25 junho 2026

O PCdoB e Lula

O selo do PCdoB na frente pró-Lula*
Luciano Siqueira    


Apesar dos múltiplos ataques da extrema direita e parte dos segmentos conservadores, pouco a pouco a pré-candidatura de Lula à reeleição ganha fôlego.

No polo oposto, segmentos mais reacionários ainda se dividem entre algumas postulações e a principal delas, a do senador Flávio Bolsonaro (PL), não consegue esconder seu imenso e arriscoso telhado de vidro.

Nesse contexto, o documento "Avançar na construção da reeleição de Lula e na vitória do projeto eleitoral do PCdoB", recém-lançado direção nacional do Partido, faz-se oportuno e duplamente indispensável: sinaliza para a atualização da plataforma eleitoral da ampla frente pró-Lula e põe nas mãos de sua militância, uma vez mais, ideias-força que lhes permite navegar no oceano da amplitude e ao mesmo tempo tingir com o matiz vermelho esforços próprios ao êxito eleitoral e ao revigoramento do proletariado e das massas populares.

Unidade e amplitude, sim; sem abrir mão do próprio selo de classe, contudo. Na melhor acepção leninista.

Assim, o PCdoB tem participação ativa na formulação das “Diretrizes para o desenvolvimento do plano de governo 2027-2030” através dos núcleos temáticos e fundações para formular as diretrizes do plano de governo; e sublinha com traços nítidos sua concepção desenvolvimentista a um só tempo resistente ao neoliberalismo predominante e proponente de reformas estruturais de caráter patriótico e democrático.

Assim, o papel do Estado – que deve superar os condicionantes neoliberais na condução da economia e adotar medidas estruturantes para além das imposições do capital financeiro - há que se fortalecer, confrontando o cipoal de emendas constitucionais e de dispositivos infraconstitucionais que o fazem disfuncional e inoperante.

Pela voz de candidatos e candidatas ao parlamento federal e estadual, o Partido reforça “a perspectiva de um futuro de desenvolvimento soberano para o país, com mais democracia, vida de prosperidade, de paz e segurança para o povo” em íntima relação com a pauta atual dos trabalhadores e demais segmentos populares, notadamente “a grande e decisiva batalha para aprovar, também no Senado Federal, a significativa vitória na Câmara dos Deputados com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho”.

Embora sob a pressão de tendências predominantes entre as diversas forças em presença por campanha difusa, no conteúdo e nas formas organizativas, o PCdoB põe em movimento sua estrutura de Comitês de direção intermediária e Organizações de Base no intuito de conquistar o voto e de contribuir na estruturação de renovado movimento popular.

*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

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Leia também “Cida: luta, consciência e afeto” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0343482442.html   

Sylvio: jogo duro

O grande número de contusões ocorridas em jogadores durante a Copa leva a uma reflexão: não será o caso de se rever os métodos de preparação física dos atletas? Parece que estão sendo treinados para correr por longas distâncias, mas a musculatura não está  suportando. Ou isto se deve a outros fatores?

Sylvio Belém   

A Copa do Mundo agora e no passado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0995517251.html

Minha opinião

Na Copa tudo é mercadoria 
Luciano Siqueira  

"A riqueza das sociedades em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma 'imensa coleção de mercadorias'", escreveu Karl Marx. 

A coleção de mercadorias na Copa do Mundo de futebol é quase infinita. 

Tudo, tudo mesmo serve ao caríssimo merchandising. Vender é o que importa — mesmo que se alimente uma falsa euforia e incomensurável subjetivismo na análise dos fatos. 

Pelo menos na mídia brasileira, a paixão se sobrepõe à realidade. Já não somos os melhores, porém importa parecer que continuamos a ser. 

O tempo excessivo dedicado ao evento resulta encher linguiça em todos os horários. 

O merchandising se expressa nos mínimos detalhes, até no botão da blusa dos repórteres. 

Para quem gosta de futebol, um chute no saco. 

[Ilustração Peter Hodgkinson]

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Como o povo brasileiro transformou o futebol em símbolo nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/nosso-futebol-ja-foi-o-melhor.html 

Humor de resistência

Aroeira

Como o povo brasileiro transformou o futebol em símbolo nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/nosso-futebol-ja-foi-o-melhor.html 

Palavra de poeta

NARCISO CEGO
Thiago de Mello  

Tudo o que de mim se perde
acrescenta-se ao que sou.
Contudo, me desconheço.
Pelas minhas cercanias
passeio — não me frequento.

Por sobre fonte erma e esquiva
flutua-me, íntegra, a face.
Mas nunca me vejo: e sigo
com face mal disfarçada.
Oh que amargo é o não poder
rosto a rosto contemplar
aquilo que ignoto sou;
distinguir até que ponto
sou eu mesmo que me levo
ou se um nume irrevelável
que (para ser) vem morar
comigo, dentro de mim,
mas me abandona se rolo
pelos declives do mundo.

Desfaço-me do que sonho:
faço-me sonho de alguém
oculto. Talvez um Deus
sonhe comigo, cobice
o que eu guardo e nunca usei.

Cego assim, não me decifro.
E o imaginar-me sonhado
não me completa: a ganância
de ser-me inteiro prossegue.
E pairo - pânico mudo -
entre o sonho e o sonhador.

[Ilustração: Pablo Picasso]

Leia também: "Laços", poema de Marcelo Mário de Melo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_062988253.html 

Dica de leitura

O outro lado do conflito   

Transcrevi aqui no blog matéria publicada no site Outras Palavras, "A guerra e a paz, vistas de Teerã".

