17 fevereiro 2019

O olhar de Pedro Caldas sobre a cidade (5)

Pedro Caldas

Essencial ao futebol


Sistema tático é uma referência aos atletas de que há ordem
Há treinadores estudiosos que não se tornam excelentes porque não têm a técnica sobre como fazer
Tostão, na Folha de S. Paulo

Contra o Talleres, a atuação do São Paulo foi desastrosa, um horror. O time jogou com cinco atrás, colados à grande área (dois laterais, dois zagueiros e um volante), quatro na frente, perto do gol, e apenas um armador, Hernanes, em um imenso espaço. Ele corria com a bola e a perdia. Certamente, não era o que Jardine queria. 
Assim como existem jogadores extremamente habilidosos, que não se tornam craques porque têm pouca técnica, há treinadores estudiosos, que não se tornam excelentes porque não têm a técnica sobre como fazer. É o que Jardine terá de aprender.
Corinthians jogou mal contra o mistão do Racing, mas muito melhor que o São Paulo contra o Talleres. Neste domingo (17), quem será o menos ruim?
Na vitória sobre o Flamengo, o Fluminense se destacou pela pressão em quem estava com a bola e pelo bom posicionamento defensivo, uma evolução de Fernando Diniz. O time teve mais posse de bola, mas faltou talento para trocar passes e chegar ao gol. Já o Flamengo não jogou, por causa da marcação do Flu e pela própria ineficiência técnica e tática. O fato serve para o torcedor flamenguista descobrir que os jogadores são bons, mas não são craques.
As comparações sobre quem foi melhor são cada vez mais frequentes nos programas esportivos. Devem dar muita audiência. Algumas comparações são difíceis, como as entre atletas de gerações diferentes, ainda mais quando um deles não terminou a carreira.
Nas análises, mais importantes que as estatísticas e os títulos conquistados, individuais e coletivos, são o repertório e o nível técnico dos atletas. Pelé foi o melhor de todos, porque possuía, no mais alto nível, todas as características e virtudes de um grande atacante. As conquistas dependem de inúmeros fatores. Os mais premiados nem sempre são os melhores, mas os que atuaram nas equipes campeãs.
A regularidade também é importantíssima, mas, muitas vezes, não depende da vontade e do profissionalismo do atleta. Não se deve confundir tempo de carreira com esplendor técnico. Muitos craques brilham em alguns anos e, depois, administram a fama. 
Se Ronaldinho Gaúcho tivesse jogado por uns dez anos o que jogou em dois ou três, estaria na história entre os melhores depois de Pelé.
As avaliações deveriam ser somente técnicas, pelas conquistas, e não pelo comportamento fora de campo. Os grandes talentos, de todas as áreas, são especiais por suas obras. Às vezes, chamam a atenção pelo estrelismo e pela esquisitice. Faz parte do show. Não se deve misturar o comportamento histriônico, fora de campo, com profissionalismo.
Por causa de seus chiliques, Neymar tem sido bastante criticado. Vi as imagens das seguidas pancadas recebidas por ele, até fraturar o pé. Em um programa esportivo, quase só se falava no excesso de dribles do jogador, que facilitariam as faltas violentas, como se o culpado fosse seu talento. 
Apesar de gostar de firulas, Neymar, na maioria das vezes, dribla em direção ao gol. Além disso, após a Copa do Mundo, quando foi, merecidamente, criticado e ironizado, ele parou de simular e de fazer gestos teatrais.
Os grandes craques, inventivos e transgressores, são as estrelas do jogo, do espetáculo. O sistema tático, importante, é uma referência aos atletas de que existe uma ordem, um planejamento. Funciona como um superego, uma ação repressora. 
Da mesma forma, nós racionalizamos nossas emoções, desejos, para tentar nos proteger do acaso, do espanto e do mistério.
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Retrato

‘Desde o início da gestão, generais atuaram para desarmar bombas plantadas pelo presidente da República, por seus filhos arruaceiros e por um chanceler que resolveu frequentar a franja lunática do movimento neopopulista’, diz à Folha em editorial, desenhando a face visível do governo Bolsonaro. 

