03 novembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Elogio a quem tem audácia
Movimento estudantil que deflagrou virada do segundo turno volta às ruas disposto a influenciar os rumos do Lula4
Editorial do "Vermelho" www.vermelho.org.br   
 

A volta dos estudantes às ruas em 1º de novembro representou a continuidade de um movimento decisivo para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A jornada Brasil com S: das ruas às urnas, puxada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), envolveu entidades estudantis de diferentes partes do país.

O nome é um contraponto ao brasão com a inscrição Estados Unidos do Brazil, presente na carta divulgada em 28 de outubro pelo candidato da extrema direita derrotado, Flávio Bolsonaro, foragido nos Estados Unidos, na qual contestou o resultado eleitoral e se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito”. O Brasil com S tornou-se, assim, uma afirmação de identidade nacional.

A mobilização teve como eixos a celebração da vitória de Lula, a defesa da democracia e do resultado eleitoral, a afirmação da soberania nacional e da vontade popular, além da denúncia da violência contra os povos indígenas, do rechaço à interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral e da defesa da educação pública, das universidades federais, da assistência estudantil e da reforma agrária.

O movimento reafirma o papel decisivo dos estudantes que deflagraram a grande mobilização responsável pela virada que levou à vitória de Lula no segundo turno. Foi a comprovação de que não se tratou de um processo espontâneo. A articulação surgiu em Niterói, no Rio de Janeiro, no Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), e ganhou impulso com a campanha Estudantes com Lula, lançada pela UNE em 6 de outubro, um dia após o primeiro turno.

Era a largada. “Eu tenho certeza de que foi a juventude de Niterói que começou esse movimento”, disse Hugo Silva, ex-presidente da UBES e estudante da Faculdade de Direito da UFF, em entrevista ao Portal Vermelho. “Então a gente, no curso de Direito, mobilizou uma assembleia no dia 5, por meio da chamada do CAEV”, afirmou, revelando o que pode ser chamado de marco zero daquela mobilização.

A iniciativa expressava um plano nacional de organização que estabeleceu assembleias nas universidades, distribuição de materiais, atividades em terminais de transporte, ações nos bairros e manifestações até a véspera do segundo turno. A UNE deu capilaridade à articulação, incorporando à disputa eleitoral a estrutura de representação estudantil nas instituições de ensino.

A presidente da UNE, Bianca Borges, anunciou uma etapa de mobilização permanente e convocou os estudantes a impulsionar uma ampla participação popular. Para dar consequência à decisão, chamou diretórios centrais, centros e diretórios acadêmicos, entidades estaduais e uniões municipais a organizar assembleias e plenárias. Cada encontro deveria produzir encaminhamentos, distribuir tarefas e estabelecer um calendário de atividades. Ao anunciar essa nova etapa, Bianca Borges declarou: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas.”

A UBES incorporou os estudantes do ensino médio a esse esforço. Grêmios e entidades estaduais foram chamados a organizar atividades nas escolas e comunidades. A presidente da UBES, Roberta Pontes, também defendeu a presença dos secundaristas nas ruas. Em entrevista ao Correio Braziliense, ressaltou a importância de conversar diretamente com a população e relacionou a mobilização daquela geração à memória dos estudantes que enfrentaram a ditadura.

Também merece destaque o papel da União da Juventude Socialista (UJS) nessa mobilização. Em seu 23º Congresso Nacional, realizado em julho, no Rio de Janeiro, a entidade lançou a campanha O futuro é agora, o futuro é com Lula. Educação, trabalho, ciência, tecnologia e soberania integraram a plataforma de debates do evento. Em artigo publicado no Portal da UJS, sua presidente, Rafaela Elisiário, orientou a realização de assembleias nas universidades e escolas e a formação de brigadas estudantis.

A juventude estava chamada a colocar em curso as ações que poderiam ser decisivas para virar o jogo, escreveu. “Devemos organizar imediatamente assembleias de apoio ao Lula em todas as universidades e escolas, consolidar brigadas de estudantes com uma agenda definida para circular os bairros onde Lula perdeu a votação no primeiro turno e onde os índices de abstenção foram significativos, ocupar as redes sociais com nossas lideranças e atividades de apoio ao Lula, descentralizar as iniciativas com objetivo de alcançar a parcela que pode virar essa eleição, assim como, ocupar as ruas com mobilizações capazes de incentivar que mais pessoas se engajem na batalha em curso.”

