04 março 2026

Minha opinião

Planos a longo prazo, sim
Luciano Siqueira

instagram.com/lucianosiqueira65  

Em 2008, eu figurava como pré-candidato a prefeito do Recife e fui recebido em sua residência pelo ex-prefeito Pelópidas Silveira, líder que marcou a história política de Pernambuco.

Conversamos uma tarde inteira sobre problemas estruturais da cidade e alternativas para resolvê-los. Como sempre, alimentados por um bom whisky.

Quando nos despedíamos, já na boquinha da noite, à porta do seu apartamento, ele sorridente e descontraído apoiou a mão no meu ombro e disse que tinha um pedido: "Só não me inclua em projetos de longo prazo, pois minha idade já não permite isso".

Pois hoje, nesse 31 de dezembro de 2022, cá estamos em família, na Ilha de Itamaracá, preparando-nos para o réveillon.

Várias gerações reunidas. E, naturalmente, referências a planos imediatos e futuros.

Então me dei conta de que, em tese, quem agora já não pode ser incluído em projetos de longo prazo sou eu e os da mesma faixa etária que aqui estão.

"É a vida", como diz minha neta Alice, de 9 anos.

O que me salva, por assim dizer, a mim e a meus companheiros e companheiras de partido, é que nós militantes do PCdoB estamos e estaremos sempre incluídos como participes ativos de planos de curto, médio e longo prazo consignados em nosso Programa.

A proposta programática do PCdoB aponta o caminho para o objetivo estratégico — o socialismo — e o modo de acumularmos forças para a consecução desse objetivo em meio às lutas imediatas.

Ou seja, temos a consciência e a convicção de que o que fazemos hoje é parte indissociável da construção do amanhã, que Diógenes Arruda dizia ser a “festa de pão e rosas” do povo brasileiro.

Objetivamente, quem já ultrapassa sete décadas de vida e mais de 50 anos de militância, já não pode ter segurança se este é o último réveillon da vida ou se ainda haverá oportunidade de viver outros.

Vale dizer, nada sabemos se de lutas futuras seremos participes ou não, mas renovamos, em meio ao mar de afeto e de alegria da passagem de ano, nosso compromisso militante.

E se o amigo Pelópidas ainda estivesse entre nós, bem que valeria compartilharmos a convicção de que planos de longo prazo são nossos também, deles somos participes no tempo presente.

Uma crônica de dezembro de 2022

Impasses do ciclo progressista latinoamericano https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/america-latina-impasses-do-ciclo.html

Fotografia

 

Hélia Scheppa

Leia: Sebastião Salgado, o homem que “desenha com a luz” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/02/sebastiao-salgado-80-anos.html 

Enio Lins opina

Ronda a Casa Branca o fantasma invertido de Pearl Harbor
Enio Lins 

BERNIE SANDERS, senador americano pelo estado de Vermont, um dos políticos mais respeitados e mais corajosos dos Estados Unidos, foi direto ao ponto, como é de seu estilo, e declarou – na contramão dos parlamentares trumpistas que festejam o assassinato do líder máximo iraniano – que a agressão ao Irã é inconstitucional e viola o direito internacional, acrescentando: “Isso coloca em risco a vida das tropas americanas e das pessoas na região. Chega de guerras sem fim. O Congresso precisa aprovar a Resolução de Poderes de Guerra”. É uma das vozes minoritárias no Capitólio, mas não é voz isolada.

NÃO É NOVIDADE
 a luta para trazer Donald Trump à Constituição dos Estados Unidos. Em janeiro, o Senado americano aprovou um projeto chamado “Resolução de Poderes de Guerra”, com o voto de vários senadores republicanos, em resposta ao sequestro do presidente da Venezuela e sua esposa, por decisão individual do presidente. A votação surpreendeu Trump, que moveu céus e terra para derrotar a proposta na Câmara dos Representantes. A ideia, em novo formato, retorna ao Congresso, agora em iniciativa bipartidária encabeçada pelo deputado democrata Ro Khanna e pelo deputado republicano Thomas Massie. “O Congresso precisa se reunir já para acabar com isso [o presidente atacar outros países sem cumprir a Constituição]”, declarou Khanna, enquanto Massie reafirmou a inconstitucionalidade trumpista e ironizou o slogan de seu colega de partido: “This is not America First” (isso não é América em primeiro lugar). Minoria? Sim, mas está crescendo e assustando o galego da Casa Branca.

