13 fevereiro 2026

Minha opinião

Sansão e Dalila
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65   

Outro dia escrevi no Twitter que jamais assisti um filme do Homem-Aranha, não pretendo assistir e não sei se estarei perdendo algo importante.

Pelo WhatsApp, duas amigas e um amigo me criticaram por isso, mais ou menos nos mesmos termos:

— Como pode alguém atento a tudo o que acontece se eximir de ver pelo menos um filme que seja, de uma série, campeão de bilheteria!?

Eis a questão, minha gente amiga.

Nem tudo que é visto por muita gente necessariamente me interessa.

De outra parte, são tantos os temas, acontecimentos, obras literárias e de arte, científicas e que tais, e já não tenho tempo para digressões com o Homem Aranha e seus assemelhados Super-Homem e Batman.

Nunca me identifiquei com o gênero, mesmo quando criança ou adolescente.

E olhem que adoro cinema, porém sem jamais me curvar a eventuais sucessos de público.

Tenho uma birra intimamente preservada.

Quando se formam filas quilométricas para assistir nos cinemas determinado filme de sucesso mundial, simplesmente não entro em fila alguma. Deixo para assistir qualquer dia desses, num futuro imprevisto.

Por isso até hoje devo a mim mesmo o "Titanic" e só recentemente vi na Netflix o (já clássico) brasileiro "Tropa de elite".

Mas recordo que por volta dos meus 11 anos de idade, na Lagoa Seca, em Natal, me deixei empolgar com anúncio em carro de som de que no Cine São João (na mesma rua onde eu morava) entrara em cartaz o "melhor filme do mundo" — precisamente "Sansão e Dalila", estrelado por Victor Mature e Hedy Lamarr, dirigido por Cecil B. DeMille.

O ingresso custou 5 cruzeiros, que pedi a minha mãe relutante, com o decisivo argumento de que um filme daquele eu jamais poderia perder.

Afinal, era um campeão mundial de bilheteria. Acho que gostei muito.

[Uma crônica de dezembro de 2021]

Leia também: Um milhão de amigos e a trena imaginária https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_10.html 

12 fevereiro 2026

Palavra de poeta

Um homem e seu carnaval
Carlos Drummond de Andrade       

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito,
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.
Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

[Ilustração: Candido Portinari]

Leia também: "Bolas de vidro", poema de Cida Pedrosa  "https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_63.html 

Fotografia

 

Henri Cartier-Bresson

A sensibilidade e o prazer ao longo do tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_7.html 

América Latina: mais tensões

Portos da América Latina viram epicentro da guerra pelos mares
Rotas marítimas se transformam em alvo de acirrada disputa entre EUA e China
Jamil Chade/Liberta  

O controle dos oceanos foi sempre um aspecto fundamental na geopolítica e na construção de impérios. No século 21, esses mares voltam a ser cúmplices e teatro da cobiça pelo poder. Pilar fundamental da defesa contemporânea, as rotas marítimas são, hoje, alvos de uma acirrada disputa entre os EUA e a China.

Se, na Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro por parte do governo de Donald Trump resultou no fim do abastecimento de petróleo a preços subsidiados para a economia chinesa, uma decisão adotada há uma semana – sem disparar um só tiro – minou a influência de Pequim sobre o Canal do Panamá. Em jogo, está o controle dos mares.

Gesto inédito

No final de janeiro, a Corte Suprema do Panamá considerou como inconstitucionais os contratos de uma empresa chinesa que operava no canal estratégico entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Sob intensa pressão da Casa Branca, que chegou a ameaçar usar militares para retomar a passagem na América Central, o tribunal ordenou o cancelamento dos contratos com CK Hutchison, com sede em Hong Kong, que operava portos nas duas extremidades do Canal.

Para analistas em Washington, trata-se de uma vitória fundamental para a ofensiva americana no sentido de frear o domínio chinês na indústria naval global. Assim que a assumiu a Casa Branca, Trump se apressou a tomar medidas para tentar conter a influência de Pequim nos mares do planeta, inclusive, taxando navios. Uma trégua entre Xi Jinping e Donald Trump permitiu que o tema fosse congelado por 12 meses. Mas ninguém ousa prever como tal embate será resolvido.

Antes mesmo da eleição de 2024, uma equipe do republicano confessou a diplomata brasileiros que não iria tolerar a presença chinesa no controle de portos estratégicos da América Latina.

