02 outubro 2026

Minha opinião

E se der primeiro turno?
Luciano Siqueira   

Não se trata de questionar as pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos de maior credibilidade, mas cabe relembrar, sempre, que cada resultado é uma espécie de retrato do momento. Importa identificar tendências.

Mudanças na intenção de voto podem ocorrer nos últimos dias sob a influência de fatores como a migração de eleitores indecisos, por exemplo.  

Além disso, diferentes institutos lidam com as margens de erro e não negam o comportamento do eleitorado de última hora.

Durante toda a campanha, Lula tem se mantido na dianteira, ainda que por diferenças que oscilam.

Agora mesmo, o próprio presidente (e a campanha como um todo) faz um grande apelo a que eleitores de 70 anos e mais, legalmente dispensados da obrigação do voto, compareçam à urnas. Numa disputa tão acirrada, podem fazer a diferença.

Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária” para vencer https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/rio-lula-nos-bracos-do-povo.html 

Dica de leitura

Como nas eleições passadas
Luciano Siqueira   

Mais do que plausível a suspeita levantada pelo jornalista Luís Nassif, em artigo publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/politica/as-manobras-para-afastar-o-eleitor-de-lula-das-urnas-por-l-nassif/ de que estaria em curso uma estratégia de guerra híbrida com o objetivo de desestimular a participação nas urnas.

O primeiro passo é incutir em parcela expressiva da população uma sensação de medo e insegurança. Três narrativas centrais estariam sendo veiculadas simultaneamente: suposta interferência direta dos Estados Unidos nas eleições brasileiras riscos iminentes de violência política durante e após a votação;  fechamento preventivo de embaixadas e consulados (como os EUA e a Austrália) sob a justificativa de preocupações com a segurança.

Nassif faz um paralelo histórico com operações de comunicação estratégica e empresas de dados (como o SCL Group e a Cambridge Analytica ), que praticaram artifícios que induziram a abstenção em grupos de eleitores específicos nas eleições passadas, envolvendo sobretudo o eleitorado tendente a votar em Lula.

No mato sem cachorro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02027768607.html   

Palavra de poeta

Louvor do revolucionário
Bertolt Brecht       

Quando a opressão aumenta
Muitos se desencorajam
Mas a coragem dele cresce.
Ele organiza a luta
Pelo tostão do salário, pela água do chá
E pelo poder no Estado.
Pergunta à propriedade:
Donde vens tu?
Pergunta às opiniões:
A quem aproveitais?
Onde quer que todos calem
Ali falará ele
E onde reina a opressão e se fala do Destino
Ele nomeará os nomes.
Onde se senta à mesa
Senta-se a insatisfação à mesa
A comida estraga-se
E reconhece-se que o quarto é acanhado.
Pra onde quer que o expulsem, para lá
Vai a revolta, e donde é escorraçado
Fica ainda lá o desassossego.


[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]


Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

Postei nas redes

A maioria dos 120 milhões de eleitores aptos a votar neste domingo ainda não escolheu os seus candidatos a deputado estadual e federal, revelam pesquisas. Colaboro pedindo votos para Renildo federal 6513 e Cida estadual, 65113.

Renildo, tanto quanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao.html 

Editorial do 'Vermelho'

Às urnas com Lula, pela vitória do Brasil
Estão em disputa os direitos, a democracia e a soberania nacional contra a entrega do país aos interesses estadunidenses e a ameaça às conquistas do povo
Editorial do 'Vermelho'    

O Brasil nunca precisou tanto, na história recente, da consciência democrática e dos sentimentos patrióticos de seus cidadãos e cidadãs. Esses valores são indispensáveis para a defesa da soberania nacional, das instituições democráticas e de um projeto de país comprometido com a justiça social e com o interesse público, impedindo que Flávio Bolsonaro, o candidato da extrema direita, seja eleito, o que significaria voltar a um passado nefasto, de destruição da economia nacional e das tragédias sociais do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Por outro lado, reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desbravar um futuro de desenvolvimento robusto, com sustentabilidade, alicerçado no fortalecimento da soberania nacional e da democracia, direcionado para garantir prosperidade ao povo e elevada qualidade de vida.

