20 março 2026

Palavra de poeta

Aprendiz

Adélia Maria Woellner     

Nasci de outras terras, 
vermelhas como a cor do sol 
da tarde 
anunciando estiagem. 
Foi longa e árida 
a viagem. 
Pés crestados 
na terra partida, 
ressequida 
de húmus e de vida. 
Porém, sobrevivi… 

Nasci de outras águas, 
fecundada fui 
no encontro das ondas com os rochedos. 
Por isso, 
cresci sem medos, 
mas parti os lábios 
no sal e no sol. 
Não pude sorrir, 
porém, sobrevivi… 

Surgi de outros ventos. 
Fui gerada em tufões, 
mas nasci do ventre da brisa. 
Rodopiei em rodamoinhos 
e fustiguei folhas, flores e frutos. 
Provei sabores 
doces e amargos… 
Corri mundos e não pude parar. 
Cansei, 
mas sobrevivi… 

Apareci assim, 
de repente, 
como salamandra entusiasmada. 
Vesti-me de cor e calor, 
lambi a casca da madeira seca 
e enxuguei o tronco úmido de lágrimas. 
Fogo incontrolado, 
querendo alcançar o céu, 
queimei e me consumi, 
vendo meu pranto arder ao léu. 
Mesmo assim, 
sobrevivi… 

Agora, sou como sou. 
Estou reaprendendo a viver.

[Ilustração: Tereza Costa Rêgo]

Leia também: "Bolas de vidro", poema de Cida Pedrosa  "https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_63.html 

Fotografia


Guido Sunnemann

“Sala de espera", uma crônica de Luis Fernando Veríssimo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/uma-cronica-de-luis-fernando-verissimo.html

Ignorância trivial

Biquíni de lacinhos
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65      

Vi de relance e guardei na memória no correr do dia notícia, creio eu, em revista de costumes: “morre o inventor do biquíni de lacinhos”. 

Trata-se de David Azulay, estilista renomado, conforme leio no início da matéria. 

Aqui registro meus sentimentos aos familiares e amigos. 

E não nego a minha absoluta ignorância na matéria da qual se ocupava o falecido. Tanto que até hoje tinha para mim que ninguém inventara o biquíni de lacinhos, imaginava ter surgido espontaneamente quando mulheres em meio a passos libertários resolveram acrescentar lacinhos à minúscula vestimenta. 

É a vida, como diria minha neta quando ainda entre 5 e 6 anos de idade. As coisas acontecem ora por acaso, ora por ato criativo consciente de homens e mulheres predispostos ao novo. 

Vivendo e aprendendo.

Leia: Há vida a milhões de anos luz? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/09/vida-milhoes-de-anos-luz.html

Trump: nacionalismo étnico

O nacionalismo trumpista e a colonização do espaço doméstico dos EUA
As políticas migratórias do trumpismo representam um deslocamento sísmico de um nacionalismo cívico, tradicionalmente observado nos EUA (ao menos em termos formais), para um nacionalismo étnico e agressivo
Tatiana Vargas-Maia/Le Monde Diplomatique    

Pode parecer contraditório descrever o processo de controle migratório de um Estado com território historicamente consolidado como uma dinâmica de construção nacional, ou mesmo de colonização interna. Todavia, a hipótese que quero avançar neste texto é exatamente esta: o que observamos contemporaneamente nos EUA, sobretudo a partir da atuação do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (United States Immigration and Customs Enforcement – ICE) no segundo governo de Donald Trump, configura um projeto de redefinição da nação estadunidense.

Tradicionalmente, a política de imigração dos EUA é analisada sob a ótica da gestão de fronteiras, da regulação do mercado de trabalho ou da segurança nacional –perspectivas que podem ser consideradas normais para a maioria dos Estados contemporâneos. No entanto, o movimento de controle migratório desencadeado na segunda gestão de Trump representa uma mudança significativa neste panorama: não é apenas um processo de endurecimento do controle das fronteiras ou da administração de imigrantes que já se encontram no país, mas, efetivamente, uma tentativa deliberada de redefinir a própria composição étnico-racial da nação estadunidense.

