18 setembro 2026

Em cima do lance

Onde Vorcaro cresceu?
Luciano Siqueira   
 

A todo instante a extrema direita tenta ligar o governo Lula às transações corruptas do banqueiro Daniel Vorcaro, com a ajuda da mídia neoliberal dominante, em plena campanha.

Nesse cenário, oportuna a declaração de Lula de que Vorcaro virou banqueiro justamente no governo Bolsonaro e no seu governo tornou-se presidiário.

O artigo publicado no Brasil 247 aborda as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Demais, Lula sublinhou que o governo não busca fechar instituições bancárias de forma arbitrária, mas que qualquer banco que cometa irregularidades ou descumpra as exigências legais e regulatórias sofrerá as sanções devidas, incluindo a encerramento das atividades.

Do homem da mala para 'Dark Horse' https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/em-cima-do-lance.html   

Palavra de poeta

Assim

Charles Simic    


O longo dia terminou, no qual tanto
E tão pouco aconteceu.
Grandes esperanças foram frustradas,
Depois, com pouco entusiasmo, restauradas mais uma vez.

Espelhos ficaram animados e esvaziados,
Obedecendo aos caprichos de uma chance.
Os ponteiros do relógio da igreja moveram-se
Às vezes de maneira suave, às vezes violentamente.

Noite caiu. O cérebro e seus mistérios
Aprofundaram-se. O letreiro vermelho neon
FOGOS DE ARTÍFICIO À VENDA veio do telhado
De um deprimente prédio antigo do outro lado da rua.

Um vaso de planta quase sem folhas
O qual ninguém jamais molha ou presta atenção
Lançou sua sombra na parede do quarto
Com o que me parecia uma alegria selvagem.

[Ilustração: Amadeo de Souza-Cardoso]

Leia também: "Homem comum", poema de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_01601986954.html 

BRICS: um passo adiante

A cúpula dos BRICS na Índia: resultados políticos e financeiros
A reunião foi bem-sucedida, marcada sobretudo pela aproximação entre os anfitriões e a China
Paulo Nogueira Batista Jr./Vermelho   

Os líderes dos BRICS reuniram-se há pouco em Nova Delhi para sua cúpula anual. Não por acaso, o evento atraiu atenção mundial. Os BRICS constituem um dos principais mecanismos internacionais atualmente existentes, já superando em importância e efetividade dois grupos do mesmo tipo, mais antigos – o G7 e o G20.

O peso dos BRICS decorre da dimensão dos seus integrantes. Dele fazem parte, os dois países mais populosos do planeta (Índia e China); três dos cinco maiores países em extensão territorial (Rússia, China e Brasil); e cinco das maiores economias do mundo (China, Índia, Rússia, Indonésia e Brasil). Outra característica marcante – o grupo inclui os três países que estão em confrontação com o Ocidente coletivo – a China, a Rússia e o Irã.  A movimentação dos BRICS é acompanhada com preocupação em Washington e nas capitais europeias. Donald Trump já ameaçou os BRICS diversas vezes, tentando assustar os integrantes mais medrosos ou mais vulneráveis do grupo.

Resultados político-diplomáticos da cúpula de Nova Delhi

A cúpula de Nova Delhi foi bem-sucedida. Há pelo menos três motivos político-diplomáticos para dizer isso. Primeiro, o comparecimento. Quase todos os líderes dos 10 países do grupo – inclusive Vladimir Putin e Xi Jinping – estiveram presentes. As exceções foram os líderes do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos. O presidente Lula, em plena campanha pela reeleição, não pôde fazer a longa viagem. A sua ausência foi certamente sentida – Lula é um dos fundadores dos BRICS e vem tendo participação ativa no grupo – mas todos entenderam, claro, que a questão era de força maior.

