A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
22 novembro 2015
Tucanos em baixa
Na mídia, articulistas lamentam que o PSDB tenha se perdido no samba de uma nota só: impeachment a qualquer custo, além de nenhuma proposta para solucionar a crise e a promiscuidade ostensiva com o deputado Eduardo Cunha. Ou seja: não se faz alternativa aceitável perante a maioria dos brasileiros. Não se faz porque efetivamente não é.
Midia marrom
A Folha acreditou na Veja e se estrepou
Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
É um paradoxo.
A imprensa publica diariamente artigos contra o direito de resposta.Mas a cada momento ela fornece com seus erros seguidos provas concretas de quanto o direito de resposta é, simplesmente, imprescindível.
O caso mais recente é o da Folha. Você pode adivinhar contra quem o erro foi cometido. Lula. A família de Lula.
É o alvo número 1 da plutocracia cuja voz é a imprensa.Um repórter experiente da Folha, Rubens Valente, conseguiu acreditar numa reportagem da Veja.Esta é a surpresa da história: um jornalista veterano usar a Veja como fonte.Num texto sobre um lobista preso, Valente disse que ele cedeu uma sala em Brasília para que um filho de Lula, Fábio Luís, trabalhasse nela.Era uma informação da Veja. Valente não apenas a reproduziu agora como disse que o lobista confirmou para a Veja a notícia.Não era verdade.O filho de Lula entrou com uma ação. Ao longo desta, o lobista afirmou que jamais tivera relação pessoal ou profissional com Fábio Luís.
Ontem mesmo a família de Lula anunciou que reivindicaria direito de resposta com base na nova lei sancionada por Dilma.A Folha se antecipou e publicou, em seu site, uma correção – tímida, miserável, escondida como é de praxe no jornal.É presumível que a família de Lula, mesmo com a admissão da Folha, prossiga com sua reivindicação, até por razões pedagógicas.
Acreditar na Veja desafia a inteligência de qualquer um. Mas quando o alvo é Lula e família os controles de jornais e revistas se afrouxam ao máximo.Numa reunião do Conselho Editorial das Organizações Globo alguns anos atrás, lembro que alguém citou uma denúncia da Veja.
O chefe do Conselho, João Roberto Marinho, avisou: “É preciso tomar cuidado com a Veja.” Ele já percebera que a Veja deixara de ser uma fonte confiável. Perdera aquilo que, como a virgindade, não volta mais: a credibilidade.Mas mesmo assim a Folha e Rubens Valente se apoiaram na Veja, para a qual vale a grande máxima de Wellington: quem acredita nela acredita em tudo.
A ausência do direito de resposta é um câncer para a sociedade. Porque leva os cidadãos a ser vítimas de informações falsas que distorcem a realidade.
É uma coisa também que atenta contra a qualidade da imprensa. Quando erros têm consequências – e o direito de resposta é uma delas – as publicações tomam extremo cuidado com a qualidade das notícias que dão.
Checam, rechecam, verificam ainda uma vez.
Mas quando você pode errar livremente as coisas se deterioram. A impunidade jamais produziu bons frutos, e menos ainda para a imprensa.
O desleixo vem em série. O repórter não se preocupa em apurar com profundidade a denúncia que lhe chega, o editor muito menos – e os patrões, desde que o alvo sejam inimigos como Lula, simplesmente fecham os olhos.
Mil artigos contra a lei de resposta não compensam, por exemplo, o erro que Lauro Jardim cometeu em sua estreia no Globo ao afirmar, numa manchete, que um delator disse que deu dinheiro a um filho de Lula. (Sempre Lula, sempre a família de Lula.)
Você só tem uma imprensa séria – e falo de veículos de esquerda, direita, centro ou o que for – se houver leis que punam erros.
E com rapidez.
É uma piada uma das reclamações da imprensa: o prazo para que sejam dadas as correções.
Estamos vendo o que acontece com Eduardo Cunha quando não existe urgência nas ações.
A resposta, quando julgada justa, tem que vir prontamente – até para que repórteres como Rubens Valente não cometam barbaridades como a que ele cometeu.
O caso mais recente é o da Folha. Você pode adivinhar contra quem o erro foi cometido. Lula. A família de Lula.
É o alvo número 1 da plutocracia cuja voz é a imprensa.Um repórter experiente da Folha, Rubens Valente, conseguiu acreditar numa reportagem da Veja.Esta é a surpresa da história: um jornalista veterano usar a Veja como fonte.Num texto sobre um lobista preso, Valente disse que ele cedeu uma sala em Brasília para que um filho de Lula, Fábio Luís, trabalhasse nela.Era uma informação da Veja. Valente não apenas a reproduziu agora como disse que o lobista confirmou para a Veja a notícia.Não era verdade.O filho de Lula entrou com uma ação. Ao longo desta, o lobista afirmou que jamais tivera relação pessoal ou profissional com Fábio Luís.
