21 outubro 2018

Cobiça entreguista

Venezuela, por que Venezuela?

Luiz Carlos Azenha, em seu blog

A fixação de Bolsonaro com a Venezuela obedece a vários objetivos: oferecer o Brasil como plataforma de lançamento terrestre para os Estados Unidos rumo ao óleo da bacia do Orinoco; fixar a ofensiva diplomática no eixo Bogotá-Brasília; dar ao fascista um inimigo externo.
O inimigo externo é essencial para todo regime fascista.
Assim Bolsonaro pode atacar os inimigos internos como traidores da Pátria, associados a interesses estrangeiros.
Fica mais fácil entregar o pré-sal a “aliados” se a Pátria “corre risco” de ser contaminada pela Venezuela.
Portanto, quem pensa que essa ofensiva contra a Venezuela na campanha é coisa de estúpido, para tirar proveito de eleitores mal informados, é muito mais que isso.
No Brasil joga-se o xadrez geopolítico, com óbvios interesses de longo prazo de Washington.
Considerando que o principal objetivo da derrubada de Dilma Roussef, depois de ser espionada pela NSA, foi se apossar do pré-sal, a instalação de Bolsonaro como peão contra a Venezuela, em busca da maior reserva do planeta, na bacia do Orinoco, é a continuação natural do jogo.
Dizem que o petróleo da bacia do Orinoco, por ser pesado, não presta. Também diziam que o pré-sal não prestava, lembram-se? Agora, que está na mão das multinacionais, vale ouro!
Lembrando que é política de Estado dos norte-americanos, que independe do governo de turno, reduzir a dependência do país do petróleo do Oriente Médio, alcançando reservas mais próximas e mais fáceis de proteger militarmente — é só olhar o mapa para entender.
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Ao som dos tambores e clarins

Já são mais de 70 agremiações carnavalescas comprometidas em desfilarem hoje à tarde, em Olinda, em defesa da democracia. É o modo alegre de lutar, na melhor tradição do povo pernambucano. O ponto de encontro, a partir das 15h, será no Largo do Guadalupe.

Emocionado depoimento militante

Inamara Mélo
Carta aos meus familiares
Inamara Mélo, no Facebook

“Li não. Vou esperar virar filme”. Essas palavras ficaram dias ecoando em minha cabeça. Foram a resposta de um primo no zap a um texto sobre o risco de eleger um candidato que apoia a tortura. Depois de ver o noticiário, com as pesquisas eleitorais apontando que só um grande acontecimento será capaz de mudar o que parece ser o nosso destino, me peguei pensando que tudo isso um dia pode mesmo virar filme. E com certo medo, percebo que posso estar nele.

Já não tenho a ambição de mudar o voto de familiares que, para minha tristeza, se mostram convictos em sua preferência eleitoral. No entanto, senti uma enorme necessidade de saber se estes meus queridos familiares - aqui sem nenhuma ironia, pois são pessoas às quais nutro um grande afeto - se dão conta de que sou uma militante comunista. De que meu companheiro é dirigente nacional de um partido comunista. De que entre os nossos amigos, gente que frequenta a nossa casa, estão pessoas que foram presas e torturadas pelo regime militar. Trabalhamos juntos. Conhecemos sua integridade e a justeza de suas ideias. Comungamos com elas. Será que meus familiares desconhecem que o que aconteceu à gente como Alanir Cardoso não foi filme? Poderia ter sido... Alanir - ex-presidente estadual do PCdoB, sucedido justamente por meu companheiro - foi encapuzado, colocado dentro de uma veraneio por homens armados com metralhadoras e levado para os porões do DOI-CODI, no Recife, e depois para um quartel do Exército localizado em Brasília, locais em que durante 74 dias foi alvo de sessões de tortura, de choque elétrico a pau-de-arara. Viveu anos de uma rotina de sofrimento. No presídio na Ilha de Itamaracá, ficou preso por quatro anos e meio. O crime por ele cometido foi lutar pela democracia. Sabe o que ele, a sua companheira e outros camaradas que um dia foram perseguidos se diferem do que somos e pensamos? Apenas o momento...

Alguém pode dizer que estou apelando, pois no plano de governo de Bolsonaro não inclui a tortura. Ou que a sua eleição não significa que teremos de volta a ditadura. Sobre isso, pergunto: será mesmo que meu medo não tem razão de ser? Eu, comunista que sou, não deveria temer a eleição de um militar que exalta os torturadores e diz que o problema é que eles “deviam ter matado uns 30 mil ao invés de torturar”? Será mesmo que um militar, que diz que vai compor o governo com outros generais, tratará de se manter num regime democrático, respeitando os direitos civis de quem a ele se opuser? 

