04 março 2021

Competência e habilidade

 

Goleiros e zagueiros precisam saber o que fazer com a bola nos pés

Na dúvida sobre o momento certo do passe, ainda mais para quem não sabe, é melhor rebater

Tostão, Folha de S. Paulo

 

Na Copa de 2014, o goleiro Neuer, campeão do mundo pela Alemanha, encantou a todos com suas atuações, especialmente suas saídas rápidas do gol. Os zagueiros marcavam mais à frente e, quando a bola era lançada nas costas dos defensores, Neuer chegava sempre primeiro que os atacantes.

Na verdade, é um erro dizer, como falam muito, que Neuer é um goleiro que tem muita habilidade com os pés. Ele tem muita velocidade. Chega antes e rebate a bola ou, no máximo, dá um toque para um companheiro mais próximo. Raramente dribla. Isso é outra qualidade. Não tenta fazer o que não sabe fazer bem.

Neuer continua sendo o mais rápido na saída do gol, mas há outros goleiros com mais habilidade e com um passe muito melhor, especialmente o alemão Ter Stegen e o brasileiro Ederson. Já vi dois gols do Manchester City com o passe direto de Ederson, por cima dos zagueiros adiantados. Ter Stegen é superior a Ederson no passe curto e na troca de passes com os zagueiros.

Rogério Ceni, antes de Neuer, já dava passes e fazia gols de pênalti e de falta. Imagine se ele tivesse hoje um técnico como Fernando Diniz.

Os zagueiros, e não somente os goleiros, precisam melhorar o passe. São poucos os que têm habilidade para dar um passe com mais dificuldade. Quando tentam, erram. Os dois da seleção, Thiago Silva e Marquinhos, são ótimos na saída com a bola. Rodrigo Caio possui também um bom passe. Gustavo Gómez, do Palmeiras, é excelente zagueiro, menos para passar a bola. Prefere o chutão.

Pouco antes da Copa de 1970, o volante Piazza foi escalado de zagueiro, sem treinar. Piazza, que já tinha um bom passe para um volante, passou a ter um excepcional passe para um zagueiro. Foi ótimo para o meio-campo e para todo o time. Penso que, se Piazza tivesse sido zagueiro durante toda a carreira, teria sido completo, pois, além do passe certo, tinha muita velocidade e chegava sempre antes do atacante.

Uma das dificuldades para os zagueiros e para os goleiros é saber o momento certo para dar um passe ou para dar um chutão. Na dúvida, ainda mais para quem não sabe, é melhor rebater. Alguns insistem e dão o passe para o adversário. É importante também que os defensores evitem dar passe para o goleiro quando o atacante estiver próximo. O problema é que o adversário, sem o goleiro perceber, acelera e chega primeiro.

Treinar muito é fundamental. Porém, a emoção de um jogo é diferente da de um treino. Qual será o futuro dos goleiros no uso dos pés?

Inteligência coletiva

Dias atrás vi uma ótima entrevista de Mauro Silva ao programa O Grande Círculo, do SporTV, comandado por Milton Leite. Mauro Silva, campeão mundial em 1994 e nome de rua em La Coruña, na Espanha, é hoje vice-presidente da Federação Paulista de Futebol ​.

Mauro Silva não tinha o talento dos maiores jogadores da posição, mas era um ótimo volante, essencialmente técnico e regular. Sabia o momento de ser quase um terceiro zagueiro e de se adiantar para desarmar. Não tinha um passe para frente, como fazem os grandes meio-campistas, mas não errava. Sabia seus limites.

Mauro Silva possuía algo precioso, que não é medido pelos números, a inteligência coletiva, a capacidade de perceber tudo o que acontece em volta.

Mauro Silva se preparou para outras funções. O futebol brasileiro precisa de dirigentes independentes, eficientes e preocupados com a ética e com a qualidade do espetáculo, sejam ex-atletas ou não.

