solidariedade internacional. Do
mesmo modo, a Palestina e o Líbano, que continuam sob execrável ocupação de
tropas e hediondos ataques israelenses.
Candidatura de Lula
se fortalece, a de Flávio Bolsonaro perde força
No Brasil, se
afere que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança na preferência do
eleitorado, ante o recuo de Flavio Bolsonaro, rompendo, neste momento, um
relativo equilíbrio que persistia desde dezembro de 2025.
As revelações
dos vínculos do candidato Flávio Bolsonaro com a corrupção do Banco Master e a
cena de subserviência a Donald Trump na Casa Branca, que resultou na
classificação das facções criminosas como “organizações terroristas” e um novo
tarifaço, impuseram-lhe perdas de apoio eleitoral, inclusive do eleitorado da
direita. As empresas nacionais, o povo, os empregos, o Pix e
o setor financeiro estão sob ameaças e prejuízos. O país fica exposto ao risco
de intervenções, inclusive ações militares.
Em termos de
traição ao Brasil, o clã Bolsonaro se supera a cada dia. Eduardo Bolsonaro que
mora nos Estados Unidos foi condenado, em 16 de junho, por unanimidade pela
Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Tramou a suspensão de vistos
pelos Estados Unidos a ministros do STF e outras autoridades, igualmente a
aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, e o tarifaço imposto
pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros. Apunhalou o Brasil, se
aliando a uma potência estrangeira, para coagir o Poder Judiciário, na
tentativa de livrar os golpistas da cadeia, a começar de seu pai.
Progressivamente,
grande parte do eleitorado passa ver Flávio Bolsonaro e sua família tal como
são: traidores da pátria atolados em escândalos de corrupção. Realidade que
favorece a intensificação da luta de ideias, que desmascare a verdadeira face
do candidato bolsonarista para mais camadas do eleitorado.
Todavia,
apesar de todo desgaste a base bolsonarista mantém apoio a Flávio Bolsonaro. E
as demais candidaturas da direita apresentam, até aqui, um desempenho
irrisório.
Já o
presidente Lula cresce por seu mérito de governar com a defesa da soberania
nacional de forma assertiva, vincando a convicção em largas camadas do povo de
um presidente que defende o Brasil e proporciona mais direitos, repelindo os
ataques de Trump e enfrentando a subserviência do clã Bolsonaro.
Lula
beneficia-se também da percepção popular sobre medidas como a ampliação da
faixa de isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física, que beneficia mais de 15
milhões de contribuintes; o Desenrola 2.0, que já beneficiou mais de 6 milhões
de pessoas; o programa Acelera INSS, um conjunto
de medidas para reduzir ou zerar o número de requerimentos de benefícios que
estão atrasados.
O desenrolar
da disputa vai dando mais nitidez aos perfis dos candidatos, com uma
desproporção gigantesca entre a autoridade política e moral do presidente Lula,
em seu país e no exterior, face a face com um adversário cujo principal de seu
currículo é uma ficha corrida de vínculos com as milícias, casos de corrupção e
parceria com o pai no golpismo contra a democracia. Além da mediocridade, é
claro.
De conjunto,
o campo governista deve aproveitar este momento favorável. Talvez o melhor da
pré-campanha. Mas é preciso repelir qualquer euforia e manter a consciência de
que a disputa segue dura e acirrada. Não se pode subestimar a pressão
imperialista e a produção de falcatruas para favorecer a candidatura da extrema
direita. É preciso estar alerta e exigir que a Justiça Eleitoral e as
instituições democráticas brasileiras combatam a ingerência estrangeira e os
crimes eleitorais nas eleições de 2026.
A perspectiva
de poder avivada, nesta fase, cria maiores possibilidades para ampliar os
apoios, alargar ao máximo a aliança e reforçar a composição dos palanques
estaduais.
É necessário
prosseguir com novas conquistas para o povo. No presente, se destaca a grande e
decisiva batalha para aprovar, também no Senado Federal, a significativa
vitória na Câmara dos Deputados com a aprovação da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima
de trabalho. Razão pela qual a extrema direita e a direita estão bloqueando a
sua tramitação.
É imperativo
que se eleve o empenho do governo, mas a vitória, de sentido histórico, somente
será selada com empenho total da mobilização, pressão e persuasão sobre os/as
senadores/as pelo fórum das centrais sindicais, pelo conjunto dos movimentos,
dos partidos políticos, dos parlamentares democráticos e progressistas e dos
movimentos religiosos.