Com a curiosidade de quem busca entender, procurei ver o que estes meus familiares compartilham em suas redes sociais e o que justificaria o apoio destemido ao ex-capitão. Encontrei, num post de uma amada tia, de que são os infratores os que temem seu governo. Por isso, a ela me reporto aqui. Tia, não compactuo com o mal feito. Nem com a corrupção. Não faço parte de uma organização criminosa. Nestes onze anos de convivência com meu companheiro, do que mais me orgulho são a sua retidão e hombridade. Não somos infratores, nem defensores do mal, como as palavras por você publicadas nos fazem parecer. Somos gente solidária. Que preza pelo coletivo e pelo bem comum. Que respeita os outros e trabalha duro. Não entendo o comunismo como religião e muito menos sou seguidora do diabo. Acredito nos valores cristãos e tento praticá-los cotidianamente.

Hoje chego à conclusão de que o que fizemos de errado nossa vida inteira, eu e meus companheiros, foi não nos fazer entender. Há quase 20 anos participo de governos progressistas. Neles, nunca assisti nada que se parecesse a uma proposta de tornar o Brasil uma Venezuela. Vi, sim, muitos projetos que ajudaram a melhorar a vida do povo. Assisti também políticos de direita e de esquerda que erraram e se corromperam. Não em um partido, mas em vários. Pela TV, vi casos escandalosos de malas de dinheiro que infelizmente ficaram impunes. Sou mais uma brasileira a repudiar esse tipo de política. Mas como foi que o conceito de gênero, aceito e adotado pela ONU em acordos internacionais por 170 países para explicar tão somente as razões da opressão das mulheres, passou a ser tratado no Brasil como “ideologia de gênero”, como se em algum momento quiséssemos alterar a sexualidade das crianças? Trabalho na Secretaria da Mulher e nunca ouvi falar do kit gay.

Sabe, tia...Fico pensando o que sentiram as bruxas queimadas pela inquisição. Os judeus mortos na câmara de gás. Os políticos perseguidos pelo regime militar. Como eles devem ter se sentido incompreendidos e injustiçados! Todos eles tinham parentes que certamente choraram seus mortos... Parece um tempo distante, mas a história é cíclica. E em todos os períodos em que a humanidade misturou a religião ao poder do Estado, a razão foi suplantada pelo dogma. Do que lhe adianta dizer que simplesmente não existe nenhum projeto da esquerda que obriga as igrejas a casarem homossexuais? O tal projeto fala de um direito civil, não religioso. Você acha que eu não deveria tratar com respeito e dignidade uma pessoa homossexual? 

Não propomos estatizar os veículos de comunicação para proibir narrativas contrárias ao partido. Sou jornalista. Na Universidade a gente aprende que o jornalismo deveria buscar a imparcialidade, tentando traduzir para a opinião pública as diferentes opiniões de uma sociedade. Assim como acontece em outros países capitalistas. É isso que defendemos.

Meu texto já se alonga e não dei conta de pontuar tudo que me chamou atenção em sua timeline. Vejo-me na obrigação de pontuar apenas duas coisas: Assim como você, desejo ver o país livre de tantas injustiças. E não queremos criminalizar o cristianismo. Temos o maior orgulho por ser um deputado do meu partido o autor da Lei de liberdade de culto, escrita na Carta Magna em 1946, depois anexada ao Art. 5º da Constituição de 1988. Temos profunda convicção sobre a necessidade do respeito às mais diferentes religiões, assim como aos diferentes posicionamentos políticos, para o avanço da civilidade. Mas tenho muito medo de regimes onde o direito de pensar diferente não seja respeitado. 

Por isso não temos segurança sobre qual será o futuro com a eleição de Bolsonaro. Daqui a alguns anos, talvez possamos conversar sobre essa carta. Ou não, se essa história um dia virar filme e eu não puder assisti-lo com você.

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Hoje, agora

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Poesia sempre


Tuas mãos
Pablo Neruda

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

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Humor de resistência

Enio vê a manipulação do WhatsApp em favor do candidato da extrema direita.

20 outubro 2018

Maciel Melo dá seu recado

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Incomunicabilidade na rede


Bolha

WhatsApp, fake news e engajamento dos cultos evangélicos ganharam de lavada as eleições

Fernanda Torres, na Folha de S. Paulo

No programa de David Letterman na Netflix, Barack Obama cita um teste realizado pela Casa Branca durante a Primavera Árabe, que pretendia avaliar o poder de direcionamento do algoritmo nas redes sociais. Internautas de direita, de esquerda e de centro digitaram a palavra Egito, a fim de descobrir o que cada segmento obteria como resposta.

Os conservadores foram direcionados para links relacionados ao terrorismo, ao jihad e à ameaça muçulmana. A busca dos progressistas resultou em notícias que festejavam o levante egípcio como um auspicioso despertar do mundo árabe. Já os de centro foram brindados com inofensivos sites turísticos, que anunciavam os "Best Places to Visit in Egypt". Vivemos isolados em bolhas de preferência, ignorando, por completo, a do vizinho.

