23 maio 2026

Resistência cubana

Cuba reage a acusações contra Raúl Castro e denuncia escalada dos EUA
Havana afirma que Washington tenta criminalizar a Revolução Cubana; China e PCdoB criticam ofensiva norte-americana.
Lucas Toth/Vermelho 

Os Estados Unidos deram nesta quarta-feira (20) um novo passo na escalada de agressões contra Cuba ao indiciar o ex-presidente e líder revolucionário Raúl Castro, de 94 anos, pela resposta militar cubana às incursões da organização anticastrista Hermanos al Rescate no espaço aéreo da ilha, em 1996. 

A decisão do Departamento de Justiça do governo Donald Trump reabre um episódio ocorrido há 30 anos e é denunciada por Havana como parte de uma ofensiva destinada a criminalizar a Revolução Cubana e ampliar a pressão contra o país.

O governo cubano afirma que Washington manipula judicialmente o caso para criminalizar sua soberania, apagar as reiteradas violações de seu espaço aéreo por grupos sediados em Miami e construir uma narrativa favorável a novas agressões contra o país.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou o indiciamento como “uma manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal” e afirmou que a medida parece destinada a justificar ações militares contra a ilha. 
 

Já o vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío classificou as acusações como um “ato canalha” e afirmou que a movimentação  “deve ser vista como parte da escalada agressiva, crescente, que vimos ao longo deste ano por parte dos EUA contra Cuba”.

A China também reagiu à ofensiva contra Cuba. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim “se opõe firmemente” ao fato de os Estados Unidos “abusarem de meios judiciais” para pressionar Cuba. 

Segundo ele, Washington deve “parar de usar sanções e o aparato judicial como ferramentas de opressão contra Cuba” e “se abster de fazer ameaças de força a qualquer momento”.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Partido Comunista do Brasil também condenou o que chamou de “ato persecutório” contra Raúl Castro e afirmou que a medida possui “caráter provocador, revanchista e intervencionista”. 

Segundo o partido, Washington busca “criminalizar a história da Revolução Cubana” e “motivos para justificar uma invasão”, em meio ao endurecimento do bloqueio econômico imposto à ilha há mais de seis décadas.

A movimentação também elevou o alerta em Havana por ocorrer poucos meses após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro deste ano. 

Para Cuba e seus aliados, o precedente venezuelano reforça o temor de que acusações judiciais estejam sendo utilizadas por Washington como instrumento de pressão política e eventual justificativa para ações mais agressivas contra governos latino-americanos considerados adversários dos interesses norte-americanos.
 

Cuba afirma que agiu para proteger sua soberania

O governo cubano sustenta que o episódio utilizado agora pelos Estados Unidos para indiciar Raúl Castro ocorreu após anos de violações do espaço aéreo da ilha por parte da organização anticastrista Hermanos al Rescate, sediada em Miami e liderada pelo ex-agente da CIA José Basulto. 

Segundo Havana, as incursões não eram secretas e eram frequentemente divulgadas publicamente pelos próprios organizadores, que afirmavam atuar com total impunidade diante das autoridades norte-americanas.

De acordo com o vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío, entre 1994 e 1996 Cuba apresentou ao menos 25 advertências formais ao Departamento de Estado dos EUA, à Administração Federal de Aviação norte-americana e à Organização da Aviação Civil Internacional denunciando as incursões e alertando para o risco de um confronto. 

Havana afirma que solicitou reiteradamente que Washington retirasse as licenças dos pilotos envolvidos nas operações, mas não recebeu resposta efetiva.

Fernández de Cossío afirmou ainda que, em janeiro de 1996, semanas antes do incidente, o governo cubano comunicou oficialmente que qualquer aeronave que ingressasse sem autorização no espaço aéreo do país poderia ser interceptada e neutralizada. 

Segundo o diplomata, a Casa Branca tinha pleno conhecimento da situação e das consequências que as provocações poderiam gerar. “A Casa Branca sabia disso e não agiu”, declarou.

Para Havana, a resposta militar de fevereiro de 1996 ocorreu dentro do direito de defesa da soberania nacional previsto pela Carta das Nações Unidas e pelos tratados internacionais de aviação civil. 

O governo cubano afirma que as aeronaves da Hermanos al Rescate realizavam ações provocativas recorrentes sobre o território da ilha em meio a um histórico de hostilidade, sabotagens e operações organizadas a partir da Flórida contra a Revolução Cubana.

O governo cubano também afirma que documentos posteriormente desclassificados nos Estados Unidos demonstraram que autoridades norte-americanas reconheciam o caráter ilegal das incursões e a possibilidade concreta de uma reação defensiva de Cuba. 

Para Havana, a tentativa de transformar agora o episódio em processo criminal contra Raúl Castro busca apagar esse contexto e apresentar como crime uma ação que o país considera parte da proteção de sua integridade territorial.