Veja: uma dica de leitura para quem gosta de cinema https://bit.ly/3qlLWRr

Arte é vida

 

Paul Gauguin

Você também pode entender de tática política

Veja também: Todas as cartas de Clarice Lispector https://bit.ly/3uKAgLu

Desastre duplo

A conjugação dos efeitos das crises econômica e sanitária resulta numa tragédia social que só o tempo poderá dimensioná-la devidamente.  A economia brasileira, que tem caído de patamar em patamar – o que deve fazer o país deixar o clube dos dez maiores PIBs do mundo –, sofre as consequências da orientação ultraliberal do governo Bolsonaro, comandada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Leia mais https://bit.ly/3bfqYQ0

Palavra de poeta



Embate final
Chico de Assis

O inimigo estava bem ali
nos nossos calos.
A história também
aos nossos olhos.

Tratava–se então de perseverar.
Não havia tempo para lamúrias.
Nem havia lugar para lágrimas.
Ali só valia lutar.

E a luta se deu
desigual e caótica.
Entre deserdados da sorte
e suicidas da cidade heroica.

[Ilustração: Othon Friesz]

Veja: uma dica de leitura para quem gosta de cinema https://bit.ly/3qlLWRr

Salve-se quem puder

Carentes de apoio do governo federal, 649 cidades aderem ao consórcio para comprar vacinas contra a Covid-19, caso o Plano Nacional de Imunização (PNI), coordenado pelo Ministério da Saúde, continue incapaz de suprir toda a demanda

É a Federação carente da coordenação do governo federal.

De mal a pior

Receita da crise que se agrava: “pandemia sem controle”, “baderna econômica”, “recessão” e “drama social”.

É o que dizem os ditos analistas do Mercado.

Então, a situação é grave mesmo, né?

Incompetente e fraco

General Pazuello enfim reconhece o agravamento da pandemia, porém diz 'não somos uma máquina de fabricar soluções'.


Mas pelo menos convença Bolsonaro a seguir as orientações da OMS, respeite o isolamento social, use máscara  e providencie vacinas em tempo hábil, ora!

03 março 2021

Seminário institucional

Evento do PCdoB para gestores e vereadores começa nesta quinta-feira

www.pcdob.org

 

Nas próximas quinta e sexta-feira, 4 e 5 de março, o PCdoB realiza, por meio da sua Secretária Nacional de Relações Institucionais, o seminário on line “Desafios dos novos governos municipais, dos vereadores e vereadoras”. Para participar, é preciso fazer inscrição previamente até o dia 4 (veja link abaixo).

O seminário terá a participação de nomes como o governador do Maranhão, Flávio Dino; o prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva e a coordenadora do Instituto E Se Fosse Você?, Manuela d’Ávila (veja programação completa abaixo).

Especialmente dirigido aos prefeitos (as), vices, vereadores (as), secretários (as) municipais, integrantes de governos e das equipes parlamentares, secretários (as) de relações institucionais, gestores públicos em geral, dirigentes partidários — que formam um contingente em torno de 1.200 pessoas pelo país — o evento tem como objetivo debater o atual cenário do país e o enfrentamento à pandemia e à crise atual.

As inscrições devem ser feitas pelo link: https://bit.ly/3atCo26

Programação

Dia 04 de março – 18h às 20h

Abertura: Nádia Campeão – Secretária Nacional de Relações Institucionais do PCdoB, e Rubens Diniz – Diretor de Políticas Públicas da FMG.

Painel 1 – O Brasil atual e as cidades, riscos e perspectivas. Flávio Dino – Governador do Maranhão
Manuela D’Ávila – Coordenadora do Instituto E Se Fosse Você? Edinho Silva – Prefeito de Araraquara (SP)

Coordenadora: deputada federal Alice Portugal

Dia 05 de março – 10h às 12h

Painel 2 – Covid, desemprego, volta às aulas: como enfrentar os primeiros meses nas Prefeituras e Câmaras Municipais?