Quem esteve presente na manifestação do #EleNão vivenciou uma multidão pacífica de senhoras, senhores, crianças e militantes feministas. Os que não foram às ruas viram versões distorcidas de meninas de peito de fora, enfiando crucifixos no meio das pernas, fumando maconha e clamando pela volta de Satanás. A assombrosa alavancada de um candidato a governo do Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel —que, em dois dias, atingiu 39% de preferência nas urnas—, prova que os métodos de convencimento da velha política foram parar na lata de lixo da história.

O WhatsApp, as fake news e o engajamento dos cultos evangélicos ganharam de lavada as eleições de 2018. Num vídeo gravado, Witzel se dirige à Polícia Militar, prometendo extinguir a Secretaria de Segurança Pública para eliminar a má influência dos políticos nos órgãos de policiamento investigativo e ostensivo.

A medida, acredito, receberá o apoio de uma massa de eleitores que associam a política ao crime. Um cidadão que, fora de sua bolha, levantar a voz em favor da secretaria de Segurança corre o risco de ser crucificado pela conivência com a corrupção. A classe artística, cuja opinião vem sendo inoculada pelo simples teclar de dez letras: Lei Rouanet, tem enfrentado rejeição semelhante à da política.

No último debate presidenciável, na TV Globo, os candidatos presentes repetiram a retórica de acusações ao PT e ao PSDB, além das réplicas do Lula Livre. Indefesos diante da nova máquina eleitoral, eles pareciam falar do túnel do tempo do milênio passado. Os grupos fechados do meu celular aplaudiram o discurso de Boulos contra a ditadura militar, mas a indignação morria ali, entre muros. A ditadura não está na pauta dos que cresceram na redemocratização com o celular em punho. A Lava Jato e a crise na segurança, sim.

O golpe de 1964 e o AI-5 são tão distantes da experiência histórica dos que têm menos de 40 anos quanto Juscelino, o tenentismo e a política do café com leite. No colégio abastado do filho de um amigo meu, todos os garotos de 18 que votaram no partido Novo migrarão para o PSL, convencidos de que a aliança do livre mercado com a "sociedade de bem" armada trará benefícios para o país.
Nenhum deles se preocupa com uma possível ascensão de forças paramilitares —muito menos com a perseguição a grupos identitários. Tudo é visto como petismo travestido de mimimi humanitário para esconder os anos de roubalheira. O que impressiona é perceber que, assim como na eleição de Donald Trump, os chamados progressistas, que deveriam estar atentos ao futuro das novas mídias, permaneceram fiéis aos mesmos instrumentos de divulgação de ideias do tempo da vovó menina.

Enquanto isso, a ultra direita vem agindo cirurgicamente, há bastante tempo, em dois campos aparentemente antagônicos e difíceis de serem vencidos agora: a inteligência artificial e a fé em Cristo, em voga desde o fim da Antiguidade.

Vai encarar?

Atriz e roteirista, autora de “Fim” e “A Glória e Seu Cortejo de Horrores”
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Plano vem de longe...