Segundo motivo: os 10 países conseguiram chegar a uma declaração comum, algo que nem sempre acontece nessas reuniões internacionais. Não é incomum que divergências em questões importantes impeçam um comunicado conjunto. Foi um desafio e tanto. O comunicado teve nada menos que 140 parágrafos, cobrindo todos os temas relevantes para o mundo e para os BRICS. É notável que um grupo heterogêneo, do qual são membros por exemplo Irã e Emirados Árabes Unidos, países eminentemente antagônicos, tenha chegado a uma declaração conjunta tratando, entre muitos outros temas espinhosos, da guerra contra o Irã e da tragédia humanitária na Palestina.

Terceiro motivo, este talvez o mais importante: em Nova Delhi, confirmaram-se sinais anteriores de aproximação entre China e Índia. Houve longa reunião bilateral entre Narendra Modi e Xi Jinping, dando sequência a alguns movimentos de pacificação ocorridos ao longo de 2026. Isso é de significado estratégico, não apenas para os dois países, mas também para os BRICS e para o Sul Global como um todo. De fato, as divergências e tensões entre China e Índia, motivadas principalmente por disputas territoriais nos Himalaias, vêm obstruindo a atuação dos BRICS há vários anos. As disputas são antigas e culminaram numa guerra entre os dois países em 1962, vencida pela China. A ninguém escapa que a pacificação é um processo complexo e demorará a ser alcançada, mas o importante é que começou.

Por que foi possível a aproximação China-Índia em 2026? Uma razão, talvez a principal, é que a Índia foi pega de surpresa pelos diversos ataques ou ameaças de ataques tarifários da parte do governo Trump. Até 2025, a Índia imaginava ter uma relação especial com os EUA e contava com apoio estado-unidense como contraponto às rivalidades com a China. Os indianos perceberam agora que a relação especial era ilusória, pelo menos em parte. Ficou claro, assim, que a Índia nada ganha mantendo-se distante da China para angariar a boa vontade dos EUA.

Trilha financeira dos BRICS

Os três aspectos – comparecimento dos líderes, a declaração conjunta e a aproximação China-Índia – são do terreno político-diplomático. Mas os BRICS – e esse é mais um ponto forte do grupo – vão além desse terreno e têm atuado em questões econômicas de vários tipos. Entre essas questões, destacam-se as da trilha financeira. Vou comentar brevemente as iniciativas principais do grupo nessa trilha – o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) e o sistema de pagamentos transfronteiriços (o BRICS Pay).

O NBD, mais conhecido como Banco dos BRICS, tem sede em Xangai e é, de longe, a mais importante realização prática do grupo até agora. Foi criado como um contraponto ao Banco Mundial e outros bancos regionais de desenvolvimento. É uma instituição plenamente constituída, com 11 anos de existência. Conta com mais de 300 funcionários, lotados na sede em Xangai e nos quatro centros regionais (os do Brasil, da Rússia, da Índia e da África do Sul). Aprovou mais de US$ 40 bilhões em projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O número de países membros aumentou de cinco (os fundadores) para 10, com mais alguns outros países já aprovados pelo Conselho de Governadores do NBD, mas ainda precisando completar os seus procedimentos nacionais para ingressar plenamente no banco.

Isso dito, creio que é justo reconhecer que o NBD ainda não ocupa a posição de instituição financeira global. O número de países membros aumentou para 11 e pode chegar 14 ou 15 no curto prazo, mas ainda é claramente insuficiente para um banco que almeja atuação em todas as regiões do Sul Global. Além disso, o NBD continua preponderantemente dolarizado do lado do ativo e do passivo. Houve progresso significativo também nessa área, sobretudo em emissões de bônus e empréstimos em renminbi, mas o dólar ainda responde por cerca de 60% das operações ativas e passivas do banco. A declaração se referiu as essas duas pendências, mas de forma genérica e sem grande ênfase, limitando-se a pedir que o NBD aumente “o financiamento em moeda local” e considere “de maneira acelerada  os pedidos de adesão de países interessados” (parágrafo 115  da declaração).

