25 setembro 2026

Dica de leitura

A ponta do iceberg
Luciano Siqueira    
 

Tema sempre desagradável, mas incontornável neste instante da vida do país. Artigo do Jornal GGN https://jornalggn.com.br/politica/do-master-ao-inss-passeio-de-flavio-em-jatinho-de-r-82-milhoes-de-vorcaro-e-so-a-ponta-do-icerberg/  aborda o uso de um jatinho de luxo (avaliado em cerca de R$ 82 milhões), pertencente ao empresário Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), pelo senador Flávio Bolsonaro, utilizando esse episódio como ponto de partida para analisar conexões mais amplas do sistema financeiro com a política e o setor público.

O artigo sustenta que a carona no jatinho não é um evento isolado, mas sim declaração visual de uma teia mais profunda de interesses. O artigo explora como o Banco Master expandiu sua presença no mercado financeiro e no setor público nos últimos anos.

Por exemplo, a atuação do banco em operações ligadas a crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS, um mercado bilionário que desperta disputas e controvérsias no setor bancário.

Demais, poderosa rede de influências que envolvem o Banco Master em Brasília, mencionando o trânsito do banco junto a diferentes espectros políticos, órgãos de controle e instâncias regulatórias.

Em suma, a publicação usa o caso do jatinho para reiterar que considera a promiscuidade entre o poder político e grandes investimentos financeiros privados, chamando a atenção para os desdobramentos dessas alianças na gestão de recursos do INSS.

Leia também: A disputa pelo Senado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0646797896.html 

Futebol: evolução tática

A subversão da ordem no futebol
Meio-campo não é mais dividido entre volantes marcadores o camisa 10 armador. Tenho muito orgulho de ter sido um coadjuvante na seleção de 1970
Tostão/Folha de S. Paulo  
   


Raphinha vive seu melhor momento no Barcelona e no futebol, atuando na posição de centroavante, o que nunca tinha ocorrido, pois sempre foi um atacante pelas pontas ou um meia ofensivo centralizado e próximo à área.

Além de dar excelentes passes para gols, Raphinha marcou 14 vezes em oito jogos na atual temporada. Diferentemente dos clássicos centroavantes que atuam centralizados, fixos, Raphinha se movimenta por todo o ataque e aproveita muito bem suas excepcionais qualidades: a velocidade para receber a bola entre os zagueiros e as precisas finalizações. Ele subverte a ordem, o previsível.

Muitos perguntam por que Raphinha não brilha na seleção. Entre vários motivos, o mais lógico é porque no Barcelona ele atua próximo a Lamine Yamal e à frente de um excepcional meio-campo, formado por Rodri, um pouco mais recuado, e dois meio-campistas (Pedri e Olmo ou Fermin), todos da seleção da Espanha. Os dois estão, com frequência, próximos a Raphinha e à área.

Ancelotti convocou o meio-campista Martinelli para o lugar do centroavante João Pedro, cortado por contusão, por que vai escalar Raphinha de centroavante nos amistosos contra Austrália e Índia?

Na história do futebol, vários jogadores se destacaram muito em seus clubes e não brilharam na seleção, enquanto outros menos elogiados jogaram na seleção melhor que em seus times. Há muitos motivos para isso; técnicos, físicos e emocionais. Outra razão é o precoce endeusamento da mídia a alguns jogadores que atuam bem em seus clubes, ainda mais se forem artilheiros. Basta fazerem alguns gols para pedirem suas convocações.

No auge de Pelé, a cada semana pediam um novo artilheiro para atuar ao seu lado na seleção. Eram convocados, não jogavam bem, em parte pela dificuldade de acompanhar o talento do Rei, e depois não voltavam à seleção.

Perto da Copa de 1970, o técnico Zagallo, depois de convocar e experimentar os artilheiros Dario e Roberto, me chamou e disse que ia me escalar desde que eu não recuasse tanto para receber a bola, que atuasse à frente de Pelé e Jairzinho. Respondi a ele que não haveria problemas, que eu jogaria como fazia o centroavante Evaldo no Cruzeiro. Eu, que no Cruzeiro era um protagonista ao lado de Dirceu Lopes, fui na seleção um facilitador, um coadjuvante. E tenho muito orgulho disso.

Antes de a bola chegar, Pelé me dizia, com os movimentos do corpo e com o olhar, o que faria. Tentava acompanhá-lo. A comunicação analógica é menos exata, porém mais inventiva. Assim como os grandes escritores, em um estalo, acham a palavra certa, os craques no gramado descobrem novos caminhos.

