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01 fevereiro 2023
Entre os juros e a fome
Responsabilidade social e responsabilidade fiscal, eis a questão
Os neoliberais tentam enquadrar
o governo do presidente Lula. Não apoiam o golpismo bolsonarista, que isolaria
o Brasil nas relações internacionais, mas querem manter a política econômica
liberal.
Nivaldo Santana/Vermelho www.vermelho.org.br
Em novembro de 1989, o FMI, o Banco Mundial e o Departamento de Tesouro dos EUA elaboraram uma receita para os países da América Latina saírem da estagnação econômica. Essa panaceia recebeu o apelido de “Consenso de Washington”.
As dez regras desse Consenso eram tão fortes que foi cunhada a expressão “ditadura do pensamento único” para qualificar essa agenda que, entre outros pontos, defendia o rigor fiscal, juros e câmbio ditados pelo mercado, privatização, etc.
O Brasil também embarcou nessa onda, principalmente na última década do século passado. O dogma dominante orientava todos os países a seguirem o tal Consenso de Washington. Não seguir essa cartilha era o caminho mais rápido para o precipício.
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O Brasil passou a adotar, a partir de 1994, uma nova moeda, o Real, indexada ao dólar. O “Plano Real” absolutizava o controle da inflação, independentemente do crescimento da economia e da geração de empregos.
Neste período teve início as privatizações, os programas de demissões “voluntárias” e a vigência de uma regra de ouro denominada tripé macroeconômico (metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante).
Nesse rumo, decreto de junho de 1999 estabelecia, como diretriz para a política monetária, a sistemática de “metas de inflação”. E doses cavalares de juros para controlar a alta de preços, tudo coordenado pelo Banco Central autônomo.
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Na mesma linha, em maio do ano de 2000, passou a vigorar a chamada “Lei de Responsabilidade Fiscal”, que restringe investimentos, coloca um teto para despesas com pessoal, limites para dívida pública e para operações de crédito.
Os principais beneficiários dessa agenda econômica foram os setores ligados ao rentismo – banqueiros, especuladores e por aí vai. O Brasil, com essa política, não conseguiu sair da crônica estagnação da economia e manteve um desemprego crônico.
Passadas duas décadas, o consenso em torno dessa agenda ruiu. Enquanto os bancos, por exemplo, acumulavam lucros bilionários, a maioria da população se empobrecia. E a promessa de crescimento da economia e geração de emprego naufragou.
Não por acaso, nas últimas seis eleições presidenciais do Brasil o programa vitorioso por cinco vezes foi de oposição ao neoliberalismo. Mas os neoliberais não jogam a toalha quando perdem as eleições.
Na última eleição no Brasil, com a derrota da chamada terceira via, os neoliberais tentam, de novo, enquadrar o governo eleito. Não apoiam o golpismo, que isolaria o Brasil nas relações internacionais, mas querem manter a política econômica liberal.
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Os editoriais dos grandes jornais e as entrevistas dos agentes do “mercado” até admitem políticas de responsabilidade social focadas na parcela mais vulnerável. Admitiram, por exemplo, a aprovação da PEC da Transição.
Fora essa “concessão” para furar o teto de gastos, radicalizam no discurso em defesa dos fundamentos da política econômica contracionista. Cortar gastos públicos, arrochar salários e proventos de aposentadoria são os alvos mais visíveis.
O Brasil, com pequenos espasmos de crescimento, está há mais de quatro décadas com crescimento econômico pífio ou recessão. Voltar a crescer de forma acelerada e sustentada é um imperativo para um país tão populoso e de dimensões continentais.
Crescimento exige ter politicas agressivas de reindustrialização, investimentos em ciência e tecnologia, criação de empregos de qualidade e bem remunerados. Isso fortalece o mercado interno e cria um círculo econômico virtuoso.
Mas não são pequenos os obstáculos para se trilhar uma nova rota de desenvolvimento. Na atualidade, os porta-vozes da ortodoxia econômica falam em um novo mantra: arrumar uma nova âncora fiscal que substitua o teto de gastos.
Essa âncora sonhada pelos neoliberais passa longe, ao fim e ao cabo, de um projeto de desenvolvimento sustentado e duradouro. Parece que é proibido crescer e a economia no país fica amarrada no chamado PIB potencial, um teto baixo para crescimento.
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A agenda de valorização do trabalho pressupõe crescimento sustentado e duradouro da economia, fortalecimento do mercado interno com empregos formais, de qualidade e bem remunerados.
