16 outubro 2018

Tá na cara

‘Ibope: Para eleitores, Bolsonaro é quem mais defende os ricos e Haddad, os pobres’ [Basta comparar a trajetória e o programa para confirmar.]

Pode ser

O fenômeno é antigo e pode se repetir agora: campanha excessivamente agressiva e ameaçadora inibe pessoas ouvidas por pesquisadores revelarem o voto no oponente. Essa distorção pode se repetir agora em percentual estatisticamente importante.

Descoberta

‘Buscas por “fascismo“ batem recorde no Google’ [É a crescente consciência da ameaça que ronda o País nesse segundo turno].

Um mal que nos aflige


Ilustração: Portal Vermelho
A ascensão do fascismo
Jessé Souza, Jornal GGN

Todo fascismo é reflexo de uma luta de classes truncada, percebida de modo distorcido e por conta disso violento e irracional no seu cerne. A elite e a alta classe média haviam, com sucesso, legitimado a opressão das classes populares pelo moralismo seletivo da corrupção apenas do Estado e da política como forma de criminalizar a soberania popular. Os “belgas”, que se vem como estrangeiros na própria terra, oprimiram o “Congo”, ou seja, o próprio povo, e o reduziram á pobreza e á ignorância. O ódio ao escravo se transformou simplesmente em ódio ao pobre. O escravo negro é eternizado nas massas majoritariamente mestiças com escolaridade precária condenadas ao trabalho desqualificado e semiqualificado. Esta é a base primeira de todo o ódio e ressentimento reprimido e recalcado que é o núcleo da sociedade brasileira. O fascismo implícito sempre foi o DNA da opressão de classes entre nós. O que tem que ser explicado, portanto, é como ele contaminou as próprias classes populares.
A ascensão do partido dos trabalhadores, com todas as suas limitações, foi uma inflexão importante no processo de organização popular. Com o golpe de 2013/2016 a reação conservadora veio primeiro de cima, da alta classe média nas ruas, da sistemática corrosão de valores democráticos diariamente perpetrada pela imprensa, e do acanalhamento do STF e por consequência da constituição. O governo Temer promoveu o saque e a rapina que a elite queria e empobreceu o povo que havia experimentado uma pequena ascenção social. Foi dito a este povo que a corrupção política havia sido a causa do empobrecimento. Quando a corrupção dos partidos de elite fica óbvia a todos, sem ser reprimida, todo o sistema perde representatividade. O golpe de misericórdia foi a prisão injusta do líder das classes populares desmobilizadas. Aqui o último elo de expressão racional da revolta popular foi cortado.
Abriu-se a partir daí a porta para a revolta agora irracional das massas. Neste contexto a ocasião faz o ladrão. A belíssima marcha do “ele não”, majoritariamente composta pelas mulheres da classe média mais crítica e engajada, possibilitou a cooptação do voto feminino das classes populares, última cidadela contra a “ética da virilidade” do fascismo popular. Aqui entra em cena o que há de mais sujo na política das “fake News” e da mentira institucionalizada. Analistas de ultradireita da campanha fascista, que perceberam as consequências do isolamento político dos indivíduos que é o que capitalismo financeiro representa na esfera política, se aproveitaram impiedosamente deste fato para oporem mulheres emancipadas da classe média contra as mulheres pobres e evangélicas.Se você é pobre e humilhada o ganho emocional que a distinção moral construída artificialmente com relação a mulheres supostamente “indecentes” exerce, por meio de mentiras que não podem ser desmentidas, passa a ter um apelo irresistível. É uma “vingança de classe”, obviamente distorcida e contra a fração errada da classe média, como escape em relação à pobreza vivida diariamente, mas cujas causas não são compreendidas.
Como já discuti no meu livro “A ralé brasileira”, contracorrente, 2017, a oposição pobre honesto versus pobre delinquente perpassa os mais pobres dificultando enormemente qualquer solidariedade de classe. Daí também a importância de líderes políticos que os representem a partir de cima e secundarizem a contradição interna de classe com uma política de interesse de todos os pobres. Era isso que Lula representava. Sem isso a porta fica aberta para a guerra de classe entre os próprios miseráveis divididos entre os supostos honestos e supostos delinquentes como definidos pelas elites.
É aqui que a “ética da virilidade”- ou seja, a ética dos que não tem ética – do fascismo reina absoluta. O fascismo arregimenta a partir de cima os ressentimentos, medos e ansiedades sem explicação possível e os canaliza a “bodes expiatórios” externos. O antipetismo é apenas o mais óbvio. Mas todo fascismo usa e abusa da sexualidade reprimida das classes populares. A homossexualidade que não pode ser admitido em si mesmo é canalizado em selvagem agressão externa e o ódio a mulher percebida como ameaça incitam a uma agressiva regressão a padrões primitivos de relações de gênero. O pobre não é apenas pobre. Ele é humilhado e dominado por valores construídos para subjuga-lo. Isso confere ao fascismo enorme capilaridade e contamina a vida familiar e relações de vizinhança em todos os níveis da sociabilidade popular. 
O líder fascista sem discurso e sem argumentos é o profeta exemplar perfeito das massas destituídas em todas as dimensões da vida. Sem organização hierárquica como os nazistas alemães, o nosso é um fascismo miliciano, capilarizado e sem controle. O que é necessário explicar ao povo de modo compreensível é porque ele ficou mais pobre. Sem isso se pavimenta o caminho ao ódio irreversível.  
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Jogo sujo