Num recente artigo, Elaine Dezenski, diretora da entidade conservadora Foundation for Defense of Democracies, apontou que o governo chinês, atualmente, exerce “um controle absoluto sobre a indústria marítima”. “A China controla mais de 100 portos ultramarinos em todos os continentes, exceto na Antártida. Ela fabrica mais de 95% dos contêineres marítimos e 70% dos guindastes portuários”, disse.

“Isso inclui 80% dos guindastes usados ​​nos Estados Unidos – que legisladores destacaram como possíveis ferramentas de vigilância chinesa. Além disso, a China possui 69 vezes mais navios mercantes do que os EUA e tem 232 vezes a capacidade de construção naval”, alertou.

No Hemisfério Ocidental, a China agora está presente em 35 portos. Os dois portos do Canal do Panamá em disputa eram, portanto, os mais importantes em termos estratégicos, já que aproximadamente 40% de todo o tráfego de contêineres dos EUA passa por essa hidrovia.

“Se o domínio marítimo da China se expandir, os EUA e seus aliados correm o risco da mesma dependência que enfrentam atualmente em relação a minerais críticos e terras raras. Eles correm o risco de ficar à mercê de Pequim, implorando por acesso a portos de propriedade chinesa, enquanto não possuem navios ou contêineres construídos internamente”, alertou.

A história da disputa pelo Panamá, porém, revela uma intrincada rede de interesses políticos e comerciais.

Assim que assumiu, em janeiro de 2025, Trump anunciou que usaria sua força militar, se fosse necessário, para “retomar” o Canal do Panamá. O governo do país centro-americano, na época, afirmou que a soberania do Canal não estava em discussão, que ele era operado pelo Panamá e assim permaneceria.

Mas, já nos primeiros dias de seu governo, num gesto inédito, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, escolheu justamente a América Central como seu primeiro destino internacional para uma missão. O chefe da diplomacia do republicano deixou o Panamá com o compromisso do governo local de que romperia acordos com a China.

Leis antitrustes

Em março de 2025, a empresa CK Hutchison, que controlava dois portos no Canal do Panamá, anunciou a venda de seus ativos nos portos fora da China para um consórcio formado pela gestora de ativos americana BlackRock e pela gigante europeia do transporte marítimo MSC. O contrato superaria a marca de US$ 22 bilhões e foi “abençoado” por Trump.

Mas a operação sofreu um golpe quando a China tentou bloquear o negócio, recorrendo às leis antitrustes. Para que o acordo não fosse bloqueado, ela exigia que a empresa estatal chinesa COSCO Shipping recebesse uma participação majoritária.

Como tanto BlackRock, a MSC e a CK Hutchison têm interesses comerciais significativos na China, a sinalização foi a de que o acerto poderia ocorrer.

Mas, neste momento, o protesto veio da Casa Branca. Washington alertou que não toleraria que a CK Hutchison fosse substituída por uma empresa ligada ao Partido Comunista Chinês no controle do Canal do Panamá.

O impacto do acordo iria além. CK Hutchison controla portos considerados como vitais para os interesses americanos. Com o pacto, sua administração ficaria também nas mãos da China. Isso incluiria o Canal de Suez, o Estreito de Malaca, o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho, além de ativos na Europa, México, Coreia do Sul e Austrália.

O caminho escolhido por Trump foi o de pressionar o governo do Panamá a usar suas cortes para denunciar o acordo entre a CK e os chineses. Sem alternativas, o governo local foi aos tribunais e, no final do mês passado, conseguiu uma vitória.

No fundo, a decisão declara como ilegal o controle chinês dos portos do Canal e se transforma numa peça fundamental da ofensiva de Trump para eliminar a influência chinesa no Hemisfério Ocidental. O objetivo do republicano é o de reafirmar o domínio incontestável dos EUA, do Estreito de Magalhães à Groenlândia.

Frear a China pelo mundo, porém, será uma tarefa bastante mais desafiadora. Mesmo com os ataques e tarifas de Trump, Pequim garantiu o maior número de novas encomendas de construção naval em todo o mundo em 2025, apesar de uma ligeira queda na participação de mercado.

No ano passado, os estaleiros chineses garantiram 107,8 milhões de toneladas de porte bruto (TPB) em novas encomendas, representando 69% do mercado global, contra 74,1% em 2024, segundo dados divulgados no domingo pela Associação Chinesa da Indústria Naval Nacional.

De fato, em 2025, os principais estaleiros chineses fortaleceram ainda mais sua competitividade global, garantindo o primeiro lugar em novas encomendas para 16 dos 18 principais tipos de embarcações.

