O senador Flávio Bolsonaro compara situação do pai a período de repressão durante o AI 5 da ditadura. Não sei se o faz em razão de total desconhecimento de nossa história ou tentando confundir, pois durante a época sombria em que nossa Constituição foi violada e substituída pelos nefastos atos institucionais, quem tentasse fazer oposição ao governo imposto à força pelos militares seria preso e torturado, como foram milhares de brasileiros. Na situação atual, Jair Bolsonaro foi julgado com amplo direito de defesa e condenado conforme as leis vigentes.
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
02 agosto 2026
Sylvio: condenado nos termos da Lei
Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html
Palavra de poeta
Lunares Leoninos
Andréia Carvalho Gavita
Estarei sempre-viva.
Cultuo esta solidão que laçam,
Mais um palco para o sol.
Tenho leões
Mesmo adormecidos
Rugem-me evangelhos
Como músicas empoeiradas
Sarapintadas,
letras panteras deslizantes
no livro manuseado.
Os leopardos
sonâmbulos.
Passo-signo.
Leituras que nos caçam
a dinastia extinta.
Incansável realeza
Indestrutível ronda
Estou sempre-viva
Mesmo adormecida.
Espreito o que me
espreitam.
Nada me descreve. Antes, eu.
E tu, e os topázios.
Aquilo que tenho e
que só,
tu alcanças.
Aquilo que tens e que
só,
eu alcanço.
Rugidos e
extratos-feras.
Enquanto adormecem
sob nossos calcanhares:
galanteio, vaia, devoção.
[Ilustração:
Leia também: "Guarda-me em ti", poema de Raúl Zurita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_02016478250.html
01 agosto 2026
Minha opinião
Dois trunfos em favor de João
Campos
Luciano
Siqueira
A convenção da Frente Popular, neste sábado, no Clube Internacional — unitária, massiva e vibrante — sugere dois pontos diferenciais que poderão inverter a tendência hoje ligeiramente favorável à governadora Raquel Lyra e contribuir para a vitória de João Campos.
Um é a vinculação com o presidente Lula, extraindo toda a energia
simbólica que essa aliança implica.
Disputando pelo PSD e à testa de uma coligação de centro-direita, o
máximo que resta a Raquel é se dizer neutra em relação ao pleito presidencial,
convivendo entretanto com um palanque contraditório, onde despontam lideranças
e grupos de extrema direita vinculados ao bolsonarismo.
O outro é qualificar a aliança Lula-João Campos explicitando elementos
essenciais da batalha nacional — a defesa da soberania do país, por exemplo — e
sua relação com a retomada do desenvolvimento de Pernambuco e a busca do
desejado protagonismo regional.
Isto associado às políticas setoriais que têm marcado o discurso propositivo
do ex-prefeito do Recife.
Em outras palavras, esclarecido sobre a essência do que distingue João
Campos e Raquel Lyra e o modo com que cada um se relaciona com o projeto
nacional liderado por Lula, o eleitorado tenderá majoritariamente ao candidato
da Frente Popular.
Se comentar, identifique-se
Leia também: O voto híbrido ameaça Raquel https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_01230491090.html
Arte e vida
Enio Lins opina
Espetáculo dos palhaços assassinos no Gran Circo
Trumpnauro
Enio Lins
RAVIER MELEI, O PALHAÇO que se apresenta da Casa Rosada desde 10 de dezembro de 2023, fez uma presepada-relâmpago no Brasil no sábado, dia 25. O picadeiro foi a convenção do PL, onde o irmão da Karina Melei teve como ajudante de palco o trapalhão Flávio Didi Mocó Rachadinha Vorcaro, filho do Rair presidiário. Aparentemente, acrescentou mais desgaste à candidatura do enteado de Dona Micheque.
PALHAÇADAS, INCLUSIVE com direito a dancinhas no palco, não são novidade para
Melei, The Bolsonaros, nem para Trampo. Muito menos o destempero em violências
e ameaças verbais contra adversários, no particular, e contra a população na
geral, de forma ampla e irrestrita. É a velha tática da intimidação que todo
covarde usa e abusa desde antes da invenção da escrita, caprichando no berro,
urro e zurro. Emoção zero. É planejamento de marketing para ocupar espaço nas
mídias – meta sempre alcançada, até pelo que se lê nessas linhas que têm sua
atenção por ora.
HENRIQUE RODRIGUES, pela revista Fórum, abordou uma questão essencial: o
estímulo à violência individual, capitaneada pela agressividade de Melei
expressa no picadeiro do filho do mito. Não se tratou de mera provocação ao
presidente do Brasil e à Justiça brasileira, mas uma orientação de postura para
a militância bolsonarista. Essa é a avaliação de @prof.henrique_rodrigues.
Alerta extremamente importante, assinale-se. Incitar a violência é argumento
central da comunicação da turma do presidiário Zero-Zero. A substituição do
debate pela agressão é coisa useira e vezeira na estratégia da ultradireita
mundial. Suas consequências são facilmente identificáveis no Brasil dos tempos
bolsonaristas através de óbitos recorrentes, decorrentes da massificação desse
discurso. É o “direito do ‘homem de bem’ defender-se e à sua família”,
“vagabundo é para ter o CPF cancelado” etc. Algumas das consequências práticas
desse impulsionamento estão registradas em assassinatos de grande repercussão
cometidos por bolsonaristas ensandecidos pela “oração” do mito.