Acumulam-se fatos que comprovam que o país se encontra sob ameaça de uma potência estrangeira, os Estados Unidos, em uma escalada de pressões e ações que afrontam a soberania nacional e ameaçam os interesses do Brasil, condição que exige do povo brasileiro firmeza, unidade e determinação na defesa da independência e da autodeterminação do país. O presidente estadunidense, Donald Trump, e seu secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, atuam abertamente em favor de Flávio Bolsonaro.

É nesse cenário de ingerência que surge a informação publicada pelo jornal inglês The Guardian, segundo a qual os Estados Unidos, por meio de seu Departamento de Estado, destinaram US$ 1 milhão para uma iniciativa voltada a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), numa operação de pressão sobre uma instituição central da democracia brasileira. Para criar tensão no país, às vésperas de 4 de outubro, suspenderam os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados. Esses episódios expõem, em sua dimensão concreta, a interferência de uma potência estrangeira no processo eleitoral.

Isso se soma aos tarifaços, aos acordos de comércio e investimento com países latino-americanos, aos compromissos sobre energia, minerais críticos, tecnologia e cadeias de suprimentos, às articulações de inteligência e cooperação militar, ao Escudo das Américas, além da crescente presença das big techs na infraestrutura tecnológica e informacional da região. Esse conjunto de movimentos delineia uma dimensão cuja extensão somente o tempo permitirá revelar em sua totalidade.

É justamente nessa trama de interesses que se torna ainda mais perigoso o conluio entre Trump e Flávio Bolsonaro. Ele, na Presidência, seria a vassalagem total à Casa Branca, a renúncia à soberania nacional e a consequente entrega das riquezas brasileiras ao imperialismo estadunidense, enquanto Lula, estadista de reconhecida projeção internacional, angariou respeito ao defender a soberania dos povos, promover a cooperação entre as nações, opor-se às guerras e fazer da defesa da paz uma marca de sua atuação internacional.

Não apenas a soberania nacional está sob ataque. A democracia, novamente, está na linha de tiro da extrema direita. Flávio Bolsonaro já garganteou várias vezes que, se eleito, subiria a rampa do Palácio do Planalto ladeado pela cúpula da organização criminosa que tentou um golpe de Estado, tendo à frente o chefe do bando, Jair Bolsonaro, seu pai.

Para tal, se necessário, usará a força contra o STF, como proclamou em alto e bom som. Portanto, quem vota, apoia ou concilia com Flávio Bolsonaro deve estar ciente de que estará elegendo um golpista que, certamente, irá mutilar a democracia e tentará impor ao país um regime autoritário-ditatorial.

A mídia monopolista acrescenta a esse quadro um componente de grande alcance ao revestir a cobertura eleitoral com uma névoa de desinformação e manipulação de suposições, interditando o debate sobre temas que constituem o mérito dos programas de governo dos candidatos. A intenção é dar aparência de uma igualdade que não há entre Lula e Flávio Bolsonaro, diluindo imensas diferenças históricas e políticas e apresentando como simplesmente equivalentes projetos e trajetórias.

O cancelamento do debate da Rede Globo é um exemplo dessa manipulação. O presidente Lula havia comunicado, com antecedência, que não participaria, pois não seria debate, mas um ataque cerrado dos candidatos da direita contra ele. Flávio Bolsonaro estufou o peito, afirmando que estaria presente, uma vez que estava armado um circo para beneficiá-lo.

Contudo, quando o STF determinou que o candidato Renan Santos teria o direito de participar, Flávio, com medo, fugiu e cancelou a ida. A Globo, para proteger Flávio, cancelou o debate e, desde então, ataca o STF e abriu uma nova carga contra Lula.

A Globo tergiversa e passa a atacar as instâncias superiores do Judiciário brasileiro numa ação sincronizada com as investidas de Trump para desacreditar e desestabilizar as instituições da República. O objetivo é criar as condições para a extrema direita e o imperialismo rejeitarem o resultado das urnas, caso Flávio Bolsonaro seja derrotado.

