09 agosto 2026

Minha opinião

Livros a granel
Luciano Siqueira 

Leio agora que o escritor francês Régis Debray lançará mais um livro, aos 86 anos. Já escreveu 70, desde o primeiro, nos anos 60, "A Revolução da Revolução", empolgado com a guerra de guerrilhas que havia permitido Fidel Castro e o povo cubano alcançarem o poder. 

Só li o primeiro, exatamente este. Travava-se um debate entre militantes do movimento estudantil filiados a distintos partidos políticos de esquerda, então clandestinos, e nós da AP (onde militei antes de ingressar no PCdoB) discordávamos dos conceitos expostos pelo autor. 

Uma interpretação equivocada do verdadeiro curso da Revolução Cubana, dizíamos.

Então tem mais 69 obras e as desconheço! Tudo bem, nem todo leitor voraz é perfeito...

O que me impressiona é o volume da produção de Regis Debray. 

Se fosse autor de romances policiais, como Agatha Christie, tudo bem. Uma história puxa outra, como dizemos nós os nordestinos. 

Mas Debray navega por temas os mais distintos — da revolução popular à mediologia (análise dos resultados do uso de ferramentas técnicas, suportes materiais e instituições na transmissão de conceito e na construção de autoridade cultural, leio no Google).

Até a religião tem sido objeto de seus escritos, no caso, o papel político que pode exercer em diferentes sociedades. 

Tudo bem, vão daqui meus aplausos a autor tão profícuo. Mas, a essa altura da vida, já não tenho tempo para adentrar em tamanha produção literária. Outras prioridades me atraem.

Foto: LS

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Leia também: "Subir no vaso para quê?" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_0806947145.html 

C&T: palavra de Luciana

Luciana exalta Inpe, soberania tecnológica e dados contra negacionismo
Nos 65 anos do órgão, ministra Luciana Santos destaca transparência de dados, novo supercomputador e recomposição de quadros após 12 anos sem concursos
Cezar Xavier/Vermelho
 
 

Em cerimônia marcada pelo simbolismo político e científico, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) celebrou seus 65 anos em São José dos Campos (SP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. O evento, no entanto, transcendou o caráter festivo: serviu como palco para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, reafirmar a ciência como pilar de soberania nacional e como principal antídoto contra o negacionismo ambiental no Brasil.

Ao apresentar os dados do sistema DETER referentes a julho de 2026, a ministra destacou a trajetória de redução do desmatamento e o retorno da transparência estatal, contrastando o atual governo com os anos recentes de obscurantismo e ataques à instituição

Ciência como antídoto ao obscurantismo

A fala de Luciana Santos foi enfática ao defender a evidência científica como base inegociável para políticas públicas. “Aqui a gente não esconde números. Pode ser por bom ou por mal, a gente está aqui para enfrentar a situação como ela é”, afirmou a ministra.

Luciana revela uma estratégia clara do governo: utilizar a precisão do monitoramento por satélites não apenas para fiscalizar, mas para blindar o Brasil de críticas internacionais infundadas. A integração entre a inteligência do INPE e a ação de controle do Ibama foi citada como exemplo prático de um “pacto federativo” que envolve União, estados e municípios na proteção dos biomas. 

Constelação de satélites e “nuvem soberana”

Um dos pontos altos da análise tecnológica apresentada pela ministra foi o conceito de “constelação de satélites” que garante a autonomia do país no monitoramento de seu próprio território. A frota inclui o Amazônia-1, totalmente nacional, e os satélites CBERS-4 e 4A, frutos de uma parceria histórica de quase quatro décadas com a China.

Mais do que a captação de imagens, Luciana Santos destacou o processamento dessas informações. Ela apresentou o Brasil Data Cube, uma infraestrutura computacional descrita como uma “nuvem soberana”. “Desenvolvida aqui pela inteligência brasileira, baseada em tecnologias abertas e nacionais, garantindo transparência e autonomia”, explicou. A ministra fez questão de frisar que tanto a nuvem quanto os algoritmos de inteligência artificial aplicados no monitoramento são frutos de engenharia nacional, consolidando a soberania tecnológica como requisito para a soberania territorial.

Supercomputador Jaci e renovação de quadros

O evento também serviu para anunciar saltos de infraestrutura e de capital humano. Com aportes da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o INPE modernizou laboratórios e ampliou sua capacidade de supercomputação. A ministra apresentou o supercomputador “Jaci”, que supera em potência o antigo “Tupã”, brincando que “a mulher veio para superar” e aposentar o equipamento anterior.

No âmbito dos recursos humanos, a cerimônia celebrou o fim de um longo período de sucateamento. Após 12 anos sem recomposição de seus quadros, o instituto recebeu 150 novos servidores aprovados em concurso público. Para a gestão do MCTI, a renovação de talentos é a única garantia de que a excelência do INPE — responsável por produtos estratégicos como o Prodes e o DETER — perdurará pelas próximas décadas.

