17 outubro 2019

Clã

Ao estilo de uma família real, do governo à condução do partido pelo qual se elegeu presidente, Bolsonaro tentar governar tudo junto com seus filhos. Sem limites. Concepção de poder nada republicano.

Desafios de 2020


Dispersão sem rupturas
Luciano Siqueira

Estamos a um ano no próximo pleito municipal. A variável tempo (na peculiaridade do calendário eleitoral brasileiro), precipita e antecede decisões políticas — ainda que até às vésperas das convenções partidárias, em junho ou julho, candidaturas possam ser reafirmadas ou subtraídas e alianças partidárias tomarem feição definitiva.

O fato é que, ao nos aproximarmos do peru do Natal e do foguetório do réveillon, já há como que um fogo de monturo preparatório do ano eleitoral.

E o pleito municipal é por natureza dispersivo.

Partidos componentes da coalizão que governa o estado, ou que ao governo fazem oposição, são chamados a encarar a disputa por prefeituras e por cadeiras nas câmaras municipais como temporariamente prioritária.

E agora coligações proporcionais estão vedadas legalmente, o que estimula muitas siglas a terem candidaturas próprias a prefeito como forma de aglutinarem pretendentes competitivos à vereança.

Legitimamente, todos buscam acumular forças.

Risco de dispersão e de um eventual segundo turno nas capitais e cidades maiores, que afeta diretamente esta ou aquela corrente política momentaneamente hegemônica. Sobretudo quando o exercício da hegemonia é chamuscado pela estreiteza e pelo exclusivismo.

Assim, todo cuidado é pouco.

Fraturas municipais podem repercutir sobre a coalizão estadual e dificultar a necessária conjugação de forças para disputa seguinte, em 2022.

A questão se coloca com um viés superior no caso da oposição ao governo Bolsonaro, que persiste dispersa, sob o impulso de partidos que já colocam antecipadamente pré-candidaturas presidenciais.

Uma obra de engenharia política que exige descortino, respeito às diferenças, paciência e determinação.

[Ilustração: Ben Nicholson]

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Meio ambiente em debate

Aqui vale a troca de opiniões e você tem a palavra. 

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16 outubro 2019

Conquistas

Quase sete anos de governo exitoso no Recife refletem a capacidade de gestão do prefeito e equipe, em ambiente institucional e político marcado por instabilidade e incerteza. O estreitamento crescente das relações diretas com povo da cidade contribui para o êxito de gestão.

Ser ou não ser?

Eleições municipais de 2020 serão “nacionalizadas“ ou “municipalizadas“? Eis uma questão bizantina, pois dependerá muito da dimensão da cidade e do nível do embate político local. Questões nacionais e municipais se entrecruzam naturalmente.

Caminhos da cidade

As ruas da cidade não podem pertencer aos carros, elas pertencem ao povo que se locomove a pé ou de bicicleta. As cidades brasileiras são concebidas em sentido contrário a essa ideia. Reverter isso é tarefa complexa, de longo prazo. No Recife, cidade cujo território historicamente foi ocupado de modo não planejado, temos avançado bastante, mas ainda estamos longe do que pretendemos. Hoje nossa cidade conta com 70 km de rede ciclável distribuídos entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. (LS)

Linha direta

 O "Conecta Recife", ação da Prefeitura que propicia acesso gratuito à internet, já soma 175 pontos de Wi-Fi em 86 localidades. Contribuir para democratização do acesso à informação.

15 outubro 2019

Conjura da direita


Eduardo Bolsonaro (PSL) importou dos Estados Unidos para o Brasil o CPAC, sigla em inglês para Conferência de Ação Política Conservadora. Realizado em São Paulo no último final de semana, o evento mais parece um preparatório já para as eleições de 2020. O encontro foi frequentado por dezenas de grupos de direita organizados principalmente por jovens em diversas cidades. Eduardo fez questão de mencionar alguns no interior de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além das capitais. E não à toa. Leia mais https://bit.ly/2qdksEh

Capacho


A política externa de um país diz muito sobre o seu caráter. No caso em que o governo se dispôs a abrir mão de prerrogativas soberanas na esperança de que os Estados Unidos apoiassem a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficou patente, mais uma vez, sua opção pelo servilismo. Há um jogo de xadrez na geopolítica, que traduz, antes de tudo, grandes interesses econômicos. Ao abrir mão da sua soberania em favor dos interesses da Casa Branca, o governo Bolsonaro entrega os destinos econômicos do Brasil nas mãos dos seus algozes. Leia mais https://bit.ly/2OQ3S7V

Mãos dadas

Em tempo de crise e de instabilidade, acolhimento é uma palavra chave. Devemos nos acolher uns aos outros — e seguir lutando. Com esperança.

