Unidade e luta são decisivas para o presente e o futuro dos trabalhadores
Para além da pauta dos direitos trabalhistas e sociais, a classe trabalhadora tem papel relevante na disputa pelo governo República
Editorial do 'Vermelho'
Ao longo da história, o Dia Internacional dos Trabalhadores marca a luta por direitos e pela emancipação social, mas é também um momento de reflexão. A agenda patriótica e democrática não avança sem protagonismo dos trabalhadores. Tais avanços se realizam entrelaçados com a jornada contínua do trabalho contra a opressão do capital, a contradição antagônica básica da sociedade capitalista. Foram essas conquistas que deram instrumentos políticos para os trabalhadores enfrentarem a selvageria dessa relação.
Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa, que abriu caminho para a primeira grande experiência socialista, lembrava que Karl Marx atribuía grande importância à tarefa do movimento classista dos trabalhadores de forjar, no curso das lutas salariais e econômicas, a unidade e a consciência da classe. No curso dos movimentos reivindicatórios, deve-se elevar o grau de coesão e consciência política dos trabalhadores, lembrou Lênin. Ou seja: a preparação para batalhas futuras, o desafio da classe de, nas lutas econômicas e sociais, fazer a luta política pela conquista do poder. Sempre acumular forças nesta direção.
Os comunistas lutam “pela realização de objetivos e de interesses imediatos da classe operária, mas representam no movimento presente também o futuro do movimento”, escreveram Karl Marx e Friedrich Engels no Manifesto do Partido Comunista. Eles também deram fundamentação científica para a ideia do internacionalismo proletário, a base ideológica da Associação Internacional dos trabalhadores, a primeira Internacional, criada em 25 de setembro de 1864.
De uma perspectiva histórica, é possível perceber a evolução dessa formulação. Na Inglaterra do início do século 19, que emergia como a grande potência econômica do planeta, os trabalhadores – incluindo crianças – eram acorrentados às máquinas e trabalhavam 14, 16 horas por dia, condição superada essencialmente pelas ideias socialistas e pela pressão de suas experiências, em muitos aspectos legitimando valores igualitários como justiça social e solidariedade, que passaram a compor a agenda pública e impulsionam a luta pelo socialismo.
No Brasil, as conquistas trabalhistas, golpeadas pelo projeto neoliberal, são a síntese dessa luta que atravessou o século 20 e o início do século 21. São exemplos disso, na atualidade, a luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada, uma das reivindicações da marcha organizada pelas centrais sindicais em Brasil dia 15 de abril, precedida da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), e as mobilizações que cobraram, de forma enfática, a redução da taxa de juros Selic que o Banco Central, como aconteceu em sua última reunião, insiste em manter nas alturas.
Nas eleições presidenciais estão em jogo essa agenda, expressa pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o projeto entreguista, de traição nacional e opressão ao povo, com perspectivas de um regime ditatorial, de ódio, violência e regressão social, a negação das históricas conquistas sociais e democráticas, ideal do neoliberalismo exacerbado da extrema direita, que busca manter ganhos fabulosos do capital financeiro, canalizando as riquezas nacional para os seus interesses.
São explícitas as ameaças desse campo político e ideológico, como a imposição da volta do teto de gastos que arrocha os investimentos em políticas públicas e infraestrutura, as privatizações selvagens, abolições de benefícios sociais e o fim do aumento do salário-mínimo, que afeta de maneira cruel grande parte dos trabalhadores e os aposentados. Mais do nunca os trabalhadores devem estar na linha de frente do enfrentamento com essa agenda para derrotar Flávio Bolsonaro, o candidato de Trump, dos rentistas da Faria Lima.
Conclusão: este 1º de maio se reveste de importância de grande envergadura – assim como em todo o mundo, num momento de enfrentamento com a barbárie e ameaças do imperialismo –, uma típica inflexão da luta de classes. A unidade dos trabalhadores é a bandeira que confere força para a pauta dos trabalhadores, uma conclamação da realidade às centrais sindicais, aos partidos democráticos e progressistas e aos movimentos sociais para ocupar as ruas, as praças e as redes sociais com o espírito de combate e consciência de luta para derrotar a direita e a extrema direita e reeleger Lula.
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