Campanha de Haddad recebe alerta sobre vigilância militar pró-Bolsonaro
André Barrocal, CartaCapital
Peças-chave do QG petista estariam sendo alvo de espionagem. Aviso chegou dois dias após o primeiro turno da eleição
Dois dias após a votação que quase levou o presidenciável da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), à vitória em primeiro turno, um cardeal do QG petista recebeu um alerta sinistro. As principais peças do comitê de Fernando Haddad têm sido monitoradas pela área de inteligência das Forças Armadas.
Por trás da espionagem estaria o general da reserva Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI, o órgão controlador da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. O objetivo seria reunir informações para ajudar Bolsonaro a triunfar daqui a duas semanas.
É um alerta crível?
CartaCapital mostrou recentemente: a maioria do Exército bolsonarizou-se. É uma identificação corporativa alimentada pela fúria antipetista que se alastrou pelo País e se converteu em 49 milhões de sufrágios no deputado do PSL, 46% dos votos válidos.
Entre oficiais da reserva, o bolsonarismo é total. O vice da chapa dele, general Antonio Hamilton Mourão, comandava até setembro o Clube Militar, ponto de encontro dos que penduraram a farda. Vários militares colaboram com a campanha e os planos do candidato extremista.
Tem mais. Etchegoyen nutre antipatia visceral pelo PT. Há uns seis, sete anos, ele esteve em uma solenidade em sua terra natal, a cidade gaúcha de Santa Maria. O atual líder petista na Câmara, Paulo Pimenta, outro filho da terra, também. O deputado estendeu-lhe a mão, e Etchegoyen deixou-a no ar. Pimenta foi puxado de canto por outro general e ouviu: “Ele não gosta do PT, coisa de família e ideologia”.
Os instintos de Etchegoyen parecem ter piorado com a Comissão da Verdade, no primeiro mandato de Dilma Rousseff. A comissão listou seu pai, Leo, e um tio, Cyro, como cúmplices da violação de direitos humanos na ditadura civil-militar de 1964 a 1985.
Subordinada a Etchegoyen, a Abin foi apontada em junho de 2017, pela Veja, como espiã de um juiz do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Foi logo após a delação da JBS/Friboi que quase derrubou Michel Temer, um processo que corria no STF sob a guarda de Fachin.
Na época, o hoje chefe da articulação política de Temer, Carlos Marun, que era apenas deputado, disse à reportagem de CartaCapital: “O presidente não usou a Abin. Mas, e se tivesse usado, qual o problema?” A Lei da Abin (a 9.883, de 1999), afirmava, autorizaria a espionagem em caso de ameaça à “segurança nacional”.
O petista alertado agora lembra que, na crise que levou à deposição de Dilma, tinha recebido outro aviso, da parte de um major. O informante pediu para conversar. E que fosse caminhando, pois ficar parado era dar sopa à espionagem. No papo, o major disse: as Forças Armadas não aceitam a permanência de Dilma, ela vai ser cassada.
Em 5 de junho passado, a reportagem conversou com um deputado do PSDB, que não foi reeleito agora, sobre uma aparente inteligência na campanha bolsonarista. Ele contou que, na época do impeachment, a inteligência do Exército tinha seus próprios cálculos quanto à votação e acertou na mosca, 367 deputados contra Dilma. Nas contas dos civis do mutirão partidário anti-Dilma, seriam 369.
No alerta feito agora ao QG petista, há mais coisa sinistra. O mesmo STF que teria tido um de seus membros bisbilhotado há pouco mais de um ano estaria hoje sob o tacão dos quartéis. A começar pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, contra quem já haveria munição para usar.
Seria para agradar aos militares que Toffoli classificou recentemente o golpe de 1964 de “movimento de 1964”? Seria esse também o motivo para ter nomeado como seu assessor especial o número 2 do Exército até aquele setembro, o general Fernando Azevedo e Silva?
Um oficial que, soube-se recentemente, presta colaboração informal à campanha de Bolsonaro, tendo inclusive recebido Mourão em sua casa para um almoço em setembro.
Nas redondezas do gabinete de Toffoli circula uma história espantosa. Quando Bolsonaro tomou uma facada, em 6 de setembro, altos oficiais teriam se revoltado e decidido ir às ruas. A ameaça de golpe militar era real. Como Temer não tem autoridade moral para enquadrá-los, sobrou para Toffoli segurar o abacaxi. A nomeação de um general para assessor teria sido um misto de abertura de canal com o Exército e aceitação tácita de tutela fardada.
Em 9 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em que ele afirmava que haveria risco de instabilidade no País, caso Bolsonaro fosse derrotado e essa derrota, encarada como efeito da facada.
Mais: que a candidatura de Lula, se aceita pelo Judiciário, provocaria a mesma instabilidade. Até hoje, nem Toffoli nem Villas Bôas comentaram a nomeação de Azevedo e Silva.
Há sinais de que as Forças Armadas aderiram à Operação Lava Jato e não aceitam a soltura de Lula. Quando o STF negou um habeas corpus ao petista, em abril, um general da reserva, Paulo Chagas, recém derrotado na disputa pelo governo do Distrito Federal, mandou uma carta ao juiz Gilmar Mendes, que votara a favor do HC, em tom ameaçador.
“Se a última esperança de salvar a Nação do caos, depositada pelos brasileiros nas mãos dos Ministros do STF, está desmoronando, onde estará a salvação?” Nas Forças Armadas, dizia.
Em setembro, um bolsonarista general da reserva, Luiz Eduardo da Rocha Paiva, defendeu no GloboNews a ideia de um “autogolpe”, ou seja, de golpe, pois não daria para confiar nem no STF. “Vai fazer o quê? Vai esperar o esfacelamento da Nação?”
O alerta recente ao QG petista continha mais duas informações. Etchegoyen teria garantido uma espécie de salvo-conduto para Temer, quando este deixar o poder. Como se sabe, há dois processos criminais à espera do emedebista.
Além disso, já haveria articulações para blindar a Lava Jato no Supremo por meio de duas nomeações para a Corte no próximo governo, para vagas que serão abertas em 2020 e 2021. Uma nomeada seria a PGR Raquel Dodge, que gosta da ideia, segundo relatos. O outro seria o juiz Sergio Moro.
“Não tenho receio de um golpe militar que impeça o Haddad de assumir, caso ele vença. Tenho é de o Supremo impedir, por pressão militar”, disse à reportagem o petista alertado. Como seria a manobra jurídica? “O Supremo e o TSE podem inventar problemas nas nossas contas de campanha.”
Na PGR, há gente graúda com seus receios. “A preocupação é enorme. O golpe parece inevitável em algum momento, principalmente se o Haddad ganhar”, diz um subprocurador-geral da ativa.
Será?
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14 outubro 2018