14 outubro 2019

Desgastado e declinante


Os desgastes sucessivos de Bolsonaro podem acelerar seu fim. Os absurdos vão se multiplicando, assim como os rachas na base bolsonarista. Este é um dado relevante na cena política, como analisa Luis Nassif.

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Humor de resistência

Charge de Ducke

Festa e luta


A data comemorativa do Dia do Professor (15 de outubro), neste final da segunda década do século 21, deve ser oportunidade para uma reflexão sobre o papel deste profissional na sociedade glorificada como sendo do “conhecimento”. Se, por um lado, no nível do discurso, a educação e, em decorrência, o professor são considerados como decisivos para o futuro das novas gerações e nações, paradoxalmente as condições de trabalho dos professores é marcada pela instabilidade, a precariedade, a intensificação do trabalho docente, com tendência inclusive de desprofissionalização. Leia mais https://bit.ly/2nL0RKR

O prazer da fotografia

Cena urbana: Em La Rambla, Barcelona, vendo o povo e o tempo passar... (Foto: LS)

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Mais revelações

Procuradores da Lava Jato no Paraná programaram a divulgação da denúncia contra Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio em Atibaia fazendo um cálculo corporativista e midiático. Em maio de 2017, eles decidiram publicar a acusação numa tentativa de distrair a população e a imprensa das críticas que atingiam Procuradoria-Geral da República na época, mostram discussões travadas em chats no aplicativo Telegram entregues ao site The Intercept Brasil por uma fonte anônima. À época, a equipe do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estava sob bombardeio por causa de um áudio vazado da colaboração premiada dos executivos do conglomerado JBS que atingia em cheio o presidente Michel Temer. Havia suspeitas de que o material havia sido editado. Meses depois, problemas mais graves – como o jogo duplo do procurador Marcelo Miller, que recebeu R$ 700 mil para orientar a JBS – levaram o próprio Janot a pedir que o acordo fosse rescindido. Leia mais https://bit.ly/2MiA8yV

Suspeitas

Existe ligação entre a rede de Fake News em apoio a Bolsonaro e os ataques ao Judiciário? O STF promove investigação para esclarecer. 

Resistência cultural



Prefeitura do Recife lança edital que destina R$ 5.6 milhões para a Cultura da cidade 
Audicéa Souza, portal Vermelho

A cultura recifense com suas múltiplas facetas, linguagens e manifestações ganhou um grande reforço nesta sexta-feira (11). A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, anunciou um investimento de R$ 5.6 milhões para o fomento de produções culturais durante o ano de 2020. As inscrições começam no próximo dia 14 de outubro e seguem até o dia 29 de novembro.  
Em coletiva, o prefeito Geraldo Julio assinou decreto e lançou o edital que regulamenta o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC). “O ato de hoje é em defesa da cultura do país e um dos mais importantes da minha vida. O Recife tem uma tradição cultural muito forte, então esse edital vem para fortalecer exatamente isso. Em tempos em que tem sido muito difícil fazer arte, cuidar da cultura, porque os sistemas de financiamento em todo o país estão muito reduzidos, a Prefeitura do Recife vem na contramão e investe para continuar fortalecendo o trabalho dos nossos artistas”, destacou o prefeito.

O investimento ocorrerá em duas frentes. Pelo Mecenato, quando pessoas e empresas atuam como patrocinadores, o teto estabelecido é de R$ 2,1 milhões, garantidos aos grupos culturais e artistas, com renúncia fiscal do ISS (Imposto Sobre Serviço). A outra frente será por meio do Fundo de Incentivo à Cultura, que prevê investimentos diretos da Prefeitura do Recife, com teto de R$ 3,5 milhões, para projetos e eventos culturais dos mais diversos.