Muito aquém da missão que lhe cabe


Já dá para ver que Jair Bolsonaro é um antiestadista
Em vez de dar a linha do governo, presidente formou ministério que é um monstro de muitas cabeças
Ângela Alonso, Folha de S. Paulo

A “nova política” fez aniversário de um mês. Nasceu entre promessas de renovação. A tenra idade desaconselha vaticínios, mas a recém-nascida já exibe sua personalidade: é do tipo que não deixa ninguém dormir.
Seus primeiros 30 dias foram uma eternidade para os adultos na sala: declarações estrambóticas de ministros despreparados, liberação de posse de armas, suspeita de vínculo dos Bolsonaro com milícias, a cirurgia do presidente e as manguinhas de fora do vice.
O destino do bebê é incógnito, mas nem precisa de quiromancia para ver que nasceu sem a linha do estadista.
Muitos os chamados, poucos os escolhidos, diz o livro sagrado. Muitos podem chegar ao governo, poucos são aptos para conduzir um país.
O estadista é da classe rara dos bem preparados. Não cai do céu, surge na grande escola dos partidos, do convívio com os experientes, batiza-se no fogo das crises. Domina, na definição do Houaiss, a “arte de governar”, exerce a “liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias”.
No livro de Nabuco que leva a palavra no título, estadista é “o intérprete do interesse nacional”. Seus perfis de homens de Estado do Império mostram que esta interpretação não é unívoca nem aponta sempre no sentido da mudança: o “interesse nacional” consiste muitas vezes em barrá-la. A simples defesa de reformas não produz, pois, o estadista.
Nem na definição do dicionarista nem na nabuquiana cabe Bolsonaro. Sua arte é a do combate. Vale-se das táticas de guerra informacional para deslegitimar oponentes e da imagem de homem comum para produzir uma liderança projetiva —“ele é um de nós”. Seus canhões da batalha eleitoral (“Brasil acima de tudo”, a arminha com as mãos) em nada ajudam a ourivesaria da governança.
No dia a dia da gestão, governar nada tem de espetaculoso. Consiste em milhares de microdecisões que beneficiam uns em detrimento de outros, dão prestígio de um lado e queimam o filme de outro. Por isso, o estadista ouve, negocia, mapeia consequências antes de agir. Assume riscos calculados. E delega tarefas, nunca responsabilidades.
Bolsonaro é um antiestadista. Em vez de dar a linha do governo, formou um ministério que é um monstro de muitas cabeças, sem uma dominante. Os espinheiros da estreia, transferiu-os a Guedes, a Moro ou a Deus. Nenhum dos três foi eleito.
Também lhe falta grandeza no trato de adversários. Foi irresponsável ao postar “grande dia” quando um deputado se exilou por carência de garantias para exercício do mandato. Faltou-lhe a nobreza de defender um direito constitucional e honrar um dever cristão, quando seu antagonista preso foi impedido de se despedir do irmão.
O cerne de antiestadista se escancarou na Suíça, onde debutou como presidente de fato, exposto a líderes tarimbados e à mídia internacional. Davos, como a ONU, é palco majestático para o bom político. Ali se erigem reputações. Por isso, capricha-se no discurso, cada palavra calculada.
Mas é também um cadafalso. Nele caiu Bolsonaro, ao tropeçar no conteúdo, na política miúda dos saguões e até no cronômetro, confundindo o fórum econômico com o Twitter.
Na falta de estadista no governo, o entorno pode exercer o poder de fato. O general-vice o percebeu. Também pode ser a hora magna de as eminências do Legislativo darem o rumo nos assuntos de Estado.
Mas a tão desejada “renovação” tampouco produziu estadistas parlamentares. Na Câmara, os novos vão do fardado com Bíblia ao famigerado ator pornô.
A casa alta, onde deveria imperar a civilidade, a Constituição e o interesse coletivo, sediou cenas rocambolescas. A disputa por seu comando teve lances que romancistas evitariam por inverossímeis.
No Brasil de hoje, a realidade é mesmo inacreditável. Houve voto em papel, cédula sobressalente, roubo de pasta e apropriação do controle da mesa, mantido na base do usucapião. Em sintonia com a colostomia presidencial, a sessão teve momento escatológico, quando o mais provecto declarou ao microfone que ia “dar uma mijadinha”. Como fecho de ouro, o novo chefe da Casa discursou louvando mais a Deus que à Constituição.
Realmente, o país precisa de reza forte. Ou, no vocabulário dos anos de chumbo tão em moda, de um milagre, que converta a “nova política” em política democrática, aquela que segue regras, cumpre acordos, acata resultados.
Sem os préstimos da ministra da família, tão íntima do divino, talvez seja o caso de estampar anúncios no aeroporto de Brasília: “Procuram-se estadistas”.
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Poesia sempre


