08 setembro 2026

Palavra de poeta

Fábula de um arquiteto
João Cabral de Melo Neto   

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

[Ilustração: Philip Guston]

Leia também: "a parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Firme repúdio à manobra golpista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-do-pcdob.html 

A patranha de Mendonça

Um ministro golpista?
Luciano Siqueira   

No amplo noticiário sobre a crise no STF e o comportamento do ministro André Mendonça destaca-se entre abordagens objetivas e certeiras artigo de Luís Nassif no Jornal GGN: "Xadrez: a patranha de André Mendonça e as grandes falsificações da história".

Como sempre, bom texto. Esclarecedor e objetivo.

Nassif destaca na manipulação e controle de provas digitais: falhas e irregularidades na condução de relatórios relacionados às investigações (como a Operação Compliance Zero) e a concentração informal de discos rígidos e dados extraídos sob a responsabilidade de poucas pessoas, quebrando a cadeia de custódia e inviabilizando o rastreamento em caso de vazamentos.

Os relatórios apresentados foram formatados apenas para leitura direta, em vez de disponibilizarem os dados brutos e metadados completos, dificultando eventual auditoria independente que possa comprovar ou não se houve omissão, cortes ou seleção intencional de trechos para direcionar suspeitas.

As informações foram selecionadas com o objetivo de criar um "fato político" sob medida para atingir membros e autoridades de alto escalonamento do meio jurídico e de investigação (como a Polícia Federal, a PGR e outros ministros do STF).

Há visíveis distorções em episódios como convites para eventos internacionais intermediados por terceiros e reuniões fora da agenda formal.

Demais, são questionáveis a conduta e os bastidores das reuniões do ministro em instituições privadas (como no Instituto Iter) para tratar de assuntos sensíveis sem o devido registro em agendas públicas formais.

A tese central de Luís Nassif é que a atuação do ministro André Mendonça instrumentalizou acusações e provas e enfraqueceu os ritos de auditoria para construir um enredo construído — uma "patranha" —, desenhado para gerar instabilidade política e atingir a cúpula do Judiciário e da Procuradoria.

Tais procedimentos se inserem em uma estratégia de desgaste de adversários políticos e blindagem de aliados, caracterizando mais uma operação de impacto na cena política, com hipotéticas influências no pleito presidencial.

Confira https://jornalggn.com.br/coluna-economica/xadrez-a-patranha-de-mendonca-e-as-falsificacoes-da-historia/

Ilustração: imagem produzida por IA

Campanha eleitoral no 7 de Setembro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01430611910.html 

Lula pela legalidade institucional

Lula determina recurso da AGU contra afastamento do chefe da PF
Governo aponta usurpação da competência do Executivo; Diretores da Polícia Federal colocam cargos à disposição em ato de solidariedade a Andrei Rodrigues
Davi Dmolir/Vermelho 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nesta terça-feira (8) que a Advocacia-Geral da União (AGU) recorra no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão monocrática do ministro André Mendonça.

A liminar do magistrado afastou preventivamente de suas funções o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.

A orientação do chefe do Executivo foi definida durante reunião de emergência no Palácio da Alvorada com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

A estratégia do governo se baseia no cumprimento da notificação judicial acompanhado da devida contestação no âmbito da própria Suprema Corte, de forma estritamente institucional.

Na petição da AGU, a União sustenta a ocorrência de violação da competência privativa do presidente da República. A tese central do Poder Executivo fundamenta-se no artigo 84 da Constituição Federal e nos dispositivos da Lei 9.266, os quais estabelecem que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal constituem atribuição exclusiva do chefe do Governo. Sob a ótica do Palácio do Planalto, a determinação de desconstituição do comando do órgão policial mediante decisão liminar isolada extrapola as prerrogativas do Poder Judiciário.

A controvérsia teve início na manhã desta terça-feira (8), quando o Mendonça determinou o afastamento cautelar dos dirigentes.