Preservar as artes

Criado pela Lei municipal nº 16.215, o SIC tem como objetivo “incentivar, difundir, valorizar e preservar as artes e o patrimônio cultural do Recife”. Juntos, o Fundo e o Mecenato destinarão os investimentos para produção artística com foco em música, teatro, circo, dança, audiovisual, fotografia, literatura, artes visuais, artesanato, cultura popular e patrimônio artístico e cultural. Para o audiovisual, por exemplo, serão destinados, ao todo, mais de R$ 1,2 milhão. À música, serão dedicados mais de R$ 1,1 milhão. Nas artes cênicas, serão investidos pelo poder público e pelos empresários outros R$ 1,2 milhão.
Diego Rocha, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, explicou como vai funcionar o incentivo. “Com o resgate desse instrumento, vamos poder, de forma antecipada, fomentar a produção cultural do Recife. O edital foi construído para que todos possam ser contemplados e que, no próximo ano, sejam todos executados”, afirmou. O presidente também informou que a plataforma Quero Impactar vai ser parceira na iniciativa.

Lançado em julho deste ano, o Quero Impactar consiste em um financiamento coletivo (crowdfuding ou vaquinha virtual) em que o cidadão poderá destinar parte do Imposto de Renda para iniciativas ligadas à cultura, esportes e políticas para crianças, idosos e pessoas com deficiência, sem que o contribuinte tenha qualquer gasto adicional, pois o recurso é parte do que já seria pago no IR.

O artista popular Pedro Salustiano, representou uma sala repleta de artistas e falou sobre a emoção de participar do ato. “Este é um passo muito importante para a cultura popular, é mais um incentivo, principalmente no momento em que estamos vivendo, com os desfeitos de muitos editais. Ter este apoio da Prefeitura, esse olhar, fiquei muito feliz e motivado para continuar na luta”, pontuou Salustiano.

Mecenato de Incentivo à Cultura

Para o mecenato, os limites por linguagens são:

Audiovisual: R$ 700.000,00
Música: R$ 200.000,00
Teatro: R$ 200.000,00
Dança: R$ 150.000,00
Circo: R$ 100.000,00
Cultura Popular: R$ 200.000,00
Patrimônio: R$ 150.000,00
Fotografia: R$ 100.000,00
Literatura: R$ 100.000,00
Artes Visuais: R$ 100.000,00
Artesanato: R$ 100.000,00

Aos artistas, caberá apresentar e aprovar seus projetos junto à Prefeitura do Recife, para posterior captação na iniciativa privada e realização do evento/iniciativa em um prazo de, no máximo, 12 meses.

A cada patrocinador/investidor, a renúncia garantida pelo poder municipal será de, no máximo, 20% do Imposto Sobre Serviços (ISS) que incide sobre suas atividades.

Para encurtar o caminho entre artistas e empresários, a Prefeitura do Recife aposta na Plataforma Quero Impactar, que aproxima investidores de todo o país, entre pessoas físicas e jurídicas, de boas ideias. Os projetos que tiverem sido aprovados pelo poder municipal poderão ser cadastrados na plataforma, que disponibilizará uma identificação específica para o SIC, a fim de acelerar e potencializar os esforços de captação. Cada projeto poderá ter mais de um incentivador.

Fundo de Incentivo à Cultura

Os R$ 3,5 milhões que serão dedicados a eventos e projetos culturais promovidos pela sociedade civil na capital de tantas tradições e vocações serão assim distribuídos entre os diferentes mercados e manifestações:

Audiovisual: R$ 500.000,00
Música: R$ 960.000,00
Artes Cênicas: R$ 1.070.000,00
Fotografia: R$ 50.000,00
Cultura Popular: R$ 820.000,00
Artesanato: R$ 100.00,00

Esses recursos serão provenientes da dotação orçamentária da própria Prefeitura do Recife e também podem vir, segundo a lei do SIC, de transferências da União ou do Governo do Estado ou ainda de outras fontes de recursos nacionais ou estrangeiras, públicas ou privadas.

Inscrições

Para se habilitar, cada candidato ao mecenato ou ao aporte direto do poder municipal pode inscrever, no máximo, três projetos para quaisquer linguagens.

