14 abril 2026

Palavra de poeta

Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade    


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

[Ilustração: Edvard Munch]

Leia também: "Primeira palavra", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_8.html

13 abril 2026

Zanzul Pessoa opina

O novo capítulo de um legado: o PCdoB, de Luciano Siqueira a Victor Marques, no coração do Recife

Zanzul Pessoa*  


 

Em Pernambuco, a política com verdadeira vocação popular não apenas sobrevive, ela se reinventa, amadurece e floresce. 

Vivemos uma "era dos legados", na qual as heranças de lutas sociais se consolidam como o alicerce definitivo das políticas públicas. Neste cenário, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) assume um protagonismo inegável e emocionante, demonstrando na prática o resultado de sua lealdade, seriedade e compromisso inabalável com a cidade do Recife.

Hoje, a capital pernambucana vive um momento singular de colheita. Com a saída do prefeito João Campos para disputar o Governo do Estado, a cidade avança com segurança e continuidade. A condução de Victor Marques à prefeitura não é obra do acaso, é a materialização da confiança depositada em um projeto político vitorioso e o coroamento da dedicação histórica do PCdoB aos recifenses. Victor assume o mais alto posto do Executivo municipal representando essa unidade, provando que o partido está preparado para governar, inovar e cuidar das pessoas.

A história recifense, sempre viva e cíclica, é agora reescrita com a tinta da esperança renovada, mas sem esquecer as suas raízes. Para compreender o peso deste novo momento de Victor Marques, é preciso olhar para a bússola que pavimentou este caminho. É impossível falar do PCdoB no Executivo do Recife sem reverenciar a era transformadora liderada por Luciano Siqueira. 

Luciano, com sua estatura de estadista, intelectualidade ímpar e militância histórica, não foi apenas um vice-prefeito, mas o arquiteto de uma nova forma de enxergar a cidade. Sua contribuição se deu em diferentes momentos da história recente, atuando como o ponto de equilíbrio e o fiador das políticas sociais nas gestões de João Paulo (2001-2008) e, posteriormente, de Geraldo Júlio (2013-2020). Em ambos os períodos, a marca do PCdoB ajudou a instituir marcos que mudaram para sempre a gestão pública, como a participação na construção da política municipal da assistência social, no carnaval multicultural, na construção de políticas públicas voltadas para o esporte e, mais recentemente, na construção de políticas públicas voltadas para o meio ambiente e para as mulheres da cidade.

Esse vasto legado, contudo, não foi construído por um só homem. Sob a liderança aglutinadora de Luciano Siqueira, formou-se uma força coletiva. Foram os muitos militantes do PCdoB homens, mulheres, jovens e lideranças comunitárias que gastaram sola de sapato nas ruas, nos morros e nos conselhos municipais, defendendo e transformando o programa do partido em realidade transformadora.

A verdade incontestável é que a administração pública recifense mudou de patamar após essa experiência. A régua subiu. Desde então, a gestão se reformulou e veio se aperfeiçoando, tendo a escuta e a participação do povo como exigência inegociável.

A chegada de Victor Marques à Prefeitura é a prova viva de que o legado construído por Luciano Siqueira e por essa militância incansável, forjado à base de democracia, lealdade e trabalho árduo, frutificou. O partido demonstra, hoje e sempre, que carrega em suas bandeiras o compromisso definitivo com a valorização do Recife e, acima de tudo, com a dignidade do povo pernambucano.

*Ex-líder estudantil, assessora parlamentar.

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PCdoB: a luta política atual

Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria
www.pcdob.org.br 

O Comitê Central do PCdoB aprovou neste domingo (13) uma resolução política voltada às eleições 2026. De acordo com o texto, o Brasil é “é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump”, com “possibilidade real de intervenção” dos Estados Unidos nos rumos e no resultado da disputa presidencial.

“Conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!”, aponta a resolução. Também é preciso, segundo o Partido, “desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita”.

O Comitê Central pede, ainda, “empenho máximo” para “reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças”.

Confira, abaixo, a íntegra da resolução.

Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria 
Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB

O PCdoB alerta o povo brasileiro: o Brasil vive um momento grave, no qual novamente seus interesses nacionais e soberanos estão sob ameaça e ataque. O país é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump, dos Estados Unidos. 

Essa ofensiva se torna mais perigosa, por contar com apoio interno de traidores da pátria, da extrema-direita e setores da direita. Isso se deve ao seu porte econômico e geopolítico, por suas riquezas, pela sua política de integração e equilíbrio da América do Sul e, especialmente, por integrar o BRICS e protagonizar o Sul Global em prol da paz e de um multilateralismo democrático. 

Em sua ofensiva, os Estados Unidos objetivam também se apossarem das riquezas nacionais, entre elas as terras raras e minerais críticos. Em última instância, o embate envolvendo o Brasil e a América Latina, na estratégia dos Estados Unidos, visam a enfrentar a China. 

Em razão disso, tal como já foi demonstrado pelo “tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades, há a possibilidade real de intervenção nas eleições brasileiras com objetivo de se impor um governo vassalo, títere, o que deve ser firmemente rechaçado. Diante de tudo isso, conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!

A menos de seis meses das eleições de outubro, a disputa presidencial se configura acirrada e polarizada, com o país dividido entre duas candidaturas antagônicas que correspondem à encruzilhada na qual o Brasil se depara. Não há meio termo: ou o Brasil segue desbravando um caminho novo, capaz de conduzi-lo à prosperidade pela via do desenvolvimento soberano e sustentável, alicerçado na mais ampla democracia e direcionado para proporcionar vida digna ao povo, com a reeleição do presidente Lula; ou, com a eleição de Flávio Bolsonaro, serviçal de Trump, ser novamente levado à subjugação aos Estados Unidos, à regressão política, econômica e social, como foi no govern o de Jair Bolsonaro, seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.

Simultaneamente, o PCdoB, com mais de um século de lutas em defesa de um Brasil soberano, independente, democrático, socialista, convida o eleitorado popular progressista para participar da pré-campanha de suas candidaturas, engajando-se neste confronto histórico. É indispensável reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças.

Eleições sob impacto de uma realidade mundial conturbada

O mundo se encontra sob uma conjuntura beligerante e conflagrada, que provoca forte abalo na economia em decorrência da política de guerra e de agressões do governo Donald Trump. Para tentar reverter o declínio dos Estados Unidos, ele busca conter a República Popular da China e o poder nacional da Rússia e de outros países das articulações do Sul Global, expressas em inciativas como a do BRICS Plus. Com esse objetivo, pisoteia o direito internacional, rasga a Carta das Nações Unidas, ataca nações soberanas, recorre à política de força e saca da maior máquina de guerra do planeta.

Essa tática tem se revelado desastrosa, como é visto, até agora, em inúmeras ações, assim como na guerra movida pela Casa Branca e o Estado de Israel contra o Irã, na qual os Estados Unidos sofrem derrotas, não atingindo seus objetivos estratégicos. De conjunto, o efeito tem sido inverso: os Estados Unidos enfrentam contradições internas agudas, estão isolados internacionalmente e em conflito aberto com antigos aliados, como é o caso da Europa, enfraquecendo consideravelmente seu sistema de alianças.

O PCdoB ergue alto a bandeira da paz mundial e contra as guerras imperialistas. Condena, veementemente, a ofensiva guerreira de Donald Trump para suprimir a soberania dos países, saquear suas riquezas e oprimir os povos. Internacionalista, reforçará as ações de solidariedade aos países e aos povos agredidos, como Cuba, sob brutal bloqueio; o povo palestino, vítima de genocídio; a Venezuela, seu povo e seu governo, que teve seu presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, deputada Cilia Flores, sequestrados; o Irã, sob os bombardeios de uma guerra imperialista com recorrentes crimes de guerra; e o Líbano, com seu território em parte ocupado e o povo sob massacre perpetrado pelo genocida Estado de Israel.

Direita e extrema-direita se dividem, evaporou-se a pretensa candidatura de centro

O campo da direita e da extrema-direita se dividiu. Soma, neste momento, cinco pré-candidaturas, cenário que, até as convenções, pode se alterar. Além disso, vão se digladiar em disputas aos governos estaduais e ao Senado Federal.

A propalada terceira via inviabilizou-se. O PSD prometeu uma alternativa de “centro” e, ao final, o que oferece é a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, um direitista declarado, que apesar dos atritos é figura cativa nos atos bolsonaristas, prestando o papel de linha auxiliar. De partida, subtrai de Flávio Bolsonaro o apoio de setores da burguesia agroindustrial.

Apresenta-se ainda a pré-candidatura de Romeu Zema, pelo Partido Novo, e surge uma variante do neofascismo: Renan Santos, do partido Missão.

A fragmentação da direita tem um duplo significado. Por um lado, as candidaturas da direita, para decolarem, ou mesmo para não serem rifadas, terão que arrancar votos de Flávio Bolsonaro, onerando-lhe. Por outro, tem o potencial de movimentar o eleitorado oposicionista de perfis variados, como foi feito nas últimas eleições no Chile, criando uma vazão que tende a desembocar em um leito único no segundo turno, contra a reeleição do presidente Lula.

As eleições serão acirradas, com um relativo equilíbrio de forças. Flávio Bolsonaro, impulsionado pelos algoritmos das big techs, definido pelo pai, rapidamente aglutinou a maioria do eleitorado de extrema direita, e mesmo da direita. De tal modo que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se apresenta muito competitiva e perigosa. A evolução da pré-campanha demonstrará melhor os efeitos da divisão da direita sobre ele.

Desmascarar Flávio Bolsonaro: traidor da pátria, inimigo do povo e da democracia

O PCdoB e as demais forças democráticas, patrióticas e populares precisam, desde já, realizar uma ampla campanha, visando a desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita. O programa de sua pré-candidatura, se realizado por completo, transformaria o país numa espécie de neocolônia dos Estados Unidos.

Golpista, quer impor à nação um governo autoritário, o risco de um regime ditatorial. Para que não se tenha dúvida, declarou que, se eleito, vai anistiar a cúpula da organização criminosa que tentou o golpe de Estado, a começar por Jair Bolsonaro e os oficiais militares, segundo ele mesmo que seja “à força.”

Candidato dos rentistas da Faria Lima e dos super ricos, promete um “tesouraço” com o retorno do teto de gastos públicos, uma nova reforma trabalhista e da Previdência, com cortes de direitos econômicos e sociais, agravando as condições de vida do povo. Ou seja, trata-se de canalizar o grosso do orçamento federal para garantir os ganhos fabulosos do capital financeiro, cortando os investimentos em saúde, educação, moradia, segurança etc.

Propaga a violência, o ódio e a intolerância, e defende a liberação das armas de fogo. Carrega nos ombros investigações, realizadas por instituições do Estado, que apontam seus vínculos com as milícias.

Pesam contra ele inquéritos de malversação do dinheiro público, a exemplo das “rachadinhas”.  A extrema-direita é responsável pela maior fraude bancária do país: o caso do Banco Master, gestado e robustecido quando Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, era o presidente do Banco Central. Fabiano Campos Zettel, cunhado e tesoureiro de Vorcaro, foi o maior doador da campanha de Jair Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas na campanha de 2022. Os governos de Claudio Castro, do Rio de Janeiro, e de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, bolsonaristas de alta patente, despejaram bilhões de reais nos esquemas criminosos do Master.

Em suma: é uma ameaça real de regressão cultural e mesmo civilizacional, com a prática e a disseminação do racismo, da misoginia, da LGBTfobia, da violência contra as populações indígenas, do negacionismo climático e da destruição da biodiversidade brasileira. As universidades, a cultura e as ciências são tidas como inimigas e são alvos de ataques porque produzem pensamento transformador e crítico, e resistência.

Amplitude nas alianças, programa avançado, mobilização do povo

A eleição do presidente Lula é a alternativa para livrar o país do neofascismo e da entrega da soberania nacional ao imperialismo estadunidense. Lula parte das realizações e conquistas de seu governo de reconstrução nacional. Pegou um país arrasado e o pôs de pé. Sua estatura elevada, de liderança respeitada no Brasil e no mundo, escancara o contraste com seu opositor principal, um parlamentar medíocre, sem nenhuma experiência de gestão, cujo projeto de maior repercussão, rechaçado pela opinião pública, autorizava vendas de áreas à beira-mar, na prática privatizando praias.

Lula procura calcular bem a correlação de forças. Corretamente, definiu Geraldo Alckmin, mais uma vez, como vice, personalidade que tem sido leal e atuado com competência e patriotismo. O presidente busca ampliar e ir além da esquerda. Com a falência da chamada terceira via, há mais potencial para agregar setores e fatias do centro e da centro-direita, angariando apoios de partes do MDB, PSD, PP, do Republicanos e de outros partidos, dos quais, pela realidade presente, não terá apoio formal. Empenha-se para construir, em todas as regiões, palanques fortes, já tendo conseguido êxitos em vários estados. Lula e sua aliança política também precisam batalhar pela eleição de uma expressiva quantidade de parlamentares nas duas casas do Congresso, fator indispensável para apoiar e aprovar projetos e reformas estruturais necessários.

