10 agosto 2026

Palavra de Lula

Lula ataca juros e diz que quem decide taxa não sabe como vive o povo
O presidente participou do evento dos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), neste sábado (8), em Taboão da Serra (SP)
Iram Alfaia/Vermelho     

Ao discursar no evento pelos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), neste sábado (8), em Taboão da Serra (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar os altos juros praticados no país, cuja taxa foi ajustada pelo Banco Central (BC) em 14% ao ano, uma das maiores do planeta.

“Quando eu vim para cá de helicóptero, eu vinha comentando com um companheiro da Aeronáutica que estava comigo para ele dar uma olhada na casa dos pobres. Acha que alguém que decide a taxa de juros sabe como é que vive esse povo? Não sabe”, disse o presidente.

Lula também se dirigiu ao mercado financeiro: “Ou quando a Faria Lima fica cobrando ajuste fiscal não sei das quantas, eles sabem o que é isso? Eles não têm noção. Porque para eles o pobre é um número, e a diferença é que, pra gente, é um homem e uma mulher”, afirma.

Segundo ele, é preciso “continuar fazendo as coisas para priorizar as pessoas mais necessitadas”. “Estou muito orgulhoso porque, finalmente, nós fomos reconhecidos como um país que saiu do baixo nível de desenvolvimento humano. Nós somos hoje um país que está entre os de alto nível de desenvolvimento humano. Estamos com mais de oito pontos”, comemora.

“Eu queria que vocês estudassem no momento da eleição, que vocês pegassem a história do Brasil, de todos os presidentes da República, do marechal Deodoro da Fonseca até a gente chegar em 2003. Por favor, façam isso, para a gente ter a consciência de quem foi o presidente desse país que mais se preocupou com o povo, com aqueles que precisavam de inclusão social. Façam esse estudo, porque está na hora de a gente mostrar a verdade”, disse.

No evento, que contou com a presença na plateia do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), o presidente também destacou a atual política habitacional.

“Quando comecei a tentar fazer um programa habitacional, o máximo que os empresários diziam que podiam fazer era de 200 mil casas. Nós chegamos a um milhão no primeiro ano. E agora vamos chegar a 3 milhões de casas contratadas até dezembro deste ano”, disse.

Lula afirmou que o país precisa continuar construindo moradias, mas também necessita gerar emprego de qualidade. “Daí por que a minha obsessão pela educação”, diz Lula.

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Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html 

Postei nas redes

No britânico Financial Times, a avaliação de que Donald Trump vive o drama de intensificar a guerra ou aceitar acordo nos termos propostos pelo Irã.

Trump com poucas cartas na mão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html 

Palavra de poeta

O Vento na Ilha
Pablo Neruda     

Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.
Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.

[Ilustração: Marc Chagall]

Leia também: "Lunares leoninos", poema de Andréia Carvalho Gavita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_01948557890.html 

09 agosto 2026

Minha opinião

Livros a granel
Luciano Siqueira 

Leio agora que o escritor francês Régis Debray lançará mais um livro, aos 86 anos. Já escreveu 70, desde o primeiro, nos anos 60, "A Revolução da Revolução", empolgado com a guerra de guerrilhas que havia permitido Fidel Castro e o povo cubano alcançarem o poder. 

Só li o primeiro, exatamente este. Travava-se um debate entre militantes do movimento estudantil filiados a distintos partidos políticos de esquerda, então clandestinos, e nós da AP (onde militei antes de ingressar no PCdoB) discordávamos dos conceitos expostos pelo autor. 

Uma interpretação equivocada do verdadeiro curso da Revolução Cubana, dizíamos.

Então tem mais 69 obras e as desconheço! Tudo bem, nem todo leitor voraz é perfeito...

O que me impressiona é o volume da produção de Regis Debray. 

Se fosse autor de romances policiais, como Agatha Christie, tudo bem. Uma história puxa outra, como dizemos nós os nordestinos. 

Mas Debray navega por temas os mais distintos — da revolução popular à mediologia (análise dos resultados do uso de ferramentas técnicas, suportes materiais e instituições na transmissão de conceito e na construção de autoridade cultural, leio no Google).

Até a religião tem sido objeto de seus escritos, no caso, o papel político que pode exercer em diferentes sociedades. 

Tudo bem, vão daqui meus aplausos a autor tão profícuo. Mas, a essa altura da vida, já não tenho tempo para adentrar em tamanha produção literária. Outras prioridades me atraem.