As inscrições terão uma etapa online e uma presencial: o candidato deve buscar no site www.culturarecife.com.br informações e modelos de documentação que precisa ser impressa e preenchida ou providenciada. A entrega dos documentos, a exemplo de formulário de inscrição, currículo do proponente e projeto, com respectivo plano de trabalho, deve ser agendada no site e realizada no posto credenciado, que estará localizado no térreo do prédio sede da Prefeitura do Recife, na Avenida Cais do Apolo, nº 925, Bairro do Recife, durante todo o período das inscrições. O posto funcionará nos dias úteis, das 9h às 12h e das 13h às 17h.

Somente poderá ser utilizado um dos mecanismos de incentivo previstos na lei por cada projeto inscrito.

Avaliação e calendário

As inscrições começam no próximo dia 14 de outubro e seguem até o dia 29 de novembro. No dia 5 de dezembro, será publicada a relação de projetos pré-aprovados (com documentação válida e completa). A avaliação dos projetos será de 6 a 16 de dezembro.

Os projetos serão acolhidos e analisados pela Comissão Deliberativa do SIC, formada por representantes do poder municipal, da secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura, e por representantes do Conselho Municipal de Cultura.

O resultado final deverá ser divulgado até o dia 17 de dezembro.

Fonte: Prefeitura do Recife
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Sem legitimidade


A fraude eleita
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A campanha que resultou na eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência foi beneficiada por fraude das normas eleitorais. A legitimidade da posse de Bolsonaro e do seu cargo presidencial é, portanto, no mínimo questionável e pode mesmo ser insustentável.
Este é o significado objetivo da admissão do WhatsApp de que foi usado, em “violação aos seus termos de uso”, em “envios maciços” de mensagens “para atingir um grande número de pessoas”. A afirmação é do gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp, Ben Supple, em palestra no Festival Gabo (Colômbia). Foi publicada na pág. A8 da Folha da última quarta-feira (9).
O representante do WhatsApp não mencionou Bolsonaro. Nem precisava, para expor o comprometimento dessa campanha com indução automatizada, como são os softwares de mensagens enviadas a milhares e milhões —prática vedada pelas normas eleitorais brasileiras.
Já em 18 de outubro de 2018, no mês da eleição, a repórter Patrícia Campos Mello revelou na Folha que as agências Quickmobile, CrocServices e Yacows, entre possíveis outras, foram contratadas por empresários pró-Bolsonaro para disparo de mensagens em massa. Eram de propaganda do candidato ou, sobretudo, de ataque a adversários.
Àquela revelação seguiu-se uma série de outras, desvendando parte do que Patrícia Campos Mello chamou de “submundo dos disparos em massa” na eleição brasileira. Não eram, mesmo, só crimes eleitorais. Para cometê-los em maior abundância, foram utilizados falsamente CPFs, sem conhecimento dos seus detentores, e até empresas fantasmas. Crimes comuns, próprios de estelionatários. Cometidos por alguns empresários já conhecidos e outros identificáveis sem dificuldade. Com gastos não declarados ao Imposto de Renda nem à Justiça Eleitoral. Logo, crimes de caixa dois e de outras adulterações contábeis.
Já às revelações preliminares, por sua gravidade, o Tribunal Superior Eleitoral abriu procedimento para a praxe de “apurar os fatos”. Mas punida (com multa) foi, como se poderia esperar, a campanha de Fernando Haddad, acusada de ativar um site contra Bolsonaro. O ministro Edson Fachin considerou que tal prática desequilibrou a disputa. A balança da Justiça tem sensibilidades exclusivas.
A candidatura Bolsonaro não limitou seu benefício, entre as transgressões suscitadas, a ações eleitoreiras por meios automatizados e em massa. Essas mensagens estavam repletas de fake news caluniosas, com Haddad como alvo preferencial. Outra exigência legal descumprida é da inclusão de empréstimos de aviões, carros, escritórios e apoios materiais em geral no custo declarado da campanha. Nas contas eleitorais de Bolsonaro, que se gaba do “gasto de só R$ 2 milhões na campanha”, não foi incluído o alto custo das contribuições empresariais com a contratação de mensagens em massa. Burla que se repetiu como fraude na prestação de contas à Justiça Eleitoral.
Nada disso despertou a atenção dos que conduzem as instituições ditas democráticas.

TRADIÇÃO

Nem a medieval Tradição, Família e Propriedade resistiu aos tempos bolsonaros: a TFP rachou. O grupo no poder interno, encabeçado por Sérgio Diniz na linha do precursor Plínio Correia de Oliveira, acha que um outro, adversário, sabe como saiu do patrimônio, e para onde foi, uma dinheirama sumida. A família já não está unida, vê-se que a propriedade já não é garantida, mas uma certa tradição está viva e ativa.

