Palmeiras vence o Sporting Cristal do Peru por 2 X 0. Palmeiras do Brasil? Pela escalação do time, Palmeiras "da América do Sul"!
Para além das faces visíveis https://lucianosiqueira.blogspot.com/
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
Palmeiras vence o Sporting Cristal do Peru por 2 X 0. Palmeiras do Brasil? Pela escalação do time, Palmeiras "da América do Sul"!
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O debate sobre a escala 6x1 ganhou força no Brasil, especialmente no
comércio e nos serviços. A discussão costuma partir de uma pergunta direta:
reduzir a jornada de trabalho vai reduzir a produção?
A resposta mais honesta é: não necessariamente – e, em alguns casos,
pode ocorrer o contrário. O problema não está no número de dias trabalhados,
mas na forma como a economia brasileira organiza o trabalho. O país convive, há
décadas, com baixa produtividade.
Segundo a OCDE, o Brasil produz por hora trabalhada menos da metade do
que economias como Estados Unidos e Alemanha. Mesmo em comparação com países
que partiram de níveis semelhantes, como a Coreia do Sul, o país ficou para
trás.
Diante disso, em vez de enfrentar causas estruturais – como baixa
incorporação de tecnologia, investimento limitado e organização produtiva
ineficiente –, recorre-se frequentemente a uma solução imediata: ampliar o
tempo de trabalho. O resultado é conhecido: trabalha-se mais, mas sem ganho proporcional
de produção.
A experiência internacional aponta em outra direção. Na União Europeia, a jornada média semanal gira em torno de 37 a 38 horas. Na França, o padrão legal é de 35 horas, e na Alemanha a jornada efetiva também costuma ficar abaixo de 40 horas em vários setores.
Na Ásia, o movimento recente é de contenção de excessos. A Coreia do Sul
limitou a jornada a 52 horas semanais como teto, e o Japão passou a restringir
horas extras. Esses países não estão reduzindo jornadas por acaso. Estão respondendo
ao fato de que economias mais produtivas não dependem de trabalhar mais, mas de
trabalhar melhor. No Brasil, a escala 6x1 se concentra em setores contínuos,
como comércio e serviços. Isso também ocorre em outros países, mas em condições
diferentes. Lá, há mais previsibilidade, melhores salários relativos e maior
proteção.
Aqui, a jornada formal já é longa – próxima de 44 horas semanais – e
frequentemente se estende muito além disso. Dados do IBGE mostram que milhões
de trabalhadores gastam mais de uma hora por dia no deslocamento,
frequentemente ultrapassando duas horas nas grandes cidades. Na prática, uma
jornada de 8 horas pode se transformar em 11 ou 12 horas dedicadas ao trabalho.
Esse tempo adicional não é remunerado, mas reduz o descanso, o convívio
familiar e a possibilidade de qualificação. O impacto é ainda maior para as
mulheres, que dedicam quase o dobro do tempo dos homens ao trabalho doméstico.
Para muitas, a jornada simplesmente não termina. Esse modelo ajuda a explicar
por que a produtividade não avança. Sem tempo para qualificação e com alto
desgaste, o trabalhador permanece em ocupações de baixa produtividade. Forma-se
um círculo vicioso: baixa produtividade leva a jornadas longas, que dificultam
o aumento da própria produtividade. É nesse contexto que a escala 5x2 deve ser
analisada. Longe de representar um retrocesso, a ampliação de jornadas com dois
dias de descanso pode ser um passo importante para reorganizar o trabalho no
Brasil. Ao garantir maior previsibilidade e tempo de recuperação, tende a re
duzir o desgaste e melhorar a produtividade no médio prazo.
Dados de diferentes países indicam que jornadas mais equilibradas não
reduzem necessariamente a produção. Em muitos casos, aumentam a eficiência e
melhoram o desempenho. O que está em jogo não é apenas a escala de trabalho,
mas a lógica econômica. O Brasil não precisa trabalhar mais horas. Precisa
trabalhar melhor. A transição para um modelo baseado em produtividade exige
investimento e coordenação, mas é a única capaz de sustentar crescimento com
melhoria das condições de vida.
