A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
01 junho 2017
Descompromisso
Donald Trump anuncia rompimento dos EUA com o Acordo climático de Paris. Descompromisso arrogante com a questão ambiental.
Mais um furo?
Dos 46 deputados do PSDB, 27 são a
favor de a legenda abandonar a base aliada de Temer e 12 estariam indecisos.
Outros sete são contrários – informa o Estadão hoje.
Outro furo
Com sete
deputados na Câmara, o PHS é mais um
partido a abandonar a base de apoio ao governo Temer. Mais um furo no barco
golpista.
Uma MP desastrosa
O plenário do Senado aprovou, por 47 votos a 12, a
medida provisória (MP) 759, que trata da regularização fundiária, promovendo
alterações estruturais em legislações do campo e da cidade. Oito bancadas
(PSDB, DEM, PP, PR, PDT, PTB, PRB e PSB) fecharam questão pela votação
favorável à medida. Dividida, a bancada do PMDB, mesmo partido de Michel Temer,
liberou os senadores para o voto livre. Parlamentares do PT, do PSB, do PCdoB e
da Rede se posicionaram contra a matéria, que foi votada depois horas de
discussão e atropelos. http://migre.me/wIZtJ
Atentado
Em nota
técnica concluída no final deste mês a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB) afirma que a reforma trabalhista é o maior atentado contra os
trabalhadores desde a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em
1943. Leia mais http://migre.me/wIZ2X
Militância revolucionária
Valores postos à prova
Luciano Siqueira
Navegando no mar revolto da múltipla crise que aflige o país, pode parecer "ideológica" - em sentido pejorativo - a reafirmação de valores muito caros à militância revolucionária.
Mas não é.
Ao contrário, justamente nas refregas de maior envergadura, quando a dispersão política e ideológica se expande e o movimento transformador reclama descortino e rumo, a necessidade de uma justa atitude militante se acentua.
Isto porque a uma corrente política consequente, como o PCdoB, se impõe o que temos chamado de inteligência coletiva - a construção solidária da orientação política, fruto da vivência na luta concreta e da fascinante aventura da especulação teórica e tática.
Com a consumação do golpe que afastou do governo a presidenta Dilma, interrompeu-se o ciclo transformador que se iniciara no primeiro governo Lula, a partir de 2001, dando lugar a uma conjuntura inteiramente nova - de regressão neoliberal.
Nela, do ponto de vista tático, a essência está na correlação de forças, agora muito adversa. Agrupamentos situados ao centro, antes aliados ao Partido dos Trabalhadores, migraram para o conluio com a direita.
O campo comprometido com o ciclo anterior hoje não passa de um quinto do parlamento.
E a cena política recorrentemente sofre direcionamento advindo do Judiciário, do aparato policial e da mídia hegemônica.
Nossas forças, derrotadas na batalha do impeachment, se reagrupam gradativamente e ainda sob enorme dispersão no terreno das ideias, além da pressão "esquerdista" de que resulta exacerbado sectarismo.
A complexidade da situação e o entrechoque de distintas percepções e entendimentos sobre o que se passa, em ambiente de tremenda instabilidade e de consumada imprevisibilidade, inquieta a todos e se reflete no interior dos partidos.
Assim, o chamado debate interno é tão necessário quanto intenso, sujeito a divergências não imediatamente elucidadas com as quais é preciso conviver.
No caso particular do PCdoB, o correto, equilibrado e respeitoso equacionamento de divergências políticas é, na atualidade, uma das expressões mais elevadas do seu amadurecimento. Inspira-se na política de quadros aprovada no 11° Congresso, ela mesma um salto qualitativo quanto à construção partidária.
Nada que impeça a imperiosa necessidade do Partido agir "como um só homem" (usando a expressão de Lenin). Ou seja, preservando sua unidade, coesão e capacidade combativa.
A cada pronunciamento da Comissão Política Nacional - que responde pelo Comitê Central -, uma opinião hegemônica se afirma e se faz referência para todo o coletivo militante, resguardadas eventuais divergências individuais.
Essa compreensão democrática e amadurecida da orientação centralizada reforça o caráter de classe do Partido e sua missão histórica.
E, por conseguinte, contribui para a compreensão de que nenhum militante é maior do que o Partido, por mais saliente que seja o seu papel na sociedade e por relevante que seja a sua contribuição para a ampliação da influência dos comunistas.
Dito de outra forma, haverá sempre uma linha demarcatória (de que a sensibilidade e o espírito coletivo de cada um deve dar conta) entre o pensamento individual (com todos os seus méritos e nuances) e o pensamento do Partido.