Carlos Lula – Presidente do CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde)

Jerônimo Rodrigues – Secretário Estadual de Educação da Bahia Davidson Magalhães – Secretário Estadual de Trabalho e Renda da Bahia Coordenadora: Gregória Benário – Presidente do PCdoB da Paraíba

05 de março – 15h às 17h

Painel 3 – Atuação dos comunistas nos governos e nas Câmaras Municipais.

Luciano Siqueira – Vice-prefeito de Recife 2008-2020 Gustavo Petta – Vereador de Campinas (SP)

Júlio Filgueira – Consultor em Planejamento, Monitoramento Estratégico e gestão de projetos.

Coordenadora: Conceição Cassano – Secretária de Relações Institucionais do Rio de Janeiro.

Informações: institucional@pcdob.org.br e WhatsApp 11-97288-0000 com Eloísa Gonçalves

 

Leia também: Seminário do PCdoB debaterá desafios dos novos gestores e vereadores

 

Por Priscila Lobregatte

Eles também

"Emperrado por um governo inepto e irresponsável e agora ameaçado também pelo fisiologismo triunfante no Congresso, o Brasil continua perdendo espaço na economia internacional, enquanto a pandemia se agrava e a mortandade supera os piores momentos do ano passado."

Esse texto não é meu. É do editorial do jornal conservador "O Estado de São Paulo".

A situação é muito séria. Vamos à luta!

Luta sempre atual

 

As bandeiras de luta por igualdade entre mulheres e homens ainda não podem ser guardadas

Glauce Medeiros*


Quais bandeiras ainda precisamos levantar para defender a igualdade de gênero? Em um país tomado por pautas conservadoras, altas taxas de feminicídio e por uma pandemia cujas principais vítimas são as mulheres - seja por causa do desemprego ou pelo acúmulo de tarefas, afirmo que todas as bandeiras precisam estar visíveis. Mesmo aquelas mais antigas. Quando tecelãs russas foram às ruas reivindicar melhores remunerações, condições de higiene e menor carga de trabalho, o mundo marcava o ano de 1917 no calendário. O movimento foi, inclusive, o estopim para a Revolução Russa. Estamos em março de 2021 e reivindicações semelhantes às das russas permanecem no foco das atenções de quem luta pela igualdade entre mulheres e homens.

Este ano, por conta dos riscos de contaminação pela Covid-19, não estaremos nas ruas no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A equipe da Secretaria da Mulher do Recife, no entanto, continua atenta ao cumprimento de políticas públicas para todas as mulheres. Março nos chega como mais um propulsor dessa luta diária por direitos. Um mês para reforçarmos o diálogo junto com a sociedade e alcançarmos públicos ainda não engajados no mesmo ideal. Março funciona como um chamado para mais reflexões.

No Recife, um modelo dessa política de inclusão é o protagonismo na paridade de gênero na gestão. A Prefeitura do Recife investe cada vez mais na transversalidade das políticas para mulheres.

As recifenses já contam com serviços específicos na proteção das mulheres em situação de violência doméstica e/ou sexista no Centro de Referência Clarice Lispector, no bairro da Boa Vista. A novidade é que o Clarice estará descentralizado nos Compaz Dom Helder Câmara, no Coque; no Ariano Suassuna, no Cordeiro; e no Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha. As equipes estarão ainda mais próximas das mulheres vitimizadas e muitas vidas poderão ser salvas a partir dessa iniciativa, uma promessa de campanha do prefeito João Campos.
Por mês, 50 novas mulheres ingressam no Clarice Lispector. É um trabalho de fôlego, levado à frente por uma equipe sensível e preparada. As mulheres são acompanhadas por psicólogas, assistentes sociais e advogadas, prontas para atender a mulher em todas suas demandas. O Clarice conta, ainda, com o serviço Liga Mulher (0800 281 0107), que presta orientação e também ajuda com encaminhamentos. A Secretaria da Mulher disponibiliza também o atendimento via whatsapp, através do número 9488 6138. O serviço funciona 24 horas, de domingo a domingo.