Van Gogh
Mormaço de primavera
Thiago de Mello
Entre chuva e chuva, o mormaço.
A luz que nos entrega o dia
não dá ainda para distinguir
o sujo do encardido,
o fugaz, do provisório.
A própria luz é molhada.
De tão baça, não me deixa
sequer enxergar o fundo
dos olhos claros da mulher amada.
Mas é com esta luz mesmo,
difusa e dolorida,
que é preciso encontrar as cores certas
para poder trabalhar a Primavera.

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Cobiça norte-americana


Venezuela e Brasil: a maldição do petróleo na geopolítica internacional
As recentes intervenções dos EUA nos dois países foram necessárias, na ótica militar estadunidense, para que houvesse rápido deslocamento da produção do Oriente Médio para as Américas
Marco Aurélio Cabral Pinto, CartaCapital

Os recentes acontecimentos políticos na Venezuela recuperam relações neocoloniais estabelecidas pela “nova direita” norte-americana e as sociedades periféricas da América do Sul. 

No caso de Venezuela e Brasil, mostram o quanto o estatuto neocolonial decorre da disputa sobre os desígnios, não do povo, mas do “ouro negro”. Em jogo, a indústria com elevado valor geopolítico e financeiro internacional – motor das fábricas, dos transportes e das armas. 

As quantidades de petróleo produzidas globalmente são coordenadas pelo hierarquizado e pequeno rol de megaempresas petrolíferas e resquícios de Estados soberanos na Ásia. Mas os preços são definidos a partir de expectativas formadas dentro do complexo financeiro-midiático internacional. 

Com isso, a geopolítica internacional norte-americana no século XXI parece resultar muito mais das contradições entre as diplomacias do dinheiro e das armas do que entre ideologias ou princípios morais. 

O objetivo do presente artigo é propor hipóteses sobre a intrincada situação corrente na Venezuela, com especial atenção ao papel do continente sul-americano frente ao tabuleiro internacional do petróleo. 

Conforme se procurará argumentar, as recentes intervenções norte-americanas no Brasil e na Venezuela foram necessárias, na ótica militar dos EUA, para que houvesse rápido deslocamento da produção do Oriente Médio para as Américas. 

Como pano de fundo, a estratégia do complexo industrial-militar em promover, nos próximos 18 meses, tensões nas relações pérsico-israelense que o permita renovar-se como governo nas eleições de 2020. Sem o deslocamento da produção, as chances de instabilidade nos preços de petróleo seriam grandes o suficiente para fugir ao controle dos banqueiros, contraparte interessada na (geo)política dos EUA. 

A América do Sul abriga porção segura da produção de petróleo. Isto faz com que a queda esperada de produção no Oriente Médio, motivada por aumento de risco político nos próximos meses, possa ser compensada pelos campos venezuelanos e brasileiros. Com isso, o desenvolvimento da produção na América do Sul torna-se necessário para que os preços internacionais não venham a se instabilizar nos mercados de capitais e, com isso, inviabilizar o funcionamento do sistema industrial-comercial global. 

A Importância de Venezuela e Brasil na oferta internacional de petróleo 

De acordo com o boletim de janeiro de 2019 da International Energy Agency (IEA), a demanda por petróleo em 2019 irá aumentar de maneira relativamente suave e esperada, acompanhando a tendência de crescimento de cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo diários ao ano. 

