20 outubro 2026

Em baixa

Às vésperas das eleições legislativas, a aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou para 31% , atingindo o menor patamar já registrado em seus mandatos. Simultaneamente, a desaprovação de sua gestão alcançou índices elevados (cerca de 66%). Paga caro pelos males que pratica.  

Fogo de monturo financeiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_01813434061.html 

Serviria a quem?

Flávio Bolsonaro, armas e crime organizado  


É o que se lê no site ICL Notícias: em eventos como a Shot Fair Brasil e em entrevistas, Flávio Bolsonaro acena com a revogação dos decretos de controle de armas assinados pelo governo Lula.

Por exemplo, o retorno do calibre 9 mm como permitido, a liberação de porte de trânsito, o funcionamento de clubes de tiro 24 horas e o fim de limites de quantidade, níveis e exigência de habitualidade para atiradores.

Ora, como apontam especialistas na matéria, a flexibilização do mercado legal de armas e munições alimenta diretamente o mercado ilegal.

A facilidade de acesso a itens como máquinas de recarga, pólvora e cartuchos sem rastreamento adequados fornece o suporte logístico necessário para que facções criminosas mantenham arsenais pesados ​​e trocas de tiros. (LS) 

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Humor de resistência

Nando Motta

Lula autoriza TSE a abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/nada-esconder.html 

Nada a esconder

Lula autoriza TSE a abrir sigilos, desde que Flávio Bolsonaro também abra
Presidente cumpre palavra e aponta familiares cujos dados podem ser abertos e cita parentes e empresas de Flávio que também devem ter informações tornadas públicas
Priscila Lobregatte/Vermelho   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou nesta terça-feira (20) requerimento ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, no qual autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico seus e de seus familiares, dos últimos oito anos, desde que seu adversário na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.

Ao autorizar a divulgação de seus dados, Lula lista como familiares a primeira-dama Rosângela Lula da Silva (Janja) e os filhos de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio Lula da Silva.

Lula também sugere que a abertura dos dados deve abranger as empresas dos quais os candidatos sejam sócios ou administradores, “bem como aquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou ‘usuários máster’”.

No caso do presidente, está indicada a L.I.L.S Palestras, Eventos e Publicações, da qual é sócio não administrador.

Já na lista de familiares que Lula indica para a abertura de sigilo de Flávio, estão, além do senador, o pai, Jair Messias Bolsonaro; a mãe Rogéria Bolsonaro; os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, além da esposa de Flávio, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Quanto às pessoas jurídicas ligadas ao senador, a petição aponta a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia; a All In One Corretora de Seguros Ltda.; a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e a Bolsonaro Digital Ltda.

Por fim, indica ainda a Alcazar Holdins, empresa offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, de titularidade do advogado e amigo Willer Tomaz, “em cuja conta bancária o candidato Flávio Bolsonaro figuraria como ‘usuário master”. Tais informações constam de investigação da Polícia Federal, publicada por órgãos de imprensa.

Direito à informação

A justificar publicação dos dados, Lula assinala que “a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior a próxima quarta-feira (21), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar”.

Ademais, prossegue a petição, “há plena conformidade com o disposto no art. 14, § 9º, da Constituição Federal, que estabelece a probidade administrativa e a moralidade para o exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato, proteções de envergadura
constitucional”.

O documento lembra, ainda, que a decisão de Lula decorre de desafio lançado por ele próprio durante debate promovido pela Rede Bandeirantes no domingo (18), reafirmada em sua passagem por Porto Alegre (RS) nesta segunda-feira (19).

No programa, Lula disse: “Eu tomei a atitude de desafiar ele (Flávio) a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto neste país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção neste país, quem é que enriqueceu ilicitamente neste país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro”.

Flávio, por sua vez, disse que não teria “absolutamente nada a esconder”, apesar de todas as investigações, mentiras contadas por ele e situações não explicadas.