Desenrolando o novelo da comunicação de Bolsonaro
Wagner Menke, Jornal GGN

Vou postar aqui os achados do Leandro Beguoci, diretamente do seu Twitter. Postagem do dia 12:53 - 7 de out de 2018
Eu li quase todos os projetos de lei do Bolsonaro como deputado. E percebi que, em 2017, dois projetos destoaram da sua atuação parlamentar: os dois eram sobre o Whatsapp e seu funcionamento no Brasil.
Autor: Jair Bolsonaro - PSC/RJ.
Data de apresentação: 12/7/2017
Ementa: Acresce inciso IV ao artigo 102 da Constituição Federal para conferir apenas ao Supremo Tribunal Federal a suspensão de aplicativos de troca de informações via internet.
Autor: Jair Bolsonaro - PSC/RJ.
Data de apresentação: 16/2/2017
Ementa: Altera a Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil, para vedar a oferta de pacotes com franquias limitadas de dados.
A história da campanha espontânea NÃO é verdadeira, assim como várias outras infos que a campanha dele faz circular pela internet. Os projetos deixaram um rastro bem claro. A aposta sempre esteve no Whatsapp, fora do escrutínio público. E por que estou falando disso? Porque, neste momento, está acontecendo uma campanha gigantesca de desinformação via Whatsapp para convencer as pessoas de que as urnas eletrônicas são uma fraude. Isso é grave. Eles querem ganhar na base da mentira e da desinformação. Isso não é uma tática ingênua. Ninguém sabe quem são as pessoas que reclamam das urnas, ninguém sabe o contexto dos vídeos. Pode ser qualquer coisa - inclusive, nada. A campanha do Bolsonaro quer te enganar. Cuidado. Esse método é o mesmo usado em várias eleições mundo afora. Na semana passada, um dos filhos do deputado fabricou uma realidade paralela dizendo que havia um milhão de pessoas na Paulista em apoio ao deputado. Ele atribuiu a informação à PM. As duas infos eram falsas. Não tinha um milhão de pessoas na Paulista, como qualquer pessoa pode checar. Além disso, a PM não divulgou estimativa de público. Se eles mentem sobre coisas assim, eles podem mentir sobre tudo. Cuidado, pessoal.
Postagem do dia 16:08 - 18 de out de 2018
Me perguntaram como eu cheguei nessa história. Vamos lá: 1) Descobri os projetos por acidente. Meu objetivo inicial era conhecer o pensamento do Bolsonaro por meio dos projetos de lei 2) depois, achei que tinha coisa ali no WhatsApp por causa do padrão. Qual era o padrão? Bem, quem me ajudou a descobrir foram meus amigos que apoiam o Bolsonaro. Sempre que eu postava algo sobre o candidato, geralmente comentando algo publicado pela imprensa, logo recebia uma enxurrada de memes e mensagens muito parecidas em conteúdo. Comecei a juntar as peças. O design mudava, mas havia um padrão ali. Se não existia centralização na distribuição de mensagens, deveria existir pelo menos na produção de conteúdo. Comecei a tabular ideias e comportamentos, usando método de pesquisa que aprendi na Inglaterra. Então foram surgindo padrões de mensagem bem interessantes, e vários padrões me lembravam mensagens da greve dos caminhoneiros, mensagens da época do impeachment. Tinha centralidade ali. Não era só voluntário. E aí caiu a ficha (desculpe a metáfora, sou um jovem idoso). A ideia de campanha voluntária era central para a campanha do Bolsonaro. Portanto, a campanha deveria parecer voluntária e engajar as pessoas como se fosse assim. A própria forma da campanha era um slogan de campanha. Dito isso: acredito que há milhares de voluntários que trabalham de graça para Bolsonaro. Ninguém fica tão grande só com campanha centralizada. Mas a genialidade da campanha não está só na distribuição. Está na concepção da mensagem. E aí a gente manda um abraço para o McLuhan: o meio é a mensagem. Ele estava certo. O meio WhatsApp era a mensagem da campanha voluntária. Isso é central para uma campanha baseada na luta contra tudo isso que está aí. Deu certo, muito certo até agora. Por isso que a campanha do Bolsonaro vai lutar com todas as forças para atacar a reportagem da Folha. Ela mostra que o ídolo tem pés de barro... Se essa ideia da campanha voluntária cai, cai uma das fortalezas da “ideia Bolsonaro”.
Voltando...
Agora vamos organizar e juntar algumas coisas.
Primeiro, Bolsonaro andou soltando planos de aumentar o número de ministros do STF. Isso casa com sua PEC de deixar exclusivo a eles, ministros, a suspensão de serviços como o Whatsapp. Lógico que Bolsonaro, parlamentar medíocre que é, não cogitou aprovar seus projetos antes da presidência, mas certamente depois de chegar no Planalto. O segundo projeto estabelece que todo cidadão irá receber infinitas mensagens de Whatsapp, independente do seu plano de dados. Ele sabe que seus eleitores são os mais utilizam a internet, e o próprio Whatsapp, pra se informar.
Assim como Trump, Bolsonaro desdenha e desacredita a mídia. Os dois trabalham em cima do que ficou conhecido como “fatos alternativos”, só que Bolsonaro usa os aplicativos de mensagens, sem grandes contraditórios, ao invés do Twitter.
Ou seja, a indústria de Fake News não é só uma estratégia eleitoral: é um projeto de poder! Se esse cara chegar à presidência, não vai hesitar em criar uma realidade paralela quando as coisas se complicarem para o lado dele!
Lutemos.
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Intromissão externa norte-americana


O Brasil é alvo da guerra híbrida, afirma analista
 "O Brasil se tornou um alvo desde a eleição de Lula e seu movimento em direção à multipolaridade, mas a subsequente descoberta das reservas de petróleo do pré-sal definitivamente acrescentou um novo ímpeto à Guerra Híbrida dos EUA no Brasil".
Portal Vermelho
“Há uma Guerra Híbrida muito intensa sendo travada no Brasil neste momento e afeta todas os aspectos da vida de cada cidadão. Ao longo dos últimos dois anos, agentes externos vêm tentando muito sutilmente condicionar a população para voltá-la contra o Partido dos Trabalhadores, usando instrumentos como a Operação Lava Jato, apoiada pela NSA [agência norte-americana de inteligência]”, afirma o analista político norte-americano Andre Korybko, autor de “Guerras Híbridas – Das Revoluções Coloridas aos Golpes”, recém-lançado no Brasil pela Expressão Popular.