A queda de produção nos EUA torna o país mais dependente das importações de petróleo e, consequentemente, atua no sentido de fortalecer o aparato militar global norte-americano. 

Cerca de 40% do aumento da demanda global deve-se dao crescimento da China. A necessidade de exploração de hidrocarbonetos não passará, porém, de 1,5% da produção mundial em 2019. 

Considerando-se estoques disponíveis e normalidade nos mercados, o sistema produtor mundial não parece enfrentar dificuldades para prover o “ouro negro” em bases logísticas. Contraditoriamente, em situação de normalidade não há espaço para aceleração da acumulação por parte dos produtores. 

Segundo a IEA (jan-19), espera-se crescimento mundial da produção em 1,4 e 1,7 mbpd em 2019 e 2020, respectivamente. Por outro lado, a capacidade ociosa entre os integrantes da OPEP encontra-se estimada em 1,5 mbpd. Já com relação aos preços, dado que o volume transacionado em mercados futuros e spot supera em cerca de cem vezes a produção física, ocorre volatilidade, sujeitando-se estes ao jogo diário de expectativas administrado pelo complexo financeiro-midiático global. 

Entre as dimensões mais sensíveis para a construção de preços encontram-se as expectativas de instabilidade política nos distritos petrolíferos. Ocorre que esta variável é dinamizada, até certo ponto, pela instrumentalização, por parte das petroleiras, do complexo industrial-militar norte-americano. 

A lógica da intervenção militar dos EUA esbarra, por sua vez, no jogo de disputas no Oriente Médio, seja entre os povos árabes, seja entre estes e Israel. O protagonismo militar dos EUA na região tem sido orientado pelo alinhamento de interesses judaico-cristãos. 

A Venezuela, por sua vez, experimentou diminuição significativa na produção desde meados de 2014. A produção brasileira, ao contrário, cresce a partir do mesmo ano, mediante facilitação para exploração estrangeira. Ou seja, uma das razões para o “golpe dos corruptos” parece ter sido a necessidade, por parte dos EUA, de incrementar a produção no Brasil. 

O Brasil multiplicou suas reservas em cerca de 8 vezes e a Venezuela, cerca de três vezes e meia entre 2005 e 2015. Ou seja, a fronteira de expansão mundial de reservas comprovadas encontra-se há uma década e meia na América do Sul. Espera-se que boa parte do incremento anual de 1,5 mbpd venha dos campos de Brasil e Venezuela. 

A mudança da embaixada para Jerusalém 

É esperado que o risco político no Oriente Médio venha a ser substancialmente elevado em 2019, em consequência da iniciativa de transferência para Jerusalém da capital do Estado de Israel. Não como fato isolado, mas como elemento adicional em território com tensões históricas crescentes. 

Em dezembro de 2016 foi publicada a Declaração de Cooperação entre integrantes da Organização de Países Exportadores de Petróleo e países não-alinhados sob liderança da Rússia (Azerbaijão, Bahrain, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Oman, Rússia, Sudão do Norte e do Sul). 

Neste acordo, renovado até o presente momento, as nações se comprometeram a voluntariamente cortar produção em cerca de 1,5 mbpa (capacidade ociosa). 

Trata-se de concertação com claro objetivo de interferir na formação de preços e, assim, defendê-los contra movimentos estratégicos das partes que não integram o acordo. Cabe lembrar que o acordo não conta com a adesão das potências ocidentais e a Venezuela ocupa, desde fins do ano passado, a presidência da OPEP. 

As sanções contra o Irã compreendem esforços dos EUA para reduzir a zero o número de barris exportados pelo regime dos aiatolás. Em agosto de 2018, o país havia cortado a produção em cerca de 0,6 mbpd. 

Enquanto os EUA ameaçam seus aliados na Europa e Ásia para substituição de fornecedor, o Irã tem concedido descontos sobre fretes e seguros que podem ser atrativos para países importadores em situação financeira delicada, como a Grécia, Itália e Turquia. Dos cerca de 1,7 mbpd produzidos pelo Irã, cerca de 82% têm como destino a China e a Índia. 