Roubo explícito

A disputa permanente pelo 13º salário
Não pagar o 13º seria roubar quem trabalhou durante 52 semanas no ano, mas receberia somente por 48.
Por João Sicsú*

O 13º salário foi aprovado na Câmara dos Deputados em 1962, por iniciativa do deputado federal Aarão Steinbruch, do Rio de Janeiro. Steinbruch era advogado de sindicatos e filiado ao PTB, partido que representava à época o trabalhismo.

Naquele mesmo ano, a lei do 13º também foi aprovada no Senado. Em 13 de julho de 1962, o então presidente João Goulart assinou a sua criação.

Algumas semanas antes da sua aprovação final, a manchete de capa do O GLOBO foi: “Considerado desastroso para o país um 13º salário”. Segundo o periódico, “a medida teria cunho meramente eleitoreiro”. A Fiesp também se posicionou contra.

A aprovação do 13º salário foi tensa e disputada no Congresso e na sociedade. Houve muita mobilização dos trabalhadores por meio de manifestações e movimentos grevistas.

Na Câmara, por exemplo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidiu opinar sobre o mérito da proposta, rejeitando-a. Mas nada apresentou contra a sua constitucionalidade. 

Por outro lado, a Comissão de Legislação Social rebateu a CCJ: “... a douta Comissão de Justiça entrou no mérito da proposição o que não encontra amparo no Regimento Interno da Casa” e aprovou por unanimidade o mérito da proposta.

Elói Dutra, deputado do PTB e aliado próximo do Presidente Getúlio Vargas, foi um expoente na defesa do 13º salário. Ele utilizou um argumento desprezado por empresários, mas bastante óbvio e correto: “... ganhará muito a indústria e o comércio com a generalização da prática, pois que as classes trabalhadoras poderão adquirir uma massa bem maior de bens de consumo, o que é do maior interesse para industriais e comerciantes”.

Jessé Freire, deputado do PSD, foi um dos expoentes da oposição à aprovação da lei. Argumentava que as classes produtoras já estavam sobrecarregadas com a obrigação do salário-mínimo e com os encargos previdenciários.

Além disso, considerava que a adoção do 13º salário provocaria inflação, o que, por seu turno, prejudicaria o trabalhador. Posteriormente, Freire não só apoiou o movimento golpista político-militar-empresarial de1964, “como participou ativamente de sua fase preparatória na área empresarial” (FGV/CPDOC). Ele transitou do PSD para a ARENA nos anos 1960. 