Em entrevista por e-mail ao Tutameia, Korybko, que vive em Moscou e se dedica ao estudo das estratégias do Estados Unidos na África e Eurásia, afirmou que os EUA são os principais propulsores desses movimentos, que consistem em desestabilizar governos a partir de grandes manifestações de massa. São “a fagulha que incendeia uma situação de conflito interno”, como diz a apresentação do livro. Podem se transformar em golpe ou mesmo guerras não convencionais –daí a expressão guerra híbrida.

Conselheiro do Institute for Strategic Studies and Predictions e jornalista na “Sputinik News”, ele também comentou a ascensão da candidatura de Jair Bolsonaro. Diz que os mentores externos da
guerra híbrida no Brasil vinham há muito tempo mo0ldando as condições sócio-políticas do país para facilitar o surgimento de um azarão que pudesse chegar ao poder e destruir tudo o que fora construído nos governos do Partido dos Trabalhadores.

A seguir, a íntegra da entrevista.

O que são guerras híbridas?

Desde o lançamento de meu livro, em 2015, ampliei minha definição para incluir o seguinte: “As Guerras Híbridas são conflitos identitários provocados por agentes externos, que exploram diferenças históricas, étnicas, religiosas, socioeconômicas e geográficas em países de importância geopolítica por meio da transição gradual das revoluções coloridas para a guerra não convencional, a fim de desestabilizar, controlar ou influenciar projetos de infraestrutura multipolares por meio de enfraquecimento do regime, troca do regime ou reorganização do regime.”

Em suma, isso significa que países como os EUA se aproveitam de problemas identitários em um Estado-alvo a fim de mobilizar uma, algumas ou todas as questões identitárias mais comuns para provocar grandes movimentos de protesto, que podem então ser cooptados ou dirigidos por eles para atingir seus objetivos políticos. O eventual fracasso desses movimentos pode fazer com que alguns de seus participantes recorram ao terrorismo, à insurgência, à guerrilha e a outras formas de conflito não convencional contra o Estado. Na maioria das vezes, pelo menos no Hemisfério Oriental, esses fenômenos fabricados têm o efeito de dificultar a viabilização de projetos da China de implantação da nova Rota da Seda, coagindo o Estado-alvo a compromissos políticos ou mudanças de governo ou mesmo a uma secessão –que pode eventualmente levar a uma balcanização.

Seu livro descreve as Guerras Híbridas como “caos administrado”. Como isso é construído?

O estudo detalhado da sociedade de um estado-alvo e das tendências gerais da natureza humana (auxiliado por pesquisas antropológicas, sociológicas, psicológicas e outras) permite construir um quadro de como é o funcionamento “natural” daquela sociedade. Armados com esse conhecimento, os praticantes da Guerra Híbrida podem prever com precisão quais “botões apertar” por meio de provocações para obter respostas esperadas de seus alvos, tudo com a intenção de perturbar o status quo por processos locais de desestabilização manipulados por forças externas. Podem ser conflitos étnicos, movimentos de protesto (“Revoluções Coloridas”) ou a exacerbação de rivalidades regionais. O ponto principal é produzir o maior efeito com o mínimo de esforço e, então, explorar a evolução dos acontecimentos e a incerteza crescente a fim de realizar os planos políticos.

O livro descreve os EUA como propulsores desses movimentos. Por quê?

Por causa de sua hegemonia mundial –ainda que cadente–, os EUA têm interesses globais, e suas décadas de experiência operando em todos os continentes lhe deram uma compreensão profunda da situação doméstica de praticamente todos os países. Não só é, portanto, muito mais fácil para os EUA iniciar Guerras Híbridas como eu as descrevo, mas também –e mais importante—eles têm a motivação para fazê-lo. Que é o que falta a outras grandes potências em relação a ações em países fora de suas áreas de influência regionais.

O Brasil se tornou alvo da Guerra Híbrida após a descoberta do petróleo do pré-sal?

Na minha opinião, o Brasil se tornou um alvo desde a eleição de Lula e seu movimento em direção à multipolaridade, mas a subsequente descoberta das reservas de petróleo do pré-sal definitivamente acrescentou um novo ímpeto à Guerra Híbrida dos EUA no Brasil, embora apenas porque esses recursos seriam vendidos para a China. Se Lula tivesse fechado um acordo com os EUA para fornecer acesso irrestrito ao pré-sal e também permitisse que Washington aproveitasse essa vantagem para controlar o acesso da China ao mesmo, então os EUA poderiam não ter motivação para empreender uma Guerra Híbrida no Brasil, ou poderia ser atenuada ou adiada. Porém, por causa da posição independente de Lula sobre os depósitos do pré-sal e muitas outras questões, ele e sua sucessora foram vistos como alvos “legítimos” pelos EUA porque Washington temia que eles acelerassem seu declínio hegemônico no hemisfério se não fossem detidos o mais rapidamente possível.

O fato de o Brasil ter participado ativamente dos BRICS junto com a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul também é uma das razões pelas quais ele foi alvo da Guerra Híbrida?

