Na Folha de Pernambuco, por Marileide Alves:
Embora aliado, Siqueira critica Lula
O vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), criticou, ontem, em seu blog, seu aliado e presidente Lula (PT). A crítica foi diretamente ao fato de o petista estar tratando “com antecedência” da própria sucessão. Luciano acha natural que o assunto seja abordado, mas considera o momento precipitado. “É compreensível que, tendo uma eleição daqui a quatro anos, o presidente cogite a sua sucessão, mas é precipitado colocar essa questão agora na prática”, criticou. Siqueira acha que existem outros assuntos prioritários e citou como exemplo o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
O comunista considera que o quadro político brasileiro é “palmilhado” de instabilidade e que o cenário político de hoje “dificilmente” será o mesmo daqui a quatro anos. “É melhor considerar a sucessão, tê-la em conta, mas não colocá-la agora como prioridade, senão atravessa as coisas”, observou. Ele acredita que essa questão pode atrapalhar o esforço do Governo Lula em mobilizar a sociedade e a base parlamentar do Congresso para implementação do PAC.
Questionado se não poderia ser mal interpretado pelos aliados, causando problemas, Luciano demonstrou tranqüilidade. “Nossa convivência com o presidente Lula, do mesmo jeito que é com o prefeito (João Paulo) e com o governador Eduardo Campos (PSB), é de unidade. Mas não uma unidade cinza, opaca. A unidade comporta opiniões, críticas e o diálogo permanente”, respondeu.
Questionado sobre a atitude de seu vice, o prefeito João Paulo saiu em defesa do comunista.
“Luciano nunca foi de criticar publicamente o prefeito, quanto mais o presidente”, respondeu.
O comunista acredita que está cumprindo um dever e citou como exemplo a aliança com o ex-governador Miguel Arraes. “Tivemos um relacionamento com Arraes de 17 anos. Ele sempre disse que confiava muito no PCdoB porque fazia críticas e não apoiava cegamente nada. Então quando um aliado faz uma observação crítica a outro não se trata de demérito, de arranhão na aliança. Trata-se do cumprimento de um dever de solidariedade”, justificou.
Siqueira também acha cedo falar de sucessão municipal. Para ele, o assunto só deve ser tratado a partir de janeiro. “O ritmo e a oportunidade de discutir sucessão não são determinados pela vontade subjetiva de ninguém, mas pelo curso real dos acontecimentos. Antecipar gera conseqüências”, observou.
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