O PCdoB defende, como tática eleitoral, uma aliança mais ampla possível, com protagonismo da esquerda, embandeirada com um programa avançado, tendo como vértice a soberania nacional, entrelaçada com a defesa da democracia, o desenvolvimento e a valorização do trabalho. Um programa que indique o quarto mandato como marco desencadeador de um novo ciclo para o Brasil, que crie, a partir de um projeto de país, as condições para o desenvolvimento soberano. Julga necessário uma coordenação de campanha que reflita a amplitude da aliança.

O Partido aponta como indispensável dotar o país de um projeto nacional, que abarque as reformas estruturais democráticas. Sua elaboração tem como ponto de partida a construção de consensos mínimos em torno de políticas direcionadas a superar gargalos e travas do arcabouço fiscal e da política monetária. 

Romper com a política de juros altos para liberar e canalizar o orçamento federal aos investimentos públicos, como parte do esforço pelo desenvolvimento e defesa do interesse nacional, da democracia, da redução das desigualdades sociais e regionais e valorização do trabalho; ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública g ratuita, como partes fundamentais de um projeto nacional de desenvolvimento; à industrialização em novas bases tecnológicas; à transição ecológica; à inserção soberana do Brasil no mundo, ajustando suas alianças prioritárias para promover a regulação soberana com base pública de ativos estratégicos como os minerais críticos; e ao programa de soberania digital, redes gov.br e às redes de dados críticos, em especial as relacionadas à defesa e à Amazônia para retomar a noção de Estratégia Nacional de Defesa com foco na dissuasão, equipando a defesa da pátria diante de inimigos muito mais fortes, sem relação de subordinação. Uma reforma política ampla e democráti ca que supere as distorções que dificultam a representação popular no Congresso Nacional e favorecem à hegemonia das forças reacionárias, o que impede, na prática, a realização do programa eleito e das reformas.

E, como diretriz estrutural, a realização de uma reforma que reconstrua e fortaleça o Estado nacional, superando sua disfuncionalidade e os ditames neoliberais, que foram institucionalizados, fortalecendo suas empresas estratégicas e os bancos públicos, democratizando-o e assegurando ampla liberdade ao povo. Medidas, enfim, para que o Estado cumpra o papel de planejamento e alavanca do desenvolvimento soberano e garantidor da defesa nacional.

Será determinante para a vitória a mobilização do povo, o engajamento na disputa do voto dos trabalhadores/as, da juventude, das mulheres, do mundo da cultura, das ciências, dos movimentos e das diferentes religiões. É preciso vincular a campanha eleitoral à agenda de lutas, a exemplo da luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1, que se apoia no Projeto de Lei (PL) 67/2025, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), do combate ao feminicídio, da batalha pela redução dos juros, dos atos do 1º de maio, bem como o calendário de congressos e encontros das entidades e movimentos, entre eles a Marcha da Classe Trabalhadora em 15 de abril em Brasília.

Novas conquistas aos trabalhadores e ao povo e luta de ideias

Os comunistas consideram indispensável que o governo siga proporcionando conquistas aos trabalhadores, como é caso da regulamentação do trabalho mediado por aplicativos, programas que ajudem a minorar o endividamento das famílias, a aprovação da PEC da Segurança Pública, sinalizando com firmeza o compromisso de garantir paz e segurança ao povo e combate eficaz ao crime organizado, o esforço para atenuar os efeitos da política de guerra de Donald Trump, como é caso da contenção do aumento dos combustíveis, em especial do diesel, gás e querosene de aviação. O PCdoB defenderá que se inclua no programa da campanha pela reeleição do presidente Lula a adoção d a tarifa zero, em tempo integral, no transporte público. Essa pauta articula a disputa do voto, a vida concreta do povo e suas reivindicações mais sentidas, resultando numa campanha que seja expressão das aspirações populares.

A luta de ideias e o enfrentamento com a guerra cultural da extrema direita nas redes sociais é estruturalmente assimétrica. É indispensável regulamentar as big techs e batalhar pela soberania digital do país. É imperativo elevar as capacidades e meios para travar a batalha de ideias nos espaços digitais, arena que influencia enormemente o debate público, a formação de opinião e a conquista do voto.

Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB

Entrelaçado com seu grande esforço pela reeleição do presidente Lula e dos aliados nos estados e no Distrito Federal, o PCdoB busca, com empenho máximo, a vitória do seu projeto eleitoral, centrado na reeleição e ampliação da bancada na Câmara dos Deputados, hoje com dez deputados/as após a honrosa filiação do deputado federal Gervásio Maia, da Paraíba, e chegará a 11 com a posse de Inácio Arruda (PCdoB-CE), até então primeiro suplente. Outras lideranças também escolheram o PCdoB para disputar as eleições, fortalecendo a legenda comunista. A todos e a todas o Partido saúda e os acolhe com orgulho.

Realizar uma pré-campanha ampla, entusiástica, embandeirada com a defesa da soberania nacional, engajada na luta pela redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1, na mobilização contra o feminicídio, pela redução dos juros e pela reindustrialização do país, por mais desenvolvimento, mais democracia, pela valorização do trabalho e mais direitos ao povo. Uma campanha também assertiva de combate ao neofascismo, com sagacidade e amplitude.

O Partido é chamado a ser a força dirigente e motriz da campanha, engajando o coletivo de militantes e filiados/as, os amigos/as, aliados/as, lideranças do povo e da sociedade. É fundamental fortalecer a pré-campanha, estruturando as diferentes dimensões, como comunicação, finanças, grupos de apoio etc.

Renato Rabelo e Márcio Cabreira, presentes, sempre!

Durante sua terceira reunião plenária, realizada em Brasília, o Comitê Central do PCdoB, homenageia a memória e o exemplo de militância revolucionária de Renato Rabelo, histórico e grande dirigente do Partido, e de Márcio Cabreira, dirigente oriundo do MR 8 e do PPL, ambos da direção nacional, falecidos em fevereiro último.  O rico legado desses dois destacados camaradas alimentará o ânimo da atual e das novas gerações. Pela grandeza do que foram, pela riqueza revolucionária que nos deixaram, parafraseando o poeta Thiago de Melo, se despediram para permanecer.

Brasília, 12 de abril de 2026

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

Foto: Murilo Nascimento

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Leia também: PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva imperialista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-do-pcdob.html 

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EUA x Irã: a guerra segue

EUA escalam tensão no Golfo e ampliam risco de guerra regional
Ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz expõe contradições de Donald Trump e reforça a desconfiança do Irã diante de uma estratégia considerada agressiva e unilateral
Cezar Xavier/Vermelho 

Após o fracasso das negociações de cessar-fogo realizadas em Islamabad, no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana iniciará o bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Trump afirmou que a medida entra em vigor “com efeito imediato”.

A declaração de Donald Trump sobre um possível bloqueio do Estreito de Ormuz representa um salto qualitativo na crise. Trata-se de uma medida que, além de carecer de respaldo no direito internacional, implicaria na interrupção de uma das rotas energéticas mais importantes do planeta — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Ao propor impedir a circulação de navios, Washington assume uma postura de coerção global, afetando não apenas o Irã, mas toda a economia internacional. A medida, na prática, configura uma forma de bloqueio econômico com potencial de desencadear confronto direto.

Contradições na narrativa dos EUA

O discurso norte-americano revela inconsistências evidentes. Ao mesmo tempo em que afirma buscar a “liberdade de navegação”, o governo dos EUA propõe justamente restringi-la. A retórica de combate a uma suposta “extorsão iraniana” contrasta com a própria iniciativa de controle militar de uma via internacional.

Além disso, a insistência no tema nuclear aparece dissociada das negociações concretas. Embora Washington aponte o programa iraniano como foco central, suas ações recentes priorizam pressão militar e econômica, deslocando o eixo diplomático.

China, Rússia e a disputa pela multipolaridade

A ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz não é uma medida isolada, mas parte de uma ofensiva para reconfigurar o mapa de poder no Golfo Pérsico. Ao tentar impedir que o Irã “pedagie” ou condicione o trânsito de embarcações, os EUA buscam, na verdade, garantir que nenhuma potência rival — especialmente China e Rússia — possa usar a rota como instrumento de influência geopolítica.

A presença da China e da Rússia no Oriente Médio tem crescido de forma consistente. Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano e firmou acordos de cooperação de 25 anos com Teerã, incluindo investimentos em infraestrutura e energia. Moscou, por sua vez, mantém parcerias militares e tecnológicas com o Irã, além de coordenar posições em fóruns como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai.