Ontem mesmo a família de Lula anunciou que reivindicaria direito de resposta com base na nova lei sancionada por Dilma.A Folha se antecipou e publicou, em seu site, uma correção – tímida, miserável, escondida como é de praxe no jornal.É presumível que a família de Lula, mesmo com a admissão da Folha, prossiga com sua reivindicação, até por razões pedagógicas.
Acreditar na Veja desafia a inteligência de qualquer um. Mas quando o alvo é Lula e família os controles de jornais e revistas se afrouxam ao máximo.Numa reunião do Conselho Editorial das Organizações Globo alguns anos atrás, lembro que alguém citou uma denúncia da Veja.
O chefe do Conselho, João Roberto Marinho, avisou: “É preciso tomar cuidado com a Veja.” Ele já percebera que a Veja deixara de ser uma fonte confiável. Perdera aquilo que, como a virgindade, não volta mais: a credibilidade.Mas mesmo assim a Folha e Rubens Valente se apoiaram na Veja, para a qual vale a grande máxima de Wellington: quem acredita nela acredita em tudo.
A ausência do direito de resposta é um câncer para a sociedade. Porque leva os cidadãos a ser vítimas de informações falsas que distorcem a realidade.
É uma coisa também que atenta contra a qualidade da imprensa. Quando erros têm consequências – e o direito de resposta é uma delas – as publicações tomam extremo cuidado com a qualidade das notícias que dão.
Checam, rechecam, verificam ainda uma vez.
Mas quando você pode errar livremente as coisas se deterioram. A impunidade jamais produziu bons frutos, e menos ainda para a imprensa.
O desleixo vem em série. O repórter não se preocupa em apurar com profundidade a denúncia que lhe chega, o editor muito menos – e os patrões, desde que o alvo sejam inimigos como Lula, simplesmente fecham os olhos.
Mil artigos contra a lei de resposta não compensam, por exemplo, o erro que Lauro Jardim cometeu em sua estreia no Globo ao afirmar, numa manchete, que um delator disse que deu dinheiro a um filho de Lula. (Sempre Lula, sempre a família de Lula.)
Você só tem uma imprensa séria – e falo de veículos de esquerda, direita, centro ou o que for – se houver leis que punam erros.
E com rapidez.
É uma piada uma das reclamações da imprensa: o prazo para que sejam dadas as correções.
Estamos vendo o que acontece com Eduardo Cunha quando não existe urgência nas ações.
A resposta, quando julgada justa, tem que vir prontamente – até para que repórteres como Rubens Valente não cometam barbaridades como a que ele cometeu.
Normalidade à vista?
Bom para o País e para o processo democrático os três elementos mais recentes na cena política: o enfraquecimento relativo da oposição, a ligeira flexão por parte da mídia e, enfim, o possível ponto final da boataria em torno da hipotética substituição do ministro da Fazenda. A depender da atitude da presidenta e do seu núcleo político, o governo poderá de fato começar a governar.
21 novembro 2015
Nesta terça-feira, na Livraria Cultura do Paço Alfândega
IMPERDÍVEL
A gente se encontra lá. Você vai
gostar
Pesquisa
criteriosa, texto precioso: assim é o livro ‘Dossiê Itamaracá’, de Joana
Côrtes, que será lançado no Recife na próxima terça-feira, às 19h, na Livraria
Cultura do Paço Alfândega. A vida no pavilhão dos presos políticos na
Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, numa das mais duras fases da
ditadura militar. Com muito sucesso, o livro já foi lançado no Rio de Janeiro, em
São Paulo e em Aracaju.
A
propósito do lançamento em Aracaju, sua terra e a do seu pai, nosso camarada
Bosco Rolemberg (um dos ex-presos de Itamaracá), Joana escreveu:
“Hoje
eu não fui ninguém. Só me sobrou o coração rouco.
Ontem
fui todos, nós. Os girassóis cantaram suas horas, na noite do lançamento do
livro Dossiê Itamaracá em Aracaju. Vieram ao encontro, atenderam ao chamado, as
nossas pessoas, meu Sergipe.
Hoje
eu não sou ninguém, cansaço bom.
