02 abril 2018

Conexão

Até maio de 2017, 120 milhões de brasileiros já eram usuários do WhatsApp. Usado com bom senso e eficiência, um extraordinário meio de comunicação entre as pessoas. E de debate de ideias.

Como assim?

Aliados bancam candidatura de Temer para “fortalecê-lo” diante da ameaça de terceira denúncia por corrupção. Correm o risco de afundar todos juntos.

Barco furado

Deputados governistas tendem a largar Temer à beira da estrada com receio de perder votos em outubro. Mas em Pernambuco, há quem  diga que é Temer e não abre. Até quando? 

01 abril 2018

Sem noção

‘Marun acusa Janot de pressionar Dodge a tentar tirar Temer das eleições com PGR’. [Quanta distância da realidade concreta e do sentimento da maioria dos brasileiros!]

Ridículo

Procurador Deltan Dallagnol faz jejum pela prisão de Lula. [Prova de partidarização do Ministério Público não há.]

Pilhado em flagrante

Facebook: adeus à ingenuidade
Agora está claro que a rede pratica, permanentemente, vigilância maciça; e que a psicometria eleitoral afronta a democracia. Mas como enfrentar as ameaças?

Portal Vermelho, Rafael Zanatta

O escândalo envolvendo a maior rede social do mundo e a mais polêmica consultoria política do ocidente virou a mesa do jogo sobre proteção de dados pessoais e regulação das grandes empresas de tecnologia.

Trata-se de caso tão impactante, e de repercussões midiáticas e políticas tão intensas, que não há alinda elementos para fazer uma avaliação completa sobre todos os desdobramentos possíveis. Como afirmou Giovanni Buttarelli, supervisor de proteção de dados pessoais da União Europeia, trata-se “do escândalo do século”, sendo que nós “só enxergamos a ponta do iceberg”.

O The Guardian tem reportado intensivamente sobre o caso. Vale lembrar que eles foram os responsáveis por “soltar a bomba” do caso Facebook-Cambridge Analytica em um brilhante trabalho de jornalismo investigativo – um trabalho à altura das históricas reportagens sobre Edward Snowden e a NSA em 2013. Sem o trabalho jornalístico liderado pelo jornal e as confissões de Christopher Wylie, não teríamos clara consciência sobre a coleta indevida de dados pessoais e as táticas sujas de manipulação eleitoral realizadas pela Cambridge Analytica.

Com relação às consequências, podemos elencar cinco aprendizados coletivos nesses últimos doze dias, após a tempestade inicial que o caso provocou.

Primeiro: o abalo à confiança do Facebook resultará em perdas de receita por investidores e anunciantes. As ações do Facebook já diminuíram 18%, em retração de 80 bilhões do seu valor de mercado. Nada indica que a recuperação será rápida. Além disso, há uma movimentação de saída de grandes anunciantes, como Unilever.

Segundo: a confiança do usuário não será a mesma. Por mais que o Facebook insista em “criar novas ferramentas” e tornar o controle dos dados pessoais mais acessível para as pessoas, há um sentimento generalizado de que a rede só opera com base na vigilância maciça. Além do movimento #DeleteFacebook – considerado ingênuo, por alguns –, há artistas como Jeremy Darrel espalhando cartazes sobre “como sair da rede”.

Terceiro: o problema está na estrutura de compartilhamento de dados e não na Cambridge Analytica. O anúncio da empresa de Mark Zuckerberg de que o Facebook está rompendo contrato com o grupo Experian – um dos maiores birôs de crédito do mundo, que controla a Serasa no Brasil – mostra que o problema é muito maior. O “caso Cambridge Analytica” abriu a porteira para uma discussão sobre o modo como o Facebook permite o acesso aos dados de seus usuários e o descontrole a que isso chegou.

Quarto: as atuais regras do jogo não dão conta do recado. Pesquisadores importantes como Nicholas Economides e Siva Vaidhyanathan já alertaram que não é possível confiar no Facebook para se autorregular (essa mesma opinião é mantida por especialistas no Brasil). É preciso repensar a regulação aplicável a essas empresas. Começar pela proteção de dados pessoais e avançar para a regulação concorrencial. Quem sabe, forçar WhassApp e Instagram a serem desmembrados do Facebook pelo direito antitruste.

Quinto aprendizado: é preciso limitar a modulação eleitoral operada pela coleta ilegal de dados. Esse alerta já havia sido feito por Tim Berners Lee em 2017: o modelo de negócios da Cambridge Analytica representa o fim da democracia. É inadmissível que nossas opiniões sejam manipuladas pela coleta de dados que desconhecemos, brincando com nossos sentimentos e vontades políticas. No Brasil, o Ministério Público abriu inquérito civil para averiguar quem havia contratado os serviços da Cambridge Analytica. A investigação lança luz para um problema maior: o modo como consultorias políticas contratam “data brokers” para operar modelos de psicometria.