A diminuição progressiva de contratação de jogadores de outros países, medida adotada pela CBF e pelos clubes, deve pressionar a formação de melhores jogadores, desde que se mudem os conceitos e a maneira de ensinar. As outras equipes precisam aprender com o Palmeiras. Espanha, França e Inglaterra formam os melhores jogadores do mundo e não têm limites na contratação de estrangeiros.

Escuto dezenas de vezes que o problema da seleção é a falta de um clássico camisa 10, seguindo a ideia ultrapassada de que o meio-campo é dividido entre os dois volantes em linha que marcam e um camisa 10, responsável por toda a armação de jogadas. O futebol mudou.

A espetacularização do futebol brasileiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-aparencia-e-essencia.html   

24 setembro 2026

Minha opinião

Mar alto
Luciano Siqueira    

No boletim ONU News, leio que o aumento do nível dos oceanos — impulsionado pelo aquecimento global e pelo derretimento de geleiras — representa um risco iminente para a humanidade.

Destaco cinco “ameaças existenciais”:  o avanço da água salgada do mar sobre em fontes de água doce e aquíferos costeiros; aumento da migração forçada; perda de território por nações, alguns países podem do submergir, comprometendo sua soberania, direitos de deslocamentos e redefinição de zonas marítimas internacionais e plataformas continentais; consequências econômicas graves, implicando custos de segurança, destruição de infraestruturas específicas e grave retração do turismo e da pesca em regiões costeiras; ingestão e o uso de água com elevado teor de sódio — devido à salinização das reservas potáveis ​​— e consequente aumento de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, disfunção renal crônica e demência nas comunidades afetadas.

Nada simples.

Desafio a instituições multilaterais, destacadamente aos países membros de maior dimensão e capacidade de intervenção.

Trump: megalomania e crueldade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/trump-megalomania-e-crueldade.html

Humor de resistência

 

Quinho

Militantes digitais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0905367849.html 

Palavra de poeta

Poema a Boca Fechada
José Saramago     
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é doutra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vasa de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quanto me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.


[Ilustração: Giovanni Cassarà]

Leia também "Amei-te sem saberes", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_01687211250.html 

Postei nas redes

Campanha de Lula reforça atos de rua na reta final em conexão com a ideia e a emoção nas redes digitais. Recife na agenda. 

A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html 

Editorial do 'Vermelho'

O estadista respeitado no mundo versus o sabujo de Trump e “irmão” de Vorcaro
Lula se destaca na ONU defendendo soberania, democracia e direitos, enquanto candidato da extrema-direita se mostra cada vez mais entreguista e desqualificado
Editorial do 'Vermelho'      

Na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 22 de setembro, em Nova Iorque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se destacou ao defender o multilateralismo, a soberania das nações, a democracia, o direito internacional e a liberdade dos povos para decidir seus destinos. Abordou também a necessidade de fortalecer a cooperação entre os países, preservar a autonomia das nações, defender os direitos dos trabalhadores, combater as jogatinas das bets, proteger os interesses nacionais e assegurar a cada país o direito de decidir sobre suas riquezas naturais.

Lula tratou ainda das guerras e da necessidade de soluções diplomáticas, da reforma das instituições internacionais, do combate ao crime organizado, das relações comerciais e das tarifas, das mudanças climáticas e da transição energética, dos minerais críticos e das terras raras, da inteligência artificial e da regulação das grandes plataformas digitais. Também abordou a fome, a pobreza e a desigualdade, o crescimento econômico, o emprego, a valorização dos salários, a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital, o feminicídio, a saúde, a educação, a desinformação e a ciência, além da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Vinculou a defesa do Pix à soberania nacional e à capacidade do país de desenvolver e preservar suas próprias soluções tecnológicas e financeiras.

O presidente também alertou sobre riscos ao processo eleitoral brasileiro. Afirmou que a democracia no Brasil está novamente em xeque e enfatizou que o país não permitirá que inimigos internos ou externos atentem contra a vontade popular, uma referência às ações do governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, de apoio ao candidato presidencial da extrema-direita, Flávio Bolsonaro. Disse que a América Latina sofre pressões e declarou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

O alerta e a denúncia do presidente têm fundamentos sólidos. A exemplo das suspeitas de apoio à campanha de Flávio Bolsonaro que recaem sobre a Rockbridge Network, rede estadunidense de articulação política que tem no rol de fundadores J. D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos.