  O ACR, criado em 2014, no mesmo momento que o NBD, ainda não começou a operar e é, por isso, muito menos conhecido. Foi criado para servir como um fundo monetário do grupo, um contraponto ao FMI. A estrutura operacional do arranjo foi completada e vários testes de funcionamento foram realizados. Falta, entretanto, estabelecer a unidade de monitoramento macroeconômico prevista no Tratado que criou o ACR. Falta, também, permitir o ingresso dos novos países dos BRICS que desejarem aderir ao arranjo. Tomadas essas providências, o ACR poderia começar a operar como fonte de liquidez externa. É verdade que os cinco fundadores, talvez com exceção da África do Sul, não precisam de apoio de balanço de pagamentos, mas este não é o caso de alguns dos novos países BRICS especificamente Egito e Etiópia, que estão executando acordos de alta condicionalidade com o FMI e que poderiam se beneficiar do apoio do ACR se dele se tornassem membros.

Portanto, algumas modificações e providências deveriam ser buscadas no ACR, de preferência com orientação dos líderes dos BRICS. A declaração de Nova Delhi foi vaga ou omissa nesses pontos. Não mencionou a tarefa pendente há mais de 10 anos de criar uma unidade de monitoramento. Não mencionou a desdolarização do arranjo, que por enquanto só permite swaps com dólares dos EUA. E fez referência vaga e burocrática a “completar as discussões” sobre a entrada no ACR dos cinco novos membros dos BRICS “em base voluntária e de acordo com circunstâncias específicas a cada país” (parágrafo 97 da declaração).

O NDB e o ACR são iniciativas que remontam a 2014, quando foram assinados, na cúpula dos BRICS em Fortaleza, o Convênio Constitutivo do banco e o Tratado do ACR.  Já o BRICS Pay é  uma iniciativa nova, que começou a ser discutida em 2024 na presidência russa dos BRICS. Seria um sistema de pagamentos internacionais alternativo aos sistemas controlados pelo Ocidente (SWIFT e outros), que vêm sendo utilizados para sancionar e coagir países considerados hostis ou não-cooperativos, inclusive e notadamente dois dos BRICS – Rússia e Irã.

Do ponto de vista técnico, trata-se de uma proposta que está a nossa alcance.  O Brasil já tem no PIX um sistema digital para pagamentos em âmbito nacional. Outros países do grupo – por exemplo, China, Rússia, Irã e Índia – possuem sistemas nacionais de pagamento semelhantes. O desafio é integrá-los e criar assim um sistema unificado que permita realizar pagamentos transfronteiriços de forma mais rápida, mais barata e, em especial, mais segura do que com os sistemas existentes, que são antiquados e notoriamente vulneráveis a intervenções do Ocidente. A declaração deu algum destaque a esse tema (no seu parágrafo 90), mencionando o trabalho realizado para estudar a interoperabilidade transfronteiriça dos canais nacionais de pagamentos e mensagens. Pediu, também, que se continue a promover o uso das moedas nacionais dos países BRICS no comércio e nos investimentos. O objetivo, destaca a declaração, é encontrar “soluções práticas que sejam rápidas, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguras” (parágrafo 90) – leia-se tudo que os sistemas controlados pelo Ocidente não oferecem.

Será um marco, se  os BRICS conseguirem, de fato, chegar a esse resultado, trazendo mudança qualitativa nas relações internacionais dos países do grupo e protegendo-os das sanções diretas e indiretas dos EUA e de seus aliados ou satélites.

Obstáculos e como vencê-los

Há obstáculos internos à realização desses objetivos estratégicos, entre os quais destaco duas. O primeiro deles, pouco conhecida daqueles que não atuaram ou não atuam no processo BRICS, é a resistência de nossos bancos centrais, ou da maioria deles, a tudo que fuja do script definido por Estados Unidos e Europa, o que explica, em grande parte, o modesto progresso do ACR e o lento avanço do BRICS Pay. Tanto o ACR como o BRICS Pay situam-se na área de responsabilidade dos bancos centrais, o que confere a eles a possiblidade de obstruir essas iniciativas, mesmo que isso contrarie a orientação recebida dos líderes e dos ministros de Estado. Mais um exemplo, diga-se de passagem, do caráter problemático da autonomia dos banco centrais em relação aos governos, que foi conferida em alguns BRICS.

