Brasil acumula superávit de US$ 49 bi e minimiza
impacto de tarifas dos EUA
Resultado impulsionado pelo comércio com a China
reforça resiliência do comércio exterior e compensa retração das vendas para os
Estados Unidos
Davi Dmolir/Vermelho
O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 49,04 bilhões entre
janeiro e julho deste ano, o que representa um crescimento de 31,9% em relação
ao mesmo período do ano passado, segundo dados consolidados da Secretaria de
Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio
e Serviços (MDIC).
O resultado reforça a resiliência da balança comercial brasileira diante
das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e consolida a China
como o principal destino das exportações nacionais.
De acordo com os números oficiais, as exportações brasileiras somaram
US$ 218,55 bilhões no período, com alta de 10,5%, enquanto as importações
alcançaram US$ 169,51 bilhões, avanço de 5,5%. A corrente de comércio totalizou
US$ 388,06 bilhões, crescendo 8,2%. Apenas no mês de julho, o saldo positivo
foi de US$ 7,07 bilhões, fruto de exportações da ordem de US$ 34,12 bilhões e
importações de US$ 27,05 bilhões.
A China manteve a liderança isolada entre os parceiros comerciais do
país. As vendas brasileiras ao mercado chinês atingiram US$ 69,03 bilhões nos
sete primeiros meses do ano, uma expansão de 19,7%, garantindo uma participação
de 31,58% no total exportado pelo Brasil. O superávit bilateral com os chineses
somou US$ 24,06 bilhões. Em julho, os embarques para o país asiático alcançaram
US$ 10,67 bilhões, alta de 8,6%, gerando um saldo favorável de US$ 4,26
bilhões.
Entre os principais produtos exportados para a China destacam-se a soja,
o petróleo bruto e o minério de ferro, confirmando a relevância estratégica
dessa parceria comercial.Por outro lado, os dados mostram que as exportações
para os Estados Unidos recuaram cerca de 12% no acumulado até julho,
totalizando aproximadamente US$ 20,95 bilhões, o que gerou um déficit bilateral
de US$ 2,27 bilhões. A participação norte-americana na pauta de exportações
brasileiras caiu para o patamar de 9,5% a 10%.
Apesar da retração no comércio com os norte-americanos, os dados do MDIC
revelam que o impacto do chamado “tarifaço” sobre o resultado geral da balança
comercial brasileira tem sido limitado. A estratégia de diversificação de
mercados, somada ao fortalecimento das vendas para a Ásia, compensou as perdas
no mercado dos EUA.
As medidas tarifárias da administração norte-americana, com sobretaxas
de 25% e 12,5% em determinados itens (chegando a 37,5% em casos específicos),
atingiram uma parcela restrita de produtos. Itens de grande peso econômico,
como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja e minérios, permaneceram
isentos ou resguardados por listas de exceções. O diretor de Estatísticas do
MDIC, Herlon Brandão, observou que a queda das exportações para os EUA em julho
não pode ser atribuída diretamente ao novo pacote tarifário, já que a medida
passou a vigorar plenamente no fim do mês.No recorte por setores, a indústria
extrativa liderou a expansão das vendas externas no ano (+21,3%), puxada por
petróleo e minérios. A agropecuária cresceu 9,2%, e a indústria de
transformação avançou 6,3%. Diante dos dados sólidos, o MDIC já havia projetado
que o superávit anual pode alcançar a marca de US$ 90 bilhões.
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