Essa posição da mídia monopolista reflete a tomada de posição de setores dominantes — o capital financeiro, os grandes grupos econômicos e barões do agronegócio — empenhados em entronizar um Flávio Bolsonaro que, à semelhança do pai, governe para preservar privilégios, ampliar ganhos extraordinários e proteger interesses de uma minoria, transferindo para a maioria da população o custo social de uma política econômica fundada na concentração de renda e na retirada de direitos.

As classes dominantes, sobretudo os setores subordinados ao imperialismo, manifestam aversão e ódio de classe contra Lula e sua posição no centro da vida política nacional, diante da chegada à Presidência da República de uma liderança egressa do movimento operário, capaz de converter demandas históricas em conquistas sociais decorrentes da distribuição da riqueza, além de situar a soberania nacional no centro da agenda política do país.

Como disse Renato Rabelo, ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Lula é um patrimônio brasileiro, uma das grandes lideranças populares do país, com grande prestígio internacional. É justamente essa dimensão que, segundo Renato, explica a ofensiva contra sua liderança. “Atingir Lula é atingir um projeto, atingir a esquerda”, disse. “Por isso que Lula para nós é o maior símbolo da democracia e das conquistas alcançadas neste país”, resumiu.

A campanha de Lula chega ao primeiro turno marcada pela mobilização e pela ampla participação do povo. O presidente levou ao debate efetivo questões diretamente ligadas à vida cotidiana da população, entre elas o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets (medida aprovada por 78% da população, segundo o Datafolha), incorporando temas relacionados à renda, à proteção social e à pauta do povo, tornando a campanha forte e competitiva, marcada pela mobilização popular, enquanto enfrentava a interdição do debate por uma operação da extrema direita que fez explodir a crise no STF.

Nessas horas que antecedem as urnas, cumpre às forças democráticas, populares e patrióticas a tomada de posição pela intensificação da mobilização cívica, de todos que manifestam apreço ao país e à democracia, com o povo como força motriz, na busca de votos palmo a palmo. Em todo o país, é preciso conclamar o comparecimento maciço às urnas para garantir a vitória de Lula e barrar o retrocesso aos trágicos tempos do bolsonarismo.

Lula, para fazer o país avançar, precisará de amplo respaldo nas duas Casas do Congresso Nacional. Daí a importância de eleger uma forte bancada de senadores/as e deputados/as federais, bem como governadores e bancadas nas assembleias legislativas. Tempos desafiadores estão por vir. Em tais circunstâncias, é indispensável uma esquerda forte e, para tal, é importante eleger os/as candidatos/as do PCdoB.

A TV Globo a ver navios https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01197927674.html   

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html 

Rio: Lula nos braços do povo

Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária” para vencer
Presidente disse que eleição opõe a “luta da seriedade contra quem faz orgia”, em referência a Flávio, e acusou a família Bolsonaro de negociar o Brasil com Trump
Murilo da Silva/Vermelho     

O presidente Lula arrastou uma multidão para as ruas do Rio de Janeiro (RJ) nesta sexta-feira (2). Em cima de um veículo, Lula (PT) esteve com os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) em um percurso da Praça Pio X até a Candelária.

No seu discurso, assim como fez na entrevista ao podcast Flow, Lula falou da importância das pessoas com mais de 70 anos votarem no domingo (4) para garantir a democracia no país.

“A gente não pode permitir que a quadrilha do Banco Master volte a governar esse país. A gente não pode permitir que a quadrilha da Previdência Social volte a governar esse país. A gente não pode permitir que esse país eleja uma pessoa que, sendo senador da República, foi defender um policial que matou a menina de cinco anos de idade. Não podemos permitir que essa quadrilha da família Bolsonaro pense em voltar a governar esse país”, afirmou.

“O que está em jogo não é a vitória de um homem, é a vitória de uma ideia, é a vitória da democracia. Ou a gente consolida a democracia ou ela vai acabar, porque vocês sabem que a vitória deles [bolsonaristas] não permitirá boa coisa nesse país”, completou.

Em apelo para que a população eleja parlamentares do campo progressista, o presidente destacou a importância de impedir que a extrema direita eleja senadores para avançar com a pauta negacionista e contra as instituições. Nesse sentido, pediu apoio para Benedita e Pedro Paulo, assim como para Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro.