Há, ainda, muito o que ocorrer. Estamos no meio de uma movimentação tectônica na interface entre direito, tecnologia e política.
Fonte: Outras Palavras
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Construtor da unidade


Renildo Calheiros, o conselheiro político de Paulo Câmara
Paulo Veras, no Jornal do Commercio

Como o ex-prefeito de Olinda Renildo Calheiros (PCdoB) se tornou um dos principais articuladores políticos do governador Paulo Câmara (PSB)

Um ano após sair desgastado da Prefeitura de Olinda, Renildo Calheiros (PCdoB) se tornou um importante conselheiro político e operador decisivo no processo de reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Afável e discreto, o “galego”, como o comunista é chamado nos corredores do Palácio do Campo das Princesas, esteve à frente de articulações com PP e PDT, com as chapinhas e é apontado como uma ponte entre os socialistas e o PT.

“Ele é um dos melhores quadros da política pernambucana. Tem espírito conciliador e coloca sempre em primeiro lugar o desenvolvimento de Pernambuco”, afirma o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente do PP-PE, sobre o papel que o ex-prefeito tem exercido na Frente Popular.

No final do ano passado, sob a ameaça de perder o MDB para a oposição, o governo Paulo Câmara fez dois movimentos para assegurar o apoio de partidos médios na campanha: acomodou o PDT na Secretaria de Agricultura e ampliou o espaço do PP, que ficou com a Secretaria de Desenvolvimento Social e a administração de Fernando de Noronha. As duas movimentações tiveram a forte participação de Renildo. Ele fez a ponte entre os partidos, que se queixavam de sub-representação na gestão, e o então secretário da Casa Civil, Antônio Figueira, convencendo o governo a dar mais poder às siglas para assegurar tempo de TV.

Tem pelo menos mais uma sigla com a qual Renildo pode ajudar, na avaliação do Palácio do Campo das Princesas: o PT. Ele é apontado como amigo pessoal do senador Humberto Costa e do ex-prefeito do Recife João Paulo, além de interlocutor do ex-presidente Lula. Como deputado federal, Renildo foi vice-líder de Lula no início do governo petista e, depois, liderou o bloquinho, formado por partidos de esquerda que davam sustentação ao governo. Em 2015, Renildo já havia feito movimentos para tentar aproximar o governador da então presidente Dilma Rousseff, para abrir portas em Brasília.

“O perfil de Renildo é de articulação. Ajudou muito Eduardo na política de alianças. Teve um papel importante no governo Arraes. Ele é um grande articulador. Eu diria que é a principal especialidade dele”, diz João Paulo, que afirma desconhecer se o ex-prefeito fez gestões por uma aproximação entre o PT e o PSB.

Segundo o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), Renildo tem uma ótima relação com Paulo e com o prefeito da Capital, Geraldo Julio (PSB). "O PCdoB sempre teve uma relação muito próxima de amizade com o PSB desde Arraes. Isso continuou com Eduardo Campos. E esses companheiros como Paulo Câmara e Geraldo, que eram ligados a Eduardo, também se sentem muito à vontade nesse diálogo com Renildo. Eles presenciavam e viam essa boa relação não só com Renildo, com vários de nós. Mas Renildo, em particular, trabalhou no governo Arraes e tinha uma relação muito forte com Eduardo”, explica Luciano.

De Alagoas à UNE

Irmão do poderoso ex-presidente do Senado Renan Calheiros, Renildo construiu uma trajetória política diferente, pela esquerda. Natural de Murici, uma cidade de 26 mil habitantes no interior de Alagoas, Renildo veio para o Recife estudar Geologia. Em Pernambuco, filiou-se ao PCdoB, começou a galgar espaço no movimento estudantil e acabou presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 1984 e 1986. Dez anos depois, foi nomeado secretário adjunto no segundo governo Miguel Arraes, onde se aproximou do ex-governador Eduardo Campos, de quem foi um conselheiro frequente.

“Eu vi isso sendo desenvolvido lá atrás. Éramos bem mais jovens, ele, eu, Eduardo vivo, como chefe de gabinete e depois secretário naquele segundo governo de Arraes. Desde lá, Renildo tem um papel muito importante na articulação combinando com Eduardo e com o PSB. Doutor Arraes gostava muito dele e tinha confiança nele. Ele fazia a ponte com a Assembleia Legislativa e com prefeitos. Ele participou no coração da articulação política daquele segundo governo Arraes”, admite Bruno Ribeiro, presidente do PT-PE. Ele nega, porém, ter sido procurado pelo ex-prefeito para tratar de um retorno dos petistas à Frente Popular.

Pré-candidato a deputado federal pelo PCdoB, Renildo também tem participado das conversas sobre a formação de uma chapinha com partidos da Frente Popular, um dos temas mais sensíveis nessa fase da construção de chapas pela Frente Popular. Além do plano federal, o ex-prefeito de Olinda também tem acompanhado de perto as costuras em relação a formação das chapas proporcionais também para estadual, segundo uma fonte do governo.

“Em sua trajetória, Renildo reuniu muitas condições para ser um dos principais interlocutores dessas forças em Pernambuco”, explica a deputada federal Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB.
Procurado, Renildo não quis conceder entrevista para esta matéria. “Isso é generosidade das pessoas que gostam de mim”, desconversou. “Como você sabe, se alguém quiser ajudar na articulação, de alguma maneira, não pode pretender ser protagonista”, indicou o comunista.

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