O Irã conta ainda com meios para fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 mbpd. Nada disso será necessário, porém, se a demanda sino-indu não encontrar outras fontes de fornecimento baratas e confiáveis. 

No atual estado de coisas, uma eventual escalada em conflito com o Irã teria como partes prejudicadas diretas China e Índia. E os EUA não parecem interessados em arrastar boa parte do mercado consumidor do planeta para a penúria econômica e política. A saída parece o rápido incremento da produção na América do Sul, prévio a qualquer ação tempestiva no golfo pérsico. É por esta razão que a dinâmica da exploração não poderia permanecer subordinada a projetos nacionais independentes. Há urgência na escalada de produção. 

Enquanto o Brasil parece mais que disponível em atender aos interesses neocoloniais norte-americanos, a Venezuela resiste. Ocorre que as sanções econômicas devem se abater sobre a sociedade bolivariana de maneira inclemente. 

O estado de penúria é avançado e há urgência em retomar a normalidade. Por esta razão, ainda que Donald Trump não tenha condições de fomentar uma “guerra justa” contra o Irã até 2020, muito provavelmente estas condições estarão disponíveis ao mandato subsequente.
*Marco Aurélio Cabral Pinto é professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, mestre em administração de empresas pelo COPPEAD/UFRJ, doutor em economia pelo IE/UFRJ. Engenheiro no BNDES e conselheiro na central sindical CNTU

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O prazer da fotografia

Cena urbana: Pescadores num final de tarde em Pitimbu, PB (Foto: LS) 

16 fevereiro 2019

Resistir sempre

Eles querem que a gente desista, afunde na descrença e na apatia. Não conhecem a essência guerreira do nosso povo. Resistiremos agora, venceremos adiante.

Uma joia da MPB: Roberta Sá e Ney Matogrosso, "Peito vazio"



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Esporte que une


O futebol nos ensinou a abraçarmos pessoas que não conhecemos após um gol marcado
KALIANDRA ALVES DIAS, CartaCapital
Ela surge quando menos esperamos. Está ligada a exemplos de boas ações que acontecem no mundo do futebol. Mas nos últimos anos, a frase “não é só futebol” também foi usada em meio às tragédias que abalaram o nosso coração.
Doeu né? Acordar e saber que o sonho da Chapecoense terminou no Cerro El Gordo. Acordar e ver que dez jovens tiveram seus sonhos interrompidos pelo fogo, justamente no lugar que deveria ser o porto seguro de adolescentes que saíram de casa ainda no início da adolescência.
Sonhos que tinham quase sempre o mesmo objetivo: dar uma vida confortável aos pais, avós, esposas e filhos. São nos momentos difíceis e de perda que nos tornamos mais humanos, e nos lembramos de um sentimento um pouco esquecido durante o nosso dia a dia: a empatia.
Sentir a dor da perda de pessoas que nem conhecemos. Abraçar o rival em meio às lágrimas e se indagar porque tantos sonhos foram interrompidos de forma tão trágica. Sentir a dor do próximo, se colocar no lugar de pais, mães, irmãs, namoradas… Não precisamos mandar a bola para escanteio e esconder as nossas bandeiras. Sejam elas tricolores, coloradas, rubro-negras.

Sentir a dor da perda de pessoas que nem conhecemos. Abraçar o rival em meio às lágrimas e se indagar porque tantos sonhos foram interrompidos de forma tão trágica. Sentir a dor do próximo, se colocar no lugar de pais, mães, irmãs, namoradas… Não precisamos mandar a bola para escanteio e esconder as nossas bandeiras. Sejam elas tricolores, coloradas, rubro-negras.

Você não será menos torcedor do seu time do coração por chorar a perda de jovens e jogadores que defendiam outras cores. Demonstrar o sentimento te faz mais humano, mais empático. Já diria o escritor João Doederlim, ‘ter empatia não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro’. E como a gente sente. Como dói o coração. Dores como está dilaceram quem possui sentimentos.