Sim, mas principalmente por causa do sentido simbólico dessa iniciativa, porque acredito que o movimento BRICS, apesar de ser uma plataforma muito promissora, não foi capaz de atingir seu pleno potencial por causa da rivalidade interna, manipulada pelos EUA, entre a China e a Índia. Isso prejudicou sua eficácia geral, mesmo antes da primeira fase da Guerra Híbrida no Brasil ter sido bem-sucedida em derrubar a presidenta Dilma. Sua destituição do cargo e o “golpe constitucional” contra o presidente sul-africano Zuma se combinaram para reduzir o BRICS ao tripartido original do RIC, que está profundamente dividido entre a China e a Índia (apesar das afirmações oficiais em contrário), com a Rússia assumindo papel de mediadora entre os dois. Para todos os efeitos, o BRICS não existe mais, exceto como um grupo que se reúne anualmente para conversar e, para muitos, uma lembrança de sonhos desfeitos.

O livro fala muito sobre os casos da Síria e da Ucrânia e diz que esses modelos podem ser reproduzidos em outros lugares. Este modelo poderia ser reproduzido no Brasil?

Teoricamente sim, mas não acredito que isso seja o mais provável. Isso porque a dimensão anti-Rota da Seda, que foi a principal motivação daqueles conflitos, é principalmente aplicável ​​ao ambiente operacional único do Hemisfério Oriental (Afro-Eurásia), que é muito mais suscetível a conflitos identitários manipulados externamente desse tipo. Dito isso, a engenharia social, o pré-condicionamento político e as campanhas de guerra psicológica que formam a base das Revoluções Coloridas (a primeira parte das Guerras Híbridas) são definitivamente reproduzíveis em qualquer lugar do mundo, especialmente na era interconectada da mídia social atual.

O livro também trata da “Primavera Árabe”. Analistas também apontaram que o Brasil estava sendo alvo da Guerra Híbrida War desde 2013, quando um estranho movimento começou a surgir no país através da internet. Isso faz sentido?

Sim, claro. A primeira fase organizacional ativa da guerra híbrida Wars hoje começa na internet. Os articuladores dos movimentos buscam na rede informações importantes sobre seus alvos antes de se conectarem com eles, direta ou indiretamente, através de campanhas informativas direcionadas que efetivamente atraiam seus interesses ou necessidades, que são cada vez mais descobertas por meio de análises de “Big Data”, como o que a Cambridge Analytica é acusada de fazer. Movimentos sócio-políticos estão começando a aparecer online muito mais do que nas ruas, como costumavam, porque as pessoas ficam mais confortáveis ​​interagindo usando o celular quando bem entendem, em vez de terem de participar de encontros e reuniões físicas. Hoje em dia, tudo o que precisam fazer é conferir as últimas notícias compartilhadas em um grupo do Facebook ou do WhatsApp.

Na campanha eleitoral no Brasil, houve uma avalanche de notícias falsas, especialmente difundidas por grupos do WhatsApp. Estamos sendo vítimas de uma guerra híbrida?

Sim, há uma Guerra Híbrida muito intensa sendo travada no Brasil neste momento e afeta todas os aspectos da vida de cada cidadão, desde o que cada um lê nas mídias sociais (seja informação real, falsa ou manipulada) até o que ouve nas ruas. Ao longo dos últimos dois anos, agentes externos vêm tentando muito sutilmente condicionar a população para voltá-la contra o Partido dos Trabalhadores, usando instrumentos como a Operação Lava Jato, apoiada pela NSA, que tomou vida própria.

Isso forçou o Partido dos Trabalhadores a reagir e defender sua integridade, o que, por sua vez, provocou reação mais feroz daqueles que estavam tentando derrubá-lo. O Brasil está no foco da Guerra Híbrida por tanto tempo que hoje é dado como certo que toda informação que circula está, de um jeito ou de outro, conectada a essa campanha incessante.

Qual é o objetivo desta Guerra Híbrida e quem está por trás disso? Jair Bolsonaro?

Não creio que Bolsonaro tenha sido o progenitor desta Guerra Híbrida, mas sim que seus mentores norte-americanos já tinham há muito tempo um plano para moldar as condições sócio-políticas do país para que o candidato considerado “zebra” pudesse chegar ao poder e, então, desmantelar sistematicamente tudo o que o Partido dos Trabalhadores havia construídos em seu governo.

Olhando em retrospectiva e considerando tudo o que hoje se sabe sobre a operação Lava Jato, pode-se considerar que provavelmente a inteligência americana provavelmente concluiu há bastante tempo que Bolsonaro seria o melhor candidato para isso por causa de sua história de pronunciamentos políticos que se alinham com os Interesses globais dos EUA para o país. Também foi levado em conta que ele não esteve implicado em nenhum dos escândalos anticorrupção dos últimos anos, o que os EUA teriam sabido antecipadamente por causa da participação da NSA na busca “evidências” que então catalisaram a expurgação política do país.

