Partido midiático
Luciano
Siqueira
Faz tempo estou convicto — e tenho afirmado aqui — que o mais poderoso partido político em ação no Brasil é o complexo midiático neoliberal dominante.
Canais de TV, redes de rádio, jornais impressos e digitais, canais no YouTube e streaming e micro blogs constituem influentes instrumento da luta de ideias, atingindo os mais diversos segmentos da sociedade com a incrível precisão técnica.
Partidos políticos são antes de tudo corrente de opinião. A mídia neoliberal exerce esse papel — em íntima associação com a elite dominante, especialmente o capital financeiro, o grande agro exportador, monopólios do varejo e indústria.
Durante todo o terceiro governo Lula, esse partido midiático exerceu oposição cerrada, inflexível.
Agora, na campanha eleitoral, fustigou o presidente e o governo de múltiplas maneiras, a ponto de caracterizar toda e qualquer iniciativa em benefício da maioria da população como "eleitoreira".
A extrema direita, que comparece à disputa com cinco candidatos ativos, obviamente tirou proveito disso.
Nos últimos dias e hoje, fica a impressão de que os senhores da mídia se dão conta do desastre que poderia ser a vitória eleitoral do filho do ex-presidente encarcerado. Numa espécie de objetividade tardia, através de editoriais e escritos e falas dos seus analistas mais destacados, transmitem o incômodo diante de tamanha ameaça.
Fica até a impressão de que a intenção era mesmo levar as eleições ao segundo turno e daí em diante buscar algum tipo de compromisso do Presidente da República e da ampla frente democrática e popular que o apoia, particularmente no que se refere à política macroeconômica.
Tudo leva a crer que o embate não se resolve hoje, teremos uma segunda rodada.
Veremos como se comportará o partido midiático.
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