“Não tem trégua, não tem descanso. Nós precisamos trabalhar em conjunto”, disse.

Sobre a ida ao Flow em detrimento do debate da Globo, que foi cancelado, brincou que a sua entrevista “teve mais audiência do que a novela” e arrematou: “uma demonstração de que se a gente tiver coragem, se a gente tiver determinação, a gente não é manipulado pelos meios de comunicação”.

Em tom mais sério contra Flávio, o presidente conclamou o público a ter coragem para vencer a disputa eleitoral, que opõe “a luta da seriedade de homens que têm biografia contra a luta daquele que faz orgia, daqueles que não medem qualquer comportamento de caráter”.

Momentos depois, destacou que a eleição determinará o futuro do Brasil e disse estar confiante de que vencerá Flávio, inclusive no Rio de Janeiro, que é o reduto bolsonarista.

Na sequência, Lula bradou palavras de ordem para o público: “Bets, nunca mais! Escala 6 por 1, nunca mais! Quadrilha da Previdência, nunca mais!”

Sobre a interferência dos Estados Unidos em assuntos do Brasil, o presidente salientou que a soberania é uma das suas prioridades, ao contrário do clã Bolsonaro, que tenta negociar o País com Donald Trump.

“Aqui nenhum gringo vai meter a mão nas coisas do Brasil. Já tem um bolsonarista lá [Eduardo] tentando vender o Brasil, que vá o resto da família, porque nós não vamos deixar ninguém explorar a nossa riqueza. Os nossos minerais críticos e as nossas terras raras são patrimônio do povo brasileiro. O nosso petróleo é patrimônio do povo brasileiro. A nossa indústria naval é uma conquista desse país, e nós vamos continuar investindo na educação, muita educação, para que as nossas meninas e os nossos meninos possam se formar, ter uma bela formação e ter emprego de qualidade. A gente não vai permitir que o atraso tome conta do país”.

Lula ainda lembrou que assinou, na quinta-feira (1º), uma lei que assegura o pagamento pelo INSS às mulheres vítimas de violência doméstica que precisarem se afastar do trabalho, quando houver determinação judicial.

Por fim, antes de encerrar a caminhada com milhares de pessoas, o presidente reforçou que serão as mulheres que darão a vitória a ele e pediu “dedicação revolucionária” aos presentes para que assuma pela quarta vez o mandato presidencial.

No mato sem cachorro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02027768607.html

Minha opinião

Dor de cotovelo midiática 
Luciano Siqueira   

“Já que nosso time não foi classificado, desacreditemos a competição”. Esta parece ser a consigna do complexo midiático neoliberal dominante em relação às eleições do próximo domingo. 

A disputa pela Presidência da República sobretudo.

Em tudo e por tudo o pleito é visto com mil e um defeitos. Da precariedade do debate de propostas programáticas à frequência de fake news nas redes digitais. 

Supostos "analistas" convidados do mundo acadêmico e colunistas políticos de  diversos órgãos e estilos parecem não ter a consciência (ou disfarçam) de que, de fato, resmungam diante do espelho. 

Tudo como subproduto de uma dor de cotovelo: o fracasso da tentativa de patrocínio de uma candidatura da chamada "terceira via" (nem à esquerda, nem o bolsonarismo), ainda que o nome incensado até o limite tenha sido o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também de extrema direita.

Tomara que tudo isso seja o que parece ser: frustração antecipada pela provável reeleição de Lula.

No mato sem cachorro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02027768607.html

Arte é vida

 

Roberto Ploeg

Renildo, tanto quanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao.html 

Postei nas redes

Em todo o sistema Globo de comunicação, a partir da TV, verdadeiro festival de queixas em relação a decisões judiciais que teriam inviabilizado o debate com os candidatos à Presidência da República, ontem. Historicamente partidária e tendenciosa em favor da direita, a Globo posa de vestal.

A pauta do Brasil e do povo na voz de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html?m=1 

Dica de leitura

Flávio Bolsonaro contra os trabalhadores

Luciano Siqueira    


Pouco se fala sobre o programa de governo do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL). O advogado trabalhista e sindical Ronaldo Tamberlini Pagotto lança luz sobre o tema em bom artigo https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/ publicado no site Outras Palavras.