A China, portanto, atingiu seu 16º ano consecutivo na liderança no setor global, superando a Coreia do Sul e o Japão. 

Leia também: A chegada de Trump 2.0 e a era da turbulência global  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/fator-de-desequilibrio-global.html 

Thiago Modenesi opina

Todos somos América!
A música é política. A arte é política. E Bad Bunny demonstrou, com maestria, que fazer política é também atuar, fazer cultura, cantar
Thiago Modenesi/Vermelho     

Não foi apenas um show. Foi uma tomada de palavra. Quando Bad Bunny pisou no palco do Super Bowl no último domingo, ele não entrou apenas no maior palco midiático do mundo, ele o ocupou.

Em um espaço historicamente construído como branco, anglófono e nacionalista, a presença do artista porto-riquenho, coroado dias antes com um Grammy, transcendeu o entretenimento. Transformou-se em um manifesto político, uma ode à história, à cultura e à resistência de uma América Latina frequentemente invisibilizada, mas fundamental para a construção do próprio país que o assistia.

O Super Bowl, ritual central da cultura estadunidense, sempre foi mais que um jogo. É um espetáculo de identidade nacional, um refinado aparato de soft power onde cada elemento, do hino nacional ao show do intervalo, é cuidadosamente coreografado para transmitir uma narrativa unificada. Bad Bunny, porém, rejeitou o roteiro. Em vez de pedir permissão, ele assumiu.

Praticamente todo o seu set, com exceção só de uma frase, foi cantado em espanhol, língua materna de dezenas de milhões naquele país, mas sistematicamente marginalizada em espaços de poder. Cada letra, cada visual, cada sample foi uma afirmação: esta terra tem história, cultura e política muito antes do espetáculo e da criação dos Estados Unidos.

A música é política. A arte é política. E Bad Bunny demonstrou, com maestria, que fazer política é também atuar, fazer cultura, cantar. Em uma terra colonizada, explorada e trabalhada pelas mãos de gerações de imigrantes latino-americanos, seu show foi um reconhecimento dessa história de suor e luta. O gesto mais contundente veio silenciosamente: a aparição da bandeira de Porto Rico, mas não qualquer uma, a com o tom de azul claro associado aos rebeldes pró-independência. Em um território ainda colonial dos EUA, foi um símbolo de soberania e uma declaração de identidade que atravessou as telas.

A reação furiosa de Donald Trump não foi surpresa, foi a confirmação. Seu ataque não era sobre a qualidade musical, mas sobre imigração, identidade e poder. Representou a perda do controle simbólico sobre um ritual central. Em um contexto de retórica anti-latina crescente, de ameaças de ações do ICE e de guerra cultural aberta, ver um latino politizado, orgulhoso e desafiador ocupar o centro do palco nacional ativou um ressentimento profundo. Trump, e a visão que ele encarna, compreendeu perfeitamente a mensagem: isto é uma reivindicação de pertencimento e de mudança na narrativa nacional.

Bad Bunny não apenas performou, disputou significados. Ele lembrou aos espectadores que o “sonho americano” foi, em grande parte, construído sobre o trabalho e a resiliência latino-americana. E que a cultura latina não é um adereço exótico, mas a espinha dorsal vibrante e criativa de uma sociedade em transformação demográfica e cultural.

O show foi, portanto, um ponto de inflexão. Mais do que entreter, ele politizou o espetáculo. Bad Bunny usou o alcance global do Super Bowl para amplificar uma verdade incômoda para alguns: a América é, também, dos latino-americanos. E seu futuro será inevitavelmente moldado por essa realidade. O artista citou nome a nome todos os países que compõe a América.

Enquanto as luzes do estádio se apagavam, a mensagem permanecia, ecoando como um chamado: ocupar espaços, falar na própria língua, exibir símbolos de resistência e celebrar a própria história são atos profundamente políticos. Bad Bunny não fez um show. Ele plantou uma bandeira azul claro no coração do império, e ninguém poderá mais ignorar que ela está lá. A cultura é o novo campo de batalha, e a América Latina acabou de ganhar uma de suas mais ressonantes vitórias simbólicas.

Reagan, Trump e a “destruição inovadora” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/eua-roteiro-de-conflitos.html  

Arte é vida

 

Roberto Burle Marx

Leia: O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html 

Juros contra o Brasil

Como a Selic a 15% inviabiliza o investimento produtivo no Brasil
Projetos de infraestrutura, que exigem capital paciente e oferecem retornos ao longo de décadas, não conseguem competir com a renda fixa.
Luís Nassif/Jornal GGN     


O Pátria Investimentos, uma das maiores gestoras de ativos reais do país, enfrenta uma crise que expõe algo maior: a impossibilidade de qualquer solução de mercado para investimentos de longo prazo em uma economia com taxa básica de juros a 15%. 