O segundo obstáculo é de ordem política: a influência dentro dos países dos BRICS de forças políticas ocidentalistas, que obstruem as ações vistas como contrárias aos interesses financeiros e geopolíticos dos EUA e da Europa. O comportamento de vários bancos centrais dos BRICS é apenas um aspecto da força desses círculos ligados ao Ocidente. Essa força se faz sentir em um grande número de áreas das sociedade e economias do grupo. Não se deve subestimar, portanto, o peso desse fator político. O Ocidente está em declínio no mundo, mas dispões ainda de considerável influência residual, algo que que se faz sentir, em graus variáveis, em todos ou quase todos os BRICS.

A discussão de como superar essas e outras barreiras escapa ao escopo deste ensaio. Menciono aqui apenas um requisito ainda não alcançado e pouco comentado por aqueles que acompanham o grupo à distância. Refiro-me à conveniência de abandonar a prática dos BRICS de decidir por consenso ou unanimidade, algo que confere poder de veto a qualquer membro individual e tende a paralisar as iniciativas do grupo. A saída, já indicada na declaração dos líderes em Kazan, em 2024, é estabelecer que iniciativas possam ser tomadas, quando conveniente, em “uma base voluntária e não-vinculante”, ou seja, por um subgrupo de países dos BRICS e, quem sabe?, outros do Sul Global. Os países resistentes podem aderir mais tarde, se o desejarem. Estabelecer um novo modo de decidir será especialmente importante se a aproximação entre Índia e China demorar a acontecer.

A China exercerá a presidência do grupo em 2027. Veremos como ela atuará para levar adiante esses desafios e iniciativas do grupo. Uma questão que se coloca é se a China irá trabalhar para fazer avançar as iniciativas do grupo – NDB, CRA e BRICS Pay – ou concentrará esforços nas suas próprias  iniciativas nacionais nesse terreno, deixando os BRICS em segundo plano. Sem entrar em detalhes, registro apenas que, para se proteger das sanções ocidentais, a China vem construindo há alguns anos, paulatinamente, a sua própria arquitetura financeira internacional alternativa, centrada no renminbi e na iniciativa do Estado e das suas empresas. Desnecessário frisar que, do ponto de vista dos demais países dos BRICS, um caminho transnacional, negociado dentro do grupo, é preferível a um cenário em que a China substitui os EUA e o renminbi substitui o dólar.

Eleição presidencial brasileira e a nossa participação nos BRICS

Para terminar uma palavra sobre o Brasil. A nossa eleição de outubro é uma questão muito significativa para os BRICS, pois ela decidirá se um dos países fundadores continuará sendo membro do grupo. Em caso de derrota de Lula no seu pleito de reeleição e vitória de Flávio Bolsonaro, o Brasil pode até mesmo decidir sair dos BRICS. Mesmo que fique, o país reduzirá a um mínimo a sua participação nas atividades do grupo, a exemplo do que ocorreu durante a presidência de Jair Bolsonaro. Os BRICS perderiam substância com a saída ou menor engajamento de um dos seus principais integrantes. E o Brasil se excluiria, no todo ou em parte, da nossa principal plataforma de cooperação internacional.

EUA e o terrorismo de Estado no comércio internacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/brasil-x-eua.html  

Minha opinião

Lula presidente!
Luciano Siqueira    

Parece óbvio, porém infelizmente não é. Pelo menos em certa medida. Pedir voto explicitamente para o presidente Lula é absolutamente necessário. 

Ocorre que há um equívoco aparentemente disseminado no campo popular e progressista: Lula vencerá as eleições, sem dúvida. 

Mas a dúvida emerge não apenas das últimas pesquisas, que indicam empate técnico com o candidato da extrema direita; como também pelo fato de que os diversos extratos sociais se comportam de maneira distinta, levando a que parte do eleitorado se mostre confuso e suscetível à propaganda digital maciça das forças reacionárias. 

De outra parte, sucedem-se eventos de certa dimensão onde o discurso destaca a candidatura ao governo do Estado, a necessidade de eleger nossos senadores e a defesa de nomes para a Câmara e para a Assembleia Legislativa. Sobre Lula, quase nada

Referências ao presidente, a defesa intransigente da soberania nacional que marca a sua campanha e a divulgação de feitos acumulados ao longo de três governos passam ao largo ou, no máximo, são referidos apenas de passagem.