O autor destrincha as diretrizes da candidatura de Flávio Bolsonaro , denunciando que suas propostas representam séria ameaça aos direitos dos trabalhadores, à Previdência, ao funcionalismo público e às organizações sindicais.

Há um claro estímulo à "pejotização" e ao trabalho por aplicativos, reduzindo o emprego formal, com registro via CLT, a uma faixa minoritária.

Concomitantemente, ameaça as instituições de proteção trabalhista, sugerindo o enfraquecimento (ou extinção) da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT) negando ao trabalhador instâncias de mediação e defesa contra abusos patrões e formas degradantes de trabalho.

Sob a égide de “política fiscal”, defende uma política de cortes profundos de gastos públicos, atingindo diretamente o funcionalismo público por meio do enxugamento da máquina pública, da redução de ministérios, das privatizações e da falta de garantias quanto à estabilidade das carreiras; comprometendo seriamente a prestação de serviços essenciais à população (como saúde e educação).

Propõe o congelamento do ganho real das aposentadorias e pensões do INSS, corroendo silenciosamente o poder de compra dos aposentados ao longo do tempo.

Mais: sugere transformar a aposentadoria pública em apenas uma renda básica complementar, empurrando a população de maior renda para fundos de previdência privada.

Em conexão com tamanha redução de direitos, o combate às organizações sindicais, consideradas “obstáculos aos representantes legítimos da categoria trabalhadora”.

Nessa mesma linha, propõe a eliminação da participação de entidades de classe na gestão colegiada de órgãos como o INSS, atualizando-a por uma gestão exclusivamente corporativa/patronal.

O programa de Flávio Bolsonaro, portanto, tenta uma reestruturação da economia e da sociedade sob a lógica da desregulamentação radical em todas as esferas.

Pagotto conclui que esse modelo aprofunda a desigualdade, precariza as condições de subsistência da classe trabalhadora e coloca o país em uma posição de subalternidade primária-exportadora.

Leia também: O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/midia-pro-mercado.html 

01 outubro 2026

Minha opinião

A TV Globo a ver navios 
Luciano Siqueira  

Chega a ser patético o ar com que o apresentador César Tralli, do Jornal Nacional, anunciou a suspensão do debate com candidatos à Presidência da República.

Determinações judiciais oriundas do STF e do TSE frustraram a TV Globo em seu intuito de promover um espetáculo mal-assombrado, pondo uma placa com o nome do presidente Lula sobre o púlpito que ele deveria ocupar se comparecesse.

Um complemento das razões pelas quais, acertadamente, Lula declinara do convite.

Tal como aconteceu no primeiro turno da eleição presidencial há quatro anos, oponentes se sucederam nos ataques ao presidente sem nenhum compromisso com a verdade, nem com o respeito ao público. 

As regras restritivas impostas pela TV Globo também contribuíram para tornar o espetáculo mais espalhafatoso do que esclarecedor. 

Com a ausência de Lula, a TV Globo ficou a ver navios e a democracia ganhou.

Leia também: Debate nacional na Globo: inconveniente e improdutivo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0243763020.html

Humor de resistência

 

Aroeira

Fim das bets, reajuste no Bolsa Família e canetas no SUS têm amplo apoio popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/em-sintonia-com-o-povo.html 

Palavra de poeta

Sou meu hóspede
Mario Benedetti      

Sou meu hóspede noturno
em doses mínimas
e uso a noite
para despojar-me
da modéstia
e outras vaidades
procuro ser tratado
sem os prejuízos
das boas-vindas
e com as cortesias
do silêncio
não coleciono padeceres
nem os sarcasmos
que deixam marca
sou tão-só
meu hóspede
e trago uma pomba
que não é sinal de paz
mas sim pomba
como hóspede
estritamente meu
no quadro-negro da noite
traço uma linha
branca

Ilustração: Edvard Munch]

Leia também "Poema sujo", de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_0461827398.html 

Minha opinião

No mato sem cachorro
Luciano Siqueira    

1

Durante a pré-campanha e agora em toda a campanha, que terá primeiro turno daqui a três dias, o complexo midiático dominante, neoliberal até a medula, tudo fez e ainda faz para influenciar os resultados nas urnas. 