Irã reforça soberania e desconfiança

Do lado iraniano, a resposta é marcada pela reafirmação da soberania e pela rejeição a qualquer ingerência externa. Autoridades como Mohammad Bagher Ghalibaf destacaram que a confiança nos Estados Unidos foi definitivamente rompida após sucessivas tentativas frustradas de negociação.

Teerã sustenta que o controle do estreito é uma questão estratégica nacional e rejeita propostas de administração conjunta com potências estrangeiras. A posição iraniana se ancora no argumento de defesa territorial e no histórico de intervenções externas na região.

Apoio internacional e rearranjo geopolítico

A crise também acelera movimentos no tabuleiro internacional. O contato entre Vladimir Putin e o presidente iraniano sinaliza um estreitamento de relações, com Moscou defendendo um cessar-fogo sob termos mais próximos aos interesses de Teerã.

A alegação de que o Irã não teria legitimidade para controlar ou condicionar o fluxo de navios no Estreito de Ormuz ignora elementos fundamentais do direito internacional:

Esse alinhamento indica que a escalada promovida pelos EUA pode fortalecer blocos alternativos, aprofundando divisões geopolíticas e reduzindo o espaço para soluções multilaterais.

Legitimidade do Irã: soberania, defesa e direito internacional

  • Soberania territorial: O Estreito de Ormuz é formado por águas territoriais e zonas econômicas exclusivas do Irã e de Omã. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), Estados costeiros exercem soberania sobre suas águas territoriais, podendo regular a passagem de embarcações, desde que respeitado o direito de passagem inocente.
  • Medida defensiva legítima: O fechamento do estreito pelo Irã foi uma resposta a mais de 40 dias de ataques militares dos EUA e Israel, que incluíram bombardeios a infraestrutura civil, assassinato de autoridades e tentativa de desestabilização do regime. Trata-se, portanto, de medida de autodefesa perante agressão armada, amparada pelo Artigo 51 da Carta da ONU.
  • Ilegalidade do bloqueio estadunidense: Ao contrário da ação iraniana, o bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA ao Irã viola frontalmente o direito internacional. Sanções unilaterais com efeito extraterritorial, ameaças de uso da força e interceptação de navios em águas internacionais configuram atos de agressão, não de legítima defesa.
  • Proporcionalidade e seletividade: O Irã não interditou indiscriminadamente o estreito, mas condicionou a passagem ao pagamento de “pedágios” ou ao respeito a regras de segurança — prática comum em rotas marítimas sob jurisdição nacional. Já os EUA anunciam interceptar “todas as embarcações que tenham pago pedágio ao Irã”, criminalizando atos legítimos de comércio e navegação.

Resistência soberana contra cerco imperialista

A disputa pelo Estreito de Ormuz não é, portanto, uma questão técnica de liberdade de navegação, mas um capítulo central da luta pela reconfiguração da ordem mundial. De um lado, o imperialismo estadunidense, em declínio relativo, recorre à força militar e ao controle de rotas energéticas para conter rivais e manter hegemonia. De outro, o Irã — aliado estratégico de China e Rússia — exerce seu direito soberano de defender seu território e seus interesses nacionais.

A legitimidade da ação iraniana reside precisamente nisso: não se trata de “extorsão”, como alega Trump, mas de resistência legítima a um cerco ilegal. Enquanto os EUA ameaçam bloquear uma rota vital para o comércio global, o Irã reafirma que a soberania sobre suas águas não é negociável sob coerção.

Risco de guerra ampliada

A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz não apenas intensifica a crise atual, mas eleva o risco de um conflito de maiores proporções. Ao optar por medidas de força em detrimento da diplomacia, Washington contribui para um cenário de instabilidade prolongada.

Nesse contexto, a postura iraniana — centrada na defesa de sua autonomia e na resistência à pressão externa — ganha respaldo entre países que veem na ação dos EUA uma repetição de padrões intervencionistas. O impasse, longe de se resolver, aponta para uma escalada cujas consequências podem ultrapassar a região do Golfo.

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Irã usa satélite chinês e desafia hegemonia dos EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/poderio-belico-digital.html 

Humor de resistência

Miguel Paiva 

Sylvio: voz altiva

Afinal, uma voz se levanta e se impõe diante de Trump. O Papa Leão IV o enfrenta dizendo que não o teme. É muito bom ver isso.

Sylvio Belém