Ontem,
na roda de conversa com o público, fui as pernas de seu João Oliva, 93 anos de
caminhada, firmes e lúcidas. Fui a coragem juvenil de Manu Caiane, do coletivo
de feministas, 16 anos, e de Ivânia, companheira de militância de meus pais, lá
na frente, eram só uma e eram toda a multidão de mulheres, as de ontem e as que
virão. Fui seu Djalma, nosso vizinho antigo da Aloísio Braga, empréstimo
solidário nos dias raros. Fui universitário sem grana, muita gana, lendo os
livros de graça na livraria Cordel e bebendo de onde veio a inspiração
mobilizadora para a formação política, na boca de Edvaldo Nogueira.
Fui
minha comadre Camile D'Ávila Levita,
pelos lábios de Fernanda Lopes Cruz,
o medo existe, pra caralho!, o desafio é enfrentá-lo. Fui o aprendizado nas redações
de jornais, por George Silva. Fui,
sou, o olho lendo a rua, como me ensinou o grupo Imbuaça e como me aconselhou,
gaiteiro, Ira Bispo.
Fui
os olhos marejados da plateia, das Carolinas e Chris, das sobrancelhas
cúmplices de Janaína Santos
e Silvio Santos,
em pé, os dois, ao fundo do salão. Fui o black dessa pernambucana arretada, Mônica Montalvão.
Fui a poesia de Cleomar Brandi e a simplicidade de Samuel Firmino, ex preso
político, os dois que se foram, e ainda estão aqui, PRESENTES!
Fui
velha e fui menina.”
20 novembro 2015
Força, coragem e poesia
Sou negro
Solano Trindade
A Dione Silva
Sou
Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs
Contaram-me
que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.
Depois
meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo
vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na
minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...
Intervenção estratégica
Integração do São Francisco tem 81% de execução
Conclusão da obra, que beneficiará 12
milhões de pessoas, deve ocorrer entre dezembro de 2016 e o início de 2017
Portal Brasil
O Projeto de Integração do Rio São Francisco, tido como a
maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil, alcançou a marca de 81% de
execução física em outubro, aponta o Ministério da Integração Nacional
(MI). Prioridade do governo federal, a iniciativa vai beneficiar 12 milhões de
brasileiros dos Estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. A
expectativa é concluir a totalidade do empreendimento entre dezembro de 2016 e
o início de 2017.
"Já foram entregues as primeiras estações de
bombeamento de cada eixo e está prevista para este ano a entrega da segunda
estação do Eixo Leste", explicou Osvaldo Garcia, secretario de
Infraestrutura Hídrica do ministério.
Os eixos Norte e Leste atingiram execução de 82,2% e
79,2%, respectivamente, e mantêm 4.133 equipamentos em operação. São 477 km de
obras, nos quais trabalham mais de 10 mil profissionais. A expectativa do
governo federal é de que o empreendimento esteja concluído ao final de 2016.
O empreendimento engloba a construção de quatro túneis (um dos quais de 15
km de extensão), 14 aquedutos, 9 estações de bombeamento e 27 reservatórios.
Os dois eixos (Norte e Leste) do projeto apresentam
execução de 82,2 % (Norte) e 79,2 % (Leste). A obra é construída por etapas e
os cronogramas de execução do empreendimento priorizam a sequência construtiva
do “caminho das águas” do projeto, ou seja, das captações até os Estados que
serão beneficiados. A expectativa é concluir a totalidade do empreendimento
entre dezembro de 2016 e o início de 2017.
Ações de convívio com a seca - Devido aos longos períodos de seca e estiagem no País,
principalmente no semiárido do Nordeste, o governo federal intensificou a
gestão e a aplicação de políticas públicas para amenizar o impacto das perdas
econômicas e sociais nas áreas atingidas. Por essa razão, o MI investe em
outras obras hídricas estruturantes e em ações emergenciais.
Entre as obras hídricas estruturantes estão o Cinturão
das Águas (CE), a Vertente Litorânea Paraibana (PB), o Canal do Sertão Alagoano
(AL), a Adutora Pajeú (PE e PB), a Adutora do Agreste (PE), a Barragem de
Ingazeiras (PE) e a Barragem de Oiticica (RN).
Considerado uma ação estruturante, o Programa Água para
Todos já beneficiou mais de cinco milhões de brasileiros. O programa consiste
na implantação de tecnologias de uso da água para o consumo próprio ou para a
produção de alimentos e a criação de animais.
O Água para Todos implementou, por exemplo, 876,5 mil
cisternas e 2,1 mil sistemas simplificados de abastecimento. O programa recebeu
R$ 5,2 bilhões em investimentos e já atendeu a 17 Estados – nove do Nordeste.
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