05 outubro 2026

Segundo turno

“Uma nova campanha vai começar e vamos comparar os projetos”, diz Lula sobre o segundo turno
Presidente teve 45,12% dos votos válidos, ante 47,06% do senador e inicia nova campanha com um apelo aos 28 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas
Lucas Toth/Vermelho    

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar o segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 99,85% das urnas apuradas neste domingo (4), Lula tinha 45,12% dos votos válidos, enquanto o candidato da extrema direita aparecia com 47,06%

Flávio recebeu 56.072.190 votos, e Lula, 53.762.471. A diferença entre os dois foi de 2.309.719 votos. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, a decisão ficou para 25 de outubro.

Em seu primeiro pronunciamento após a divulgação do resultado, Lula agradeceu aos brasileiros que compareceram às urnas.

Em declaração na noite deste domingo, Lula afirmou que o segundo turno permitirá uma comparação direta entre os dois projetos apresentados ao país.

“O segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer. A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha. Uma campanha em que, apenas entre dois candidatos, a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”, declarou.

Ao falar sobre Flávio, o presidente disse que o adversário representa “apenas incerteza” e citou as suspeitas que cercam a família Bolsonaro. 

“Do outro lado, nós temos apenas incerteza, com a biografia de um passado tenebroso. Não existe nada que possa vislumbrar um horizonte promissor para a sociedade brasileira”, afirmou.

Lula disse que pretende concentrar a campanha na defesa dos programas de inclusão social e dos investimentos em educação, saúde, ciência e indústria. Entre as propostas citadas estão a ampliação das escolas de tempo integral, a universalização do Pé-de-Meia, o fortalecimento do SUS e da Farmácia Popular e os recursos destinados à Nova Indústria Brasil.

“A gente vai mostrar o que foi feito e o que a sociedade espera que seja feito. E ninguém, mais do que nós, pode oferecer à sociedade brasileira um futuro”, disse.

O presidente também reafirmou que não aceitará um ajuste fiscal que retire direitos ou recursos da população mais pobre. 

“Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres deste país. Não haverá. Isso eu tenho como premissa”, declarou.

Lula se dirigiu ainda aos cerca de 28 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Segundo ele, a participação no segundo turno será decisiva para definir os rumos do país.

“Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que, neste momento histórico do Brasil, o voto é necessário para a gente definir o futuro deste país”, afirmou.

“Termina a primeira fase do Campeonato Brasileiro. E a segunda fase é para Lula e Alckmin ganharem as eleições e continuarem governando este país. O jogo vai começar”, completou.

Leia também "O Brasil não cabe no quintal de ninguém?", artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/soberania-nacional.html 

Palavra de poeta

Poética
Manuel Bandeira     

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

[Ilustração: Marcos Guinoza]

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

04 outubro 2026

Minha opinião

Partido midiático
Luciano Siqueira  

Faz tempo estou convicto — e tenho afirmado aqui — que o mais poderoso partido político em ação no Brasil é o complexo midiático neoliberal dominante. 

Canais de TV, redes de rádio, jornais impressos e digitais, canais no YouTube e streaming e micro blogs constituem influentes instrumento da luta de ideias, atingindo os mais diversos segmentos da sociedade com a incrível precisão técnica. 

Partidos políticos são antes de tudo corrente de opinião. A mídia neoliberal exerce esse papel — em íntima associação com a elite dominante, especialmente o capital financeiro, o grande agro exportador, monopólios do varejo e indústria. 

Durante todo o terceiro governo Lula, esse partido midiático exerceu oposição cerrada, inflexível. 

Agora, na campanha eleitoral, fustigou o presidente e o governo de múltiplas maneiras, a ponto de caracterizar toda e qualquer iniciativa em benefício da maioria da população como "eleitoreira".

A extrema direita, que comparece à disputa com cinco candidatos ativos, obviamente tirou proveito disso. 

Nos últimos dias e hoje, fica a impressão de que os senhores da mídia se dão conta do desastre que poderia ser a vitória eleitoral do filho do ex-presidente encarcerado. Numa espécie de objetividade tardia, através de editoriais e escritos e falas dos seus analistas mais destacados, transmitem o incômodo diante de tamanha ameaça. 

Fica até a impressão de que a intenção era mesmo levar as eleições ao segundo turno e daí em diante buscar algum tipo de compromisso do Presidente da República e da ampla frente democrática e popular que o apoia, particularmente no que se refere à política macroeconômica. 

Tudo leva a crer que o embate não se resolve hoje, teremos uma segunda rodada. 

Veremos como se comportará o partido midiático.

Leia também: Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Arte é vida

Kael Abello

No ritmo atual, paridade de gênero levará 120 anos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/igualdade-de-genero.html 

Dica de leitura

Discurso furta-cor
Luciano Siqueira     

No artigo "Chutzpah: quando a cara de pau se torna uma tecnologia política", publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/artigos/chutzpah-quando-a-cara-de-pau-se-torna-uma-tecnologia-politica/ , Celso Pinto de Melo analisa como o conceito judaico de chutzpah (termo em iídiche para audácia extrema, cinismo ou “cara de pau”) deixou de ser apenas um rasgo de insolência individual para se transformar em uma estratégia e tecnologia de comunicação política.  

Chutzpah é a atitude do homem que mata o pai e a mãe e, no julgamento diante do juiz, deseja ser absolvido alegando ser um "pobre órfão".

Ou seja, a inversão absoluta de papéis, na qual o próprio causador do problema transforma as consequências do seu ato em argumento de vitimização.  

Caso do discurso sobre as milícias. Atores políticos viam benefícios e elogiavam esses grupos. Posteriormente, por conveniência, passaram a rotulá-los como narcoterroristas.  

Assim, chutzpah como tecnologia política tergiversa, substituindo o debate por outra pauta ou simplesmente contradizendo-se.

Em certa medida, o público aceita ou tolera essas inversões devido a motivações eleitorais imediatistas.

Em uma cultura política pautada pela chutzpah, a recusa em recuar ou fazer autocrítica é vista pelo eleitorado como "coragem" ou "autenticidade", e a cobrança por coerência como "perseguição do sistema".  

O fenômeno viceja numa esfera pública polarizada que permite ao oportunista mudar a pauta, transformar culpa em vitimização e converter o questionamento ético em demonstração de força perante seus seguidores.  

Tudo a ver com a extrema direita, o bolsonarismo em particular.

Leia também: Flávio Bolsonaro contra os trabalhadores https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/dica-de-leitura_0653764906.html    

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Minha opinião

Desejamos, mas não é fácil
Luciano Siqueira   

Bom seria vencer já no primeiro turno. Teríamos a certeza de que o país seguiria adiante preservando a sua soberania e o regime democrático. Mais: persistindo numa plataforma desenvolvimentista com compromisso social.

Mas não é simples.

Lula teria que alcançar 50% mais um dos votos válidos, descontados os votos brancos e nulos.  

Dados de pesquisas - as consideradas razoavelmente confiáveis – revelam até hoje, o dia D, o que se convencionou chamar “polarização achatada” e empate técnico, sem que nenhum dos dois principais contendores, Lula e Flávio Bolsonaro, atinja números próximos da maioria absoluta.

A acirrada polarização esquerda x direita tem como subproduto alta taxa de rejeição de ambos.

Ao se apurarem os votos, veremos que pesarão, em certa medida, os níveis de abstenção e voto nulo.

[Ilustração imagem produzida por IA]

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html