Merece ser comemorada a
independência dos Estados Unidos?
Enio Lins
HÁ TRÊS DIAS completaram-se 250 anos dos Estados Unidos como país
independente. Marco na história, um salto revolucionário. A reverência ao 4 de
julho, entretanto, não pode ser traduzida como subserviência, muito menos
idolatria a tudo da paradoxal trajetória das 13 colônias inglesas que ousaram
sacudir a si e ao resto do mundo.
NOS CURSOS DE MARXISMO, antanho, era ensinado que o Mundo Moderno foi parido por três
grandes revoluções: Revolução Industrial Inglesa (1760–1840), Independência dos
Estados Unidos (1776), Revolução Francesa (1789). Esse trio de acontecimentos
tremendos foram a pá de cal no moribundo feudalismo, que durou cerca de mil
dolorosos anos, imperando na Europa, e de lá se espalhando, entre os séculos V
e XV. Nos anos 1300, o Renascimento marcou uma etapa intermediária até os anos
1600, aliviando o obscurantismo medieval, mas sem mudar o mundo nem interromper
a exportação das velharias através do Colonialismo. A independência dos Estados
Unidos trincou esse modelo em 4 de julho de 1776.
KARL MARX COMPAROU, em 1867, no prefácio da primeira edição de O Capital, o
significado da independência dos Estados Unidos ao papel da Revolução Francesa.
Antes, durante a guerra civil americana (de 1861 a 1865), Marx publicou vários
artigos – no estadunidense New
York Daily Tribune, no austríaco Die
Presse, e nos boletins da I Internacional – defendendo firmemente o
lado nortista e o fim da escravidão como o complemento necessário ao avanço
iniciado pela independência estadunidense, salientando a importância disso para
a emancipação dos trabalhadores em todo planeta. Saliente-se que a velha e má
Inglaterra – de quem os Estados Unidos se libertaram mantendo a escravidão como
um de seus pilares econômicos – proibiu o proibiu o comércio de escravizados em
1807 e aboliu a escravatura no seu vasto império, em 1833. Os americanos
precisaram de uma carnificina interna, a Guerra Civil, para libertarem sua
economia da escravidão humana, mas jamais eliminaram completamente de seus
corações, mentes e bolsos a discriminação racial e a superexploração do
trabalho. Marx estava certo na tese da revolução incompleta, mas morreu sem ver
que os Estados Unidos se transformariam num país escravizador de outros países.
FORAM REVOLUCIONÁRIAS as instituições criadas pela Independência Americana: a
República moderna e a eleição de um presidente, a divisão dos poderes entre
Executivo, Legislativo e Judiciário (repartição aperfeiçoada pela Revolução
Francesa), etc. Mas esses avanços de 1776 não evoluíram, atrofiaram-se.
Metamorfosearam-se em reacionários. A Suprema Corte permite-se cada vez mais à
manipulação pelo conservadorismo ianque, revertendo conquistas sociais
importantes; e – incrivelmente – passou a ser tolerante com golpes de Estado
contra o próprio regime democrático estadunidense! O processo eleitoral
estagnou-se numa balbúrdia de leis estaduais em que a fraude encontra fáceis
caminhos para subverter o voto direto. A Casa Branca avança como superpoder,
cristalizando o autoritarismo de quem possa alcançar a presidência, como Donald
Trump, oligarca que dispensa discursos melosos para disfarçar corrupções,
violências e o mais deslavado terrorismo – desde que justificado pela bandeira
MAGA (Faça a
América Grande de Novo). A nação americana fez uma revolução para se
libertar da opressão e predação do imperialismo inglês, mas se transformou num
país imperialista, opressor, agressor, predador, saqueador... Merece sua
independência ser comemorada?
MERECE SER CANTADA a Independência dos Estados Unidos. Sim. E a melhor forma é
lutando, 250 anos depois, para se tornar independente dos Estados Unidos. Viva
4 de julho de 1776! Cantemos com o cubano Carlos Puebla: Yankees Go Home!
Ouça-o em https://www.youtube.com/watch?v=ulA4ujWrshk
Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que
possamos publicá-lo.
EUA: Os bilionários pedem mais guerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/multimilionarios-senhores-da-guerra.html