Entre esses casos estão as rachadinhas; o pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente pagar o filme sobre seu pai; a compra de casas com dinheiro vivo e sua relação com o advogado Willer Tomaz, investigado no processo sobre as fraudes no INSS.

Por ora, o senador consta em dois inquéritos da PF, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF): o que apura o caso Dark Horse e o mais recente, aberto nesta semana, que envolve Willer Tomaz.

Neste último, as investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras irregulares e possíveis vínculos econômicos ocultos entre o candidato e Tomaz. Já no caso do filme, são investigados os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e organização criminosa.

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Dispersão e fuga

A receita de Steve Bannon e o debate na Band
Uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas ficam no ar sem contestação imediata
Luís Nassif/Jornal GGN       

Steve Bannon, um dos principais estrategistas da extrema-direita nos Estados Unidos, tornou-se associado a um repertório para enfrentar denúncias e notícias adversas. A estratégia combina saturação do debate, velocidade e controle da pauta:

  1. Saturar, em vez de responder ponto a ponto. Em lugar de rebater cada denúncia, multiplicam-se fatos, acusações e controvérsias. O excesso disputa a atenção da imprensa, encurta a vida útil dos escândalos e dificulta que uma crítica se consolide como história. [1]
  2. Privilegiar velocidade e volume. Bannon usa a expressão “muzzle velocity” para se referir ao ritmo e ao volume dos “disparos”. Segundo estudiosos do autoritarismo, a lógica é criar acontecimentos em série, antes que a oposição consiga se organizar e a imprensa apure cada episódio. [2]
  3. Transformar a imprensa em adversária política. Ao apresentá-la como um “partido de oposição”, desloca-se o debate: em vez de discutir se a denúncia procede, questiona-se a intenção de quem a publicou. A acusação passa a ser tratada como ataque político, o que facilita ignorá-la.
  4. Controlar a pauta com um centro de gravidade. Em 2025, Bannon afirmou ao Frontline que Elon Musk e o DOGE foram eficazes do ponto de vista narrativo: concentraram a atenção enquanto diversas outras iniciativas avançavam. Um personagem ou episódio ruidoso pode, assim, funcionar como cortina de fumaça. [3]
  5. Evitar admitir erro ou derrota. Um colunista do Kansas Reflector descreve essa postura como a recusa sistemática em reconhecer erros ou aceitar uma derrota. É uma interpretação crítica do conselho associado a Bannon, não uma doutrina que ele tenha formulado exatamente nesses termos. [4]

Há, porém, uma diferença importante na comparação com os Estados Unidos. Por aqui, a grande imprensa não apenas cobre essas estratégias: parte dela também contribui para legitimá-las. O Globo, Estadão e Folha, em particular, ajudaram a normalizar acusações e suspeitas graves envolvendo Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo que amplificavam denúncias contra seus adversários. 

O debate de ontem, transmitido pela Band, mostrou como Flávio Bolsonaro incorporou esses expedientes. Do lado de Lula faltaram respostas capazes de desmontar, com rapidez e clareza, o festival de blefes e acusações. O episódio também expôs uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas podem permanecer no ar sem contestação imediata.

A atuação de Lula sugere que faltou preparação específica para esse tipo de confronto. Media training — treinamento para entrevistas e situações imprevisíveis — não substitui conteúdo nem experiência; ajuda a antecipar ataques e a formular respostas curtas e compreensíveis. Em debates assim, o domínio do assunto não basta. As regras existem, mas há espaço para manobras e provocações.

Se Pablo Marçal atuava como conselheiro de Flávio, a equipe de Lula deveria ter antecipado uma postura provocadora no palco — inclusive o uso da diferença de estatura física entre os dois. A cena pode ter surpreendido os adversários, mas o risco era previsível. Também era possível preparar respostas para expedientes recorrentes usados por Flávio ao enfrentar acusações mais graves.