A dimensão dessa operação apareceu no balanço apresentado por Gabriela Silveira, diretora de Movimento Universitário da UJS Brasil. Em artigo publicado no portal da organização, ela informou que mais de 30 assembleias haviam sido realizadas em menos de 72 horas. Diretórios centrais, centros acadêmicos, grêmios e associações de pós-graduandos participaram das atividades, em articulação com a UNE, a UBES e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

A Juventude Pátria Livre (JPL) também desenvolveu ações de mobilização significativas. Em 7 de outubro, a organização lançou uma convocação nacional para que estudantes e jovens ocupassem universidades, escolas, bairros e centros urbanos. A tarefa era conversar com eleitores indecisos, alcançar quem não havia comparecido ao primeiro turno e ampliar a participação na votação. A JPL acrescentou à articulação sua rede de militantes e atividades de convocação direta.

O resultado revelou a velocidade com que a mobilização se instalou nas instituições de ensino e a extensão do trabalho de convocação. Seu alcance se ampliou com a incorporação dos movimentos sociais e sindicais, de artistas, intelectuais e de amplos setores populares, numa das maiores mobilizações desde a redemocratização. Também surgiu o Exército do Lula, canal de WhatsApp criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Lançado em abril, o canal cresceu rapidamente e ultrapassou onze milhões de integrantes.

A presidente da UNE, Bianca Borges, afirma que a mobilização foi uma lição muito importante, “que nos manterá nas ruas”. “Para quem tem dúvida, a gente não está disposto a voltar para casa”, afirma. “O que vimos é que as manifestações fizeram algo que foi muito importante, que foi mudar a temperatura política do país.”

De fato, a mobilização popular precisa ser permanente para apoiar as medidas programáticas do governo Lula, enfrentar a pressão do mercado financeiro, da mídia hegemônica e do imperialismo por um “ajuste fiscal” que compromete os investimentos em infraestrutura e as políticas públicas e sociais, além de rechaçar as investidas golpistas da extrema direita e de setores da direita. “Tudo aquilo que foi prometido na campanha, podem ter certeza de que vai acontecer”, disse o presidente Lula em vídeo publicado no dia 1º. A iniciativa também tende a se tornar permanente, como parte importante dessa mobilização.

O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html 

Arte é vida

 

Tarsila do Amaral

O cigarro que não fumo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/o-cigarro-que-nao-fumo.html 

Camila Santiago opina

Das arquibancadas também nasce a resistência e a luta antifascista
Camila Santiago*/Brasil de Fato    

Embora seja comum ouvir que futebol e política não se misturam, não é nenhuma novidade a resistência de torcedores, atletas ou até mesmo de clubes contra projetos antidemocráticos, tendo como exemplo mais conhecido a Democracia Corinthiana ou episódios mais recentes de protestos após a Copa do Mundo de 2014 contra o chamado “futebol moderno”, que encareceu os ingressos, elitizou estádios e reformulou as formas de torcer.

Mesmo havendo registros de organizações políticas em torno do futebol desde a sua chegada ao Brasil, foi nos últimos 8 anos que as torcidas antifascistas ganharam mais força nas arquibancadas brasileiras, justamente em reação ao bolsonarismo. O líder de extrema direita usou o futebol para aumentar sua popularidade, vestindo camisas de diversos clubes brasileiros.

De 2018 para cá, as torcidas protagonizaram episódios importantes no cenário político brasileiro, entre os quais eu destaco três momentos que simbolizam a participação de torcedores para além das arquibancadas. O primeiro destaque é a forte participação das torcidas antifascistas nas manifestações contrárias a Jair Bolsonaro durante o movimento “Ele Não”, enxergando desde o princípio os riscos à democracia representados naquele projeto.

O segundo episódio aconteceu durante a pandemia da Covid-19: foram as torcidas organizadas que ocuparam as ruas pela primeira vez, entre maio e junho de 2020, para impedir manifestações de apoiadores do então presidente da República, que carregavam faixas pedindo golpe militar. As imagens da forte repressão policial contra os torcedores na avenida Paulista repercutiram o mundo todo.

Em Pernambuco, torcidas antifascistas se uniram contra a falta de medidas sanitárias de enfrentamento à pandemia do governo Bolsonaro e em defesa da democracia, um princípio inegociável para a existência de torcidas organizadas. Além de denunciar o racismo e cobrar justiça no caso do menino Miguel.