Foto: LS

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Leia também: "Subir no vaso para quê?" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_0806947145.html 

C&T: palavra de Luciana

Luciana exalta Inpe, soberania tecnológica e dados contra negacionismo
Nos 65 anos do órgão, ministra Luciana Santos destaca transparência de dados, novo supercomputador e recomposição de quadros após 12 anos sem concursos
Cezar Xavier/Vermelho
 
 

Em cerimônia marcada pelo simbolismo político e científico, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) celebrou seus 65 anos em São José dos Campos (SP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. O evento, no entanto, transcendou o caráter festivo: serviu como palco para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, reafirmar a ciência como pilar de soberania nacional e como principal antídoto contra o negacionismo ambiental no Brasil.

Ao apresentar os dados do sistema DETER referentes a julho de 2026, a ministra destacou a trajetória de redução do desmatamento e o retorno da transparência estatal, contrastando o atual governo com os anos recentes de obscurantismo e ataques à instituição

Ciência como antídoto ao obscurantismo

A fala de Luciana Santos foi enfática ao defender a evidência científica como base inegociável para políticas públicas. “Aqui a gente não esconde números. Pode ser por bom ou por mal, a gente está aqui para enfrentar a situação como ela é”, afirmou a ministra.

Luciana revela uma estratégia clara do governo: utilizar a precisão do monitoramento por satélites não apenas para fiscalizar, mas para blindar o Brasil de críticas internacionais infundadas. A integração entre a inteligência do INPE e a ação de controle do Ibama foi citada como exemplo prático de um “pacto federativo” que envolve União, estados e municípios na proteção dos biomas. 

Constelação de satélites e “nuvem soberana”

Um dos pontos altos da análise tecnológica apresentada pela ministra foi o conceito de “constelação de satélites” que garante a autonomia do país no monitoramento de seu próprio território. A frota inclui o Amazônia-1, totalmente nacional, e os satélites CBERS-4 e 4A, frutos de uma parceria histórica de quase quatro décadas com a China.

Mais do que a captação de imagens, Luciana Santos destacou o processamento dessas informações. Ela apresentou o Brasil Data Cube, uma infraestrutura computacional descrita como uma “nuvem soberana”. “Desenvolvida aqui pela inteligência brasileira, baseada em tecnologias abertas e nacionais, garantindo transparência e autonomia”, explicou. A ministra fez questão de frisar que tanto a nuvem quanto os algoritmos de inteligência artificial aplicados no monitoramento são frutos de engenharia nacional, consolidando a soberania tecnológica como requisito para a soberania territorial.

Supercomputador Jaci e renovação de quadros

O evento também serviu para anunciar saltos de infraestrutura e de capital humano. Com aportes da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o INPE modernizou laboratórios e ampliou sua capacidade de supercomputação. A ministra apresentou o supercomputador “Jaci”, que supera em potência o antigo “Tupã”, brincando que “a mulher veio para superar” e aposentar o equipamento anterior.

No âmbito dos recursos humanos, a cerimônia celebrou o fim de um longo período de sucateamento. Após 12 anos sem recomposição de seus quadros, o instituto recebeu 150 novos servidores aprovados em concurso público. Para a gestão do MCTI, a renovação de talentos é a única garantia de que a excelência do INPE — responsável por produtos estratégicos como o Prodes e o DETER — perdurará pelas próximas décadas.

Ao encerrar seu discurso, Luciana Santos sintetizou o projeto de país em curso: “É a ciência e o meio ambiente de mãos dadas”. A mensagem deixada nos 65 anos do INPE é a de que a proteção da Amazônia e dos demais biomas brasileiros deixou de ser apenas uma pauta ecológica para se consolidar como uma questão de segurança nacional, inteligência de dados e desenvolvimento tecnológico autônomo.

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html

Arte é vida

 

Nikolai Petrovich Bogdanov

08 agosto 2026

Palavra de poeta

O fim no começo
Carlos Drummond de Andrade    

A palavra cortada
na primeira sílaba.
A consoante esvanecida
sem que a língua atingisse o alvéolo.
O que jamais se esqueceria
pois nem principiou a ser lembrado.
O campo – havia, havia um campo?
irremediavelmente murcho em sombra
antes de imaginar-se a figura
de um campo.
A vida não chega a ser breve.

[Ilustração: Burle Marx]

Leia também: "a parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html