A ARTE

Insultada por palavras sórdidas de um sujeito sórdido, Fernanda Montenegro recebeu o afago solidário, fosse explicitado ou não, de todos os que podem importar, aqui, em algum sentido. A referência aparente na reação foi o fascínio pela atriz, mas o que mais comoveu e moveu foi, com certeza, a pessoa, foi a mulher, foi a claridade com que Fernanda Montenegro construiu 90 anos, a se completarem na próxima quarta-feira (16), da árdua e brava arte da dignidade. E ainda nos doou Fernandinha Torres, talento fenomenal.
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13 outubro 2019

Algo de novo no futebol


Flamengo mostra que outro jeito de jogar futebol é possível no Brasil
Tostão, na Folha de S. Paulo

Independentemente do desenho tático, uma importante estratégia cada vez mais frequente, embora seja ainda pouco usada, é a marcação agressiva sem fazer falta. 
Ela ocorre em todo o campo, desde o goleiro. O time que marca mira quem está com a bola, para, rapidamente, recuperá-la. Para isso, é necessário treinamento, ter disciplina tática e ótimo preparo físico.
Na Copa de 1974, há 45 anos, a Holanda encantou o mundo com essa postura. Onde estivesse a bola, havia vários holandeses. Já como treinador, Johan Cruyff, estrela daquele time, levou a marcação por pressão para o Barcelona, onde se tornou um dos pilares da grande equipe comandada por Pep Guardiola. 
Nos anos 1980, o técnico italiano Arrigo Sacchi fez o mesmo no Milan, com sucesso. Outros treinadores, de vez em quando, tentavam fazer o mesmo e desistiam. Hoje, os dois melhores times coletivos do mundo, Manchester City e Liverpool, marcam dessa forma durante todo o jogo.
O Flamengo, além de tantas qualidades, tem dado show de eficiência na recuperação da bola
O Santos, com Sampaoli, tenta fazer o mesmo. Os times que jogam dessa maneira são mais vibrantes e inflamam o torcedor, que apoia ainda mais a equipe. Cria-se um ciclo positivo de grande entusiasmo. O Flamengo, no Maracanã, é uma festa, um sonho para o torcedor. A vida é sonho. O restante são descuidos.
Milton Leite, no Redação SporTV, perguntou se um técnico brasileiro, com o ótimo elenco do Flamengo, faria o mesmo. Eu não sei. Acrescento outra pergunta, porque Jorge Jesus nunca dirigiu uma outra grande equipe europeia fora de Portugal, como vários treinadores portugueses? 
Jorge Jesus, com sua sinceridade e vaidade, sem falsa modéstia, disse que ele não é um técnico que tem ideias europeias, e sim um treinador que tem ideias diferentes dos europeus. 
A maioria dos times de todo o mundo, especialmente os pequenos, quando jogam contra os grandes, adota a marcação mais recuada, para fechar os espaços, com duas linhas de quatro, às vezes, uma de quatro e outra de cinco, para, depois, contra-atacar. Ficam longe do outro gol.
Essa marcação começou na Copa de 1966, com a Inglaterra. No Brasil, há mais de dez anos, o Corinthians, com Mano Menezes, seguido por Tite e, agora, por Carille, adotou essa postura, com sucesso, que se propagou para todos os outros treinadores brasileiros. Passou a ser uma marca de nosso futebol. Cansou. O torcedor e a imprensa querem outro futebol, ainda mais depois de ver o Flamengo.
Muitos técnicos brasileiros e europeus alternam os dois tipos de marcação, de acordo com o momento do jogo, como Tiago Nunes no Athletico. Porém o que predomina no Brasil é o medo de pressionar e de deixar grandes espaços na defesa. Preferem dar a bola ao adversário e recuar. Não gostam da bola.
No amistoso contra Senegal, o Brasil, durante uns 20 minutos, pressionou quem estava com a bola, ficou com ela, fez um gol e parou. Já o time africano, durante todo o jogo, teve mais posse de bola, mais chances de gol e desarmou com facilidade —o principal motivo de o Brasil não conseguir trocar passes. Fiquei preocupado. A dificuldade não é mais somente enfrentar as melhores seleções do mundo.
O Brasil, a melhor seleção do mundo em amistosos, por jogar com mais seriedade e escalar quase sempre os titulares, não venceu os três últimos compromissos. Empatou com Senegal e Colômbia e perdeu para o Peru. Fiquei ainda mais preocupado. Espero que hoje jogue bem e vença a Nigéria.
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Ypiranga Filho, presente!