ALEXANDRIA OCASIO CORTEZ, 
deputada por Nova Iorque, chama a atenção para o fato de que o ataque ordenado monocraticamente por Trump, além de inconstitucional, foi “escolha deliberada de agressão quando a diplomacia e a segurança estavam ao seu alcance”. A democrata ressalta uma questão grave em termos de ética, pois os Estados Unidos e o Irã estavam em processo de negociação, com as próximas reuniões já marcadas para Viena, na Áustria. Mesmo considerando a verborragia agressiva típica do presidente americano, ele, através de seus representantes, estava em contato com o governo iraniano, propondo-se a construir entendimentos pacíficos. Nesse quadro – e é para isso que a deputada aponta –, os assassinatos do líder supremo do Irã, de sua família, e de membros importantes do governo persa, significam uma escandalosa punhalada pelas costas, um gesto indigno do governo dos Estados Unidos, mesmo dirigido contra inimigos figadais.

APESAR DO ÓDIO MANIFESTO 
de boa parte dos ianques contra os aiatolás, o Irã, e contra quem quer que queira peitar a Casa Branca, a ação executada no sábado, 28, cutuca uma ferida aberta na alma estadunidense: o ataque dos japoneses contra Pearl Harbor, em 1941. Trump repete Hirohito, 85 anos depois, em trairagem. Qualquer estadunidense que se diga patriota saberá de cor que existia grande animosidade entre Washington e Tóquio antes da base havaiana ser trucidada. Esperava-se o pau quebrar desde 12 de dezembro de 1937, quando foi posto a pique a canhoneira USS Panay, da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, bombardeado pelos japoneses na cidade chinesa de Nanjing. O navio tentava, juntamente com três petroleiros da Standard Oil Company, evacuar cidadãos americanos retidos naquela área ocupada pelo Japão. Mesmo assim, o ataque a Pearl Harbor, sem declaração formal de guerra, é visto como uma facada por trás, e condenado como exemplo da mais vergonhosa deslealdade militar e da mais repugnante covardia que um desafeto possa fazer com outro. Aquele foi “um dia que vai viver na infâmia”, ecoam ainda hoje as palavras do então presidente dos EUA, Franklin Roosevelt. Infame ou infame, eis a questão: essa lição ética só vale para o lado americano?

Leia também: Um mito norte-americano: “A maior democracia do mundo” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/enio-lins-opina_24.html

Arte é vida

 

Severino Borges 

Leia o poema "Não-coisa", de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/palavra-de-poeta_76.html 

Editorial do Vermelho

Pela paz mundial, contra as guerras imperialistas de Trump!
Além de dominar petróleo e conter a China, a guerra contra o Irã busca reverter a tendência que pode levar Trump à derrota nas eleições ao Congresso
Editorial do Vermelho www.vermelho.org.br   
 

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã, com apoio de Israel, tem por objetivo exercer o controle geopolítico, econômico e militar da região e, ao mesmo tempo, cortar os laços do país agredido com a China e a Rússia. Trata-se de um objetivo perseguido há tempos, mas que se intensificou desde 2023, com o genocídio em Gaza, o avanço da colonização da Cisjordânia, os ataques ao Líbano e ao Hezbollah, a deposição do presidente sírio Bashar al-Assad e o enfraquecimento do movimento houthi, no Iêmen.