Somos homens e mulheres "de partido", preservamos conscientemente essa linha demarcatória e remetemos dúvidas e divergências ao debate nos fóruns partidários.
Desse modo, nenhum comunista tem a sua criatividade e o seu ímpeto pessoal inibido, pois direciona suas inquietações para a construção coletiva das ideias.
E o essencial se assegura e se fortalece: a unidade (que no dizer de João Amazonas "não é cinza, é multicolor") e a iniciativa política, que há de ser sempre ousada e criativa.
Luciano Siqueira
Navegando no mar revolto da múltipla crise que aflige o país, pode parecer "ideológica" - em sentido pejorativo - a reafirmação de valores muito caros à militância revolucionária.
Mas não é.
Ao contrário, justamente nas refregas de maior envergadura, quando a dispersão política e ideológica se expande e o movimento transformador reclama descortino e rumo, a necessidade de uma justa atitude militante se acentua.
Isto porque a uma corrente política consequente, como o PCdoB, se impõe o que temos chamado de inteligência coletiva - a construção solidária da orientação política, fruto da vivência na luta concreta e da fascinante aventura da especulação teórica e tática.
Com a consumação do golpe que afastou do governo a presidenta Dilma, interrompeu-se o ciclo transformador que se iniciara no primeiro governo Lula, a partir de 2001, dando lugar a uma conjuntura inteiramente nova - de regressão neoliberal.
Nela, do ponto de vista tático, a essência está na correlação de forças, agora muito adversa. Agrupamentos situados ao centro, antes aliados ao Partido dos Trabalhadores, migraram para o conluio com a direita.
O campo comprometido com o ciclo anterior hoje não passa de um quinto do parlamento.
E a cena política recorrentemente sofre direcionamento advindo do Judiciário, do aparato policial e da mídia hegemônica.
Nossas forças, derrotadas na batalha do impeachment, se reagrupam gradativamente e ainda sob enorme dispersão no terreno das ideias, além da pressão "esquerdista" de que resulta exacerbado sectarismo.
A complexidade da situação e o entrechoque de distintas percepções e entendimentos sobre o que se passa, em ambiente de tremenda instabilidade e de consumada imprevisibilidade, inquieta a todos e se reflete no interior dos partidos.
Assim, o chamado debate interno é tão necessário quanto intenso, sujeito a divergências não imediatamente elucidadas com as quais é preciso conviver.
No caso particular do PCdoB, o correto, equilibrado e respeitoso equacionamento de divergências políticas é, na atualidade, uma das expressões mais elevadas do seu amadurecimento. Inspira-se na política de quadros aprovada no 11° Congresso, ela mesma um salto qualitativo quanto à construção partidária.
Nada que impeça a imperiosa necessidade do Partido agir "como um só homem" (usando a expressão de Lenin). Ou seja, preservando sua unidade, coesão e capacidade combativa.
A cada pronunciamento da Comissão Política Nacional - que responde pelo Comitê Central -, uma opinião hegemônica se afirma e se faz referência para todo o coletivo militante, resguardadas eventuais divergências individuais.
Essa compreensão democrática e amadurecida da orientação centralizada reforça o caráter de classe do Partido e sua missão histórica.
E, por conseguinte, contribui para a compreensão de que nenhum militante é maior do que o Partido, por mais saliente que seja o seu papel na sociedade e por relevante que seja a sua contribuição para a ampliação da influência dos comunistas.
Dito de outra forma, haverá sempre uma linha demarcatória (de que a sensibilidade e o espírito coletivo de cada um deve dar conta) entre o pensamento individual (com todos os seus méritos e nuances) e o pensamento do Partido.
Somos homens e mulheres "de partido", preservamos conscientemente essa linha demarcatória e remetemos dúvidas e divergências ao debate nos fóruns partidários.
Desse modo, nenhum comunista tem a sua criatividade e o seu ímpeto pessoal inibido, pois direciona suas inquietações para a construção coletiva das ideias.
E o essencial se assegura e se fortalece: a unidade (que no dizer de João Amazonas "não é cinza, é multicolor") e a iniciativa política, que há de ser sempre ousada e criativa.
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
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Opção de classe
Na última terça (30), o presidente da Câmara,
Rodrigo Maia, escancarou a quem serve o governo. Segundo ele, a agenda do
Congresso está em sintonia com a de Michel Temer e tem como foco o mercado.
Para Flávio Tonelli Vaz, especialista em orçamento e políticas públicas, é a
isso que Temer se refere quando diz que pôs o país nos trilhos: “Nos trilhos do
mercado. E a agenda do mercado não é a do emprego, da produção. É a do mercado
financeiro. Não tem a ver com o povo, com inclusão social e cidadania”. Leia mais
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