A disputa pela Presidência da República em especial.

Gastou meses incentivando a pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetado pelo clã bolsonarista. 

Depois, tendo que engolir o senador Flávio Bolsonaro (PL), viu se no mato sem cachorro. A tão incensada “terceira via” morreu de véspera. 

2

A chamada "Faria Lima", a que o complexo midiático serve subserviente e disciplinadamente, também majoritariamente adepta da solução Tarcísio, parece ter lavado as mãos. Oscila entre engolir o candidato da extrema direita — sem eira nem beira — ou buscar junto a Lula algum tipo de acordo sobre a macroeconomia. 

O jantar com Lula e Alckmin, sexta-feira a última, que reuniu mais de trezentos líderes empresariais (bancos, indústria, monopólios varejistas e agronegócio exportador) sugere isso. 

Dará tempo? 

3

E se Lula vencer, como se pode supor em razão de tendências que parecem se consolidar nas últimas pesquisas? 

A elite dominante, obviamente, terá que conviver com o governo Lula 4. 

Nesse caso, uma das apostas será apoiar-se na provável maioria parlamentar oposicionista, no Senado e na Câmara. 

Como se vê, é briga de cachorro grande e, no desdobramento das eleições, a participação popular terá que acontecer — nas ruas e nas redes.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Postei nas redes

A quebra de sigilo de viúva de miliciano em caso de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro pode ser mais um complicador para o candidato da extrema direita.  

Atolado na lama https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/atolado-na-lama.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

"Como o céu é do condor" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01821645850.html 

Dica de leitura

Luta ideias na era dos influenciadores digitais
Luciano Siqueira  
 

Leitura oportuna o artigo “A política na era dos influenciadores”, de Matheus Pereira, no site A Terra é Redonda, https://aterraeredonda.com.br/a-politica-na-era-dos-influenciadores-2/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=novas_publicacoes&utm_term=2026-09-29  acerca do ecossistema digital contemporâneo, pondo em destaque a regulação e regulamentação das apostas on-line ( bets ).

O mercado das apostas online sintetiza uma rede articulada entre o capital financeiro, o setor publicitário, clubes esportivos e influenciadores digitais.

Assinala que esse ecossistema gera lucros socializados para as empresas e agentes envolvidos, enquanto isola a responsabilidade do prejuízo no indivíduo. Quando o apostador perde, o discurso dominante afirma que a culpa é limitação pessoal ("você deveria ter se controlado"), ocultando a estrutura exploratória por trás do jogo.

Nesse modelo de negócios, o influenciador digital cumpre um papel particular: exibe seu estilo de vida e explora uma falsa relação de proximidade com os seus seguidores.

A atividade política passa a ser moldada e disputada no nível das emoções e da estética, antes mesmo da razão ou da informação factual.

Assim, quando o Estado intervém (como a interdição das bets, menciono), os chamados criadores de conteúdo consideram essa ação "agressão pessoal" ou interdição do seu ofício.

Influenciadores ocupam uma posição privilegiada que lhes permite direcionar o ressentimento das pessoas, afetando a forma como elas interpretam os fatos políticos sem a necessidade de ler leis ou documentos formais.

Daí a absoluta necessidade – observo – de uma militância partidária, social ou cultural capa de disputar a consciência da  maioria em ambiente em que predominam estímulos sensoriais acima do argumento.

Inteligência Artificial, a nova contadora de histórias na literatura https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/ia-literatura.html 

Igualdade de gênero

No ritmo atual, paridade de gênero levará 120 anos, aponta relatório
Global Gender Gap Report mostra que o mundo fechou 69,2% da lacuna de gênero, mas a dimensão política avançou apenas 22,1%
Natalia Padalko/Vermelho  

O mundo avançou na redução das desigualdades entre homens e mulheres, mas em velocidade insuficiente para produzir uma mudança estrutural. É o que mostra a edição de 2026 do Global Gender Gap Report, do Fórum Econômico Mundial. Segundo o levantamento, 69,2% da lacuna global de gênero já foi fechada. O problema é a velocidade: mantido o ritmo atual, a paridade ainda levaria 120 anos para ser alcançada.”