As políticas migratórias do trumpismo representam um deslocamento sísmico de um nacionalismo cívico, tradicionalmente observado nos EUA (ao menos em termos formais), para um nacionalismo étnico e agressivo. Mais do que proteger as fronteiras nacionais, este projeto político opera por meio de uma lógica de colonização interna: um esforço do governo para reconfigurar o espaço doméstico, purificando-o de elementos considerados exógenos à nação dos EUA e buscando homogeneizar aquela sociedade. Para além da orientação para o espaço doméstico, esta obsessão pela reconstrução de uma nação etnicamente pura projeta-se para o internacional, reconfigurando também a política externa dos EUA, que passa a apresentar, de forma mais explícita, uma postura internacional de hostilidade e isolacionis mo beligerante.

Para compreender a magnitude desta mudança, é necessário revisitar o consenso do pós-Segunda Guerra Mundial sobre a identidade nacional estadunidense. Durante décadas, os EUA projetaram-se como uma nação proposicional, fundamentada em um nacionalismo cívico. Nesta concepção, ser estadunidense não dependia de sangue, raça ou religião, mas sim da adesão, do compartilhamento e da participação a um credo político comum: a Constituição, a democracia e o Estado de Direito, ou seja, as instituições fundadas no pós-independência (1776) e estabelecidas no pós-Guerra Civil (1861-1865). O Caldeirão Cultural estadunidense (Melting Pot), que preconizava a construção daquela nação a partir da fusão voluntária de pessoas de diferentes origens e tradições cultur ais, embora falho na prática e permanentemente desafiado por grupos supremacistas de extrema direita, era o ideal normativo que pautava a organização institucional da sociedade dos EUA.

O trumpismo rompe com essa tradição ao introduzir, com vigor renovado, um nacionalismo étnico como princípio central da identidade nacional dos EUA. Nesta visão, a nação não é um projeto político aberto à adesão voluntária, mas uma entidade cultural e demográfica fixa, enraizada em uma herança étnica específica (branca e europeia) que precisa ser protegida contra a diluição e a poluição (ou seja, a assimilação de minorias culturais e a miscigenação com outros grupos étnico-raciais).

A retórica da invasão é uma peça central para a compreensão desta proposta. Quando lideranças políticas enquadram a migração como uma invasão, alteram fundamentalmente a natureza do debate. O imigrante deixa de ser um potencial cidadão ou um ator econômico para se tornar um invasor. Esta linguagem beligerante legitima medidas de exceção. Se o país está sendo invadido, então a resposta não é o processo legal administrativo, mas a defesa territorial militar. Assim, a presença do imigrante, documentado ou não, é reconfigurada como uma ameaça existencial à soberania popular, pavimentando o caminho para que o governo atue não apenas contra estrangeiros presentes em seu território, mas também, como observado nos últimos meses, contra cidadãos que não se encaixam nos critério s de pertencimento nacional agora então redefinidos a partir da chave étnico-racial.

A manifestação prática deste processo pode ser compreendida como uma colonização do espaço doméstico e descreve a inversão da lógica estatal: o governo deixa de proteger os habitantes do seu território para tratar o próprio interior do país como uma fronteira hostil a ser domada. Sob a lógica trumpista, a fronteira deixa de ser uma linha estática demarcada geograficamente e passa a ser móvel, seguindo as redefinições étnico-raciais do governo sobre a população presente no território. Ela se move para o interior, reconfigurando o espaço público por meio de quatro mecanismos principais: o emprego de tecnologia digital para o rastreamento de pessoas e grupos, o estabelecimento de um complexo de centros de detenção, a consolidação de uma força policial para a ocupação e o contro le do espaço doméstico e a instauração de uma política do medo.

A primeira ferramenta desta colonização é tecnológica. A construção do muro, tão anunciada durante a campanha eleitoral de 2016, não é apenas física, mas agora também é digital. Por meio da expansão massiva de tecnologias de vigilância, como o reconhecimento facial, a coleta de dados biométricos e o monitoramento de redes sociais, o governo cria um panóptico digital voltado às comunidades imigrantes e às minorias étnico-raciais. O uso de tornozeleiras eletrônicas e de aplicativos de rastreamento para imigrantes em processo judicial transforma o próprio corpo do indivíduo na fronteira. Onde quer que o imigrante vá, a fronteira o acompanha. Esta vigilância de dados permite ao governo exercer controle sem a necessidade de encarceramento físico imediato, criando uma prisão a céu aberto em que a liberda de de movimento é ilusória.