O Centro da Mulher Metropolitana Júlia Santiago, em Brasília Teimosa, mantido em parceria com a Secretaria da Mulher de Pernambuco, é outro equipamento importante no município, pois funciona como um espaço multiplicador de políticas de gênero nas comunidades. Lá, realizamos oficinas, ações de escuta das mulheres, divulgação de redes de serviços municipais, além de cadastramento das organizações e cursos de formação.

Outro serviço essencial oferecido a mulheres pela Prefeitura do Recife, e único no país, é o Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos, ligado à Secretaria de Saúde do Recife. O espaço é humanizado e funciona no Hospital da Mulher do Recife, no Curado. Em um mesmo local, a vítima pode se submeter ao exame pericial e fazer o boletim de ocorrência, além de ser atendida por uma equipe multidisciplinar, formada por médica, enfermeira, psicóloga e assistente social.

A Secretaria da Mulher do Recife, em parceria com a Escola de Governo, também reforçou a oferta de cursos de formação em gênero para os servidores e servidoras municipais. Em março, o público externo também poderá ser beneficiado com a abertura de vagas em cursos de prevenção à violência contra a mulher.

Penso que o cálculo deve ser sempre uma mulher a mais. Uma mulher a mais fora do ciclo de violência, fora da pobreza. Uma mulher a mais nos espaços públicos de decisão. Assim, avançaremos rumo à superação de toda forma de opressão e poderemos dobrar e guardar as bandeiras seculares de luta.

Veja: A vida vem mostrando o tamanho real da vitória de Bolsonaro nas eleições para a presidência da Câmara e do Senado https://bit.ly/3pCgM8n

Fracasso

Política neoliberal e pandemia resultam na pior década do Brasil tem em 120 anos. E a dupla Bolsonaro-Guedes segue obsecrada pelo tal equilíbrio fiscal!

02 março 2021

Como assim?

 - Ministro Paulo Guedes diz que deixa cargo se tiver que empurrar Brasil para caminho errado.

- Oxente! E quando foi que ele empurrou a economia para caminho certo!?

Análise concreta da realidade concreta

Parte boa, parte ruim

Luciano Siqueira


A pandemia trouxe com muita força o chamado home office e, na esteira do trabalho em casa, por videoconferência, a possibilidade de se fazerem debates os mais diversos, à distância, em qualquer parte desse país tropical abençoado por Deus.

Assim, vejo-me quase que diariamente transportado para os lugares mais diversos do país e também aqui de Pernambuco.

Basta o link e a gente entra em reunião com diferentes públicos.

Natural que a situação política, dita “conjuntura”, se sobressaia entre os temas solicitados.

E que me convidem com frequência.

- A gente quer um debate sobre a parte boa da conjuntura, pode ser?

O convite, vindo de ativistas jovens de uma cidade metropolitana, aglutinados em torno da bandeira ambientalista, pude esclarecer, queria meu costumeiro entusiasmo em relação às possibilidades da luta do povo, mas preferia que eu não comentasse tanto o lado tenebroso da situação do país sob o governo Bolsonaro.

- Essa parte é deprimente, concorda?

Respondi que sim, mas adverti que nós, do PCdoB, somos por princípio adeptos da análise da realidade concreta como ponto de partida para a compreensão da cena política e a tomada de posição sobre opções táticas possíveis. Não há como fugir aos ditos aspectos ruins da situação.

Não se pode arriscar juízo de valor consistente sobre a situação, como de resto sobre qualquer objeto da análise, sem o cotejamento de todos os aspectos possíveis; todas as varáveis e elementos contraditórios em presença.

Vale para o exame da situação imediata, vale para o descortino, digamos estratégico, do evolver da sociedade brasileira.

Tanto que a Fundação Maurício Grabois, através da Cátedra Cláudio Campos, realiza seminário – composto por dez mesas sucessivas – destinado a atualizar a compreensão da realidade brasileira, inserida no contexto mundial, no intuito de atualizar o programa do PCdoB.

