09 outubro 2026

Minha opinião

Imediatismo tático consequente 
Luciano Siqueira    

Pode ser até um exagero não tenho certeza. Refiro-me a minha quase obsessão pelas questões de ordem tática para onde faço confluir tudo de lei e quase tudo o que discuto com amigos e militantes. 

O oposto de companheiros e amigos muito mais inclinados ao aprofundamento de questões teóricas de fundo. Dedicam-se ao que durante muito tempo chamou teoria pura, sem tirar consequências para a luta em curso no tempo presente.

Fazem muito bem. Aqui e acolá ferem questões teóricas "de fronteira" é possibilitam compreensão mais apurada dos fenômenos em curso.

A outra financeirização da economia nos dias que correm, por exemplo. 

Não me disponho a tanto, apenas procuro compreender as questões e seus elementos essenciais que podem ajudar a elucidar as idas e vindas do capital financeiro predominante nas elites dominantes, fator permanente de bloqueio tá todo de qualquer tentativa de dar um passo adiante no desenvolvimento do Brasil. 

A tal Faria Lima tão mencionada no noticiário cotidiano. 

Juro que procedo na medida certa, pelo menos é o que me parece. Minha condição militante se faz sempre e essencialmente direcionada para a ação concreta imediata calçada na tática geral, por assim dizer, calçada nas referências programáticas do Partido.

É o que disse a um jovem militante deitou em minha coluna semanal no portal 'Vermelho', curioso em relação às minhas leituras e ao método pretensamente dialético das minhas reflexões.

Torço para que esteja certo, pois já não tenho mais idade para mudar.

Segundo turno é uma nova campanha https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html

Palavra de poeta

Se
Alice Ortiz      

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse…

[Ilustração: André Baia]


Outra pesquisa

Revista Exame: Pesquisa Vox Brasil: Lula tem 44,2% e Flávio Bolsonaro, 42,7%, no 2º turno. Empate técnico no limite da margem de erro. 

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html


Um passo adiante

Governo Lula já tem votos para aprovar fim da escala 6×1
O quórum necessário para aprovar uma PEC requer os votos de três quintos do total de membros da Casa, o que equivale a 49 dos 81 senadores
Iram Alfaia/Vermelho       

Apesar da obstrução dos senadores bolsonaristas, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), diz que a base do governo Lula já tem os votos suficientes para aprovar, na próxima semana, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1.  

O quórum necessário para aprovar uma PEC requer os votos de três quintos do total de membros da Casa, o que equivale a 49 dos 81 senadores.

“Vamos tentar aprovar até quarta-feira, com certeza. Vamos cumprir o primeiro rito das cinco sessões e aí vamos procurar votar na semana que vem e quebrar o interstício (intervalo de cinco sessões entre duas votações) para a votação do segundo turno”, disse o líder nesta quinta-feira (8).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assegurou que “nada mudou” em relação ao calendário das sessões para debater o relatório do senador Omar Aziz (PSD-AM) favorável à PEC.

A afirmação de Alcolumbre foi feita após encontro com a senadora Tereza Cristina (PP-MT), escolhida pela oposição para negociar o adiamento da votação para depois do segundo turno.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, ressaltou a necessidade de assegurar a votação da proposta em respeito aos parlamentares que atualmente exercem seus mandatos.

Ela disse que os acordos para o andamento do texto estão sendo cumpridos pelo presidente do Senado, incluindo o cumprimento das sessões de discussão em plenário antes da deliberação final.

“O mandato dos 81 senadores eleitos, reeleitos ou não eleitos vai até o dia 31 de janeiro de 2027. Só se pode pensar em nova correlação de forças, em nova relação política aqui dentro depois da posse. Deixem de soberba. Respeitem esta legislatura; respeitem o direito integral de quem tem mandato”, defende a líder.

Debate

O senador Paulo Paim (PT-RS) ocupou mais uma vez a tribuna nesta quinta-feira para defender a aprovação da PEC.

O senador acrescentou dados do Dieese segundo os quais a redução da jornada para 40 horas semanais pode permitir que até 425 mil jovens de 18 a 29 anos, nos grandes centros, passem a conciliar emprego formal e estudos.

Entre os jovens de 18 a 24 anos que trabalhavam exatamente 40 horas semanais, 28% conciliam, com muita competência, o trabalho e o estudo.

“Quando a jornada passa para 40 horas semanais, esse percentual cai pela metade. São oito pontos percentuais de diferença só nesse exemplo que eu dei aqui, porque estamos falando de qualificação profissional, estamos falando de oportunidade”, explica Paim.

Segundo o Dieese, a redução da jornada pode gerar no país em torno de 4 milhões de novos empregos.

“Não estou aqui dizendo que esse número seria automático em todo o Brasil, mas seria o caminho responsável, com qualidade de vida, para gerarmos 4 milhões de novos empregos”, disse o senador.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

Ligações perigosas

Quem é contra a PEC da Segurança Pública?
Luciano Siqueira     

Correto e oportuno: o presidente Lula desafiou publicamente a bancada de oposição liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) a votar e aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado.

Também insinuou que o candidato da extrema direita tem vínculos com o crime organizado, tanto que defendeu um policial militar envolvido na morte de uma criança de 5 anos atingida por tiro de fuzil em Niterói (RJ).  

