13 maio 2026

Minha opinião

Trump diante de Xi Jinping
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65     

Anoto de “análises” publicadas hoje em vários sites de notícia a propósito do encontro dos presidentes dos Estados Unidos e China, hoje.

Muita especulação carente de dados concretos. Ou propositadamente tendenciosos.

O fato é que Donald Trump tudo faz para conter a ascensão notável da China. Mas insiste na aplicação de tarifas alfandegárias massivas, visando reduzir o déficit comercial americano e forçar a repatriação de cadeias de suprimentos. Enxerga a China não apenas como uma concorrente comercial, mas como uma ameaça objetiva à hegemonia dos EUA.

Esperneia. E permanece em desvantagem.

A diplomacia agressiva, mas errática de Trump opera o fortalecimento de alianças bilaterais seletivas (nem sempre bem sucedidas), enfraquecendo blocos multilaterais tradicionais.

No plano simbólico, Trump explora a incerteza mediante declarações e atos contraditórios; e permanece em desvantagem diante do gigante asiático apoiado em sabedoria milenar e em extraordinária ascensão tecnológica e econômica.

Atabalhoadamente, tenta reduzir (drasticamente, segundo intenções explícitas) a dependência ocidental em relação a transações com a China.

Um confronto entre desiguais: a China potência em ascensão montada numa economia pujante; os Estados Unidos às voltas com graves problemas internos que afetam duramente a sua economia, não apenas em razão à guerra contra o Irã, mas como traço marcante de um conjunto de fatores negativos que se acumulam progressivamente.

Vejamos o que acontecerá no encontro de hoje.

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Como a China contornou o tarifaço https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-x-estados-unidos.html 

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Acordo entre Xi Jiping e Donald Trump a propósito do uso sensato da Inteligência Artificial? Nada, o tema central do encontro entre eles é o sistema de tarifas nas trocas comerciais. Quem acredita em acordo com Trump? 

Como a China contornou o tarifaço https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-x-estados-unidos.html 

Trump na China

Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim sob sombra da guerra contra o Irã
Trump busca pressionar Xi Jinping a isolar o Irã e conter avanços em IA, enquanto Pequim foca em pragmatismo comercial e na defesa de sua soberania
Davi Molinari/Vermelho
   

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarca na China nesta quinta-feira (14) para uma visita de Estado de dois dias ao presidente Xi Jinping. O encontro em Pequim marca a primeira viagem oficial do republicano ao país desde 2017 e ocorre em um momento de extrema volatilidade geopolítica. A cúpula, inicialmente prevista para o início do ano, foi adiada em decorrência da escalada militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, que alterou o equilíbrio de forças no Oriente Médio e impôs novos desafios à diplomacia global.

De acordo com a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a reunião busca estabilizar a relação entre as duas maiores economias do mundo. Entretanto, o cenário é de forte pressão. Washington pretende cobrar de Pequim um posicionamento mais rígido em relação a Teerã. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Irã, absorvendo cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano. Dentro da política de hegemonia energética, o governo estadunidense quer asfixiar o fluxo financeiro do Irã proveniente da China, alegando que ele sustenta atividades militares na região. Já  Pequim defende a legitimidade das trocas comerciais e a soberania energética.

Em manifestações recentes, Trump elevou o tom ao afirmar que a China enfrentará represálias caso envie armamentos ao Irã, reforçando a estratégia de pressão máxima sobre o eixo Pequim-Teerã-Moscou. Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, mantém a diretriz de que a posição chinesa é imparcial e objetiva. O governo de Xi Jinping reafirmou o apoio ao direito do Irã ao uso pacífico de energia nuclear e sinalizou que não aceitará imposições que comprometam seus parceiros estratégicos para atender aos interesses de Washington.

Poderio militar chinês incomoda a Casa Branca

A modernização militar chinesa e o controle de arsenais nucleares também integram a pauta prioritária. O subsecretário de Controle de Armas dos EUA, Thomas DiNanno, afirmou recentemente nas Nações Unidas que foram detectados testes explosivos por parte da China e criticou a suposta falta de transparência sobre o arsenal de Pequim. Relatórios setoriais indicam o desenvolvimento de uma nova geração de armamentos com capacidades de manobra avançadas. Contudo, a China recusa-se a participar de negociações trilaterais com EUA e Rússia, argumentando que seu poderio é significativamente inferior ao americano e que limites unilaterais desequilibrariam a segurança na Ásia.