Os impasses em que o País está metido exigem um novo projeto nacional de desenvolvimento, que se assente no enfrentamento de problemas estruturais que obstaculizam uma saída consistente para a crise.

Por exemplo, como financiar pesados empreendimentos em infraestrutura com recursos estatais contornando imposições do rentismo internacional, detentor de quase toda a dívida pública?

Isto implica arregimentar amplo arco político e social animado com a possibilidade de retomar o crescimento econômico com ampliação das oportunidades de trabalho.

Então, aceitei o convite para a roda de conversa com os jovens ambientalistas, com o cuidado, entretanto, de pactuar um olhar multilateral sobre a situação. E com a garantia de que meu entusiasmo afloraria, sim – porque é sincero, pois apoiado na percepção de que a base social do extremismo de direita bolsonarista se enfraquece na esteira do prolongamento da crise econômica e social.  

E, quem sabe, venha a se formar uma ampla coalizão oposicionista em condições de vencer.

Veja: Na resistência democrática, todos os caminhos são válidos https://bit.ly/3cXUHhK

No buraco

Economia brasileira despencou 4,2% em 2020. Retirada de estímulos como o auxílio emergencial, combinada à piora da pandemia, vai retardar ainda mais a recuperação da atividade econômica. Leia aqui https://bit.ly/2OfZnoO

Bandeira estratégica

Feminismo: uma luta civilizatória

Edilson Silva

 

Em seus oitenta mil anos de percurso na trajetória humana, o homo sapiens acabou legando para suas fêmeas um papel subordinado e de oprimidas na relação entre os gêneros. A produção da força física do macho foi construindo paralelamente um sistema de poder ao mesmo tempo sofisticado e bruto em seu favor: o patriarcado.

Há vários caminhos a se percorrer para explicar como se chegou até esta situação, mas o fato é que o patriarcado foi construído e se reproduz em praticamente todas as culturas humanas, como se fosse algo natural ou mesmo divino.

E este sistema de dominação foi construído sobre as maiores barbaridades impostas às mulheres. Eram queimadas em fogueiras, acusadas de bruxaria, todas as que ousassem mostrar sabedoria, liderança, ou qualquer qualidade que lhes dessem notabilidade ou servissem de exemplo às demais mulheres ou às novas gerações.

Assim o fizeram com Hipácia de Alexandria (355-415 DC), para ficar num único e revoltante exemplo. Mulher sábia, cientista das mais brilhantes de seu tempo, foi tomada por uma turba obscurantista que a esquartejou e raspou a carne de seu corpo com cascas de ostras. Ao longo desta história, a resistência da mulher contra este sistema é uma constante. Elas sempre lutaram. E muito.

Contudo, foi preciso que o movimento da história, nos seus conflitos e sínteses entre a realidade e a consciência humana, produzisse as condições para que a luta das mulheres avançasse. Todos os movimentos de emancipação e de iluminação da humanidade contra obscurantismos, nas ciências, na filosofia, na política, no direito, conspiraram ao mesmo tempo contra o patriarcado, tornando-o cada dia mais indefensável em suas barbaridades.

As mulheres então avançaram com seu feminismo, que, apesar das múltiplas faces que assume, busca em essência o direito à igualdade com justiça entre os gêneros. Esse avanço é desigual a depender das culturas humanas, mas podemos afirmar com muita certeza que o patriarcado ainda hegemoniza as relações sociais mesmo onde o movimento feminista mais avançou. A emancipação real ainda está no horizonte.

Mas o mesmo movimento da história que construiu condições objetivas para a luta pela emancipação feminina, também pode apresentar contradições como a que assistimos hoje no Brasil, por exemplo. Diante das múltiplas crises que a sociedade contemporânea nos impõe, amplos segmentos sociais se veem arrebatados por uma utopia conservadora e até reacionária. Querem voltar ao passado.

Questões como desemprego, drogas e violência do narcotráfico, a criminalidade, e até a abertura do armário para a população LGBT, por exemplo, são combatidos por este pensamento com uma única palavra: família.