O maior descompasso aparece na dimensão política. O relatório analisa quatro eixos: participação econômica, educação, saúde e sobrevivência e empoderamento político. Entre eles, este último é o que mais se afasta da paridade: apenas 22,1% da diferença entre homens e mulheres foi eliminada.

O relatório acrescenta uma dimensão importante à análise ao observar não apenas quantas mulheres chegam aos governos, mas também quais posições ocupam dentro deles.

O avanço da representação feminina não se traduz na mesma medida em influência política

No cenário global, o número de ministérios comandados por mulheres cresceu 26% desde 2008. O avanço, porém, não alterou na mesma proporção a distribuição das áreas de maior influência. O Fórum considera critérios como visibilidade, orçamento, recursos e proximidade com o Executivo. Nesse recorte, apenas uma em cada dez pastas ocupadas por mulheres é classificada como de alta influência. Em 2026, os homens ocupam quase o dobro de ministérios nessa categoria.

Brasil avança em 20 anos, mas recua no último ano

O Brasil aparece em 72º lugar entre 145 economias, com 71,5% da lacuna de gênero fechada. O resultado representa uma queda de 0,4 ponto percentual em relação à edição anterior.

Na educação, o país mantém pelo segundo ano consecutivo a paridade completa. Na saúde e sobrevivência, fechou 97,7% da diferença. Na participação econômica, alcançou 66,6%, praticamente no mesmo nível do ano anterior.

É na política que a trajetória brasileira se torna mais contraditória. Em duas décadas, o indicador de empoderamento político avançou 15,8 pontos percentuais. A paridade no Parlamento passou de 9,4%, em 2006, para 20,7%, em 2026. Entre os ministros, o indicador de paridade subiu de 12,9% para 40,9%.

No último ano, porém, o movimento perdeu força. O indicador caiu 2,1 pontos percentuais, e o Brasil passou do 70º para o 72º lugar nessa dimensão. Em 2026, o país fechou 21,8% da lacuna de empoderamento político.

A tendência aparece também no cenário internacional. A representação feminina nos legislativos avançou de forma gradual desde os anos 1970, e mais de 80% das economias analisadas adotaram cotas de gênero desde 1995. Ainda assim, a presença das mulheres nos postos de maior influência política permanece limitada.

No setor privado, a diferença aparece ao longo da carreira. Dados analisados pelo Fórum em parceria com o LinkedIn mostram que as mulheres representam 46% das posições de entrada, mas apenas 23% dos cargos de nível C-suite (cargos corporativos elevados). A participação feminina também cai de 41,8% no mercado de trabalho para 29,6% nos postos de alta gestão.

É diante desse ritmo que o Fórum projeta 120 anos até a paridade. O prazo não decorre da ausência de avanços, mas do ritmo em que eles acontecem. O Brasil mostra que a estrutura pode se mover: em 20 anos, o indicador de paridade parlamentar mais que dobrou e o de paridade entre ministros mais que triplicou. Os dados mais recentes, porém, mostram que essa trajetória não é linear.

A paridade passa não apenas pela entrada de mais mulheres na política e no mercado de trabalho, mas também pelo acesso aos espaços de maior influência.

Brasil na resistência à onda neofascista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0863894061.html

Arte é vida

Sergio Vilanova

"Coração de Lona", de Tuca Siqueira, entra na disputa do Festival Biarritz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/filme-de-tuca-siqueira-lancado-na-franca.html 

Minha opinião

Trump como realmente é

Luciano Siqueira    


Não somos nós, combatentes brasileiros de esquerda, que estamos dizendo. É o editor de política internacional do New York Times, Thomas L. Freidman: “Donald Trump é um ser humano horrível que viraliza das piores formas.

Está na Folha de S. Paulo, traduzido do jornal norte-americano.

Trump usa declarações provocativas, ataques pessoais e polêmicas servem como uma estratégia eficiente para dominar o ciclo de notícias e manter a atenção do público, independentemente da teoria moral da mensagem.

