Às urnas com Lula, pela vitória do Brasil
Estão em disputa os direitos, a democracia e a soberania nacional contra a entrega do país aos interesses estadunidenses e a ameaça às conquistas do povo
Editorial do 'Vermelho'
O Brasil nunca precisou tanto, na história recente, da consciência democrática e dos sentimentos patrióticos de seus cidadãos e cidadãs. Esses valores são indispensáveis para a defesa da soberania nacional, das instituições democráticas e de um projeto de país comprometido com a justiça social e com o interesse público, impedindo que Flávio Bolsonaro, o candidato da extrema direita, seja eleito, o que significaria voltar a um passado nefasto, de destruição da economia nacional e das tragédias sociais do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
Por outro lado, reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desbravar um futuro de desenvolvimento robusto, com sustentabilidade, alicerçado no fortalecimento da soberania nacional e da democracia, direcionado para garantir prosperidade ao povo e elevada qualidade de vida.
Acumulam-se fatos que comprovam que o país se encontra sob ameaça de uma potência estrangeira, os Estados Unidos, em uma escalada de pressões e ações que afrontam a soberania nacional e ameaçam os interesses do Brasil, condição que exige do povo brasileiro firmeza, unidade e determinação na defesa da independência e da autodeterminação do país. O presidente estadunidense, Donald Trump, e seu secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, atuam abertamente em favor de Flávio Bolsonaro.
É nesse cenário de ingerência que surge a informação publicada pelo jornal inglês The Guardian, segundo a qual os Estados Unidos, por meio de seu Departamento de Estado, destinaram US$ 1 milhão para uma iniciativa voltada a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), numa operação de pressão sobre uma instituição central da democracia brasileira. Para criar tensão no país, às vésperas de 4 de outubro, suspenderam os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados. Esses episódios expõem, em sua dimensão concreta, a interferência de uma potência estrangeira no processo eleitoral.
Isso se soma aos tarifaços, aos acordos de comércio e investimento com países latino-americanos, aos compromissos sobre energia, minerais críticos, tecnologia e cadeias de suprimentos, às articulações de inteligência e cooperação militar, ao Escudo das Américas, além da crescente presença das big techs na infraestrutura tecnológica e informacional da região. Esse conjunto de movimentos delineia uma dimensão cuja extensão somente o tempo permitirá revelar em sua totalidade.
É justamente nessa trama de interesses que se torna ainda mais perigoso o conluio entre Trump e Flávio Bolsonaro. Ele, na Presidência, seria a vassalagem total à Casa Branca, a renúncia à soberania nacional e a consequente entrega das riquezas brasileiras ao imperialismo estadunidense, enquanto Lula, estadista de reconhecida projeção internacional, angariou respeito ao defender a soberania dos povos, promover a cooperação entre as nações, opor-se às guerras e fazer da defesa da paz uma marca de sua atuação internacional.
Não apenas a soberania nacional está sob ataque. A democracia, novamente, está na linha de tiro da extrema direita. Flávio Bolsonaro já garganteou várias vezes que, se eleito, subiria a rampa do Palácio do Planalto ladeado pela cúpula da organização criminosa que tentou um golpe de Estado, tendo à frente o chefe do bando, Jair Bolsonaro, seu pai.
Para tal, se necessário, usará a força contra o STF, como proclamou em alto e bom som. Portanto, quem vota, apoia ou concilia com Flávio Bolsonaro deve estar ciente de que estará elegendo um golpista que, certamente, irá mutilar a democracia e tentará impor ao país um regime autoritário-ditatorial.
A mídia monopolista acrescenta a esse quadro um componente de grande alcance ao revestir a cobertura eleitoral com uma névoa de desinformação e manipulação de suposições, interditando o debate sobre temas que constituem o mérito dos programas de governo dos candidatos. A intenção é dar aparência de uma igualdade que não há entre Lula e Flávio Bolsonaro, diluindo imensas diferenças históricas e políticas e apresentando como simplesmente equivalentes projetos e trajetórias.
O cancelamento do debate da Rede Globo é um exemplo dessa manipulação. O presidente Lula havia comunicado, com antecedência, que não participaria, pois não seria debate, mas um ataque cerrado dos candidatos da direita contra ele. Flávio Bolsonaro estufou o peito, afirmando que estaria presente, uma vez que estava armado um circo para beneficiá-lo.
Contudo, quando o STF determinou que o candidato Renan Santos teria o direito de participar, Flávio, com medo, fugiu e cancelou a ida. A Globo, para proteger Flávio, cancelou o debate e, desde então, ataca o STF e abriu uma nova carga contra Lula.
A Globo tergiversa e passa a atacar as instâncias superiores do Judiciário brasileiro numa ação sincronizada com as investidas de Trump para desacreditar e desestabilizar as instituições da República. O objetivo é criar as condições para a extrema direita e o imperialismo rejeitarem o resultado das urnas, caso Flávio Bolsonaro seja derrotado.
Essa posição da mídia monopolista reflete a tomada de posição de setores dominantes — o capital financeiro, os grandes grupos econômicos e barões do agronegócio — empenhados em entronizar um Flávio Bolsonaro que, à semelhança do pai, governe para preservar privilégios, ampliar ganhos extraordinários e proteger interesses de uma minoria, transferindo para a maioria da população o custo social de uma política econômica fundada na concentração de renda e na retirada de direitos.
As classes dominantes, sobretudo os setores subordinados ao imperialismo, manifestam aversão e ódio de classe contra Lula e sua posição no centro da vida política nacional, diante da chegada à Presidência da República de uma liderança egressa do movimento operário, capaz de converter demandas históricas em conquistas sociais decorrentes da distribuição da riqueza, além de situar a soberania nacional no centro da agenda política do país.
Como disse Renato Rabelo, ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Lula é um patrimônio brasileiro, uma das grandes lideranças populares do país, com grande prestígio internacional. É justamente essa dimensão que, segundo Renato, explica a ofensiva contra sua liderança. “Atingir Lula é atingir um projeto, atingir a esquerda”, disse. “Por isso que Lula para nós é o maior símbolo da democracia e das conquistas alcançadas neste país”, resumiu.
A campanha de Lula chega ao primeiro turno marcada pela mobilização e pela ampla participação do povo. O presidente levou ao debate efetivo questões diretamente ligadas à vida cotidiana da população, entre elas o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets (medida aprovada por 78% da população, segundo o Datafolha), incorporando temas relacionados à renda, à proteção social e à pauta do povo, tornando a campanha forte e competitiva, marcada pela mobilização popular, enquanto enfrentava a interdição do debate por uma operação da extrema direita que fez explodir a crise no STF.
Nessas horas que antecedem as urnas, cumpre às forças democráticas, populares e patrióticas a tomada de posição pela intensificação da mobilização cívica, de todos que manifestam apreço ao país e à democracia, com o povo como força motriz, na busca de votos palmo a palmo. Em todo o país, é preciso conclamar o comparecimento maciço às urnas para garantir a vitória de Lula e barrar o retrocesso aos trágicos tempos do bolsonarismo.
Lula, para fazer o país avançar, precisará de amplo respaldo nas duas Casas do Congresso Nacional. Daí a importância de eleger uma forte bancada de senadores/as e deputados/as federais, bem como governadores e bancadas nas assembleias legislativas. Tempos desafiadores estão por vir. Em tais circunstâncias, é indispensável uma esquerda forte e, para tal, é importante eleger os/as candidatos/as do PCdoB.
A TV Globo a ver navios https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01197927674.html