Nesse sentido, a escala 5x2 não deve ser vista como custo adicional, mas
como parte de uma agenda de modernização. Porque o problema do Brasil nunca foi
falta de esforço. O problema é que esse esforço ainda rende pouco – e
continuará rendendo pouco sem mudança.
Celso P. de Melo, membro da Academia Pernambucana de Ciências.
Pesquisador do CNPq e Professor Aposentado da UFPE
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Uberização bancária https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sistema-bancario-tecnologia.html
Eu exaltaria Auden,
viajante atormentado,
dialético e bizarro,
e lhe faria uma ode
se a tanto minha perícia
e minha audácia bastassem.
Ou quem sabe, Yeats, numa tarde
feito esta, tão vadia,
possa a leitura da tua
poesia, pura Musa,
inspirar a minha arte
se eu lhe implorar: Poesia,
na prisão destes meus dias
ensina-me a elogiar-te.
[Ilustração: Gilvan Samico]
Vergonhosa a campanha do Estadão contra a redução da jornada de trabalho. Deturpa dados, reúne declarações tendenciosas e mira os ataques em Lula.
Estética imperialista: A política do espetáculo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/estetica-imperialista.html
Quem tem a paciência de me ler aqui no blog já percebeu que não levo muito a sério matérias sobre a saúde da gente nos jornalões do país.
Talvez até devesse prestar atenção, mas a essa altura do meu campeonato
etário o tempo que me resta é preciosíssimo e tenho outra agenda como
prioridade.
Posso até estar perdendo dicas importantíssimas, a exemplo os benefícios
da aveia no enfrentamento do colesterol alto ou da glicemia.
Até consumo aveia — pouco e raramente. É quando Luci a introduz em algum
alimento no café da manhã.
A desimportância que dou a essas matérias tanto tem a ver com o meu
próprio conhecimento médico, hoje rarefeito, que no transcorrer do tempo tem
contrariado alardeados achados científicos. O que é hoje já não é mais amanhã e
pode até voltar a ser um pouco mais adiante.
De toda forma, imagino muito mais sensato ler algumas páginas do livro
do momento que tenho sobre a minha mesa de trabalho do que gastar tempo com
tanta descoberta frágil e incerta.
Minha mãe diria: "Eu, hein?"
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As mobilizações pelo fim da escala 6×1 estão cada vez mais fortes. No 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, os atos pelo Brasil elencaram como principal tema o pedido de mudança na escala sem redução de salários. O governo Lula já havia incorporado para si essa luta ao enviar para o Congresso Nacional um projeto de lei para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais com a garantia de dois dias de descanso remunerado e proibindo qualquer redução salarial. A iniciativa visa estabelecer uma escala 5×2 e colocar fim à tão exploratória escala 6×1, que tanto rouba a vida dos trabalhadores.
Para dar ênfase à luta, o governo lançou no domingo (3) uma campanha nacional de comunicação sobre o tema. As inserções serão veiculadas em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional. O slogan da campanha é: “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a proposta visa conscientizar empregados e empregadores sobre a importância do maior convívio com a família e do convívio social, ao mesmo tempo em que se acompanham as transformações do mundo. Do ponto de vista econômico, também há benefícios aos empresários, a partir de ganhos de produtividade e menor rotatividade de funcionários.
Impacto
A iniciativa, caso seja aprovada, deverá impactar cerca de 37,2 milhões de pessoas que hoje estão na jornada de 44 horas semanais, com base em um universo de 50,2 milhões trabalhadores celetistas, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Desse montante, 14,8 milhões fazem escala 6×1 e 1,4 milhão de domésticas faz escala 6×1. Ou seja, pela diminuição da carga horária para até 8 horas diárias em cinco dias da semana, grande parte dos celetistas brasileiros será beneficiada, ao menos por uma das mudanças (redução da jornada e nova escala). O texto do governo indica que os trabalhadores terão direito a dois repousos semanais remunerados de vinte e quatro horas consecutivas cada, com preferência aos sábados e domingos. No entanto, existe a ponderação de que os dias de repouso poderão ser definidos em negociação coletiva devido às peculiaridades de cada atividade (como comércio, saúde e transportes).
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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html