Com o Partido dos Trabalhadores fora do poder e com a comprovação de que muitos dos usurpadores e seus aliados foram igualmente –se não mais—corruptos, o palco estava montado para o “azarão” dos EUA entrar em cena e conquistar o imaginário de muitos que foram pré-condicionados a odiar todos os políticos do establishment (e especialmente do Partido dos Trabalhadores) depois da operação Lava Jato.

Essa população estava também cada vez mais desesperados por medidas drásticas de segurança a serem implementadas para salvá-los da onda de criminalidade ou, pelo menos, dar-lhes uma chance de lutar para se defenderem –o que aconteceria com a prometida liberalização de armas de Bolsonaro.

É minha opinião que os EUA trabalharam duro para facilitar a ascensão de Bolsonaro e o estão ajudando em cada passo do caminho. Talvez ele nem tenha percebido isso no início, mas agora, considerando a possibilidade de sua vitória no segundo turno, quase certamente as próprias forças que o apoiaram trataram de lhe dar a informação diretamente.

Qual a diferença entre o uso do WhatsApp e do Facebook no contexto das Guerras Híbridas?

O WhatsApp é mais instantâneo e impulsivo, enquanto o Facebook é mais organizacional e metódico. O primeiro é geralmente usado para enviar informações curtas e rapidamente reunir grandes multidões, enquanto o segundo é mais bem aproveitado para um planejamento organizacional mais profundo e gerenciamento de controle de multidões a longo prazo. Eles são basicamente dois lados da mesma moeda, e andam de mãos dadas quando se trata do aspecto tático de Revoluções Coloridas.

Seu livro foi lançado em 2015. O que mudou desde a primeira edição?

Desde então, expandi e expliquei mais cientificamente a definição de Guerra Híbrida para incluir seis das categorias identitárias que são os alvos mais comuns, bem como os objetivos de ajustes de regime, mudança de regime ou reorientação de regime.

As táticas de engenharia social e pré-condicionamento político das Revoluções Coloridas (a primeira metade da Guerra Híbrida) se tornaram muito mais sofisticadas após a descoberta de como a Cambridge Analytica fazia coleta e análise de dados de usuários de mídia social a fim de obter um conhecimento sobre-humana do que as pessoas nos países-alvo estão interessadas, suas necessidades e a melhor forma de manipulá-las.

Isso significa que o planejamento da Guerra Híbrida entrou em uma era completamente nova, mas apenas em países onde a maioria da população (ou pelo menos aqueles dentro de qualquer uma das seis categorias identitárias que os EUA desejam atingir) usa a mídia social, o que não é o caso em grandes partes da África que estão gradualmente se tornando campos de batalha da Guerra Híbrida contra os projetos da China de implantação da nova Rota da Seda.

Como é possível responder às Guerras Híbridas?

O Estado pode restringir ou monitorar as mídias sociais, mas a primeira medida pode provocar indignação na população e confirmar as suspeitas das pessoas que o governo está suprimindo seu “direito à liberdade de expressão” porque tem “medo” do povo, o que pode ou pode não ser realmente o caso.

Já o cidadão comum precisa desenvolver seu pensamento crítico para poder diferenciar entre notícias reais, notícias falsas e notícias manipuladas, assim como entre artigos de opinião, análises e simples reportagens jornalísticas.

Quanto aos partidos da oposição, oficiais ou não, eles precisam travar suas próprias Guerras Híbridas, seja ofensivamente ou defensivamente, embora seja sempre melhor para eles ficar do lado da verdade em vez de recorrer a mentiras. A primeira é muito mais eficaz do que a segunda e ser pego mentindo poderia diminuir a confiança do público-alvo nesses grupos. Da mesma forma, todos os lados da interminável Guerra Híbrida (que está se tornando parte da vida cotidiana) precisam expor as mentiras dos demais.

Você escreveu sobre as ações dos EUA, mas não citou ações similares da Rússia. Eles não ocorrem? As acusações contra a Rússia nessa área (especialmente em relação às eleições nos EUA) são falsas?

Meu livro é sobre o uso de um modelo particular que faz com que Revoluções Coloridas (não violentas) manipuladas por agentes externos passem a movimentos violentos de guerra não convencional. Teve como objetivo provar a existência de um método nunca antes descoberto de desestabilização do Estado pelos EUA para fins geopolíticos.

O livro é sobre a transformação de Revoluções de Cores em Guerras Não Convencionais, sobre a origem de ambas, a fase de transição e o resultado desses ciclos ​​de agitação apoiados por agentes externos. As Guerras Híbridas não são simplesmente operações de gerenciamento de percepção ou infowars, em que todos os países do mundo participam e até mesmo muitas empresas (embora estas últimas não o façam por razões políticas, mas apenas para comercializar seus produtos ou serviços, às vezes no concorrente). despesa). Eles também nem sempre são travados por agentes estatais, ou mesmo agentes não governamentais que realizam determinada atividade contratados por um Estado.