A palavra família tem um endereço e objetivo precisos neste contexto: recolocar as mulheres pra “dentro de casa”, numa relação tradicionalíssima “papai/mamãe/filhos”, cuidando dos filhos, dos afazeres domésticos, do marido, dos idosos, dos doentes. Para as mulheres mais pobres e negras, o destino é o quartinho da empregada e a semiescravidão. Na visão desses “conservadores”, os graves “desajustes” sociais são culpa do feminismo, que, segundo eles, como parte das esquerdas, desestruturou esta família.

Essa mentalidade atrasada não se contenta em ver as mulheres cumprindo duplas e triplas jornadas, ou mesmo assumindo majoritariamente ou de maneira solo o cuidado com os filhos de relações divorciadas. Não se contenta em vê-las cuidando da população carcerária nos dias de visita, cuidando dos doentes em hospitais com poucos funcionários, assumindo sozinhas os filhos com deficiência, cumprindo assim um papel não remunerado que seria inclusive do Estado.

Essa luta está perigosa, pois o crescimento do fundamentalismo religioso apresenta ESTA família como um projeto de Deus, algo que desdiz a igualdade jurídica que as mulheres já conquistaram. Pior: abre espaço na imaginação doentia do patriarcado para supor que pode existir até alguma virtude ou salvação diante de um feminicídio.

A luta feminista então se confunde com a defesa da vida, da ciência, da modernidade, pois para fazer recuar a mulher, precisam recuar também toda a compreensão humana sobre o nosso nível civilizatório. Não é uma luta apenas das mulheres, portanto.

*Edilson Silva é presidente da UNEGRO no Recife e foi deputado estadual


Vá no canal ‘Luciano Siqueira opina’ no YouTube, sugira temas para debate e ganhe um exemplar do meu livro de crônicas “Como o lírio que brotou no telhado” https://bit.ly/3aBcUyS

Risco potencial

Até julho do ano passado, mais de 2.500 militares de variadas patentes ocupavam cargos comissionados em 18 órgãos do governo. Dos 21 ministros, nove são das Forças Armadas e mais de um terço das estatais federais são dirigidas por militares. Isso é bom ou ruim? É anormal.

Implicações

A se confirmar, no inquérito do STF (investigação da Polícia Federal) o disparo em massa de fake news pelo WhatsApp nas eleições de 2018, favorecendo Bolsonaro, não será propriamente novidade. E talvez não tenha consequência jurífica, mas política e eleitoral creio que sim.

Humor de resistência

 

Charge de Laerte

Parar para salvar

 

Covid com alta recorde e lotação de UTIs: especialistas listam motivos para parar o país por ao menos 2 semanas

Exemplos vindos do Reino Unido e Israel mostram, segundo especialistas, que medidas de restrição adotadas por menos de 15 dias e campanha de vacinação sem isolamento social são incapazes de conter o avanço da pandemia.

Laís Modelli, G1

 

Praias e comércio fechados, toque de recolher e barreiras sanitárias em todo o país por, pelo menos, duas semanas. É o que defendem especialistas ouvidos pelo G1 como medidas nacionais e coordenadas que o governo federal deveria adotar em março para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus, que já registrou recordes em apenas dois meses de 2021.

Segundo os especialistas ouvidos pelo G1, os argumentos listados abaixo mostram a necessidade de um lockdown nacional (bloqueio geral), com medidas duras de restrição de circulação, durante o mês de março no Brasil:

               Sem vacinação em massa, sem rastreamento dos casos e sem o aumento da testagem, o distanciamento é a única maneira de conter o vírus;

·                   Diante do agravamento geral da pandemia, o país não conseguirá diminuir as transmissões se cada estado adotar uma medida diferente;

·                   Exemplos de outros países mostram que medidas curtas e pontuais, menores que 15 dias, não geram resultados consistentes;

·                   Quanto menor a circulação da população, menor a chance de o vírus encontrar pessoas suscetíveis à infecção;

·                   Reino Unido e Israel conseguiram controlar as transmissões com uma combinação de lockdown e vacinação em massa.

Necessidade de ação nacional

Membro da diretoria do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Vanja dos Santos explica que, diante do iminente colapso do sistema de saúde em quase todos os estados, as ações precisam ser nacionais para serem eficazes.

"No momento de caos generalizado em que estamos, ou paramos e fechamos tudo, ou vamos dobrar essas mais de 250 mil mortes pela Covid-19 que tivemos em um ano em um tempo muito menor" , disse Vanja dos Santos, membro da diretoria do CNS.

Santos explica que o CNS e demais órgão nacionais que integram a "Frente Pela Vida" pedem ao governo federal ações unificadas desde o ano passado. Com o agravamento da pandemia em fevereiro, o segundo mês com maior número de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, a paralisação das atividades em todo o país é tema no CNS.

"Na nossa última reunião, na terça-feira (23), discutimos medidas urgentes para o Brasil neste momento, como fechar todo o comércio, praias e serviço não essencial por duas semanas, assim como estipular um toque de recolher, implementar barreiras sanitárias pelo país e fazer testagem em massa", conta Santos.

Reino Unido: restrições longas

O coordenador da Rede Análise Covid-19, o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, usa o exemplo do Reino Unido para explicar que medidas curtas e pontuais, menores que 15 dias, não alteram a curva de transmissão.

"O Reino Unido está no seu terceiro lockdown e começará a flexibilizar as medidas neste 1º de março, mesmo com o avanço da vacinação por lá. A flexibilização será devagar e escalonada. Locais como salão de beleza, por exemplo, reabrirão apenas em abril", diz Schrarstzhaupt.

"No Brasil, vimos governos estaduais e prefeituras decretarem lockdowns isolados, o que é válido, mas por somente alguns dias. Analisando os dados do Reino Unido, vemos que o período é muito curto para que se tenha uma diminuição dos casos", compara.

No primeiro lockdown britânico, iniciado em 23 de março de 2020, Schrarstzhaupt explica que os casos começaram a estabilizar apenas no 16º dia de restrições.

No segundo lockdown, começado em 5 de novembro, o cientista aponta que os casos começaram a cair depois de 13 dias. Mesmo assim, o governo britânico manteve as restrições por mais 15 dias, terminando o segundo bloqueio nacional apenas em 2 de dezembro.

"Toda a vez que se coloca alguma medida de restrição de mobilidade, há uma redução no número de casos, mas essa redução pode não ser proporcional ao tamanho do problema. Por isso, quanto maior o número de pessoas infectadas, mais duras e longas devem ser as restrições" , afirma Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19

Israel: lockdown e vacinação em massa

Em dezembro, ao mesmo tempo em que iniciou a vacinação em massa contra a Covid-19, Schrarstzhaupt aponta que Israel decretou seu terceiro confinamento nacional. "A estratégia israelense para conter a pandemia tem sido vacinar em massa e restringir circulação", explica Schrarstzhaupt.

Israel já vacinou mais da metade da população com ao menos uma dose, e a imunização por si só não foi vista como única estratégia. Diante disso, o governo fechou o maior a aeroporto internacional do país por duas semanas em fevereiro e manteve os demais fechados por um mês.

O país também adotou medidas como proibir qualquer cidadão de se distanciar mais de um quilômetro de sua residência.

Tais medidas ainda estão em vigor em Israel. Algumas foram flexibilizadas mais de um mês após o decreto do terceiro lockdown, e somente para os que já foram completamente imunizados com as duas doses da vacina.

O vídeo abaixo mostra os resultados positivos da vacinação no Reino Unido e em Israel.

Medidas precisam ser coordenadas entre estados

A diretora do CNS afirma que a entidade pede que o governo federal coordene e unifique as medidas contra a pandemia desde meados de 2020. "Pedido que o governo federal nunca atendeu", afirma Santos.