O magistrado fundamentou sua decisão na alegação de que relatórios de inteligência da corporação teriam sido utilizados para viabilizar monitoramento de autoridades, incluindo o próprio ministro e o titular da AGU, Jorge Messias.

Na mesma decisão, Mendonça ordenou a abertura de procedimentos apuratórios no âmbito da Corregedoria da Polícia Federal, embora tenha indeferido o pedido de prisão preventiva formulado pela legenda partidária contra o diretor-geral.

No âmbito do julgamento virtual, a Segunda Turma do STF chegou a formar maioria favorável à manutenção da medida cautelar, com os votos do relator, do ministro Luiz Fux e do ministro Nunes Marques. No entanto, a análise do caso foi interrompida após o ministro Gilmar Mendes apresentar pedido de vista, mantendo a vigência da decisão liminar até a deliberação. Com o cumprimento provisório do ato, a gestão interina da Polícia Federal foi assumida pelo diretor-executivo da instituição, William Marcel Murad.

Como reação às decisões de Mendonça, 11 diretores que integram a alta administração da Polícia Federal divulgaram manifestação pública conjunta reafirmando irrestrito apoio a Andrei Rodrigues e Leandro Almada.

No documento assinado coletivamente, os delegados puseram seus respectivos cargos à disposição da direção interina como forma de protesto contra o que classificaram como acusações desprovidas de sustentação fática.

A nota subscrita pela cúpula da corporação enfatiza o repúdio às tentativas de atribuir condutas não republicanas à instituição e aponta a presença de motivações políticas nas críticas proferidas.

Os signatários reafirmaram o compromisso com a preservação das atribuições constitucionais do órgão e com a manutenção do Estado Democrático de Direito. Entre os integrantes que assinam o posicionamento estão os responsáveis pelas áreas de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Corrupção e demais assessorias superiores da PF.

Firme repúdio à manobra golpista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-do-pcdob.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

Firme repúdio à manobra golpista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-do-pcdob.html 

Palavra de Lula

Lula sobe o tom no programa de TV e mostra Bolsonaros como “traidores da pátria"
Em nova operação eleitoral, o presidente associa a família Bolsonaro à tarifa dos EUA e às ameaças contra o Pix, elevando o confronto com Flávio na reta crítica da campanha
César Xavier/Vermelho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova ofensiva contra a família Bolsonaro no horário eleitoral gratuito desta terça-feira (8). A propaganda da noite deve classificar os membros do clã como “traidores da pátria”, ao associar o grupo político ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e às pressões contra o sistema de pagamentos Pix.

A estratégia amplia o tom adotado pela campanha nos últimos dias e desloca o centro da disputa para a questão da soberania nacional. A mensagem é que os adversários internos desenvolvem interesses estrangeiros em prejuízo da economia brasileira.

A expressão não é inédita na campanha de Lula. No início de setembro, o presidente já havia utilizado o termo ao falar de setores que, segundo ele, estariam interessados ​​em entregar recursos estratégicos brasileiros a interesses estrangeiros. Em seu programa eleitoral, uma referência foi direcionada à família Bolsonaro. 

Tarifaço vira arma

O principal eixo da nova comunicação é o conflito comercial com os Estados Unidos. Lula tem procurado apresentar as tarifas norte-americanas como uma questão de soberania nacional, contrapondo sua política externa à postura de seus adversários.

No pronunciamento de 7 de Setembro, o presidente afirmou que o Brasil não será “colônia de ninguém” e defendeu que o país tenha autonomia para definir seus parceiros comerciais. Também vinculou a defesa da soberania ao controle brasileiro sobre recursos estratégicos, como terras raras, petróleo e água.

A campanha pretende explorar politicamente a atuação de Bolsonaro diante do governo Trump, sobretudo declarações e iniciativas que podem ser propostas como apoio ou tolerância às medidas norte-americanas contra o Brasil.

O objetivo é transformar o entreguismo das elites numa escolha eleitoral: de um lado, Lula e a defesa da soberania económica; por outro lado, os adversários compararam-se como alinhados aos interesses de Washington.