No campo tecnológico, o avanço da Inteligência Artificial (IA) é outro ponto de atrito. O lançamento do modelo chinês DeepSeek-V4, em abril de 2026, demonstrou alta eficiência a custos reduzidos, o que é interpretado por assessores de segurança nacional dos EUA como um risco estratégico. Há expectativa de que Trump e Xi anunciem a criação de um grupo técnico para discutir protocolos de segurança em sistemas de defesa, visando evitar que o uso de algoritmos em armamentos leve a erros de cálculo militares fatais.

Apesar das divergências estruturais, o pragmatismo econômico pauta as negociações envolvendo a Boeing e o setor agrícola. Pequim estuda a aquisição de até 600 aeronaves da fabricante americana, incluindo os modelos 737 MAX e 787 Dreamliner, gesto que pode ser anunciado como uma sinalização de boa vontade comercial. Além disso, discute-se a criação de um Conselho de Comércio e um Conselho de Investimento para institucionalizar o diálogo e evitar novas guerras tarifárias. Tais mecanismos visam garantir a estabilidade no fornecimento de minerais de terras raras, controlados majoritariamente pela China e essenciais para a indústria de alta tecnologia dos EUA.

Taiwan permanece como o tema mais sensível e a principal “linha vermelha” para Pequim. Enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, reforça o compromisso de Washington com a ilha sob a ótica da cooperação de defesa, o governo chinês reitera que o território é inalienável e que qualquer solução deve ocorrer sem interferência externa. Analistas destacam que, para além da soberania, o controle da produção de semicondutores em Taiwan constitui o epicentro da disputa, afetando diretamente a competitividade tecnológica e a hegemonia global no século XXI.

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A violência plurissecular dos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/intervencionismo-belico-dos-estados.html 

Minha opinião

Polícia Federal autônoma 
Luciano Siqueira 
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Entrevista ao site Brasil 247, o jurista Pedro serrano diz que o Presidente da República não dispõe de instrumentos para interferir nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o esquema de fraude do banco Master, assim como de qualquer outra operação investigativa. 

A Polícia Federal é polícia judiciária, intensa a qualquer interferência do poder executivo. 

Faz lembrar uma das atribuladas reuniões de Jair Bolsonaro, quando presidente, divulgada em vídeo, em que o neofascista reclamava acintosamente da PF, chegando a insinuar a necessidade de uma polícia paralela, sob o controle direto do gabinete da presidência da República.

O complexo midiático dominante sabe muito bem disso, mas insinua frequentemente que esta ou aquela operação investigativa realizada pela Polícia Federal estaria sobre a influência de Lula. 

Uma distorção lamentável da realidade concreta usada como elemento de pré-campanha contra a possível reeleição do presidente e em favor de uma alternativa de direita.

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A ameaça de jogo sujo nas eleições de 2026 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/redes-sociais-eleicoes.html

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Articulista do New York Times alimenta a esperança de que no encontro de Donald Trump com Xi Jinping de hoje se possa dar um passo adiante diante na solução da "desordem internacional em metástase". Será? Com o presidente dos Estados Unidos nada racional e razoável é possível. 

A pirotecnia reacionária de Trump
https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/trump-pirotecnia-reacionaria.html  

Arte é vida

 

Dionísio del Santo

Quem procura, acha https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Palavra de poeta

Dorme, que a vida é nada
Fernando Pessoa     

Dorme, que a vida é nada!
Dorme, que tudo é vão!
Se alguém achou a estrada,
Achou-a em confusão,
Com a alma enganada.

Não há lugar nem dia
Para quem quer achar,
Nem paz nem alegria
Para quem, por amar,
Em quem ama confia.

Melhor entre onde os ramos
Tecem dosséis sem ser
Ficar como ficamos,
Sem pensar nem querer.
Dando o que nunca damos.

[Ilustração: Henri Matisse]

Leia também: "Bolas de vidro", poema de Cida Pedrosa  "https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_63.html