Paralelamente à vigilância, ocorre uma expansão física da infraestrutura de detenção, que funciona como enxertos coloniais na metrópole. O sistema de detenção de imigrantes nos EUA (frequentemente gerido por empresas privadas com fins lucrativos) tende a ser localizado em áreas rurais e remotas. Esta geografia isola os detidos do acesso a advogados, à visibilidade da mídia e às redes de apoio comunitário. Tais centros constituem espaços no território nacional em que os direitos constitucionais são suspensos. Ao segregar fisicamente milhares de pessoas, o governo realiza uma higienização étnico-racial do espaço social, tratando seres humanos como excedentes indesejáveis a serem armazenados antes da expulsão.

A colonização do espaço doméstico exige uma força de ocupação. Isto é alcançado por meio da fusão entre o direito penal e o direito migratório, um fenômeno conhecido como crimigração. Programas como o 287(g), que conferem a policiais locais capacidades de agentes de imigração, dissolvem a distinção entre a polícia civil e a polícia de imigração. Quando a polícia local atua como braço do ICE, qualquer infração de trânsito pode se tornar um gatilho para a deportação. Isso militariza a sociedade civil: escolas, igrejas e hospitais, tradicionalmente zonas de segurança, tornam-se locais de risco.

Por fim, a colonização interna também articula uma dimensão emocional. A ameaça constante de revogação de status legais (como o ataque ao Dream Act e a retórica contra a cidadania por nascimento) serve para produzir novas ilegalidades, convenientes ao processo de homogeneização nacional. O governo remove ativamente o tapete jurídico que protege residentes legais, transformando vizinhos em invasores por decreto administrativo. Este mecanismo aposta na criação de um ambiente doméstico hostil. O medo torna-se uma ferramenta de governança, maximizando ameaças (frequentemente imaginárias) para fins políticos pouco democráticos.
 

Subjacente a estas iniciativas de reengenharia da sociedade dos EUA está a lógica da Grande Substituição (Great Replacement), uma teoria conspiratória de movimentos supremacistas brancos de que elites globais estão orquestrando a substituição da população branca e cristã dos países do Norte por imigrantes do Sul Global. Embora nem sempre explicitada, essa teoria orienta a rejeição ao multiculturalismo. O veto a viajantes de países muçulmanos (Muslim Ban) e a preferência declarada por imigrantes de países como a Noruega, em detrimento de “países de merda” (a forma como Trump escolheu se referir ao Haiti e ao El Salvador em declaração proferida em janeiro de 2018), revelam um desejo de engenharia social racializada.

Ao tentar purgar a coletividade de indivíduos e grupos considerados não assimiláveis, o projeto trumpista busca criar uma sociedade em que estadunidense seja sinônimo de um perfil cultural e linguístico específico: branco, cristão, de origem europeia. É uma rejeição frontal ao pluralismo democrático em favor de uma identidade homogênea, forçada pela coerção estatal.

Ainda que a tendência geral seja a de analisar os processos supracitados como uma dimensão puramente interna da política dos EUA, é relevante destacar que, historicamente, observa-se uma correlação entre a forma como uma nação trata os seus residentes internos, estrangeiros ou minorias étnico-raciais, e sua postura no sistema internacional. A lógica de colonização interna e de homogeneização nacional não para na fronteira; ela transborda, gerando uma política externa agressiva e paranoica.