O texto é relativamente longo, mas de fácil leitura porque instigante. Trata-se de uma entrevista com o iraniano Mohammad Marandi, que analisa a complexa geopolítica do Oriente Médio a partir da perspectiva estratégica da República Islâmica do Irã.

Importa saber essa versão, pois tudo ou quase tudo o que sabemos, no noticiário cotidiano, é a versão difundida pelos Estados Unidos através de agências de notícias useira e vezeiras em distorcer a realidade.

O entrevistado argumenta que, longe de agir por mero impulso ideológico, o governo iraniano calibra suas ações militares e diplomáticas com base em uma lógica pragmática de sobrevivência do regime e dissuasão. Tenta expandir sua influência geopolítica por meio de forças aliadas em países como o Líbano, o Iêmen e a Síria. Encara o desafio de equilibrar a retórica beligerante de confronto com a necessidade de evitar um conflito direto e destrutivo em larga escala. Ressalta o papel da diplomacia secreta e das tentativas de normalização de laços com vizinhos árabes, na busca por estabilidade regional que favoreça sua soberania. O desafio de compreender o Irã não como um ator irracional, mas como uma potência que joga um xadrez político complexo para garantir seu espaço em uma nova ordem multipolar. 

Confira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/ponto-de-vista-do-ira.html

[LS]

Enio Lins opina

Escândalo Master, apuração e diversionismo – capítulo 2
Enio Lins   

DEFENDER QUE TODOS sejam exemplarmente punidos, caso provada vinculação em casos como o do Banco Master, mesmo gente de grande valor, é um gesto ético básico. Imparcialidade à toda prova: Errou, pagou. Entretanto, é-se indispensável não perder o foco do conjunto de fatores envolvidos para não se tornar massa de manobra.

ANTES DE BATER O MARTELO, preste muita atenção em torno do acontecido, e pergunte-se quem ganha com um veredicto antecipado pelo zum-zum-zum. Capoeira mata um, diz a canção. Mas quem morrerá pelo rabo de arraia? É ingenuidade crer que a defesa radical da punição para todos garante que assim seja. Ser duro não é ser otário. “Hay que endurecerse, pero sin entregar la rapadura jamás!” poderia ter dito Che Guevara. No caso da apuração da suposta participação de Jacques Wagner em algum esquema Master, os procedimentos devem ter passos semelhantes e proporcionais aos principais e notórios envolvidos, como os Bolsonaros, Campos Neto e outros Master-chefes.

SUSPEITO DO RECEBIMENTO
 de algo como R$ 3,5 milhões, Jacques Wagner teve a PF procedendo busca e apreensão em seu domicílio. Wagner foi elevado pela chamada “grande mídia” a uma posição de visibilidade semelhante ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está sob suspeita de ter abocanhado cerca de R$ 155 milhões (US$ 30 milhões). E Wagner está sendo injustamente comparado a Bolsonaro Júnior 01, que – confessadamente – mordeu R$ 61 milhões (US$ 10.6 milhões) como primeira parcela do valor de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) apalavrado – e gravado – com Vorcaro. E o mais grave: Alcolumbre e Flavito seguem, até o fechamento dessa coluna, invisíveis para o ministro André Mendonça, responsável no STF por destrinchar o Master.

E NÃO É QUE ESQUECERAM 
do Roberto Campos Neto? The Bob Fields' Grandson presidiu o Banco Central de 28 de fevereiro de 2019 até 1.º de janeiro de 2025, seis anos que correspondem exatamente aos seis anos do avassalador e criminoso sucesso do Banco Master. Como divulgado pela mídia, o Master (chamado Máxima até 2021), sob o comando de Daniel Vorcaro, saltou inexplicavelmente “da 91ª colocação no ranking de tamanho dos bancos brasileiros, com apenas R$ 3,47 bilhões de passivos (recursos captados) em 2019, para a 20ª posição, com R$ 83,18 bilhões, em março de 2025 - o último dado disponível, a poucos meses antes de quebrar” conforme
 artigo de Alvaro Gribel publicado o Estadão, em 8/3/2026. Esses seis longos anos de fraudes escandalosas passaram invisíveis e inaudíveis aos olhos fechados e ouvidos moucos de Campos Neto, providencialmente mudo – até hoje – sobre esse tema. E quede a PF pisando na soleira da porta dele?

GRAÇAS AO INTERCEPT BRASIL 
veio à público a negociata entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, um mimo na ordem de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões repassados comprovadamente. Se não fosse essa reportagem sobre a mutreta Master/Dark Horse, publicada antes da ação sobre o petista senador da Bahia, o judeu Jacques Wagner estaria hoje crucificado, sozinho, num auto-de-fé autorizado pelo ministro André Mendonça. E destaque-se que o caso Wagner trata de uma suspeita, não comprovada, dele ter ganhado um apartamento de um empresário que seria sócio de Vorcaro. Pela suposição de ter recebido 1,9% do valor negociado por Vorcaro com Flávio Bolsonaro, Jacques Wagner não pode ser absolvido por antecipação, isto é certo. Mas, muito menos, pode ser usado como bode expiatório para anistiar os responsáveis pela roubalheira do Master.

QUE A INVESTIGAÇÃO 
se estenda até os principais suspeitos – família Bolsonaro, Partido Liberal, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro... e, principalmente, Roberto Campos Neto – com a mesma rigorosidade que brindou o senador Wagner. Nem mais, nem menos. E que a Justiça seja feita.

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Leia também: Escândalo Master, apuração e diversionismo – capítulo 1 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/enio-lins-opina_0830324009.html