O futebol nos ensinou a abraçarmos pessoas que não conhecemos após um gol marcado. O futebol nos ensinou a aceitar as derrotas e saber que isso faz parte da vida. O futebol também nos mostrou que a rivalidade coloca pessoas especiais em nossa vida. Mas em meio a tantos momentos bons, o esporte também nos ensina com a dor. A dor do título perdido, da derrota… e também de perdas como estas.
O futebol é amor, mas acima de tudo, respeito. As torcidas se silenciaram, as bandeiras se uniram e se abraçaram, nos mostrando mais uma vez que não é só futebol, é vida.

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Policialesco

A blitzkrieg do olavo-bolsonarismo contra a educação está em marcha


Rafeal Moro Martins, The Intercept_ Brasil

Empunhando simplórias Bic Cristal e com o ar compenetrado de quem acaba de se alistar nos Intocáveis de Eliot Ness, os ministros Ricardo Vélez Rodríguez e Sergio Moro assinaram ontem um documento que o colombiano e discípulo de Olavo de Carvalho vê como o estopim da "Lava Jato da Educação".

O objetivo é "apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito (sic) do MEC e de suas autarquias nas gestões anteriores", diz no release.

Trata-se da primeiro sinal concreto emitido por Vélez de que o governo de extrema-direita irá declarar guerra às universidades públicas federais. Até agora, tudo o que o colombiano fizera fora distribuir bravatas.

Numa já célebre entrevista à Veja, ele contou ter se tornado ministro por indicação de Carvalho – o auto-denominado filósofo e guru do bolsonarismo – por ter "a faca nos dentes para enfrentar o problema do marxismo (sic) no MEC".

Vélez também disparou o seguinte: "Tem de haver Lei de Responsabilidade Fiscal para os reitores [de federais]. Eles são habitantes deste belo país, também estão submetidos à lei. O CPF deles pode ser rastreado pelo juiz (sic) Sergio Moro, por que não? Querem mais dinheirinho? Paguem as contas".

A que contas se referiu, Vélez não explicou – e nem foi inquirido pela Veja. E é aí que está o problema: ao prometer uma Lava Jato contra as universidades com base em acusações genéricas, o ministro não consegue sequer disfarçar que o objetivo é criar um novo inimigo de estimação para um governo que mal começou e já se vê constrangido por suspeitas graves que envolvem o filho, o partido e o principal cabo eleitoral do presidente.

"Quer dizer que para esse governo a educação superior é uma inimiga? Vai ser assim mesmo?", questionou o reitor de uma das principais universidades federais do país, que me pediu sigilo pelo óbvio temor de retaliações contra a instituição. Nós conversamos essa semana. "Poucas instituições são tão controladas como as nossas. A CGU (Controladoria Geral da União) mora aqui dentro. Isso soa como ameaça. O conteúdo simbólico é muito forte."

Nos últimos anos, multiplicaram-se investigações da Polícia Federal em universidades. A maioria delas desbaratou esquemas criminosos que não tinham participação das reitorias. Mas também avançou-se o sinal.

No caso mais emblemático, o então reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo suicidou-se após ser preso, despido e algemado por uma operação que sequer conseguiu amealhar provas contra ele. A comandante daquela operação, a delegada Erika Mialik Marena, que também fez parte da Lava Jato, não teve qualquer punição. Pelo contrário: ganhou de Moro um cargo no ministério.

De Vélez, como diria o Barão de Itararé, não se podia esperar nada melhor. Ele mesmo já disse que virou ministro para combater o "marxismo do MEC", que na visão infantil do olavo-bolsonarismo atinge seu ápice nas universidades federais, verdadeiros antros de esquerdistas, gays, feministas e maconheiros. Para o presidente e seu ministro da Educação, os universitários brasileiros são os Freak Brothers, o hilário trio de hippies-alternativos-esquerdistas-drogadões criado pelo quadrinista norte-americano Gilbert Shelton.