Essa sequência fez parte da preparação da guerra contra o Irã, detentor da terceira maior reserva mundial de petróleo e uma capacidade militar de defesa considerável, além de exercer controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

Os fatos demonstram que os Estados Unidos desencadearam a guerra deliberadamente, em meio a negociações diplomáticas mediadas pelo Omã. Isso fica evidente na declaração do ministro das Relações Exteriores omani, Badr Albusaidi, ao afirmar que nas conversas realizadas dois dias antes do início da guerra, haviam sido obtidos “avanços reais para um acordo sem precedentes entre Irã e Estados Unidos”. Mas Trump tratou as reuniões como mera fachada. Enquanto dizia negociar, ultimava os preparativos do ataque.

Washington também vinha ignorando o Plano de Ação Conjunto Global, fechado em Viena em 14 de julho de 2015 entre o Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – mais a Alemanha e a União Europeia.

O acordo, feito no governo Barack Obama após dois anos de negociações, previa supervisão internacional do programa nuclear iraniano pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em troca do levantamento das sanções. Trump, em seu primeiro governo, retirou os Estados Unidos do Plano e impôs novas sanções unilaterais. O presidente Joe Biden tentou, sem sucesso, reativar o acordo, e agora Trump adotou a guerra como meio de controle da região.

Em junho de 2025, Trump lançou um ataque militar contra o Irã e chegou a declarar que havia destruído totalmente o programa nuclear iraniano — ação em apoio a Israel, que havia atacado o país. Agora, Trump fez exigências de encerramento da produção de mísseis iranianos, mas foi muito além ao proclamar que o objetivo da guerra é a derrubada do regime.

O assassinato de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, adicionou um componente religioso à agressão estadunidense, levando multidões às ruas em protesto, inclusive em outros países da região. Após os bombardeios, Trump conclamou o povo iraniano a tomar o poder, mas a execução de Khamenei e de sua família teve efeito reverso. Dezenas de milhares de pessoas compareceram ao funeral, mobilizadas por um sentimento misto de fé ultrajada e profundo repúdio à agressão imperialista.

A União Europeia estufou o peito para acusar o Irã de promover ataques “imperdoáveis” e violar a “soberania de vários países da região”, mas foi incapaz de demarcar com a aventura guerreira da Casa Branca. Houve exceções. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, rejeitou a agressão, afirmando que ela “contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil”. Já França e Inglaterra explicitaram apoio à guerra.

Países do chamado Sul Global — especialmente integrantes do BRICS — manifestaram críticas ao ataque. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que “é evidente que, além de buscar a mudança de regime no Irã por meio dos métodos mais inescrupulosos, incluindo o assassinato da liderança de um Estado soberano, Washington e Tel Aviv também estão procurando minar os esforços voltados à normalização das relações entre o Irã e seus vizinhos árabes”.

A China, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores, apoia o direito do Irã de defender sua soberania, independência e dignidade. A manifestação ocorreu após conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, a pedido do representante iraniano.

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou que o Irã não deve se submeter a grandes potências. “O Irã não vai desaparecer, nem vai se render, nem se prestará a ter um regime que seja títere de qualquer outra grande potência”, declarou. “Eu sei que o Irã é um país importante, com personalidade, e acho que ele vai reagir a qualquer tentativa de dominação absoluta.” O Brasil, por meio de comunicado do Ministério das Relações Exteriores, condenou assertivamente o ataque.

Ao contrário do que pretende Trump, o governo iraniano mantém-se resiliente e, após as baixas provocadas pelo ataque, rapidamente recompôs a linha hierárquica de sua estrutura política e de defesa. E, legitimamente, exerce o seu direito de defesa. Mesmo o fechamento do Estreito de Ormuz constitui uma forma de pressão em busca de um cessar-fogo.

O fato é que Trump pretende impor seu ditame com ações cada vez mais violentas. Depois do apoio ao genocídio em Gaza, do tarifaço mundial, do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, das ameaças à Colômbia e à Groelândia e do brutal cerco a Cuba, ele mobiliza agora seu poderio militar no Irã. Ou seja: é a guerra por meios diversos — a essência do neofascismo —, com uma agenda neocolonial explícita. Assim, pretende reverter o declínio do império e conter a ascensão da República Popular da China e a jornada dos povos por soberania nacional.

