Manchete da Folha de S. Paulo: "Banco Central preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas". Que analistas? Todos agentes do sistema financeiro!
Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
06 agosto 2026
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Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html
Futebol brasileiro em baixa
Campeonatos no Brasil vivem banalização da
mediocridade
Ela tem a ver com os fracassos da seleção nacional
e com as ações administrativas do nosso futebol. Carlo Ancelotti anunciou que
Neymar, Casemiro e Danilo estão fora; deveria haver outros
Tostão/Folha
de S. Paulo
Os
últimos jogos da Copa do Brasil e
do Brasileirão foram, na média, muito ruins,
alguns em péssimos gramados, como o do Corinthians contra o Athletico
Paranaense. Além disso, nas partidas, como é frequente no futebol brasileiro,
houve muitos tumultos, reclamações, discussões, pressão sobre os árbitros e
auxiliares, simulações. Nenhum árbitro do mundo é capaz de controlar tanta
bagunça. Muitos gostam, dizem que é o futebol raiz, mais emocionante.
A
banalização da mediocridade nos campeonatos nacionais tem a ver com os fracassos da seleção brasileira. Faz parte também
do que acontece, há décadas, no país, com variados governos, que não conseguem
diminuir a violência, a criminalidade, a corrupção, o enorme número de
residências sem saneamento básico e tantas outras misérias que assolam o país.
As ações no futebol e nos governos costumam ser paliativas, populistas, sem
mudanças nas estruturas.
Carlo Ancelotti voltou
ao Brasil e reconheceu que errou ao escalar Neymar durante
o segundo tempo contra a Noruega. Ele, com toda a sua experiência e o seu
conhecimento técnico, iludiu-se, como milhares de brasileiros, imaginando que
Neymar, nos momentos difíceis, acharia uma solução mágica.
Faltou
a Ancelotti reconhecer a ineficiência da estratégia de recuar para
contra-atacar contra a Noruega, ainda mais acompanhada pela passividade de
assistir aos noruegueses trocar passes e ficar com a bola, mesmo no campo do
Brasil. Marcar mais atrás para contra-atacar é uma estratégia que poderia dar
certo, desde que houvesse pressão intensa para recuperar a bola.
Na
história do futebol, muitas equipes que não possuem bons laterais, mas que têm
excelentes pontas, como a seleção brasileira, adotam com sucesso a formação
tática com três zagueiros e dois pontas como alas. Guardiola já fez muito isso.
O time fica mais ofensivo, ainda mais se marca mais à frente. O Palmeiras atual
tem jogado com três zagueiros e dois alas, o ponta-direita Allan e o lateral
esquerdo Piquerez bastante avançado, para aproveitar a velocidade e os
excelentes cruzamentos.
O
futebol brasileiro precisa melhorar dentro e fora de campo, em todas as
atividades, especialmente na formação de jogadores. É necessário também mudar
alguns conceitos. Rodri, que inicia as jogadas no próprio campo com precisos
passes, além de ser ótimo na marcação, foi eleito o melhor jogador do Mundial. A escolha
é discutível, mas ele foi merecidamente o melhor jogador da melhor seleção do
mundo, sem fazer um gol e sem dar o último passe para o gol. No Brasil só
valorizam quem faz gols ou dá o passe final para o gol.
Ancelotti
anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima
convocação. Deveria haver outros. É o início da renovação. Certamente, vários
que estavam presentes no Mundial serão substituídos nos próximos anos.
A Uefa, formada por 55 países europeus, salvou o futebol, ao anunciar que não disputaria competições
promovidas pela Fifa, como as Copas do Mundo masculina e feminina, se
a entidade, como anunciara o presidente Infantino, vendesse o futebol para
empresários. Outras federações apoiaram a Uefa, menos a sul-americana Conmebol, que não se manifestou.
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Lições da Espanha, campeã do mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/copa-do-mundo-espanha-no-podio.html
Palavra de poeta
Rosa
Mariane Bigio O teu perfume, Rosa
é pérfido ao se inalar
faz minha nuca toda se eriçar
e lembro bem tua seiva nodosa
o carmesim do teu lábio em pétala
espinhos rígidos do excitar
quando o toque faz desabrochar
um botão de candidez perpétua
na terra-alma é que tu me fincas
e me revelas beija-flor no cio
de bico fino e voar bravio
o teu suor, orvalho, chuva, estio
néctar doce que me alimenta
pingo a pingo, unge, acalenta
[Ilustração: Joan Miró]
Leia também "Corações em série", poema de Micheliny Verunschk https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_0360602965.html
05 agosto 2026
Minha opinião
Neutralidade insossa
Luciano Siqueira
Impossível evitar que o acirrado conflito entre Lula e Flávio Bolsonaro – principal vertente da disputado presidencial – se reflita nos estados. Candidatura ao governo estadual são naturalmente arrastadas para um ou outro lado no transcorrer na disputa.
