A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
08 março 2007
Nossa coluna semanal no portal Vermelho: sobre o Dia Internacional da Mulher
Apenas o olhar cúmplice e uma rosa vermelha
A gente vê o que busca. Nesses dias de março, é tempo de enxergar a luta pela igualdade de gênero – perceptíveis nos rostos que encontramos em diversos lugares e situações.
Nos rostos das mulheres com que compartilhamos os momentos mais ricos da vida, do trabalho e da militância. E também nos rostos anônimos de tantas mulheres que encontramos em situações triviais.
Neles, sobretudo no olhar de cada uma: a tristeza e a alegria, a dor e o alívio, o desengano e a esperança, este entrechoque de sensações contraditórias que Castro Alves dizia ser a própria expressão da existência humana.
O olhar da mulher lutadora, consciente do papel que lhe cabe na vida e no movimento revolucionário: um brilho especial, que instiga e contagia.
O olhar da mulher que apenas sofre as agruras da sobrevivência material e a humilhação do machismo exacerbado: embaçado e triste – que se converte entretanto numa expressão quase infantil quando ela ganha consciência de si mesma e desperta para a luta.
Também o olhar e a expressão de surpresa das menos esclarecidas quando nos declaramos feministas. Ou quando lhes ofertamos uma rosa vermelha, expressão do bem-querer e da luta comum.
Nesses instantes, a renovada certeza de que mudar a sociedade é empreitada para milhões. Superar a desigualdade nas relações de gênero, idem; com um desafio a mais: implica em luta de idéias permanente, cotidiana, enfronhada nas muitas esferas da convivência humana, de inúmeras faces.
Conquistas, já alcançamos muitas nas últimas três décadas. Mas ainda estamos a uma distância de anos luz da verdadeira emancipação da mulher.
Não há como encurtar essa distância se o movimento emancipacionista se restringe a algumas reduzidas camadas relativamente esclarecidas. Se não sensibilizamos e desapertamos para a peleja centenas de milhares, para que adiante possamos reunir milhões, continuamos condenados aos limites das conquistas parciais. E não há como avançarmos nessa direção se não integrarmos, fundirmos até, a luta feminista com o movimento político geral pelas transformações de fundo na sociedade brasileira.
Essas constatações as repetimos sempre, no diálogo com companheiras engajadas. E procuramos transmitir com alguma clareza para platéias femininas, ou majoritariamente femininas, que eventualmente nos ouvem.
Porém hoje, dia 8 de março, preferimos nada falar, apenas ofertar uma imaginária rosa vermelha e o olhar cúmplice a todas as mulheres que aliam o inconformismo e a esperança e se batem pela igualdade e pela reinvenção da vida.
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2 comentários:
Em um dia como hoje em que reverenciamos as mulheres, não devemos ficar apenas na retórica dos avanços alcançados. Foram muitos, sem dúvida. Mas poucos para chegar à igualdade, merecida e justa.
Portanto vamos dar vivas àquelas que estão na luta comunista por uma sociedade igualitária.
Viva Alice Portugal, Jô Moraes, Perpétua Almeida, Liege Rocha, Tânia Soares, Nádia Campeão, Vanessa Grazziotin, Jandira Feghali, Manuela D'ávila.
E um VIVA pesssalmente especial para LUCIANA SANTOS, NEVINHA e LUCI SIQUEIRA.
Firmes na luta camaradas!!!
Parabéns a todas "nós" lutadoras!!!
(Às que ainda vivem... e às que foram vítimas e mortas friamente, com requintes de pura crueldade)
À minoria masculina:
Parabéns aos que conseguiram nos respeitar.
Aos que ainda estão aprendendo.
Aos que se tornaram nossos amigos e companheiros de jornada, antes mesmo de serem os donos dos nossos corações.
Aos que nos enxergam como indivíduo e não como suas inimigas, num processo louco de
competitividade, tornando nossas vidas, nossas familias mais felizes e com paz!
Realidade:
A luta pela igualdade dos direitos da mulher num país onde a cultura machista predomina, anda a passos de tartaruga, mas é uma batalha que não podemos deixar esmorecer.
Os desafios são diários, a começar dentro do nosso lar, se estendendo até ao nosso ambiente profissional.
É uma luta interminável que requer paciência, inteligência, jogo de cintura e muita perseverança.
A coisa é tão séria que temos até uma "data especial"...para fazer lembrar a importância do respeito que os homens têm que ter com as mulheres.
Isso me faz lembrar o dia 13 de Maio...
Espero que nas futuras gerações essa data tão especial hoje, seja lembrada de uma forma mais amena, sem rancores ou más recordações.
Que esta data seja um dia festejada...comemorada... e não seja lembrada "apenas" pelos maus tratos, discriminação e os números absurdos de óbitos, que são os resultados da crueldade da cultura masculina atualmente.
Direitos:
Isso somente acontecerá quando os homens deixarem de violentar e discriminar: fisicamente, psicologicamente e intelectualmente às mulheres.
Quando não mais houver medo nos olhos das mulheres!!!
Medo de denúnciá-los, de reação.
Leis:
Quando Leis mais sérias forem aplicadas, nos protegendo realmente, punindo aos homens de forma enérgica e contundente, aí sim...isso com certeza acabará.
Homens?
Esses "homens"... que se dizem "homens"... não mais assassinarão mulheres, em nome da legitima defesa da honra...e se transformarão em "homens de verdade", honrosos...
E se isso "realmente" um dia acontecer, teremos homens com "H" maiúsculo...homens normais... e não mais esses animais. Verdadeiros monstros que dormem na cama das mulheres e que são vistos habitualmente todos os dias pela TV.
Parabéns a nós mulheres!!!
Rosana Simpson.
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