É minha opinião pessoal que as acusações contra a Rússia não são relevantes para o modelo de Guerra Híbrida elaborado em meu livro, porque nunca houve intenção séria de organizar uma
Revolução Colorida ou uma Guerra Não Convencional. Além disso, todas as acusações apontam para as atividades mais conhecidas sendo conduzidas por agentes não-estatais, que podem ou não terem agido a pedido de um Estado, mas nenhuma conexão clara com o Kremlin foi confirmada.

Outro ponto importante a ter em mente é que, mesmo se a essência geral dessas acusações for verdadeira, o que duvido, representaria apenas uma forma muito básica de guerra de informação, que é comparativamente mais tosca e tem muito menor em escopo do que a operação que a União Soviética conduziu durante a Guerra Fria, o que mais uma vez sugere que isso poderia ter sido feito por um ator não-estatal independente do Estado russo e suas agências de inteligência.

De qualquer forma, a questão é artificialmente politizada porque já foi provado que ela não teve impacto no resultado da eleição norte-americana, mas está sendo usada pelos oponentes de Trump nas burocracias militares, de inteligência e diplomáticas permanentes (“estado profundo”) e por seus cúmplices públicos (sejam “inocentes úteis” ou colaboradores) na academia, na mídia e em outras comunidades (incluindo cidadãos comuns) para “deslegitimar” sua vitória e pressioná-lo a realizar concessões políticas, mudanças de regime ( desistir ou sofrer impeachment), ou reorientação do regime, por reforma do sistema de colégio eleitoral e outras medidas semelhantes. Pode-se dizer, portanto, que as acusações exageradas da chamada “interferência russa” estão sendo feitas como uma importante arma de guerra híbrida contra Trump como parte das ações do “estado profundo” dos EUA, o que é um caso interessante digno de estudo futuro com o uso do modelo de análise que desenvolvi. 

Fonte: Tutaméia, entrevista feita por Eleonora Lucena e Rodolfo Lucena

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Crime e fuga

‘Empresários recuam em onda de apoio a Bolsonaro para não se expor’ (Folha de S. Paulo). [Praticaram o crime e agora fogem para não correrem o risco de punição] 

Em templo de frente ampla, vale a pena ver de novo

Guerra suja

‘Grupos de WhatsApp pró-Haddad proliferam, e PT desconfia de armadilha bolsonarista’, diz à Folha de S. Paulo [Jogo sujo segue para fraudar a consciência dos eleitores.]

19 outubro 2018

Conivência?


Marqueteiro do PSDB diz que TSE sabia do uso ilegal do WhatsApp nesta eleição
Jornal GGN

O marqueteiro do PSDB Marcelo Vitorino afirmou em entrevista ao Correio Brasiliense que o Tribunal Superior Eleitoral foi informado do uso ilegal do WhatsApp durante a eleição de 2018, mas não adotou nenhuma medida para fiscalizar que o escândalo tomasse a proporção do que foi denunciado pela Folha de S. Paulo na quinta (18).

O jornal mostrou que empresas estão investimento na compra de pacotes de disparo em massa de mensagens no WhatsApp, para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro. Ataques contra o PT teriam sido programados para ocorrer na véspera do segundo turno. Um único contrato desse tipo de serviço poderia chegar a R$ 12 milhões.

Como o financiamento empresarial foi proibido no Brasil, essa ação dos empresários pode configurar caixa 2 em favor de Bolsonaro. Além disso, não se sabe se eles estão utilizando base de dados adquirada ilicitamente - é proibido usar contatos que não estejam na lista de partidos e candidatos.

Ao Correio, Vitorino disse que o TSE foi informado por várias fontes do uso irregular das bases de dados, impulsionamento pago por empresas e disparos em massa com conteúdo falso. "Todas as pistas de que isso ocorreira foram apresentadas, mas não se fez nada."

Segundo o consultor de marketing digital da campanha de Geraldo Alckmin, há menos de 50 empresas no Brasil que fornecem plataformas de disparo em massa no WhatsApp, o que significa que, para o TSE, não seria tão difícil acompanhar e investigar essas agências.

Nesta sexta (19), o WhatsApp noticiou as agências citadas na matéria da Folha e suspendeu a conta delas no aplicativo, para investigação. A empresa que cuida oficialmente do marketing de Bolsonaro também será investigada, informou a Folha.

Já o TSE programou uma coletiva de imprensa nesta sexta para falar do caso pela primeira vez, mas adiou o encontro para domingo (20) com a desculpa de conflito de agendas dos participantes.

O Ministério Público Eleitoral informou, no final da tarde de quinta (18), ao GGN, que irá atuar nas ações apresentadas ao TSE por partidos e candidatos. O MPE não quis se posicionar sobre a revelação feita pela Folha.

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