Esse estilo retórico erode as normas democráticas, polariza ainda mais a sociedade e degrada o nível do debate político.

Faltou assinalar que o fenômeno Trump reflete a decadência dos Estados Unidos.

Trump: megalomania e crueldade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/trump-megalomania-e-crueldade.html

Postei nas redes

Mensagens revelam que Luciano Huck foi sócio, amigo e conselheiro de Vorcaro (Brasil 247). Até tu, Brutus? 

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

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Beatriz Diez

Meu gosto pelo chocolate não chega a tanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01622868984.html 

Futebol brasileiro: para onde?

Filosofia do óbvio
O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. País não sabe se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo
Tostão/Folha de S. Paulo 

 

Houve progressos na seleção brasileira na vitória por 4 x 2 contra a Austrália, nesta terça (29).

Além de pressionar mais na marcação, Carlo Ancelotti mudou o desenho tático com a escalação de um trio no meio-campo, formado por Bruno Guimarães mais centralizado, Gabriel Bontempo pela direita e Danilo pela esquerda. Ficou ainda melhor no segundo tempo com a entrada de Andrey pelo centro, Bruno pela direita no lugar de Bontempo, além de Danilo.

É preciso separar essa formação do meio-campo, que é o posicionamento de que mais gosto, da maneira habitual de jogar dos times brasileiros com uma dupla de volantes em linha e mais um meia ofensivo à frente dos dois, que não participa da marcação e que joga entre o meio-campo e a zaga adversária, a espera de receber uma bola livre para criar uma jogada ofensiva.

Se não há um típico craque camisa 10, a maneira de jogar com um trio de meio-campistas é mais eficiente, porque o time marca com três em vez de dois no meio-campo e possui dois meias ofensivos em vez de um. Dessa maneira, Ancelotti teve seus melhores momentos no Real Madrid, que atuava com Casemiro pelo centro, Modric pela direita e Kross pela esquerda.

O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. Nos anos 70, Chico Buarque, que entende muito de música e de futebol, escreveu que os europeus eram os donos do campo, pela maneira organizada que ocupavam os espaços, e os brasileiros eram os donos da bola, por causa da improvisação, inventividade e fantasia dos craques.

Isso mudou. Os europeus evoluíram na estratégia, na intensidade, no jogo coletivo e, ao mesmo tempo, passaram, progressivamente, a formar jogadores hábeis, rápidos, dribladores, talentosos, parecidos com os craques brasileiros. Já o Brasil não acompanhou tanto a evolução tática, além de ficar perdido, sem saber se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo. Os dois são essenciais e um precisa do outro. É a filosofia do óbvio.

Enquanto o Brasil enfrenta a fraca seleção da Austrália e, muito pior ainda, a da Índia, os europeus realizam ótimos e intensos jogos pela Liga das Nações, como a vitória da Espanha por 3 x 2 contra a Inglaterra. O time espanhol jogou ainda melhor do que atuou na Copa, com Lamine Yamal novamente em forma.

Na vitória de Portugal por 2 x 1 sobre a Noruega, em um jogo equilibrado, os brasileiros viram novamente uma excepcional atuação de Odegaard, que brilhou contra o Brasil na Copa. Odegaard costuma receber a bola dos zagueiros para iniciar as jogadas, trocando passes até a área adversária. Ele é muito mais que um típico camisa 10. É um meio-campista que joga de uma intermediária à outra.

Lembrei-me de Gerson, o da Copa de 70. Usava a camisa 8, mas, como Odegaard, gostava de receber a bola dos zagueiros e do goleiro. Com troca curta de passes e espetaculares e precisos passes longos, encantava a todos. Na primeira vez que joguei ao lado de Gerson e de Pelé, os três juntos, em um amistoso na Suécia, antes da Copa de 1966, Gerson, já experiente, sentou-se ao meu lado no intervalo e perguntou: "Dá pra você jogar com dois toques em vez de um para dar tempo de eu chegar próximo de você e de Pelé?".

Foi o que fiz. Foi bom pra mim, para ele e para o time.

Futebol brasileiro: nada se cria, tudo se repete https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-brasileiro-apenas-burocratico.html