Tal como Jessé Freire, a chapa concorrente à Presidência da República, composta por novos e antigos "transformadores" de regimes democráticos, defende o fim do 13º salário. O argumento apresentado é simples, mas é errado para quem conhece o calendário e a aritmética básica.

Dizem: se o empresário e o governo arrecadam 12 meses, não podem pagar 13. Errado!

O mês salarial é configurado por 4 semanas de trabalho. Em nosso calendário, há oito meses com quatro semanas e quatro meses com cinco semanas. Portanto, a arrecadação é feita por 52 semanas no ano. Isso equivale a 13 meses de quatro semanas de receita empresarial e arrecadação tributária ao longo do ano. 

Nos Estados Unidos e em outros países onde dizem não existir o 13º salário, o trabalhador é pago semanalmente. Ou seja, recebem por 52 semanas. Isso equivale a 13 salários de quatro semanas de trabalho. 

Mais: nos EUA, além de existir o pagamento sim das 52 semanas, é prática comum - embora não obrigatória - ser distribuído algum bônus em dinheiro em dezembro (é sempre inferior ao salário). 

Há ainda casos em que as empresas distribuem vouchers de supermercados para transformar o abono natalino em consumo obrigatório – o que estimula a economia. Portanto, nos EUA há mais benefícios remuneratórios ao trabalhador do que no Brasil, e não o contrário.

Uma conclusão poderia ser que não pagar o 13º no Brasil seria roubar o trabalhador que prestou serviços durante 52 semanas no ano (13 meses de quatro semanas), mas receberia somente 48 semanas (12 meses de quatro semanas).

*João Sicsú é professor do Instituto de Economia da UFRJ, foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do IPEA entre 2007 e 2011. 
Fonte: Carta Capital

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Arte é vida

Paulo Klee

Verdade e leveza

Entreguismo explícito

Privatizar bancos públicos e empresas estatais estratégicas, uma ameaça à soberania nacional. 
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Poesia sempre

Verdade
Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

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13 outubro 2018

Opção pela extrema direita


Os bastidores do apoio do Portal R7 a Bolsonaro
Leandro Demori, The Intercept Brasil

Rede Record, Rede Bandeirantes, Portal R7 e Jovem Pan estão balançando o berço de Bolsonaro. É nelas que Jair vai se fiar a partir do ano que vem – seus donos esperam, claro, que ele seja o novo presidente. Pretendo voltar às TVs e também à decisão da Folha de não chamar Bolsonaro de “extrema-direita” em um post no site na semana que vem, se conseguir levantar mais detalhes. Hoje vou falar só do R7, o portal de notícias do Edir Macedo.

Passei a semana ouvindo pessoas pra poder escrever essa newsletter pra vocês e vou fazer algo que não costumamos fazer no TIB: dar informações de bastidores sem documentos que possamos mostrar publicamente. Eu sei, e vocês sabem, que o acordo entre imprensa e público foi quebrado, e que ninguém mais tem obrigação em acreditar em jornalista só porque… bem, porque é jornalista. Só que foi difícil arrancar informação pra escrever isso, e me comprometi a não publicar e-mails e circulares internas dos veículos. Os jornalistas estão com medo do que está por vir.

O que segue abaixo é um relato de alguém que trabalha no R7. Eu vou deixar que ele conte a história pra vocês. Nos vemos na semana que vem. Até.

“Desde meados de agosto, toda matéria que chega de agência (Reuters, Estado, Folha, EFE, AP…), ou que pretendemos escrever, precisa antes de uma autorização verbal de quem está comandando a redação. A gente chega e pergunta: ‘posso subir matéria tal da agência tal?’

Três semanas antes de começar o primeiro turno a gente foi 'liberado' para subir conteúdos dos candidatos, contanto que não fosse negativo ao Alckmin.

Após o Edir Macedo vir que o Alckmin não decolaria e declarar via Facebook que apoiaria Bolsonaro, a redação deu uma guinada. Passamos a publicar exclusivamente coisas positivas sobre o candidato do PSL e coisas mornas sobre Haddad, Ciro e Alckmin.

Passado o primeiro turno, começou o jogo sujo. Nada de pauta negativa ao Bolsonaro, a não ser que seja um assunto de grande visibilidade. A gente pode subir pautas positivas do Haddad, mas geralmente elas não são chamadas na capa nem nas redes sociais. Ou seja: ninguém vê.

E agora começaram a aparecer encomendas. O primeiro alvo foi Ciro Gomes. Um excelente repórter foi obrigado a escrever coisas ridiculamente negativas e velhas sobre o ex-candidato do PDT, acredito eu que para tentar denegri-lo caso ele decidisse apoiar o Haddad firmemente.

Houve brigas na Redação por que, teoricamente, deveríamos assinar essas matérias. Mas ninguém aceita expor seu nome a esse trabalho sujo. Pode notar que a maioria delas não tem assinatura.

