A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
18 outubro 2013
Na Europa
EUA ainda é o principal destino, porém mais de 50% dos 53 mil bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras estão em países europeus.
É a Copa
PIB do esporte brasileiro cresce cerca de 20% acima da média da economia nacional. Impulsionado pela Copa do Mundo.
Mais uma vez
Há quem acredite que Serra tentará mais uma vez. Pode ser. Em Pernambuco, João Cleofas caiu três vezes.
Chama
A sexta-feira é de Carlos Drummond de Andrade: "Então, meu coração também pode crescer./Entre o amor e o fogo..."
17 outubro 2013
A teoria na prática concreta
Na Tribuna de Debates
do 13º. Congresso do PCdoB:
Partido leninista: concessão ou ousadia?
Luciano Siqueira *
Diversas abordagens têm
comparecido a esta Tribuna de Debates acerca de um tema permanente entre os
comunistas: o caráter do nosso partido. Isto sob o impacto da realidade
concreta - vale dizer, das circunstâncias atuais da luta de classes no mundo e
no Brasil; e do conteúdo e da forma como o Partido Comunista do Brasil peleja
nessas circunstâncias,
Partido leninista: concessão ou ousadia?
Luciano Siqueira *
Embora em alguns
textos publicados seus autores procurem acentuar o que consideram
"princípios" pétreos de inspiração leninista, supostamente ameaçados
na evolução do Partido no último decênio; e assim, nos argumentos apresentados,
façam alusões a atributos tais como unidade, coesão, disciplina, consciência
teórica e ideológica, etc. (que necessitariam ser defendidos e preservados), na
essência é a linha política que se põe em causa. Melhor dizendo, pela via
supostamente estrita à linha de construção partidária, questiona-se a essência
da opção estratégica e tática que o PCdoB adotou desde a 9° Conferência
Nacional.
Naquela reunião - um
dos marcos do desenvolvimento teórico e político recente do PCdoB - deu-se uma
decisão de extraordinária envergadura. Até então, o pensamento tático do Partido
em relação à participação em governos - no governo central do país,
especialmente - mantinha-se essencialmente preso à formulação de George Dmitrov
em seu célebre informe ao 7° Congresso da Internacional Comunista, em agosto de
1935. Segundo Dmitrov - corretamente, naquela conjuntura -, os comunistas só
deveriam integrar governos sob Estados burgueses, em regime de coalizão e na
condição de aliados não-hegemônicos, em situação caracterizadamente
revolucionária. Ou seja, na expressão de Lênin, "quando os de baixo não
mais suportam ser governados como antes, nem os que governam conseguem
prosseguir governando como o fazem". O Partido Comunista, então, entraria
no governo de coalizão no intuito do apressar a derrocada do Estado
burguês.
Ora, o Brasil dos
nossos dias está muito longe de se configurar como "situação
revolucionária". Antes, se insere na conjuntura mundial de "defensiva
estratégica", decorrente da derrocada da ex-URSS e dos estados
democráticos do Leste da Europa, em que a correlação de forças passou favorecer
francamente o imperialismo e seus aliados. A iniciativa ainda é da reação, a
despeito do crescimento gradativo da resistência dos povos.
O PCdoB entende que
estamos diante de uma conjuntura mundial e brasileira que nos impõe prolongado
processo de acumulação de forças tendo em vista reunir condições para, adiante,
realizar a contra-ofensiva revolucionária.
Nesse cenário, cabe
ao partido comunista revolucionário fiel as postulados fundantes leninistas
encarar a luta de classes em todas as suas dimensões e formas - entre as quais,
no ambiente de governos onde estão presentes forças políticas
progressistas. Caso atual do Brasil e vários países da América Latina.
Daí a assertiva
constante da resolução política da 9a. Conferência Nacional acerca das três linhas
fundamentais de acúmulo da construção partidária – isto é, três instâncias
concretas da luta de classes: a luta social de massas, a luta de ideias e a
luta institucional. Assertiva referendada nos Congressos partidários que se
sucederam e, certamente, consolidada neste 13 Congresso.
De fato, como
assinala a Tese 1, com justeza, “o Partido passou, nos
últimos doze anos, por forte processo inovador de caminhos e modos para
constituir-se como um partido comunista de classe, popular e de massas, de
quadros e militantes regidos pelo centralismo democrático.” Enfrentou o desafio
de “firmar a concepção de permanência de princípios e identidade comunista,
renovação de concepções e práticas com base em um caminho próprio para o
socialismo, e abertura para ampliar as fileiras partidárias e falar a toda a
sociedade. Enfim, um partido de caráter leninista contemporâneo”.
Nessa linha, a construção partidária
foi concebida e implementada “em funcionalidade com a política, derivada dela,
e também com uma linha de estruturação ideológica, organizativa e material bem
definida”.
Os
resultados são inquestionavelmente expressivos, tanto na ampliação da
influência e da autoridade política do Partido, como no domínio das peculiaridades
da formação econômica, social, política, cultural e histórica da sociedade
brasileira, na expansão de suas fileiras militantes, da sua presença em
múltiplas frentes de luta e dos seus vínculos políticos e orgânicos com os
trabalhadores e as massas populares.