Ao encerrar seu discurso, Luciana Santos sintetizou o projeto de país em curso: “É a ciência e o meio ambiente de mãos dadas”. A mensagem deixada nos 65 anos do INPE é a de que a proteção da Amazônia e dos demais biomas brasileiros deixou de ser apenas uma pauta ecológica para se consolidar como uma questão de segurança nacional, inteligência de dados e desenvolvimento tecnológico autônomo.

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html

Arte é vida

 

Nikolai Petrovich Bogdanov

08 agosto 2026

Palavra de poeta

O fim no começo
Carlos Drummond de Andrade    

A palavra cortada
na primeira sílaba.
A consoante esvanecida
sem que a língua atingisse o alvéolo.
O que jamais se esqueceria
pois nem principiou a ser lembrado.
O campo – havia, havia um campo?
irremediavelmente murcho em sombra
antes de imaginar-se a figura
de um campo.
A vida não chega a ser breve.

[Ilustração: Burle Marx]

Leia também: "a parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html 

Minha opinião

Cadê a tal “liberdade de expressão”?
Luciano Siqueira    

Jamil Chade, no ICL Notícias, informa que profissionais da imprensa e veículos de comunicação estrangeiros que solicitarem visto para entrada nos Estados Unidos terão suas redes sociais submetidas a uma seleção rigorosa por parte do governo norte-americano.

A exigência também inclui cidadãos do México e Canadá que realizem negócios no âmbito do acordo comercial USMCA, além de seus dependentes.

Quem solicitar o visto de imprensa terá obrigatoriamente que alterar as configurações de suas redes sociais para "públicas" ou "abertas", permitindo que os órgãos de triagem e inteligência inspecionem as publicações.

A justificativa oficial do governo norte-americano é de que "cada decisão sobre um visto é fundamentalmente uma decisão de segurança nacional", justificando o rigor extremo como prevenção contra ameaças ao país.

Como assim? E a tão decantada “liberdade de expressão” que o próprio Donaldo Trump e fascistóides de diversos naipes argumentam em defesa da plena liberdade das redes sociais no Brasil?

Publicações críticas ou posicionamentos considerados contrários às políticas da Casa Branca podem ser enquadrados como motivo para recusa do visto.

Não sou jornalista nem Influencer ou algo semelhante, mas neste modestíssimo blog denuncio as múltiplas barbaridades praticadas por Donald Trump e os operadores do seu governo. Nem pensar em visitar os Estados Unidos...

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Trump e a diplomacia anárquica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01291229765.html 

Palavra de Saramago

"O medo cega, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos." [José Saramago]  

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html   

Programa de Lula

Lula registra candidatura com foco na soberania e defesa da democracia
A coligação formada por sete partidos (PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede), a única aliança registrada na eleição deste ano, apresentou um documento estruturado em 13 eixos
Iram Alfaia/Vermelho   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin registraram seus nomes e entregaram o programa de governo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite desta sexta-feira (8).

A coligação formada por sete partidos (PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede), a única aliança registrada na eleição deste ano, apresentou um documento estruturado em 13 eixos.

São prioridades a defesa da democracia e da soberania, a modernização do Estado, o combate às desigualdades (regionais, sociais, raciais, de gênero), a segurança pública e a defesa da vida das mulheres.

Também estão em destaque a proteção à vida e ao bem-estar animal e uma economia que siga forte e equilibrada para ampliar o salto de qualidade em educação, saúde e infraestrutura.

O programa, que ainda pode receber adendo, ressalta a necessidade de fortalecer uma democracia real e efetiva, capaz de assegurar que todos os brasileiros participem dos benefícios do crescimento econômico e dos frutos do progresso social.

Na política externa, sem citar a crise diplomática com os Estados Unidos, o documento diz que o Brasil deve reafirmar sua “soberania e preservar sua capacidade de fazer escolhas políticas e econômicas de forma independente, à luz de seus interesses, sem qualquer tipo de subordinação estratégica”.

Desse modo, a candidatura propõe aprofundar a aproximação geopolítica com o Brics e com o sul global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade.

Portanto, a coligação aponta a necessidade de seguir com um projeto de desenvolvimento para o Brasil e pelo Brasil, baseado nos interesses nacionais, e não nos interesses de outras potências.

Herança maldita

O programa também trata sobre como o presidente Lula recebeu o país: “O governo Lula 3 começou com a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023, mobilizações violentas contra a democracia e um Estado profundamente desmontado e fiscalmente desequilibrado”.

A destruição, diz o texto, começou com o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff e se aprofundou com os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

“O resultado foi uma verdadeira herança maldita, marcada por uma economia combalida, políticas públicas destruídas, revogação de direitos, aumento das desigualdades, precarização do trabalho, fortes expressões de violência social e política e aviltamento da soberania nacional”, recorda.

Leia a íntegra do Programa https://vermelho.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Programa-Lula-presidente.pdf

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A contribuição do PCdoB  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html