14 março 2007

A sina do centro

Do Editorial do Vermelho, sobre a Convenção Nacional do PMDB:
"Com a Convenção, o grande partido de centro radicaliza – se é que cabe usar este verbo – os traços típicos dessa localização no espectro político-ideológico. O PMDB ganha força como coadjuvante na mesma proporção em que perde ossatura para um protagonismo mais autônomo. Não por acaso, forças externas ao partido trabalharam em silêncio mas com diligência contra a alternativa Nelson Jobim no comando da sigla, que representava o movimento inverso. Sob pressão, Jobim desistiu da candidatura, em outro gesto bem PMDB.

Esta é a sina do centro, ou pelo menos a trajetória clássica do centro. Assim tem sido desde que a Revolução Francesa inventou, junto com a política como a entendemos hoje, o mapeamento desta em esquerda, centro e direita. Em um dado momento desta gênese, na Convenção revolucionária, a divisão ganhou apelidos geográficos: a esquerda era a Montanha; a direita a Gironda; o centro a Planície, ou o Pântano, para as línguas mais afiadas. O desfecho da luta política, dentro e fora do Parlamento, dependia em grande medida de quem lograva arrastar o centro para o seu lado."

Nenhum comentário: