07 agosto 2026

Minha opinião

Trump e a diplomacia anárquica

Luciano Siqueira   

 

O absoluto desprezo do governo Donald Trump pelas normas tradicionais da diplomacia internacional traduz redefinição profunda da política externa norte-americana. Sob a doutrina do "América Primeiro" (America First), há uma explícita rejeição do padrão de convivência entre os países estabelecido no pós-Segunda Guerra Mundial.

Despreza consensos multilaterais e trata instituições globais — como a ONU e a Organização Mundial do Comércio — como amarras restritivas à soberania dos Estados Unidos. Para Trump, compromissos históricos com a OTAN ou acordos ambientais são vistos como fardos econômicos desvantajosos.

Demais, numa espécie de incomum pirueta diária à testa do governo norte-americano, comporta-se de modo imprevisível e contraditório, usa as redes sociais sem qualquer limite e pratica uma espécie de diplomacia unipessoal.

Caso das tarifas sobre produtos importados pelos Estados Unidos, adotadas mediante critérios controvertidos e incoerentes, no intuito coagir tanto aliados quanto rivais a negociar em desigualdade.

No âmbito político interno, sustenta discurso anti-establishment e tenta canalizar o ressentimento eleitoral ao conceituar o "globalismo" como responsável pela desindustrialização e pelo declínio econômico da superpotência norte-americana.

Um presidente tresloucado mas imperialista na essência, apropriado à conjuntura de decadência do Estados Unidos num quadro geopolítico de transição a uma nova ordem multipolar.

[Ilustração: Gargalo]

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Lreia também: “Trump com poucas cartas na mão” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html

Arte é vida

 

Ademir Martins 



Enio Lins opina

Entreguismo e bolsonarismo são sinônimos: traição nacional
Enio Lins   

É O BOSONARISMO A EXPRESSÃO mais exata de traição à pátria. Pode-se dizer que, no Brasil, nunca houve – talvez não venha a existir jamais – tamanha infidelidade nacional como a de Jair Falso Messias, sua família e facção. “Trump, i love you” é, acintosamente, a maior expressão lesa-pátria jamais vista nesse país, ao longo de 526 anos, desde 22 de abril de 1500. E olhe que tivermos entreguistas notáveis, autores de sabujices como “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, frase defecada por Juracy Magalhães, em 1965, como embaixador brasileiro em Washington.

EM 1964 E ARREDORES,
mesmo com o financiamento do governo dos Estados Unidos, os golpistas de primeiro de abril procuravam expressar uma tênue autonomia. Apesar de Juracy, a direita extremada daqueles dias evitava demonstrações cabais de que seria mera fantoche de Washington. Minimizavam a desenvoltura intervencionista do embaixador estadunidense no Brasil – Lincoln Gordon – querendo passar as evidências do comando ianque como mero detalhe. Ao longo de 21 anos de trevas, os generais do golpe nunca cogitaram bater continência (sem justificativa protocolar) à bandeira norte-americana. E, em vários momentos, tomaram posições consideradas “ruins” por Washinton, como a parceria com a Alemanha (e não com os Estados Unidos) para implantação do programa nuclear brasileiro, e reconhecendo a República Popular da China (sob a liderança de Mao Tse Tung) como a única representante dos povos chineses na ONU, através da Resolução 2758, aprovada com o voto brasileiro em 25 de outubro de 1971, enquanto os Estados Unidos votaram contra, e só reconheceriam a China nas Nações Unidas em 1979.

DESDE SEMPRE
, o bolsonarismo transbordou-se em declarações esfuziantes de auto-humilhação, servilismo e entreguismo. Com a derrota eleitoral de 2022, essa alma de capacho se converteu numa súplica desesperada pela intervenção explícita do governo americano contra o Brasil, com o objetivo de devolver o poder à quadrilha do Jair, a despeito da opinião das urnas. Durante o governo Biden esse conluio não prosperou, mas com o autocrata Trump na Casa Branca, a facção criminosa Jair & Filhos pegou ar. Empolgou-se e rasgou a tanguinha de filó, verde-amarelada, tipo fio-dental, que fazia de conta esconder suas partes pudendas. Dudu Bananinha, detentor de 741.701 votos paulistas para a Câmara Federal, abandonou o mandato e homiziou-se no mais alto luxo em território americano para se dedicar diuturnamente a sabotar o Brasil. Como resultado dessa política de traição nacional, materializada nas taxas absurdas de Trump, se estima (segundo a Jovem Pan News, em 16/07/2026) um prejuízo entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões anuais para as exportações brasileiras.

PARA BOLSONARO & CIA
a frase “Brasil acima de tudo” é uma ironia covarde, uma mentira tão deslavada quanto as bravatas “contra o crime organizado” – quando, pelas práticas recorrentes, são – Jair, filhos e principais aderentes – ligados às milícias (vide Flávio, irmãos e pai), ao PCC (vide caso do comandante bolsonarista da PMSP), ao Comando Vermelho (vide caso do deputado bolsonarista carioca TH Joias). Para Jair & filhos & cúmplices, o Brasil é, acima de tudo, sua vítima preferencial, algo a ser explorado, roubado, violentado, entregue ao apetite de quem lhes proporciona mais vantagens pessoais. Essa ignomínia pôde ser visualizada no dia 7 de setembro de 2025, quando milhares de bolsonaristas estenderam uma bandeira gigante dos Estados Unidos na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato político da facção. Era um agradecimento a Donald Trump pelos prejuízos causados ao Brasil. “Estados Unidos acima de tudo, Trump em cima de todos” é a legenda dos Bosonaros & parceiros. De uma vez por todas: Vade retro, satanases!

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Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html 

Sylvio: Argentina rebaixada

Absolutamente correta a atitude do governo brasileiro rebaixando a relação diplomática com a Argentina após as agressões do folclórico e despreparado, para não  dizer psicopata, Xavier Milei. Ele não  merece um diplomata, mas apenas um encarregado de negócios. Se voltar a se comportar como o cargo que, equivocadamente lhe foi concedido exige, a situação poderá  ser revista.

Sylvio Belém  

Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html

Pequenas grandes contribuições

A vaquinha solidária da campanha de Cida
Luciano Siqueira   

Em recursos financeiros, campanhas de candidatos populares às Casas legislativas nem se comparam com as de representantes das elites dominantes. 

Não apenas porque o fundo eleitoral é distribuído proporcionalmente com ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados — maioria de extrema direita e do centrão, cujos parlamentares defendem com unhas, dentes e artificios impublicáveis os interesses do capital financeiro, do poderoso agro exportador e dos monopólios varejistas.

As correntes populares elegeram no pleito passado apenas 1/5 dos deputados federais. 

Daí decorre uma disputa desigual. 

A campanha de Cida Pedrosa à Assembleia Legislativa — genuinamente popular, plena de consciência e afeto — carece de recursos para assegurar as atividades planejadas.

Vem fazendo bom uso de um instrumento permitido pela Legislação Eleitoral: a vaquinha — de fácil acesso e manuseio muito simples.

O convite nos chega em mensagem pelo WhatsApp, com link para acesso e em não mais do 1 a 2 minutos é possível registrar o valor da doação e depositar via PIX, cartão ou boleto. 

A vaquinha da campanha de Cida arrecadou até agora pouco mais de r$ 60.000, fruto de contribuições de valores os mais diversos: 5, 10, 20, 30, 500 ou mais. 

Contabilizam-se largamente pequenas contribuições advindas da população que dispõe de poucos recursos, que se vê representada por Cida na Câmara Municipal e deseja vê-la deputada para levar a Pernambuco uma trajetória construída com presença, escuta e compromisso..

*

Tomo a liberdade de lhe convidar a fazer parte dessa corrente de solidariedade. Clique aqui https://apoiar.me/cida-pedrosa 

Palavra do PCdoB

PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula
Cezar Xavier/www.pcdob.org.br   

A Convenção Nacional do PCdoB aprovou nesta quinta-feira (30) um manifesto que oficializa o apoio à chapa Lula-Alckmin e apresenta as diretrizes políticas da legenda para as eleições de 2026. Sob o lema “Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”, o documento sustenta que o próximo mandato deve inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, superando a etapa de reconstrução iniciada após o governo anterior.

O texto afirma que o crescimento econômico deve estar associado à geração de empregos qualificados, à valorização dos salários e ao fortalecimento dos serviços públicos. Para o partido, a reindustrialização baseada em ciência, inovação e novas tecnologias é condição indispensável para reduzir desigualdades, agregar valor às riquezas nacionais e garantir soberania em áreas estratégicas, como transição energética, economia digital e minerais críticos.

O manifesto também defende um Estado forte, capaz de planejar investimentos, coordenar políticas públicas e induzir o desenvolvimento. O documento critica a predominância do rentismo, dos juros elevados e das políticas de austeridade, propondo reformas econômicas, tributárias e institucionais voltadas ao fortalecimento da produção e do mercado interno.

Na avaliação do PCdoB, a eleição de 2026 representa uma disputa entre projetos de país. De um lado, afirma o texto, estão forças identificadas com a extrema direita e o neoliberalismo; de outro, uma frente democrática comprometida com soberania, desenvolvimento, inclusão social e uma ordem internacional multipolar. O partido conclama a mobilização popular pela reeleição de Lula e pela ampliação de sua representação no Congresso como condição para viabilizar as mudanças defendidas no documento.

Leia a íntegra do manifesto:

PCdoB com Lula e Alckmin 
Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho

O Brasil sempre foi maior do que os obstáculos que tentaram impor ao nosso povo. Foi assim quando conquistamos a democracia, enfrentamos a fome, ampliamos direitos, valorizamos o trabalho e fizemos milhões de brasileiros acreditarem novamente no futuro.

Agora chegou o momento de dar um passo adiante, de romper com as amarras do atraso e ir além da reconstrução do que foi destruído, empreendida com sucesso pelo atual governo do Presidente Lula. É preciso abrir um novo ciclo de desenvolvimento soberano capaz de transformar profundamente o país e assim também transformar a vida do nosso povo. É para cumprir essa missão que o Partido Comunista do Brasil compõe a frente democrática e popular por um novo mandato para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula é o líder necessário que detém a experiência e a liderança nacional, o respeito internacional e o compromisso social para conduzir essa transição. 

O PCdoB conclama a sociedade brasileira para participar desse processo. O desafio é simples de compreender e grandioso de realizar: adotar um caminho próprio para um salto civilizacional que nos torne uma nação soberana, forte e influente, mais desenvolvida e, sobretudo, mais próspera e justa para nossa gente.

O caminho para isso está apontado no Plano de Governo Participativo da campanha de Lula, com a contribuição do PCdoB (PCdoB lança contribuições ao programa da campanha de Lula à presidência). Esse Plano expressa a confiança que temos de que a nova vitória em outubro pode realizar tais objetivos. 

Alicerçados no apoio e na mobilização popular e com direção estratégica do novo governo construiremos um país com uma verdadeira mobilidade social ascendente, em que o crescimento econômico valorize o trabalho com empregos de qualidade em larga escala e salários melhores, a educação pública de excelência seja prioridade permanente, onde a defesa da vida tenha no SUS fortalecido um fator decisivo, garantindo o direito à saúde acessível e sem filas de espera, com cidades mais humanas e segurança para viver, com oportunidades para a juventude e dignidade para quem envelhece, onde a cultura ocupe seu lugar na consolidação de nossa nacionalidade e a ciência seja reconhecida como patrimônio estratégico do nosso povo.

Neste país a riqueza produzida precisa estar a serviço de elevar o bem-estar do nosso povo, assegurar amplos direitos sociais e civis a mulheres e homens, independentes de cor da pele, de gênero, de orientação sexual e opção religiosa.

Para isso, é preciso realizar uma grande e intensiva etapa de industrialização em novas bases tecnológicas. Nenhuma nação alcançou alto nível de desenvolvimento e de qualidade de vida abrindo mão das suas indústrias, capacidade científica e soberania. Uma indústria moderna, inovadora, digital, ambientalmente sustentável, integrada à revolução científica e tecnológica do nosso tempo e voltada à superação dos grandes desafios nacionais é imprescindível para garantir nossa soberania e superar a elevada desigualdade social que marca nossa história.

Tal desafio nos exige dominar tecnologias estratégicas, ampliar os investimentos em pesquisa, inovação, educação e saúde, agregar valor às nossas riquezas naturais e criar milhões de empregos qualificados com melhores salários para as próximas gerações, elaborar marcos regulatórios soberanos para a transição digital, energética, exploração da cadeia das terras raras e enfrentamento das mudanças climáticas. Esse é o caminho para romper os limites do atual modelo de décadas de baixo crescimento e desigualdade.

O povo brasileiro quer e merece mais! O Brasil tem pressa. Isso requer mudanças para superar o desalento e o rebaixamento cultural imposto pelas forças dominantes. E temos todas as condições para isso, proporcionando cidadania plena a milhões de pessoas excluídas. 

Somos uma potência agrícola, energética, mineral, científica, ambiental e cultural. Possuímos um dos maiores mercados internos do planeta. Dispomos de universidades, institutos de pesquisa, trabalhadores qualificados e uma juventude criativa. Precisamos de decisão política e de um plano nacional de desenvolvimento para colocar nossas capacidades em movimento.

Esse projeto exige um Estado forte, democrático e eficiente. Capaz de planejar o futuro, induzir e coordenar investimentos públicos e privados, fortalecer a infraestrutura, impulsionar a inovação, apoiar quem produz, garantir serviços públicos de excelência e reduzir as carências regionais e sociais que ainda dividem nosso país. A política econômica deve servir às pessoas, e não submeter a sociedade aos interesses do capital financeiro e dos rentistas. O Estado e seu orçamento devem contemplar quem trabalha e produz.

São objetivos que exigem colocar em marcha um plano de desenvolvimento com metas nítidas e coordenação de todo o governo. Nossa soberania começa pela capacidade de defesa nacional, de produzir conhecimento, energia, alimentos, tecnologia, medicamentos e soluções para nossos próprios desafios. Soberania também se conquista quando o Brasil atua no mundo com independência, cooperação, parcerias e alianças condizentes aos seus interesses, defesa da paz e compromisso com um desenvolvimento sustentável, solidário e multipolar.

Mas nenhuma dessas transformações acontecerá espontaneamente. Aqueles que lucram com o atraso continuarão defendendo um país dependente, desindustrializado, desigual e subordinado aos privilégios de poucos e das grandes potências estrangeiras. Suas armas são a imposição de juros altos e austeridade fiscal para assegurar extraordinários rendimentos financeiros, próprias do sacrossanto receituário neoliberal.

Por isso, o desafio de nosso tempo é construir uma nova mobilização política, social e cultural para abrir caminho para a transformação!

É preciso uma nova maioria na sociedade e no parlamento formada por trabalhadores e trabalhadoras, pela juventude, pela comunidade científica, pelos setores produtivos, pelos sindicatos e movimentos sociais, pela cultura, pelos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional e por todos aqueles que acreditam na democracia e na soberania.

Uma maioria capaz de colocar os interesses nacionais e populares acima dos lucros do rentismo, da atual composição do Congresso Nacional, do atraso e da intolerância. Maioria para produzir mudanças com reformas estruturais no país, no campo político e institucional, da política econômica, macroeconômica e tributária.

Nesse sentido, as eleições de 2026 serão uma escolha entre dois projetos de país.

De um lado, a extrema direita e os setores que apostam na divisão do povo, no negacionismo, na violência política, na destruição de direitos e na submissão do país aos interesses estrangeiros. Aqueles que querem destruir a democracia e atar o Brasil a reboque dos interesses dos países imperialistas.

De outro, estamos com Lula para inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento soberano, democrático e inclusivo por uma vida melhor para os brasileiros e brasileiras. Aqueles que situam o nosso país em alianças internacionais em prol do seu Projeto Nacional e por uma ordem mundial mais justa e democrática.

É essa escolha que está diante de nós. É esse o chamado que o PCdoB faz à sociedade brasileira. Avançar na elaboração de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para fazer do Brasil uma nação que transforme as riquezas em prosperidade compartilhada, crescimento econômico em oportunidades e desenvolvimento em qualidade de vida.

O futuro não será obra do acaso. Será resultado da vontade organizada de um povo que decide acreditar novamente em si mesmo. Envolve estimular uma consciência nacional vocacionada a um país plenamente desenvolvido e senhor do seu destino. Para os comunistas, essas conquistas que as forças progressistas são chamadas a realizar nesse futuro imediato desbravam caminho e acumulam forças para a jornada de lutas pelo socialismo em nossa pátria.    

É tempo de dar um passo adiante e fazer do próximo governo Lula o vetor de referência e mobilizador do país, com rumos soberanos para uma arrancada do desenvolvimento, na busca da construção de uma grande nação, para uma vida melhor a todos os brasileiros e brasileiras.

Nós brasileiros e brasileiras, temos, nesta hora, o privilégio e a responsabilidade de sermos decisivos para assegurarmos a reeleição do presidente Lula, condição imperativa para o futuro promissor que almejamos. Igualmente, nosso voto e nossa mobilização são imprescindíveis para que tenhamos uma forte bancada de parlamentares no Congresso Nacional sem a qual é impossível a realização das mudanças. Venham e juntem-se à campanha eleitoral alegre, criativa e combativa do PCdoB, pela vitória de Lula, pela eleição de deputados/as de nossa legenda e também de deputados/as estaduais, além de nossos aliados.

Brasília, 30 de julho de 2026

Documento aprovado pela Convenção Eleitoral Nacional
do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

06 agosto 2026

Palavra de poeta

No vidro baço dos dias
Carla Montanha  

Abriu-se um clarão fechado
na tarde
deitada ao vento.

Os dedos
corridos de terra
não contavam
o tempo.

Nem eu
aprendi
o ofício da noite,
nem as horas
que se gastavam
na cal do dia.

Mas o céu
esculpia linhas.

Bastava
fechar os olhos
para ver
um rosto fino,
sem sorriso,
gasto
no vidro baço
dos dias.

[Ilustração: Humberto da Costa]

Publicado na revista Araçá

Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html