Por último, destaco um episódio que não foi diretamente protagonizado por torcidas antifascistas, mas pelas organizadas tradicionais. Em 2022, após a vitória do presidente Lula, apoiadores de Bolsonaro promoveram atos pedindo golpe militar, não aceitando o resultado das eleições e realizando bloqueios de várias rodovias no país. O que os golpistas não contavam era com diversas caravanas de torcidas que aconteceriam naquelas datas. A paixão pelo clube de futebol era capaz de enfrentar qualquer adversidade e dispersou as manifestações golpistas de Bolsonaro. O movimento ficou conhecido como “Tropa do Fura Bloqueio”.

Trago esses exemplos para mostrar como política, futebol e torcida estiveram fortemente entrelaçadas nos últimos anos, se posicionando como um contraponto ao avanço da extrema direita no nosso país.

O futebol tem uma capacidade incomparável de reunir multidões, unificar sentimentos, e construir identidades coletivas. As arquibancadas reúnem uma diversidade de pessoas, com origens, posicionamentos e ideologias diferentes, mas que conseguem dentro daquele ambiente construir uma pauta mobilizadora única: o seu clube do coração.

No entanto, o futebol é também um território de disputa constante, inicialmente entre as elites e os operários; também entre o governo ditatorial que o utilizava como propaganda e a luta de jogadores, torcedores e clubes que o enxergavam como ferramenta de resistência; a disputa entre os clubes do eixo Sul e Sudeste do país, com maior capital econômico, e os clubes do Norte e Nordeste, que enfrentam uma disputa desigual.

No período pré-Copa de 2014, o Brasil viu uma disputa entre os que defendiam a realização do evento no Brasil e os que pautavam a priorização de outras pautas; depois teve início a disputa entre os que defendem a migração dos clubes para “arenas modernas” e os que defendem a permanência em seus estádios tradicionais; mais recentemente, a disputa entre quem defende o modelo de clube-empresa ou sociedade anônima (SAF) e quem acredita nos clubes como pertencentes aos seus torcedores, tendo eles poder de decisão na gestão.

São inúmeros os exemplos de disputas existentes no mundo do futebol, um território de constante ebulição e manifestações políticas, sejam elas relacionadas diretamente ao futebol ou a uma pauta social que impacta o dia a dia de quem está nas arquibancadas. Não à toa, num período de crise política nacional, em que há um avanço de discursos da extrema direita com cunho fascista, discursos contra minorias e ameaças à democracia, surge nas arquibancadas um movimento de resistência ao que ameaça a liberdade e a existência da pluralidade das pessoas.

Além das torcidas antifascistas, núcleos de torcedoras, coletivos LGBT+ e coletivos antirracistas cresceram no país na última década. A construção de um estádio de futebol como um local de fato democrático, seguro e sem preconceito virou uma questão de sobrevivência. É preciso estar organizados para cobrar os dirigentes, jogadores e opinar sobre seu clube se caso não haja liberdade e respeito à diversidade que compõe as arquibancadas.

Não é possível a existência de uma torcida que faça parte do clube como membro ativo, não só um mero espectador, se estivermos sob um governo autoritário. É neste contexto que chegamos às eleições de 2026. No dia 4 de outubro, o resultado do 1º turno das eleições presidenciais contrariava a maioria das pesquisas eleitorais. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47% dos votos e uma diferença de mais de 2 milhões sobre o presidente Lula.

Mas o resultado não desencorajou os que acreditavam no projeto democrático representado por Lula. Logo após o resultado anunciado, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras representações estudantis convocaram assembleias de organização para a campanha de 2º turno, desencadeando uma série de grandes mobilizações pelo Brasil que demarcava a mudança de qualidade da campanha do 2º turno em relação ao primeiro.

Torcidas antifascistas, núcleos femininos, movimentos populares e torcedores comuns se juntaram para organizar o movimento chamado “Arquibancadas com Lula”, um grupo formado por pessoas torcedoras da arquibancada de futebol, com foco na mobilização digital e nas ruas. Formou-se um coletivo com mais de 30 torcidas de todo o país dispostas a planejar ações de campanha pela democracia, representada por Lula, contra o filho do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado.

Em Pernambuco, torcidas de Náutico, Sport e Santa Cruz estiveram envolvidas em ações importantes. Além de se somarem aos grandes atos de rua, também produziram material próprio de campanha para panfletagens nos arredores dos estádios, driblando as dificuldades de aquisição de material e buscando na raça a virada inédita nas eleições brasileiras.