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Como os EUA podem tornar-se potência obsoleta https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/ira-eua-em-apuros.html

Palavra de poeta

NA MANHÃ DO MILÊNIO
Thiago de Mello  

De que valeu o assombro indignado
e esta perseverança que me acende
em pleno dia a estrela que me guia,
seguro do meu chão e do meu sonho?
De que valeram todos os prodígios
da ciência mergulhando nas funduras
mais escuras da terra e dominar
jamais imaginadas vastidões
para encontrar a luz fossilizada?
Do que valeu meu passo peregrino
pelo tempo, meu grito solidário,
a entrega ardente, o castigo injusto,
o viver afastado do meu povo,
só porque desfraldei em plena praça
a bandeira do amor? Do que valeu
se hoje, manhã deste milênio novo,
avança, imensa e escura bem na fronte
a marca suja da miséria humana,
gravada em cinza pela indiferença
dos que pretendem donos ser da vida,
avança escura uma legião de crianças
deserdadas do amor e todavia
capazes de sorrir: maior milagre
do século perverso que findou?
De que valeram todas as palavras
que proferi na trova da esperança?
Tão pouco, talvez nada. Não consola
saber que fiz, que fiz a minha parte,
que reparti com tantos o diamante,
que olhei o sol de frente e não fugi
(nem do meu próprio medo).
De consolo não cuido. Pois valeu.
"Que tudo vale a pena quando a alma
não é pequena."
Não sei o tamanho
da minha alma. Só sei que vou varando
o fim do rio, já posso discernir
a margem que me chama. Mas obstinado
confiante sigo no poder distante
da estrela alucinante. Que destino
de estrela é o de brilhar.
E mesmo extinta
brilhante permanece sobre o mundo.

[Ilustração: Dana Levin]

Leia também "Tudo muda", poema de Berthold Brecht https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-poeta_15.html 

22 maio 2026

Ciência: China x Estados Unidos

China, ciência de vanguarda
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65  

Li agora no Estadão que a China é o primeiro país a aprovar o uso comercial de um chip cerebral para fins clínicos. Um marco histórico e inédito no campo da neurotecnologia.  

Desenvolvido pela Neuracle Medical Technology em parceria com a Universidade de Tsinghua, o dispositivo permite a interface cérebro-computador (BCI).

Denominado NEO, através de implante conecta o sistema nervoso a computadores, valendo-se de modelos de inteligência artificial para decodificar sinais específicos com alta precisão.

A tecnologia dirige-se inicialmente à reabilitação de pacientes entre 19 e 60 anos com paralisia ou tetraplegia resultantes de lesões graves na medula espinhal e na região cervical.

Testes publicados pela revista Nature confirmam que o implante possibilita restaurar movimentos com as mãos.  

A China, assim, pôe-se estrategicamente à frente dos Estados Unidos, onde empresas concorrentes como a Neuralink, de Elon Musk, realizam testes em humanos, mas ainda enfrentam desafios de estabilidade e não possuem valor para comercialização.

O desafio agora é possibilitar acessibilidade, monitoramento de longo prazo e redução de custos.

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China, motor da economia global https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/motor-da-economia-global.html 

Postei nas redes

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, "terceira via" na disputa pela presidência da República? Claro que não, pois é tão extrema direita quanto Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado. 

Gato escaldado tem medo de água fria https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Perplexidade
Abraham B. Sicsu  

Vinte três dias nos interiores do país. As serras capixabas, o sul de Minas, o interior paulista. Regiões belas, paisagens marcantes, contato com a natureza. O trem de Belo Horizonte a Cariacica, a história da mineração e seus legados. Interessantíssimo, 14 horas vendo de perto o legado que o ciclo da mineração nos deixou. Evidentemente que poluição também faz falta e São Paulo, Rio e Brasília entraram no roteiro.

Período em que nos isolamos, em que procuramos não estar em contato contínuo com as notícias, com o que vinha ocorrendo no mundo e no Brasil. Algumas manchetes nos chegam, mas passam quase desapercebidas.

Voltei à realidade, começo a me informar com mais detalhes do que vem ocorrendo. O que mudou neste quase mês fora?

O susto é grande. Parece que se está em outro ambiente, em outro mundo. E, o mais grave, tudo parece ter piorado.

Uma refinaria que não refina petróleo com dívidas bilionárias junto ao erário público, um filme de uma produtora que nunca produziu nada, com orçamento jamais visto no país, o entrelaçar entre as elites políticas e econômicas desmascaram os casos de corrupção no país.

Maio muda o cenário econômico e político. Denúncias do envolvimento da família do ex-presidente com o Banco Máster escancaram o podre nas relações que imperavam no centro do poder. Corrupção, preocupação de todos, é explicitada.