Se a premissa deste processo de colonização interna é que o país está sob cerco de forças estrangeiras que já penetraram o território, a atitude internacional decorrente de tal premissa é de profunda desconfiança. O mundo exterior deixa de ser um espaço de potenciais parcerias mutuamente benéficas para se tornar uma fonte de contaminação e de ameaça. O multilateralismo é substituído por uma visão de soma-zero: para os EUA ganharem, os outros devem perder. Esta mentalidade justifica o abandono de tratados internacionais, o desprezo por organizações como a ONU e a OTAN, e uma abordagem transacional nas relações exteriores. A agressividade interna necessária para deportar milhões requer uma desumanização que, quando projetada externamente, resulta em uma política internacional insensível &ag rave;s crises humanitárias e desdenhosa dos direitos humanos. O nacionalismo de homogeneização étnico-racial parece criar um Estado que se vê como vítima do mundo, justificando, paradoxalmente, que atue como agressor no sistema internacional.

Em suma, as políticas de imigração da era Trump não devem ser vistas como um fenômeno isolado de gestão pública, ou como uma distração para outras questões, mas sim como a ponta de lança de um projeto de reengenharia social de alcance nacional e projeção internacional. Ao transitar formalmente do nacionalismo cívico para o étnico, o atual governo estadunidense adota uma postura de colonização interna, tratando o próprio território do país como um campo de batalha em que a homogeneidade deve ser imposta à força por meio da tecnologia, do encarceramento e da militarização da sociedade civil. Este processo tem custos devastadores. Internamente, corrói o tecido social e os direitos civis, criando uma casta de subcidadãos e normalizando a violência estatal. Externamente, transforma os EUA em uma na&cce dil;ão entrincheirada, cuja insegurança identitária se manifesta em agressividade geopolítica, um processo com potencial para reconfigurar as relações internacionais contemporâneas.

Tatiana Vargas-Maia é professora do Bacharelado em Relações Internacionais do Departamento de Economia e Relações Internacionais (DERI), da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para o Irã, vencer é simplesmente não ser vencido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/ira-guerra-prolongada.html

Humor de resistência

 

Hector

Na política, terceira via? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/abraham-sicsu-opina.html 

Dica de leitura

O livro "Rio Vermelho — Raízes potiguares do Brasil democrático e progressista desde o Levante de 1935", do jornalista e historiador Oswaldo Bertolino, é uma obra fundamental para compreender a história política do Rio Grande do Norte e sua conexão com a luta pela democracia no Brasil.

E com a história do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB.

Como se sabe, Natal se tornou, então, a primeira capital brasileira a ter um governo popular e revolucionário (ainda que por apenas quatro dias) fruto da insurreição encetada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), sob a direção dos comunistas.

Os acontecimentos de 1935 aos dias que correm, várias são as relações estabelecidas no texto de modo a que o leitor possa compreender a linha do tempo em que se inserem as lutas democráticas e populares no Brasil e a saga do Partido Comunista em particular.

Uma leitura necessária.

Rio Vermelho – raízes potiguares do Brasil democrático e progressista desde o Levante de 1935. Oswaldo Bertolino, Editora Anita Garibaldi, 2022.

Abraham Sicsu opina

Trump precisa da guerra
Abraham B. Sicsu     

Queria ser Nobel da Paz. Disse ter acabado com 8 guerras. Analistas questionam. Sua prática também. Invadiu a Venezuela. Asfixia Cuba, inclusive com a falta criminosa de energia e de alimentos. A bola da vez é o Irã.

Irã do regime fundamentalista teocrático. Irã que financia e se apóia em cruéis grupos terroristas. Irã do tratamento desumano a mulheres. Irã que em seus documentos explicita o objetivo de destruir Israel. Não dá para ignorar ou contemporizar, seu regime atual é uma ameaça real e perversa a um mundo que precisa ser menos belicoso, mais humano e fraterno. Mas, a questão deste texto não é essa.

O diretor do Centro Nacional de Contra Terrorismo dos EUA, renuncia ao cargo. Segundo a CBN, Kent critica a guerra com o Irã e afirma que não era uma ameaça iminente, sendo assumida, principalmente, por pressões externas, baseadas nos interesses de Israel.

Falso, Trump precisa da guerra. Defende seus próprios interesses. Inclusive comprometendo a estabilidade social e econômica do mundo como um todo.