O que surpreende é ver Sergio Moro aceitar ser instrumento da guerra do olavo-bolsonarismo. O juiz, um fã de quadrinhos visto por seu fã-clube como o Eliot Ness brasileiro, se torna cada dia mais parecido com – para nos mantermos na obra de Shelton – Tricky Prickears, o gambé cego, surdo e ultra-reacionário que persegue os Freak Brothers. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue debochando do Ministério Público fluminense.
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Enquanto Vélez e Moro assinavam a declaração de guerra às universidades, o novo presidente da Capes, Anderson Ribeiro Correia, determinou novas regras para a abertura de novos cursos de mestrado e doutorado no país, informou a ótima newsletter "Brasil Real Oficial", do jornalista Breno Costa, colaborador do Intercept.

A partir de agora, é preciso provar a “adequação e justificativa da proposta ao desenvolvimento regional ou nacional e sua importância econômico-social”. Para Costa, abriu-se a brecha para que o MEC possa exercer um controle ideológico sobre novos cursos de pós-graduação.

"Mostrar que um curso de engenharia, por exemplo, tem um impacto potencial direto no desenvolvimento regional é fácil. Mas e quanto a cursos na área de sociologia, história, filosofia ou mesmo psicologia?", Costa questionou.

A blitzkrieg do olavo-bolsonarismo contra a educação superior está em marcha.

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Briga na lama

'O desleal viverá esperando o mundo desabar na sua cabeça', diz mensagem do ministro Bebianno enquanto arde na frigideira do Planalto. [Onde o projeto estratégico é a submissão aos EUA, todos brigam e ninguém tem razão]. 

Exclusão social


Escárnio da política que ignora o desemprego e valoriza a especulação. Não há nada mais desesperador para um chefe de família, do ponto de vista pessoal e emocional, do que um longo período de desemprego involuntário. Sua dignidade, sua auto-estima, seu amor à vida desaparecem. Essa situação é comum a todos os trabalhadores desempregados ou subempregados, exceto os que têm alguma riqueza acumulada e possam consumi-la como renda ou crédito. Leia mais https://bit.ly/2TUF2U0

15 fevereiro 2019

Sem noção

“Se eu tivesse que dar um conselho para quem é pai de menina, mãe de menina: foge do Brasil. Você está no pior país da América do Sul para criar meninas”, disse a ministra Damares Alves em entrevista à rádio Jovem Pan. [Existe algo mais estapafúrdio e ridículo?] 

Autoritarismo

‘Pressa de Moro em aprovar “pacote” pode criar um estado policialesco, diz presidente da OAB-SP, Caio Augusto Silva dos Santos’ [Cabe a ampliação da resistência democrática. Já!]