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

Palavra de poeta

O monte e o rio
Pablo Neruda     

Na minha pátria tem um monte.
Na minha pátria tem um rio.
Vem comigo.
A noite sobe ao monte.
A fome desce ao rio.
Vem comigo.
E quem são os que sofrem?
Não sei, porém são meus.
Vem comigo.
Não sei, porém me chamam
e nem dizem: “Sofremos”
Vem comigo
E me dizem:
“Teu povo,
teu povo abandonado
entre o monte e o rio,
com dores e com fome,
não quer lutar sozinho,
te está esperando, amigo.”
Ó tu, a quem eu amo,
pequena, grão vermelho
de trigo,
a luta será dura,
a vida será dura,
mas tu virás comigo.

[Ilustração: Cícero Dias]

Leia também: As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html  

08 outubro 2026

Na esteira do bolsonarismo

Ódio ao Nordeste explode nas redes após primeiro turno das eleições
Em apenas 72 horas, pesquisa identificou 27 milhões de manifestações críticas ao voto nordestino, incluindo discursos de inferiorização, preconceito e segregação territorial.
Barbara Luz/Vermelho   

O Nordeste foi alvo de aproximadamente 27 milhões de manifestações críticas ou hostis nas redes sociais nas primeiras 72 horas após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (4). A onda de ataques, marcada por preconceito regional, discriminação e xenofobia, foi identificada no levantamento “O Nordeste no Banco dos Réus”, elaborado pela Ativaweb DataLab e divulgado nesta quinta-feira (8).

Ao todo, foram monitoradas 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos relacionados ao Nordeste e aos nordestinos. Desse universo, 82,2% foram classificados como críticos ou hostis ao comportamento eleitoral da região. Os 17,8% restantes, cerca de 5,8 milhões, apresentaram conteúdo neutro ou de defesa da população.

A dimensão da hostilidade chama atenção também pela velocidade de circulação. Em média, foram 456 mil menções por hora, mais de 7.600 por minuto, ao longo de três dias. A enxurrada de manifestações revela como a disputa eleitoral voltou a abrir espaço para ataques à população nordestina, transformando divergências políticas em discursos de inferiorização de uma região inteira do país.

Preconceito contra nordestinos reproduz estereótipos históricos

O levantamento identificou um padrão de hostilidade que ultrapassa a divergência política e procura apresentar o eleitor nordestino como alguém incapaz de decidir seu próprio voto.

Entre os termos ofensivos encontrados em uma amostra de 535 comentários de publicações de alto engajamento, 26,9% das ocorrências estavam ligados à vergonha e à autodepreciação regional. Outros 22,1%, relacionavam o voto nordestino à pobreza e à dependência econômica, enquanto 18,3% questionavam a capacidade intelectual da população.

Já as manifestações de desumanização e de segregação territorial representam 12,5% cada. Além disso, também apareceram expressões que comparavam nordestinos a animais ou doenças, além de propostas de separar a região do restante do Brasil.

O estudo identificou ainda que 68,2% dos comentários da amostra qualitativa correspondiam à adesão ou ao aplauso aos ataques. Muitas dessas manifestações não continham insultos diretos, mas reforçavam publicações agressivas e ampliavam sua circulação.

Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a gravidade do fenômeno está justamente na transformação do preconceito em comportamento coletivo. “O aplauso silencioso pesa mais que o insulto: é ele que transforma a ofensa de um em sentimento de muitos”, afirma o pesquisador.

Ataques se espalham por diferentes plataformas

O monitoramento reuniu dados públicos de Facebook, Instagram, TikTok, X, Kwai e comentários do YouTube. Segundo o levantamento, os ataques partiram de usuários de todas as regiões brasileiras, com forte presença de perfis do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, embora não tenham sido divulgados percentuais por região.

Como se não bastassem os ataques vindos de outras regiões, a pesquisa também identificou nordestinos reproduzindo ataques contra eles próprios, em publicações nas quais declaravam vergonha de pertencer à região ou pediam desculpas pelo comportamento eleitoral de seus conterrâneos.

Em contrapartida, houve manifestações de resistência à xenofobia, inclusive entre eleitores contrários ao candidato mais votado no Nordeste. As respostas em defesa da região recorreram à memória histórica, às políticas públicas e ao enfrentamento das desigualdades regionais.

Ataques podem ultrapassar os limites da liberdade de expressão

Além da dimensão política, a propagação de discursos discriminatórios levanta questões jurídicas. O estudo lembra que a legislação brasileira prevê punições para a prática, indução ou incitação ao preconceito de procedência nacional, inclusive com agravamento de pena em determinadas situações envolvendo redes sociais.

A avaliação sobre a eventual prática de crimes, contudo, depende da análise individual dos conteúdos pelas autoridades competentes.

Às vésperas do 2º turno entre o presidente Lula e o candidato de extrema-direita, Flávio Bolsonaro, a onda de hostilidade evidencia como o preconceito regional pode ser mobilizado em meio à disputa política, atingindo não apenas preferências eleitorais, mas a dignidade de toda uma população.

A democracia pressupõe que o voto de um nordestino tenha o mesmo valor que o de qualquer outro brasileiro. Transformar a origem regional em motivo de humilhação significa atacar esse princípio fundamental.

Os 27 milhões de registros classificados como críticos incluem menções, links e compartilhamentos, não equivalendo necessariamente a ataques xenofóbicos individuais, publicações originais ou usuários únicos. Já os percentuais relativos aos tipos de ofensa foram extraídos de uma amostra qualitativa, e não da totalidade das interações monitoradas.

O fascismo não nos intimida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob.html