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Resistir e confiar


Enquanto há tempo, o jogo precisa ser jogado
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

A primeira pesquisa Datafolha relativa ao segundo turno, divulgada ontem, revela uma dianteira de 16 pontos percentuais do capitão Bolsonaro sobre Fernando Haddad.

Os números não são animadores, mas também são estimulantes para quem luta sob quaisquer condições.

A vantagem momentânea e ameaçadora do extremista de direita reflete uma tendência obscurantista que há algum tempo tem tomado corpo mundo afora, inclusive em países culturalmente avançados da Europa Ocidental, e chega ao Brasil na esteira da crise multifacetada em que o País está os mergulhado.

Quando a crise é perversa e as saídas não são claramente visíveis, a desesperança atinge milhões.

E numa sociedade como a brasileira, historicamente habituada a concentrar suas esperanças num líder momentaneamente carismático e aparentemente apto a "salvar" a nação do atoleiro, o capitão neofascista se adequada como uma luva.

No campo progressista, Getulio (contradições à parte) e Lula marcaram sua trajetória com esse pedigree. 

Agora, com a semi destruição do sistema político vigente pela Operação Lava Jato e suas ramificações, repete-se, de modo mais agudo, o fenômeno Collor de 1989, que caçaria marajás, agora na figura do capitão que promete exterminar bandidos.

Fórmula simples, carente de consistência e ao largo dos problemas reais que afligem a sociedade brasileira. Mas incrivelmente absorvida por camadas as mais diversas, dos endinheirados do andar de cima a extensas parcelas dos mais pobres, ironicamente beneficiários das políticas inclusivas adotadas pelos dois governos Lula e pelo primeiro governo Dilma. 

Num tempo sombrio, palmilhado pela dispersão política e ideológica e alimentado por artifícios midiáticos e pela manipulação das consciências via redes sociais, o pleito presidencial assume o dramático desenho de agora.

Entretanto, numa campanha de pouco mais de três semanas minutos valem horas. A reversão de percepções e expectativas não é simples quando se trata de milhões de eleitores. Mas o jogo não terminou. 

Haddad avança no sentido da amplitude e do diálogo sem preconceitos com democratas de todos os matizes. Ajuda a resistência.

Se houver debate entre os dois candidatos — a tática do capitão é fugir com o argumento do seu estado de saúde —, talvez se possa avançar em alguma medida.

Nas redes e, sobretudo, nas ruas a partir de segmentos articulados, urge abordar os milhões de eleitores ainda indecisos ou que admitem mudar o voto (como ocorreu no primeiro turno).

Sigamos na luta!

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Humor de resistência

Enio vê a campanha agressiva do capitão Bolsonaro

11 outubro 2018

Uma reversão é possível?


[Embora não esteja de acordo com uma ou outra afirmação contida no texto, reproduzo aqui o ótimo artigo de Luís Nassif acerca do complexo embate deste segundo turno do pleito presidencial]
Xadrez do grande pacto nacional contra Bolsonaro
Luis Nassif, Jornal GGN

Peça 1 – tem jogo
A pesquisa DataFolha, com a contagem de 58 a 42 para Bolsonaro em relação a Fernando Haddad, mostra que tem jogo.
Motivo 1 – Em outras eleições, com menos volatilidade, houve viradas. A eleição atual é atípica, com mudanças radicais de posição, criação de ondas de tsunami. Por isso mesmo, não há estratificação de votos. Nem mesmo entre aqueles que, no primeiro turno, garantiam votos consolidados.
Motivo 2 – com Bolsonaro se posicionando sobre diversos temas, em cada posição que assume deixa de ser a encarnação irracional da unanimidade antissistema, e passa a ser uma pessoa de carne e osso, sendo desenhada por cada opinião.  Aliás, é curioso que nas duas únicas vezes em que mostrou bom senso – quando disse que a reforma da previdência deveria ser consensual e que o governo não poderia abrir mão do controle sobre a geração de energia – foi alvo de críticas de Carlos Alberto Sardenberg na CBN, filho dessa mistura de liberalismo econômico cego e autoritarismo político míope. Pelo menos a irracionalidade cega do mercado ajuda a dissipar sua adesão irracional a Bolsonaro.
Motivo 3 – a onda de ataques de seus seguidores a adversários por todo o país e a constatação clara de que será um governo de arbítrio, de selvageria, do qual não sairá incólume nenhuma forma de poder, da Justiça à mídia. 

O exemplo mais flagrante é o inacreditável ex-juiz Wilson Witzel (PSC), candidato ao governo do Rio de Janeiro, ameaçando prender seu opositor, o ex-prefeito Eduardo Paes e se valendo de um amigo juiz para inabilitar outro candidato, Antony Garotinho. E ainda anunciando que acabará com a Secretaria de Segurança para evitar interferência civil no trabalho da polícia.
Os sinais de fascismo se tornaram tão evidentes que não comportam mais o jogo de cena de fingir que não se vê a guerra. Até o Ricardo Boechat vai se dar conta de que as violências que se espalham por todo país não podem ser comparadas a brigas de torcidas. Entre outros aspectos, pela relevante razão de que nenhuma torcida organizada esteve perto de assumir o poder de Estado.
Já se percebe um movimento nítido da mídia de lançar luzes sobre o bolsonarismo. Nos últimos dois dias, a mídia começa a dar o devido peso a essa onda de violência, sendo oficialmente apresentada a um fenômeno que só existia nas suas fantasias antipetistas: o fascismo em estado bruto.
O sistema Globo é particularmente influente nas grandes metrópoles do sudeste, onde há maior concentração de votos para Bolsonaro. E poderá jogar um pouco de luz nos grupos empresariais, tão primários quanto texanos de fins do século 19.
Resta a outra incógnita da equação: o desafio de reduzir o antipetismo.
O caminho passa pelo grande acordo nacional, que reedite o pacto da Nova República. E, aí, Fernando Haddad poderá ter papel fundamental.

Peça 2 – o fim do ciclo da Nova República

Há vários pontos em comum entre os meses que antecederam a Nova República e o quadro atual.
A Nova República foi um pacto de governabilidade que se seguiu ao fim da ditadura.
Nos últimos anos, o país experimentou um novo tipo de ditadura, o estado de exceção em vigor no país, com perseguição aos inimigos, censura ao livre pensamento, atentados à constituição pelo Supremo Tribunal Federal, abusos de juizes, procuradores e delegados, e a mídia encetando uma campanha de ódio em tudo similar aos anos 60. O resultado foram as explosões de violência, preconceito, intolerância, potencializados pelas redes sociais e de whatsapp.
Agora, se tem a bocarra escancarada da besta, a poucas semanas de engolfar o país. E, ainda que algo tardiamente, vai caindo a ficha de todos os protagonistas políticos, das instituições, mídia, partidos políticos, sobre os riscos de venezuelização do país.
São os gatilhos que dão início a um novo pacto de governabilidade.

Peça 3 – a concertação brasileira

Quando a Espanha estrebuchava no período pós-franquismo, sem conseguir se encontrar, surge a figura de Felipe Gonzales. Primeiro, unificou a esquerda. Depois, fez um movimento importante para o centro, colocando o aprofundamento da democracia como a meta maior. Esvaziou a direita, consolidou a socialdemocracia e acertou um pacto que garantiu a consolidação da democracia espanhola e se manteve por muitos anos.
No Brasil, nenhuma figura pública está mais apta a desempenhar esse papel do que Fernando Haddad. Mas, para tanto, terá que enfrentar um desafio freudiano: matar o pai.
Haddad nutre por Lula o reconhecimento genuíno de um intelectual capaz de entender sua grandeza política. Mas, no novo tempo que se avizinha, terá a missão de enterrar o lulismo. Aliás, o próprio Lula há tempos havia se dado conta da necessidade de superação dessa etapa, quando tentou emplacar Eduardo Campos, quando apostou em Dilma, a gestora, e mesmo agora, quando ensaiou aproximação com Ciro Gomes. Mas, principalmente, quando apostou em Haddad como seu sucessor, por várias razões.
Primeiro, por ter feito carreira no partido que mais se aproximou do desenho social-democrata, o PT. Depois, por sempre ter colocado a negociação, a racionalidade como ponto central de sua atividade como Ministro e como prefeito premiado de São Paulo, abrindo as portas para a contribuição de diversos setores – do MTST a ONGs privadas – sem relação direta com o partido. Finalmente, por uma idoneidade não apenas moral, como intelectual, de jamais ter tergiversado de suas posições políticas, nem cedendo ao populismo, nem aos acenos do mercado.
Ou seja, tem-se as condições políticas para o cargo, um roteiro razoavelmente definido. Resta saber se Haddad e o próprio PT estarão à altura do momento.

Peça 3 – as condições para o pacto

O primeiro ponto é isonomia com essa história da autocrítica.
O PT deve, sim, uma autocrítica por ter enveredado pelas regras do jogo político tradicional. E se a autocrítica é condição para o eleitor ter a garantia de que não repetirá os malfeitos, é de se esperar uma autocrítica da Globo, que não mais estimulará o estado de exceção, como fez de 2013 para cá, processo que resultou na ascensão do bolsonarismo. Haveria necessidade também de autocrítica do STF pela quantidade de vezes que se curvou à pressão da besta das ruas, atropelando a Constituição; da Procuradoria Geral da República, nem se pense em Rodrigo Janot, que não tem dimensão para esses gestos, mas de Raquel Dodge e da cúpula do Ministério Público? Do PSDB por ter abdicado da princípios democráticos e impulsionando o golpe
Para poupar todos esses personagens da profunda irresponsabilidade com que trataram o futuro do país, há uma maneira mais indolor e eficaz de purgar os erros e de mostrar o novo: um grande pacto nacional contra a besta que, desde já, acene para a opinião pública sobre a extensão do pacto, seus compromissos sociais, com o desenvolvimento e com o combate sistemático à violência que está grassando de cabo a rabo no país, no rastro do fenômeno Bolsonaro.

Peça 4 – os personagens

O desenho ideal futuro para o pacto seria um novo partido, da socialdemocracia brasileira, com predomínio do PT – como único partido que se manteve estruturado nesse tsunami, por sua base social e sindical. Mas abrindo as portas para os setores liberais do PSDB, que serão jogados ao mar caso João Dória Jr seja eleito governador. E todos os setores racionais do empresariado, das organizações sociais, do pequeno e micros empresários, da indústria, assim como os legalistas do Poder Judiciário. E, obviamente, da mídia, com ambos os lados tapando suas narinas.
O segundo turno poderá ser a semente dessa movimentação que coloque, em um partido, o Brasil civilizado, institucional, democrático, contra a barbárie.
A Nova República exigiu um novo modelo partidário, desde que o bipartidarismo do regime militar se espatifou. Agora se tem um quadro no qual os dois partidos que garantiram a governabilidade nas últimas décadas, não podem mais caminhar sozinhos: o PSDB morto por inanição; o PT pela constatação de que, sozinho, provavelmente não conseguirá nem a vitória nas eleições, nem a governabilidade.
Esse risco enorme deverá convencer sua executiva a abrir mão do controle absoluto do processo e repartir poderes – dentro da estratégia que vem sendo costurada por Jacques Wagner.
Tem-se, então, o barco com náufrago em um mar coalhado de tubarões. Terão que se acertar.
É nesse clima que poderá emergir a figura de Fernando Haddad. Se bem-sucedido, poderá ser o Felipe Gonzales brasileiro. Malsucedido, afundará junto com a democracia brasileira, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, a Constituição e qualquer réstia de civilização.
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Onde está o nó?


Armadilhas do rentismo
Eduardo Bomfim, em seu blog

As eleições presidenciais no primeiro turno foram marcadas por uma Guerra Híbrida pautada pela agenda entre multiculturalistas e antimulticulturalistas. Na verdade as respostas para os nossos grandes problemas como saúde, educação, segurança, a retomada do crescimento econômico, os interesses nacionais só foram abordados lateralmente, quando muito.

Nesse sentido, é possível dizer que o Mercado financeiro, através da grande mídia hegemônica a ele associado, tem sido o grande vencedor das eleições presidenciais, até o presente momento.

Porque o que tem sido pautado, no fundo, nestas eleições presidenciais é como serão realizadas as reformas econômicas que beneficiem os agentes especuladores, os financistas que já auferem lucros estratosféricos no Brasil.

Essas reformas econômicas, que exige o Mercado financeiro, precisam ser bem mais agressivas que todas as demais já realizadas em outras épocas, sempre contrárias ao papel estratégico do Estado nacional como indutor do desenvolvimento econômico, das garantias trabalhistas, dos interesses soberanos do País etc.

Nesse sentido, o que as poderosas corporações financeiras e rentistas globais estão impondo à nação, através dos seus “Economistas de Mercado”, as grandes referências nas pautas da mídia hegemônica, é qual a maneira em que serão realizadas as chamadas “flexibilizações na ordem econômica, nos direitos sociais e no protagonismo do Estado brasileiro”.

Essas alternativas não correspondem aos interesses das grandes maiorias sociais, setores da classe média, do desenvolvimento nacional. E por isso é que elas são razoavelmente escondidas no debate das eleições, porque são altamente impopulares, seriam rechaçadas de imediato pela sociedade.

Em seu lugar, foi introduzida uma agenda política extremamente polarizada de ódios difusos fragmentando o tecido social da nação, enquanto a caravana do liberalismo econômico radical e antinacional, margeia a luta de ideologismos - o que não é igual a ideologia - que vai tocando fogo no País.

Quem aplicar as reformas econômicas exigidas pela banca especulativa será um presidente altamente impopular, além da divisão na sociedade já estabelecida desde 2013 através da chamada Guerra Híbrida.

Assim, obcecado em promover as suas “reformas” o Mercado financeiro, os especuladores do rentismo, vão medindo o pulso das eleições nesse segundo turno eleitoral.

O Mercado financeiro não se importa com a Democracia, em muitos momentos prefere o autoritarismo à vida democrática. E dividir para reinar era a máxima adotada pelo Império Romano da antiguidade.

Nesse contexto, a contabilização no mundo da política pode estar sendo medida entre ser oposição ao terremoto econômico e social que será imposto através do presidente eleito, ou governar aceitando as diretivas do mundo das finanças, quando na verdade o caminho deveria ser o do crescimento econômico soberano e democrático.

No entanto, o Mercado pode estar fazendo seus próprios cálculos: promover as suas reformas neoliberais draconianas através da ordem autoritária, sacrificando a via democrática. Como veem, essa conta não fecha nem com a sociedade, o País ou a democracia.