Na esfera do
governo, é necessário sustentar o duro combate às organizações criminosas,
persistir na garantia da paz e da segurança, em especial às pessoas que vivem
sob a opressão e a exploração das facções criminosas em territórios por elas
dominados. Daí o empenho do presidente Lula, a pressão que ele faz para que o
Senado Federal aprove a PEC da Segurança Pública. Outra causa de máxima
importância é o reforço das ações e programas contra o feminicídio, uma
terrível tragédia nacional.
E cuidar para
que o programa da reeleição do presidente tenha um conteúdo avançado, apontando
um futuro de forte soberania e mais democracia, desenvolvimento acelerado sob o
impulso da industrialização em novas bases tecnológicas e de prosperidade para
o povo.
O PCdoB está
participando da elaboração das “Diretrizes para o desenvolvimento do plano de
governo 2027-2030”. Integra um núcleo constituído pelas fundações que foram
convidadas a interagir com o trabalho. Indicou também um elenco de quadros para
os núcleos temáticos. Como sempre fez desde a redemocratização, o PCdoB em
breve apresentará suas propostas ao programa de reeleição do presidente
Lula.
Avança a
pré-campanha do PCdoB
No cômputo
geral, a pré-campanha do PCdoB se desenvolve bem, mesmo considerando gradações
e ritmos diferenciados. A escassez de recursos, obviamente, pressiona, mas, no
geral, os comitês estaduais e as candidaturas estão enfrentando o desafio com
altivez e iniciativas. A arrecadação de finanças, nos termos da lei, é tarefa
política das candidaturas e dos dirigentes, posto que o Fundo Eleitoral é
insuficiente.
É um projeto
concentrado a partir do objetivo central de ampliar nossa bancada na Câmara dos
Deputados, harmonicamente relacionado com a meta de também de assegurar boa
presença nas assembleias legislativas. O projeto também se reforça ao batalhar
pelo êxito de aliados que são candidatos/as ao Senado e aos governos estaduais.
Um dado
importante do momento é a Copa do Mundo de futebol, que impacta a dinâmica da
pré-campanha. Com criatividade, as campanhas, em todos os âmbitos, devem se
inserir nessa dinâmica para estar presente no cotidiano das pessoas nesse
momento de celebração de um símbolo nacional.
A vinculação
da campanha com as lutas concretas do conjunto dos movimentos sociais.
Campanhas que interagem e apoiam o calendário de eventos das entidades e
movimentos, a exemplo dos congressos nacionais da UBM, UJS, CONAM e a Plenária
Nacional da UNEGRO que se realizarão em junho e julho
O Partido –
os comitês estaduais, municipais e frentes de lutas – está coeso em torno de
seu projeto, num esforço para que seja a força motriz e dirigente de uma
campanha ampla, massiva, a um só tempo alegre e combativa, nas ruas e nas
redes, que engaje lideranças do povo, aliados e amigos. Uma campanha que não se
dilui, que vinca sua identidade e a face própria de suas candidaturas, com suas
ideias e programas.
Cabe ao
coletivo dirigente e ao coletivo de militantes e de filiados agarrarem com toda
energia, trabalho e total prioridade o grande desafio de construir e assegurar
a vitória do projeto eleitoral dos comunistas, decisivo para fortalecimento do
Partido.
Os comunistas na
linha de frente de um confronto histórico
Mergulhado de
corpo e alma na reeleição do presidente Lula, engajado na mobilização do povo e
dos trabalhadores para impor uma nova derrota à extrema-direita, aos
neofacistas, aos traidores da pátria, inimigos da democracia, o PCdoB e as suas
candidaturas fazem ecoar, pela voz de milhares, a perspectiva de um futuro de
desenvolvimento soberano para o país, com mais democracia, vida de
prosperidade, de paz e segurança para o povo.
Sem cantar
vitória antes da hora, alertando quanto à dureza do confronto, os comunistas
convidam a população e os trabalhadores a se engajarem nessa memorável jornada
pela vitória de Lula, pela eleição de uma forte bancada do PCdoB na Câmara dos
Deputados e nas assembleias legislativas. Venha fazer história, construir o
futuro participando da campanha de Lula e dos/as candidatos/as do PCdoB.
Brasília, 20 de junho de 2026
Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil-PCdoB
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