Produzir um filme com suporte empresarial de milhões não se faz do nada. Interesses políticos e econômicos são motivação e causa estranheza possíveis desvios de rumos dos recursos, facilmente constatáveis.

Contratos milionários, difíceis de justificar, surgem e são recebidos com naturalidade. Não bastassem os acordos de consultoria de bancas advocatícias com o Máster, empresas de marqueteiro do governo passado, faturou cerca de 100 milhões de reais junto a Ministérios, enquanto ele ainda era assessor da presidência.

Locações de navios luxuosíssimos na COP 30, difíceis de serem justificadas. E o Cavalinho Negro levanta suspeita de financiamento indireto para fujões que denigrem a imagem da nação. É corrupção para todo o lado.

Pensemos um pouco o mundo e a geopolítica. Nessa, o Bufão Estridente não pode ser esquecido. A Ucrânia continua em guerra, o Conselho da Paz para a reconstrução de Gaza não sai do lugar, a política agressiva daquele senhor tem resultados pífios e não avança.

Toda semana o senhor semi-imperador, anuncia o fim próximo da guerra com o Irã, não acontece, o bloqueio da navegação eleva o preço do petróleo e causa inflação e desespero internacional.  Na Venezuela fez intervenção, mas esqueceu totalmente a busca da democracia, manteve o mesmo regime, agora podendo explorar os ricos recursos naturais em benefício de suas empresas.

Não conseguindo resultados palpáveis, volta sua artilharia para Cuba.

Cínico, se arvora de salvador da população da ilha, ilha que não o ameaça, que tem sofrido muito com um bloqueio insano que lhe traz transtornos insuportáveis.

Resgata fatos de trinta anos, fatos que tem justificativa nas relações internacionais quando há efetivamente invasão deliberada de território, para ameaçar uma invasão, uma captura de um líder que tem história, que é muito querido junto à sua população. O bloqueio que gera uma crise humanitária se aprofunda e falta energia e alimentação.

A única justificativa, não aceitável, mas possível, para essa loucura, é a queda abrupta de sua popularidade interna, com uma desaprovação de mais de 60%, com uma inflação crescente, com preços de combustíveis que beiram o insuportável. Uma maneira de desviar o focar nos problemas domésticos com possível “vitória” internacional irrelevante para os americanos, tentando vender a imagem de um super-herói que domina o mundo. O confronto virou a estratégia.

Volto-me para outro lado. Ver o meu Estado. Maio sai o ranking de Progresso Social de 2026. Estamos na dramática posição de Décimo Sexto colocado no que tange a desenvolvimento social e qualidade de vida.  Ficamos abaixo da média nacional. Pior que Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará. Recife fica com o quinto lugar de pior capital. Enfim, nada alvissareiro.

Como diria o personagem de Jô Soares, “aqui não fico, volto para o exílio.” No meu caso, escolho as Serras Capixabas.

[Ilustração: Luciano Pinheiro]

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Celso Pinto de Melo: "Um país que não falava português" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/raizes-do-brasil.html

Arte é vida

Edu Nóbrega 

Quem semeia vento, colhe tempestade https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Editorial do 'Vermelho'

A diplomacia mundial passa por Pequim
A sequência contínua de visitas de chefes de Estado à China retrata sua ascensão no cenário mundial, em contraste com o isolamento crescente dos EUA em razão de seu declínio
Editorial do 'Vermelho' 
   

Uma recente onda de visitas à China mostra a rápida elevação de sua importância no cenário global. A mais recente foi a do presidente da Rússia, Vladimir Putin, nos dias 19 e 20 de maio, poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter concluído sua viagem, nos dias 13 e 15.

Antes passaram pela China, entre outros, o presidente francês, Emmanuel Macron, que visitou o país em dezembro de 2025, seguido pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em janeiro de 2026. Logo depois seria a vez do chanceler da Alemanha Friedchrich Merz. Também estiveram na China o presidente do Vietnã, Tô Lâm, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, e líderes da Irlanda, Canadá, e Finlândia, entre outros.

Este fluxo de missões diplomáticas de alto nível a Pequim acontece há tempos e só aumenta. A pujança econômica, tecnológica e financeira da República Popular da China, associada à diretriz diplomática do “desenvolvimento compartilhado”, da defesa da paz, do direito internacional, do multilateralismo e da autodeterminação dos povos, são as razões de maior vulto pela transformando Pequim numa espécie de capital mundial da diplomacia e o locus imperativo às parcerias pelo desenvolvimento soberano.

Enquanto visitar Donald Trump na Casa Branca, em Washington, representa risco aos chefes de Estado de sofrerem achincalhes e chantagens, além de uma pauta regida pela imposição de relações imperialistas, de vantagem exclusiva aos Estados Unidos, apertar a mão do líder Chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, é a certeza de um tratamento respeitoso e a possibilidade de acordos que resultem em ganhos recíprocos.

Este contraste ficou patente, agora, quando, recentemente, Donald Trump e XI Jinping ficaram face a face. O primeiro estampa o rosto da potência em declínio, que recorre ao neofascismo, à guerra, ao saque das riquezas dos países para tentar reverter a decadência. O segundo, o líder equilibrado e assertivo, que defende os interesses de sua grande nação, mas aberto às demandas dos países com os quais pactua parcerias e acordos.

Para criar um paradigma das relações entre grandes potências, Xi Jinping falou em superação da Armadilha de Tucídides, conceito de relações internacionais sobre a tendência de conflito quando uma nação emergente pode suplantar uma superpotência dominante. Com essa formulação, a China busca um entendimento estratégico nas relações China-Estados Unidos, dentro de limites definidos para evitar ruptura sistêmica, o que requer um “novo posicionamento” nas relações bilaterais em prol da estabilidade e do desenvolvimento global.

O líder chinês traçou uma linha vermelha. Xi asseverou a Trump que um erro na condução da questão da soberania chinesa sobre Taiwan empurraria a relação sino-estadunidense para uma situação de “muitos perigos”. Enquanto Trump escancarou seu real tamanho, reduzido à condição pragmática de fechar negócios para os monopólios de seu país, o que retrata bem a perda de dinamismo da economia estadunidense.

Conforme descreve a Resolução Política do 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o efeito estrutural desta dinâmica é o encolhimento da indústria nos Estados Unidos e a realocação da sua base industrial. “Em consequência, a sua produção industrial caiu de 20% da produção global, em 1980, para aproximadamente 17% em 2023, enquanto a China atingiu 30%. A participação do emprego na indústria representava, em 2024, apenas 8%, demonstrando, junto com os déficits comerciais crônicos, que em 2023 atingiu US$ 1,2 trilhão, fortes indicadores de desindustrialização.”

A ascensão de novos polos mais dinâmicos no sistema, com destaque para a China, prossegue a Resolução Política, “vem rompendo gradativamente o monopólio da tecnologia e da inovação, contestando o domínio dos Estados Unidos”. “Daí a importância estratégica de alianças que contribuam para romper a dependência tecnológica. Neste contexto, os Estados Unidos definiram a China como inimigo estratégico central e têm como objetivo neutralizar ou reverter sua aliança com a Rússia. E eles também têm o objetivo de refrear o poderio militar russo.”

A aliança da China com a Rússia foi um dos pontos das conversas de Xi Jinping e com o presidente russo, Vladimir Putin. As relações China-Rússia estão em seu melhor momento histórico, de acordo com o presidente russo, “indiscutivelmente um fator de dissuasão e estabilidade”. A visita de Putin se deu no 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa, (conhecido como Tratado Sino-Russo), assinado em 16 de julho de 2001 e renovado recentemente, que estabelece o aprofundamento da coordenação geopolítica, diplomática e econômica entre os dois países.

Uma análise no jornal chinês Global Times informou que Vladimir Putin e Xi Jinping enviaram uma mensagem clara à comunidade internacional sobre o fortalecimento da estabilidade global e ressaltaram mais uma vez a ascensão do mundo multipolar moderno, que se tornou a nova norma nas relações internacionais. A China é compradora de recursos da Rússia – principalmente petróleo – e fornecedora de produtos e serviços. Ou seja: uma resposta às táticas dos Estados Unidos de conter ou reverter o seu declínio relativo com ameaças, como o uso do tarifaço conta a China, e a tentativa de isolar a Rússia.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também falou de “buscar objetivos comuns, respeitando as diferenças”, ressaltando a importância de construir um relacionamento consistente, de longo prazo, abrangente e estratégico. Emmanuel Macron, por sua vez, disse que está “comprometido em trabalhar com a China e todos os nossos parceiros nesses grandes desafios”. “Estou convencido disso: juntos podemos fazer as mudanças”, afirmou.

Acossados pelas tarifas de Trump, pela corrosão da Aliança Atlântica, os países europeus são forçados a buscar alternativas de comércio e a China é a principal delas. Por sua vez, os países do Sul Global, no âmbito da veterana jornada pelo desenvolvimento autônomo, avançam em suas parcerias com a China, entre eles o Brasil.

Como conclui a Resolução Política do 16º Congresso do PCdoB, “a China lidera, pelo exemplo, um novo tipo de relações entre os países, em plano global, baseado na paz mundial e na cooperação multilateral para um futuro compartilhado da humanidade”. “Com parcerias e projetos de integração econômica e de infraestrutura, entre projetos nacionais soberanos, o protagonismo chinês avança ocupando o espaço deixado pela crise do capitalismo.”

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Leia também: Donald Trump diante de Xi Jinping https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_0704474379.html