16 outubro 2026

Denúncia grave

Mergulhado em lama fétida

Luciano Siqueira     

Caso Dark Horse: o Globo e outras mídias noticiam que delator entregou à Polícia Federal planilha, contratos e mensagens com advogado de Eduardo Bolsonaro.

A lama é imensa e fétida.

A Polícia Federal constatou o envolvimento de repasses de recursos (vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro) destinados a um fundo de investimento nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo a Eduardo Bolsonaro.

Investiga-se que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e as remessas desses recursos para o exterior, mencionando em conversas a preferência por movimentar valores já situados fora do Brasil.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e analisa frentes como o fluxo de dinheiro estrangeiro para a produção do longo prazo, a participação de agentes políticos e a destinação de emendas parlamentares.

Ilustração produzida por IA

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Palavra de poeta

A MÃO DO VENTO NA SAVANA
João Maria Vilanova      

Que voz perpassa
em teu dorso quando
a noite
passos-de-onça
se aproxima?
Memória de areais
Negras falésias?
Se te escutando
paciente é o trabalhar
de onda.
Eflúvios frémito
um deus muíla que subisse
monandengue
só da raiz do sangue.

[Ilustração: Elayaraja]

Leia também: "Fresta", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_0649186256.html 

Sem eira nem beira

 


Lula: tudo na ponta da língua https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0599807603.html 

Oportunismo deslavado

 


Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Minha opinião

Ganhos do povo sob bombardeio midiático
Luciano Siqueira       

Não há dia em que o complexo midiático neoliberal não bombardeie medidas do governo Lula em favor dos trabalhadores e da população mais vulnerável. Tudo em nome do chamado equilíbrio das contas públicas, zero consideração dos ganhos sociais.

Mais ainda agora, com o andamento da disputa eleitoral, em que tudo é classificado como “pacote de bondades” ou “medida eleitoreira”.

Na prática, contudo, o governo segue firme e o povo se beneficia.

Caso do Pacote Prospera MEI, que favorece micro e médios empreendedores.

O Pix Mei oferece apoio financeiro não reembolsável de até R$ 5.000 para investimentos diretos na compra de equipamentos, ferramentas e melhorias no espaço de trabalho.

O cancelamento ou perdão de dívidas relativas a cerca de R$ 12,6 bilhões em subsídios tributários inscritos na dívida ativa da União, beneficiando aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores.

O Desenrola MEI possibilita a renegociação de dívidas bancárias e privadas com descontos que podem chegar a até 97%.

Mais ainda, o aumento do limite anual do MEI (com previsão de expansão gradual do teto atual para até R$ 140 mil) e permissão para contratação de até dois trabalhadores.

Por outro lado, no que concerne aos trabalhadores formais, o fim da escala 6x1 com diminuição da carga de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Também incomoda aos arautos do mercado financeiro a política de reajuste anual do salário mínimo com ganho real acima da inflação, o que impacta diretamente a renda dos trabalhadores e benefícios previdenciários e assistenciais (como o BPC).

A regulamentação do trabalho mediado por plataformas com garantias previdenciárias (cobertura para auxílio-doença, maternidade, acidentes e aposentadoria) se não tem gerado crítica frontal, enfrenta a superestimação da baixa consciência profissional dos beneficiários.

Quanto à proteção social e alívio financeiro aos mais pobres – fortalecimento e ampliação do Bolsa Família e atualizações no cadastro único (CadÚnico) com a busca ativa para inclusão de novas famílias vulneráveis ​​e manutenção dos adicionais para crianças, gestantes e adolescentes - a crítica se mantém alheia ao seu sentido social.

Maior “nervosismo” dos arautos do mercado se vê na crítica medidas de justiça tributária e isenção de impostos, mediante reformas tributárias focadas no alívio do Imposto de Renda para rendas mais baixas (ampliação da faixa de isenção) e desoneração de itens essenciais do consumo das famílias.

Ao longos dos anos, o êxito de programas como Farmácia Popular e Mais Médicos, associados à ampliação da gratuidade de remédios para doenças crônicas e fortalecimento do atendimento básico com médicos em áreas periféricas e no interior do país sempre foi menosprezado, dando palanque ao corporativismo retrógrada do Conselho Federal de Medicina.

Nem mesmo o estimulo ao setor imobiliário resultante do programa Minha Casa, Minha Vida é devidamente reconhecido, mais ainda quando o governo adota a contratações de moradia com subsídios e condições facilitadas, prioritariamente para as faixas de menor renda.

Na verdade, o complexo midiático neoliberal atua como corrente de pensamento única, fazendo o papel dos partidos políticos mais reacionários.

Imagem produida por IA

Como Lula virou o jogo e garantiu a redução da jornada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/conquista-historica_0282677663.html 

Inversão de valores

Colunistas da mídia neoliberal dominante analisam medidas do governo em prol dos trabalhadores e da população mais pobre mais preocupados com a possibilidade de Lula vencer a eleição do que com os benefícios reais ao povo. Arriégua! 

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

Dica de leitura

Sistema Único de Segurança Pública: distorções 

A temática da Segurança Pública comparece, mais uma vez, ao debate eleitoral com foco na Presidência da República. Agora em ambiente de dramático agravamento da criminalidade, inclusive imbrincada com parte do aparelho de Estado.

O artigo "O sistema único de segurança pública", da jurista Maria Paula Dallari Bucci, publicado no site A Terra é Redonda https://aterraeredonda.com.br/ aborda o que a autora considera rumores e desvios do debate sobre o tema.

segundo a autora, a segurança pública ganhou o centro das discussões políticas, o que é positivo, porém contaminado por ideias errôneas oriundas da extrema direita.

mas critica o fato de propostas de destaque (como os programas associados ao setor conservador/extrema-direita, exemplificados na figura de Flávio Bolsonaro) ignorando completamente o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública), optando por discursos violentos.

Propostas que afrontam frontalmente a Constituição Federal e as cláusulas pétreas de direitos e garantias individuais (art. 60, § 4º, IV, da CF).

Entre os absurdos citados, promessas explícitas de "abater bandidos armados com fuzil", expressões como "traficante que resistir vai virar pó" e a defesa da castração química.

É que o Brasil exibe cicatrizes profundas de uma atuação policial moldada fora do Estado de Direito durante o regime militar. Uma visão política autoritária que nunca foi totalmente superada, mantendo um descompasso específico entre a realidade policial do artigo 144 da Constituição e o conceito de segurança cidadã garantida no artigo 6º.

Fazendo um paralelo com a cultura pop — especificamente com a trajetória dos filmes Tropa de Elite e a evolução trágica de personagens como o Capitão Nascimento —, a autora demonstra como a máquina de guerra criada sob a justificativa de combater o crime acabou gerando efeitos colaterais desastrosos, culminando na ascensão sem antecedentes do crime organizado e das milícias, notadamente no Rio de Janeiro.

Ela considera hipocrisia governantes celebrarem chacinas e operações violentas ignorando acordos firmados perante o Supremo Tribunal Federal (como descumprimentos da ADPF nº 635).

A política de "abatimento de bandidos" e a vigilância sem regulação estão perigosamente próximas de se tornarem a política oficial de segurança pública no país, empurrando a sociedade em direção à barbárie.

Salvo se o presidente Lula conquistar o quarto mandato, acrescento.

(LS)

Lula: tudo na ponta da língua https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0599807603.html