Chegamos a um ponto muito complexo onde a retomada do desenvolvimento econômico não se encontra presente e algumas forças políticas fazem uma espécie de dança perigosa à beira do precipício.

Uma pergunta que deve ser respondida mais cedo ou mais tarde é: como e de que maneira se chegou a essa encruzilhada?

Por isso cresce a solução do fascismo com violência e truculência para conter a sociedade pela força e assegurar os ganhos do capital financeiro. Mas, afirma André Araújo, “o fascismo não é estável, ele precisa se agitar continuamente até implodir. O prazo de validade do fascismo é curto no tempo Histórico”.

Seja como for urge ao povo brasileiro o caminho da resistência em defesa da democracia, do desenvolvimento econômico, da soberania nacional. Todas, literalmente ameaçadas neste exato momento.

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10 outubro 2018

Indestrutível e necessário


PCdoB é indispensável à democracia
Editorial do Vermelho
“Negar ao PCdoB o direito a representação parlamentar, com sua história de luta pelas liberdades desde os primórdios da República, não condiz com os ideais democráticos da nação brasileira.”

O PCdoB obteve até agora 1,35% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados. Ainda não é o resultado definitivo, pois, até a proclamação dos resultados pela Justiça Eleitoral nos estados e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse número pode ser alterado. Portanto, não está definido ainda se o Partido cumpriu a cláusula de desempenho. Diante desse fato, veículos da mídia têm feito matérias depreciando a legenda comunista, insinuando, como fazem desde 1922, a sua extinção, tentando lançá-la na vala comum.

O resultado das eleições em curso de 2018 e, também, de 2016, comprovam que o PCdoB segue como um partido com destacada atuação na vida política e social do Brasil. 

O Partido reelegeu o governador do estado do Maranhão, Flávio Dino, no primeiro turno e com uma votação consagradora; elegeu sua presidenta, Luciana Santos, vice-governadora do estado de Pernambuco, junto com Paulo Câmara (PSB) governador; elegeu nove deputados e deputadas federais, podendo chegar a dez; e elegeu vinte e um deputados e deputadas estaduais. O PCdoB, em 2016, elegeu mil vereadores, 82 prefeitos, entre eles Edvaldo Nogueira de Aracaju,109 vice-prefeitos, entre os quais Luciano Siqueira de Recife. Manuela d’Ávila, hoje candidata a vice-presidente da República na chapa de Fernando Haddad, em eleições anteriores, foi campeã de votos no Rio Grande do Sul.

Esses dados mostram que o PCdoB é respaldado pelo voto popular em todo o país. Excluí-lo da Câmara dos Deputados, por força de uma lei de cunho antidemocrático, que fere princípios constitucionais como o que assegura o pluralismo partidário e o direito de livre atuação das minorias políticas, seria um grave retrocesso.

O PCdoB está presente na Câmara dos Deputados, com parlamentares eleitos por sua legenda desde 1986, um ano depois da redemocratização. Participou ativamente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, assim como participara da de 1946. Em quase um século de existência, esteve no parlamento em praticamente todos os períodos em que atuou na legalidade – uma participação que remonta à República Velha. E nos períodos autoritários e ditatoriais se destacou na defesa da retomada das liberdades democráticas.

Além da atuação parlamentar, é um Partido que administra cidades, como faz com grandes realizações em Aracaju, e, com grande êxito, aos olhos do Brasil, o Estado do Maranhão. Além dessa dimensão, o PCdoB é um partido permanente. Atua no cotidiano da vida e luta do povo trabalhador, nos movimentos sociais, nas entidades e centrais dos trabalhadores. Tem a Escola Nacional de Formação João Amazonas e a reconhecida Fundação Maurício Grabois. Juntas realizam intenso trabalho na esfera da luta de ideias: formação de quadros, pesquisas, seminários, extensa e rica produção de livros. 

Negar ao PCdoB o direito a representação parlamentar, com sua história de luta pelas liberdades desde os primórdios da República, não condiz com os ideais democráticos da nação brasileira. Suas bancadas produziram, ao longo desse tempo, um rico acervo de contribuições à vida legislativa do país. Há 25 anos, senadores (as), deputados (as) federais do PCdoB integram com destaque a respeitada lista do “Cabeças do Congresso Nacional”, seleção organizada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Sua ausência no Congresso Nacional abriria uma lacuna, resultaria na exclusão de uma corrente de opinião e pensamento de longevo itinerário de lutas e realizações, na Casa, que deve ecoar, democraticamente, a pluralidade de ideias que há na sociedade brasileira. 

A direção do PCdoB, usufruindo da convivência democrática que cultiva com as instituições, lideranças e os partidos de nosso país, empreende diálogos, explora alternativas para que, em qualquer cenário, seja respeitado o voto que elegeu sua bancada de nove, podendo chegar a dez, deputados (as) federais, e também para que ele prossiga na sua linha de crescimento gradativo de sua força político-parlamentar. 

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