03 julho 2006

Rosa vermelha do povo


Quem luta mirando a sociedade futura, em que predominarão as relações fraternas e igualitárias entre as pessoas - há que mesclar sempre a revolta que carrega no peito, fruto da percepção de mazelas e injustiças, com a alegria que brota da consciência de que a causa é justa e a vitória é possível. A rosa vermelha, presente em nossos discursos, é emblemática desse duplo sentimento – de indignação e de esperança. Pois vão se acostumando, amigas e amigos: esse companheiro de vocês só sabe luta assim – amparado na força do povo e no sonho dos poetas.

Respeito ao povo

Segundo os jornais de hoje, através de nota emitida por sua assessoria, o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e candidato ao Senado pela União por Pernambuco diz não ter se “abalado” com as crítica que a ele fizemos na convenção estadual da coligação Melhor para Pernambuco, e as teria considerado “ataques pessoais”.

Ora, convocar o adversário para debater questões de interesse público jamais se constituiu em ataques pessoais. Ao contrário, significa uma atitude de respeito – para com o próprio adversário e, sobretudo, para com o povo.

02 julho 2006

Lula: palavra de incentivo


Na manhã da quinta-feira passada tivemos (parte da direção executiva nacional do PCdoB: Renato Rabelo, Renildo Calheiros, Aldo Rebelo, Inácio Arruda, Jô Moraes e outros) um encontro com o presidente Lula na residência oficial, o Palácio da Alvorada, em Brasília, quando comunicamos o propósito de nos coligarmos oficialmente com o PT para o pleito presidencial. Uma conversa amena, num clima de muita unidade. Num dado instante, o presidente disse: “Luciano, sei que a luta em Pernambuco não é fácil. Mas eu não dou como resolvida a eleição para o Senado. Sua candidatura tem um campo muito vasto para crescer. Não precisa atacar o adversário. Precisa é esclarecer que, se eleito, você será a garantia de um senador comprometido com o meu governo, enquanto o adversário, que está ligado à direita, não.” Isto é: o presidente também concorda que um dos motes de nossa campanha é exatamente mostrar que há dois lados e que nós estamos no lado certo e o ex-governador Jarbas, que apóia Alckmin, está do lado errado.

Falta de rumo


“Ainda acho que a provável reeleição de Lula, já no primeiro turno, se deva mais à desorientação ou fraqueza dos demais candidatos. Falta-lhes uma idéia básica e aglutinadora, um programa de metas, como o de JK quando eleito, em 1956. Reuniu equipe de técnicos, elaborou um roteiro que sacudiria o Brasil e cujos resultados até hoje desfrutamos.” O comentário é de Carlos Heitor Cony, em sua coluna na Folha de São Paulo de hoje. Bate com os termos de um editorial da própria Folha, cerca de um mês atrás, intitulado Oposição sem rumo. É falta de rumo mesmo, Cony. Ou, melhor esclarecendo, a oposição ao governo Lula (PSDB e PFL sobretudo) quer mesmo o retorno à orientação seguida por FHC que, em oito anos, aprofundou o estancamento de nossa economia, agravou problemas sociais e submeteu o Brasil à vontade de Wall Street.

01 julho 2006

Faltou um líder


A derrota do Brasil para a França comporta análises diversas, sobretudo do ponto de vista tático – item no qual a França foi muito superior. Mas uma pergunta emerge de imediato: por que o Brasil manteve-se tão apático, defensivo, desorganizado e sem combatividade? As razões devem ser diversas. Uma delas certamente foi a ausência de um líder dentro do campo, que unisse, entusiasmasse e impelisse o coletivo à luta, e que suprisse a falta de iniciativa do técnico Parreira. Porque no futebol, como em todas as atividades coletivas, o papel do líder é indispensável.

Ombro a ombro com Lula


Foto Tuca Siqueira

Nos jornais de hoje, um dos destaques da cobertura política é a explicitação, de diversas formas, da identidade da coligação Melhor para Pernambuco (PT-PCdoB-PTB-PMN-PRB-PAN), reunida em torno da chapa Humberto Costa-Augusto César-Luciano Siqueira, com o presidente Lula. Isto porque a coligação encabeçada pelo PSB também procura se associar à figura do presidente, enquanto a chapa Mendonça Filho-Evandro Avelar-Jarbas Vasconcelos parece ter adotado como tática atenuar o combate a Lula e quase fazer de contas que nada tem a ver com Alckmin.

Seriam artifícios táticos, acentuados por jogadas de marketing. Mas não é só isso. A análise, se mais atenta e aprofundada, buscará identidades programáticas, de base social e de estilo. Aí não fica dúvida: o lado de lá é o do PFL-PMDB-PSB que, em Pernambuco, sempre deu apoio dócil ao governo FHC e se opôs a Lula; e, no lado de cá, as convergências históricas, partidárias e programáticas nos colocam – a nós da coligação Melhor para Pernambuco – ombro a ombro com Lula.

Ao debate, com todo respeito

Ao apelar de público ao ex-governador Jarbas para que debata questões substantivas de grande interesse para o país e Pernambuco, nada mais fazemos do que cumprir o nosso dever de candidato. Com todo o respeito e elevado espírito democrático. Não há nenhum traço agressivo nisso, como alguns sugerem. Ora, se não houver debate na campanha eleitoral, como o eleitor poderá se esclarecer e fazer a sua opção consciente?

Demais, é necessário saber, sim, a opinião do adversário sobre temas da mais alta importância na atualidade, como, por exemplo, a reforma tributária, a alteração no perfil da dívida interna (hoje um fator decisivo na limitação dos investimentos públicos), o Fundeb (que as forças que o apóiam impedem que seja votado no Senado); o desenvolvimento capenga, no seu governo, que cortou estradas, mas faltou com o empreendedor médio e pequeno carente de programas de desenvolvimento local; o SUSP, Sistema Único de Segurança Pública, iniciado no governo Lula, que é o inverso do modelo de segurança ultrapassado que ele manteve nos seus sete anos consecutivos de governo; a questão metropolitana, que se recusou a enfrentar numa concepção de gestão pública consorciada contemporânea.