Dois exemplos mostram o que poderia ter sido feito:

  1. A alegação sobre dinheiro de Daniel Vorcaro. Para responder às acusações de que teria recebido recursos de Vorcaro, Flávio invocou uma suposta gravação em que o banqueiro teria dito que financiou, às escondidas, um filme sobre Lula por meio do Instituto Lula. Uma resposta preparada poderia ter contraposto a essa alegação as declarações de Oliver Stone — que assinou o filme com Rob Wilson — e cobrado provas do suposto financiamento. Sem checagem e sem uma resposta imediata de Lula, a acusação ficou pairando no ar.
  2. As declarações da lobista Roberta Luchsinger. Segundo levantamento do Jornal GGN, a cronologia da licitação para uma empreiteira portuguesa junto ao DNIT contradiz a versão de que Fábio Luís Lula da Silva teria obtido esses contratos: o processo ocorreu durante o governo Tarcísio de Freitas. Apesar da proximidade planejada entre a entrevista da lobista e o debate, a assessoria de Lula não parece ter preparado uma resposta objetiva. Tampouco houve uma checagem da emissora que interrompesse a repetição da acusação.
  3. A estratégia para enfrentar um falsário em debate é tornar seus expedientes explícitos ao público: quando ele responde a uma pergunta com outra, apontar esse desvio na tréplica para dificultar que repita o recurso. 
  4. O mesmo método se aplica a acusações usadas para desviar o foco: comparar didaticamente uma gravação apresentada como autêntica e admitida pelo próprio acusado com uma alegação baseada em outra gravação sem comprovação independente, mostrando como ela serve de cortina de fumaça.
  5. Em suma, explicar os truques em tempo real cria cumplicidade com o espectador e reduz a eficácia de sua repetição pelo oponente.

Leia também: Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html

Fotografia

 

Alan Bouti

Releio e anoto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/teoria-pratica.html 

Dica de leitura

Sem limites   

O ministro diz-se isento cumpridor da legislação, mas à frente do TSE age como ativista em favor do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL).

Só isso?

Muito mais! A reportagem "Os vestígios da noite: as 125 mensagens que reconstituem a noitada patrocinada por Daniel Vorcaro para o ministro Kassio Nunes Marques", publicada pela revista piauí https://piaui.uol.com.br/web/kassio-vorcaro-triplex-noite/ , detalha os bastidores de um encontro regado a luxo organizado pelo banqueiro (então dono do Banco Master) para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.

Lavagem de ácido sulfúrico na imagem pública do ministro.

A denúncia baseia-se na extração de 125 mensagens do celular de Vorcaro apreendidas pela Polícia Federal, trocadas entre o banqueiro e sua equipe de apoio (mordomo, motoristas, chef de cozinha, uma agenciadora de acompanhantes, uma faxineira e um arquiteto).

A festa ocorreu em um tríplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Os preparativos envolveram ordens estritas de Vorcaro para todo conforto ao magistrado.

Uma agenciadora cuidou da seleção de mulheres ao local, com aval de Vorcaro.

Ao mordomo dito Michael coube informar o patrão de às 20h56, emprestou um ao ministro com cinco meninas. Os convidados frequentaram a piscina sem roupas.

Enquanto a festa ocorria, o celular de Vorcaro também registrava o avanço de uma grave crise financeira no Banco – cujos desdobramentos têm sido exaustivamente noticiados.

Assim mesmo, foram feitos repasses de uma consultoria ligada a Vorcaro para o filho do ministro, Kevin Marques, além de menções a um salário mensal expressivo.

O ministro Kassio Nunes Marques nega relações com o banqueiro. Em nota oficial, afirmou que nunca votou a favor de interesses de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele, jamais pediu favores e não registrou ou autorizou terceiros a falarem em seu nome, pontuando não ter responsabilidade sobre conversas ou ações de terceiros.

Ponto final? Coisa nenhuma! Após as eleições o caso certamente virá à luz em todas as suas nuances. Espera-se.

(LS)

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html