Há, também, o fato de 11 perfis no X que divulgaram conteúdos pagos, sem identificar quem financiou, sobre a alta do bolsonarista nas apostas da Polymarket, com o intuito de criar uma narrativa de vitória. O Partido dos Trabalhadores (PT) e a coligação Brasil pronto pra mais acionaram o STF e o TSE para apurar o abuso de poder econômico e político e o uso criminoso dos meios de comunicação relacionados à interferência estrangeira nas eleições.

Lula também defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, sem intervenção estrangeira. Afirmou que o Brasil não precisa de forças militares externas para combater as organizações criminosas e defendeu ações conjuntas para interromper o fluxo internacional de armas e dinheiro. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, declarou.

Sobre os minerais críticos e as terras raras, Lula afirmou que o Brasil possui recursos necessários à transição energética e que suas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro. Defendeu que sua exploração ocorra em benefício do país, com geração de valor em território nacional, transferência de tecnologia e suprimento de setores estratégicos.

À margem da Assembleia da ONU, foi divulgada a declaração do chamado Escudo das Américas por 15 países sob a tutela dos Estados Unidos. Tendo como pretexto o combate ao narcotráfico e ao terrorismo, o documento vai forjando o discurso para justificar o domínio neocolonial do imperialismo estadunidense na América Latina e no Caribe. E, neste momento, obviamente, o foco é o Brasil. Entronizar no maior país da região um governo títere para se apossar de suas imensas riquezas.

Lula foi sagaz, equilibrado e ganhou importantes apoios internacionais ao abordar temas como o genocídio palestino perpetrado pelo Estado de Israel sob o governo de Benjamin Netanyahu. Falou também da barbárie representada pela guerra na Ucrânia, envolvendo a Rússia, uma tragédia desencadeada pelo aviltamento do direito internacional pelo poderio militar da Otan. Ao fazê-lo, avivou o perfil de um dos principais estadistas da contemporaneidade.

As posições do presidente demarcam bem o profundo contraste com Flávio Bolsonaro, que recentemente voltou a ser notícia por seu envolvimento com criminosos, com a informação de que sua assessoria negociou a liberação de uma emenda de R$ 199.999,79 solicitada por Robson Calixto da Fonseca, o “Peixe”, condenado pelo STF por integrar organização criminosa no caso do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, assassinada em 2018.

Suas relações com milicianos são bem conhecidas, além de casos flagrantes de corrupção, o mais notório deles revelado pela dinheirama do ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro na mal explicada história do financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, condenado e preso por atentar contra o Estado Democrático de Direito, que envolvia crimes como assassinatos de autoridades, inclusive o presidente Lula.

Insere-se também no rol de suas condutas delituosas o conluio com o governo Trump para apoiar o tarifaço contra o Brasil e a ingerência dos Estados Unidos, com graves ameaças à soberania nacional no caso da caracterização de facções criminosas como “terroristas”, nitidamente um pretexto para interferir no processo eleitoral e ameaçar o Brasil. Suas declarações não deixam dúvidas de que, se eleito, o Estado brasileiro será moldado para atender aos interesses estadunidenses, sobretudo a entrega das riquezas nacionais.

A gravidade do momento convoca uma ampla união e combativa mobilização de democratas, patriotas e trabalhadores à reta final do primeiro turno. A palavra de ordem é: Avançar, não esperar acontecer e tomar iniciativa. Como se viu no grande ato político da cultura realizado na cidade do Rio de Janeiro.

Outra iniciativa de grande importância também é o manifesto da Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB), que, sem declarar voto, convoca o povo a não se abster, pedindo que compareça em peso às urnas para digitar o voto consciente. Em outra frente, o presidente Lula cuida de ampliar bases de apoio e neutralizar setores das classes dominantes. Participará, nesta sexta-feira, 25, na cidade de São Paulo, de um encontro com empresários e executivos de grupos econômicos e financeiros.

Carga total nas ruas e redes. Desmascarar Flávio Bolsonaro e disseminar que o futuro do Brasil, caso os eleitores honrem Lula com um quarto mandato, será marcado pela defesa intransigente da pauta do povo, a exemplo do fim das bets e da escala 6×1, da ampliação da democracia e do fortalecimento da soberania nacional. Encher as ruas e praças do país, no próximo domingo (27), de alegria, esperança e vibração de uma campanha que constrói a vitória apoiada na força do povo.

Na ONU, Lula sobe o tom contra o imperialismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-na-onu.html