(Candidatos e candidatas do PCdoB não cometem esse erro, felizmente).

Por outro lado, há bons exemplos — como a campanha nas redes digitais direcionada ao eleitorado de 70 anos e mais, numericamente expressivo, instado a votar, mesmo que legalmente esteja dispensado. 

Na reta final, a luta ganha uma dimensão tal que tudo é preciso fazer para a vitória na disputa principal, a Presidência da República.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Postei nas redes

Midia neoliberal trata aumento do Bolsa Família como "eleitoreiro" sem a menor consideração para com as necessidades da população pobre atendida. 

Cesta básica fica mais barata em 25 capitais, aponta Dieese https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/boa-noticia.html?m=1


Com a mão na botija

Novas denúncias arrastam André Mendonça para o centro da crise no STF
Procedimento contra o ministro bolsonarista cita possíveis crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa
André Cintra/Vermelho    

O jogo virou no Supremo Tribunal Federal (STF) – e o acusador passou a ser alvo de investigação. Nesta quinta-feira (17), o ministro André Mendonça foi parar no centro da crise que assola a Corte desde o início do mês.

Reportagem do portal UOL revelou que o Instituto Iter, fundado por Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões de uma empresa que tem como dono um parceiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Trata-se de Lucas Kallas, proprietário da holding de mineração Cedro Participações.

O contrato previa a alocação dos recursos na estruturação e nas atividades do instituto, que reconheceu ter usado a verba para bancar seus custos iniciais. Conforme o UOL, o Iter começou a devolver os recursos em janeiro deste ano. No mês seguinte, Mendonça foi sorteado relator do caso Master no STF.

A denúncia se soma a outras revelações da semana que trouxeram para o caso os ministros Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli, em situações distintas e com diferentes graus de proximidade com Vorcaro. Mendonça, em particular, já estava sob os holofotes desde o início da manhã, quando o ministro Gilmar Mendes, em post nas redes sociais, chamou o colega de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”.

A crise começou quando Mendonça, em 1º de setembro, retirou o sigilo de relatório da PF que indicava supostas conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Passados 16 dias, a ofensiva contra Moraes perdeu força: até aqui, não surgiram novas acusações contra o ministro.

Em contrapartida, multiplicaram-se as contestações à atuação de Mendonça como relator – inclusive com acusações de uso político e eleitoral do caso. Ao mesmo tempo, vieram a público novas informações sobre as relações de Vorcaro com outros ministros. A crise se deslocou progressivamente de Moraes para o restante da Corte.

O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou a sessão plenária desta quinta-feira e retirou de pauta, por tempo indeterminado, o julgamento previsto para quarta-feira (23) sobre o procedimento envolvendo Mendonça. A decisão ocorreu após a questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, que cobrou a ampliação das investigações em plenário. Mendes solicitou “a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco”.

Dos dez integrantes atuais do Supremo, metade está chamuscada pelo caso Master. Ao menos dois ministros – Dias Toffoli e Nunes Marques – já se declararam impedidos de participar do julgamento sobre Moraes e devem ficar igualmente de fora de outras votações relacionadas ao caso Master. O presidente Lula defendeu, nesta quinta, que todos os ministros sob suspeita sejam julgados em conjunto.

“Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia”, afirmou Lula. “Vamos saber se os telefonemas são verdade, se o Fux está envolvido, se o André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE (Nunes Marques) está envolvido.”

Os holofotes se voltam, agora, para Mendonça. O procedimento contra ele cita possíveis crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa. Pivô da crise, o ministro bolsonarista é cada vez mais comparado ao ex-juiz Sergio Moro, declarado suspeito pelo próprio STF na Operação Lava Jato. Mendonça abriu a caixa-preta do caso Master e jogou Moraes no centro da crise. Agora, a caixa-preta se voltou sobre ele.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Fotografia

 

Marie Adolphson