Pix entra no confronto

Outro elemento da propaganda é o Pix. A campanha de Lula pretende associar a família Bolsonaro às ameaças e implicações envolvendo o sistema de pagamentos brasileiro, explorando o tema como símbolo de interferência estrangeira e de defesa da autonomia nacional.

O assunto tem forte potencial eleitoral porque o Pix se tornou um dos instrumentos mais divulgados no cotidiano dos brasileiros. A disputa política em torno do sistema já havia provocado forte repercussão durante o governo Lula, inclusive depois da circulação de informações falsas sobre uma suposta tributação do Pix.

A campanha busca agora deslocar o debate para a ideia de que interesses estrangeiros poderiam atingir uma ferramenta criada e desenvolvida no sistema financeiro brasileiro.

A ocorrência ocorre em cenário acirrado

A mudança de tom acontece quando a corrida presidencial apresenta sinais de maior equilíbrio.

No primeiro turno, porém, Lula permanece numericamente na frente: 39%, contra 35% de Flávio, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira. Augusto Cury aparece em terceiro, com 9%. Em uma simulação de segundo turno, aponta Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, há empate técnico. O levantamento reuniu 2.002 participantes entre 4 e 7 de setembro e foi registrado no TSE sob o número BR-06790/2026.

O resultado ajuda a explicar a intensificação da estratégia. Com a diferença entre Lula e Flávio reduzida no segundo turno, a campanha do presidente passa a explorar com maior intensidade de temas capazes de mobilizar participantes além da identificação partidária tradicional.

Disputa sem rioblu

A escalada já vinha sendo construída no horário eleitoral. Na semana passada, Lula usou sua propaganda para o crítico Flávio Bolsonaro também em torno da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Em inserção veiculada na rádio, o presidente afirmou que seus adversários estariam participando contra os trabalhadores. Outra peça apresentou uma declaração de Flávio sobre a proposta e o classificou como “o pior dos Bolsonaros”.

A nova propaganda dá mais um passo nessa direção. Ao utilizar a expressão “traidores da pátria”, Lula procura não apenas criticar Flávio individualmente, mas atingir a identidade política construída pela família Bolsonaro em torno de patriotismo, soberania e nacionalismo.

A eleição entra, assim, em uma fase na qual os candidatos passam a disputar não apenas propostas e resultados de governo, mas também a interpretação sobre quem representa os interesses nacionais diante da pressão externa.

Veja aqui https://www.youtube.com/watch?v=6Hqlu3uWmNU&source_ve_path=MjE0Mjgz&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fvermelho.org.br%2F    

Palavra do PCdoB

PCdoB denuncia mais uma tentativa de André Mendonça de blindar Flávio Bolsonaro e interferir nas eleições presidenciais
www.pcdob.org.br    

É estarrecedora e inadmissível a decisão do ministro do STF André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da PF, André Almada.

André Mendonça extrapola suas competências para cegar o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, e impedir a continuidade das investigações que estavam em andamento sobre seu envolvimento no caso do Banco Master. A Polícia Federal conduzia as investigações em estágio avançado, inclusive com as delações já realizadas comprovando o envolvimento da família Bolsonaro e em particular de Flávio Bolsonaro.

O objetivo de Mendonça é claro: impedir nenhum processo eleitoral e desestabilizar o país, colocando em xeque a democracia e o futuro do Brasil.

O Partido Comunista do Brasil repudia veementemente mais uma manobra política de André Mendonça para defender os interesses da extrema-direita e do intervencionismo norte-americano, para beneficiar seus aliados e a família Bolsonaro.

Defendemos o imediato afastamento do Ministro André Mendonça como relator do caso Master.

Conclamamos as forças democráticas do país a cerrarem fileira em defesa da integridade do processo eleitoral, da democracia e contra qualquer tentativa de interferência e manipulação da vontade soberana do povo.

Lula defende a soberania no 7 de Setembro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-lula-no-7-de-setembro.html