MOA DO KATENDÊ, compositor, percussionista, artesão, educador e mestre
de capoeira, foi esfaqueado por um militante bolsonarista, no dia 8 de outubro
de 2018, em Salvador, depois de ter declarado o voto em Fernando Haddad. O
assassino bolsonarista discutiu com Moa por ele não ter votado no ex-capitão
(hoje presidiário) e sem coragem de enfrentá-lo, saiu do bar, e sorrateiramente
voltou armado com uma peixeira e, pelas costas, desferiu 12 facadas, matando-o.
MARCELO ARRUDA comemorava o aniversário de 50 anos, em 9 de julho de 2022,
quando – como relata a BBC Brasil – “foi morto a tiros por Jorge José da Rocha
Guaranho, que invadiu a festa em Foz do Iguaçu, no Paraná, aos gritos de ‘Aqui
é Bolsonaro!’. O tema da festa de Arruda era o PT e a candidatura do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Guarda municipal, Marcelo, depois de
atingido pelos primeiros disparos e já caído ao solo, reagiu à bala, ferindo
seu assassino, um bolsonarista agente penal federal.
MAIS HOMICÍDIOS, menos divulgados, podem ser identificados em
decorrência das instigações bolsonaristas à violência, como no caso de Benedito
Cardoso dos Santos, de 42 anos, assassinado “com mais de 70 golpes de faca e
machado”, conforme noticiado pelo G1 em 26 de agosto de 2022. A vítima defendia
Lula e seu homicida era bolsonarista roxo, e o desentendimento se deu por conta
da posição de cada um nas eleições daquele ano. Ambos trabalhavam como
cortadores de lenha numa propriedade rural no município de Confresa, Mato
Grosso, a 1.160 km de Cuiabá.
TODO CUIDADO É POUCO nesse cenário, pois bolsonarismo e banditismo andam de mãos
juntas desde sempre, e nestas eleições 2026 estão especialmente tensos pelo
fato das candidaturas bolsonaristas (do filho e dos afilhados do mito) estarem
indo pro brejo.
Se
comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html
Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html
Humor de resistência
Boa notícia
Brasileiros estão otimistas com a economia, indica a Ipsos
Índice de Confiança do Consumidor sobe 0,6 ponto em junho e Brasil alcança 53 pontos, acima da média global e de países como Argentina, França e EUA
Murilo da Silva/Vermelho
O Brasil atingiu os 53 pontos no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), após subir 0,6 ponto em junho. De acordo com a Ipsos, responsável pelo levantamento divulgado nesta segunda-feira (29), o consumidor brasileiro tem encontrado estabilidade nos últimos meses.
O ICC dá nota de 0 a 100, sendo acima de 50 uma avaliação considerada positiva. A média global é de 47,9 pontos. Para se ter ideia, a França tem somente 38,7 pontos. A Argentina, ainda menos, 37,4 pontos. Os Estados Unidos, embora acima da média mundial, estão abaixo da zona positiva, ao registrar 49,1 pontos depois do recuo de 0,5 ponto no mês. O país com maior pontuação no ICC é a Índia, com 63,8 pontos.
Segundo a pesquisa, o cenário positivo do Brasil ocorre de forma paradoxal. Isso porque, apesar de notícias desafiadoras no âmbito macroeconômico de curto prazo, com revisões para cima da inflação e a possibilidade de interrupção do ciclo de queda dos juros, o consumidor brasileiro vive sob forte exposição midiática. No entendimento da Ipsos, situações como o escândalo do banco Master e o aumento de casos de violência, especialmente contra as mulheres, tiram o foco sobre o aperto financeiro que pode estar se avizinhando do bolso das pessoas, o que leva a uma percepção mais atenuada sobre a economia.
Para Rafael Lindemeyer, líder de experiência da Ipsos Brasil, o humor do consumidor está oscilando em prazos muito curtos porque ele vive em um ecossistema volátil: “de um lado, é pressionado pelo aperto real do bolso, que ativa sua mente crítica de consumidor auditor; de outro, a percepção de melhora no rumo do país injeta uma dose de esperança, despertando o consumidor parceiro”.
Há um esforço grande do instituto em justificar essa observação. Para isso, indica que o estudo What Worries the World mostra que 42% dos brasileiros acreditam que o país está na direção certa em junho, alta de 3 pontos percentuais em relação a maio e de 5 pontos percentuais na comparação com os últimos 12 meses. Por outro lado, destaca que Crime e Violência (47%) e Corrupção (39%) permanecem como maiores preocupações com o impulso da “superexposição midiática”.
A teoria é válida, porém carece de um entendimento mais profundo sobre renda e mercado de trabalho, pois o país nos últimos anos sob o governo Lula consolidou uma forte base socioeconômica, que possibilitou alcançar a menor taxa de desemprego da história, assim como a menor taxa de pobreza. A retomada de políticas como a de valorização do salário mínimo, somada à ampliação de programas sociais, como o Bolsa Família, permitiram, entre outras situações, a diminuição do número de pessoas das classes D e E (a base da pirâmide social).
Tudo isso são aspectos que devem ser considerados, uma vez que dinheiro na mão do trabalhador movimenta a economia, como insiste em lembrar o presidente Lula em seus discursos. Portanto, um cidadão com renda consistente e maior tende a ter mais confiança sobre o consumo de forma perene.
Se comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html
Brasil rechaça alegações de trabalho forçado para tarifas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/industria-afetada-pelo-tarifaco.html