14 fevereiro 2019

Soberania chamuscada


Acordo militar com os EUA é volta ao passado
Gilberto Maringoni, Jornal GGN

A incorporação de um general brasileiro ao Comando Militar Sul dos Estados Unidos representa uma perigosa volta ao passado. Negociações desse tipo entre países periféricos e potência imperial nunca são vantajosas para os primeiros
O Brasil já teve um acordo militar firmado com os Estados Unidos. Durou 25 anos e não fez falta alguma depois de rompido. 
Em 15 de março de 1952, Getúlio Vargas foi pressionado fortemente pela Casa Branca, no auge da Guerra Fria, a assinar um tratado “em defesa do Hemisfério Ocidental”. Na verdade, o “Acordo de Assistência Militar entre a República dos Estados Unidos do Brasil e os Estados Unidos da América” visava garantir, antes de mais nada, mercado cativo para a indústria bélica do grande irmão do Norte.
INGLATERRA E FRANÇA - Até a II Guerra Mundial, o Brasil comprava preferencialmente equipamentos navais da Inglaterra e aviões da França. Assim, em 1910, a Marinha reequipou e modernizou todo o seu arsenal com a compra de dois dreadnoughts (cruzadores), dois scouts (navios de patrulha leves) e dez destroyers (contratorpedeiros leves), entregues ao Brasil a partir de 1908. A política de pessoal seguiu na lógica escravocrata do século XIX e desembocou na Revolta da Chibata, dois anos depois. Mas essa é outra história.
Na formação da aviação militar e naval – a FAB só seria criada em 1941 – a preferência era por artefatos franceses, até a segunda década do século. Não havia exclusividade de fornecedores, mas o Brasil buscava sempre melhores oportunidades de compra.
GRANDE NEGÓCIO - A campanha da Itália, conduzida pela Força Expedicionária Brasileira, revelou-se um grande negócio para os norteamericanos. A ação conjunta, definida em convenção de 1942, estabelecia troca de informações e fornecimento de equipamentos, além do estabelecimento de cinco bases militares no Norte-Nordeste. De uniformes a aviões, passando por veículos leves e blindados, tudo foi vendido por nossos desinteressados aliados de Washington.
O intercâmbio entre as Forças Armadas se estreitou após o conflito, em especial depois da fundação da Escola das Américas, em 1946, instituição do Departamento de Defesa dos EUA. Seu objetivo era treinar e educar oficiais latinoamericanos, o que chegou a incluir aulas de tortura. A base de seu projeto pedagógico era a Doutrina de Segurança Nacional e havia um acordo tácito de que os aparatos de defesa de cada país deveriam voltar-se para a fiscalização de fronteiras e contra o “inimigo interno”. A fundação da Escola Superior de Guerra, no Brasil, em 1949, se deu em linha com o ideário da Escola das Américas e preparou ideologicamente o setor mais direitista das FFAA brasileiras para o golpe de 1964.
POLÍCIA CONTINENTAL - A ideia de que forças locais resolveriam problemas locais e a defesa continental seria feita pelos EUA não era nova. Vinha do “Corolário Roosevelt”, conjunto de iniciativas do presidente Theodore Roosevelt (1901-09), através do qual os EUA decidiriam unilateralmente intervenções diretas em países do continente que apresentassem distúrbios para a ordem regional. O Barão do Rio Branco, ministro das Relações Internacionais (1902-12), e o então embaixador em Washington, Joaquim Nabuco, eram decididos apoiadores desses postulados.
Assim, o acordo de 1952 era etapa lógica de um alinhamento quase automático da política militar brasileira com a linha ferrenhamente anticomunista do governo Harry Truman (1945-53). O país tentava forçar o Brasil a enviar tropas para a Guerra da Coréia (1950-53), uma das mais cruéis investidas imperiais no leste asiático. A moeda de troca proposta pelos EUA era o acesso a metais estratégicos, como urânio, nióbio e manganês e financiamentos para a modernização das forças armadas locais. Vargas aceitou a troca, mas não enviou soldado algum ao Oriente.
O ROMPIMENTO - O acordo era lesivo aos interesses nacionais, mas atravessou governos civis e militares, até ser rompido unilateralmente em 11 de março de 1977. O fato se deu no governo Ernesto Geisel (1974-79), num surto nacionalista e desenvolvimentista que se contrapunha aos interesses da Casa Branca. Vale ressaltar: quem rompeu o acordo foi um general da ditadura (1964-85)!
Entre os motivos do descontentamento brasileiro estava a política do governo Jimmy Carter (1976-80) de pressionar o Brasil pelo desrespeito aos direitos humanos. O país que patrocinara o golpe na década anterior valia-se de uma causa justa para seguir com seu pesado jogo de forças.
OS RECUOS - Por 38 anos, não houve parcerias formais de conjunto entre os dois países no campo militar, apesar de existirem articulações pontuais.
Em junho de 2015, o Ministério da Defesa anunciou em seu site que “Foram promulgados hoje (26), os dois acordos assinados entre Brasil e Estados Unidos relativos à cooperação em matéria de defesa (chamado acordo guarda chuva) e as medidas de segurança para a proteção de informações militares sigilosas. O assunto será anunciado pela presidenta Dilma Rousseff em audiência com o presidente Barack Obama, na próxima terça-feira (30), em Washington (EUA)”.
Era um recuo. Mas nada comparável à posição abertamente sabuja que Michel Temer e Jair Bolsonaro articularam: a volta a uma realidade de submissão que não se via desde o início dos anos 1940, quando a importância do Brasil no cenário internacional era infinitamente menor que a atual.
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