Em Pernambuco, como sempre. Aqui jamais se travou batalhas locais desconectadas da cena nacional. Nem mesmo na República Velha.
Daí a fragilidade da opção tática da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição: sob o fogo cruzado da disputa nacional nenhuma neutralidade vinga.
Essa marca negativa prejudica inclusive os postulantes ao Senado na chapa da governadora.
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"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html
Humor de resistência
Leia: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html
Postei nas redes
Pesquisa Genial/Quaest: Lula supera Flávio Bolsonaro
por 39% a 30% no 1º turno e por 44% a 39% no 2º turno. Apenas uma tendência,
porém um bom sinal.
Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html
Enio Lins opina
É criminoso o
mito bolsonarista sobre a segurança pública
Enio Lins
MITO É SINÔNIMO DE MENTIRA. Significa algo inverídico, inventado para cumprir determinados fins simbólicos, sejam ritualísticos, sejam pura vigarice. Este é o caso da mitologia criada, na versão policial, em torno do Jair, o ex-capitão “treinado para matar”.
TAL MITOLOGIA NÃO se restringe ao Jair Falso Messias, nem foi inventada por ele – justiça lhe seja feita. Apenasmente, como diria Odorico Paraguaçu, Boçalnaro embarcou nessa velha canoa e nela singra mares sempre dantes navegados. Jair era um pivete de 10 anos quando, em 1965, foi criado o grupo “12 Homens de Ouro” reunindo policiais “treinados para matar” na elite da Polícia Civil carioca. Um grupo de extermínio que se tornou célebre sem ter dado nenhuma contribuição ao combate ao crime, endeusado pela mídia favorável como “eliminadores de bandidos”. Mesmo sob a proteção do regime ditatorial-militar imposto em 1964, a gangue acumulou processos “pela prática de execuções sumárias, abuso de autoridade, corrupção, suborno e a formação do primeiro grande esquadrão da morte do Rio de Janeiro”, como informa a IA Gemini.
ERA A DÚZIA DOURADA: Mariel Mariscot de Matos, José “Sivuca” Godinho, Aníbal “Cartola” Beckman, Neils Kaufmann “Diabo Loiro”, Euclides Marinho, Hélio Guahyba, Jaime de Lima, Lincoln Monteiro, Nelson Duarte, Humberto de Matos, Elinto Pires e Vigmar Ribeiro. Mariel virou celebridade e símbolo do grupo, vinculou-se abertamente ao crime organizado. Foi executado no meio da rua, em 8 de outubro de 1981, aos 41 anos. Sua trajetória criminosa virou livro: "A Máfia Manda Flores: Mariel, o fim de um mito” (1981, Global Editora). Godinho “Sivuca” virou deputado estadual carioca (1990 e 1994) usando o bordão “bandido bom é bandido morto”. Godinho teve o CPF cancelado pela Covid-19, em 2021, apesar do histórico de atleta. Eram mitos.
ESSA MITOLOGIA segue viva e matando em áreas dominadas pelo bolsonarismo, como São Paulo. Tarcísio de Freitas, governador bolsonarista, escolheu a dedo seu secretário “de segurança”: Guilherme Derrite, ex-capitão da PMSP acusado por cometer “dez homicídios durante três anos e nove meses de serviço”, segundo a Wikipédia, que informa ele ter declarado publicamente que classificava como “vergonhoso” policiais que “matam menos de três indivíduos em 5 anos de serviço”. O resultado? São Paulo continua entre os três Estados (junto com Bahia e Rio) com mais assassinatos no Brasil em números absolutos, sendo campeão nacional em assaltos cometidos, com 161.313 ocorrências registradas em 2025. Na raia paulista correm soltas quadrilhas como o “Primeiro Comando da Capital (PCC), que opera sem rivais significativos e coordena o tráfico internacional a partir do Porto de Santos” (Gemini). Homem de confiança de Tarcísio e comandante-geral da PM paulista, o coronel José Coutinho foi flagrado em diálogos incriminadores com o PCC, segundo a Operação Janus, deflagrada em julho de 2026 pelo MP de São Paulo.
NO RIO DE JANEIRO, o exemplo mais escandaloso desse mito é o período em que o general bolsonarista Braga Netto comandou a segurança pública, como interventor, entre 16 de fevereiro e 31 de dezembro de 2018, cuja marca mais notável é o duplo homicídio contra a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, cometido – dentre outros – pelo ex-policial Ronnie Lessa, amigo e vizinho de Jair Bolsonaro no luxuoso Condomínio Vivendas da Barra. E mais, durante a intervenção de Braga Netto, apesar de nenhum problema anterior de segurança pública ter sido resolvido, o ano de2018 “acumulou mais de 1.534 mortes por intervenção policial segundo dados oficiais compilados, configurando um dos maiores patamares da série histórica até então” (G1). Mitos treinados para matar, mentir, e ajudar ao crime organizado.
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