Isto sem descuidar das vicissitudes inerentes às
singularidades atuais da luta política e da inserção do Partido nela, que se
refletem, em certa medida, “na forma de liberalismo que afrouxa compromissos, pragmatismo
que leva a perder de vista os objetivos permanentes em prol do imediato; no
corporativismo, que limita os horizontes de formulação de um pensamento
político” e também, em igual medida, “no dogmatismo, que leva a uma postura
defensiva frente às mudanças.”
Postas
essas considerações, a opção estratégica e tática do PCdoB, assim como sua
linha de construção partidária, na atualidade, longe de significar concessão, é
verdadeiramente, ato de ousadia. O PCdoB não se intimida e trava a luta de
classes nas diversas esferas em que se apresenta, sem recusar nenhuma delas a
título de se preservar (sic) contra influências ideológicas perniciosas; antes arrostando-as
com destemor, descortino e autoconfiança. Trava a luta no nível em que ela se
coloca, explorando toda a radicalidade que ela encerra. Afirma, assim, na contemporaneidade,
o seu caráter leninista.
*Militante do PCdoB em
Pernambuco, membro do Comitê Central
Rosa mulher
A quinta-feira é de Vinícius de Moraes: “Uma rosa é uma rosa, é
uma rosa/É a mulher rescendendo de amor”
16 outubro 2013
Apoiadores & apoiados
Quem transfere votos para
quem?
Luciano Siqueira
Claro que, em certas circunstâncias, o quadro eleitoral é de tal ordem definido que poucas são as variáveis que mudam o curso dos acontecimentos; e aí fica mais fácil votar em Fulano porque é apoiado por Sicrano. Mas é raro. Mesmo em pleitos recentes, aqui e Brasil afora, em que a crônica política assevera perante a História que o apoiador foi decisivo para a eleição do apoiado.
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo
(Jornal do Commercio Online)
Com a devida vênia dos especialistas em pesquisas eleitorais
– que têm o meu respeito -, arrisco dizer que transferir voto no Brasil é coisa
para poucos. Ou para ninguém.
Claro que, em certas circunstâncias, o quadro eleitoral é de tal ordem definido que poucas são as variáveis que mudam o curso dos acontecimentos; e aí fica mais fácil votar em Fulano porque é apoiado por Sicrano. Mas é raro. Mesmo em pleitos recentes, aqui e Brasil afora, em que a crônica política assevera perante a História que o apoiador foi decisivo para a eleição do apoiado.
Suponho que assim ocorre, quer dizer, é muito difícil transferir
votos justamente porque o sistema eleitoral brasileiro impõe o voto unipessoal,
no candidato. O eleitor não vota em partidos e programas, como ocorre em países
onde essa contingência decorre naturalmente da eleição para o parlamento
baseada em listas preordenadas pelos partidos. Aí, sim: embora conte o
prestígio pessoal dos integrantes da lista, o que se sobressai são as propostas
apresentadas por cada partido, alvo da escolha do eleitor.
Já citei aqui antes. Nas últimas eleições parlamentares em
Portugal eu me encontrava em Lisboa, cumprindo compromisso do PCdoB. Na TV,
onde o tempo destinado aos partidos é equânime, seja no noticiário convencional,
seja nos programas de debate, líderes das legendas litigantes expunham sua
análise acerca da crise européia, seus efeitos sobre a economia portuguesa e
soluções. Tudo muito claro.
Ora, nesses casos, a presença de um José Saramago, por
exemplo, na lista do Partido Comunista Português, representou, num dos pleitos,
um importante aval ao programa defendido pelos comunistas, importante por se
tratar de personalidade admirada e respeitada por toda a sociedade lusitana.
Não se enquadra no que aqui conhecemos como transferência de voto, é evidente,
mas é um caso emblemático de uma espécie de fusão entre prestígio pessoal e
proposta programática.
Voltando ao caso brasileiro, o assunto vem à tona porque, na
medida em que se inicia a fase pré-eleitoral propriamente dita – apesar de
estarmos a 8 meses das convenções partidárias, que acontecerão em junho -,
novamente se dá destaque aos “grandes eleitores”, assim chamados por terem o
dom de materializar seu prestigio pessoal e político em votações expressivas
para candidatos que apóiem.
Marina Silva, bem posicionada atualmente nas pesquisas, transferirá
o apoio de seu suposto eleitorado para Eduardo Campos? O apoio de José Serra
viabilizará Aécio Neves em São Paulo? Ou, descendo à província, é certo que
quem Eduardo apoiar para governador já pode providenciar o terno da posse?
Melhor ter cautela. A um ano das eleições, muitos fatores
que influenciarão o curso da disputa nacional e estadual ainda estão por entrar
em cena. Desde o desempenho da economia – elemento importante para Dilma, por
exemplo – aos arranjos locais envolvendo os diversos partidos e suas chapas de
candidatos proporcionais e à amplitude política e social das coligações. Assim,
será mais útil ater-se ao cenário em formação como um todo e especular sobre o
suposto peso dos “grandes eleitores” lá adiante. Até porque os quarenta milhões
de brasileiros que se viram inseridos socialmente na última década serão tão
importantes eleitoralmente, quanto ainda pouco avaliados nas análises das
pesquisas.
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