Na porta do estádio, numa noite de jogo, um coletivo de torcedores alvirrubros e a Frente Marighella realizaram o “Timbus com Lula”, em que torcedores levaram suas camisas para serem estampadas gratuitamente com ilustração feita pelo designer e ilustrador David Shamá, torcedor do Náutico. Com grande procura de torcedores dispostos a engajar na campanha, um segundo encontro foi realizado, desta vez com o Movimento Coralinas e a Frente Popular Rubro-Negra, torcidas do Santa Cruz e Sport. Na última semana de campanha foram realizadas duas edições, em Olinda e no Recife.

A ação só foi possível a partir da organização coletiva das torcidas e torcedores envolvidos. Estimamos que mais de 2.500 pessoas participaram das três edições dos “camisetaços” de torcedores em apoio a Lula. Adesivos também foram entregues durante todas as ações das torcidas, reforçando a multiplicação da campanha na Região Metropolitana do Recife.

No domingo do 2º turno tivemos um resultado histórico, uma virada com um crescimento de mais de 10 milhões de votos, resultado de mobilizações como as realizadas pelas torcidas pernambucanas, pelos estudantes, trabalhadores e todas as pessoas que trouxeram para si a responsabilidade sobre o futuro da democracia brasileira.

Das assembleias estudantis aos vizinhos que se juntaram e imprimiram panfletos, providenciaram seus adesivos e saíram de porta em porta para virar voto; das grandes manifestações nas metrópoles brasileiras aos atos nos interiores e periferias; das torcidas organizadas até as associações comunitárias, sindicatos e os mais diversos movimentos sociais, todos carregam essa vitória nos braços. Foi a mobilização popular que tornou possível um resultado tão significativo.

Que fique a lição para os próximos anos: o povo tem um poder surpreendente de organização, disciplina e capacidade de elaborar estratégias. Mas eleições não podem ser um fenômeno pontual de grandes mobilizações. Precisamos que as ruas, as redes e as arquibancadas se mantenham organizadas em defesa dos direitos humanos, da classe trabalhadora e da nossa democracia. Pois só a luta coletiva é capaz de transformar a realidade e construir uma alternativa em que o medo não seja o fator de mobilização, mas a crença num Brasil mais justo, olhando para o futuro.

*Professora, gestora pública, feminista e torcedora do Náutico.

Leia também: O Brasil numa encruzilhada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-brasil-numa-encruzilhada.html

Sylvio: sem eira nem beira

Após a acachapante derrota nas urnas, por quatro milhões de votos de diferença, o senador Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e se autoproclamou "presidente" do Brasil. Depois, diante da repercussão altamente negativa, apagou o post substituindo por "líder" do Brasil. Parece que o retumbante fracasso eleitoral o deixou sem senso de ridículo e precisando urgentemente de acompanhamento psiquiátrico.

Sylvio Belém   

Economistas rejeitam “terceiro turno do mercado” após vitória de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/soberania-popula-x-mercado.html 

Dica de leitura

A luta continua   

O artigo "O povo premiou a coragem: um casamento de gerações pela democracia", de Fernanda Macedo, no Le Monde Diplomatique Brasil https://diplomatique.org.br/o-povo-premiou-a-coragem-um-casamento-de-geracoes-pela-democracia/ em 30 de outubro de 2026, faz uma boa reflexão sobre a vitória eleitoral democrática e o momento vivenciado pelo Brasil.

Diferentes faixas etárias — de jovens a gerações mais velhas — se uniram nas urnas frente à ameaça autoritária bolsonarista para defender a manutenção da democracia.

A vitória de Lula traduz uma recusa explícita de um país regido pela violência política e pela transformação do adversário em inimigo.

No entanto, o resultado das urnas não é o fim dos problemas, a sociedade brasileira permanece dividida e marcada por profundas desigualdades socioeconômicas.

Impõe-se a persistência no rigor crítico e o compromisso de manter o povo politicamente vivo, cobrando do governo escuta e eficiência.  

(LS) 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Humor de resistência

Izanio

A fuga das galinhas amarelas e o carcarejar do golpe https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/enio-lins-opina.html 

Palavra do presidente

Programas sociais de pé   

Dando sequência à prática de se dirigir ao público diretamente nas redes digitais através de falas curtas, em vídeo, que adotou no segundo turno da eleição, Lula reagiu contestou veementemente a fake news difundidas pela extrema direita de que cortaria programas sociais no próximo governo.

Nenhum programa social será extinto, disse.  Ao contrário, todos os compromissos assumidos durante uma campanha eleitoral serão rigorosamente cumpridos.

(LS)

Leia: Ajuste fiscal ou estelionato eleitoral? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/pressoes-do-mercado.html