Evidentemente que Netanyahu agradece. Vem ao encontro de seus objetivos, inclusive postergando os julgamentos de crimes nos quais pode ser condenado na Justiça de Israel e do mundo. Mas, não se enganem, Trump não entrou nesta guerra sem ter muito claros os resultados que espera para si.

Construir uma narrativa é fundamental para o momento que se atravessa. Desviar o foco da crise interna americana e mostrar que a força é a arma dos poderosos faz parte de um processo planejado. Em que quer apresentar a América do Norte como líder poderoso do mundo.

A promessa de campanha era que haveria um crescimento vertiginoso da economia americana. Não a largo prazo, mas imediatamente. Com isso, empregos de qualidade retornariam, a massa salarial aumentaria. Não parece o que vem acontecendo neste início de ano.

O “tarifaço” teve um efeito perverso e a inflação começou a crescer. O produto interno bruto não parece estar reagindo nas proporções esperadas. O custo de vida aumentou e a classe trabalhadora começa a protestar.

Foi prometido estancar o processo de desindustrialização e repatriar investimentos industriais para melhoria das condições internas. Com o tarifaço se conseguiu pouco e com o Judiciário considerando-o ilegal, menos se deve avançar. A não ser a deterioração das contas públicas do próprio governo americano.

A concorrência com a China seria estancada e medidas altamente protetivas fariam com que os Estados Unidos ficassem em primeiro lugar. Outro ponto não alcançado e difícil de avançar. A dependência americana de produtos asiáticos faz com que a situação pouco se modifique.

Apesar do crescimento do PIB de 2,2% em 2025, a economia perdeu força no final do ano, com temores persistentes de estagflação (inflação alta com recessão). Analistas alertam para riscos de recessão com a volatilidade do petróleo. O mercado imobiliário enfrentou em 2025 seu pior ano de vendas em quase três décadas, com um alto número de hipotecas ativas.

Lembrar, também, que nos EUA é ano de eleição de meio de mandato. E a maioria nas duas Casas dos Republicanos está ameaçada.

“Uma pesquisa conjunta do The Washington Post, ABC News e Ipsos revelou em 25 de fevereiro de 2026 que o entusiasmo eleitoral entre apoiadores democratas supera em 14 pontos percentuais o dos eleitores republicanos. Maior diferença nas pesquisas de anos recentes.”

O uso do gasto público e da corrida tecnológica associada à gastos com a defesa como motor de crescimento pode ser uma alternativa para estancar essas variáveis. Nisso Trump aposta e está se estruturando para auferir resultados. Inclusive de financiamento para futuras campanhas. Nada melhor que uma guerra para justificá-los.

Também, bom ter em mente que as Big Techs foram as grandes financiadoras da campanha do presidente americano. Os esforços de guerra aceleram em muito os investimentos em Inteligência Artificial. E isso muito interessa a estas empresas.

O valor de mercado das empresas ligadas à IA cresceu de forma explosiva na última década, e hoje as maiores empresas do mundo estão diretamente associadas às expectativas de lucros futuros dessa tecnologia.

 “Juntas, essas gigantes já representam um valor equivalente a mais da metade do PIB americano. Esse boom tem sido alimentado por investimentos colossais: estima-se que as empresas de tecnologia planejem gastar, nos próximos cinco anos, mais que o PIB americano em desenvolvimento de novas plataformas e produtos.”

O perigo, ressaltado pela grande maioria dos analistas do mercado financeiro, é que haja um estouro da Bolha, dada a valorização desproporcional desses ativos frente à demanda e novos investimentos. Se isso é uma possibilidade, a aposta do governo americano é poder postergar esse evento e minimizar possíveis impactos com recursos massivos do governo nas empresas desenvolvedoras e implementadoras de novas plataformas e algoritmos. 

Nesse cenário, criar um inimigo externo e deflagrar uma guerra torna-se uma forma desesperada de administrar a frustração social sem enfrentar suas causas profundas. Por um lado, a guerra mascara o fracasso econômico, por outro permite esforços midiáticos no sentido de aumentar o ufanismo e a falsa crença de que os EUA retomam a liderança do processo mundial.

O desastre de Trump no Oriente Médio https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/oriente-medio-trump-atira-no-proprio-pe.html