Certamente a forma como enfrentar esse desafio será um dos maiores testes para o programa de reconstrução e transformação nacional. As primeiras iniciativas do governo Lula têm sido positivas e merecem apoio. Mas a luta será árdua!
As pedras
se tocam, tudo se relaciona https://bit.ly/3Ye45TD
Realidade paralela
Senador Carlos Viana (PL MG) deu um show de "realidade paralela" hoje pela manhã, em entrevista na CBN. Vandalismo do dia 8 de janeiro em Brasília como tema.
O sentido da “guerra” cotidiana https://bit.ly/3Ye45TD
Minha opinião
Presidente de qual
Câmara?
Luciano Siqueira
O deputado Arthur
Lira (PP) deve se eleger para um novo mandato na presidência da Câmara pela
quase unanimidade dos votos.
Noticiário a respeito
destaca atributos, em grande parte negativos, colecionados por Lira ao longo de
sua vida pública. A condução chamado orçamento secreto, sobretudo.
Como pode um parlamentar
com esse perfil ser reeleito para a presidência da Câmara — muitos perguntam,
insinuando estranheza.
Mas é simples.
A composição da
Câmara é majoritariamente conservadora. O grupo de legendas agrupadas no
"centrão" tem em Lira um dos seus principais líderes.
A Federação Brasil da
Esperança (PT-PCdoB-PV) e legendas situadas ao centro e à esquerda não teriam
condições de patrocinar uma candidatura com chance de vitória.
A opção mais
consequente teria que ser mesmo o acordo em torno da reeleição de Lira e, em
contrapartida, a ocupação de postos importantes, como a presidência da Comissão
de Legislação e Justiça.
Afinal, os partidos
da base de sustentação propriamente dita do governo Lula buscam, desse modo,
viabilizar condições de governabilidade — a postura mais consequente que
poderiam adotar.
Fora disso, tudo não
passa de delírio sem nenhuma conexão com a realidade concreta.
As pedras se tocam, tudo se relaciona https://bit.ly/3Ye45TD
Turista?
Bolsonaro pede visto de turista, mas encontra resistência nos EUA. Ex-presidente solicitou um visto de turista para permanecer nos Estados Unidos. No Congresso norte-americano, 46 parlamentares pedem sua extradição para o Brasil. Leia mais https://bit.ly/3Y5yjHK
Pequenas indústrias em desvantagem
Juros altos asfixiam as pequenas indústrias
Taxa de juros elevada e
exigência de garantias excessivas são obstáculos para o financiamento, segundo
a CNI
Hora do Povo www.horadopovo.com.br
Micro e pequenas
empresas industriais brasileiras afirmam que as dificuldades de acesso ao
crédito – acentuadas pelos juros estratosféricos – são o principal entrave para
manter e investir em seus negócios.
O Panorama da
Pequena Indústria (PPI), pesquisa realizada trimestralmente pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), mostra que a insatisfação com os juros cresceu no
último trimestre de 2022. Isso se refletiu nos indicadores de atividade das
indústrias de construção, transformação e extrativa – que recuou em desempenho,
situação financeira, confiança e perspectiva.
“O cenário do
mercado de crédito é desafiador, por conta, principalmente, do elevado nível da
taxa de juros. Levando isso em consideração, é ainda mais importante que as
micro e pequenas empresas busquem orientação adequada no momento de busca por
financiamento ou empréstimo”, afirma o gerente de Política Econômica
da CNI, Fábio Guerra. Para entidade, o acesso ao crédito é fundamental
para o desempenho das pequenas e médias empresas, seja para reestruturação
ou para a expansão dos negócios.
Os juros para
empréstimos e investimentos usam como referência a Selic, a taxa básica de
juros da economia estipulada pelo Banco Central (BC), atualmente em 13,75% ao
ano, após sucessivos aumentos promovidos durante o governo de Jair Bolsonaro.
Além das condições de juros que fazem com que os investimentos sejam inviáveis,
as empresas de menor porte ainda enfrentam a resistência dos bancos para a
concessão de crédito.
Além dos juros, os
empresários consideram graves entraves para seus negócios a falta e alto custo
da matéria-prima, a demanda interna insuficiente, a competição desleal e
dificuldades com logística de transporte.
O Índice de
Desempenho das pequenas e médias industrias fechou o quarto
trimestre de 2022 com 44,3 pontos, uma redução de 3,1 pontos percentuais
em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o Índice de Situação
Financeira fechou o ano com 43 pontos.
Fincar os pés na realidade
concreta https://bit.ly/3Ye45TD





