Trump e a diplomacia anárquica
Luciano Siqueira
O absoluto desprezo
do governo Donald Trump pelas normas tradicionais da diplomacia internacional traduz
redefinição profunda da política externa norte-americana.
Despreza consensos multilaterais e trata instituições
globais — como a ONU e a Organização Mundial do Comércio — como amarras
restritivas à soberania dos Estados Unidos. Para Trump, compromissos históricos
com a OTAN ou acordos ambientais são vistos como fardos econômicos
desvantajosos.
Demais, numa
espécie de incomum pirueta diária à testa do governo norte-americano,
comporta-se de modo imprevisível e contraditório, usa as redes sociais sem
qualquer limite e pratica uma espécie de diplomacia unipessoal.
Caso das tarifas sobre produtos
importados pelos Estados Unidos, adotadas mediante critérios controvertidos e
incoerentes, no intuito coagir tanto aliados quanto rivais a negociar em desigualdade.
No âmbito político interno, sustenta discurso anti-establishment e
tenta canalizar o ressentimento eleitoral ao conceituar o
"globalismo" como responsável pela desindustrialização e pelo
declínio econômico da superpotência norte-americana.
Um presidente tresloucado mas
imperialista na essência, apropriado à conjuntura de decadência do Estados
Unidos num quadro geopolítico de transição a uma nova ordem multipolar.
[Ilustração: Gargalo]
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Lreia também: “Trump com poucas cartas na mão” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html

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