Ontem, no Memorial Guararapes, abracei familiares e amigos no velório do multiartista e companheiro de luta Ypiranga Filho — guerreiro e amigo —, que deixa como legado uma vigorosa obra e um belo exemplo de resistência pela Liberdade. (Foto: Folha de Pernambuco).



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Arte é vida

Di Cavalcanti

Desigualdade de gênero


A dupla jornada da mulher hoje
Luciano Siqueira

Recebo da amiga breve telefonema para elogiar (generosamente) meu último texto na coluna semanal no portal Vermelho:
- Gostei do conteúdo e do estilo. Fácil de compreender.
- Ótimo! Fico feliz que tenha aprovado.
- Leio quando posso. A vida não está simples. Tenho tempo pra nada!
- Nem pra ler um texto tão curto?
- Isso mesmo. Dou aulas a semana toda durante o dia, cuido das coisas de casa à noite e nos fins de semana...
- E o nosso herói (refiro-me ao companheiro dela) não ajuda?
- Ajuda pouco. Muito pouco...
*
Alguma novidade nesse diálogo? Nenhuma. Bem sabemos que a divisão de trabalho no casal, mesmo quando militantes avançados, segue desigual. As raízes do machismo são difíceis de extirpar.
Há uma pesquisa do IBGE – “Outras Formas de Trabalho” – que dá traços de atualidade a esse velho problema.
As mulheres brasileiras desprendem duas vezes mais tempo que os homens em tarefas domésticas e cuidados com outras pessoas da família.
Esse encargos familiares muitas vezes reduzem o tempo da mulher para o trabalho profissional remunerado.
A pesquisa é feita há três anos consecutivos. Sem alteração nos seus resultados. A luta pela igualdade de gênero ainda não chegou em casa.
De toda sorte, os números indicam levíssimo sinal de que algo pode mudar, mesmo lentamente.
Segundo os dados de 2018 há como que uma estagnação: 93% das mulheres entrevistadas disseram ter dedicado algum tempo a afazeres domésticos e a cuidados de pessoas. Entre os homens, foram 80,4%. Um pouco a mais do que os 90,5% e 74,1%, respectivamente, verificados em 2016.
Entretanto, são razoáveis em relação a 2017, quando 92,6% das mulheres e 78,7% dos homens responderam positivamente à pergunta.
O exame detalhado dos dados mostra o tamanho da encrenca.
As mulheres dão um duro muito maior que os homens em seis dos sete grupos de tarefas pesquisados pelo IBGE, diferindo apenas quanto a pequenos reparos ou manutenção de domicílio, automóveis ou eletrodomésticos.
Nos itens cozinhar e lavar roupas, em 2018, 95,5% das mulheres declararam que preparavam refeições e lavavam a louça e 90,9%, que lavavam as roupas. Entre os homens, foram apenas 60,8% e 50,4%, respectivamente.
Os homens fazem, sim, esses sérvios – quando vivem sozinhos: 92,7% afirmam cozinhar e lavar a louça e 88,6%, lavar roupa.
Eis aí um viés da opressão de gênero arraigado como ostra na pedra. Um problema cultural e ideológico que ainda requer muita luta para ser superado.
[Ilustração: Sindmetal]
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12 outubro 2019

Juntar é preciso

Não faz o menor sentido fustigar e rejeitar o apoio de quem se equivocou, votou em Bolsonaro e agora se deu conta da necessidade de resistir. Quem vier para o campo oposicionista será bem-vindo. O sectarismo e a intolerância não contribuem em nada para o ajuntamento de forças necessário à alteração da situação política.

Besteirol

Na Conferência de Ação Política Conservadora, que se realiza em São Paulo, o chanceler Ernesto Araújo atacou mais uma vez as mudanças climáticas e o fenômeno da globalização como “capturados pela ideologia de esquerda“. Incansável ridículo.