"Se um estado restringe a circulação das pessoas e fecha comércio, mas outro não faz o mesmo e as fronteiras continuam abertas, será muito difícil para aquele que impôs as medidas conseguir impedir que uma variante chegue ao seu estado, por exemplo", aponta Schrarstzhaupt.

Outra entidade que pede há meses uma coordenação nacional das medidas contra a Covid-19 é o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que divulgou nesta segunda-feira (1) uma carta com sugestões de medidas urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde diante do aumento dos casos de Covid-19 no Brasil.

Entre os pedidos do Conass estão a adoção de um toque de recolher nacional, o fechamento de bares e praias, a proibição de eventos presenciais e suspensão de aulas presenciais em todo o país. A carta também critica a falta condução nacional unificada e coerente da reação à pandemia.

Veja: Trabalho, renda e vacina são destaques na resistência imediata https://bit.ly/35deEMX

01 março 2021

Desmonte

Juristas avaliam como “distorção inevitável”, nas condições do governo Bolsonaro, as sucessivas intervenções do STF sobre o Congresso Nacional e o Executivo. Um aspecto vivo da deterioração gradativa do Estado Democrático de Direito.

Fotografia


A estética do contraste de área colhida/área plantada não esconde o campo canavieiro como palco da dura exploração do proletariado rural (Foto: LS) 

Quem será?

Escolha uma dessas alternativas: O ex-superministro da Economia Paulo Guedes será substituído por

(a)   Outro ‘Chicago boy”

(b)   Um general

(c)    Alguém indicado por Trump

(d)   Um amigo íntimo dos filhos do presidente

(

Anomalia

Em condições normais, precisaria de uma determinação do STF para que o governo federal abra novos leitos de UTI em razão do colapso do sistema público de saúde sob agravamento da pandemia? Realmente, um governo genocida.

Águas de março

Março sempre foi um mês de muita expectativa no Nordeste em razão das esperadas chuvas no semi-árido, imprescindíveis à agricultura de baixa tecnologia e familiar. Que seja também de crescimento da resistência ao governo genocida.

Sua assinatura vale muito


Abaixo-assinado em defesa da vida

Ao Presidente do Congresso Nacional

Nós, abaixo-assinados (as), indignados(as) com o descaso e a irresponsabilidade do governo federal na condução do enfrentamento à covid-19, *exigimos máxima agilidade na vacinação da população*, em constante risco de vida desde o início da pandemia em nosso País.


Igualmente, *exigimos a retomada do auxílio emergencial* - decente, duradouro e massivo - para o enfrentamento da crise econômica que assola as famílias brasileiras desde o período anterior ao coronavírus.

Como sabemos, o auxílio emergencial foi imposto pelo Congresso Nacional, com respaldo da sociedade, e não pode ser retirado enquanto persistir a grave situação de vida de quem trabalha e do povo em geral.

A campanha *SOS - Vidas Humanas* congrega entidades da sociedade civil, movimentos sociais, lideranças políticas e populares e defende a renovação do auxílio de R$ 600, e R$ 1.200, de acordo com os critérios implementados em 2020.

Contamos com a sua adesão e participação nesta iniciativa em defesa da vida do nosso povo, e contra a política de morte promovida pelo atual governo federal.

*Fora Bolsonaro!*

Iniciativa:
CTB - Central dos Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil
UBM - União Brasileira de Mulheres
CMB - Confederação das Mulheres do Brasil
UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade
UNALGBT - União Nacional LGBT
UJS - União da Juventude Socialista
UNE - União Nacional dos Estudantes
UBES - União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
UEP - União dos Estudantes de Pernambuco
UMES - União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas
MOVIMENTO 65
PCdoB - Partido Comunista do Brasil
Vereadoras e Vereadores: Cida Pedrosa e Almir Fernando (Recife) - Dete Silva (Olinda) - Wando de Zé Bom (Jaboatão) - Cassiane Lima (Paulista) - Maria dos Prazeres (Igarassu)

ASSINE AQUI, DIVULGUE, PARTICIPE!
https://www.change.org/sosvidashumanas