Há também o fator interno: a queda de popularidade de Trump, vista como tendência negativa para seu campo político nas eleições parlamentares de novembro, com a possibilidade de perder a maioria no Congresso. A guerra é uma aposta arriscadíssima para tentar sustar essa possibilidade.

É uma guerra distante, porém próxima do Brasil. A riqueza colossal do país, evidentemente, desperta a cobiça de Trump. O governo do presidente Lula trava, com êxito, a batalha contra o tarifaço. Mas, sobretudo com o avanço do calendário eleitoral, podem-se esperar mais pressões e ataques. Não apenas o Brasil, mas toda a América Latina e o Caribe estão na linha de mira.

A ameaça ao Brasil torna-se ainda mais real diante do fato de que a Casa Branca dispõe de uma quinta-coluna no país. Como ocorreu no tarifaço, a extrema direita brasileira se ajoelhou diante de Trump e, pela voz de seu pré-candidato Flávio Bolsonaro, endossou integralmente a guerra e criticou a nota do Itamaraty. Os jornalões alinhados ao imperialismo estadunidense, mesmo diante de centenas de vítimas civis no Irã — entre elas mais de cem meninas de uma escola —, aplaudem os bombardeios.

Esse cenário, no qual nenhum país parece estar a salvo das ambições neocolonialistas dos Estados Unidos, reforça a urgência de ações amplas das forças democráticas, patrióticas e progressistas em defesa da paz mundial e contra as guerras imperialistas de Trump.

Um mito norte-americano: “A maior democracia do mundo” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/enio-lins-opina_24.html

8 de Março: palavra da UBM

8 de Março: Avançar na Lei, Fortalecer a Rede, Envolver a Sociedade e os Homens para Salvar Vidas   
 
Todos os dias há sangue de mulheres estampado nos jornais. Todos os dias, vidas são interrompidas pela violência que insiste em atravessar lares, ruas e espaços de convivência. Essa realidade brutal não pode ser naturalizada, nem tratada como estatística.

O 8 de março, símbolo histórico da luta das mulheres por direitos e igualdade, nos convoca a enfrentar com seriedade e urgência o feminicídio e todas as formas de violência de gênero que seguem marcando o Brasil.
 
A violência contra as mulheres é estrutural e exige respostas firmes e articuladas. É dever do Estado avançar no aperfeiçoamento e na aplicação das leis, garantir orçamento adequado e assegurar políticas públicas permanentes e eficazes.
 
Fortalecer e ampliar a rede de proteção é medida urgente. Delegacias especializadas, casas-abrigo, centros de referência e serviços de atendimento psicológico, social e jurídico precisam estar presentes e acessíveis, garantindo acolhimento e segurança às mulheres em situação de violência.
 
Mas é igualmente indispensável envolver toda a sociedade nesse enfrentamento. A transformação dessa realidade passa pela desconstrução do machismo e exige que os homens se desafiem a atuar com responsabilidade humana nessa luta — revendo comportamentos, rompendo silêncios cúmplices e assumindo compromisso ativo na prevenção da violência.
 
As campanhas de denúncia reforçam esse chamado coletivo. O Ligue 180 é um instrumento fundamental de proteção e orientação às mulheres em situação de violência. A mensagem é clara: “Se você não liga, eu ligo!” A omissão também mata.porque a violência não pode mais ser tolerada, nem socialmente, nem institucionalmente.
 
Salvar a vida das mulheres é prioridade nacional. Avançar na lei, fortalecer a rede de proteção, mobilizar a sociedade e convocar os homens à responsabilidade são passos fundamentais para garantir que mulheres vivam com dignidade, segurança e direitos.
 
Nossa luta é pela vida e exige ação concreta, coragem e compromisso coletivo. Não se cale! #8demarco

Humor de resistência

 

Aroeira