25 maio 2018

Poesia sempre


Alan Schaller
Saudades
Florbela Espanca

Saudades!  Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe. 
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti! 

E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!

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Marionete

Na mídia, registros de “decepção” do Deus Mercado em relação à conduta de Temer diante da paralisação dos caminhoneiros. [Cada um tem o preposto que escolhe...].

24 maio 2018

Uma crônica doméstica


Estranho acidente doméstico
Luciano Siqueira 

Há sempre um tempinho para a percepção de ocorrências tão insignificantes quanto curiosas, apesar da agenda intensa e do trabalho duro.
Pois bem. Frequentemente ouço amigos dizerem que danificaram ou perderam seus celulares porque caíram na privada.
Como assim?
Na privada, ora.
De onde são retirados banhados daquele líquido que embora de aparência límpida não deixa de conter certa dose de excrementos. De urina, pelo menos.
Há aparelhos celulares que, nessas condições, são milagrosamente recuperados e voltam ao uso dos seus proprietários. 
Outros se tornam imprestáveis.
Mas, por que tamanha incidência de acidentes desse tipo?
A explicação óbvia e certamente realista é dada pelo amigo Epaminondas, que sabedor do fenômeno de pronto o esclarece:
— Com certeza tem a ver com o hábito matinal de se satisfazer as primeiras necessidades fisiológicas portando o celular. Ao menor descuido, pimba!, o aparelhinho eletrônico cai justamente onde não deve.
Razoável hipótese. Satisfatória. 
Isto posto, sigamos a vida sem maiores preocupações com a perda parcial ou total de telefones celulares por descuido dos que os usam em momento tão inapropriado de sua rotina doméstica.
Aos olhos de certos cientistas, que pesquisam sobre tudo e inundam publicações e prateleiras de descobertas absolutamente inúteis, entretanto, aí pode estar uma oportunidade de estudo. E de negócio.
Afinal, o capitalismo tudo transforma em mercadoria e a concorrência é a alma do sistema. 
Se uma investigação com aparência científica demonstrar que o sistema andróide é menos dado a esse tipo de ocorrência do que o iPhone, eis um diferencial importante na disputa do público comprador.
Será? Não duvidemos. Debaixo desse céu azul que nos protege, tudo pode acontecer — tanto quanto o mergulho inapropriado do precioso aparelho celular na privada da casa da gente. 
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Oferta e procura

Na imensa fila de carros e motos para abastecer num posto de combustíveis na Encruzilhada:

— Olha a água mineral! A gasolina aumentou, a água também aumentou, agora é 1 e cinquenta...


A lei da oferta e da procura é implacável.

O prazer da fotografia


Recife em manhã de sol (Foto LS)

Fosso social


No trimestre, mais pobres perdem 5% da renda e desigualdade cresce
Portal Vermelho

Dados oficiais divulgados pelo IBGE continuam a derreter o discurso feito pelo governo Michel Temer na semana passada em celebração aos dois anos que está no poder. Temer disse que o país mudou nos dois anos de sua gestão. Mas foi para pior, principalmente para os mais pobres.

No primeiro trimestre de 2018, segundo estudo sobre a acelerada concentração renda realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, a renda média mensal dos 20% mais vulneráveis do país caiu de R$ 400 para R$ 380 quando comparada à de janeiro/março de 2017. É uma queda real de 5%.

Para a camada seguinte, a perda de rendimento foi de 1,8% em igual intervalo, de uma média de R$ 963, para R$ 945. Enquanto os 40% mais pobres sofrem, os 20% mais ricos viram seu ganho médio mensal passar de R$ 5.579 para R$ 6.131, com aumento de 10,8% no mesmo período. 

"O que está acontecendo é o seguinte: as classes média e alta do Brasil estão conseguindo recuperar a renda do trabalho, só que a base da pirâmide ainda está amargando perdas", afirmou economista Daniel Duque, ao Valor Econômico.

O economista da FGV optou por retirar da amostra um milionário cuja renda muito alta por si só impacta a leitura dos dados da Pnad. Segundo Duque, ao entrar na pesquisa da PNAD Contínua do último trimestre de 2016, esse multimilionário provocou um aumento nos indicadores da desigualdade. De igual maneira, ao sair da amostra no primeiro trimestre de 2018, provocou uma melhora artificial nos indicadores de concentração de renda, evidenciando o impacto da concentração de renda.

Mortalidade - Os dados recentes também apontam para um cenário de retrocesso nos índices de mortalidade infantil. De acordo com levantamento feirto pela Fiocruz, o congelamento de gastos no Bolsa Família e Estratégia de Saúde da Família impactarão diretamente na mortalidade de milhares de menores de até 5 até 2030. Segundo o estudo, serão quase 20 mil crianças cujas mortes estão decretadas pela política de cortes. (Com informações do Valor Econômico).

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Bandeira justa, erro tático


Meio correto, meio equivocado
Luciano Siqueira, no portal Vermelho

No próximo domingo, 27, o PT fará atos de lançamento da pré-candidatura de Lula à presidência da República em muitas cidades do país.
Na verdade, conforme se anuncia, manifestações de duplo conteúdo: um grito pela liberdade do ex-presidente, vítima de perseguição, condenado e preso sem provas; e a reafirmação de sua predisposição a disputar o pleito presidencial.
A luta pela liberdade de Lula é bandeira ampla, justa e oportuna, erguida pelo conjunto das forças de esquerda e extensos segmentos democráticos.
A pré-candidatura de Lula é um desejo legítimo do ex-presidente e do seu partido. Nenhuma força política consequente a esse intuito se opõe.
Mas o cenário é muito mais complexo do que poderia parecer a uma apreciação superficial. 
No meio do caminho há acirrado entrechoque de forças, pondo em lados opostos golpistas de vários matizes versus correntes democráticas que se apuseram ao golpe e agora agregam setores que participaram do impeachment da presidenta Dilma, mas hoje se postam em oposição ao governo Temer.
Um tremendo poço de areia movediça. Nada simples, nem seguro; tudo arriscado.
Considerando-se a atual composição do Congresso Nacional, o poderio do complexo midiático, a parcialidade e a militância ativa do Judiciário e do aparato policial, o campo golpista ainda reúne mais força do que a oposição, ainda que temporariamente disperso em torno de várias pré-candidaturas presidenciais. 
Na oposição, falta convergência de pensamento e de ação, indispensável à exploração das contradições no campo adversário e — sobretudo — à conquista de uma maioria eleitoral. 
Entre os blocos litigantes, há a imensa maioria do povo eleitor, ainda atônito e carente de perspectiva, que pode se inclinar para um lado ou para o outro.
Nesse contexto, não confundir o sentimento de solidariedade a Lula e a sua supremacia em intenção de votos nas pesquisas com força real e suficiente para vencer as eleições. 
As quatro vitórias sucessivas alcançadas pelo próprio Lula e por Dilma se viabilizaram através de frentes amplas e diversificadas. Desde o primeiro turno.
Agora, com um PT chamuscado e só, a pretensa apresentação de uma chapa “puro sangue”, formada por Lula e Haddad ou Amorim de vice, não sinaliza para uma composição ampla; antes passa a mensagem de que o PT resolve cuidar de si mesmo, pondo a segundo plano a busca de uma frente ampla politicamente consistente e eleitoralmente viável e, por conseguinte, priorizando o objetivo particular de eleger seus parlamentares, em detrimento dos destinos da nação..
Lula merece a solidariedade de todas as forças democráticas. Mas a senda isolada do PT não pode contar com a simpatia dessas forças, nem conquistará a maioria eleitoralmente necessária. 
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