A trajetória do Pátria ilustra a transformação brutal no ambiente de negócios. Originalmente focada em private equity — o investimento direto em empresas com horizonte de consolidação, valorização e posterior venda —, a gestora prosperou em um mundo que deixou de existir.

Esse mundo era sustentado por juros baixos, crédito abundante, valuations (valor de mercado) inflados e um mercado ativo de IPOs (oferta pública inicial de ações). A engrenagem funcionava: capital paciente entrava, empresas se consolidavam, múltiplos se expandiam, e a saída via abertura de capital coroava o ciclo com lucros expressivos.

Mas esse ciclo acabou. 

A Nova Realidade

Com a Selic a 15%, os múltiplos de private equity encolheram drasticamente. Desinvestimentos ficaram mais difíceis e menos lucrativos. Os IPOs praticamente desapareceram do radar. Ativos comprados no auge do ciclo anterior agora exigem reprecificação para baixo, reduzindo a atratividade de toda a classe.

O horizonte de saída, antes previsível, foi empurrado indefinidamente para frente. Capital que deveria girar ficou preso. O modelo de negócio precisava ser reinventado.

A Ilusão do Crédito Estruturado

A resposta veio na forma de uma migração para fundos de crédito privado. Operações estruturadas, lastreadas em recebíveis, protegidas por garantias contratuais — teoricamente mais seguras, mais líquidas, mais adequadas ao novo ambiente.

Esses fundos cresceram aproveitando o vácuo deixado pelos bancos tradicionais, que retraíram suas carteiras de crédito. Empresas buscando financiamento alternativo encontraram gestoras dispostas a assumir o risco.

Mas a combinação de juros elevados com desaceleração econômica revelou a fragilidade dessa estratégia.

A Progressão da Deterioração

O roteiro é previsível. Empresas tomadoras enfrentam queda no fluxo de caixa. A inadimplência sobe. Garantias que pareciam sólidas revelam fragilidades invisíveis durante a estruturação.

Então começa a longa caminhada da negação contábil.

Primeiro, a renegociação das condições. Depois, a extensão do prazo de pagamento. Em seguida, a reclassificação nos balanços. Só muito depois — quando não há mais escapatória — o reconhecimento efetivo da perda.

Essa sequência cria uma ilusão de estabilidade. No caso do Pátria, essa ilusão relaxa a tensão no presente, mas carrega o risco para o futuro.

O Risco Sistêmico

A migração de capital para crédito estruturado é fenômeno global, mas no Brasil enfrenta um agravante: juros estruturalmente elevados, não apenas ciclicamente altos.

Quando o crédito estruturado cresce demais, o gestor de recursos se transforma em banco sem banco central. Assume risco de crédito sistêmico sem rede de proteção. Opera em um mercado onde a regulação corre permanentemente atrás do fato consumado.

A Impossibilidade Fundamental

A crise do Pátria não é apenas gerencial ou setorial. Ela demonstra uma impossibilidade fundamental: com a taxa básica de juros a 15%, não existe solução de mercado viável para investimentos produtivos de longo prazo.

Projetos de infraestrutura, que exigem capital paciente e oferecem retornos distribuídos ao longo de décadas, simplesmente não conseguem competir com a renda fixa. Por que assumir risco operacional, regulatório e de execução para buscar retornos de 12% a 15% ao ano quando títulos públicos entregam 13% sem risco?

A resposta racional do capital é clara: migrar para aplicações líquidas e seguras. O investimento produtivo fica restrito a nichos ou depende de subsídios governamentais disfarçados.

O Impasse

O Brasil se encontra preso em um impasse. Precisa de investimentos em infraestrutura para crescer. Mas mantém uma estrutura de juros que torna esses investimentos economicamente irracionais para o setor privado.

Gestoras como o Pátria tentaram contornar essa contradição com engenharia financeira cada vez mais sofisticada. Mas engenharia financeira não resolve problemas macroeconômicos estruturais. Apenas adia e, frequentemente, amplifica suas consequências.

A crise atual não é acidente de percurso. É o resultado inevitável de tentar sustentar investimentos de longo prazo em uma economia de juros de curtíssimo prazo.

Leia também: "Patético e pusilânime" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_12.html